If I Die Young
1 Síndrome de Qetsiyah
Notas iniciais
Beijos!
_ Elena, por favor... Esquece um pouco esse seu emprego , vamos sair para nos divertir, como nos velhos tempos...
_ Velhos tempos? – Elena perguntou estupefata – Você esqueceu que nos saímos no final de semana passado? Ah claro que não, você estava bêbado demais pra se lembrar de qualquer coisa que aconteceu naquele final de semana... Alias, você devia parar de beber, de uns tempos pra cá você passa mais tempo inconsciente do que deveria!
_ Não deveria tratar o deus grego da ironia, com ironia! – Damon disse debochado, e Elena podia ver o seu rolar de olhos do outro lado da linha – Vamos lá Elena, você é minha melhor amiga, amiga de infância! Eu tirei o seu B.V. e é assim que me agradece?
_ Sim, você tirou meu B.V. , mas não me disse que em um futuro distante, ou melhor, que 12 anos depois eu ia ter que sair com você todos os fins de semana e ainda ter que aguentar suas bebedeiras! – Ela sorriu ao ouvir Damon bufar de irritação em seu ouvido – E eu também não vou poder, tenho uma coisa pra fazer depois do expediente...
_ O que você tem de tão importante pra fazer em uma sexta-feira a noite? — Damon perguntou, sendo sarcástico. — Comer sorvete de flocos e assistir ‘The Vampire Diaries’ junto com aquele seu gato velho e obeso?
_ Não fale assim do Silas, ele não esta obeso, esta um pouco acima do peso e ele é um ancião, e não merece ser tratado desse jeito! – Elena disse irritada, tomando as dores pelo seu gato angorá de 14 anos de quase 10 quilos – Você me deu ele de aniversario de 11 anos, e agora fica destratando o bichano! Se eu fosse teria vergonha!
_ Tá, Elena, chega de drama... – Damon disse um pouco exaltado – encerrado o assunto ‘gato/obeso’ e voltamos a ata inicial, você vai sair comigo e pronto!
_ Damon... – Elena deu um suspiro audível – Eu não vou poder, tenho que ir no hospital...
_ Hospital? – Damon perguntou preocupado – Você está doente Elena?
_ Não é nada disso, é uns exames de rotina que a empresa do plano de saúde pediu que fizesse, e agora o medico me disse que estão prontos e que eu teria que ir busca-los. Eu não sei se vou demorar...
_ Ah sim, achei que fosse algo serio – Damon suspirou aliviado – São exames de rotina desnecessários, e como medico, eu sei que você é saudável como um touro! Pega esses exames depois!
_ Não posso Damon! – Elena disse chorosa, incomodada pela falta de compreensão da parte de Damon – O médico me ligou aqui, e disse que eu tinha que buscar os exames hoje, entende? Hoje, não amanha, não em uma segunda-feira, onde eu vou esta com a ressaca do final de semana, e sim hoje!
_ Ok, vamos fazer o seguinte... Eu te busco, levo você no hospital, espero no estacionamento enquanto você pega esses malditos exames, e quando você sair nos vamos inicia o nosso final de semana... O que acha?
_ Não sei, Damon... – Elena disse relutante.
_ Eu acabei de dizer que vou ser o seu chofer e você ainda me diz que não sabe? – Damon praguejou xingamentos indecifráveis do outro lado.
Elena se pós a analisar a proposta de Damon, e o fato de não ter que atravessar a cidade de Nova York em um taxi fedido e sujo, a fazia ser a mais tentadora das propostas. Elena suspirou alto, dando-se por vencida. Ela conhecia Damon desde os seus sete anos, e sabia o quão insistente ele poderia ser, e que ele não desistiria tão fácil.
_ Ok, Damon, faremos do seu jeito! – Ela balançou a cabeça negativamente ao ouvir Damon comemorar com um ‘yeah!’ – Eu vou sair às 16 horas, esteja aqui embaixo do prédio as 16:05, ok?
_ Sim chefia! – Damon disse zombeteiro – Sabia que você não ia resistir a tentação de passar uma noite com o bonitão aqui...
_ Damon não se acha! – Elena falou sarcasticamente enquanto revirava os olhos para as infantilidades de seu amigo — Daqui a pouco sua cabeça vai inchar como um balão, de tanto ego acumulado que você tem!
_ Eu sei que você me ama! E só pra você saber, eu também te amo! – Damon disse no seu tom costumeiro de zoação. – Já estou saindo aqui, me espera no lugar de sempre...
_ Tchau, beijos.
Elena desligou seu celular, e ficou fitando o papel de parede do aparelho – uma foto de Damon e Elena no dia de são patrício, vestidos com seus chapéus e óculos verdes e com corpos enormes de cervejas em suas mãos, enquanto sorriam alegres, e obviamente bêbados, para a câmera — com um sorriso afetuoso em seus lábios. Damon podia ser o cara de 27 anos mais chato e irritante que ela teve o desprazer de conhecer, no entanto, isso seria só uma primeira impressão. Elena o conhecia, e ela, mais do que ninguém sabia o quão amável e carinhoso ele poderia ser. Damon era literalmente um coração mole.
Um fato que é a prova de seu bom coração, aconteceu no dia em que eles se conheceram. Há 18 anos, Elena tinha completado seus sete anos e seus pais, Miranda e Grayson Gilbert, haviam acabado de se mudar para uma cidadezinha pacata em Virginia. E no primeiro dia de aula na nova escola, Elena estava sentada em um banquinho um pouco isolado, comendo seu lanche, quando um menino muito maior que ela, pegou o pacote de balas vermelhas que sua mãe havia comprado para ela. Elena empinou seu nariz e enfrentou o garoto, pisando no pé do grandalhão que a perturbava, e pegou seu saco de balas das mãos dele, enquanto ele rugia de dor e fúria.
O menino furioso pegou a miúda Elena pelas alças de seu macacão jardineira e a jogou na caixa de areia, e quando ele iria para cima de Elena para lhe aplicar uma desnecessária lição, Damon, com seus nove anos, apareceu do nada, e empurrou o garoto de cima de Elena, a defendendo. Claro, é obviu que ele apanhou muito, pois apesar de serem da mesma idade, o garoto que incomodava Elena, dava dois de Damon, e logo se pós por cima do pobre Damon e lhe deu uma surra daquelas, e o gorducho só parou quando uma das educadoras o tirou de cima de Damon.
No final desse dia trágico, Damon não havia só conseguido um belo de um lábio cortado e hematomas que ficariam doloridos por uma semana, ele também ganhou a garota. Elena ficou encantada por Damon instantaneamente. Enquanto o menino de olhos azuis intensos e cabelos pretos apanhava, ela se lembrou das historias em quadrinhos que seu pai lia para ela, — sim, o pai de Elena não era muito tradicional, e preferia ler as historias em quadrinhos para filha, do que as historias das princesas Disney. – onde o homem de aço salvava a Lois Lane das garras do malvado Lex Luthor. E todas as noites ela sonhava com esse momento. O momento que ela conheceria seu super-herói e ele a salvaria do vilão. E lá estava ele, todo quebrado e gemendo de dor deitado em uma maca na enfermaria da escola, mas ainda assim um herói. O seu herói.
Elena ficou durante todo o tempo ao lado de Damon, e prometeu a ele amizade eterna, o que ele aceitou de bom grado, prometendo em troca, sempre estar ao lado dela e proteja-la de todos que ameaçassem lhe causar algum mal. Eles cresceram, e durante 18 anos eles estiveram juntos. Pré- escola, fundamental, ensino médio, faculdade – Damon cursando medicina e Elena jornalismo, seguindo os passos de sua adorada Lois Lane – e agora, eles eram vizinhos de porta, ou pelo menos na teoria, pois Damon passava mais tempo no apartamento de Elena, a perturbando, do que na seu próprio.
A morena saiu de seus devaneios, fitando as horas no aparelho em suas mãos. Já eram quase quatro horas da tarde, e ela teria que se apressar para enviar o email com a matéria que ela estava a quase uma semana aprimorando para que estivesse impecável, para que o editor-chefe da sua seção não ficasse lhe alugando os ouvidos com seus comentários inoportunos. Elena admirava Mason Lookwood imensamente por todas as suas conquistas como jornalista, mas ele era uma pessoa extremamente perfeccionista, e arrumava defeito em tudo, traduzindo, ele conseguia ser um pé no saco. E depois ainda azucrina os ouvidos de seus funcionários com sua filosofia de que “devemos nos dedicar de corpo e alma a tudo que amamos”. Elena amava ser uma jornalista, porém primeiramente era humana, e algumas coisas poderiam passar por ela despercebidas, simples assim.
Elena mandou seu email e em seguida fechou seu note book, o guardando em sua bolsa junto com seu celular. Se levantou, pegou o seu casaco cor de creme que estava pendurado na cadeira e o vestiu. Passou bolsa pelo braço e saiu de sua sala. Elena trabalhava em um dos jornais mais bem conceituados de Nova York como colunista da seção Policia-investigativa do jornal. Ela adorava o seu trabalho, a fazia se sentir como Lois Lane, porém o seu Clark Kent/Super-Homem, na verdade era um clinico geral e bêbado inveterado.
Ela passou pelos corredores, se despedindo com alguns acenos de cabeça para os conhecidos, mas antes que tivesse chance de continuar a seguir o seu caminho até a saída, Carol, uma colunista da seção de moda e uma das únicas pessoas que ela realmente se importava, confiava e tinha como amiga naquele jornal, a puxou para a sua sala, quase fazendo Elena derrubar sua bolsa no chão.
_ Que isso Carol, não precisa ser tão bruta! – Elena disse se ajeitando.
_ Ah Elena, larga de ser dramática... Vai fazer o que hoje? – Carol perguntou animada.
_ Vou ir ao hospital buscar aqueles malditos exames que o jornal pediu para o plano de saúde, e depois vou sair com o Damon... – Elena disse dando de ombros.
_ Buscar os exames? Nossa... – Carol olhou um pouco perplexa – Os meus exames foram despachados diretamente para a empresa do plano de saúde, eles só me enviaram um pdf com o resultado dos exames por email...
_ Pois é, Bonnie também achou estranho quando falei com ela mais cedo, mas Klaus é um amigo de longa data, talvez queira me entregar pessoalmente, só isso...
_ Se é assim... – Carol se deu por convencida – Bem, eu ia te chamar pra sair comigo, Bonnie e o Tyler, mas já vi que você vai estar ocupada com o seu príncipe...
_ Ele não é um príncipe... – Elena revirou os olhos para a provocação de sua amiga – Ele esta mais para um super herói dos quadrinhos, todavia, que é formado em medicina e passa, boa parte das suas folgas, bêbado.
_ Encantador! – Carol disse com escárnio, fazendo Elena rir do jeito da loira de olhos azuis.
_Eu vou indo, marquei de encontrar com ele às quatro e cinco... – Elena disse enquanto levantava seu braço para chegar o relógio de pulso, que marcava 16h02min – E agora eu estou atrasada! Nos vemos na segunda, beijos.
Elena saiu praticamente correndo pelos corredores da redação, e foi direto para as escadas, sem paciência ou tempo para esperar o elevador chegar ao seu andar. Ela desceu corajosa e rapidamente os oito lances de escadas, chegando à portaria a tempo de ver Damon estacionar seu carro no lugar de sempre. Checou seu relógio de pulso novamente, eram 16h06min. Ela saiu do prédio, indo direto para o chevy camaro ‘69 azul de Damon.
_ Está atrasado! – Elena disse duramente para Damon.
_ Um minuto? – Damon disse perplexo depois de checar seu relógio, Elena deu de ombros – Um maldito minuto Elena... Eu te salvei daquele idiota na pré-escola, te dei presente em todos os seus aniversários, tirei o seu status de boca virgem, te levei a todas as festas dos veteranos no ensino médio e nas festas da faculdade, e você ainda me trata mal por que cheguei atrasado um minutinho?
Elena revirou os olhos ao ver a cara de vitima que Damon fazia. Chega a ser hilário vê-lo fazer aquele bico com seus lábios bem desenhados. Elena prendeu os lábios entre os dentes para não gargalhar na cara de Damon, enquanto ele fazia toda aquela cena de novela mexicana.
_ É pra jogar na cara agora? – Elena perguntou acusativa – Então ta, depois de todas as balinhas que eu te dei na pré-escola, e todas as garotas que eu te arrumei nas festas fazendo a sua fita de galã pra elas, tanto as do ensino médio quanto as da faculdade. Depois de todos aqueles trabalhos que eu digitei, corrigi,editei e imprimi pra você, e todas as noites que eu te carreguei morto de bêbado para o seu quarto no alojamento... Eu podia muito bem te deixar lá jogado no chão para que os universitários fizessem xixi em você, pintassem sua cara com pincel permanente e raspassem seu cabelo, mas não... – Elena colocou a mão no peito em uma pose dramática – Eu te carreguei, com esses bracinhos que não são lá muito forte, mas carreguei...
_ Ta bom Elena, eu entendi...
_ Calma que eu não terminei... – Elena o interrompeu para continuar a listar – E você vive se gabando que tirou meu status de boca virgem, mas você se esquece de que foi eu que tirei você de cima daquela “ mulher enorme e musculosa”, pois você estava bêbado demais pra ver que ela tinha um pomo de adão e estava de barraca armada!
_ TA ELENA! EU JÁ CAPTEI A IDEIA! PORCARIA! – Damon gritou irritado, Elena tinha vencido no quesito ‘listar e jogar na cara’ e tinha ganhado também na categoria drama e na categoria ‘coisa mais embaraçosa que seu melhor amigo já vez’ – Por que toda vez que começamos a ter qualquer tipo de discussão você me aparece com essa historia! Poxa!
_ Ela é a minha arma secreta! – Elena sorria vitoriosa enquanto colocava o cinto de segurança – Agora vamos, antes que eu chegue atrasada no hospital...
***
Damon estacionou em frente ao hospital que Elena havia lhe dito. Ele observou por detrás dos óculos escuros, estilo warfarer, a morena recolher sua bolsa no banco traseiro e se inclinar em sua direção e depositar um beijo em sua bochecha antes de abrir e sair do carro. Elena voltou-se para o carro, e abaixou ficando na altura da janela, para poder falar com Damon.
_ Me espera aqui, eu volto o mais rápido que puder... – Ela deu um sorriso de despedida para Damon – E você deveria fazer a barba, machucou a minha boca!
_ As mulheres amam a minha barba por fazer, querida... – Damon disse olhando para Elena por cima dos óculos escuros – Você também ia adorar se me desse à oportunidade de lhe mostrar o que posso fazer com ela...
_ Cala a boca Damon, se eu te desse a oportunidade de me mostrar o que você tanto deseja me mostrar, eu vou ter que arrumar uma historia melhor do que a do travesti pra te constranger, por que certamente você vai ficar se gabando disso também.
Damon sorriu de lado e mostrou o dedo do meio para Elena. Ela gargalhou alto diante da reação de Damon, e depois que se recuperou seguiu o seu caminho até a entrada do hospital. Elena nunca foi muito fã de hospitais, eles cheiravam a álcool e a morte, e isso fazia um maldito arrepio subir pelas suas costas, e depois da morte de seu pai, ela passou a gostar muito menos. Seu pai morreu quando ela estava na faculdade de um ataque súbito do coração. Ela se lembra como se fosse hoje, de acordar com o toque estridente do celular as 3 da manhã, com sua mãe em prantos do outro lado da linha. Se Damon não estivesse ali, ela não sabia se teria conseguido passar por aquilo tudo.
Elena meneou sua cabeça, se livrando das tais lembranças que faziam seus olhos se encherem de lagrimas. Ela se dirigiu para o elevador, e ao entrar apertou o botão do andar do consultório de Klaus, um amigo dos tempos de faculdade. Na verdade, ela o conheceu por intermédio de Damon, já que eles eram colegas do curso de medicina. Klaus Mikaelson era clinico geral, especializado em oncologia, e foi uma surpresa encontra-lo depois de tantos anos sem o vê-lo e descobrir que ele seria o clínico que faria seus exames. Mais surpresa ainda foi receber a ligação de Klaus hoje pela manha, a pedindo para que viesse buscar os tais exames. Ela estranhou, assim como os exames de Carol, os dela também teriam que ser despachados para a empresa do plano de saúde, mas ela não retrucou, e disse que ao final do expediente estaria em seu consultório.
A porta do elevador se abriu no andar que Klaus havia dito a ela. Ela o encontraria em um outro setor do hospital, diferente do que ela foi fazer seus exames. Elena olhou para uma placa na parede acima da recepção, que indicava que aquele era a área de oncologia do hospital. Elena deu de ombros e seguiu até o balcão, onde uma garota pequena de cabelos negros e longos estava.
_ Boa tarde, você pode me dizer se o Doutor Mikaelson está no consultório dele? – Elena perguntou educadamente para a enfermeira de nome ‘Anna’, como dizia seu crachá, atrás da recepção.
_ Sim, ele esta no consultório. A senhorita por acaso seria... – Ela olhou algo escrito em uma prancheta sobre o balcão – Elena Gilbert?
_ Sim, sou eu...
_ Ele esta esperando pela senhorita... – Anna sorriu amigável para Elena que retribuiu – É só a senhorita seguir por esse corredor, é a terceira porta a esquerda. Vai está escrito na porta o nome do Doutor Mikaelson, não tem como errar.
_ Muito obrigada!
Elena agradeceu e seguiu pelo corredor assim como Anna a havia indicado, e assim como ela tinha dito, não tinha como errar. Elena bateu na porta, escutando um ‘entre’ da parte de dentro do consultório. Ela entrou, fechando a porta atrás de si em seguida. Klaus se levantou de sua cadeira, indo ao seu encontro.
_ Como você esta Elena? – Klaus perguntou parecendo preocupado demais para o gosto de Elena, mesmo assim ela respondeu.
_ Ótima! – Elena respondeu com um entusiasmo que contrastava com o ambiente um pouco mórbido – Só um pouco confusa, pois você me fez vim aqui para pegar esses exames, sendo que poderia ter me poupado a viagem...
_ Na verdade, Elena... – Klaus olhou com pesar para a mulher a sua frente – Eu te chamei aqui pois eu tinha que conversar com você...
_ Por que não conversar por telefone, ou então marcar em algum lugar, tinha que ser em um hospital? — Elena perguntou confusa.
_ Pois o assunto que eu tenho que tratar com você, não poderia ser dito por telefone, muito menos em um ambiente casual... Tinha que ser em um hospital!
_ Pois então diga logo, Klaus... – Elena disse impaciente, ela não estava gostando nada do tom que Klaus usava com ela, e ela podia sentir um bolo se forma em sua garganta, como se pudesse prever que algo horrível virar a seguir – Fala logo Klaus, você sabe que eu odeio suspense...
_ Elena, eu temo em te dizer, mas segundo o suas tomografias, você tem uma síndrome, chamada síndrome de Qetsiyah.
Elena ficou parada ali, absorvendo o que Klaus tinha acabado de dizer. Ela estava doente. Porém ela sempre foi saudável, e não se sentia nenhum pouco doente. Ela nunca tinha escutado sobre essa tal síndrome e o que mais a assustava era que ela nunca tinha ouvido falar de tal doença. Ela olhou para Klaus, esperando que ele continuasse a falar, mas ele ficou ali parado esperando por algo, talvez uma crise de choro ou histeria.
_ Prossiga Dr. Mikaelson. – Elena o encorajou a continuar.
_ Bom essa síndrome é uma condição muito rara... Você tem que entender que nós médicos e especialistas não sabemos quase nada sobre ela, nem como ela é encadeada...
_ Quer dizer que a minha condição não tem cura? – Elena perguntou enquanto olhava catatônica para um ponto qualquer atrás de Klaus. – É isso?
_ Sim Elena. Não sabemos a cura para sua condição... – Klaus disse com pesar. – A sua doença além de rara, é complicada... Em suma, o que essa síndrome causa é uma serie de agressivos tumores cerebrais, e não importa se os tumores são retirados, eles voltam a crescer, e nem a quimioterapia, nem a radioterapia são eficazes na diminuição desses tumores...
O bolo na garganta de Elena estava enorme, e as lagrimas queimavam atrás de seus olhos. Ela absorveu todas as informações que Klaus a havia dito, e seu cérebro, aparentemente danificado pelos agressivos tumores chegou em uma conclusão um pouco obvia demais, mas que Klaus se recusava a dizê-la diretamente para Elena. Ela não sabia se acreditava no que dizia o medico a sua frente, ou se saia pelo consultório procurando pelas câmeras. Aquilo só poderia ser uma pegadinha. Elena sorriu diante o seu pensamento, ninguém seria capaz de brincar com uma coisa dessas, seria doentio.
_ Você quer dizer, que eu vou morrer? – o sorriso ainda estava em seu rosto, contrastando com a tristeza em seus olhos. Klaus acenou positivamente com a cabeça – Quanto tempo?
_ De acordo com seus exames você já esta em um estagio avançado, segundo analise dos dados colhidos de outros casos de pacientes com essa mesma síndrome... – Klaus respirou fundo e suspirou com pensar – Eu diria que no máximo duas semanas...
_ Duas semanas? – Elena perguntou não acreditando em seus ouvidos.
_ Sim...
Elena levantou exaltada da cadeira, deixando as lágrimas escaparem por seus olhos. Duas semanas, 14 dias, 336 horas... Tão pouco, meu Deus, tão pouco. Sua respiração se tornava ofegante a cada segundo em que pensava que estava desperdiçando naquele exato momento. Elena colocou as mãos na cabeça, respirando fundo tentando se controlar antes que ela tivesse um ataque histérico na frente de Klaus. Mais que merda, pensou. Ela ia morrer, e estava pensando em não fazer uma cena na frente de Klaus. Elena riu da própria desgraça.
_ Elena, se acalme... – Klaus se colocou a sua frente.
_ Primeiro você fala que eu só tenho duas semanas de vida – Elena ria sarcástica diante o pedido de Klaus – E agora vem me pedir pra ter calma? Vai pra merda Klaus, não é você que vai morrer em duas semanas... Você tem certeza de que esses exames são confiáveis? Pode ter sido algum erro...
_Você pode procurar outros médicos e especialistas... – Klaus deu de ombros – Mas, a ala de oncologia desse hospital foi inaugurada esses dias, então os aparelhos são novos em folha, o que significa que são quase nulas as chances de um erro medico...
_ Ok, se isso é tudo que você tinha pra me dizer... – Elena recolheu sua bolsa mas antes de sair do consultório voltou-se para Klaus a fim de lhe dizer algo – Por favor, eu sei que somos amigos a anos, e que você também é amigo de Damon, e que ainda tem contato com ele... Pelos nossos anos de amizade, e por um possível processo de quebra de sigilo medico, peço amistosamente a você, que não diga nada a ninguém, muito menos para Damon...
_ Mas Elena...
_ Não Klaus – Ela o interrompeu antes que ele tentasse convencê-la do contrario – Eu aceito a minha condição, tudo bem, mas se alguém tem que dizer alguma coisa para Damon, esse alguém serei eu, e se eu achar conveniente...
Elena saiu daquele consultório, se utilizando de todas as forças que restavam em seu corpo para sair daquele lugar de cabeça erguida. Mas quando as portas do elevador se fecharam diante de si, toda a sua pose se foi, ela estava vulnerável. Elena apertou o botão vermelho do painel, fazendo o mesmo parar. Ela encostou-se à parede metálica, e escorregou até o chão acarpetado, encostou sua cabeça em seus joelhos, e desatinou a chorar.
Ela no conseguia acreditar nos seus ouvidos e em tudo que eles ouviram de Klaus. Ela estava doente, e prestes a morrer, como podia algo assim acontecer com ela... Logo com ela, que passou sua vida seguindo os ideais de Deus e da sociedade. Ela nunca tinha matado, nem uma formiga, nunca desrespeitou seus pais. Elena não mentia, apenas omitia alguns fatos, mas que eram irrelevantes. Nunca roubou, e nunca cobiçou o homem da próxima, a não ser que sonhar tendo um caso com Paul Wesley ou com o Christian Bale contasse como cobiça, já que ambos eram casados. Tá, ela havia feito sexo antes do casamento, mas ela tava na faculdade, e bêbada, foi uma coisa tão impulsiva. Não deveria nem contar. Elena não era a mais puritana e santa das mulheres, mas tinha certeza que não merecia tamanho castigo.
Elena respirou fundo, tentando se recompor, antes que alguém chamasse os bombeiros para lhe tirar de dentro do elevador. Secou seu rosto, e com seu kit de maquiagem que sempre a acompanha em sua bolsa, ela refez toda a maquiagem desfeita pelas suas lágrimas. Arrumou seus cabelos que estavam desgrenhados e apertou o botão vermelho no painel, destravando e fazendo o elevador voltar a funcionar. Assim que as portas se abriram, ela encontrou Damon no saguão do prédio, ele parecia preocupado e aflito e quando a viu sair do elevador, correu em sua direção e a abraçou, aliviado.
_ Meu Deus, eu fiquei preocupado com você! – Damon olhou em seus olhos sem deixar de abraça-la e Elena sorriu falsamente – Está tudo bem? Por que demorou?
Elena engoliu o bolo que se formava novamente em sua garganta, e tentava impedir que as lágrimas subissem para seus olhos. Ela não sabia como dizer a Damon sobre o mal que a assolava. Ela não queria que ele fosse o super-homem, não queria que ele medisse seus esforços para salvá-la, queria que ele fosse o simplesmente Damon e a acolhesse um pouco em seus braços, e dissesse que tudo vai ficar bem, e que a fizesse se sentir bem, como ele sempre fazia. Elena se aconchegou mais em seu abraço, e pode sentir-se reconfortada por um momento, com seu cérebro danificado chegando a sua segunda conclusão do dia:
Ela não diria a ele sobre ela esta doente, pelo menos não agora.
Notas finais
E ae? voces gostaram? Devo continuar?
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