If I Die Young
10 Aos Treze...
Notas iniciais
12 anos atrás...
Elena se olhou no espelho, depois de trocar de roupa pela milésima vez, analisando o resultado do vestido azul marinho rendado, que descia soltinho até o joelho, e marcado na cintura por um cinto fino vermelho, em seu corpo. Ela estava ansiosa e prestes a ter um ataque de pânico. Seria a primeira festa que ela iria, e Elena havia sido convidada por Matt, o anfitrião da festa e a paixonite de Elena durante seus 13 anos. O loiro de olhos azuis e sorriso cativante teimava em dominar os pensamentos da morena desde quando se encontraram a primeira vez. Matthew Donovan era o quarterback do time de futebol americano da escola, juntamente com Stefan, o irmão mais novo de Damon, e foi graças a posição do irmão de seu amigo de infância no time que ela pode conhecer e se aproximar de Matt.
Agora que ele havia a convidado para a festa que aconteceria em sua casa depois do grande jogo de hoje e da provável vitoria do time, ela estava cada vez mais próxima de poder realizar seu sonho mais intimo de ser beijada por Matt Donavan. Seria o seu primeiro beijo, e ela vinha criando expectativa com esse momento desde o dia que Matt apareceu na sua frente, e depois que ele a convidou para a festa, essa expectativa só fez aumentar. Bem, ele não a havia convidado de fato, todos da escola iriam para a casa de Matt depois do jogo, mas enquanto conversava com Damon durante um dos intervalos, Matt passou por eles e lançou um olhar para Elena, e em meio a uma piscadela, disse que esperava vê-la na festa. Damon o fitou com repulsa e fez algum comentário cinicamente sarcástico, mas Elena estava absorta em felicidade. Poderia até não ser um convite formal, mas soou como um aos ouvidos e ao coração apaixonado da morena.
_ Elena... – Damon bateu na porta e entrou em seguida com os olhos cobertos por uma das mãos – Espero que esteja vestida...
_ Damon, larga de ser idiota... – Elena sorriu ao ver Damon pelo espero – Pode olhar, eu estou vestida...
Damon tirou a mão que lhe cobria os olhos e ficou boquiaberto com a visão a sua frente. Seus olhos percorreram toda a extensão do corpo de Elena, e sua expressão era uma mistura de incredulidade e admiração, fazendo Elena corar sob o olhar minucioso de Damon.
_ O que foi Damon... – Elena virou-se para seu amigo que a fitava catatônico – Por favor, para de me olhar assim, e fala alguma coisa... Estou assim tão feia?
_ Elena, você está tudo, menos feia! – Damon disse exaltado se aproximando de Elena, seus olhos azuis intensos, e muito mais marcantes dos que o de Matt, estavam brilhantes e a fitavam com devoção – Você está perfeita, como sempre...
_ Serio? – Elena sorriu extasiada — Você acha que o Matt vai gostar?
Elena perguntou demonstrando sua empolgação, voltando a fitar sua imagem no espelho. Damon não a respondeu de imediato, fazendo Elena olha-lo preocupada pelo espelho a sua frente. Os olhos de Damon tinham assumido um tipo de brilho diferente do que ela tinha visto há poucos minutos. Ele já não a fitava mais, mantendo seu olhar baixo e preso ao chão, para que Elena não pudesse perceber sua frustração transpassar em seus olhos, mas ela podia ver que algo o perturbava pelo jeito que seus músculos se retesaram, e seus punhos se fecharam com força.
_ Damon? – Elena voltou-se para Damon, o fitando confusa por alguns instantes – Tudo bem?
_ Hã, claro... Quer dizer... – Damon pigarreou enquanto passava as mãos pelos cabelos negros, como sempre fazia quando estava nervoso ou em uma situação embaraçosa – Bem, tenho certeza que o Mutt vai gostar de te ver assim...
_ É Matt! Por que você sempre fala e o olhar desse jeito? Como se tivesse aversão a ele ou sei lá. Até parece que você não gosta dele...
Elena bufou como se aquilo não fosse possível, porém Damon não a contrariou ou fez algo do tipo, apenas permaneceu seu olhar longe do dela. Elena ergueu uma sobrancelha perplexa, enquanto fitava Damon colocar as mãos nos bolsos e desviar seu olhar para outro lado, se entregando.
_ E você não realmente não gosta... – Elena afirmou enquanto o fitava confusa, tentando encontrar em sua mente ou na feição de Damon motivos para que Matt merecesse a antipatia de Damon – Por quê?
_ Não é que eu não goste dele... – Damon disse tentando desconversar, mas Elena cruzou os braços rentes aos seios e o fitou com suspeita no olhar, esperando por uma resposta sincera de seu amigo – Eu não tenho nenhum motivo concreto, ok! Eu só... Não vou com a cara dele, não é por que você gosta dele e anda babando por ele que eu tenho que gostar... Na verdade, talvez esse seja um dos principais motivos por eu não suporta-lo!
_ Hã? O que você...? – Elena mal conseguia formular uma frase coesa, fechou os olhos tentando arrumar a confusão que banhava seu cérebro naquele momento, e quando abriu viu os olhos azuis de Damon culposos – Por favor, me explica isso direito Damon, eu estou meio perdida...
_Sinto muito Elena. Eu sei o que o Matt significa pra você, mas ele não o cara pra você... Ele paga de pegador pra toda a escola, fica exibindo as suas vitorias... – Damon disse se sentando na beirada da cama de Elena fitando suas mãos enquanto falava – E se você acabar nos braços dele, você só vai ser mais uma que passou por ele, e eu não quero isso pra você...
_ Ah, já entendi... – Elena sorriu aliviada depois de alguns segundos pensativa – Você vê em Matt uma ameaça ao seu status de pegador numero um da Mystic Falls High School... Compreensivo, você não quer deixar de ser o macho alfa da matilha...
_Hã? O que? Por deus Elena! Você escutou o que eu acabei de lhe dizer? – Damon disse nervosamente enquanto se levantava se pondo de frente a Elena, segurando as suas mãos junto com as suas enquanto fitava seus olhos castanhos – Eu estou dando a mínima pra isso Elena! Presta bem atenção, já faz um tempo que eu deixei de me importar com essa questão de status de pegador, o que realmente me importa é você, e eu me preocupo com você, só com você...
_ Damon, deixa de besteira... – Elena tentou desvencilhar do toque e do olhar de Damon, mas ele a impediu, segurando seu rosto de Elena entre suas mãos a forçando olhar seus orbes azuis sinceros – Damon?
_ Elena, me escuta... Matt não é o certo pra você, e uma coisa eu posso te dizer com toda certeza do mundo, ele vai te magoar. – Damon disse com convicção, próximo ao rosto de Elena, que o fitava vacilante – Eu sei disso Elena, por favor, confia em mim...
_ Nossa! Isso foi realmente esclarecedor! – Elena se desfez do toque de Damon e com os olhos cheios de lagrimas saiu de perto de Damon – Sabe Damon, eu esperava isso de todo mundo, menos de você... Você é meu amigo, deveria me apoiar em conseguir o que quero, e não ficar jogando praga e falando essas coisas como se fosse algum vidente!
_ É justamente por ser seu melhor amigo que estou te dizendo essas coisas... É por ser seu amigo que eu sei que posso ser sincero com você... – Ele tentou se aproximar de Elena, mas ela deu um passo pra trás – Por favor, Elena... Não faz isso comigo.
Elena calçou sua sapatilha e pegou sua bolsa e se dirigiu para a porta de seu quarto saindo em seguida, sem responder ou dar ouvido aos apelos do garoto que a seguia pelas escadas e pelo caminho até a porta da frente, que ela chegou a abrir, mas antes que ela pudesse sair Damon a puxou pelo braço, a impedindo, e a fazendo que ela o olhasse nos olhos.
_ Elena, por favor! – ele disse com o olhar suplicante — Me escuta...
_ Sinto muito Damon, mas eu estou atrasada...
_ Eu te levo!
_ Não precisa, eu vou com o Stefan...– Elena disse entre dentes depois de se soltar do aperto de Damon e o olha-lo com fúria e antes de sair porta a fora, ela olhou uma ultima vez para Damon, e tentando disfarçar a magoa em sua voz, disse: – E só pra sanar a sua preocupação comigo, eu sei cuidar de mim mesma!
***
Elena estava no canto da sala de estar da casa de Matt, que por sinal estava lotada de pessoas comemorando a vitoria do time. Distraidamente ela tomava a bebida em seu copo, enquanto olhava ao seu redor procurando por Matt, porém acabou encontrando o olhar Damon, que logo tratou de desviar. Damon estava do outro lado da sala, sendo assediado por um bando de garotas, que tentavam chamar sua atenção com seus lábios pintados, decotes consideravelmente profundos e roupas curtas, no entanto a atenção do garoto estava toda voltada para a morena do outro lado com ansiedade no olhar.
Matt passou próximo de Elena, e ela viu ali, a oportunidade que ela precisava para se aproximar. Ele se dirigia a um grupo de pessoas, onde havia vários de seus colegas de time, incluindo o irmão de Damon. Elena virou a bebida de seu copo de uma vez, porém o refrigerante de limão que bebia, não foi capaz de lhe dar a coragem necessária para atravessar aquele salão sem que suas pernas tremessem. Com medo de tropeçar nos próprios pés, ela caminhou razoavelmente lento em direção ao grupo de pessoas que riam alegres, onde Matt se encontrava. Ela sentia o olhar de alguém do outro lado, fitando todos os seus passos, e mesmo sabendo muito bem quem era ela não o olhou, nem se refreou, seguiu o seu caminho até o garoto de seus sonhos.
No entanto, algo foi capaz de fazê-la estacar no lugar onde estava, e isso foi a belíssima morena que chegou a Matt antes de Elena, e se jogou em seus braços e buscou os lábios do mesmo com uma voracidade, que talvez deveria ser censurada para menores. Lágrimas subiram aos olhos de Elena ao fitar aquela cena, ela sentia seu coração se quebrar em milhares de infinitos pedaços, por sua sorte ela não chegou a ser rejeitada por Matt, e ele também nem havia reparado em sua pessoa.
Porém, antes que ela pudesse dar as costas e sair dalí o mais rápido possível, Nadia Petrova, a garota agarrada ao pescoço de Matt, percebeu seu olhar sobre eles dois e pareceu perceber o motivo das lagrimas estarem se acumulando em seus olhos. Ela o chamou a atenção, e fez com que ele olhasse para Elena, enquanto sussurrava algo em seu ouvido ainda com seu olhar preso a Elena, fazendo Matt gargalhar prazerosamente do sofrimento da garota a sua frente. Rapidamente o seu grupo foi posto a par da situação embaraçosa de Elena, e começaram a rir à custa dela também. Todos riam dela, menos Stefan, que apenas a olhava piedoso enquanto meneava levemente a cabeça em reprovação.
Elena engoliu em seco o bolo em sua garganta, apenas fitando toda aquela situação, que se espalhava. Cada vez mais pessoas começavam a prestar atenção ao que estava acontecendo. As lagrimas desciam por seu rosto, e ela não conseguia assumir o controle das suas próprias pernas, ela queria sair correndo daquele lugar, mas elas teimavam em permanecer paradas ali, e permitirem que Elena fosse humilhada cada vez mais. Ela fechou os olhos deixando as lágrimas banharem seu rosto e rezando para que um raio caísse em sua cabeça, ou que o chão abaixo de si a engolisse, para não ter que presenciar mais nenhum segundo daquela humilhação.
Aparentemente suas preces foram escutadas, porém nenhum raio caiu e não havia nenhuma erosão sobre seus pés. Em verdade, suas pernas foram forçadas a se mexerem por uma força extracorpórea, que envolveu Elena e a levou para fora daquele lugar. Foi só quando sentiu o vento frio da noite batendo em seu rosto e deixou de escutar as gargalhadas que ela se permitiu abrir os olhos, e ela pode observar a força quente e poderosa que a salvou. Damon mantinha Elena em seu abraço enquanto a levava para longe. Ele a fez entrar em seu carro, a sentado no banco do carona, para logo depois entrar no lado do motorista e começar a dirigir.
A cabeça de Elena estava pendendo para o lado, com sua testa apoiada na janela fria do carro de Damon enquanto observava a casa de Matt ir se distanciando rapidamente. Eles permaneceram calados durante todo o caminho. Elena não era capaz de dizer uma palavra se quer, e Damon apenas respeitou, e lhe deu o silencio necessário, ela parecia abalada, e ele entendia que ela precisava de espaço para que colocasse os pensamentos em ordem.
Elena fechou os olhos, relembrando e absorvendo tudo que havia acontecido com ela a pouquíssimos minutos atrás. Sentia-se estupidamente tola por ter desejado Matt, e ainda permitir que ele a humilhasse na frente de todas aquelas pessoas. Não foram necessárias palavras para que ele pisasse em seu orgulho, apenas o seu olhar cheio de sarcasmo e cinismo eram capazes de despedaça-lo. Aqueles olhos. Os mesmos que ela adorava pensar, que dominavam seus sonhos, e a faziam querer se perder naquele mar. Os mesmos olhos, que um dia ela sonhou estarem voltados para ela cheios de amor e carinho, haviam a fitado com desprezo e deboche.
O ar começou a ficar escasso naquele carro, ou era coisa da cabeça de Elena. Ela respirava fundo, porem um pânico maior que sua vontade de manter seu controle a dominou, e uma falta de oxigênio so fazia aumentar a cada inspiração e expiração que ela dava.
_ Para o carro... – sua voz soou sufocada, tanto que Damon não a compreendeu até que ela lutasse para que um grito saísse por sua boca: — Eu disse... PARA ESSE CARRO!
Damon quase que imediatamente parou o carro, e antes que o veiculo estivesse completamente imóvel, Elena abriu a porta e saiu, tentando expandir ao máximo sua caixa toraxica para que a atmosfera externa alimentasse seus pulmões o mais rápido possível com oxigênio, e tirasse essa sensação esmagadora de seu peito. Elena olhou ao seu redor, reconhecendo o local onde estava como sendo a Ponte Wickery. Ela se apoiou no batente de concreto e fechou os olhos respirando o ar invadindo seus pulmões calmamente, e o vento bater levemente em seu rosto, secando os resquícios de suas lagrimas.
_ Elena? – a voz de Damon, logo atrás de si, ressoou em seus ouvidos e pelo tom ele parecia esta preocupado – Lena, você está bem?
_ Por que você faz isso Dam? – as lagrimas voltavam a escorrer por seu rosto – Por que você ainda se preocupa comigo quando eu deixei bem claro que eu sei me cuidar sozinha e que não preciso de você?
Damon ficou em silencio durante alguns minutos, enquanto Elena apenas fitava o luar a sua frente, ainda buscando estabilizar suas lagrimas, porém o silencio de Damon a estava incomodando. Ela queria saber a sua resposta, e ele parecia não ter uma resposta pronta para essa pergunta. Elena se virou, ficando de frente para Damon que mantinha seu olhar preso ao de Elena.
_ Por que Damon? – Ela sussurrou exigindo sua resposta.
_Por que é meu dever, Elena... – Ele deu alguns passos a frente, ficando a alguns centímetros de Elena – Novamente eu não tenho motivos racionais para o que me leva a ter essa atitude quanto a você... Mesmo você deixando claro que não me quer por perto, eu não consigo evitar... É inevitável...
_ Hmm... – Elena soltou um riso esganiçado e abaixou o seu olhar, e novas lagrimas surgiram com abundância em seus olhos – Me desculpa Damon... Eu não sei o que deu em mim, eu sei que eu não mereço, mas me perdoa... Você é tudo pra mim, é a única pessoa que nunca me decepcionou nessa vida, e agora eu faço isso com você... Eu sou uma idiota, estúpida...
_ Eu sei, você é tudo isso mesmo...
Damon disse brincalhão fazendo a morena a sua frente rir, e logo em seguida Elena estava abraçada a Damon com a cabeça encostada em seu peito, encharcando a camiseta preta dele com suas lagrimas, mas ele não pareceu se importar, em vez disso, ele a prendeu em seus braços e beijou o topo da cabeça de Elena, fazendo ela se aconchegar mais em seu calor.
_ Essa é a hora onde você vai dizer ‘bem que eu te avisei’, e me lembrar o qual burra eu fui por não te dar ouvidos, não é?
_ Não, eu não vou... – Damon puxou o queixo de Elena para que ela fitasse seus olhos – Você é delicada demais, quebradiça como uma boneca de porcelana, e eu não quero magoa-la mais ainda, fazendo insinuações sobre como deveria ter ou não agido...
_ Pois deveria, talvez assim eu caísse em si, e parasse de fazer idiotices... – Elena tentou desviar o seu olhar do de Damon para que ele não a visse chorar, mas ele não a permitiu, prendendo seu rosto com uma das mãos encaixadas na lateral de seu rosto – Damon...
_ Shhh... Me escuta só um pouquinho... – Damon sussurrou enquanto acariciava a bochecha de Elena com seu polegar – Eu jamais vou te magoar, no dia em que isso acontecer, eu serei um homem morto, e serei eu a cometer o crime... E você não é idiota, talvez um pouco bobinha, mas não idiota. Aquele tal de Mutt que é o imbecil nessa historia toda, ele e aquela turminha dele, incluindo meu irmão, e Deus não permita que eu encontre alguns deles por ai, por que eu sinto vontade de soca-los até os dentes caírem por fazerem você chorar...
_ Seu irmão não tem nada haver com isso... – Elena meneou a cabeça, lembrando da reação de Stefan quanto ao ocorrido – Ele não riu de mim como os outros...
_ Mas ficou parado lá, como um retardado! – Damon disse com raiva – Não é por que ele não te conhece há tanto tempo quanto eu, que ele não devesse mover aquele traseiro gordo dele e fazer alguma coisa...
_ Deixa isso pra lá Damon, seu irmão não tinha motivos pra me defender... – Elena olhou no fundo daqueles olhos azuis – Você é meu super-homem. Stefan seria inútil, já que você é insubstituível nesse caso...
Damon sorriu amavelmente diante da declaração de Elena, e um movimento rapido a envolveu mais no calor de seus braços. Elena passou as mãos pela cintura de Damon, e retribuiu seu abraço, se encaixado perfeitamente em seu abraço, como se seu corpo tivesse sido feito para se fixar ali, como uma peça de quebra-cabeça.
_ A noite definitivamente não acabou como eu esperava...– Elena disse com escárnio da própria situação – Eu que esperava ser beijada pela primeira vez em um gesto romântico e carinhoso, como naqueles filmes de romances que passa na tevê... E agora aqui estou eu, rejeitava e humilhada na frente de todos, sem que nenhuma palavra precisasse ser proferida...
_ A noite ainda não acabou, Lena...
Damon se desprendeu de Elena e se afastou dela com um sorriso maroto em seus lábios, indo em direção ao seu carro. Elena fitava seus movimentos com uma das sobrancelhas erguidas de perplexidade, porém uma melodia rompeu o silencio que dominava aquela ponte, fazendo um sorriso surgir nos lábios de Elena ao reconhecer a melodia. Damon voltou a se aproximar de Elena ainda com aquele sorriso em seus lábios e a puxou para seus braços, e ela começou a rir graciosamente quando Damon começou a guia-la em uma dança lenta, embalada pela ritmo de Save me, dos Hansons.
Amando você como eu nunca amei ninguém antes
E precisando que abra esta porta
Te implorando, como se, de algum modo, pudesse mudar a situação
E me peça também, eu preciso tirar isto da minha cabeça
_ Não ria, estou fazendo a sua vontade...
_ Minha vontade? – Elena perguntou confusa.
_ Você não disse que queria seu primeiro beijo como nos filmes de romance que você assiste?
Eu nunca pensei que estaria dizendo estas palavras
Eu nunca pensei que precisaria dizer
Outro dia sozinho é mais do que posso suportar
O sorriso de Elena desapareceu aos poucos, e um vazio ecoou em sua mente. Damon cessou seus movimentos, deixou uma de suas mãos na cintura da morena a sua frente, a mantendo presa perto de si enquanto a outra ele encaixou no vão de seu pescoço. Elena fitou os olhos de Damon, que assumiam um brilho e intensidade jamais vistos por ela, pareciam dois diamantes azuis raros de tão escuros e profundos que estavam. Ele estava próximo demais dela. Perigosamente próximo.
_ Matt é um idiota filho da puta, não só pelo o que fez, mas também por tê-la rejeitado... – O polegar de Damon contornou a linha do lábio inferior e seu olhar se fixou em sua boca – Você é perfeita, Elena...
Você não vai me salvar?
Salvação é o que eu preciso
Eu apenas quero estar ao seu lado
Você não vai me salvar?
Eu não quero ficar
Apenas vagando sem rumo neste mar da vida
Você não vai...
Ouça, por favor querida não saia pela porta
Estou de joelhos, tudo que estou vivendo é por você
Damon aproximou lentamente seu rosto do de Elena, intercalando seu olhar entre os olhos de chocolate da garota ou os lábios doces de Elena. Com o polegar, ele entre abriu a boca da morena e encaixou a sua em um movimento delicado e calmo. Seus lábios se movimentavam com destreza nos de Elena, porém ela permanecia atônica e incrédula com que estava acontecendo. Foi somente quando Damon invadiu sua boca com sua língua, e ela sentiu o sabor inebriante de Damon lhe invadir completamente, que ela fechou os olhos e se entregou com veemência as caricias que ele fazia com sua língua dentro de sua boca.
Repentinamente o céu está caindo
Poderia ser tarde demais para mim?
Se eu nunca disse "Me perdoe"
Então estou errado, sim eu estou errado
Então eu escuto meu espírito chamando
Imaginando se ela está ansiando por mim
E aí eu entendo que não consigo viver sem ela
O que começou a pouco, como sendo um beijo casto e afetuoso, agora se transformava em algo totalmente luxurioso e voraz. Uma necessidade de explorar todos os cantos daquela boca surgiu em Elena, e mesmo sendo inexperiente no assunto, algo lhe dizia que Damon também sentia a mesma fome. Ele apertava sua cintura e a mão no pescoço de Elena serviu para puxa-la para mais perto de si e aprofundar o beijo. Elena, em um ato impensado, levou suas mãos para a nuca de Damon, entrelaçando seus dedos aos cabelos de Damon, o ajudando a aprofundar sua língua em sua boca.
Foi somente quando o ar se tornou escasso, e seus pulmões queimavam em protesto pela falta de oxigênio, que eles quebraram o beijo. Damon manteve sua testa colada a de Elena, respirando profundamente. Elena mantinha seus olhos fechados, com medo de que tudo aquilo não passasse de um sonho, e assim que ela os abrisse ela encontraria o teto lilás de seu quarto, e voltaria a dormir frustrada. Quando finalmente os abriu, os olhos azuis e profundos de Damon a fitavam, do mesmo jeito que ele a havia fitado quando a viu em seu quarto mais cedo. Era um olhar cheio de admiração, e carinho, assim como Elena sempre sonhou.
Você não vai me salvar?
Salvação é o que eu preciso
Eu apenas quero estar ao seu lado
Você não vai me salvar?
Eu não quero ficar
Apenas vagando sem rumo neste mar da vida [...]
_ Isso foi perfeito... – sussurrou Elena
_ Sem duvida alguma, foi... – Elena sorriu maravilhada para Damon, que retribuiu o sorriso com a mesma intensidade – Vem, vamos dançar...
Damon a prendeu pela cintura, e rodopiou com Elena em seus braços, fazendo a morena gargalhar e soltar gritos animados enquanto ele a girava. Ele a colocou novamente no chão, e começaram a se movimentar descoordenadamente enquanto cantavam não muito afinadamente, no entanto, muito animadamente o refrão final de Save me, e logo cantando a seguinte com a mesma animação.
Elena sorriu nostalgicamente enquanto se lembrava do que classificava uma das melhores noites de sua vida. Pensando e relembrando todos os acontecimentos daquele dia, ela percebeu que aquela musica, se encaixava perfeita e estranhamente naquela situação. Damon a havia lhe salvado aquela noite, como ele sempre fazia, e ainda havia permanecido ao seu lado durante todos esses anos, como ninguém nunca foi capaz de fazer, e sem duvida alguma ela não teria vivido tudo o que viveu, e chegado onde chegou se não fosse por ele.
E foi sentada em uma das cadeiras do bar do hotel onde estava bebendo uma xícara enorme de café enquanto recordava de um dos momentos mais marcantes em sua adolescência que ela percebeu o quão idiota havia sido com Damon aquela manha. Assim que saiu do banheiro, já vestida, apenas pegou a sua copia da chave do quarto e saiu porta afora, sem dar espaço e tempo para que Damon sequer falasse um ‘A’. Ele não tinha culpa sobre o acontecimento da noite passada. Como ele disse, querendo ou não aconteceu, e ela se lembra de querer aquilo com tanto fervor quanto ele.
Ela estava com raiva de si mesma, raiva do seu próprio corpo, por sabotar sua própria felicidade, e ela não poderia jamais jogar toda a culpa e descontar sua raiva em Damon, ainda mais quando ele não tinha ideia do que estava acontecendo com ela para que Elena renegasse com tamanha veemência o ocorrido.
Decidida a ir se desculpar com Damon, ela virou o restante do café em sua xícara de uma vez garganta abaixo. E se praticamente pulou do banco onde estava para ir correndo ao seu quarto, de encontro a seu melhor amigo. Mas ao se virar, se deparou com Damon entrando no salão onde ela estava. Seus olhos azuis estavam aflitos e pareciam procurar por algo, e quando o olhar de Damon parou sobre ela, que Elena percebeu que ele a procurava. Com um sorriso sem graça e culpa em seus olhos, ela atravessou o salão a passos largos indo de encontro ao moreno de olhos terrivelmente lindos. Assim que ela estava próxima o bastante, ela se jogou em seus braços, o abraçando, se sentindo aquela menina de 12 anos atrás, abraçada a Damon na ponte Wickery.
_ Me desculpa, eu sou uma idiota...
_ Eu sei muito bem disso... – Damon disse com um tom brincalhão, que a fez lembrar do garoto de 15 anos que tirou o seu status de ‘boca virgem’ em uma noite fatídica com final de filme de romance. – Vem, vamos aproveitar o restante do dia, amanha temos que sair cedo pra pegar um avião...
_ Qual é a próxima parada, Capitão Salvatore? – Elena perguntou em um tom tão divertido quanto o de Damon.
_ Londres...
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