If I Die Young
12 Um lugar chamado Notting Hill
Notas iniciais
_ Não... Não, por favor...
Elena murmurava e se recontorcia sob os lençóis, em sua testa uma camada de suor se formava enquanto ela tentava avidamente impedir que seu sonho se tornasse um pesadelo. Algo ou alguém teimavam em sacudi-la pelos ombros, enquanto uma voz doce e rouca a chamava desesperado, a pedindo que acordasse. Era possível sentir as lágrimas quentes e grossas descerem por seu rosto, encharcando a camiseta preta dos Beatles que Elena usava como pijamas.
Ela tentava, porém, por mais que fosse sua vontade, uma força maior a trazia para a luz da consciência, e assim que abriu os olhos, através da penumbra ocasionada pelas lágrimas, a imagem de Damon e seus olhos azuis claros cheios de preocupação a fitando dominaram a sua visão, trazendo em sua mente flashes do seu sonho de a pouco, fazendo com que as lágrimas surgissem aos montes em seus olhos e um choro sentido a tomasse com força. Elena se agarrou a Damon aflita a cintura de Damon, e com a cabeça em seu peito quente e aconchegantemente conhecido, desatou a chorar enquanto suas mãos nas costas de Damon, a firmavam e o mantinham seu corpo perto do dela.
_ Shiii... Calma... – Damon ajeitou Elena em seu colo, aninhando-a como uma criança – Eu estou aqui, foi só um sonho ruim, se acalma...
_ Dam... eu...
Elena tentou se explicar, mas uma nova e mais forte onda a tomou, e seu pranto subiu por sua garganta, muito mais arrebatador, fazendo com que suas palavras saíssem entrecortadas pelos soluços repetitivos e embargadas por seu choro. Damon a abraçou com mais força, e dizia palavras reconfortantes a Elena enquanto fazia um carinho em seus cabelos, procurando consola-la de alguma maneira. Elena tragava o perfume inebriante vindo do tórax desnudo de Damon abaixo de si, trazendo a calmaria para seus pulmões, e aos poucos Elena ia recobrando a calma. Ao sentir os músculos dela se acalmarem sob seu corpo, Damon respirou um pouco mais aliviado, e com o dedo no queixo de Elena, levantou seu rosto para que ela o olhasse.
_ Mais calma? – Damon perguntou ainda um pouco apreensivo, porém mais tranquilo. Elena desviou o seu olhar do de Damon, enquanto acenava positivamente com a cabeça, respondendo silenciosamente a pergunta de Damon – Ainda bem, você me deixou preocupado... O seu pesadelo deve ter sido perturbador pra te deixar assim, eu nunca te vi desse jeito... Quer me contar o que foi?
Elena fechou os olhos, tentando impedir que as imagens do tal ‘pesadelo’ não voltassem a sua mente para atormenta-la por sua não existência. Sua mente estava cansada, assim como seu corpo, e aquele sonho a havia esgotado, e a simples menção dele fazia com que suas lagrimas queimassem atrás de seus olhos. Ela meneou a cabeça negativamente, engolindo o choro que se formava novamente. Lembrar desse sonho seria lembrar do seu fim próximo, e isso era tudo que Elena não queria ter em mente naquele momento.
_ Não quer falar sobre? Tem certeza?
Damon perguntou um pouco perplexo e preocupado, mas Elena negou novamente com a cabeça e se aconchegou novamente em seu abraço, fazendo com que Damon esquecesse suas preocupações por alguns instantes, e se concentrasse no pequeno e delgado corpo que se agarrava ao seu naquele momento. Ele se ajeitou e se deitou sobre a minúscula cama de solteiro, apoiando as costas na cabeceira da cama, enquanto Elena ainda permanecia deitada em seu peito. Damon enlaçou a cintura da morena com um dos braços, a mantendo perto, e com o outro ele ficou a acariciar os cabelos, o ombro e braço da morena agarrada a si. E logo ambos caíram em um sono profundo e, no caso de Elena, sem sonhos.
***
_ Tem certeza de que você quer ir?
Damon estava sentado na beirada de sua cama com os cotovelos apoiados nos joelhos, enquanto olhava Elena ir e vir do banheiro até o quarto diversas vezes enquanto se arrumava. Mesmo com as olheiras que predominavam a pele abaixo dos olhos castanhos cobertas pela maquiagem bem feita, Elena ainda parecia cansada. Ela não quis falar, comentar ou qualquer outra coisa do tipo, parecia que ela nem havia acordado as três da manha gritando e chorando. Elena colocou a mão sobre a boca, tentando esconder seu bocejo de Damon, mas não foi tão discreto quanto imaginou que seria.
_ É melhor ficarmos, você precisa dormir! – Damon se levantou indo em direção a Elena, que estava agachada procurando seu casaco em sua mala, mas Damon em um movimento rápido a fez ficar de pé, a segurando pelos ombros – Estou te dizendo isso como medico, amigo, e como alguém que se preocupa com você... Você tem que descansar Elena! Podemos ir amanha, ou então na próxima que viemos a Londres...
_ Eu não preciso de descanso! É tudo que eu menos preciso agora... – Elena tentou se livrar das mãos de Damon sobre seus ombros, mas ele não permitiu, fazendo Elena grunhir em protesto – Damon! Dá pra parar? Me solta! Eu já disse que estou bem, e será que dá pra você esquecer o maldito episodio de hoje de madrugada? Foi um sonho perturbador, e eu estou tentando não me lembrar dele, mas com você desse jeito, só faz piorar tudo...
_ O que você está me escondendo? — Damon disse enquanto fitava os olhos castanhos suplicantes de Elena com perplexidade e minuciosamente. – Me diz o que está te incomodando...
_ Eu não estou te escondendo nada... – Elena disse depois de um tempo, procurando a firmeza em sua voz – A única coisa, ou melhor, o único alguém que esta me incomodando nesse exato momento é você...
_ Agora eu te incomodo? – Damon soltou o braço de Elena e se afastou alguns passos com um sorriso cínico em seus lábios — Tudo bem, se eu estou te incomodando então acho melhor te deixar sozinha...
Damon recolheu sua jaqueta sobre sua cama e se dirigiu para a porta do quarto, mas antes que ele pudesse sair pela mesma, Elena o agarrou pelo braço, o impedindo. Ele não tentou se desvencilhar de seu toque, mas também não se virou para fita-la. As mãos que Elena mantinha grudadas ao braço de Damon, desceram pelo mesmo, até encontrarem a mão de Damon.
_ Me desculpa, eu me expressei mal... – Elena murmurou sentida enquanto mantinha seu olhar no anel de lápis-lazúli que Damon sempre tinha consigo. Uma herança de família passada por gerações. Aquele azul não se comparava ao dos olhos de Damon, mas era muito mais seguro para Elena se ela não o encarasse naquele momento. Elena engoliu em seco antes de continuar a falar – Eu não quis dizer que sua companhia me incomodava, e sim essa sua atitude apreensiva...
_ Mas eu me preocupo com você, Elena... – Damon se virou lentamente para Elena, entrelaçando os seus dedos nos dela – E se por um lado isso te incomoda, me incomoda muito mais saber que você não estar me dizendo algo...
_ Como eu disse antes, eu não tenho nada pra esconder de você... – Elena disse sem hesitar, porém seu olhar permaneceu na mão de Damon entrelaçada a sua – E se eu realmente não te contei o meu sonho, é por que não quero me lembrar...
Elena meneou a cabeça, tentando manter longe as lágrimas que já teimavam em se acumular em seus olhos. Ela fechou os olhos, engolindo a seco o choro, e as lembranças de seu perturbador sonho. Damon ergueu seu rosto, encaixando sua mão no maxilar de Elena. Ele analisava calmamente todos os traços da morena a sua frente. Elena era delicada e frágil como um botão de rosa, assim como ele se lembrava, mas os espinhos longos e pontiagudos, que cortavam como navalhas, ele não se lembrava. Quando ela havia ficado assim? O que ela guardava dele? O que tanto a perturbava que era capaz de deturpar seus sonhos e atitudes? Ele não sabia dizer, e tentar descobrir era quase que impossível. Qualquer pressão vinda de Damon podia ocasionar um desastre, e tudo que ele não queria, era Elena longe de si.
_ Ok, vamos...
_ Vamos? – Elena abriu os olhos, fitando os de Damon, confusa – Pra onde nós...
Antes que Elena pudesse terminar sua pergunta, Damon a interrompeu, a puxou pela mão e a levando para fora do apartamento. Ele virou para Elena com um sorriso rotineiramente sarcástico e com uma sobrancelha perfeita e cinicamente arqueada, ele respondeu:
_ Não seja curiosa, eu já lhe disse que é uma surpresa...
***
_ Damon, eu acho que depois de tantos anos de amizade, você sabe o quanto eu ‘gosto’ de surpresas, não é? – Elena disse sarcasticamente enquanto anda ao lado de Damon por uma das muitas, e desconhecidas para Elena, ruas de Londres. – Por que não me conta logo e acaba com esse suspense...
Damon soltou uma gargalhada audível, que até seria cativantemente maravilhosa se não fosse pelas circunstancias em que se encontravam, fazendo Elena parar no meio da calçada, e fita-lo com os olhos semicerrados e raivosos. Com um revirar de olhos, Damon voltou alguns passos e se pós atrás de Elena e a empurrou levemente para que ela andasse.
_Tá, tá, já estou indo...– Elena disse se dando por vencida, andando com os braços erguidos em rendição. — Não precisa empurrar...
_ Ótimo, assim me evita o trabalho... – Damon disse sarcástico, voltando a andar ao lado de Elena – Se o empurrãozinho não funcionasse, teria que te carregar...
_ Você não se atreveria...
Elena parou novamente com as mãos na cintura, uma das sobrancelhas erguidas, e um sorriso desafiador nos lábios, mas logo se arrependeu ao ver os olhos de Damon se tornarem escuros e felinos, fazendo um arrepio subir por sua coluna e se espalhar por todo seu corpo. Respondendo com veemência ao desafio de Elena, Damon caminhou furtivamente até ela, a pegando pela cintura, antes que ela fosse capaz de dar um passo pra trás, e a colocando sobre o ombro.
_ Damon! – Elena murmurou entre dentes, querendo não chamar a atenção das pessoas que andavam pelas ruas para si – Damon Salvatore, me coloca no chão agora!
_ Desculpa, Lena! Desafio é desafio! – Damon deu um leve tapa no traseiro de Elena, a fazendo arfar incrédula – Não se preocupa, já estamos quase chegando...
_ Damon! Me coloca no chão! – Elena murmurou novamente, tentando segurar o riso que ameaçava sair por seus lábios, enquanto referia socos nas costas de Damon e escutava o mesmo gargalhar avidamente – Damon!
_ Pronto! Chegamos... – Damon colocou Elena de pé, a apoiando pela cintura. Elena o olhou furiosa, voltando a socar o peito de Damon, mas o mesmo ria como se fossem plumas a bater nele – Ei, dá pra você parar com isso... Todos os polidos e educados britânicos estão olhando para você, como se fosse uma louca!
_ Louca?– Elena disse ameaçadoramente entre dentes, olhando para os lados, lançando sorrisos vergonhosos, enquanto tentava disfarçar — Você ainda não me viu louca Salvatore, isso não vai ficar assim...
_ Hmm, isso parece interessante... – Damon lhe referiu um sorriso sarcasticamente safado, e Elena deu outro soco em seu braço, dessa vez conseguindo acumular toda a sua força em seu braço – Ai! Tá bom, dá pra parar com o pugilismo e prestar um pouco a atenção...
_ Prestar atenção em que? – Elena perguntou raivosa, cruzando os braços sobre os seios.
_ Na sua surpresa...
Damon revirou os olhos, Elena o olhou dando a entender que não fazia ideia do que ele estava falando. Ele revirou novamente os olhos azuis com avidez, e com as mãos em seus ombros a virou, fazendo ficar de frente para uma das ruas mais conhecidas de Londres. O queixo de Elena caiu alguns milímetros enquanto ela tentava absorver minuciosamente todas as informações do lugar ao seu redor, como as casinhas germinadas e coloridas em estilo vitoriano que tomavam boa parte do bairro.
Elena virou-se para Damon, o olhando questionadora, como se não acreditasse nos seus próprios olhos, ele assentiu com um sorriso cativante nos lábios. E mesmo com toda a briga de agora e a de mais cedo, Elena saltou em direção a Damon, grudando em seu pescoço, o abraçando apertado.
_ Bem Vinda a Notting Hill, Elena... – Damon disse em um murmuro esmagado – Elena... eu estou ficando sem ar!
_ Ah, foi mal! – Elena afrouxou seu aperto, saindo de cima de Damon um pouco sem graça, porem ainda com o um brilho no olhar – Não acredito que você me trouxe aqui... Eu sempre quis vim, não sei como não me lembrei daqui antes... Como sabia que eu queria vim aqui?
_ Elena, você é a pessoa mais viciada em comedias românticas que eu conheço, e Um lugar chamado Notting Hill é o filme que eu mais odeio na minha vida, e simplesmente por você ter me feito assistir uns milhares de vezes durante 15 anos... – Damon disse com seu cinismo rotineiro – E ai, gostou da surpresa?
_ Tá brincando! Eu amei! – Elena sorriu abertamente, olhando encantada ao seu redor – Então, o que vamos fazer primeiro?
_ Vem comigo que eu te mostro... – Damon ofereceu o braço em um ato de cavalheirismo para Elena, ela sorriu enquanto enroscava seu braço ao dele.
_ Claro, Senhor Salvatore...
Fale com o autor