If I Were A Boy
28 Twenty – Eight
Notas iniciais
Capítulo 28 – Twenty – Eight
Pov. Annabeth*
Eu me arrumei ainda pensativa, eu estava pesarosa em encontrar Percy quando saísse do banheiro e por isso hesitei alguns minutos antes de sair do banheiro, e para meu eterno alivio acabei não o achando em nosso quarto, o que me fez soltar todo o ar que eu nem sabia que vinha prendendo. Peguei meu celular e vi diversas mensagens nele. Quem seria agora? Já não bastava tudo que estava acontecendo? Só faltava ser mamãe. Se fosse ela, eu estaria perdida. Mas assim que abri me assustei, mas ao mesmo tempo fiquei aliviada, era somente Thalia, dizendo que eu estava atrasada. Já eram três horas? Pelo amor de Deus, eu nem tinha executado meu plano de saída hoje ainda. Thalia dizia que dali a 10 minutos estaria na frente da faculdade á me esperar. Arrumei-me o mais rápido que podia e fechei a porta. Olhei para os lados e quase pulei de lado quando vi Nico ali, parado, encostado na parede, e me observando. Um peso se instalou no meu coração quando eu o vi. Eu tinha feito o que tinha feito, sem pensar nas conseqüências ou se me machucaria, mas e as pessoas ao meu redor? Nico e nem Luke nunca poderiam saber disso.
– Eu me assustei com você agora Nico... – Ele sorriu de lado, um sorriso sinistro, o que fez meu coração doer de dúvida. Era por isso, que eu odiava fazer coisas assim, ficar com o segredo dentro de mim, para mim e na minha mente é bem fácil que as outras pessoas descubram por um simples olhar meu. Calma Annabeth, ele não sabe de nada.
– Não se assuste. Eu só estava preocupado com você. Você sumiu... Completamente. – Engoli em seco e peguei no braço dele, o puxando para andarmos pelo corredor.
– Desculpe, eu sou uma tola. Só estava confusa e meio irritada com o fato de ficar de mãos atadas com relação a Luke.
– Você vai embora? – Ele falou parecendo engasgado. Paramos no meio do corredor.
– Eu não vou Nico. Eu vou ficar aqui...
– Mas... – Eu sorri quando ele sorriu também. Ele me puxou para uma sala e trancou. Eu olhei estranhamente para ele.
– Eu tenho que fazer algumas coisas... – Ri nervosamente. – Eu... – E ele nem esperou eu terminar, se jogou em mim, me apertando em seus braços com uma força absurda. Respirou bem fundo em meu pescoço e me beijou ali, senti todo meu corpo se arrepiar com a aproximação e com os gestos dele. Foi tão... Acho que do meu cabelo até o dedinho do pé se sentiu estranho agora.
– Fico tão aliviado Annie... Eu não saberia mais o que fazer sem você aqui... Sério... – Olhei para ele, e toquei seus cabelos com delicadeza. O que eu tinha feito com ele? Eu sabia quais os sentimentos dele que estavam envolvidos nisso, e eu me sentia tão mal em alimentar isso.
– Nico, pelo amor de Deus, não faz isso. Nós concordamos com o que começamos a fazer. Pensamos nas conseqüências, conversamos sobre tudo. E falamos sobre como podia acabar e sobre o tempo.
– Eu sei... Sei também que você parou isso para não me magoar, e por causa do Jackson, mas eu já estou acostumado demais com você. Eu queria tanto que você fosse minha, só minha. – Senti seu olhar fixar no meu, e eu não conseguia desviar, ele falava tão sofrido. Era como se estivesse doendo na alma. O que eu fiz para merecer esse garoto, Deus do céu! – Annabeth, pense mais um pouco. Eu juro que posso fazer você feliz... Ajudo-te com Luke, faço tudo que estiver ao meu alcance... Eu estou apaixonado por você e não me importo com nada, a não ser ficar perto de você. – Eu fechei os olhos e senti ele se inclinar para mim. Eu não queria fazer isso, não queria fazer isso com ele agora. A culpa era tão grande que eu quase morri de alivio quando algumas batidas na porta interromperam o beijo que ia acontecer. Abri os olhos e me separei um pouco de Nico. Logo Percy colocou a cabeça para dentro da sala. Olhou para mim e Nico e limpou a garganta.
– Estava procurando você... Sua namorada está aí! – Ele disse sorrindo cinicamente. Thalia! Tinha me esquecido dela. Peguei meu celular e liguei para ela. Puxei Nico e ele me acompanhou, eu não queria o largar. Puxei Percy também e disse:
– Preciso de você agora! Você vai me fazer um favor! – Disse para ele rapidamente depois de pedir para que Thalia me esperasse e ele reclamou.
– Porque tenho de fazer isso? Se eu disser que você está doente e por isso não pode ir dar a detenção hoje, ela vai querer mandar a enfermeira no quarto.
– E é por isso que você tem que ficar lá. Para dizer que está cuidando de mim e que eu não preciso de nada. – Insisti. Olhei para Nico e pisquei.
– Sua detenção acaba amanhã, você bem que podia prolongar isso. E Saindo comigo é uma boa idéia não? – Nico sorriu. Ele seria uma ótima companhia para nós. Thalia e eu. Quem sabe eu não tinha sorte... Se ele e Thalia se dessem bem, eu não machucaria um coração. E tiraria a culpa do meu.
– Tudo bem. – Eu sabia o que ele tinha em mente quando aceitou, mas mesmo assim não deixaria de querer ele ao meu lado.
– Hey, eu não vou ficar a tarde toda em meu quarto por causa de você! – Percy reclamou, olhei para ele. Revirei os olhos.
– Por favor?
– Nem pensar!
– Eu te pago o dobro do seu salário! – Ele mordeu os lábios, parecia tentado, eu queria que ele aceitasse, mas ele negou. – Qual é! Percy! Você precisa disso... Uma tarde? O que é uma tarde sem precisar fazer absolutamente nada e ganhar o dobro do seu salário!
– Eu vou com vocês! Minto para Ártemis e Nico me dá apoio... Aí, vamos todos... Ou é isso, ou você está ferrada, pois irei te dedurar quando seu pé tocar a saída dessa faculdade. – Mordi os lábios. Desgraçado. Eu estava tranqüila aqui e falando com ele normalmente, como se nada tivesse acontecido, mas uma tarde com eles dois? Não iria ser nada fácil. Pelo amor de Deus, tínhamos acabado de fazer sexo sem compromisso e ele vinha atrás de mim? E Nico... Ele tinha acabado de se declarar para mim... Annabeth... Você é muito ferrada. Pensei comigo mesma, enquanto concordava. Eles me deixaram na saída e foram avisar Ártemis, fiquei com medo do que eles poderiam fazer ou discutir enquanto estavam sozinhos, mas eu precisava de pelo menos alguns minutos sozinha antes de enfrentar essa tarde. Sentei nos degraus e me encolhi. Eu nunca poderia dizer que estava infeliz, só estava confusa, e perdida. Mas, isso era normal certo? Toda adolescente se sente assim. Algumas garotas só querem que um menino lhe dê atenção, e eu tenho garotos demais na minha cola. E eu não estou apaixonada por nenhum deles, e acho que todos eles estão por mim. Percy, Luke e Nico. Com relação à Percy, eu nunca daria meu braço a torcer, ele era um ex, e com ex não se brinca, ou se brinca, mas não se volta; principalmente um que te machucou muito. Nico era um amigo tão querido e novo, que eu ficava meio sem saber o que pensar com relação a ele. Luke... Luke é tudo para mim...
– Alex? – Despertei-me com a voz de Thalia me chamando. Olhei para cima e ela estava saindo de um carro preto. Sorri fracamente. Ela veio para meu lado e se sentou.
– Qual o problema? – Olhei intensamente para qualquer ponto na minha frente. Eu não queria olhar pra ela.
– Me sinto uma vadia. E estou confusa e perdida. – Falei baixinho.
– Vadia? Como assim? Você não é isso Annie!
– Sou sim. Acabei de transar com seu primo, tipo, na maior cara de pau, isso quando prometi odia-lo quase para todo sempre, e na primeira chance... Acontece isso. E logo em seguida, Nico se declara para mim e eu... – Suspirei. — Isso sem contar que antes eu já estava me pegando com ele. – Rio ironicamente. – Eu sou uma vadia. Esqueci-me de Luke e acabei pensando só em mim. – Thalia me abraçou e me apertou.
– Acalme-se Annie... O que você fez de errado além de seguir seus desejos e sentimentos?
– Thalia. Eu. Transei. Com. O. Percy. – Disse enfaticamente.
– E eu aposto que você transou intensamente... Assim com ele. – Não consegui não rir. Dei um tapa em Thalia e rimos juntas.
– Hey meninas! – Percy falou nos assustando. Olhei para trás. Ele e Nico caminhavam rápido pela escada. Eles se sentaram ao nosso lado e eu tratei de me levantar. Passei a mão pela região dos olhos, esperando que não tivesse nenhuma lágrima ou algo do tipo, então me virei para eles.
– Vamos logo! – Thalia estendeu a mão e eu a puxei. Entramos todos no carro de Thalia e ela assumiu o volante. Eu não sabia que ela já podia dirigir. Então, enquanto vasculhava os CDs dela perguntei:
– Já pode dirigir Thalia?
– Tirei minha carteira mês passado. 18 anos. – Pisquei assentindo. Tirei um cd da Kesha e coloquei para tocar. Sorri escutando a batida.
– Tanta música para você colocar e você coloca Kesha?
– Qual é o problema? Eu adoro música Pop, e eu mando nisso aqui agora. – Eu falei fazendo pose. Olhei pelo retrovisor e os dois meninos me encaravam. Como eu disse anteriormente, esse dia ia ser longo.
Quando chegamos à biblioteca que Thalia disse que tinha ido, saímos rapidamente do carro. Thalia me chamou e eu olhei para trás, ela estendeu a sacola e eu ergui uma sobrancelha.
– O que é isso?
– Roupas, maquiagem e seus apliques. Você deve tirar algumas fotos para que sua mãe veja que é verdade, e não adianta nada tirar só foto do lugar. – Juro que eu não tinha pensando nisso. Peguei a sacola.
– Obrigada Thalia. O que eu faria sem você não é?
– Provavelmente nada. Agora vamos. Meninos esperam aqui! – Ela me empurrou para dentro da biblioteca. Era simples, exibia estilo meio georgiano, e era pequeno, mais confortável. Passamos por diversos corredores, mas Thalia, não parou até estarmos de frente para o banheiro. Foi bom voltar a vestir uma roupa normal, e soltar meus seios daqueles panos. Ajeitei meu cabelo e passei maquiagem. A roupa era um pequeno vestido florido, sapatilha preta e só. Saímos do banheiro e voltamos devagar.
– Annabeth, eu sei que você deve estar confusa com tudo que aconteceu, e mesmo que eu tenha brincado com tudo isso, acho que você deve reconhecer seus verdadeiros sentimentos. Eu odeio enrolação.
– Eu sei. – Concordei. Thalia sempre tinha sido assim, direta com relação a seus sentimentos e sua vida. Se ela sentia algo, falava. Se ela queria algo, pedia. Eu a invejava por isso. Para eu, simplesmente não era tão fácil exibir meus sentimentos do nada. Eu tinha uma espécie de pequena concha, ou melhor, uma zona do conforto para ser mais exata, e isso me impedia de me abrir com facilidade.
– E meu primo gosta de você, sabe eu odeio ele, e isso é normal para primos e com relação do que ele fez a você. Mas meu primo é estranho... Ele é batalhador, cuida da família dele. Tia Sally não tem mais o... Marido do lado, e talvez por isso, Percy tenha feito o que fez. Mas... Se dessa vez fosse diferente? Se ele tiver realmente esses sentimentos por você? – Eu abri minha boca para protestar, mas ela me interrompeu. – Não venha dizer que o odeia, se o odiasse não o deixava tão perto do modo que deixa. Sei que é clichê, mas já te falaram que o amor e o ódio são separados por uma linha extremamente fina? – Olhei para o lado.
– Eu não o odeio. Só dizia isso para que esse sentimento perdurasse, ao invés dos verdadeiros que sinto por ele. Só não quero me machucar, ou ser a garota tola que eu já fui...
– Você não percebe que isso você não é mais? Quando foi a última vez que quis se cortar? Quando foi a última vez que a situação estava tão difícil que você quis morrer? Ou quando você abaixou a cabeça para o Percy mesmo quando sabia tudo que ele fez? – Eu não sabia o que responder, pois isso desde aquele evento nunca tinha acontecido. – Exatamente. Não aconteceu. Você querendo ou não... Mudou. E você é tão melhor agora. Uma garota normal, com seus problemas normais.
– Mas exatamente... Eu cometi um erro, e não quero cometer de novo...
– Mas agora são situações diferentes, com as mesmas pessoas, mas com pensamentos diferentes. E, além disso, também é bom dar uma segunda chance... Todos merecem uma segunda chance. – Ela tinha razão.
– Você está certa! Mas ele terá que fazer por merecer. Se ele conquistar minha confiança e se gostar realmente de mim, eu posso... – Sorri de lado. Foi bom pensar na idéia. Ai, eu sou muito idiota.
– Ótimo. Nem acredito que fiz isso por ele... Ai, ai... – Esclareceu Thalia. Chegamos até onde os meninos estavam e Nico sorriu quando me viu. Percy me olhou de cima a baixo e seus olhos pararam nos meus. Meu corpo sentiu um arrepio e eu suspirei torcendo os dedos, nervosa. Nico veio para meu lado e passou as mãos por meu ombro, relaxei. Thalia foi para o lado de Percy.
– Vamos. É por aqui. Vitória já deve estar esperando por nós. – Thalia explicou o trabalho que Vitória fazia ali e como a biblioteca funcionava. Não teria crianças naquela hora. Eu aproveitaria para tirar fotos do local. Thalia disse que era muito bonito então, eu nem precisaria trabalhar. Só tínhamos que ajeitar a biblioteca para Vitória. Entramos nela e Thalia nos conduziu até um amontoado de livros, tudo estava uma bagunça, livros para todos os lados. Somente uma ou duas seções estavam completamente organizadas.
Avistei uma mulher loira ao lado de um homem alto, negro perto do balcão. Eles estavam abraçados, e entrelaçados em um beijo apaixonado. Thalia tossiu e Percy, Nico e eu rimos. Os dois se desgrudaram e a mulher sorriu para Thalia.
– Oh meninos! Thalia! Eu estava esperando vocês... Desculpem-me pela cena. – Ela se virou para o moreno e sorriu. – Esse é meu marido. Marcus. – Vitória era loira, com olhos castanhos e parecia ter na base de trinta anos, ela era extremamente linda. Seu marido, do mesmo jeito.
– Não tem problemas Vitória. Prazer Marcus. – Ela apertou a mão dele. – Estes são meus amigos... Annabeth, Nico e meu primo Percy. – Vitória nos cumprimentou com um beijo e disse por onde podíamos começar. Ela disse que só iria se despedir de Marcus e logo estaria conosco. Peguei o telefone e fui para a seção que estava ajeitada. Achei melhor tirar as fotos logo. E mandaria pelo telefone mesmo para Dona Atena Chase.
– Quer ajuda? – Me assustei com a voz de Percy. Ele tinha suas mãos no bolso de sua calça e cabeça inclinada. Ruborizei sem querer. Só de ver ele já passava um sentimento estranho. Há algumas horas atrás eu estava gemendo o nome dele. Suspirei me virando.
– Sim, claro. – Ele andou até meu lado, senti sua respiração no meu pescoço e senti ele tocar meu braço, ele deslizou sua mão e eu pensei que ele fosse me fazer virar, mas ele somente pegou meu telefone e perguntou:
– Como quer as fotos? – Me virei, tentando controlar o rubor. Eu teria que agüentar isso. Agiria como se estivesse tudo normal, e que aquilo que fizemos não fosse nada. Isso. Sorri.
– Eu irei abrir alguns livros e você pode ir tirando. Passarei por alguns detalhes que eu quero que minha mãe veja, e te falo. Ok?
– Tudo bem.
– Serão só algumas... – Disse enquanto começava. Apontei para alguns detalhes e pedi que Percy tirasse as fotos, evitei fazer contato com os olhos dele, mas parecia que ele queria fazer isso, todo tempo. Me preparei para a última, mas infelizmente eu tinha que olhar para a câmera.
– Pode tirar... Será a última. – Ele abaixou o telefone e me encarou. Desviei o olhar.
– Será que pode olhar para mim? – Ergui o olhar quando ele falou isso. – Ficará me evitando?
– Eu não estou te evitando. Você está aqui, aceitei sua ajuda, estamos juntos...
– E parece que estamos separados por uma longa distância.
– E o que isso importa? Não vai me dizer que já está apaixonado por mim? Tenha Santa paciência Percy! Isso aqui não é um romance clichê idiota, é minha vida! Nossa vida!
– Odeio essa sua indiferença com relação ao que fizemos. Odeio sua indiferença com tudo com relação a mim! – Ele desviou sua face. — E comentando sobre romances clichês... Parece que trocamos os papéis... Você é o garoto idiota que despreza a garota, e eu sou...
– Você não é a garota idiota e apaixonada! – Eu disse batendo o pé. Percy se jogou com tudo para cima de mim. O livro caiu no chão.
– Só queria uma chance Annabeth... Você não me dá isso! Sei que fui um idiota e que conosco sempre haverá essa mesma tecla, ou melhor, essa pedra com relação a nós dois, mas eu tenho que admitir, não consigo ficar longe de você... Não importa o que você faça, ou o que eu faça...
– Eu quero que você sofra... Não entende isso? Mesmo que eu tenha sentimentos por você, não é tão fácil para mim perdoá-lo, eu te odiei por tanto tempo. Você me fez sofrer muito! – Nossos olhos se encontraram. Meus sentimentos eram tão estranhos com relação a ele. Uma hora eu quero odia-lo para sempre, uma hora quero-o completamente. – Você não terá uma segunda chance vindo de mim com tanta facilidade. Eu ainda te farei passar por poucas e boas...
– Vou agüentar! – Quando ele disse isso convictamente, me deu vontade de perguntar algo, e fui levada pelo impulso e pelas palavras e conselhos de Thalia e, perguntei o que eu queria saber, a única coisa que o faria falar essas coisas, a única coisa que...
– Você me ama?
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