If I Were A Boy
24 Twenty-Four
Notas iniciais
Capítulo 24 – Twenty-Four
Pov. Annabeth*
Eu fiquei pensativa durante todas as minhas aulas naquela manhã. Nada parava na minha mente, era muitas informações, problemas e etc... Eu juro, eu poderia pirar. Eu sou exagerada, eu sei... O que sinceramente só piorava a situação. Para tentar não pensar em coisas desnecessárias, foquei no meu verdadeiro problema, aquele que realmente importava e era a razão de eu estar ali. Luke. Eu estava abalada com o fato de ele ser apaixonada por mim, mas o que eu poderia fazer? Ele gostava de mim? Certo. Eu gostava dele? É claro. Ficaria com ele como algo além de amigo? Não. E essa resposta me dava um nó. Luke era a melhor opção para mim. Era seguro, alegre, me entendia, e eu o amava. Não seria perfeito? Teríamos lindos filhinhos de cabelos castanhos e olhos cinza. Vejo até a cena toda em minha cabeça. Minha mãe aprovaria a idéia e eu teria um final feliz. Era isso que eu procurava certo? Era. Eu queria um final feliz, mas e o amor? Era aí que travava. Sentia-me bem tola e idiota. Que droga de amor. Quando eu lia em livros que isso era o que ferrava a gente na vida, eu não discordava, pois realmente era. Dinheiro? Luta-se, se trabalha e consegue. Fama? Se você tiver um talento, se aproveite dele e ganhe seu sucesso. E o amor? Sempre travava. Não se consegue amor se não se merecer. Não é uma coisa que se pode comprar, você tem que trabalhar duro para conseguir, e às vezes nem é de verdade. Mas será? Luke... Suspirei. Ergui a cabeça e olhei para ele do outro lado da sala. Senti o olhar de Nico ao meu lado. Ele sabia que eu estava pensativa, mas nada falou, era isso que eu mais adorava nele. Observei o pescoço de Luke e o modo como ele mexia suas mãos sobre a mesa. Ele tinha um lápis preso entre uma das mãos e o mexia freneticamente, quase como se estivesse batucando ao som de uma música. Seu talento musical sempre foi nato. A sua inteligência musical sempre foi grande e visível. Eu perguntei-me o porquê ele estava ali, se iria cursar outra coisa. Eu ainda queria saber qual era o grande motivo por trás daquilo tudo. Era o sonho dele ser músico. Sempre fomos confidentes, eu sabia tudo sobre Luke. A única coisa que eu não sabia nada sobre Luke era sobre o pai dele. Eu não sabia nada sobre o pai dele. Luke sempre evitava esse assunto, e depois de um tempo eu deixei de perguntar. Mas eu nunca soube quem era seu pai. Tia May nunca teve dificuldades com relação a dinheiro. Acho que a única coisa que eu sabia, era o nome do pai de Luke, mas só. Luke nunca foi revoltado por não ter a infância com o pai ao lado, ele sempre foi um garoto normal. Ou essa era só a minha percepção? Mas eu conhecia Luke desde criança, era impossível isso.
– Você está bem Alex? – Nico me assustou com sua pergunta. Voltei à realidade e olhei para ele.
– Estou. Só estava distante...
– Percy está de olho em você, e você não para de olhar para Luke. Acho que é melhor você parar. – Concordei. Eu estava mesmo quase secando Luke, mas enquanto minha mente trabalhava, eu quase não tinha noção do que estava fazendo. Tentei ao máximo prestar atenção na aula. Mas eu iria arrancar isso de Luke. Eu tinha duas semanas e meia para fazer isso. Meu passo tinha sido de tartaruga até aqui, mas era consideravelmente melhor do que nada. As aulas se passaram lerdamente. Eu quase morri de tédio. Eu estava muito desinteressada ultimamente, isso era notável. Mas como não era realmente minha faculdade, eu realmente não estava muito ligando, e principalmente quando eu já sabia as matérias passadas. Na hora do almoço, eu e os meninos sentamos todos juntos. Quando digo todos, digo todos mesmo. Tipo, eu, Nico, Luke, Leo, Gabe, Jason, Percy e Rafael. Gabriel ficou super desconfortável e eu entendi isso dele, por isso, eu e ele tratamos de ficar do lado oposto de Percy e Gabriel.
– Estão todos encarando... – Leo falou com um sorriso no rosto. – Nossa nova formação...
– Leo nós não somos Power Rangers! – Brinquei. Leo começou a mover os braços e eu ri reconhecendo os movimentos.
– Eu gostava de Power Rangers. Eu era sempre o vermelho. – Gabriel riu, assim como todos na mesa. Rafael pegou uma uva de sua bandeja e jogou em Leo. Revirei os olhos. Voltei meu olhar para meu prato. Senti uma uva sendo jogada em mim, levantei o olhar, e todos me encaravam. Peguei a uva.
– Quem jogou em mim? – Analisei cada um.
– Você está muito calado hoje Alex. O que aconteceu? – Ninguém respondeu. Somente Luke me lançou essa pergunta. Seu olhar era inquisitivo. Respirei fundo. O que eu iria falar?
– Saudades da Julieta? – Percy perguntou irônico. Revirei os olhos.
– Eu só estou pensando no dia puxado que teremos. Só isso. Nada demais. – Olhei para Percy. – E sim, eu estou com saudades da minha namorada. – Achei até bom ele ter comentando no nome de Thalia. Fazia um tempinho que eu não falava com ela. Peguei o celular para mandar uma mensagem e na mesma hora o sentir tocar, parecia até que Thalia tinha telepatia. Atendi.
– Oi – Ela disse parecendo entediada. – Queria muito falar com você... Como estão as coisas? – Sorri. Eu teria que mostrar para ela logo que eu estava com os meninos perto de mim.
– Oi amor. Eu estou bem e você? – Só com o “amor” eu sabia que ela ia pegar.
– Oh coração! – Ela riu, e eu ampliei meu sorriso – Você está com eles não é?
– Sim. Todos. Fico feliz que você esteja bem. – Thalia só faltou acabar com meu ouvido de tanto que ela riu.
– Sim amorzinho, com certeza. Hey querido, que dia você estará disponível para sair daí? Eu e Tami procuramos algumas bibliotecas onde você podia trabalhar, como você disse para sua mãe, e acabamos achando uma. É em um bairro afastado, mas mesmo assim, realmente bom. Eu falei com a moça que cuida de tudo e ela disse que na hora que você aparecer por lá, terá coisas para você fazer. – Quase pulei de felicidade. Ótimo.
– Oh Anjo. Nem sei como te agradecer. Quer dizer, vocês. Mande um beijo para ela para mim, também Ok?
– Tami disse que sua mãe está mesmo puxando no seu pé!
– Sabe como é? A coroa gosta de saber o que eu ando fazendo...
– Atena ia te matar se visse você falando dela assim. – Ri concordando.
– Com certeza. Mas como ela não sabe... Está tudo bem.
– Que horas e dia você pode ir?
– Hum, amanhã eu escapo daqui. As horas, eu não sei...
– Oh, marcando um encontro com sua Julieta... Que romântico... – Leo suspirou. E eu o olhei. – Sim, vocês não têm nada melhor para fazer não? – Todos negaram em conjunto. Só que uma reclamação involuntária saiu e por essa eu não esperava.
– Não. Desde que você pegou minha namorada ela nunca mais ligou para mim. – Olhei para Jason e ergui as sobrancelhas. Fazia uma década que eu não falava com Piper e sabia que ela tinha se dado valor e ouvido meus conselhos, mas não sabia que ele achava que eu era a culpada desse termino de namoro.
– Ex-namorada. – Nico assinalou.
– Hey, muito bem. Ex-namorada. Se você não soube cuidar da ótima garota que tinha em mãos, a culpa não é minha. – Thalia que estava calada exclamou:
– Você me traiu? – Eu arregalei os olhos.
– Não amor, era quando estávamos brigados. Eu não traí você! Nunca faria isso! – Ela murmurou algo do outro lado da linha. Luke sussurrou algo para Nico e ele assentiu. Gabriel pegou na minha mão e indicou que o horário já estava acabando.
– Eu tenho que desligar Julieta.
– Tudo bem. Hum, mas antes, que tal as três amanhã?
– Certo. Você vem me buscar?
– Fechado. Estarei aí amanhã.
– Também te amo. – E desliguei. Sorri. Era bem legal encenar com Thalia. Ainda mais com os meninos ali. Ficava perigoso e eu me sentia uma ótima atriz. E a parte do também te amo deve ter a feito rir. Coloquei o celular em meu casaco e ouvi o sinal tocar. Peguei minha bandeja e Nico me seguiu junto com Gabriel. Eu estava quase reclamando, eles estavam virando guarda costas.
– Que aula você tem agora?
– Na verdade. Eu não escolhi um curso, então a maioria das aulas de agora eu nunca faço. Eu estava pensando em ir para arquitetura mesmo, mas eu vi o assunto... São coisas que eu sei. Estava pensando em só parar o professor por aí e trocar algumas idéias com ele. Se ele propor algo que eu não sei e que talvez não esteja na grade, aí sim, eu irei nas aulas dele.
– De arquitetura? – Nico perguntou. Concordei.
– Conheço. Depois de apresento.
– Eu iria adorar. Obrigada. E vocês dois? No que se inscreveram?
– Eu ainda não sei o que quero, mas meu pai mesmo se deu o trabalho de pensar por mim. Por isso tenho aula de matemática financeira agora. – Sorri tristemente para Nico. O pai queria que ele seguisse a carreira dele, por isso ele tinha aquela aula. Provavelmente o curso era administração de grandes empresas, ou algo do tipo.
– Boa sorte. E você Gabriel?
– Eu tenho aula de música.
– Música?
– Eu descobri que Luke está fazendo direito. – Nico comentou. Ele não estava na aula de música, estava fazendo direito. Eu já sabia o que eu iria fazer hoje.
– Boa sorte meninos. – Corri descendo as escadas, quase não me despedindo. Fui até a secretaria e peguei com a secretária a minha permissão, ela sorriu para mim enquanto entregava o papel, mas eu já estava saindo dali como um foguete. Fui para onde ela disse que ficava a sala e entrei. A pessoa responsável pelo papel pegou o meu. A sala estava lotada. Por isso tive que sentar realmente no final. Queria sentar ao lado de Luke, esse que estava bem no meio da sala, mas fiquei contente de pelo menos observá-lo. Passei meia hora tentando ficar atenta a matéria que o professor explicava, mas nada me deixava ficar entretida, somente Luke. Então, quando ele se levantou bem rápido no meio da aula, fiquei realmente atenta a ele. Eu fiquei preocupada, será que tinha acontecido alguma coisa? Ele saiu e depois de alguns segundos o segui. Quando sai eu ainda o vi no fim do corredor, corri. Ele passou dos corredores e eu fiquei ainda mais curiosa a cada passo. Quando ele parou na sala de música, sorri automaticamente. Eu não acredito que era para aquele lugar que ele estava indo. Entrei minutos depois, eu ainda estava tentando conter meu sorriso, então foi bem complicado. Ainda tinha lugares vagos, não era todos que iam para aquela aula. Sentei ao lado de Luke. Ele não tirou os olhos do professor, somente se inclinou um pouco mais para mim:
– O que está fazendo aqui?
– Eu gosto desta aula. – Menti. – E você? Que eu saiba esse não é o curso que você faz. – Joguei.
– Não é. Mas é o que eu queria fazer. – Respirei bem fundo.
– O que te impede? – Eu olhei para ele. Suas expressões estavam travadas. A mandíbula trincada, os olhos fechados, ele estava mordendo os lábios para completar. Isso Luke! Acaba comigo! Ele estava lindo com essa expressão.
– São coisas de mais Alex. Eu não posso falar. Não falei isso para ninguém, nem ao menos para minha melhor amiga. – Ele disse abrindo seus olhos cor de avelã. Suspirei. Ele não contaria para o Alex agora, mas quem sabe para mim. Toquei seu braço.
– Se aquilo não te faz feliz, e sim isso, você tem que saber enfrentar as barreiras. No final da vida não é o seu bolso cheio que irá importar. Serão as experiências que estarão em seu coração. – Virei o rosto. – Eu vou passar o resto da vida exercendo a profissão que eu escolher aqui, não quero ter uma vida de desgosto. – Eu não quis falar mais nada, já tinha falado o suficiente. Assistimos o final da aula e depois saímos juntos. Eu queria passar na sala de Ártemis para preparar as coisas de nossa saída hoje, então me despedi de Luke e fui até lá. No meio do caminho encontrei Percy. Ele estava com as mãos enterradas no seu jeans e um sorriso debochado no rosto.
– Para onde você vai?
– Para a sala da professora Ártemis. – Ele se virou e começou a caminhar do meu lado. Ok. Isso estava me dando medo. Desde ontem, Percy estava me seguindo sempre que me via. – Posso saber o que está fazendo?
– Te acompanhando?
– Porque isso? Você não gosta de mim! – Declarei.
– Eu só acho que é como se tivéssemos uma divida depois de ontem. Eu falei muitas besteiras? – Percy Jackson se sentindo mal. Isso era novidade.
– Nada além do habitual. Mas relaxa Jackson...
– Odeio quando me chama de Jackson...
– É. Acho que eu ouvi isso ontem. – Resolvi jogar uma verde, quem sabe eu não colhia maduro. – Quando você falou que não parava de pensar na minha prima e que gostava dela. – Ele arregalou os olhos, mas rapidamente voltou ao normal.
– Eu falei isso? É. Eu estava mesmo louco.
– Minha prima já sabe de tudo. Ela te mandou lembranças e um beijo na bochecha.
– Cara, você parece uma garota. Tem ser fofoqueiro? – Revirei meus olhos.
– Minha prima merecia saber disso, afinal, você falou dela. E sabe, ela ficou muito feliz, ela disse que ganhou o dia.
– Sua prima... Hum... Tem sorte de eu não falar algumas coisas para Luke.
– Vingança? Sabe... Você não ganha nada destruindo a amizade dela. Espera, talvez somente um soco na sua cara, se contar para ele do beijo. – Respirei fundo e vi a porta de Ártemis. – Olha Percy... – Falei devagar o nome dele. – Não temos nenhuma divida. Fiz aquilo, pois tive pena de você. Não precisa ficar me seguindo por aí, não Ok?
– Não. Tudo bem. Eu gosto de te irritar. – Fiz cara feia e bati na porta da professora. Pensei em mandar Percy embora, mas se ele ficasse ali talvez houvesse uma chance da professora não dar em cima de mim.
Ela abriu a porta e sorriu para mim radiantemente. Puxei Percy junto comigo e logo o sorriso dela desapareceu.
– Tem alguma reclamação para fazer Alex? Quer dizer, com relação ao senhor Jackson?
– Na verdade não. Ele está me acompanhando. – Sorri. – Vim buscar os detalhes da nossa saída hoje. Ele vai já que está na detenção ainda. – Ártemis foi até sua mesa e pegou um papel, veio até mim e me entregou.
– Uma van irá vir buscar vocês daqui a pouco. Vocês podem vestir roupas normais. O endereço do hospital está aí. Afrodite se candidatou a ir com vocês. Eu tenho alguns assuntos a tratar.
– Afrodite? – Fiz cara feia. Tinha que ser a sexóloga? Sério?
– Sim. Ela é a única disponível em casos como esse. – Assenti de mau gosto.
– Obrigada professora. Era só isso. – Eu agradeci. Puxei Percy, mas antes que pegasse na porta Ártemis falou:
– Posso falar um segundo com você Alex? Sozinho? – Engoli em seco. Oh meu Deus. Essa mulher não iria me deixar em paz. Sem querer não percebi que estava agarrando a blusa de Percy com extrema força. Olhei para ele, era a minha única chance. Ele se abaixou para mim.
– Qual o problema? – Sussurrou.
– Eu não posso ficar sozinho com ela. Tira-me daqui. – Sussurrei de volta. Ele sorriu acenando.
– Professora, será que ele pode falar com a senhora depois? Temos muitas coisas a fazer, e ainda temos que carregar os instrumentos da banda. Certo. Obrigada. – E dito isso, me puxou para fora da sala. Começamos a correr, e eu me vi rindo enquanto atravessamos alguns corredores segurando Percy. Só vim me tocar disso quando estávamos quase no nosso quarto, minha respiração acelerada, a risada descontrolada, a mão na blusa dele. Percy abaixou os olhos e seu sorriso se desfez, assim como o meu.
– Desculpa. – Soltei minha mão e abri a porta do nosso quarto. Ele entrou e trocamos de roupa. Eu no banheiro e ele no quarto. Saí ajeitando meu cabelo. Eu coloquei Gel, achando que ficaria mais ajeitadinho. Ficou uma gracinha. Ridículo, para falar a verdade. Mas eu supero. Eu coloquei um moletom preto, e uma blusa branca, calcei meu All-stars e puxei a calça jeans. Analisei minha bunda. Eu acho que tinha uma bunda grande demais para um garoto. É. Os meninos teriam que superar isso. Meu estilo estava digno para Thalia. Eu adorei. Sai do quarto e nem bati. Percy estava sem blusa e exibia seu peitoral maravilhoso, não grande, mas bom o suficiente para mim. Peguei o celular na bancada, para que ele vestisse logo sua blusa, mas ele não o fez.
– Qual blusa? – Perguntou. Olhei as opções e apontei para a azul. Combinava mais com ele. Saímos do quarto depois de alguns segundos e fomos andando até a sala de música. Mandei mensagem para que nós encontrássemos lá. Sentei e esperei. Percy não fez o mesmo que eu, ele começou a andar pela sala.
– Sabe tocar alguma coisa?
– Um pouco de violão. Nada demais. Nunca me interessei por música.
– Toca. Eu quero ver.
– Eu não sei.
– Você disse que sabia um pouco, eu quero ver esse pouco. – Ele me analisou por um segundo e assentiu, pegando um violão que tinha ali.
– Alguma música em mente?
– Na verdade tenho, mas não é uma que você conheça. E muito menos vá gostar. Ela é aquela típica música de menina. – Dei risada. Eu estava pensando em Taylor Swift. Desde que eu ouvi, me identifiquei muito com aquela música. E combinava tanto com nós, de um jeito diferente claro, que eu tinha me apaixonado.
– Não tem problema. Qual é? – Peguei meu celular e coloquei Begin Again para tocar. Ele escutou uma vez comigo e eu me vi suspirando e cantando a letra. Eu ainda não tinha achado alguém que me amasse e fizesse coisas diferentes como Percy nunca fez, mas eu tinha recomeçado. Tinha achado uma razão para viver. E isso importava.
Percy assim que a música acabou começou a dedilhar e a melodia era idêntica. Ele ergueu as sobrancelhas e disse:
– Cante. – Eu neguei. – Vamos! Eu fiz minha parte, faça a sua. Você sabe a letra. – Eu não achava uma boa idéia, mas minha voz sem querer saiu. Percy me olhou e eu poderia me enterrar. Eu não sabia cantar. Cantava pessimamente. Mas eu deixei isso para lá no momento seguinte, pensando que não importava, então coloquei toda coração nela. Cantando devagarzinho. Quando acabei abri os olhos e quase pulei de susto. Os meninos me olhavam, paralisados. Só faltava essa.
– Calem a boca e não falem nada. Peguem os instrumentos. – Eu vociferei. Leo riu e eles começaram a pegar tudo. Quinze minutos depois estávamos todos apertados na van. Afrodite estava dirigindo. Coloquei na rádio e suspirei enquanto ouvi Somebody That I Used to Know do Gotye. E essa música sim, combinava totalmente comigo e Percy. Essas músicas estavam de perseguição comigo ou o quê? Eu iria me trancar no quarto e ficar de quarentena. Era o jeito. Minutos depois estávamos no hospital. Os meninos correram para tirar os instrumentos, eu e Afrodite entramos para dizer que já estávamos lá. Não fiz quase nada Afrodite tomou conta de tudo. Ela depois andou comigo e disse para os meninos onde iríamos colocar os instrumentos e depois onde eles se apresentariam. Afrodite me passou uma lista e eu assenti.
– Eu dividirei os quartos em que vocês devem ir. – Sorri. Afrodite me interrompeu:
– Eu tive uma idéia enquanto vinha para cá.
– E qual é?
– Vamos pintar os meninos de palhaços, assim ficará bem mais divertido. Venham cá. Eu vou pintar vocês! – Eu ri e me ofereci:
– Eu posso ajudar. Eu sei mexer um pouco com maquiagem. – Afrodite sorriu para mim.
– Venha cá amoreco. – Revirei os olhos e sentamos os meninos nas cadeiras mais próximas, eu fiquei meia hora ouvindo reclamações de todos os tipos, mas eu rebati cada uma com fervor. Leo foi o primeiro a estar pronto. E parecia o mais animado. Com certeza esse não precisava de se pintar de palhaço, para ser um.
– Você pode ir para o quarto 210 Leo. – Ele andou. O próximo era Nico. Sorri quando comecei a trabalhar nele.
– Com essa sua pele quase translúcida Nico eu nem preciso usar muita maquiagem branca.
– Engraçadinha. – Retoquei e coloquei o nariz. – Quarto 212. Diga a Leo que vocês podem ficar juntos indo de quarto em quarto até o final desse corredor, no caso até o 220. Temos duas horas, e depois vocês terão que vir para cá, para recolher a maquiagem. Certo?
– Beleza Alex. – Ele foi e percebi que Jason e Gabriel já estavam prontos. Faltava Luke, Percy e Rafael.
– Vem Rafa! – Falei. Ele andou até a cadeira e se sentou.
– Ninguém merece isso!
– Ninguém merece você! Pare de reclamar! – Ele ergueu os olhos enquanto eu passava maquiagem nele.
– Você não pode mais perder festas...
– É obrigatório isso? É festa! Eu escolho não perder.
– Só que as festas vão, além disso. Você tem que ir, é seu trabalho, você faz parte da fraternidade. Na próxima você tem que ir. Se quiser, pode trazer sua namorada, deixamos o portão aberto e todo mundo pode entrar.
– Tudo bem. – Quer dizer que o senhor Jackson sabia que podia entrar garotas e nem falou nada? É. Eu iria. Espera aí, o que eu estava falando? Liberei Rafael e Afrodite foi com ele, dei um corredor para eles. Gabriel eu coloquei com Luke, pois não queria ir com Rafael e infelizmente Percy sobrou comigo. Já que era o último. Fiz a maquiagem dele e depois coloquei somente um nariz vermelho em mim. Andamos pelo corredor.
– Vamos ficar com o de cima. Crianças com problemas terminais. Mais delicadas. – Percy assentiu. Subi a escada rapidamente, ela era imensa e eu adorava subir escadas assim. Nem percebi quando ou como aconteceu, mas de repente eu estava caindo para trás. Não tive onde me segurar, tentei segurar no ar. Fechei os olhos e esperei a queda, mas duas respirações entrecortadas depois e eu não senti nada. Abri os olhos e vi que Percy me encarava, sua mão em minha cintura e seus olhos colados com os meus.
– Presta atenção Alex! Parece criança! — Engoli em seco, o que tinha sido isso?
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