If I Were A Boy
11 Eleven
Notas iniciais
Nem tenho muito o que falar... Só quero que aproveitem o capítulo. Beijokas ;)
Capítulo 11 – Eleven
Pov. Annabeth*
A noite tinha sido extremamente cansativa, pelo menos para mim. Tentei de todos os modos depois ficar animada como os garotos, mas não fiquei. Decidi esperar pelo menos até que eles acabassem de festejar animados por suas vitórias e decidi ir para o meu quarto. Só que acabei ficando ali mesmo. Olhando para as estrelas, estirada sobre a grama do campo de futebol. Quando fiquei sozinha, sorri sentindo a grama gelada entre meus dedos. Eu me lembrei de meu pai, ou melhor, de Frederick, um grande amigo de minha mãe, que para mim tinha sido o único exemplo de pai que eu tinha tido na vida e que agora estava longe. Bateu uma dor tão forte dentro do peito, o sentimento de falta, de que algo em mim estava incompleto e eu soube, era a saudade batendo na minha porta novamente. Fazia muito tempo que eu não sentia esse sentimento. Mas o contato com coisas que eu e meu pai tínhamos em comum fez isso. Olhar as estrelas, jogar futebol, mesmo que eu fosse garota, adorava bater uma bolinha com meu pai. Fazia isso feliz, e conseqüentemente a mim também.
– Você ainda está aqui? Você parecia o mais cansado de nós todos! – Escutei uma voz e olhei para cima, tinha um par de olhos pretos me encarando com um sorriso. Nico. Ele se deitou ao meu lado e apontou as estrelas.
– Você sabe alguma coisa sobre constelações? Minha irmã tentava me ensinar, mas seus esforços foram em vão. Ela adorava isso, e sempre sonhou em fazer das estrelas seu paraíso. Mas isso foi cortado por nosso pai quando ela disse o que queria.
– Entendo como é isso tipo de coisa. Seu pai quer que você seja o quê? Melhor, o que você quer fazer? – Nico se virou para mim.
– Eu ainda não sei. Nunca pensei realmente sobre isso. Nunca achei que tivesse o dom de fazer algo. Ainda não achei o que quero fazer para o resto de minha vida. Isso é uma grande decisão.
– Eu sei. É realmente complicado. Mas acho que manter a mente aberta para esse tipo de coisa sempre é o primeiro passo para se achar isso. O que você gosta de fazer em seu tempo livre?
– Eu jogo basquete. Futebol. Eu toco guitarra... Tudo bem que isso é uma coisa qual eu tento fazer, mas eu gosto.
– Você toca guitarra? Legal! Você poderia me ensinar. Eu gosto bastante de violão, mas infelizmente meu professor me deu poucas aulas... – Eu pensei em Luke e sorri quando lembrava das nossas tardes de domingo. Ele passava o dia todo me ensinando, e eu era uma péssima aluna, que ele acabou desistindo. Só que eu acabei pegando algumas coisas, e até hoje ainda tinha vontade de voltar a tocar.
– Isso seria ótimo Alex. Luke é ótimo sabia? Ele tem uma banda! – Eu sorri.
– Sim. Eles são ótimos.
– Você os conhece? – Menti rapidamente, percebendo a burrada que tinha feito.
– Eu já tive a oportunidade de ir a um pequeno show deles, na verdade, acho que era o primeiro. Eu não os conhecia, e nem reconheci Luke de primeira quando o vi na faculdade. Só depois que percebi. – Nico levantou as mãos.
– Acho que já está na hora de irmos dormir. Está muito tarde, e amanhã temos aulas. – Ele se levantou e me ofereceu uma mão. Peguei sua mão e dei impulso para frente, só que foi forte demais e eu fui para cima de Nico com tudo. Segurei-me nele e senti seus braços musculosos por entre a blusa fina preta, por um segundo perdi o fôlego. Olhei para cima e arregalei os olhos. Essa situação foi estranha para ele, para mim, enlouquecedora, um pouco. Olhei seus olhos pretos e tossi fraco tentando não mostrar nervosismo por causa da cena.
– Desculpe Dude. Vamos? – Ele assentiu e caminhamos em silêncio pelos corredores. Eu me despedi de Nico e entrei no meu quarto, as luzes estavam apagadas, por isso fiquei feliz em poder me encostar-se a ela e suspirar devagar. O que raios tinha acontecido ali? A luz de uma hora para outra foi acesa e eu quase fiquei cega, incomodo repentino. Olhei para a cama de Percy e ele não estava ali. Ele estava do meu lado, com o dedo no interruptor. Afastei-me assustada e quase gritei.
– Idiota. O que você está fazendo aí? Se movendo como um gato, e não deixando ninguém te perceber! Você me assustou! – Eu disse irritada.
– Você se esqueceu que o quarto é nosso e nele eu posso fazer o que eu bem entender? É bom que passe, a saber, disso agora. – Ele deu de ombros e caminhou até sua cama. E agora que eu percebi como ele estava. Ele estava só de cueca, uma Box vermelha. Oh, meu Deus, eu mereço. Senhor; quero virar mulher novamente. Reparei nas linhas das costas de Percy e uma vontade louca de arranhar ele e bater na bunda quase inexistente me tomaram. Apertei minha mão contra o tapete e suspirei. Levantei-me e ele completou: — E a culpa não é minha se você estava lá fora. Falando disso, onde você estava?
– Não te interessa! – E com essa resposta nosso pequeno diálogo morreu. Fui para o banheiro e me preparei para uma noite de sono. Quando encostei minha cabeça no travesseiro o sono me atacou, eu estava exausta.
Acordei na manhã seguinte com alguém me cutucando. Abri os olhos assustada e encarei aqueles olhos verdes. Eu me afastei rapidamente puxando as cobertas, eu tinha a mania de deixar meu corpo descoberto e isso não era bom.
– Acorde! Você parece que perdeu à hora por causa de ontem. – Eu olhei para o relógio na cabeceira e vi que ainda tinha alguns minutos adiantados.
– Porque fez isso?
– Você me fez um favor, não custa retribuir. E é por causa do bico, não por causa da peça, por esse eu vou pagar. – Eu me lembrei do nosso trato. Uma semana comigo mandando nele. Começou muito bem. Dei uma risada fraca e concordei.
– Obrigada. – Me levantei e corri para o banheiro levando minha roupa e meus cosméticos. Arrumei-me rápido e quando sai para o quarto. Percy não estava mais ali. Andei pelo corredor, minha primeira aula era Biologia, e eu não poderia estar mais animada. Sinta a ironia correndo nas veias. Entrei na sala e olhei ao redor procurando uma cadeira que não tenha um companheiro bonito demais. Ficar perto de meninos bonitos estava me matando.
Olhei para um garoto no fundo da sala, um dos únicos lugares disponíveis. Ele era bonito, mas estava calado, na dele. E eu achei ser uma boa opção, tenho certeza que ele não falaria comigo. Sentei-me ali e olhei para frente, enquanto esperava o professor chegar. Eu não entendia muito bem essas aulas na faculdade, tínhamos passado o ensino médio todo tendo elas. Mas Nico disse que era como um reforço e um tempo para pensar sobre o que realmente íamos querer fazer. Cada matéria tinha sua força, e no final do mês faríamos exames, no qual nos saíssemos melhor era a melhor escolha para nós. Um professor rechonchudo entrou na sala e começou a falar sobre a matéria do mês. Era coisas eu já sabia e não vi dificuldade em prestar atenção, até porque eu já sabia. Essa pelo menos era uma das qualidades que fazia às vezes minha mãe olhar para mim, eu era inteligente demais. Depois de alguns minutos e depois que o professor passou uma pequena atividade, essa que eu fiz rapidamente, fui cutucada. Olhei para o lado e olhei para o garoto. O analisei. Ele era ruivo, tinha pequenas sardas pelo nariz, e olhos castanhos mel, ele era muito bonito.
– Você pode me ajudar? Eu não entendi muito bem, e você já terminou o seu. – Ele disse gentilmente e com um tom leve. Assenti e ele me arrastou o caderno. Expliquei a matéria e ele estava concentrado. Ele tinha um jeito estranho. Uma aparência um pouco presa, como se ele não estivesse sendo ele. Acabei ficando confortável ao seu lado. Seu nome era Gabriel, mas ele disse que eu poderia o chamar de Gabe. Conversamos e quando acabamos a aula decidimos almoçar juntos. Eu ri das piadas dele depois de um tempo, ele parecia ter se soltado mais. Ele falou de sua família, eu falei da minha e de nossos gostos. Ele perguntou sobre minha namorada e eu falei vagamente, mas o suficiente. Encaminhei-o até a nossa mesa. E ainda não tinha ninguém ali dos meus amigos. O primeiro a aparecer foi Nico, ele sorriu colocando sua bandeja ao lado da nossa.
– Nico esse é Gabriel. – Nico sorriu.
– Eu não vi você na apresentação, nem ontem...
– Eu não gosto muito desse tipo de coisa. Por isso decidi não ir! – Gabe deu de ombros. Olhei para os lados e vi Luke andando em nossa direção, ao seu lado estava Rafael. Eu olhei para o lado quando ouvi Gabriel parar de conversar com Nico, por causa da chegada dos meninos. Luke se sentou na minha frente e Rafael sentou ao seu lado.
– Hey Rafael, você por aqui Dude? – Eu perguntei brincalhão, afinal, ele almoçava com o pessoal da fraternidade. Percy estava na mesa deles e parecia já estar se dando bem com todos. Eu não fui com a cara daqueles garotos, eles eram bastante metidos, e bonitos demais. Meu nível de beleza masculino estava alto, ficar perto de beleza demais, era minha meta. Não que eu ficasse desprovida aqui, só tinha beldades ao meu lado, e se completou ainda mais quando vi Léo deslizar na nossa mesa.
– Vocês fazem parte da fraternidade agora, então, não tem problema, além disso, eu mando naquilo. – Rafael disse sorrindo estranhamente.
– Ah! – Eu apontei a Gabriel. – Esse aqui é Gabriel Guys! – Gabe trocou um sorriso com todos, mas Nico e Léo que fizeram o almoço ser divertido. Contando as piadas sem graça e fazendo com que eu não precisasse falar muito.
– O que vocês iram fazer no final de semana? – Perguntei.
– Eu não sei. A gente pode sair daqui? – Léo perguntou a Nico.
– Sim. Mas tem que ter a autorização dos pais!
– Voltamos ao Pré e não me comunicaram? – Eu falei sarcástica. Os meninos riram. Nico deu de ombros.
– Meu pai é conservador demais!
– Não que ele se importe, mas temos necessidade. Não acha?
– Para isso ele contratou Afrodite! – Eu revirei os olhos.
– Como se na terapia dela ela fosse aliviar nossos hormônios. Talvez para Luke ela tenha feito isso! – Eu ri olhando para ele. No fundo me corroí de ciúmes, mas queria saber o que tinha acontecido. Nico e os outros o impulsionaram a falar o que tinha acontecido. Menos Gabriel.
– No inicio conversamos... – Ele não queria falar sobre aquilo, mas deixou para lá, quando eu ergui as sobrancelhas. – E depois eu falei do que precisava. A beijei e ela me deu o que eu precisava.
– Um beijo? – Eu apostava que tinha acontecido mais algumas coisas. Eu vou denunciar essa pedófila. Sério. Só de imaginar Luke dando uns amassos com Afrodite, faz meu estomago revirar, mas ela era mesmo bonita. Coloquei a mão em cima da mesa e me controlei.
– Sim. Só um beijo. Cara... Ela é...
– Ela é mesmo bonita. Na verdade, mas que bonita! – Gabe falou por mim. Mas seu tom era sem nenhum entusiasmo. Ele só estava falando um fato. – Mas e então, o que farão no final de semana?
– Eu estava pensando em ficar em casa. Minha namorada vai passar o fim de semana comigo. – Eu expliquei. Final de semana, eu iria voltar a ser eu. Eu tinha até ligado para Tami, para procurar apliques e colocar meu cabelo novamente do melhor jeito que podia. E como ela disse que tinha guardado meu cabelo, ela disse que seria fácil. Claro, não ficaria que nem antigamente, mas melhor do que nada.
– Eu tenho compromissos com a minha banda esse final de semana. – Luke falou e eu voltei totalmente minha atenção a ele. Ele era a razão de eu estar ali. Ele.
– Você vai voltar a cantar? Vai fazer música aqui? – Não pude conter um sorriso de se espalhar em meu rosto.
– Não. Só quero conversar com o pessoal. Colocar algumas coisas em ordem, e resolver assuntos pendentes. – Quando ele me olhou nos olhos e falou assuntos pendentes. Um arrepio percorreu meu corpo. Assuntos pendentes... Eu. Ele iria me procurar no final de semana. Uma saudade tão grande bateu no meu peito, acho que agora eu passaria a contar as horas até o final de semana, eu precisava de meu amigo de volta, precisava fazer isso dar certo.
– Eu marquei com alguns amigos para irmos para uma estação de esqui. – Nico disse e nos concentramos nele. – Eu queria que todos vocês fossem, mas parecem que todos já têm compromissos. – Pensei em passar o fim de semana de menino, e sinceramente, não era uma opção agradável. Mesmo que fosse com Nico, Léo, Luke, Rafael, Gabe e os outros. – Mas podemos adiar; o que vocês acham? – Não pude deixar de falar não, principalmente depois que todos concordaram que iriam.
Gabe foi comigo para a sala depois que almoçamos e eu me lembrei da detenção. Hoje teria novamente. Vi Rafael correndo na nossa direção e ele pegou meu braço.
– Hey Alex! No fim de semana se você estiver afim... Terá uma festa na fraternidade. Você não sentou com a galera hoje e não parece muito empolgado com isso, então ninguém te falou. Mas se você quiser aparecer com sua namorada, fique a vontade, beleza? – Eu assenti. Rafael olhou para Gabe ao meu lado e eu estranhei vendo o olhar dos dois. Ops... Senti algo no ar, e não foi raiva. Um pensamento idiota se passou na minha cabeça, mas logo eu tratei de deixar para lá.
– Tudo bem. Se eu for, posso trazer Gabe?
– Gabe?
– Gabriel! – Eu gesticulei. – Ele é meu Dude agora! – Eu expliquei. Rafael deu de ombros.
– Você quem sabe... – E saiu. Olhei para Gabe e perguntei:
– Vocês dois... Tem alguma acontecendo?
– Longa História! Outro dia eu te conto... Acho... – O acho não passou de um sussurro, mas não quis perguntar o motivo.
Depois que as aulas acabaram, descansei um pouco no meu quarto. Percy chegou também e se jogou na cama, para mim ele iria dormir depois que eu peguei um livro para ler. Já que não tinha absolutamente nada para fazermos até a detenção. Abri O escolhido, que era o livro que eu estava lendo e me envolvi na trama da morte do presidente dos estados unidos. Era uma ótima escolha e eu já queria ler ele há muito tempo. Depois de mais ou menos meia hora eu ergui os olhos e olhei para frente, estava muito silêncio, pensei que iria encontrar Percy dormindo, mas seus olhos me encaravam e em sua mão tinha os lápis e o caderno. Ele estava desenhando. Ele desviou o olhar assim que me percebeu olhando de volta.
E começou a rabiscar. Lembrei-me de meus olhos que ele desenhou e fechei o livro.
– Você desenha? – Eu nunca soube que ele tinha aquele dom. Percy fez uma careta.
– Muito pouco. É para passar o tempo.
– Posso ver algum de seus desenhos? – Ele rapidamente pegou o caderno em um movimento protetor. Mas ele não se agarrou a ele, somente o fechou e colocou debaixo do travesseiro. A curiosidade me corroeu.
– Eu não gosto de mostrar meus desenhos para ninguém.
– Você pode ser talentoso... Eu quero ver. Vamos ver se pelo menos você serve para algo!
– Não! – Ele falou seco. Cruzei os braços.
– Tudo bem, então Jackson. Parece até menininha Dude! – Eu disse irritada indo para o banheiro. Olhei para o espelho e disse:
– Eu ainda vou pegar aquele caderno. – Eu sorri me lembrando do desenho de meus olhos e pensei em colocar em um quadro.
Arrumei-me para ir à detenção e sai primeiro que Percy. Andei devagar para a sala, já que eu estava adiantada. Entrei na sala e passei a mão pelos meus cabelos. A porta foi aberta e eu esperei algum dos meninos, mas assim que a morena passou pela porta e exibiu um sorriso estranho, eu me encolhi.
– Oh Alex! Você está adiantado! É muito... Muito bom, ver você aqui. – Ela sentou-se à mesa na minha frente e se curvou para mim. Engoli em seco. Senti sua perna roçando na minha e Ártemis veio na minha direção.
– Oh claro Ártemis. Eu tenho que dar exemplo.
– Você é tão certinho! – Ela deu uma risada antes de pegar meu queixo rapidamente e de atacar os meus lábios.
Notas finais
Gente, se tiver alguém com qualquer tipo de preconceito me desculpem. Terá insinuações de homossexualidade. Isso não é foco, obviamente, mas sei lá... só estou avisando.
Deixem comentários, mereço não é?? Beijos ;)
PS: Não poderei responder agora os antigos, mas logo eles serão respondidos. ♥
Obrigada a todos aqueles que deixaram, especialmente a minha Raxa, Myrra, que está me ajudando sempre. I Love u.
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