If I Were A Boy
25 Twenty-five
Notas iniciais
Capítulo 25 – Twenty-Five
Pov. Annabeth*
Desgrudei-me de Percy depressa. A cada segundo que passava, eu sentia mais medo de ele descobrir sobre mim. Ele simplesmente não podia descobrir. Se ele descobrisse tudo estaria acabado. Além de eu ter mentido, ele iria com toda certeza falar para todos que eu era uma garota, além disso, iria me jogar para fora da faculdade, pois obviamente não iria querer uma garota no seu quarto, muito menos a ex-namorada e... Luke iria saber, me odiar e meu plano iria toda por água abaixo.
Percy definitivamente não devia saber. Era eu. Annabeth, sua ex-namorada e a garota que nos fins de semana o faria passar por uma situação pior que a outra. Seria realmente difícil. Eu mesma já me sentia completamente sobrecarregada de morar no mesmo quarto que ele, imagine se ele soubesse. Iria ser meu fim, completamente.
Ele me olhou de canto, me analisando, e eu já estava ficando cansada. Eu não podia ter pegado outra pessoa para ficar ao meu lado? É! Com certeza não! Passei o olhar pela ficha e me ajeitei, peguei no corrimão e me apoiei.
– Desculpe Percy. É que eu gosto de fazer isso. Só me distrai. Peço desculpas pelo acontecimento. – Não ousei olhar para ele. Esperei uma resposta e o senti tocar em meu ombro.
– Você está bem? Sabe... Temos que ir. – Ele falou delicadamente, o que foi estranho. Assenti me lembrando que tínhamos muito que fazer. Subi as escadas devagar, colocando um pé de cada vez, Percy estava em meu encalço. Acalmei minha mente, estávamos indo lidar com crianças e seria bom se eu ficasse despreocupada. Chegamos à primeira porta e eu deixei Percy chegar ao meu lado.
– Por favor, seja legal. Faça as crianças rirem, leia para elas, e não seja você, ou seja, seja pelo menos uma versão mais feliz de você mesmo. – Sorri.
– Como sabe que eu não posso entreter essas crianças?
– Somente não faz o seu estilo. – Ele sorriu com escárnio.
– Você não sabe nada sobre mim Alex. – Ele abriu a porta e entrou sem me esperar. Percy era desse jeito mesmo. Respirei fundo por uma última vez e entrei. Surpreendi-me ao ver que ele já estava no meio das crianças, indo de cama em cama, dizendo Olá a todos. Fiz a mesma coisa que ele. Parei na última cama, onde uma pequena menina chamada Lílian se encontrava. Ela tinha cabelos castanhos enroladas em cachos volumosos, era uma boneca, realmente linda e assim que ela me viu, sorriu lindamente. Ela pegou em minha mão e me manteve ali. Percy estava comandando tudo, para minha enorme surpresa.
Um pequeno garotinho chamado Samuel, disse que queria que ele lesse para todos. Pois ali todos adoravam quando pessoas voluntárias faziam isso. Percy se propôs, sem se opor. Eu pensei em brigar com ele por ler tão facilmente assim, e na detenção ele se negar, mas a única coisa que eu conseguia fazer era sorrir. Somente sorrir. Esse lado dele talvez eu não conhecesse mesmo. Ou se ele estivesse mentindo, mentia muito bem, pois eu já tinha acreditado. Passamos vinte minutos com ele lendo. Ele leu um pequeno conto, e todos escutaram com tamanha atenção, que todos nos perdemos na história. No final, Lílian apertou minha mão e eu olhei para ela. Seu sorriso era mais lindo do que ela me direcionou quando entrei no quarto, o que eu achava impossível acontecer. Levantei-me e beijei o alto da cabeça dela. Fui até o lado de Percy e isso foi suficiente para ele entender.
– Hey Galera! Foi um imenso prazer ler para vocês! Foi uma experiência incrível. – Diversos gritinhos de felicidade foram ouvidos. – Eu sempre estarei disponível para vocês. – Ele foi até Samuel e cochichou algo no ouvido dele. Samuel sorriu e pegou algo em sua cômoda, eu vi que era papel e caneta, Percy escreveu algo e passou a Samuel. Nós nos despedimos e eu passei pela porta. Não esperei nenhum segundo para dizer que estava impressionada com ele.
– Estou realmente impressionado com você!
– Não consegue esconder sua surpresa não é? – Ri fraco.
– Você é um excelente ator. Mas então, o que escreveu para Samuel?
– Primeiro... Alex, você me ofende mesmo dizendo que aquilo era atuação. Eu não estava mentindo, estava sendo eu mesmo. Segundo, eu passei o número do meu telefone para Samuel, e disse que ele podia me ligar sempre que eles tivessem um tempo livre.
– Acho que você vai receber muitas ligações.
– Eu vou adorar vir para cá. – Assenti, e não consegui não conter meu sorriso. Eu tinha me impressionado, era verdade. Eu estava achando essa situação completamente estranha, até porque, em que mundo eu pensaria em me socializar com ele desse modo? Tudo bem, eu não era eu. Mas mesmo assim, isso era quase impossível na minha mente, até ontem. E agora ele estava tão perto, tão... Diferente. Quer dizer, eu não estava caída de amores. Só era diferente. Essa definitivamente era a melhor palavra para descrever o sentimento. Passamos o resto da outra hora nas outras salas que tinham. Percy e eu revezamos contando piadas, histórias e cantando musicas, até fizemos um dueto, uma música bem idiota, mas as crianças adoraram, então é isso que vale. Quando deu à hora dos meninos se apresentarem, voltamos para onde tinha sido feito a maquiagem dele. Todos estavam lá. Sorri para Nico assim que o vi.
– Hey! Como foi?
– Foi divertido. Leo fez todo o trabalho. Para ele foi fácil e realmente divertido, todas as crianças o adoraram. Você precisava ver Alex. – Nico comentou. Olhei para Leo e tive uma idéia. Peguei o celular do bolso e passei a Afrodite.
– Pode tirar uma foto nossa? Acho que ficaria bem legal enquanto todos ainda estamos assim. – Afrodite nos ajeitou e aceitou tirar a foto. Fiquei no meio de Luke e Percy. Ok. Eu não fiz comentário nenhum sobre isso. Sorri. Afrodite passou o telefone e eu observei a foto. Estava realmente bonita, e eu adorei, então coloquei como papel de parede do meu celular. Em seguida, ajeitamos as coisas que faltavam para os meninos se apresentarem e logo depois alguns pacientes foram chegando. Eles já estavam prontos, então, sai. Queria comprar algo para eu comer e queria ligar para Olímpia. Ver quando minha mãe voltaria para casa. Se ela voltasse e eu não estivesse lá seria um problema, e eu não queria nem pensar nessa triste possibilidade. Olhei para os lados e vi que havia uma padaria do outro lado da rua. Peguei no bolso do meu casaco, onde estava o dinheiro e atravessei a rua. Ouvi passos apressados atrás de mim e me virei. Suspirei ao ver quem era. Esse garoto não estava saindo da minha cola hoje.
– Aonde você vai? – Bom, falar besteiras não ia o fazer deixar de me seguir, então, fui sincera.
– Indo comprar alguma coisa para comermos ali naquela padaria. Você quer?
– Vou com você, assim vejo o que quero. – Me virei, e murmurei:
– Tudo bem. – Atravessamos a rua e eu podia dizer que minha língua coçava. Essa situação era estranha demais. Não consegui evitar e perguntei.
– Porque está atrás de mim o dia todo?
– Eu não tenho nada melhor para fazer. – Me virei quando alcançamos à calçada. Parei.
– Você mesmo não tendo nada melhor para fazer, nunca ficaria atrás de mim.
– Ah, Alex... Caramba, eu estou atrás de você, pois quero. Entendeu? Quero ser seu amigo. Eu percebi que ainda vamos passar muito tempo juntos, e que não quero ser seu inimigo. Já pedi desculpas para sua prima, e te peço desculpas pelos acontecimentos que já teve entre nós... Só não quero mais que fiquemos desse jeito. Beleza? Só isso! – Ele disse calmamente no final. Acho que não tinha razão para eu desconfiar dele, depois de essa explicação, se era isso; acho que eu podia lidar. Passei a mão por meus cabelos e assenti.
– Tudo bem, Percy. Beleza. Vamos! – Abri a porta e entrei. Fui direto ao balcão. Comprei café, e comprei pãezinhos. Virei-me para Percy e disse:
– Você quer algo além de pão?
– Quero esse doce ali, qual o nome? – Olhei.
– É sonho. Vou pedir um para você! – Pedi e eu fui me sentar em uma mesa perto dali. Percy se sentou na minha frente. Fiquei sem jeito, estávamos sozinhos, e bom, eu não sabia muito bem o que falar. Ele não era Luke ou Leo, ou Nico, que eram meus amigos. Mas eu queria saber de algumas coisas então fui em frente.
– Me fala sobre sua família. – Ele arregalou os olhos rapidamente, acho que não esperava isso. – Sei que você não é rico como os outros... O que sua família faz? – Percy desviou o olhar, eu sabia que isso tinha alguma coisa a haver com relação a seu pai, mas eu queria saber só de Sally no momento.
– Minha família é pobre... Sim... Mas eu não quero falar sobre isso. – Respirei fundo e tentei entender, mas mudando a conversa para um outro rumo.
– Annabeth disse que queria ver sua mãe, será que você não podia passar o recado para ela?
– Annabeth quer ver ela? – Eu ri de lado.
– Sim. Ela gostou de sua mãe, disse que é maravilhosa e enfatizou: “Muito diferente do filho”. – Ri. Percy revirou os olhos.
– Falando em Annabeth, ela vai precisar de mim esse fim de semana? – Levantei uma sobrancelha. Eu precisava dele? Eu realmente não precisava, mas uma coisinha dentro de mim falou rapidamente:
– Sim. Ela vai precisar sim de você... – Ele assentiu.
– Tudo bem, eu irei para a casa dela assim que sairmos da faculdade. – Fiquei sem falar nada até o pedido chegar, eu paguei e ele me ajudou a carregar, voltamos para dentro do hospital e os meninos já estavam tocando. Sentei-me e curti cada segundo do show.
Quando chegamos à faculdade estava tarde, mas eu não podia estar mais eletrizada e animada. Eu e os meninos viemos conversando que nem loucos na van enquanto voltávamos. Era estranho e ao mesmo tempo divertido. Colocamos os instrumentos para a sala de música e depois nos dispersamos, alguns disseram que estavam cansados e outros simplesmente foram. Só Nico ficou.
– Não se esqueça que hoje tem festa. – Eu acho que nunca fiquei tão feliz em ouvir isso, eu precisava mesmo, com toda essa energia em meu corpo, era o que eu precisava. Festa.
– Eu vou. Você vai? – Nico deu um sorriso de lado.
– Claro. – Olhei para mim mesmo, e aquelas minhas roupas e suspirei. Ir para uma festa como menino não estava na minha lista de coisas preferidas a se fazer.
– Eu quero ir como eu mesma... – Comecei. Nico arregalou os olhos.
– Ficou louca? Isso em hipótese alguma pode acontecer Annie... Se eles te pegarem... Já era... – Eu fiz sinal de desgosto.
– Eu sei. Mas eu quero vestir um vestido, pegar alguns garotos e beijar... Se eu for como garoto, passarei a noite toda somente sendo paquerado por garotos... Pois sabe, eu sou lindo. – Dei risada, mas Nico não estava vendo graça.
– É para isso que tem eu... – Ele pegou em minha mão e me puxou. – Vem! – Corremos pelo corredor, subimos algumas escadas e logo estávamos entrando no armário de vassouras. Ri. – Sério Nico? – Ele não falou nada, somente me prensou na parede, atacando meus lábios em seguida. Gemi em sua boca. A sensação de seus lábios contra os meus era bom. Passei a mão por seus cabelos e o puxei para mim.
– Você pode vir mais tarde para meu quarto...
– E Luke? – Eu disse tentando respirar. – Ele não...
– Eu não ficarei no meu quarto hoje. Peguei a chave de um dos quartos vazios. – Sorri. Beijei sua boca novamente e entre selinhos respondi: — Seria uma ótima idéia então...
Nós nos beijamos por mais ou menos cinco minutos, e eu me separei dele.
– Tudo bem. Tenho que ir. Nós nos vemos mais tarde? – Ele concordou. E eu sai do armário primeiro. Recompus-me e corri para meu quarto. Entrei devagar, de repente não queria encontrar ninguém, mas foi uma vontade vã. Percy estava na sua cama e assim que eu entrei ele colou seus olhos em mim. Ele estava arrumado, percebi.
– Onde você estava? Seus lábios estão vermelhos. – Eu peguei neles automaticamente, me martirizei. Tirei no mesmo segundo em que vi o que fiz.
– Eu os mordi. Só isso. – Ele sorriu e se levantou.
– Tudo bem Alex, se você diz... Já estou de saída, nos vemos na festa. – Assenti, sem saber o que dizer. Respirei fundo e peguei uma roupa, eu tinha que tomar um banho, pois tinha uma festa para ir.
Assim que estava arrumada, sai do quarto. Nico estava encostado ao lado da minha porta.
– Você demorou!
– Desculpe, eu tinha algumas coisas para fazer. – Expliquei.
– Está tudo bem. Vamos? – Andamos pelo corredor e ele me guiou para aonde seria a festa. De longe, eu pude ouvir a música alta; diversas garotas entravam e andavam de um lado para o outro. A fraternidade ficava do outro lado do campus e era simplesmente muito bonita. Pena que a luz da lua e com bêbados caídos em cada pequeno lugar do gramado era difícil apreciar mais. Nico pegou em meu braço e falou:
– Você pode ficar atenta há seu celular, tudo bem? Eu não vou ficar no seu pé. Mas quando quiser ir, é só ligar. – Concordei.
– Pode deixar. Vá em frente. – Entrei no meio daquelas pessoas e suspirei. Eu poderia chamar Thalia, mas será que ela viria? Então, me virei e olhei ao redor, a vi sentada tomando refrigerante. Caminhei até Piper e ela quase pulou quando me viu.
– Eu não sabia que você estaria aqui! Nem acredito! – Ela me abraçou.
– Eu que estou surpresa de encontrar você por aqui. Nico não me falou nada. – Declarei.
– Na verdade ninguém sabe, mas sabe, eu queria sair de casa, curtir um pouco e ver ele... – Ela falou essa última parte como um sussurro, mas eu sabia a quem ela se referia. Começou a tocar Work Bitch da Britney e eu puxei Piper.
– Quer dançar? – Piper assentiu e eu arrastei no meio daquelas pessoas. A música soava muito alta e quando entramos onde todos estavam dançando, eu não podia escutar Piper e nem ela a mim, mas começamos a dançar. Piper pode se soltar, eu tive que me conter, o que era engraçado para Piper enquanto eu a guiava. Olhei para os lados, senti que estava sendo observada. Meus olhos pararam em Percy e conseqüentemente em Jason, que estava ao seu lado. Voltei-me para Piper e apontei devagar. Ela olhou e arregalou os olhos. Ela se curvou para mim e falou alto para que eu escutasse:
– Eu não sei o que faço Annie, eu ainda gosto dele, ele já me mandou milhares de mensagens, pedindo desculpas, dizendo que ainda me amava, mas... Ele está com alguém? – Eu olhei para o rosto dela. Eu não sabia o que dizer. Piper parecia gostar tanto dele, amar tanto ele, melhor dizendo... Será que valia a pena ela ficar longe da pessoa que amava por pleno orgulho? Olhei para eles e vi que Jason não tirava os olhos de Piper.
– Pipes... Vá lá. Não deixe barato, mas faça o que seu coração deseja. Sim? – Ela sorriu para mim e me beijou na bochecha.
– Obrigada. – Fiquei olhando ela ir ao encontro de Jason e logo vi que não tinha espaço para mim naquela festa. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Nico. Dizendo que já iria embora, ele respondeu no mesmo segundo que iria me acompanhar e para eu esperar por ele lá fora. Andei um pouco envolta de todas aquelas pessoas, queria que Rafael me visse ali e depois eu iria embora. Assim que o avistei, sorri e acenei para ele. Ele estava com os braços em uma garota, e isso me fez pensar em Gabriel, mas tirei isso da minha mente, nem um pingo da minha pena sobre aquela situação mudaria a situação dele. Caminhei para fora e logo senti o vento gelado tocar meu rosto. Vi Nico encostado em uma das árvores que tinha do lado esquerdo da fraternidade e fui até lá.
– Vamos? – Sorri e mordi os lábios. Talvez agora minha noite ficasse animada.
– Eu tenho que ir ao meu quarto primeiro. Irei tomar banho e te encontro. – Ele andou ao meu lado até a faculdade e antes de entrarmos me pegou pela cintura, beijou-me e antes de me largar disse onde ficava o quarto. Caminhei devagar para o meu quarto, entrei e peguei logo uma toalha. Arrumei uma trouxa das minhas roupas e separei um par de sutiãs e calcinha para mim, eu não ia mesmo voltar para meu quarto hoje à noite. Peguei a roupa menos masculina que eu tinha no meu guarda roupa. Short e uma T-shirt preta. Tomei um banho e ajeitei meu cabelo, ele já estava começando a crescer, mas não estava tão grande. Vesti minhas roupas e me preparei para sair. Fechei a porta e olhei para o corredor, ninguém, como o previsto, andei o mais rápido que conseguia até a escada, comecei a subir ela, mas antes que eu chegasse ao terceiro degrau fui puxado para trás bruscamente, senti meu corpo sendo pressionado a outro e no mesmo segundo senti passarem a mão por meu corpo. Eu estava tão assustada que nem bati na pessoa, só olhei para ele. Meu sangue gelou, minha mão começou a suar e eu não consegui pronunciar um “a”.
– Eu sabia! – Ele riu. — Aonde você pensa que vai... Annabeth? – Percy disse tirando as mãos de mim.
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