If I Fell In Love With You...
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu fiquei conversando com o garçom sobre aquela mulher e ele me respondia, calmo e sereno, o que sabia sobre ela.
- Ela se mudou pra cá tem um ano, é jornalista, musiscista, sem contar que é muito engraçada, poderia até fazer comédia stand up.
- Me pareceu ser uma pessoa bem agradável.
- É, ela é sim.
Pedi a conta e saí dali. Voltando pra casa, fui ver a secretária-eletrônica.
- Você tem 18 mensagens.
- Pode mandar todas.
Havia duas da mamãe convidando-nos para almoçar amanhã no apartamento dela, algumas de emprego, e a ultima era de Saulo.
- Amor, eu não vou poder voltar hoje, fizeram uma bagunça no escritório, confundiram os papéis e por fim, terei que organizar outros, provavelmente irei passar a noite da casa do Arthur, mas não se preocupa, antes de você acordar, seu café estará prontinho e feito por mim. Ah, e não me liga, tá? Quero terminar o quanto antes, só assim posso ir mais rapido pra perto de você. Porque quando a gente fala no telefone... É por horas! Enfim, te amo, beijos. Fique bem.
Ele não é perfeito? Muito esforçado, como sempre. Isso raramente acontecia, essas dele passar a noite trabalhando, mas enfim... Liguei a TV e a Lilah veio logo pra cima de mim, pedindo carinho.
- Awn, bebê, ti foi coixinha fofuxa da mamãe, é? Coisinha mais lindinha da mamãe? Eu sou mamãe lindinha.
Ela metia o fucinho nas minhas mãos e ficava lá deitada. Não tinha nada que me interessasse na TV e resolvi deitar. Ainda eram 20:00 e o dia estava um tédio.
- Espero que a folga de amanhã tenha algo de bom. Ou é melhor acabar o dia, pra eu poder voltar a trabalhar.
Ainda bem que eu tinha a Lilah para me ouvir.
No dia seguinte, como Saula havia dito, ele tinha deixado o café na minha cama, e agora entrava pela porta, sorrindo, perfeito.
- Bom dia, minha gata — dizia, enquanto enchia-me de beijos. — Como foi a noite?
- Dormi bem, mas senti sua falta.
- Awn... Eu cheguei umas... Quatro da manhã, e fiquei te olhando dormir... Daí dormi só meia horinha e fui fazer o seu café.
- Ah tá... Sentia muito sua falta, não quero mais que saia pra trabalhar até tarde.
Puxei ele pela camisa, afastei a bandeja do café e o fiz deitar sobre mim.
- Tá cheiroso.
- Só pra você, amor.
Nos beijamos, mas nos separamos quando o celular dele tocou.
- Ops, deixa eu atender aqui. Toma seu café, eu vou arrumar as minhas pastas no escritório, ok ?
- Tudo bem.
Ele saiu, fechou a porta e eu fiquei olhando pela janela do quarto. Estava fazendo um dia frio, o sol estava alaranjado e o unico som que eu ouvia era dos passaros. O café era suco de laranja, um pão de queijo, uma maçã, café com leite, pão massa-fina e requeijão. Bem simples, eu gosto mais quando vem cheio de besteiras. Não reclamei, porque achava maravilhoso quando ele fazia isso pra mim. Fui tomar um longo banho, daí então coloquei um short e camisa para caminhar.
- Vai correr, amor ? — perguntou Saulo, enquanto ajeitava o relógio — Queria tanto ir com você...
- Eu sei, mas não tem como né.
- Desculpa! É o trabalho, poxa.
- Eu sei, Saulo. Tudo bem.
Ele me deu um selinho e eu saí, com a Lilah.
- Ele bem que podia pedir um tempo né.
Lilah ficou me olhando, e descemos. Cumprimentei o porteiro e partimos em direção ao parque. A minha cadelinha estava inquieta com algo, e eu não sabia o que era. Daí, eu me agachei.
- O que foi bebê?
Eu ouvi um latido alto e poderoso, olhei e vi um labrador preto avançar pra cima da minha poodle minúscula.
- Devito, para de correr!
O cachorro obedeceu aquela voz autoritária e sentou-se, olhando para Lilah.
- Olha, você aqui, Juliana.
Era a Fernanda, com um short xadrez preto e branco, e uma camisa sem manga branca.
- Bom dia! — eu disse, enquanto tentava segurar Lilah, que queria descer com o cachorro da Fernanda.
- Essa é a sua cadelinha?
- É, a Lilah, né Lilah.
Ela latiu.
- Que fofa! O nome do meu é Devito, e ele só tem tamanho, mas é um amor de cão.
Ele continuava olhando pra Lilah, que queria a todo custo chegar mais perto dele.
- Ele é lindo.
Ficamos um pouco em silêncio.
- Fernanda, posso te fazer uma pergunta ?
Eu não consegui me conter, eu queria saber se era ela.
- Claro.
- Você... Já estudou no colégio Santo André de São Paulo?
Fernanda ficou me olhando e sorriu.
- Sim, eu já estudei lá. Por seis anos.
- Pode me falar o seu sobrenome?
- Lago. Fernanda Lago Santoré
Era ela sim! Ai meu Deus, que vontade de abraçar ela!
- Poxa, Fernanda, não lembra mais de mim? Juliana Queiroz...
- Tava só esperando você lembrar-se de mim.
Ela deu um passo, e eu deixei Lilah no chão, que correu para Devito. Fernanda segurou minha cintura e puxou-me para ela, e ficamos abraçadas por um tempo.
- Que máximo te encontrar de novo! — eu disse.
- Né.
Separamos-nos, e eu acho que fiquei sorrindo boba.
- Mudou tanto! Por isso que eu nem notei no primeiro momento.
- Percebi que era você desde que entrou naquele bar.
- Como assim?
- Dá pra ver pelo espelho atrás do balcão.
Rimos.
- Mas, e aí, como você tá? — ela perguntou.
- Tô muito bem! Casei com o Saulo.
- Saulo? Sério? Ficou com ele? Uau! Seu primeiro, único e eterno namorado — ela riu — Que lindo!
- É eu tentei até te mandar os convites, mas você sumiu...
- É eu sei.
- Então, e você?
- Estou bem. Sou jornalista e estou cuidando da minha mãe por uns dias aqui, mas estou dormindo na casa da minha namorada.
Fiquei uns segundos calada. Como assim namorada? Ela era mesmo sapata? Nossa!
- Aquela ruivinha?
- Sim, sim.
Sorri, pra disfarçar a surpresa.
- Mas, sei lá, você mudou muito mesmo — eu disse.
- Ou simplesmente passamos muito tempo sem nos ver. Continuo a mesma coisa, feia que nem o diabo.
- Ah, para com isso, Fernanda, ô. Diabo não é feio.
Empurrei-a de leve.
- Tá, tá bom. E você hein, tá muito mais linda do que já era.
Por que eu senti minha bochecha esquentar? Eu nunca fui de corar com elogios, eu sempre os recebi e nem por isso.
- Tô mesmo.
Ela riu, enquanto olhava para DeVito e Lilah.
- Olha, eles gostaram um do outro.
- Que estranho, a Lilah costuma atacar os outros cachorros.
- O DeVito é exceção. E ele também não é muito agradável com as cadelas.
- Olha lá, tira esse pulguento perto da minha lindinha, ela já é comprometida.
- Aposto que o DeVito faz ela muito mais feliz que qualquer outro cachorro.
Silencio. Se fosse há dez anos, acharia que isso fosse uma indireta pra mim.
- É, pode ser.
Rimos.
- Fernanda, quer ir almoçar comigo em algum restaurante? Saulo vai passar o dia todo fora hoje, a gente sei lá, pode passar a tarde falando sobre nossa vida.
- Tenho que trabalhar.
- Ah...
Baixei a cabeça. Será possível isso?!
- Mas, eu posso tirar uma folga pra ficar com você.
- Sério?
- Claro! Eu que mando onde eu trabalho. HAHA! Brincadeira, mas falo com o chefe no maior carinho e tiro sim essa folga pra ficar contigo.
- Sério mesmo?
- Claro que sim, por que não?
Eu abri um sorriso enorme ali. Finalmente não passaria à tarde sozinha.
- Que restaurante?
- Ah, tanto faz...
- Gostas de sushi?
- Não muito.
- Poxa, sacanagem isso.
Rimos.
- Massa?
- Adoro!
- Ótimo!
- Mas, e a sua namorada?
- Ela vai querer ir também, tem algum problema?
- Nenhum...
Por que me deu vontade de dizer "tem sim”?
- Tudo bem, me encontra no Spazzio ao meio-dia em ponto. Estarei lá.
- Meio-dia em ponto você quer dizer, 11h45min ou meio-dia e meia...
- Quando eu falo meio-dia em ponto, estarei lá ao meio-dia em ponto.
É que eu tô acostumada com o Saulo chegar atrasado ou muito adiantado, sabe?
- Ok.
Ah sim, anotamos números de telefone, email, tudo.
- Ué, mas, você não tá dormindo na casa da Olivia que por ironia é no mesmo prédio que o meu?
- Eu ainda tenho que visitar a minha mãe.
- O que ela tem?
- Problemas de saúde, velhice, sabe como é. Mamãe não tinha uma vida muito saudável quando jovem também, agora tenho que cuidar dela.
- Por que simplesmente não manda ela pra um asilo? — perguntei.
Acho que ela se ofendeu com o que eu disse.
- Claro que não! Durante toda a minha vida, ela sempre cuidou de mim, por que não posso retribuir isso? Além do mais eu amo a minha mãe, né. Tenho que cuidar, não quero perdê-la.
Foi muito lindo o que ela disse, ainda bem que a minha mãe e meu pai ainda tem muita saúde.
- Verdade... Enfim, já vou indo nessa, a gente se vê no almoço.
- Ok, até.
A gente ia se despedir com um beijo no rosto, mas aí ela foi pro mesmo lado que o meu, e os lábios dela encostaram bem no canto da minha boca. Foi tenso. Mas, também foi... Sei lá.
E lá se foi ela com o DeVito (que ficou triste). E eu voltei pra minha casa, de certa forma, bem mais feliz.
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