If I Die Young

19 Sob as estrelas da Toscana


Notas iniciais
Oi gente... Por favor, não me matem, eu sinto muitissimo pelo meu sumiço. Em verdade, eu não sumi, eu respondi alguns reviews e até respondi MP's, a questão é que eu passei por um momento de criatividade 'ZERO', e nao estava conseguindo colocar esse capitulo de um jeito que me agradasse e que ficasse bom! Well, mas eu finalmente consegui, pelo menos eu acho, então, sem mais delongas, pois eu sei que vocês estavam ansiosas por esse capitulo, e provavelmente nao irão ler as notas iniciais, eu nem sei por que estou 'tagarelando' aqui! Bom, perdoem os erros de portugues, e aproveitem a leitura, nos vemos nas notas finais!

_ Acho que Damon ficou tão surpreso em me ver quanto eu em vê-lo...

Elena respondeu ao comentário irônico de Stefan com um suspiro pesaroso, enquanto se mantinha olhando para o liquido escuro e fumegante na xícara que segurava. Seus olhos estavam perdidos entre as pequenas bolhas douradas de seu café enquanto os orbes verdes de Stefan a fitavam com minúcia. Ele estava estranhando as atitudes de Elena desde que ele havia recebido sua mensagem na noite anterior, e quando Elena o pediu para parar em algum lugar para que eles pudessem conversar, por alguns instantes ele até pensou que pudesse ser a resposta ao seu comportamento estranho. No entanto, alguns muitos minutos já haviam se passado desde que entraram naquela singela cafeteria na região da Toscana, e nenhuma palavra foi dita por Elena até aquele exato momento, o que o fazia desconfiar mais ainda dos atos da garota perdida na xícara de café a sua frente.

_ Elena... – Stefan a chamou em murmuro, a ruga entre suas sobrancelhas grossas denunciava sua preocupação. – Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa entre você e o...

_ Como está Rebekah? – Elena o interrompeu. Seus olhos, ainda um pouco dispersos, não demonstravam o mesmo entusiasmo que sua voz pareceria expressar. – E o Enzo? Está gostando da ideia de não ser mais o filho único?

_ Rebekah está bem, ansiosa para que essas últimas semanas de gravidez passem logo... Enzo também, ele está levando muito bem para uma criança de seis anos... Achei que ele fosse ficar carente, ou algo do tipo, mas ele está ansioso pra conhecer a irmã...

Stefan respondeu depois de alguns minutos pensando se Elena estava protelando. Mesmo preocupado com Elena, ele não conseguia esconder o sorriso satisfeito que lhe invadia o rosto, ou o brilho que surgia em seus olhos sempre que se lembrava de sua esposa e de seus filhos. Elena sorriu em jubilo ao ver que mesmo com o desprezo de seu irmão, Stefan continuava seguindo sua vida com Rebekah, e a prova de que fazia isso sem nenhum arrependimento era o sorriso bobamente radiante que dominava seus lábios naquele momento. Enquanto Damon, mesmo que houvesse se passado dez anos, aparentemente ainda vivia com seu orgulho ferido e seu coração manchado pelo rancor.

Durante longos anos Elena observou Damon ignorar a existência de seu único irmão, e por mais que ela tentasse persuadi-lo, sempre que Elena tocava no assunto, Damon a cortava imediatamente e mudava o roteiro. Com o decorrer dos anos Elena aprendeu que não valeria a pena falar com Damon sobre isso, e resolveu relevar o comportamento de seu melhor amigo. Porém algo que ela não podia ignorar ela o quanto aquilo era angustiante, não somente para Damon, mas também Stefan, que depois do ocorrido resolveu se mudar para Itália junto com Rebekah, longe de todos que reprovavam suas atitudes.

Elena se sentia mal com tudo aquilo, por mais que Stefan não fosse seu irmão Salvatore preferido, ela havia criado uma afeição por ele no decorrer dos anos. Por isso, e por não suportar mais aquela situação, Elena assumiu um posto perigoso e secreto de informante de Stefan, e durante esses dez anos ela era a única fonte de informação de Stefan sobre o próprio irmão, já que Damon não atendia suas ligações ou respondia suas mensagens, e a família Salvatore evitava tratar sobre o assunto.

_ Eu sinto muito por não ter avisado que Damon viria... – Elena disse com pesar, finalmente respondendo ao comentário de Stefan – Ele continua teimoso que nem um asno mesmo depois de todos esses anos...

_ Disso eu me lembro... – Stefan sorriu nostálgico para Elena, que retribuiu – Está tudo bem Elena, não se preocupe... Mesmo que ele tenha reagido daquela forma, ainda foi bom vê-lo. Ele está diferente... Ainda parece o mesmo Damon de anos atrás, só que um pouco mais forte...

_ Assim como você, Damon também amadureceu, mas continua sendo o mesmo teimoso de sempre... – Elena deixou um riso nasalado lhe escapar, mas logo sua expressão voltou a se tornar pesarosa e angustiada – Eu sinto muito mesmo, não posso dizer que o trouxe aqui achando que se abraçariam e fariam as pazes como se nada houvesse acontecido...

_ Como assim? — Stefan perguntou perplexo enquanto observava os olhos castanhos de Elena se encher de lagrimas. Elena mordeu o lábio inferior, tentando impedir que o choro que se formava em sua garganta escapasse. – Elena? Está acontecendo alguma coisa?

Elena sacudiu sua cabeça, assim afirmando de maneira silenciosa para a pergunta de Stefan. Algumas lágrimas teimosas lhe escaparam, e para piorar sua situação alguns soluços lhe sacudiram sem permissão, o que fez com que Stefan se levantasse da mesa, murmurando um ‘vamos, conversamos em casa’, enquanto ele tirava algumas notas de dinheiro da carteira recém-tirada do bolso. Mas antes que ele pudesse continuar com que estava fazendo, Elena o segurou pelo braço, e com um olhar de suplica, o pediu silenciosamente para que voltasse a se sentar.

_ Stefan, por favor... – Elena conseguiu dizer, depois de engolir o maldito choro antes que ele a dominasse por completo. Stefan a olhou preocupado e confuso, e mesmo relutante resolveu atender ao pedido de Elena – Me desculpe... Eu não queria parecer histérica...

_ Tudo bem, só me diz o que está acontecendo...

_ Stefan... – Elena manteve seus olhos presos à mão que ela ainda mantinha no braço de Stefan, a qual ele fez questão de pegar, transpassando confiança e conforto enquanto seu olhar a incentivava a continuar – Eu não avisei que Damon viria, pois eu tinha minhas duvidas que você apareceria, e eu precisava que ele te visse, eu precisava dessa reação da parte dele...

_ Como assim? – a cada palavra vinda de Elena mais a confusão nos olhos de Stefan aumentava. – Eu não estou entendendo... Por que queria que ele desse as costas pra mim?

_ Não, não pra você... Pra mim! – Elena sorriu sofregamente ao perceber que o seu plano estava se saindo como ela havia planejado – Eu tinha que fazê-lo se afastar de mim...

_ Por quê? – Stefan murmurou inquieto com o pouco de informação que Elena lhe dava, era perturbador vê-la agindo daquele jeito – Por que quer mantê-lo longe de você?

_ Stefan, há algo que eu preciso te contar... – Elena pigarreou limpando os vestígios de choro em sua voz, enquanto segurava a mão de Stefan com mais veemência, como se procurasse algum tipo de apoiou naquele simples gesto. Stefan assentiu para que ela continuasse, enquanto tentava engolir a aflição que tudo aquilo estava lhe causando – Eu estou doente, e... Me resta pouco tempo de vida...

À medida que as palavras de Elena saiam por seus lábios e iam sendo absorvidas pela mente de Stefan o mesmo ia se tornando estático a sua frente, e por alguns instantes ele ficou assim, parado, a fitando com os olhos verdes petrificados. Logo algumas palavras desconexas saíram balbuciadas pelos lábios trêmulos, uma tentativa falha de expressar o que seu cérebro estava deduzindo em uma velocidade extremamente alta.

_ Stefan...

_ Você não contou a ele... – Stefan disse assim que conseguiu encontrar a parte do seu cérebro que comandava sua fala e a mandar trabalhar. Elena assentiu com um dar de ombros e um sorriso sôfrego nos lábios. – Por que Elena?

_ Por que... – Elena mantinha seu olhar distante enquanto um sorriso sofregamente nostálgico lhe manchava os lábios. – Por que eu o amo demais para vê-lo frustrado e sofrendo quando ele perceber que não pode me salvar do meu destino fatídico...

Elena voltou seu olhar marejado para Stefan a sua frente enquanto mordia o lábio inferior impedindo que o choro em sua garganta saísse. Stefan queria agarra-la pelos ombros e sacudi-la até que ela voltasse ao seu juízo normal, mas algo no olhar que Elena dirigia a ele o impediu. Ele jamais havia visto tanta dor e pesar nos olhos de Elena como via agora. Ela realmente estava sofrendo, talvez mais por ter que abandonar Damon do que por sua própria e evidente morte.

Sem dizer nenhuma palavra, Stefan segurou a mão de Elena e a levou para fora da singela cafeteria de beira de estrada, a guiando até um pequeno parque próximo o lugar onde estavam, e depois a fez sentar em um dos bancos comunitários dispostos pelo local, porém Stefan permaneceu de pé. Ele tentava não demonstrar, no entanto a noticia o havia pegado de surpresa, ainda mais por Elena não ter contado para Damon. Ele andava de um lado para o outro, pensando em como lidar com aquilo enquanto Elena permanecia chorosa e com os pensamentos distantes dali. Ela parecia estar desmoronando aos poucos, e aquilo era apenas o inicio da parede de tijolos que ela havia construído ao redor de sua própria mente.

_ Elena... – Stefan em um movimento abrupto se agachou, ficando de frente a Elena, que tentava impedir as lágrimas teimosas que molhavam seu rosto – Eu sei que está sofrendo, mas pense em Damon... Ele vai sofrer muito mais quando for te procurar e descobrir que você morreu sem lhe dá a oportunidade de tentar te salvar ou ao menos de dizer adeus!

_ Ele não vai me procurar... – Ela meneava a cabeça, tentando convencer a si mesma da veracidade de suas próprias palavras. – Ele não tem razão ou motivos pra isso...

_ Ele vai te procurar, Elena... – Stefan segurou as mãos de Elena, chamando a atenção dela para si mesmo e no ele tinha pra dizer – Damon te ama... Estamos sem nos ver tem praticamente dez anos, mas o tipo de amor que ele fingia não ter por você, não é do tipo que se desaparece com o tempo, ele só tende a aumentar! Isso é motivo suficiente...

_ Não! Ele não virá! – Elena se desfez do toque de Stefan e se levantou rapidamente. Lagrimas banhavam seu rosto sem sua permissão, enquanto seu coração batia pesadamente em seu peito e seus pulmões aparentemente haviam desaprendido a respirar – Ele não virá atrás de mim! Eu o magoei, eu vi o ódio, a raiva no olhar dele quando ele olhou pra mim, ele não virá...

_ Elena... – Stefan a chamou com suplica, mas Elena era irredutível. – Você acha que vai conseguir morrer em paz com todo esse sofrimento no peito?

_ Eu consigo lidar com o meu próprio sofrimento, eu só não quero que Damon sofra...

_ Mas ele vai sofrer... – Stefan disse com pesar – Não adianta o que faça, ele vai sofrer, pois ele vai perdê-la...

_ Por favor, Stefan... – a voz de Elena soou apática aos ouvidos de Stefan, mas seu olhar ainda mantinha a dor e sofrimento que ela tentava esconder por trás de sua indiferença – O que fiz está feito, e não há nada mais pra ser dito... Vamos indo.

Elena refez seu caminho de volta ao estacionamento de frente a cafeteria, e Stefan sem protestar a seguiu. Eles continuaram seu trajeto em uma viagem silenciosa a caminho da província da Florença, onde Stefan e Rebekah moravam há quase dez anos. As paredes de pedras e as construções, carregadas de pura historia e cultura, iam passando rapidamente pela janela de Elena, no entanto, sua mente não estava ali, nem mesmo Elena sabia dizer por onde ela andava.

_ Chegamos...

A voz de Stefan chamou sua atenção ao que estava a sua volta, e ela percebeu que não estavam mais em movimento e sim parados de frente a uma casa com paredes de pedras, assim como muitas outras ao redor, mas essa era perfeita, com cara de lar e aconchego. Na soleira da porta de entrada, onde havia um largo e florido jardim, havia alguém de cabelos lisos e loiros, e um corpo rechonchudo, graças a gravidez, a quem Elena reconheceu de imediato. Antes que Stefan descesse do carro, Elena o deteve, trazendo para si sua atenção.

_ Não diga nada a Rebekah...

Elena pediu singelamente para Stefan. Ela não precisava dizer o porquê de seu pedido, já que era evidente que a situação de Rebekah não era a melhor para receber noticias de tal impacto. Stefan assentiu com um singelo e complacente movimento de cabeça, e Elena lhe sorriu agradecida. Logo ambos saíram do Porsche vermelho de Stefan, e enquanto ele se encarregou de pegar a bagagem de Elena, e a mesma se dirigia com um sorriso contido até Rebekah, que já estava a esperando de braços abertos e um sorriso radiante nos lábios.

_ Lena! – Rebekah puxou Elena para um abraço meio desajeitado, graças a enorme barriga de quase nove meses que ela carregava. – Eu senti tanta a sua falta...

_ Eu também... – De um jeito que nem Elena conseguia entender, ela conseguiu abraçar Rebekah de volta, e apoiar sua cabeça no ombro de sua amiga, como a muito não fazia. Elena se afastou alguns centímetros apenas para admirar a beleza que irradiava da loira a sua frente – Você está linda desse jeito...

_ Que isso, eu estou uma bola... – Rebekah acariciou a barriga com um sorriso terno nos lábios, mas logo voltou sua atenção a Elena, que fitava aquela cena com os olhos marejados. – Vem, vamos entrar... Quero que conheça meu bambino...

Rebekah agarrou Elena pelo braço e praticamente a arrastou porta adentro. Apresentou todos os cômodos pelos quais passavam, sem dar ao menos tempo para que Elena os admirasse. Rapidamente elas se dirigiram ao jardim na parte de trás da casa, que sinceramente parecia ter sido tirado de algum filme romance europeu. A grama era verde e baixa, enquanto arbustos altos e cheios de flores de todos os tipos dominavam as laterais formando uma cerca viva ao redor do gigantesco jardim. Ao longe no horizonte era possível ver algumas outras casas, mas o que realmente chamava a atenção era um vinhedo enorme que cobria boa parte do horizonte atrás do jardim.

Algumas árvores frutíferas estavam espalhadas pelo terreno, mas outras simplesmente decoravam o lugar com sua forma robusta, e em uma delas, um carvalho branco não muito alto, havia uma bela estrutura em madeira, formando uma singela casa da árvore. Fitar aquela casa trazia Elena lembranças de sua própria infância, já que na casa dos Salvatore havia uma casa na árvore muito parecida com aquela, e tinha até um balanço de pneu similar ao que agora um belo garotinho de cabelos castanhos e lisos brincava e ria em jubilo.

_ Lorenzo! Venire qui! – o pequenino logo saltou do balanço e veio correndo até onde elas estavam paradas, respondendo rapidamente o chamado de sua mãe – Enzo, essa é a tia Elena... Como é que garotos educados cumprimentam as moças bonitas?

_ Olá, prazer em conhecer... – Enzo estendeu sua mão em um cumprimento enquanto lhe mostrava um sorriso cheio de pequenas janelinhas.

_ Olá Enzo, é um prazer finalmente te conhecer... – Elena se abaixou a altura do pequenino, lhe sorrindo amigavelmente enquanto apertava a mão do mesmo – Você está maior do que imaginava...

_ Eu já tenho seis anos, tia Elena... – Enzo levantou o queijo, estufou o peito, se esticou um pouquinho para parecer mais alto e com confiança voltou a dizer com a voz grossa – Sono già un uomo!*

_ Sem duvida alguma que é... – Elena respondeu com o riso na voz, enquanto bagunçando os cabelos sedosos do menino a sua frente – E um dos mais bonitos! Até mais bonito que seu pai, só não fala pra ele...

_ Zio Damon veio com você

, Zia Elena? – Enzo perguntou curioso, se esticando para olhar a entrada para o jardim com expectativa.

_ Não, ele não veio...

Elena disse depois de pigarrear um pouco sem graça. Ela sabia que Stefan e Rebekah haviam deixado Enzo a par da existência do tio, mas outra coisa diferente era ele vir até aqui conhecê-lo. A expressão alegre e cheia de expectativa de Enzo se transformou em um pequeno muxoxo acompanhado de um olhar de decepção, que seria capaz de partir o coração de qualquer um, e com Elena não fora diferente.

_ O tio Damon não pode vim, mas... – Elena acariciou os ombros do pequenino, procurando conforta-lo de qualquer maneira – Ele me mandou aqui em nome dele, e também me pediu pra que te entregasse um presente pra você...

_ Vero?

O sorriso alegre de Enzo estava de volta ao lugar do qual jamais deveria ser tirado, o que fez com que Elena sorrisse satisfeita com seu próprio feito. Era uma pequena mentira, Damon não havia pedido para que ela o entregasse, mas era verdade que ele o tinha comprado. Em verdade, Damon tinha uma caixa em seu armário cheia de carrinhos, bolas, bonecos de ação, dentre muitos outros brinquedos, e todos eles eram destinados a Enzo desde o dia em que Elena o havia contado que o Rebekah esperava um menino. Elena tinha certeza que um dia, cedo ou tarde, Damon viria pessoalmente entrega-los, no entanto, enquanto esse dia não chega, ela se atreveu a invadir o apartamento de Damon antes de sair de viagem, e pegar um dos muitos que ele vinha guardando há seis anos, e trazê-lo para Enzo, obedecendo ao pedido silencioso que Damon vinha fazendo durante todos esses anos.

_ É vero! – Elena se levantou e segurou a mão de Enzo, que sorria radiantemente mostrando novamente as entradas em seu sorriso – O presente está na minha mala... Vamos lá pegá-lo...

Elena e Enzo correram para dentro de casa, Rebekah vinha logo atrás caminhando lentamente graças ao seu tamanho. Stefan já havia levado as malas de Elena para o quarto de hospedes, e assim que Elena descobriu onde ficava, foi em direção ao mesmo e tirando logo de sua mala uma caixa retangular que ela mesma havia embrulhado em um papel de presente azul com carrinhos vermelhos e amarelos. Mesmo que tentasse manter a sua atenção em levar o presente para Enzo, seus olhos não conseguiram desviar de seu celular jogado sobre suas coisas. Elena se atreveu a liga-lo, e seu coração se apertou ao ver que não havia nenhuma chamada sequer de Damon. Ela desligou o aparelho, e tentando ignorar seu coração dolorido e o choro que havia subido até sua garganta, fez seus passos de volta até a sala, onde Enzo esperava ansioso pelo seu presente.

O restante da tarde se seguiu calma e prazerosamente, como toda tarde de sábado na Toscana deveria ser. Enzo simplesmente amou o conjunto de carrinhos, formados por quatro pequenos fusquinhas, que passou a tarde toda brincando com eles juntamente com Stefan, enquanto Elena havia acompanhado Rebekah até a feira local para que elas comprassem algo mais pomposo para o jantar, já que aquela era uma ocasião especial. Elas praticamente passaram a tarde toda nas ruas de Florença, Rebekah tagarelava, colocando Elena a par de todas as novidades e apresentando a mesma a todo conhecido que passava, enquanto escolhia alguma coisa para preparar com a ajuda de Elena. Quando finalmente voltaram pra casa, já eram quase seis horas da tarde, e como logo seria a hora do jantar, ela e Elena se dirigiram rapidamente para a cozinha, a fim de preparar uma das especialidades de Rebekah, segundo ela mesma.

Logo o assado de cordeiro com batatas e cenouras ficou pronto, e todos se reuniram ao redor da mesa de jantar. Eles conversaram, riram, contaram historias e relembraram coisas que pareciam está enterradas em um passado muito distante dali. Foi um jantar regado a vinho tinto, para Stefan e Elena, suco de laranja, para Rebekah e Enzo, muitas risadas e momentos memoráveis. Depois do jantar e de toda louça lavada e guardada, Rebekah decidiu que estava na hora de Enzo ir dormir, então subiu junto com o garoto para o quarto enquanto Stefan e Elena foram até o jardim frontal, onde havia uma pequena mesa de chá feita de ferro.

A noite já havia chegado, e um manto estrelado cobria todo o céu, enchendo de luz as ruas e becos de toda a Toscana. Aquela imagem, de um horizonte estrelado cobrindo e iluminando pequenas casas feitas de pedras e historias, era algo tão belo de se ver, que era capaz de ludibriar qualquer um que se atrevesse a fita-la por mais que alguns segundos. Elena sequer era capaz de se lembrar de tudo que aconteceu na noite passada ou de tudo que vinha acontecendo com ela. Por alguns instantes não existia mais doença, não existia morte, não existia nada, além daqueles pequenos pontinhos brilhantes em um céu azul marinho e uma casa cheia de riso e jubilo.

_ Rebekah ficou muito feliz por você ter vindo, e eu também... – Stefan disse relaxado sobre uma das cadeiras ao redor da mesa de ferro – Me lembrou daquelas reuniões e jantares que minha mãe sempre fazia... Era sempre assim, apesar de nós dois não sermos tão amigos quanto somos agora, nós nos divertíamos...

_ Éramos crianças, e não tínhamos preocupação alguma... – Elena soltou um riso baixo lembrando se de como eram divertidos os jantares e reuniões de família, não que acontecesse algo de especial nesses eventos, geralmente eles eram chatos e um pouco entediantes, mas a presença dos irmãos Salvatore era capaz de transformar qualquer coisa em puro entretenimento. – Queria que Damon pudesse esquecer todo esse rancor e compartilhar de momentos assim com você e Enzo... Dá pra notar que ele sente falta da presença do tio. É como se esperasse pela vinda de Damon...

_ Talvez isso seja culpa minha... – Stefan deu de ombros com um sorriso ressentido nos lábios. Elena fitou Stefan ao seu lado com perplexidade no olhar, esperando que ele explicasse o motivo de suas palavras – Eu passei dez anos esperando que meu irmão pudesse me perdoar e conviver comigo como antigamente. Acho que enquanto contava nossas historias de infância, acabei por depositar essa expectativa em Enzo também...

_ Não é sua culpa, Stefan... Damon deveria ter capacidade e discernimento de separar as coisas. – Elena trincou os dentes com uma raiva repentina. Ela já havia perdido as contas de quantas vezes havia discutido com Damon para que tentasse se aproximar do sobrinho, ou ao menos enviasse os brinquedos que ele sempre comprava, mas ele parecia ignora-la. – Por mais que vocês não se falem, ele deveria pensar no sobrinho, Enzo é apenas uma criança...

_ Mas ele pensa... – Elena o fitou surpresa e sem entender o que Stefan dizia. – No primeiro aniversário de Enzo, Damon lhe enviou um presente e um cartão de aniversário... Desde então, todo aniversário e natal, Enzo recebe um presente e um cartão do tio... Ele ainda não sabe lê direito, então ele guarda todos os cartões que recebe de Damon em uma caixinha com tranca e a deixa dentro da casa na arvore lá atrás...

_ Ele envia? Mas... – Elena mal conseguia formular uma frase coerente, aparentemente aquela noticia a havia pegado de surpresa. – Damon nunca me disse nada...

_ Talvez ele quisesse parecer mais rude do que ele realmente é... – Stefan deu de ombros novamente, um sorriso irônico brincava em seus lábios enquanto ele mantinha seu olhar longe – Damon sempre tentou esconder o coração mole que ele carrega...

Elena ainda fitava o nada, confusa, enquanto tentava absorver a informação que Stefan havia acabado de jogar sobre ela. Ela passou seis anos dizendo para que Damon se aproximasse do sobrinho, no entanto, ele já o estava fazendo sem dizer uma palavra a ela. Elena trincou os dentes em fúria enquanto tentava impedir que as lágrimas que ardiam atrás de seus olhos escapassem. Ela não sabia se estava com raiva por ele nunca ter dito esse fato com medo de demonstrar suas fraquezas, ou feliz por Damon ter feito tão coisa. Depois de alguns segundos, um sorriso tímido se fez presente nos lábios de Elena, e algumas lagrimas escaparam de seu controle, mas elas não a incomodavam, essas eram lagrimas de felicidade, e elas não deveriam ficar presas.

_ Quando pretende ir embora? – a voz de Stefan soou em segundo plano aos ouvidos de Elena, mas foi o suficiente para despertá-la de seus pensamentos.

_ Meu trem sai amanhã às oito da manhã... – Elena respondeu a pergunta de Stefan sem tirar os olhos do horizonte a sua frente ou o sorriso casto em seus lábios – Direto para a Espanha...

_ Vai passar um tempo com sua mãe e seu irmão? – Stefan perguntou depois de sorver um gole do vinho em sua taça.

_ Vou passar meus últimos dias com eles... – Elena sorriu sofregamente para os céus, percebendo o quão sórdidas suas palavras soavam aos seus ouvidos.

_ Vai continuar omitindo isso do Damon?

_ Mais ou menos... – Elena pegou no bolso de seu casaco um envelope branco e ficou o fitando por alguns instantes antes de continuar a falar – Eu escrevi uma carta para Damon...

_ Vai mandar pelo correio? – Stefan perguntou um pouco confuso.

_ Não, eu quero que fique com você... – Elena alisava os traços de sua própria letra, apreciando cada curva do nome de Damon com as pontas dos dedos. – Pelo menos por enquanto...

_ Como assim? – Stefan olhou perplexo para a morena ao seu lado.

_ Eu pensava em pedir para que minha mãe enviasse a ele depois que... Bem, depois que eu morresse... – As lagrimas de Elena rolavam por seu rosto, molhando seu sorriso e algumas delas até caiam sobre o envelope em suas mãos – Queria deixa-lo a par de tudo, por isso escrevi essa carta. Minha ultima confissão... Mas agora, eu a vejo como uma garantia... Eu sei, no fundo do meu coração, que um dia ele virá até vocês com o coração limpo de todo rancor que ele vem guardando durante esses dez anos, e então, você poderá entregar pessoalmente essa carta pra mim...

_ Mas isso pode demorar, Elena! – os olhos verdes de Stefan estavam marejados e vermelhos, e talvez um pouco assustados pela proposta de Elena – Isso se ele vir algum dia!

_ Não se preocupe tanto, realmente não me importa o tempo que demore... – Elena se virou para Stefan, e segurou uma de suas mãos, colocando o envelope sobre a mesma com uma expressão serena e um sorriso tranquilo no rosto apesar da situação – Eu sei que ele virá... Mas se por acaso demorar, e você não conseguir suportar a espera, eu sei que você irá até ele... Essa é minha garantia.

_ Elena, eu... – Lágrimas silenciosas escorriam dos olhos de Stefan enquanto ele fitava o envelope em sua mão, e enxergando o grande significado que ele escondia dentro de si. Stefan pegou o envelope, e assentiu com um aceno breve de cabeça, assumindo a responsabilidade pelas ultimas palavras de Elena dirigidas para Damon. Ele a guardou em um dos bolsos do casaco que usava, e em um gesto rápido puxou Elena para um abraço – Eu sinto muito, Elena...

_ Eu também sinto, Stefan. Realmente sinto muito...

Notas finais
* Já sou um homem... ** Zio/ Zia = Tio/ Tia _______________________________________________ Eu passei dois dias inteiros sentada na frente do notebook escrevendo, então, por mais que eu tenha demorado um més pra postar e merecer castigo por indo, eu ainda mereço alguns reviews pelo esforço nao? Bem, eu nao vou dizer que prometo postar amanha, mas prometo postar em breve e evitar que fiquem mais ansiosas do que o devido, ok? Eu estou aguardando os reviews, e possiveis recomendações, de vocês... Hmmm, novidades... É provavel, que eu poste em breve uma one-shot de QSQ. Na verdade era pra eu ter postado no dia dos pais, mas eu nao achei que tava lá essas coisas, entao resolvi adiar, mas vai ter então, aguardem! Beijooooos e até o proximo! :*****