If I Die Young

11 Coisas do destino...


Notas iniciais
Nossa, eu sei que eu demorei pra postar esse capitulo, mas minha cabeça ta um caos, enquanto eu tento definir o destino da Elena e de Damon... Mas finalmente eu tenho isso agora muito bem resolvido... Eu quero agradecer a Analú Dobrev pela MP que ela me mandou, eu amei, e eu dedico esse capitulo a você, e a todos que acompanham essa fic, mesmo que em off! Beijooos queridas! Bom, vou deixar vocês lerem, desculpem pelo atraso e perdoem os erros ok! Até as notas finais...

Elena mantinha seus olhos fechados, enquanto inspirava lentamente o ar frio e úmido da imponente e magnífica Londres. A brisa calma de primavera batia em seus cabelos, e se não fosse pela boina de lã vermelha que estava usando, provavelmente eles estariam sendo jogados e bagunçados pelo vento, mas sinceramente, Elena não se importava. Ela estava inerte em seus próprios pensamentos e lembranças.

O cheiro de terra úmida e de flores desabrochando a fazia se lembrar de um sonho não tão distante. A voz de seu pai voltava a ressoar em seus ouvidos, sussurrando a mesma frase, como um mantra. Não tenha medo, apenas viva... O mesmo que ela fez questão de gravar no próprio corpo, para não se esquecer de seu propósito. Por mais que tivesse poucos dias de vida, ela prometeu a si mesma que cumpriria o desejo de seu pai, mesmo que lhe tenha sido feito em um sonho. Ela viveria em menos de duas semanas tudo aquilo que se privou durante anos...

_ Então Lena, quais são os planos para Londres?

Perguntou Damon, que estava sentado ao seu lado em um banco comunitário no meio do Hyde Park, o maior e mais belo parque de toda a Londres, fazendo Elena emergir de seus mais profundos pensamentos, e quando ela abriu os olhos deu de frente com os orbes azuis que tanto a perturbavam ultimamente. Aqueles malditos e maravilhosos pares de orbes cor de céu ficaram rondando seus pensamentos durante toda a viagem até Londres, chegando inclusive a invadir sua mente enquanto dormia, ou pelo menos tentava, a fazendo ter sonhos indevidos e tão perturbadores quanto, com o dono dos tais olhos.

_ Desculpa Damon... – Elena meneou levemente sua cabeça tentando reorganizar a bagunça que havia se tornado sua mente apenas com aquele olhar – Eu... Desculpa o que disse?

_ O que você tem Lena? Você está meio avoada desde... – Damon a olhou com uma expressão confusa e parecia analisar em sua mente os porquês de Elena está tão quieta – Você ainda está pirando pelo o que aconteceu entre nós em Amsterdã, não é? Esquece aquilo, Lena... Não vai voltar a se repetir...

_ Relaxa Damon...

Elena disse rapidamente o interrompendo. Em verdade, não era bem o ocorrido que a incomodava. Por mais estranho que pudesse parecer, era a possibilidade de que aquilo jamais voltasse a acontecer que estava, ironicamente falando, a matando aos poucos, já que sua doença teimava em ser mais rápida e letal. Elena sorriu debochadamente recebendo novamente um olhar confuso de Damon.

_ Eu não estou “pirando”, como disse... – Elena fez aspas com os dedos, as mãos erguidas ao lado de sua cabeça, dando uma ênfase sarcástica sobre o que Damon havia dito – Eu só estava de molho nos meus pensamentos. Não se preocupe tanto, como você mesmo disse, já aconteceu, não tem como mudar nada, apenas dá pra conviver com o fato, e eu acho que posso conviver com isso e ainda continuar sua melhor amiga, como sempre... Eu já lhe disse isso, achei que havíamos deixado tudo em pratos limpos...

_ Certo, desculpa... – Damon passou a mão pelos fios negros de um jeito afoito, porém logo se recompôs, e sorriu amigavelmente para Elena.

_Tudo bem, está desculpado... – Elena disse com um sorriso nos lábios, lhe retribuindo o gesto amigável com mesma intensidade — Agora, dá pra repetir a ultima pergunta?

_ Quais são os seus planos para Londres? – Damon repetiu.

_ Hmm... – um bico torto surgiu nos lábios de Elena enquanto ela murmurava pensativamente – Não sei... São tantos lugares pra se ir, tantas coisas pra se ver, e tão pouco tempo...

_ Quanto tempo pretende ficar aqui?

_ Dois dias... – Elena deu de ombros – assim como na Holanda... Daqui vamos pra Paris, e depois Itália, dois dias em cada lugar. Depois quero passar o restante dos meus dias de... Hã... Dos meus dias de folga pra visitar minha mãe e meu irmão na Espanha... – Elena pigarreou e logo tratou de corrigir suas palavras, e sorriu aliviada ao ver que Damon pareceu não perceber seu deslize – E então, tem alguma ideia de como podemos passar esses dois dias em Londres?

_ Bom, tenho algo vago... – Damon deu de ombros enquanto apoiava as costas no encosto do banco onde estavam sentados – Que tal se nos fossemos passear pelo centro um pouco, podemos visitar alguns pontos turísticos clássicos de Londres, que todo turista que se preze deve visitar... Nos almoçamos por ai, e jantamos no hotel se quiser...

_ Ótima ideia... – Elena sorriu animada com a proposta de Damon – E quanto amanha?

_ Bom, amanha vai ser nosso último dia aqui, então... – Damon a olhou nos olhos, com seus orbes azuis mais intensos do que de costume, e um sorriso enigmático nos lábios – nossos planos para amanha será uma surpresa...

_ Damon... – Elena resmungou apoiando a testa no ombro de seu amigo – Você sabe que eu odeio suspense, surpresas e todas essas coisas...

_ Essa você vai gostar... Agora vamos, Lena.

Damon beijou o topo da cabeça de Elena e logo se pós de pé, o sorriso enigmático saiu de seu rosto, dando lugar para um muito mais afável e algo que a mente perturbada de Elena classificou como totalmente beijável, porém ela logo tratou de expulsar tais pensamentos de sua cabeça. Ele a segurou pelas mãos a fez ficar de pé, mesmo que relutantemente.

_ Só uma dicazinha de nada... – Elena disse de um jeito infantil enquanto fazia um bico choroso, e gesticulava com o polegar e o indicador quase se encostando – Bem pequenininha...

_ Não, sem dicas... E acho melhor você parar de fazer esses bicos, se não nós vamos ter que voltar a discutir sobre aquela questão de amizade colorida... – Damon falou enquanto fitava os lábios de Elena com um desejo e fome visível, fazendo Elena engolir em seco e logo desmanchar o tal bico. Depois de soltar uma gargalhada audivelmente divertida, Damon a puxou pelo braço a fazendo acompanha-lo – Agora, vamos... Como você mesma disse, tem muita coisa pra ver...

***

Damon e Elena andavam abraçados e sorridentes pela movimentada Oxford Street. Aquela rua em particular se assemelhava a Beverly Hills, e enquanto cantarolava Pretty Woman juntamente com Damon, caminhando e passando pelas lojas com nomes importantes e logos chamativos, ela podia se sentir no lugar da bela Vivian Ward, a protagonista de ‘ uma linda mulher’, um de seus filmes preferidos.

Eles já haviam visitado alguns lugares, como o Big Ben, a fachada imponente do palácio de Buckinghan, e até encheram a paciências daqueles guardas todos enfeitados que sempre mantinham a postura seria, sem jamais se mexer. Visitaram o museu de historia natural de Londres, e o museu de cera, cheio das mais interessantes personalidades, como a ala toda dedicada aos assassinos conhecidos da Inglaterra, isso realmente foi interessante de ver.

Era quase hora do almoço, e Damon estava novamente a puxando pela mão para que seguisse o seu encalço. Ele a guiou para um restaurante, que por mais que parecesse ser simples diante da riqueza de Oxford Street, tinha um ambiente extremamente agradável. Enquanto Damon dava uma olhada no cardápio, Elena olhava ao seu redor analisando minuciosamente os detalhes. As paredes eram feitas de pequenos e bem organizados tijolos avermelhados, que combinava perfeitamente com a decoração quase toda em madeira de nogueira do lugar. Era incrível como aquele lugar contrastava com o restante do lado de fora. Estava mais para casa de avó do que um restaurante cinco-estrelas.

_ Boa tarde, e sejam bem vindo ao Pearl’s, meu nome é Matt e eu vou ser o garçom de vocês por hoje... — O garçom loiro de olhos azuis se introduziu com um sorriso simpático nos lábios carnudos – Já vão querer pedir, ou precisam de mais tempo?

Aos poucos o sorriso de Elena sumiu, e seu olhar lentamente voltou-se para o rapaz ao lado da mesa. Ela piscava atônita, tentando acreditar no que os próprios olhos diziam ver. Matthew Donovan. Depois de todos esses anos o evitando, e ele simplesmente aparece na sua frente, em Londres, e como o garçom. Seria uma coincidência trágica e nada agradável, ou apenas obra de uma força maior onipresente que já havia escrito em algum caderno do destino que isso aconteceria? Elena não poderia responder, ou ao menos formular uma resposta. Por mais que quisesse falar alguma coisa, ou simplesmente se levantar e sair dali sem mais explicações, seu cérebro havia entrado em colapso assim que escutou a voz do loiro ressoar em seus ouvidos.

_ Matt? – Foi Damon quem perguntou com embaraço, provavelmente se lembrando dos anos passados – Matthew Donovan?

_Sim, como sabe... – o loiro nem se deu ao trabalho de terminar a frase, assim que fitou com mais atenção, o reconheceu, porém não parecia assim tão feliz em revê-lo – Damon Salvatore?

_ O próprio... – Damon disse com um nojo perceptível na voz rouca, enquanto olhava mortal e ironicamente para Matt – Lembra-se de Elena Gilbert?

_Oh meu Deus... – Matt se virou cuidadosamente para fitar Elena, e ao encarar os olhos castanhos da garota engoliu em seco enquanto suspirava hesitante – Elena... Como vai?

_ Bem... – Elena conseguiu dizer, aliviada, sorriu de maneira singela e cautelosa – E você Matt?

_ Idem... – disse o loiro, retribuindo o sorriso de Elena porém aparentemente desconfortável – Quanto tempo não... Como vai seu irmão Damon?

_ Não sei, não nos falamos há algum tempo... – Damon disse com um dar de ombros demonstrando parte da aflição que o assunto lhe causava – Pois então, há quanto tempo está em Londres?

_ Eu vim morar aqui depois que minha irmã desapareceu e minha mãe foi embora da cidade sem ao menos deixar uma carta de despedida... – Matt disse angustiado – Bom, já estou aqui há quase oito anos...

_ Vicky ainda está desaparecida? – Elena o olhou com piedade, recebendo um olhar de reprovação de Damon, porém ela não chegou a reparar – Sinto muito...

_ Eu também sinto Elena... – Matt respirou fundo antes de sorrir, assumindo o papel de garçom agradável novamente. – Então, já escolheram ou querem que eu volte depois?

_ Eu vou querer... – Elena disse enquanto olhava o cardápio a sua frente, recebendo novamente os olhares perplexos de Damon pela naturalidade com a qual ela agia – Quero um bife Wellington e um suco de laranja...

Damon fez o seu pedido e entregou os cardápios a Matt, que com um sorriso educado nos lábios, deu as costas e saiu, com mais pressa do que aparentava. Elena encarou as costas do loiro enquanto ele se afastava. As lembranças de doze anos atrás surgiam em sua cabeça, e por mais que tenha ficado surpresa no inicio, ela não se sentia afetada pela presença dele, e constatar esse fato, a fez respirar aliviada. Por outro lado, Damon parecia incomodado, enquanto olhava minuciosamente para o rosto de Elena, com os olhos semicerrados, buscando ver traços de um possível surto emocional. E qual foi a sua surpresa, quando viu que ali, não havia nada que indicasse tal coisa. Nem ao menos uma ruginha de preocupação deturpava o semblante calmo e delicado de Elena.

_ Quem diria que o encontraríamos aqui, não é? – Elena voltou o seu olhar para Damon, com um sorriso afável nos lábios rosados – Sabe, ele não mudou nada... Quer dizer, fisicamente...

_ Pois é... – Damon pareceu um pouco desconfortável com a declaração de Elena – Ele parece ter gostado da surpresa, quem sabe agora você não tenha uma chance com ele...

_ Hã? Do que você esta falando Damon? – Elena o fitou com uma das sobrancelhas erguidas em confusão.

_ Bom, depois de tantos anos, ambos mudaram... – Damon deu de ombros com desdém, mantendo o tom de escárnio que sempre usava quando algo o chateava — Você amadureceu, seu corpo se desenvolveu agora você tem seios fartos e um corpo maravilhoso, quem sabe ele não fique com você dessa vez...

Elena presenciava aquela cena a sua frente sem dizer uma palavra, apenas fitando Damon com incredulidade. As palavras dele a afetavam, mas não tanto quanto a sua suposição. Ela jamais criou expectativas de um dia encontrar com Matt e fazê-lo ver o que perdeu, ou de esperar seu corpo amadurecer para ir atrás dele e vê se o agradava como o de Nadia fazia. Ela já havia cometido o erro de um dia pensar estar apaixonada por Matt, o que hoje ela via perfeitamente que eram apenas os hormônios falando mais alto, e que ela em toda a sua vida, de fato, jamais chegou a se apaixonar por alguém.

Damon mais do que ninguém sabia o quão profundo a rejeição de Matt a machucou na época, e como demorou a se recuperar. Pensou até em discutir com ele sobre suas suposições idiotas a respeito dela, mas ao fitar os olhos azuis de Damon, teve o vislumbre de algo que viu 12 anos atrás, naquele mesmo par de olhos azuis, na mesma noite em que Matt havia rido dela. Na época ela não saberia identificar o que era, mas agora, com seus 25 anos ela poderia dizer sabiamente o que era.

_ Damon? – Elena entortou levemente sua cabeça, o analisando confusa – Você está ironicamente supondo que eu quero algo com Matt depois de 12 anos por que você está com ciúmes?

_ O que? Ciúmes? Eu? – Damon bufou desviando seu olhar de Elena – Mas só pra conhecimento publico você não está interessada novamente em Matt, esta?

_ Não sei se digo que não, por que é verdade, ou se sim só pra te irritar... – Elena disse desdenhosa com um sorriso brincalhão nos lábios – Você fica muito fofo quando fica irritadinho... Me deixa tirar uma foto pra colocar como papel de parede no meu celular?

_ Cala a boca Elena... — Damon abaixou seu olhar resmungando, aparentemente irritado pela acusação de Elena quanto a sua atitude. Não estava com ciúmes, apenas não queria que Matt tomasse a atenção de Elena de volta para ele assim como há 12 anos. Pensou Damon com convicção. – Ciúmes... Essa é nova.

Depois de algum tempo esperando por seus pedidos, eles finalmente chegaram, fazendo Elena cessar com os comentários sobre o possível ataque de ciúmes de Damon, trazendo alivio ao mesmo. Outra coisa que o alegrou foi o fato de que o garçom que estava os servindo não era Matt. Não sabia o motivo, ou razão da ausência dele, mas agradeceu mentalmente por isso. Eles almoçaram em meio a conversas divertidas e despreocupadas. Elena finalmente havia deixado para lá os ciúmes de Damon, e agora falava sobre os locais que queria visitar depois do almoço, e como aquela cidade era encantadora. Eles pediram a sobremesa, e novamente, nenhum sinal de Matt. Elena percebeu a ausência do loiro, mas não se incomodou em falar alguma coisa, e assim que o garçom chegou com o seu cheesecake de chocolate branco, sua atenção se voltou totalmente para a sobremesa.

_ Nossa...– Elena murmurou com a boca cheia de torta. — Isso está divino...

_ Me deixa provar... – Damon ia levando sua colher até o prato de Elena, mas o tapa que ela deu em sua mão o refreou – Aí! É só um pedacinho. Deixa de ser gulosa...

Elena franziu o cenho, olhando carrancuda para Damon, e em uma atitude totalmente infantil, lhe deu língua. Damon se pós a rir, e a expressão emburrada de Elena não durou muito. Logo ela estava rindo alegre e divertidamente junto a Damon. Aquele momento era tão singelo, mas só o fato de ser Damon ali, fazia tudo criar importância. Sorriu bobamente, constatando que na verdade não era o momento, e sim Damon que dava a graça a tudo. O que teria sido a sua vida se aquele moreno de olhos azuis jamais tivesse entrado nela... Sem ele, tudo seria cinza e monótono. A presença de Damon dava cor e luz até aos momentos obscuros de sua vida, e se aprofundando mais em seus pensamentos, Elena deu por si, de que seria mais viável morrer aos 25 anos a nunca ter o conhecido.

_ Elena? – a voz de Damon ao longe em sua mente a fez retorna a realidade e prestar atenção no que ele dizia – Poxa Elena, você está realmente avoada hoje...

_ A pessoa não pode nem mais parar pra pensar que já é insultada, eu hein... – Elena reclamou falsamente, recebendo um sorriso torto de Damon – O que você estava dizendo?

_ Eu perguntei se você já tinha recebido alguma proposta de emprego ou sei lá... – Damon perguntou interessado.

Elena estacou em seu lugar, encarando aflita, o rosto de Damon a sua frente. Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa e o queixo sobre as mãos entrelaçadas, esperando pacientemente a resposta de Elena. Novamente Damon a havia feito uma pergunta, para qual, ela não teria uma resposta pronta. Praguejou a si mesma mentalmente por não ter previsto isso.

_ Hã... – Elena colocou outra colher de torta em sua boca, tentando protelar alguns instantes enquanto pensava em uma resposta aceitável a qual Damon não pudesse suspeitar – Bom, eu estava pensando em começar a mandar alguns currículos assim que chegássemos à Nova York...

_ Mas você não acha melhor agilizar as coisas? – Damon sugeriu – Assim você já chegaria empregada, sem ter que se preocupar com as contas ou algo do tipo...

_ Não vou precisar me preocupar com isso... – Elena desviou o seu olhar do de Damon, fitando agora a metade de cheesecake em seu prato, e franziu o cenho ao ver que toda a ‘gula’ que a impulsionou a bater na mão de Damon quando ele tentou atacar a sua sobremesa não existia mais – Eu tenho minhas economias... A viagem eu paguei com um pouco do dinheiro que meu pai me deixou ao morrer...

_ O que? – Damon perguntou incrédulo – Você tem esse dinheiro a mais de quatro anos, e jamais havia tocado nele...

_ Cinco anos atrás eu achava que essa herança era símbolo de algo que sempre o privou de viver sua vida ao meu lado, de meu irmão e de minha mãe... O trabalho dele o consumia e ele quase nunca estava em casa, e depois que meu irmão nasceu ele passou a ficar praticamente 24 horas por dia no serviço... Eu sei que ele fazia isso por que estava preocupado conosco e com nossa criação, mas... – Elena disse hesitante, sua voz começava a soar embargada pelo choro que se iniciava em sua garganta – eu às vezes pensava que seria capaz de abrir mãos de todos os caprichos que ele estava tentando me dar com todo aquelas horas extras, só pra ter meu pai ali ao meu lado, como quando eu era mais nova... Mas ele não escutava.

Elena deixou uma lagrima solitária rolar por seu rosto enquanto se lembrava de todas as ocasiões importantes em seu pai esteve ausente em sua vida. Na boa parte de seus aniversários, na ida ao seu primeiro baile escolar, na ida para a faculdade... Quando ela era mais nova, ficava acordada até tarde da noite para esperar o pai chegar do trabalho para que ele pudesse ler as historias em quadrinhos para ela. Algum tempo depois, a carga horária de Grayson parecia ter aumentado consideravelmente, e Elena já não conseguia esperar mais, e acabava lendo sozinha, para logo em seguida dormir.

Seu pai morreu algum tempo depois de Elena entrar para a Universidade de Whitmore, a mesma onde Damon estudava há alguns poucos semestres. Elena se lembrava de ter ficado arrasada quando soube que seu pai havia sofrido um enfarte e falecido, porém mesmo desolada, Elena não tentava se enganar. Ela sabia exatamente que o trabalho estressante e excessivo de seu pai o havia o matado, e foi no dia do funeral do mesmo que ela disse a si que jamais se permitiria fazer aquilo consigo mesma. Cinco anos depois, lá estava ela, morrendo, e tentando viver em duas semanas tudo o que o seu trabalho estressante e excessivo a haviam privado. Ela sorriu cinicamente ao perceber o humor negro que o destino às vezes gostava de usar.

_ Não vai terminar sua torta? – Damon perguntou retirando Elena novamente de seus devaneios.

_ Não, perdi a vontade... – Elena murmurou entristecida com os próprios pensamentos – Na verdade, estou me sentindo um pouco cansada, acho melhor pularmos o restante do tour por Londres e ir direto para o hotel...

_ Tudo bem então...

Damon, mesmo estranhando a mudança repentina de humor da morena a sua frente, gesticulou para o garçom ao longe para que ele trouxesse a conta. Assim que pagaram, eles se levantaram e foram em direção à saída do restaurante, porém antes que Elena pudesse sair, alguém lhe cutucou levemente no ombro, chamando a sua atenção. Atrás de si estava Matt, com uma expressão conturbada e com a culpa invadindo os olhos azuis.

_ Elena... – Matt disse hesitante, olhando de canto de olho e receoso para Damon, que fitava o loiro a sua frente com uma visível raiva – Será que poderíamos falar um minuto...

_ Ah, claro... – Elena concordou o olhando um pouco confusa.

_ Será que podia ser a sós? – Matt perguntou, olhando assustado para Damon. Elena não entendeu o motivo para Matt querer conversar a sós com ela, mas assim que acompanhou o olhar do mesmo, e encontrou Damon fitando o loiro com os olhos semicerrados e emanando fúria ela soube o porque. Mordeu o lábio inferior, tentando evitar que um riso saísse por seus lábios.

_ Damon, você pode me esperar lá fora por um instante, por favor... – o moreno voltou seu olhar para Elena, a fitando com incredulidade diante do seu pedido. Elena sussurrou um ‘por favor’ e o olhou com os olhos pidões. Damon revirou os olhos e saiu bufando porta a fora, deixando Elena e Matt sozinhos.

_ O que foi Matt? – Elena perguntou ainda perplexa com a situação.

_ Bom, Elena... – Matt passou a mão pelos cabelos loiros nervosamente – Eu sei que Damon me deu uma surra e me ameaçou de repetir a dose caso eu sequer chegasse perto de você novamente, mas eu tinha que falar com você...

_ Damon o que? – Elena ergueu uma de suas sobrancelhas confusa com as palavras de Matt – do que está falando?

_ No dia seguinte a festa em minha casa, eu encontrei Damon na rua... Acho que o resto você consegue imaginar... – Matt deu de ombros com um sorriso sem graça nos lábios, enquanto Elena o fitava surpresa – Eu vim te pedir desculpa Elena... Venho querendo te dizer isso há 12 anos. Eu era um idiota quando mais novo, e não me importava muito com quem ia machucar desde que eu ficasse bem na frente dos meus amigos e da minha namorada... Não espero que me perdoe, mas me alivia a consciência o fato de você agora saber que eu me arrependo do que fiz...

Elena fitou os olhos azuis de Matt, enxergando ali a verdade e uma culpa acumulada por anos. Doze anos atrás, Elena estava machucada demais para se quer cogitar a ideia de um dia perdoar o loiro a sua frente pelo ocorrido, pensando bem, ela se quer pensou que um dia isso aconteceria, mas agora, de frente com Matt, vendo seus olhos azuis esperançosos e cheios de expectativas pelo perdão de Elena, ela percebeu que já não sentia nenhum tipo de raiva, ódio ou rancor por Matt. Mesmo não se dando conta, ela havia superado, e constatar esse fato fazia um sorriso contente surgir em seus lábios.

_ Matt, não se preocupe com isso... – Elena sorriu afável para o loiro a sua frente, que respirou audivelmente aliviado – Isso aconteceu a muito tempo, e eu não tenho nenhum tipo de rancor quanto a isso... Éramos todos pré-adolescentes inconsequentes e ansiando por qualquer tipo de atenção...

_ Elena... – Matt a fitou com os olhos agradecidos e um sorriso sincero nos lábios – Obrigado, eu não sei o que dizer...

_ Não precisa, ninguém é santo, e todos erramos um dia... – Elena deu de ombros.- Eu acho melhor eu ir antes que Damon tenha um ataque...

_ É legal ver que vocês ainda estão juntos depois de tantos anos... Ele ainda é muito apaixonado por você.

_ Damon não é apaixonado por mim... – Elena olhou para ele confusa e meneando sua cabeça negando com convicção as palavras de Matt – Ele é só o meu melhor amigo...

_ Por favor, Elena... Aparentemente só você não enxergava e ainda não enxerga esse fato... – Matt sorriu de lado enquanto na cabeça de Elena surgia a semente da duvida – Bom, é melhor não perder mais tempo aqui comigo... Tchau Elena, nos vemos por ai...

Elena assentiu com um movimento singelo de cabeça e um sorriso de lado, porém seus olhos ainda o fitavam com perplexidade. As palavras de Matt haviam entrado na cabeça de Elena, e foi pensando nelas que ela se dirigiu para o lado de fora do restaurante, respondeu com múrmuros e gestos com a cabeça as perguntas de Damon e o acompanhou até o hotel onde estavam hospedados. Foi pensando, na possibilidade de Damon estar apaixonado por ela durante todos esses anos e o que isso implicava que Elena deitou sua cabeça no travesseiro fofo e ficou a olhar enquanto Damon se movimentava pelo quarto.

Damon apaixonado por ela, qual era a probabilidade disso? Não, isso não podia acontecer... Ela estava morrendo, não queria que ele fosse mais afetado por isso do que o necessário. Não queria ver, de onde quer que estivesse, Damon sofrendo por ela, nem se quer pensando em como poderia ter sido, ou se culpando por não tê-la a salvado. Elena sabia o quão injusta estava sendo por não ter dito a Damon sobre a sua condição, mas ela não queria presenciar o desespero e o desolar em seu rosto quando ele finalmente percebesse que ela não tinha salvação. Queria passar o poucos dias que a restavam vendo o sorriso maravilhoso que surgiam em seus lábios quando conversavam, ou o brilho nos olhos azuis extraordinários que pareciam iluminar tudo ao seu redor. E não o contrario.

_ Esta se sentindo melhor? – Damon falou se sentando a beirada da cama de Elena, fazendo um carinho reconfortante no braço descoberto de Elena.

_ Sim, só estou um pouco cansada... E com saudades do Silas... – Elena fez um bico sentido quando Damon soltou um riso cínico – Para de rir, ele é meu bebê... Quais são os planos pra amanha?

_Deixa de ser curiosa, já disse que é uma surpresa – Ele se inclinou sobre ela, depositando um beijo na testa de Elena e depois se levantou indo em direção ao banheiro da suíte em que estavam, deixando Elena sozinha, e logo ela caiu em um sono profundo e conturbado.

Continua...

Notas finais
O que vocês acharam? Mereço um reviewzinho ou uma recomendação? O que vocês acharam da aparição de Matt e da crise de ciumes de Damon? e onde voces acham que Damon vai levar a Lena no dia seguinte? Bom, eu espero que vocês tenham gostado, e eu queria fazer uma pergunta pra vocês... Meu primo vem me enchendo, dizendo que eu deveria mandar um manuscrito pra alguma editora, eu falo que minha escrita ainda é muito crua ainda e que eu nem posso me chamar de escritora direito... E depois que eu falei pra ele do MP fofissimo que a Analú me mandou, ele disse que se eu nao mandasse ele mandaria por mim... e me mandou perguntar pra vocês a opinião de vocês quanto a isso... Então? Well, se eu nao postar antes do natal, eu já deixo o meu feliz natal, muiiitos presentes pra vocês e um otimo natal! Beijooos! E se alguem quiser me dar alguma coisa de natal to aceitando viu kkkkk :***