If I were dead
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Durante este vocês irão ter uma sensação de que a personalidade da Arizona, em um determindado ponto, é um tanto egoísta, mas gostaria de avisar que é só por este capítulo durante o qual a mesma está com seus pensamentos confusos, tal "egoísmo" não estará mais presente no capítulo seguinte.
Espero que gostem, boa leitura.
Arizona PDV:
É o dia após a festa de arrecadação de fundos do hospital e me encontro sentada em meu escritório escuro atualizando o prontuário de alguns pacientes. Tenho participado de muitas cirurgias nesses últimos tempos, afinal eu não tinha muito mais o que fazer além de focar no trabalho e em minha filha.
Conforme eu analisava minha letra, que naquela manhã estava quase ilegível, sinto uma forte pontada em minha cabeça, como se esta fosse explodir; e foi naquele momento que eu cheguei a conclusão de que não deveria ter bebido tanto na noite anterior.
- Minha cabeça vai explodir. — Penso. — Não consigo nem me concentrar.
Eu resmungo conforme descanso minha cabeça em minhas mãos. — Quem estou tentando enganar? — Reviro meus olhos; ótimo, como se eu já não tivesse problemas suficiente agora estou falando sozinha.
Respiro fundo quando meus pensamentos se direcionam novamente para noite de ontem. Para ser honesta, estou usando o álcool como desculpa para minha mente distraída, eu sei o verdadeiro motivo de estar me sentindo assim.
Callie. Callie é o que está me fazendo sentir assim. Ela estava tão linda ontem à noite, seu vestido preto combinava perfeitamente com seus longos cabelos. Ela estava simplesmente... perfeita. E isso me machuca um pouco. Tenho certeza de que minha terapeuta iria me perguntar por que isso me machuca e eu não teria problemas com a resposta, pois esta é simples: a mulher que eu amo não suporta ficar na mesma sala que eu, ela não consegue nem olhar para mim; os únicos momentos que nos falamos é quando estamos em um mesmo caso ou sobre nossa filha e para ser honesta eu não sei se irei aguentar esta situação por muito mais tempo. Não é necessário ter um diploma de medicina para entender por quê essa situação mexe tanto comigo, afinal é tudo por minha culpa.
Mas o que realmente está me incomodando hoje, mais do que minha tristeza usual e além da minha ressaca, é o que Callie fez ontem.
- Você acha que Callie vai me perdoar algum dia? — Eu lembro de ter perguntado à Kepner enquanto eu tinha minha cabeça apoiada na lateral de uma prateleira de metal, o que estava me ajudando a manter meu balanço.
- Provavelmente não, ela está dizendo para todo mundo na festa que você está morta. — Lembro-me que que ela tinha uma voz calma ao me contar mas ainda assim suas palavras me cortaram como uma faca que havia acabado de ser afiada.
Como a Callie pôde fazer isso comigo? Falar para as pessoas que eu estou morta... eu realmente não esperava isso dela. Ela realmente prefere que eu estivesse morta do que... isso, nossa atual situação?
Antes que eu pudesse me aprofundar mais nesses pensamentos tão dolorosos escuto alguém bater em minha porta. Ai minha cabeça...
- Entre. — Eu disse pigarreando, eu não preciso de ninguém sabendo que estou sofrendo.
- Doutora Robbins?" Kepner, minha nova... parceira de cachaça... amiga... ou o que quer que seja diz entrando em minha sala. Ela, aparentemente, não estava muito melhor do que eu. — Eu vim ver se você está bem... quer dizer, depois de ontem à noite... acho que a gente bebeu um pouquinho demais.
- Você acha? — Eu digo limpando minha garganta novamente. — Fora o fato de que eu sinto como se minha cabeça fosse explodir, eu estou bem. — Forço um pequeno sorriso. — E você? Você não parece muito melhor do que eu.
- Ah a mesma coisa, passei a noite inteira no banheiro, depois que passei mal no carro não consegui mais parar de vomi... —
Eu levanto minha mão indicando para ela parar de falar. Eu sou uma cirurgiã pediátrica e fluídos geralmente não me enjoam, mas com a minha ressaca e minha própria noite no banheiro eu realmente não precisava ouvir sobre a dela. — Por favor, nem termine!
- Desculpa, sinto muito. — Ela diz com uma voz suave, olhando para mim com tristeza e pena em seus olhos.
- Ei está tudo bem. — Eu digo com uma pequena risada. — Não precisa se desculpar por isso. E você também não precisa olhar para mim com esse olhar de quem tem pena da traidora que você e eu sabemos que sou.
- Não estou falando disso — Suas palavras continuaram e o que saiu de sua boca era o que eu já estava esperando. — Estou falando sobre... você sabe. O que a doutora Torres fez não foi certo.
O canto dos meus lábios sobem um pouco formando um triste sorriso conforme processo as palavras de April. Eu não consigo olha-la nos olhos neste momento, apenas olho para minha letra feia no prontuário que estava aberto em cima da minha mesa, April e sua garrafa de champanhe foram bons amigos ontem, mas neste momento eu só queria que ela saísse da minha sala e me deixasse sozinha. — Não se preocupe, eu vou ficar bem. — Eu finalmente olho para ela e me deparo com seus olhos tristes olhando para mim novamente.
- Eu espero que sim. — Ela disse simpaticamente antes de sair da minha sala.
Eu olho para o prontuário novamente e tento me concentrar, a última coisa que preciso hoje é de pessoas sentindo pena de mim, eu posso sentir pena de mim mesma.
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O dia têm ido bem calmo até agora e por isso eu estou mais do que grata. Não tivemos muitos traumas e as duas cirurgias que performei esta tarde já estavam marcadas e não eram complicadas. Acho que minha ressaca desapareceu em algum momento durante o almoço, mas mesmo assim eu acho que eu não teria sido capaz de aguentar qualquer procedimento complicado com a loucura que está minha cabeça.
Agora eram quase cinco da tarde e todos os membros do conselho estavam na sala de reuniões para a reunião Jackson havia marcado de manhã. Por favor não me diga que você está planejando outra festa. Mesmo se a festa não tivesse sido um desastre emocional para mim, ainda havia o fato de que eu havia estragado meu lindo vestido quando fechei a porta do taxi nele.
- Então pessoal, — Ele começou seu discurso. — a festa não foi exatamente como planejamos, tivemos alguns incidentes no meio do caminho mas não foi nada que nossos doutores não pudessem resolver. Por falar nisso, parabéns pelo excelente trabalho. — Ele disse olhando para Derek, Meredith, Owen e Callie.
- Nós conseguimos dinheiro suficiente? — Eu perguntei, não estava muito interessada em elogios no momento, só preciso saber se conseguimos dinheiro comprar os cobertores para o berçário.
- Nó conseguimos. — Ele disse sorrindo. — E para falar a verdade, conseguimos bem mais do que precisávamos.
- Qual departamento ganhou a competição? — Obrigada, Cristina, por direcionar essa conversa para o ponto que realmente interessa! Eu realmente só queria voltar para meu escritório e me sentir péssima em paz... ou talvez até a sala de suplementos de novo, mas dessa vez eu vou trancar a porta. — Quer dizer, espero que tenha sido cárdio, não passei minha noite inteira com um bêbado... —
- Você que o embebedou. — Meredith a interrompeu.
- Tanto faz, não passei minha noite com um bêbado pra nada.
- Sinto em te desapontar, Yang, mas não foi seu departamento que levou o dinheiro. — O olhar de descrença na cara de Cristina era impagável e eu tive de morder o canto da minha bochecha para segurar minha risada. — O departamento que levou o dinheiro foi a Ortopedia.
- Ah, vão se danar! — Cristina diz antes de sair da sala.
Como é que é? Callie ganhou? Eu não conseguia acreditar.
Eu teria ficado feliz por ela, mas não. Eu não vou ficar feliz por isso, ela ganhou porque ela fez pessoas acreditarem que eu estava morta, ela ganhou porque as pessoas sentiram pena dela, pena da pobre viúva Torres. Não é justo. Eu conseguia sentir meu rosto queimar com uma certa mistura de raiva e humilhação.
- Como é que é? — Ela perguntou surpresa.
- Você conseguiu o dinheiro para o seu departamento, não sei o que você fez, mas isso foi melhor do que os outros. Mesmo antes de eu levar os doadores para a galeria seu departamento já estava à frente da competição. Parabéns, Torres. — Ele disse com um sorriso.
Tirando Cristina que já havia deixado a sala todos agora abraçavam e apertavam as mãos de Callie a parabenizando antes de saírem da sala. Eu não podia deixar de olhar para ela, seu sorriso ia quase que de orelha à orelha porque ela havia conseguido o dinheiro; ela nem se importava que havia sido por causa de uma mentira, uma mentira sobre a minha vida... ou melhor, morte.
- Você não vai falar com ela? — Escutei o Owen dizer do meu lado enquanto eu levantava da cadeira e ganhava meu equilíbrio. — Eu entendo que vocês têm problemas, mas isto foi um ganho para o hospital. Você deveria tentar colocar sua vida pessoal...
- Owen, eu não quero ser rude ou algo do tipo, mas você é a última pessoa que deveria estar me dizendo isso. Você é um traidor também, a única diferença é que sua esposa não falou isso na frente de todos os seus colegas. — Você, assim como eu, deve ter pensado que eu teria algum apoio da outra pessoa do hospital com "traidor" escrito em sua testa, mas o problema é que a situação de Owen estava escondida enquanto a minha... não tinha uma pessoa no hospital que não sabia da história, apenas mais um motivo para as pessoas encararem. Que ótimo! — Alias, você não conseguiu consertar seu próprio casamento com a Cristina, então não tente se meter no meu. — Tudo bem, isso foi rude. Eu geralmente não falo com as pessoas assim, mas eu estava com tanta raiva que falei sem pensar. Este é um dos meus maiores problemas ultimamente, a mesma coisa aconteceu quando Callie e eu estávamos brigando na sala de plantão... eu realmente preciso aprender a controlar isso.
Owen ficou com uma expressão de surpresa estúpida. Mas sinceramente, o que ele estava esperando? Eu realmente pensei que fosse ter alguma simpatia dele, mas aparentemente a vadia do hospital não merece isso.
Conforme minhas pernas começaram a me carregar para fora da sala eu lancei um último olhar na direção de Callie e meu coração parou por um segundo quando meus olhos se encontraram com os dela, igualzinho aconteceu na noite anterior, só que dessa vez, em vez de ir embora me encontrei andando em sua direção.
Me encontrei de frente para ela e eu podia perceber que ela não estava confortável com essa situação, assim como eu. Vamos lá, Arizona, apenas diga parabéns e saia o mais rápido possível dessa sala, você não precisa nem apertar a mão dela, você não quer apertar a mão dela. Ela não quer você. — Parabéns. — Eu digo friamente sem a olhar nos olhos.
- É.. obrigada. — Ela responde. Eu posso dizer que de certa forma ela está envergonhada, ela sabe que o que fez foi errado.
Eu apenas balancei minha cabeça brevemente e comecei a me retirar da sala novamente, até a raiva subir minha cabeça e eu não pude me controlar, então me virei de volta pra ela. — Você deve ter usado um excelente argumento pra conseguir o dinheiro daquelas pessoas, né?
Ela me olhou nos olhos, ela sabe que eu sei.
- Arizona... — Ela disse com sua voz suave. Aquela voz faria meus joelhos se tornarem gelatina se eu não estivesse com tanta raiva. Aquela voz era a voz que eu estava louca pra ouvir novamente.
- Arrasou, Dr. Torres! — Eu digo sarcasticamente, jogando meus braços pra cima como uma falsa comemoração. Meus braços caíram de volta para meus lados fazendo um barulho alto quando minha mão esquerda atinge o plástico de minha prótese. — Sua esposa ficaria muito orgulhosa de você.
Aquelas foram minhas últimas palavras antes de me virar e finalmente sair da sala.
- Arizona, espera, por favor! — Eu pude escutar a Callie chamar, mas eu não olhei para trás. Eu precisava ir para meu escritório, aquele era meu porto seguro no momento, o único lugar que eu podia me permitir colocar para fora tudo que eu estava sentindo, isto é, além do meu apartamento vazio. Estava ficando cada vez mais difícil acordar sozinha naquele lugar, não ter a Callie do meu lado ou a Sofia pulando em nossa cama para nos acordar era muito doloroso. Quando eu finalmente chego eu meu escritório eu fecho a porta atrás de mim e me jogo no sofá.
- Arizona, por favor, abra a porta. — Escuto ela chamar do outro lado da porta. Eu não queria deixar ela entrar, tudo que eu queria era apenas ficar ali, jogada em meu sofá , e chorar. Será que eu não posso sofrer um pouco sozinha? Afinal eu estou morta, não estou? — Arizona, por favor... me deixa entrar, a gente precisa conversar.
Percebendo que ela não me deixaria em paz me levanto do sofá com força e abro a porta. — Agora você quer conversar? Eu tenho tentado conversar com você há semanas e você não me deu nenhuma chance, por que eu deveria deixar você entrar agora? Por que eu deveria te dar uma oportunidade de falar quando você me negou essa chance? — Eu sei por quê ela não me deu uma chance... porque naquela época eu não merecia falar com ela, mas nesse momento eu tinha tanta raiva em mim que deixei que isto controlasse minhas palavras, eu conseguia sentir minhas bochechas arderem e a veia em meu pescoço pulsar cada vez mais rápido conforme eu ficava ainda mais nervosa.
- Porque você não é como eu. — Ela diz suavemente. Que diabos ela quis dizer com isso? É porque eu não sou tão, digamos, "reativa" como ela? No passado talvez não, eu fui a cabeça fria em nossa relação, mas a Arizona que está aqui neste momento não era.
- Você disse pra eles que eu estava morta. — Eu digo com minha voz enlaçada de tristeza, as lágrimas agora escorrendo em meu rosto. — Você os fez acreditar que eu havia morrido na queda do avião.
- Eu sei... eu sei e isso foi errado, você não tem ideia do quanto me arrependo de ter dito isto.
- Você se arrepende... — Digo com um risada sarcástica, incapaz de terminar o que pretendia dizer. Respirei fundo e a risada cessou. — Você realmente se arrepende? Porque sinceramente eu acho que não.
- Como? — Ela pergunta com o mesmo tom que havia usado há alguns minutos atrás na sala de reuniões. — É claro que me arrependo... como você pode assumir tal coisa?
- Porque, — Eu digo abrindo mais a porta. — você preferiu mentir para eles vez de dizer que eu traí você. Quer dizer, acho que eu deveria ficar feliz por você não dizer a eles que sou uma vadia, mas dizer que eu estava morta... — Faço uma pausa para pensar se devo perguntar o que está em minha cabeça. — Você realmente preferiria que eu tivesse morrido na queda? Você estaria melhor sem a vadia desabilitada que tem como esposa?
O olhar nos olhos dela era frio, ela olhava para mim de um jeito que jamais havia olhado. — Você pode parar de me olhar assim? Eu consigo aturar esse olhar vindo de qualquer um, mas não de você. — Eu digo voltando para o meu sofá. Ela entra na sala e tranca a porta atrás dela, eu me aconchego no sofá e olho para ela. — Estou cansada de ver todo mundo me encarando.
Ela ignora meu comentário e se encosta na mesa de frente para mim. — Você realmente acha que eu preferiria que você estivesse morta? Que... que isso seria mais fácil pra mim?
- Honestamente? Acho.
Nenhuma resposta saiu da boca de Callie, eu esperei e esperei mas nada foi dito. Nós ficamos ali, olhando uma nos olhos da outra por um longo tempo, minha cabeça estava a mil por hora e eu estava tendo uma luta comigo mesma, tentando segurar as lágrimas; mas tem um momento que não somos mais capazes de segurar tudo que estamos sentido, então me permito desabar.
- Você não sabe do que está falando. — Foi tudo que ela disse. Eu podia ver seus olhos se enchendo de lágrimas, ela estava devastada... talvez não tanto quanto eu naquele momento, mas estava.
- Eu sei sim, Callie. — Eu disse com uma voz tremula. Nossa, de repente se tornou difícil formar palavras. — Desde a queda do avião sei que as coisas não têm sido fáceis, todas as adaptações que tivemos de fazer e todos os problemas do hospital... eu não me sentia como eu mesma e para ser honesta acho que isso nunca mais vai acontecer, eu mudei demais; e você... você também sabia disso.
- Como você acha que... — Ela tentou argumentar, mas eu a interrompi.
- E aí... a Lauren aconteceu. Nossa vida já estava uma bagunça e ela apareceu. Eu sei que você não quer falar sobre isso porque isso te machuca, mas acredite, isso me machuca também. — Eu realmente me senti mal por mencionar Lauren, mas eu precisei. Essa era a primeira vez que Callie me dava a chance de falar. — Isso me machuca porque agora todo mundo olha para mim como uma traidora. E eu sou uma traidora, não vou negar, mas agora... não sou mais loirinha ou menina dos sapatos de rodinha... sou apenas a traidora. — Eu tive algum tipo de revelação enquanto estava bêbada ontem à noite eu realmente precisava dividir isso com minha esposa. — Você não passou por isso, mas eu cresci sendo gay, eu sei como é quando as pessoas encaram; eles encaram e se acham no direito de te julgar por causa das suas escolhas, eles encaram e acham que têm o direito de julgar porque eu tenho uma perna... mas pra ser honesta com você, eu prefiro ser encarada por ser gay ou por ter perdido uma perna do que por ser uma traidora... uma vadia. — Eu fiz uma pequena pausa para que ela tivesse uma momento para processar o que eu havia acabado de dizer. — As pessoas te encaram porque você é bonita... eu não sou. — Eu pauso e balanço minha cabeça. — Pelo menos não mais. Mas ela me encarou também, sabe? Lauren... ela encarou, mas foi diferente, me fez sentir bem... era como as pessoas me olhavam antes do acidente. Ela sabia que eu não tinha uma perna, mas mesmo assim não se importou.
- Você acha que eu amo você menos porque você não tem mais uma perna? — Ela pergunta levantando uma sobrancelha.
Eu respirei fundo, o que eu estava tentando dizer não estava saindo da melhor maneira, parabéns, Arizona! — Não é isso que eu estou dizendo, digo, não mesmo. Você me conhecia antes, aquela mulher que estava sempre sorrindo o tempo inteiro... e agora... quem sou eu pra você? Você nunca vai me olhar do mesmo jeito que me olhou um dia. Eu não sou a pessoa com quem você se casou. — De repente um pensamento que me corta com uma navalha me vem a cabeça. — Talvez você estivesse certa quando disse que sua esposa tinha morrido... porque ela realmente se foi e o que ficou, bem... sou eu. Nossas vidas mudaram pra sempre, Callie. O que tivemos um dia, aquilo nunca vai voltar.
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