If I Die Young
9 Um bom motivo...
Notas iniciais
No capitulo anterior de If I Die Young...
_ Quer que eu seja mais clara? Se você não percebeu, você está nu embaixo desse lençol... E eu acordei do mesmo jeito... E se você se esforçar um pouquinho, você vai se lembrar de que nos dois...
_ Oh merda... – Damon disse com o queixo caído e os olhos arregalados e confusos. – Nos dois dormimos juntos!
_ Não Damon, nós não dormimos juntos... – Elena falou sarcasticamente enquanto um sorriso cínico dominava seu rosto – Se nós tivéssemos apenas dormido juntos... Não estaríamos tendo essa conversa agora...
_ Bom, a expressão ‘dormir juntos’ seria um eufemismo nesse caso... – Damon deu de ombros, acompanhando Elena em seu cinismo, fazendo a mesma o olhar de um jeito nada amistoso, o que fez Damon repensar antes de continuar a falar – Tá! Definitivamente não dormimos!
_ Isso já é bem claro! – Elena sentou-se no sofá e colocou as mãos no rosto – Isso é uma merda! Não deveríamos ter feito isso, maldita hora que eu fui beber absinto, e aqueles brownies? Provavelmente tinha alguma coisa... nos estamos na Holanda, e ainda entramos nunca loja tematica da Jamaica! Otimo!
_ Se acalma Elena! Já foi, não adianta dá a louca agora! Não tem nada que possa mudar o que aconteceu entre a gente... – Damon disse despreocupadamente enquanto se sentava de fronte a Elena, que retirou as mãos do rosto só para olha-lo furiosamente – Dá pra você parar de me olhar desse jeito? Eu não tenho culpa, ninguém tem culpa, ok! Nós transamos, e ai? As pessoas fazem isso, sem duvida tem alguem fazendo isso agora mesmo!
_ Mas nós dois somos amigos... – Elena disse exaltada enquanto a culpa lhe tomava o peito – Melhores amigos! Amigos de infância...
_ Amigos também fazem isso! – Damon disse com desdém – Amizade colorida, amigos com benefícios... chame do que quiser! O mais importante agora é lidar com isso, somos adultos...
_ Somos adultos, mas definitivamente não estamos agindo como!- Elena levantou exaltada, indo até sua mala e separando uma muda de roupas – E outra, eu não quero transformar nossa amizade em uma coisa totalmente instável e destrutiva! Nem amizade com benefícios, ou sexo sem compromisso, ou seja la o que for...
_ Não seria uma má ideia... – Damon deu de ombros enquanto se deitava novamente com os braços atrás da cabeça, observando os movimentos de Elena – Nos conhecemos há bastante tempo, conhecemos as manias, qualidades, e defeitos um do outro como ninguém, poderíamos fazer isso funcionar...
_ Cala a boca Damon... – Elena disse depois de um tempo fitando os olhos sinceros de Damon e medindo suas palavras e segurando suas lagrimas nos olhos, resolveu encerrar o assunto de uma vez – Eu não posso ter esse tipo de relação com você, e ponto. Fique contente com o que temos!
_ Eu estou contente com que temos, porém ainda gostaria de saber o por que você acha que isso não pode dar certo... – Damon voltou a se sentar, ainda observando Elena – Como eu disse antes, nos conhecemos há um tempão, você já teve uma paixonite por mim, eu sou bonitão e você, minha amiga, não tenho outro adjetivo além de ‘gostosa’... Já até tive sonhos eróticos com você!
_ Hã? – Elena resmungou confusa com uma das sobrancelhas erguidas. – O que você disse?
_ É isso aí que você escutou, agora me deixe terminar! – Damon revirou os olhos e se pós a falar novamente enquanto gesticulava com as mãos como uma balança, medindo o peso de sua ideia – Além de tudo isso, obviamente nós já dormimos juntos... Já demos o primeiro passo, o que nos impede de levarmos isso adiante? Me dê um bom motivo!
Elena estacou no lugar, e engoliu o bolo que se formou em sua garganta. Ela sabia que momentos como esse chegariam. Não o momento onde ela teria que escolher entre ter ou não uma relação mais intima com Damon, mas sim, o momento onde ele faria alguma pergunta na qual ela não teria uma resposta pronta, ou onde a única resposta seria ‘ por que eu estou morrendo’. Elena olhou Damon nos olhos, se vendo encurralada pela expectativa nos olhos azuis de Damon, para depois desviar rapidamente antes que ele visse as lagrimas brotando em seus olhos, e voltou a procurar suas coisas em sua mala.
_ Eu não quero estragar o que temos... – Elena disse com sua voz baixa e embargada, torcendo para que ele não percebesse o choro que estava se formando em sua garganta. – E não adianta você me dizer que não vamos, e que teríamos nenhum problema se incluíssemos sexo na nossa amizade... Não vai funcionar! Eu já assistir filmes e series, li livros, já até conheci pessoas que tinham esse tipo de relação... Sempre algo acontece e muda tudo...
_ Algo como o que? – Damon se pós de pé rapidamente e ficou de frente para Elena, levando o lençol azul junto consigo o prendendo envolta de seu quadril – O que poderia acontecer, capaz mudar de tudo?
_Sei lá, aparece alguém mais interessante, ou um de nós acaba confundindo as coisas e se apaixonando... – Elena estava confusa e temerosa pelo rumo que a conversa tinha tomado, decidiu se afastar de Damon o mais rápido possível – Eu vou tomar um banho...
Elena pegou suas coisas e começou a andar em direção ao banheiro da suíte, porém Damon foi mais veloz, e a segurou pelo braço, a impedindo de prossegui. Ele a trouxe para mais perto de si, mantendo seus olhos azuis nos castanhos de Elena. Sua mão soltou o braço e se prendeu a cintura de Elena, e mesmo que estivesse coberta pelo roupão felpudo, um tremor lhe correu o corpo quando Damon a tocou. Ele estava tão próximo dela, seus narizes a poucos centímetros de distancia. Novamente Elena sentiu seu corpo tremer em resposta a Damon.
_ E o que tem demais se nos apaixonarmos? – Damon praticamente sussurrou próximo ao rosto de Elena.
O cérebro de Elena instantaneamente cogitou a possibilidade de um dia Damon e ela terem alguma coisa, e em poucos segundos ela já havia imaginado toda a sua vida juntos, como uma adolescente cheia de hormônios e sonhos, com uma vida toda pela frente, coisa que Elena, naquele momento se deu conta, de que já não tinha. As lagrimas surgiam em seus olhos enquanto seu coração se contorcia em dor dentro de seu peito. Elena engoliu o bolo em sua garganta novamente e prendeu seu lábio inferior entre seus dentes, em uma tentativa falha de manter suas lagrimas sobre controle. Tirou a mão de Damon de sua cintura, e foi se afastando enquanto meneava negativamente sua cabeça em movimentos leves. Damon a olhou confuso e antes que ele saísse de seu campo de visão, ela disse:
_ Isso foi errado Damon, e em níveis catastróficos! Somos amigos, e é isso que sempre seremos, bons amigos, até que a morte nos separe...
Elena disse com um sorriso sofrido reparando na ironia de suas palavras enquanto se virava e voltava ao seu caminho até o banheiro, fechando a porta atrás de si rapidamente, antes que desabasse em choro na presença de Damon. Ela escutou as batidas frenéticas na porta e as tentativas falhas de Damon para que ela abrisse. Elena não respondeu, apenas ligou a torneira e deixou que a banheira enchesse o suficiente, para depois tirar o roupão que cobria seu corpo e entrasse na mesma. Sua cabeça parecia que ia explodir, e nem mesmo a água quente e relaxante fazia efeito em seu corpo. Lagrimas brotavam incontroláveis em seus olhos e se misturavam com a água da banheira.
Ela já tinha aceitado seu destino, recepcionaria a morte o mais gentil possível, quando ela chegasse. Mas por que Damon tinha que tornar tudo isso tão difícil. A presença dele, a suas risadas, seu jeito de ser, sua essência a faziam querer enfrentar qualquer um e todos que a impeçam de continuar a seu lado. Damon a inspirava a viver, porém viver, era algo que já não cabia a Elena escolher. Suas lagrimas se tornaram mais pesadas, e o choro a atingiu mais forte e seu corpo tremia em espasmos e soluços enquanto as palavras de Damon e as lembranças do dia anterior surgiam novamente em sua mente.Elena murmurou sofregamente, que se tornou indecifrável quando embargado por seu choro, enquanto abraçava suas pernas junto ao seu peito. Enquanto se esforçava para guardar todas as suas memórias em algum lugar obscuro de sua cabeça, uma lembrança inédita da noite anterior lhe veio à mente...
Elena estava deitava no peito nu, quente e suado de Damon. Sua cabeça rodopiava, mas ela não saberia dizer se era efeito da bebida, ou do êxtase que tomou seu corpo a poucos minutos. Damon acariciava suas costas, ocasionando arrepios em sua coluna. Ela se sentia tão protegida e segura com os braços de Damon ao seu redor, era quase impossível repreender o sorriso teimava em surgir em seus lábios toda vez que se lembrava do ocorrido a pouco.
_ Elena? — Damon sussurrou depois de alguns minutos em silencio – Você acha que o que fizemos foi, de algum jeito, errado ou estranho?
_ Não, foi perfeito... – Elena levantou sua cabeça para fitar os olhos azuis de Damon na escuridão – E você?
_Não... – um sorriso leve surgiu no canto dos lábios avermelhados e inchados de Damon – Pra falar a verdade, eu venho fantasiando com essa noite desde que era um adolescente cheio de hormônios...
_ Damon? – Elena o chamou depois de alguns minutos pensando nas palavras que acabava de dizer – Por que nunca me contou?
_ Pra que? Éramos tão amigos, e você estava caidinha pelo Mutt... – Damon disse com nostalgia.
_ Matt... – Elena o corrigiu.
_ Meat, que seja... – Damon deu de ombros com desdém, depois se ajeitou na cama para ficar com os olhos a altura dos de Elena, ainda com ela em seus braços, e sussurrou perto de seu rosto – Como dizer pra sua melhor amiga que você era apaixonado por ela?
Elena ficou olhando para os olhos azuis na escuridão, apenas olhando, e absorvendo aquela visão. Novamente ela cogitou falar o que estava lhe acontecendo, mas naquele momento, ela estava hipnotizada pelo brilho vindo daqueles olhos, que logo se fecharam. E com um ‘boa noite’ quase inaudível, Damon se pós a dormir, e Elena permaneceu o fitando enquanto escutava o ressoar de sua respiração tranquila. Elena engoliu o choro que se formou em sua garganta, e se aconchegou mais nos braços fortes de Damon, e deixou que o sono a dominasse, porém não antes de dizer a escuridão que preenchia o quarto:
_ Eu te amo, Damon Salvatore...
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