If I Were A Boy
23 Twenty-Three
Notas iniciais
Capítulo 23 – Twenty-three
Pov. Annabeth*
Eu fiquei observando as reações dele, eu tinha feito uma suposição, mas eu não tinha confirmado, mas eu definitivamente queria. Gabe deu de ombros e disse:
– Seria estranho. Mas pareceria mais com sua personalidade. Você é doce, extrovertido, briga com os meninos. – Ele riu e me olhou. Eu ergui as sobrancelhas e disse:
– Eu sou uma garota.
A primeira reação de Gabe com a minha declaração foi não acreditar, depois ele pensou que eu estava brincando e riu. Quando eu ofereci que ele poderia ver o que estava por debaixo do casaco, no caso o pano que tapava meus seios, ele recuou e arregalou os olhos, assustado. Claro, eu nunca o deixaria ver, mas mesmo assim eu sabia que ele ia recusar. Eu ri.
– Gabe...
– Então, você é mesmo uma garota? Eu não acredito! – Ele pareceu acordar depois que disse isso. Eu assenti. Ele riu em seguida. – É por isso que você é desse jeito... Os meninos sempre falavam que você tinha um jeito estranho... Mas meu Deus, como é possível? Ninguém descobriu? Ninguém sabe? – Hora de preparar o terreno agora.
– Não. Ninguém sabe, exceto, você e Nico.
– Mas como seu colega de quarto não sabe? Quer dizer, vocês passam horas juntos e tudo mais...
– Eu evito meu colega de quarto, assim como ele faz comigo. Temos problemas pessoais. – Eu falei não querendo aprofundar nada. Mas Gabe arregalou os olhos parecendo que sabia de algo. Esperei.
– Seu nome não é esse é?
– Meu nome é Annabeth.
– Annabeth Chase?
– Sim – Concordei.
– Você é a ex-namorada de Percy Jackson e colega do Luke... – Arregalei os olhos, mas como ele sabia disso?
– Mas como você sabe disso?
– No dia em que Luke e Percy estavam brigando no corredor, eles falavam de você. Eu estava perto naquele dia e ouvi tudo. – Gabe pegou em minha mão. – Percy é seu ex-namorado... E ele só estava com você por causa de dinheiro, certo? – Assenti.
– Sim, foi por isso que nos temos esse pequeno problema.
– Mas você não disse que ele não sabia que você era você? – Gabe riu. – Isso é confuso.
– Eu estou muito enrolada nessa história. Eu e Percy não nos damos bem desde o primeiro dia, mas eu acabei mentindo para ele que Alex era meu primo, sabe... Por causa da nossa aparência. E, além disso, eu fiz algumas coisas no final de semana... – Sentei e comecei a contar tudo para Gabriel, falei o motivo de estar ali, de ter essa rixa com Percy e por tudo que passei. Quando eu acabei, estava morrendo de fome, mas relaxada por ter mais alguém com quem contar. Gabe só passou a mão pelo cabelo ruivo e suspirou.
– Você está mesmo enrolada! – E riu. – Nós temos que te desenrolar.
– Você vai me ajudar? – Perguntei feliz.
– Adorei ganhar uma amiga, uma amiga que eu posso contar meus segredos e compartilhar dos dela. Pode não parece mais eu já confio muito em você Annabeth. – Eu fui em direção a ele e o abracei.
– Obrigada. E acredite seu segredo também está bem guardado comigo. – Me separei dele e pulei para fora da cama. – Mas agora, que tal irmos comer algo em? – Ele pulou junto comigo da cama e sorriu.
– É uma ótima idéia. Eu ainda não comi quase nada hoje.
Ele foi ao banheiro para apagar as marcas que seus olhos ainda tinham e logo em seguida estávamos indo ao refeitório para pegarmos algo para nossos estômagos vazios. Eu estava faminta, então peguei dois pedaços de pizza e suco. Não queria ficar no refeitório vazio, assim como Gabe. Então acabei me lembrando que os meninos deviam estar na sala de música, então decidi que era o melhor destino. Puxei Gabriel até lá, ele disse que ficaria desconfortável, mas prometi que estaria ao lado dele e ele acabou concordando. Entramos na sala de música e eu logo ouvi a voz de Luke, sorri.
– Hey meninos! – Eles pararam no mesmo momento em que eu e Gabriel entramos. Sorri para Nico que estava em sua posição e eles olharam para Gabriel. – Eu trouxe o Gabriel. – Leo veio na nossa direção e parou na frente de Gabriel.
– O preço de ficar aqui cara é um desses pedaços dessa sua pizza. – Eu ri por causa da cara de Gabriel e revirei os olhos, isso era a cara de Leo. Gabriel passou o pedaço de Pizza e Leo sorriu batendo suas baquetas enquanto mordia a pizza.
– Valeu cara! Você é Dez!
– Não liga. Leo é sempre assim. – Eu fui até o pequeno sofá que tinha ali e vi Gabriel me seguindo. Eu mordi mais um pedaço da minha pizza e esperei, mas nada veio. Ergui o olhar e vi que os meninos me encaravam.
– O que foi?
– Você não veio ajudar a gente escolher uma música? – Eu revirei os olhos.
– Toquem qualquer coisa, eu estou comendo. – Eu mordi mais um pedaço da minha pizza. Mas eles ainda continuavam me olhando. Pensei já que não parecia ter opção. Já sabia a perfeita. – Hum... Quero Paradise do Coldplay. – Nico sorriu e eles falaram alguma coisa. A melodia tocou e eu não pude deixar de me embalar pela batida. Olhei para os meninos e vi Nico piscar para mim. E quando a letra começou me surpreendi ao ver Nico ir ao microfone e não Luke. A voz era rouca, e eu não pude deixar de me encantar. Principalmente quando ele olhou para mim e começou a cantar. Droga. Eu acho que eu estava corada. Abaixei minha cabeça e respirei fundo. Gabriel tocou minha costa e eu xinguei, se ele tinha percebido, provavelmente Luke e Leo também. Mas o que será que eles pensaram sobre isso? Recompus-me o mais rápido que pude e levantei o rosto. Luke se juntou a Nico no refrão e eu não pude deixar de acompanhá-los. Eu amava essa música. Ela significava diferentes coisas para mim, e agora tinha se tornado ainda mais especial. Quando eles acabaram, eu larguei minha comida e aplaudi-os.
– Ficou ótimo meninos. Essa música com certeza vocês irão tocar amanhã, fechou? – Eles concordaram. – Quais as outras músicas que vocês escolheram? – Leo deu de ombros.
– Estávamos esperando você.
– Fica assim, cada um escolhe uma música que tal? Essa foi a minha. – Eu propus. Escolhemos as músicas e depois de eles ensaiarem, me vi querendo ir para minha cama, hoje tinha sido um dia extremamente puxado e eu queria somente descansar. Despedi-me dos meninos e de Gabriel. Nico se ofereceu para me acompanhar e eu não me opus.
– Como foi sua conversa com Gabriel?
– Foi tranqüila. Eu o ajudei com os fantasmas dele. – Nico sorriu.
– Ele sabe?
– Sim. Sabe. Eu sei que posso confiar nele. – Eu estiquei meus braços quando chegamos à frente da minha porta. – Obrigada por ter vindo até aqui comigo. – Sussurrei baixo.
– Tudo bem. – Nico chegou mais perto de mim e cochichou no meu ouvido: — Iria te convidar para sair daqui a pouco mais pelo seu olhar percebo que está realmente cansada, não é?
– Sim. Desculpe. – Nico sorriu.
– Você me deve uma viu?
– Como assim?
– Rafael disse que você tinha obrigação de ir para a festa hoje, mas eu te livrei. Todos da fraternidade tinham que ir. – Olhei para porta e vi o nome de Percy.
– Então, Percy com certeza foi não é? – Nico assentiu.
– Provavelmente. – Eu peguei na blusa de Nico e olhei para o corredor. Não havia ninguém e estava realmente tarde.
– Vem cá! – Eu o puxei para mim, o beijando com força. Meu lábio estava faminto e eu queria muito o beijo de Nico. Mordi seus lábios e fiz nossas línguas se encontrarem. Suspirei com o beijo. Separei-me de Nico e ri. – Tudo bem. Já corremos risco demais. – Nico passou a mão pelo cabelo e sorriu me olhando intensamente com aqueles olhos negros.
– Mas somente assim que fica mais divertido não? – Me despedi dele. Me virei e peguei minha chave. Entrei, liguei a luz e vi o quarto silencioso. Percy tinha ido para a festa. Tranquei a porta e tirei meu casaco. Tirei meus panos e o resto de minhas roupas, peguei uma toalha e corri para o banheiro. A água estava quente e maravilhosa. Eu estava extremamente cansada e só queria descansar. Acabei meu banho e me arrumei. Coloquei um short folgado e uma blusa do Pikachu, que eu amava. Fui para cama, mas depois que a água tinha descido pelo meu corpo, eu estava realmente alerta, e o vazio da cama ao lado me incomodava. Olhei para o relógio e percebi que já se passava da meia noite. Hoje o dia realmente tinha passado voando. Peguei um livro e o abri, o titulo era Violetas de março e era realmente fascinante a leitura. Foquei tanto na leitura que não vi as horas passarem, e só me assustei quando a porta foi aberta e vi um Percy caindo entrando no quarto. Larguei o livro rapidamente e fui até Percy. O cheiro de cerveja era perceptível e embrulhava meu estomago. Mas mesmo assim fui. Cheguei antes que ele caísse de cara no chão. Fechei a porta e joguei seu braço em torno de mim, ele estava quase apagado.
– Alex... – Ele falou meu nome com dificuldade.
– Estou aqui. – Falei enquanto o carregava, ou pelo menos tentava levar ele para o banheiro. O arrastei devagar, mas Percy continuou a falar.
– Você parece tanto com sua prima... Vocês dois parecem geme... Gêmeos. – Suspirei. Se ele soubesse que éramos a mesma pessoa. Cheguei ao banheiro e coloquei Percy para dentro com um maldito esforço. Ele se apoiou na pia e eu fechei a porta. Eu não sabia o que fazer. Bom, despir Percy estava fora de cogitação, então, eu tinha que pelo menos jogar ele dentro do chuveiro. Abri a porta do Box e puxei Percy. O peso do corpo dele foi transferido totalmente para mim, fazendo nos dois entrarmos com tudo no Box. Eu não gostei daquilo, estávamos perto demais. E sem querer minha respiração acelerou.
Só é pequeno aqui. Só porque é pequeno. Olhei para os olhos de Percy e eles estavam quase fechados. Graças a Deus. Estiquei minha mão e a água começou a escorrer. Desencostei-me de Percy e o joguei para debaixo da água fria. Eu não queria me molhar, mas mesmo assim, acabei completamente molhada. E isso foi uma droga. Olhei para Percy e vi que seus olhos estavam abertos. Ele se segurava, mas parecia estar inconsciente. Eu queria sair desse lugar, mas droga, uma parte de mim odiava deixa-ló sozinho ali naquele momento. Peguei o xampu e coloquei um pouco em minha mão. Passei em seu cabelo e comecei a massagear. Eu me lembrei de quando Olímpia fazia isso em mim quando eu estava enjoada, sempre me fazia ficar melhor.
– Percy... Você é um completo idiota, sabia? Sair e voltar assim, nesse estado. Eu não sou sua babá ou sua mãe para cuidar de você – Comecei falando – Eu devia deixar você se virar completamente sozinho.
– Então, por que está aqui? – Ele falou pela primeira vez na noite, me assustando. Minhas mãos pararam o que estavam fazendo. – Continue. – Ele disse quando fiquei paralisada.
– Eu não queria deixar você daquele jeito.
– Você gosta de mim? – Ele pegou em minha cintura e um frio percorreu meu corpo. Eu estava molhada, não usava o pano por debaixo, somente o sutiã, se ele tocasse mais um pouco para cima iria sentir. Tirei minhas mãos do seu cabelo e tirei suas mãos do meu corpo.
– Claro que não! Já te falei isso Jackson! Ficou maluco de vez?
– Odeio quando você me chama pelo sobrenome. Lembra-me sua prima. – Ele se sentou no chão frio e passou a mão pelos cabelos. – Acho que todo seu ódio e da sua prima estão funcionando... – O que aquilo queria dizer?
– O que está dizendo Jackson?
– Pare de me chamar de Jackson! – Ele tossiu e eu me abaixei. Ele ainda estava bêbado. Era perceptível. – Ela não sai da minha cabeça, e toda vez que eu olho para você só piora! Espero que esteja feliz e conte para ela. Não é isso que você quer? – Eu senti minha garganta entalar com o nada.
– Você gosta da minha prima?
– Não. Eu não gosto. – Ele disse com firmeza. Quase gritei de frustração. Eu nunca iria conseguir entender Percy. – Eu só... Eu só... – Me abaixei e peguei em seu braço.
– Vamos. Você precisa dormir, está delirando. – Eu o levantei devagar e aos tropeços. Ele se agarrou a parede e a lateral do Box. O coloquei mais uma vez debaixo da água corrente e abri os olhos dele. Sorri e dei um tapa no rosto dele. Ele se virou chocado e eu consegui não rir.
– Você está mais desperto? Ou precisa de outro tapa?
– Ficou louco? – Ele pegou com tudo em meu peito e me afastou para trás. Meus seios foram tocados. Olhei para ele assustada enquanto meus piores temores aconteciam, mas se ele percebeu algo não demonstrou, ele só me olhou com raiva. Recompus-me também, eu não podia estar surpresa ou assustada.
– Não tem café, então esse foi o melhor método para acordar você. E quer saber... Se vira Jackson. — Eu saí dali o mais rápido que podia. Peguei uma toalha no meio do caminho e comecei a me enxugar. Olhei para meu estado e pensei aonde eu iria me trocar agora. O jeito seria esperar ele sair do banheiro e depois me trocar. Percy saiu do banheiro alguns minutos depois, ele não tropeçava e estava limpo e vestido de forma correta depois de eu deixar algumas roupas para ele. Eu me levantei e caminhei até o banheiro, mas antes que eu entrasse, ele me parou, entrando na minha frente. Eu parei, estávamos perto demais.
– Obrigada – Ele declarou. Acenei.
– De nada. – Entrei no banheiro com uma roupa e suspirei trancando a porta. Eu estava com um pouco de medo, se ele tivesse descoberto seria o meu fim, mas eu acho, ou melhor, mantinha as esperanças de que ele não tinha descoberto, pois senão ele teria falado quando tocou em mim. Vesti-me adequadamente e voltei para o quarto e vi que ele estava coberto dos pés a cabeça, me arrastei até minha cama e fiz a mesma coisa. Como eu estava extremamente cansada depois do dia cheio de acontecimentos, acabei caindo no sono de tanta exaustão.
...
Eu acordei com alguém me chamando. Abri os olhos devagar e quase dei um pulo da cama quando vi Nico me olhando a sorrir. Cobri-me com o lençol e olhei pelo quarto, para cama ao lado.
– Oi.
– Oi. O que está fazendo aqui? Cadê Percy?
– Ele está no banheiro. Vocês estão atrasados. – Eu suspirei e me levantei. Eu não queria mesmo sair da cama, mas era o jeito, eu tinha tantas coisas para fazer. Recostei-me no Nico e ele passou a mão por meu cabelo, e estava tão bom o carinho dele que eu poderia dormir e não querer mais sair dali. Mas me separei a contragosto de Nico, antes que Percy aparecesse ali e tivesse mais uma razão para achar que eu era Gay. Acho que eu ia acabar adotando a alma afeminada. Era o jeito.
Percy depois de alguns minutos saiu do banheiro e eu entrei. Arrumei-me bem rápido, fazendo tudo desleixadamente. Saí arrumada e parei ao ver Nico e Percy me esperando. Nico era normal, mas Percy? Isso era estranho, para mim, ele já estaria bem longe daqui.
– Vamos? – Nico falou e eu concordei. Percy se pôs ao nosso lado.
– Você vai com a gente? – Perguntei. Ele concordou. Dei de ombros, achando estranho, mas de repente um frio percorreu minha espinha. Minha mão soou e olhei para Percy mais calmamente. Ele estava me analisando. Eu parei.
– Vai demorar muito Alex? Se sim, fale logo, pois eu posso ir logo. – Ele disse e eu respirei relaxada, talvez fosse só paranóia minha mesmo.
Andei devagar e tentei esquecer ontem, eu teria um grande dia pela frente e nada como isso podia ficar na minha mente agora.
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