If I Fell In Love With You...
1 Capítulo 1
Notas iniciais
"O tempo e a distância são os fatores que nos ajudam a esquecer algo. Ou alguém. A memória é o que marca esses dois itens. A saudade? Prova que ali havia amor."
Faz dez longos anos que eu não vejo as minhas amigas do colégio e tudo isso só porque mudei a escola. Elas simplesmente... Me deixaram. Ou talvez eu tenha mudado a minha rotina. A única que eu ainda tenho algum contato é a Carina Biersack, que se diz minha melhor amiga. Pra falar a verdade eu nunca tive uma amiga tão próxima. Quer dizer, tive sim. Mas, ela era afim de mim, e sei lá... Nunca fui boa com sentimentos, ou seja, nunca soube como demonstrá-los. Daí ela desapareceu da minha vida também. Digo, a unica informação que eu tinha sobre o sumiço dela era que ela teria ido morar em algum lugar no sul do Brasil.
Meu nome é Juliana e hoje tenho 25 anos e sou casada com o homem perfeito. O nome dele é Saulo Matos e faz apenas cinco meses desde que nos casamos. Moro num prédio em que os apartamentos são um por andar, ou seja, ele é bem grande. Até agora somos apenas eu, ele e a minha cachorrinha, Lilah, que é muito brava com as visitas. Não pensamos em ter filhos ainda, mas somos muito felizes.
Ele trabalha com contabilidade, e eu? Sou promotora. Ambos não tem muito tempo, por isso não temos problemas com atenção.
Papai e mamãe moram no prédio vizinho, então sem problemas de comunicação. Meu emprego é ótimo, adoro o que faço, sem contar que ganho bem. Meus novos amigos? Ah, eles são muito legais, de verdade.
Acontece que hoje estou de folga e Saulo não. Meus amigos todos estão viajando então resolvi passar o dia em casa. Já são 18h18 e... Nossa... Isso me fez lembrar uma coisa de quando eu era adolescente. Horas e minutos iguais... Saulo vivia me mandando mensagens a cada hora e minuto iguais. Perfeito.
Mas, acontece que eu quero andar por aí, beber um pouco e sei lá, pensar em como minha vida é completamente perfeita. Peguei um casaco, as chaves do carro e saí, fiquei rodando o bairro até achar um lugar calmo, com poucas pessoas e obviamente que seguro. Procurando por um local pra por o carro, notei que ali havia uma moto muito linda. Sabe aquelas motos que vemos em filmes? Justamente. O engraçado que por entre tantos carros cinzas e pretos, aquela cor verde se destacava.
Ao entrar no bar, procurei por uma mesa no canto da parede e pedi ao garçom (que por milagre me atendera rapido) uma cerveja. Depois de 5 minutos, ele retornou com o meu pedido. Entre um copo e outro, eu olhava no celular, pra ver se tinha alguma mensagem, ou alguma ligação. Não, apenas havia uma foto minha e de Saulo na nossa viagem para ilhas do Caribe. Então, passei a olhar para todos naquele bar. Todas vestidas como eu, simples, mas elegantes. Pareciam todos iguais, até eu bater os olhos numa mulher sentada no balcão. Era diferente, obvio. Usava uma calça jeans comum, all star comum, camisa xadrez e uma camiseta de Blur e o cabelo negro, com mechas castanhas, repicado de uma forma bem rebelde. Deveria ter a minha altura, ou talvez um pouco mais baixa. Segurava um drink azul, e fumava calmamente, enquanto assistia ao jornal.
- Que idiotas, ainda insistem em falar que o Brasil ainda vai melhorar? Falam isso desde que eu tinha dez anos.
O barman sorriu, enquanto passava pano no balcão.
- Fazer o que, né, Fernanda, o país não vai pra frente, mas veja, tá bem melhor....
- Porque o senhor está por fora, só não te falo das onda aqui, porque estamos num lugar público, daí algum filho da puta que trabalha como espião pro governo pode me processar que nem na ditadura — disse rindo — Não, nada a ver, né?!
- Ainda lembra disso, de ditadura?
- Claro, são fatos que colaboram pro que somos e onde estamos hoje.
Risos fracos por parte dela. Tinha uma voz firme, direta, agradável. Então, me toquei que conhecia uma Fernanda. Sim, a Fernanda que fora morar em algum lugar do sul do Brasil. A minha amiga confiável, a que era afim de mim... Mas, não pode ser ela, afinal de contas, ela não iria ser tão despojada como essa.
- Caramba, acabou o cigarro. Veja mais uma pra mim, por favor, Julio ?
- Claro, madame.
Ela pegou a caixa, e logo abriu-a, colocando um cigarro na boca, acendeu-o com elegancia em seu isqueiro prateado. Ela me atraia de alguma forma, eu precisava falar com ela.
- Com licença — eu disse
Ela me ignorou, eu fiquei brevemente irritada e resolvi chamá-la novamente.
- Oi? — eu disse mais uma vez.
A mulher me olhou surpresa, mas já estava com a fumaça na boca, soltou-a pelo nariz e cumprimentou-me.
- Oi, desculpa, eu estava perdida aqui. E eu também não escuto no ouvido esquerdo...
Dei um leve sorriso.
- Tudo bem, sem problemas.
A gente ficou se encarando por uns instantes, como se... Como se a gente tivesse procurando algo no fundo das nossas almas, a cada segundo que se passava era como se vasculhássemos ainda mais lá no fundo, mas ela quebrou aquela coisa.
- Qual seu nome? — perguntou
- Ah sim, me chamo Juliana Matos. Prazer — estendi a mão, ela segurou, apertando firme, sorrimos uma pra outra.
- Fernanda.
Ela quem soltou a minha mão, para dar mais um gole daquela bebida azul.
- Mora por aqui, Juliana?
- No prédio Montreal, sabe qual é?
- Sei sim.
- E você?
- Eu o que?
Eu ri levemente, e ela também.
- Onde você mora?
- Não precisa saber.
A cortada fora o suficiente pra que eu baixasse a cabeça, e olhasse para o outro canto. Quando eu era jovem, chamaria isso de trollagem.
- Tô brincando. Eu me mudei tem pouco tempo, não lembro o nome exatamente.
Nesse instante, chegou uma garota de mais ou menos 20 anos, ruiva, de olhos azuis, pele branca, delicada, mas tinha um olhar de matar. Tipo, de matar mesmo.
- Fernanda, onde você colocou o meu celu -
Quando ela me viu, parou imediatamente de falar, e olhou para Fernanda que estava sorrindo bobamente para a ruiva.
- Oi — ela disse — Sou a Olivia.
- Juliana — eu respondi. Sei lá, não gostei dela.
- Ah sim, Olivia essa é uma mulher que puxou conversa comigo, ela me parece gente boa. E mora no seu prédio também!
- Sério? Como eu nunca te vi lá?
- Bom, eu estou sempre trabalhando então...
- Legal! Enfim, temos que ir agora, a gente se esbarra por aí.
- Eu não quero ir Olivia, ainda não terminei o meu drink.
- Mas eu quero ir, já.
A ruivinha fuzilou a morena com o olhar, que se deu por vencida e deu o ultimo gole na bebida azul.
- Poisé, Juliana Queiroz, a gente se vê por aí.
Nisso, rapidamente elas se mandaram dali. Queiroz? Como ela sabe o meu nome de solteira? Quem era ela? Será a Fernanda...?
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