If I Die Young
14 Certas precauções
Notas iniciais
Para: Caroline Forbes
De: Elena Gilbert
Assunto: Saudades Imensas
Neste exato momento eu estou em um quarto de hotel localizado em Paris, minha amiga! Paris, o que acha disso? Se as circunstancias fossem outras eu até diria, ‘morra de inveja’, mas acho que nesse exato momento não soaria muito bem... Desculpe meu humor, ironicamente falando, quase nada obscuro. Ultimamente os trocadilhos e piadas sobre ‘morte’ não saem da minha boca. =/
Eu e Damon chegamos a algumas horas atrás aqui em Paris, e como você deve imaginar, eu ainda não falei nada ao Damon sobre a minha real condição, e é por isso que aproveitei esse momento em que ele saiu para te mandar um e-mail, já que uma ligação internacional custaria uma vida! Olha ai o humor negro de novo >
Coisas aconteceram, e ainda estão acontecendo, e o pior é que eu não tive ou tenho controle sobre elas... Minha cabeça tem estado uma baderna, como se já não me bastasse saber que tenho um pouco mais que uma semana de vida, eu ainda arrumo mais coisa para minha bagagem... Sem mas protelações, e mesmo não querendo que você tenha um surto psicótico, eu preciso deixar bem claro como tudo isso começou!
Foi na Holanda, no nosso primeiro dia na cidade de Amsterdam. Depois de uma noite regada de bebidas fortes e absinto, eu acabei acordando no dia seguinte com uma tatuagem nas costelas, que até que ficou legal, uma tremenda ressaca acompanhada de uma amnésia temporária, nua, e com Damon, também nu, deitado ao meu lado... Acho que não é necessário te dar um relatório completo do decorrer dos fatos, não é?
Eu sei, eu sei... Foi tremendamente errado, ninguém sabe o quanto eu gostaria de ter evitado tal acontecimento... Não foi nenhum pouco fácil dizer a Damon que não poderíamos se nada mais que melhores amigos e fugir para o banheiro, pois não tive nenhuma coragem de dizer que na realidade não podemos ficar juntos pois eu estou morrendo! Ninguém sabe o quão desesperador é sentar ao lado dele, e sorrir abertamente, como se estivéssemos em uma viagem normal e revigorante, quando na realidade, é apenas um meio para que eu consiga fazer meus instantes com ele se tornar um pouquinho só que sejam mais longo...
Ontem, enquanto caminhávamos por Notting Hill, Damon saiu do meu lado por alguns instantes, e quando voltou, estava com um sorriso bocó e com um brilho incomparável nos olhos, e a única coisa que me veio na cabeça é que ele me parecia simplesmente, apaixonado. E eu não sei o que está acontecendo comigo, pois sempre que aquele sorriso me vem à mente...
Elena se pegou mais uma vez pensando naquele mesmo sorriso e brilho no olhar, sentindo seu peito queimar como se protestasse a algo. Ela fechou os olhos, e respirou fundo, deixando que aquela aflição que a consumia se dissipasse aos poucos para fora de seu peito. Naquele momento Elena já apresentava certa destreza em amenizar o tal incomodo, até por que foi o que ela fez durante boa parte de sua adolescência, mais os últimos momentos de sua estadia em Londres.
Enquanto Damon dormia tranquilamente como um gato preguiçoso na cama ao lado, Elena passou a noite o fitando, lembrando incessante e inconscientemente daquele maldito sorriso bobo. Isso lhe tomou a noite de sono e a tranquilidade durante todo o caminho até Paris, lhe dando bastante tempo para lidar com isso. Ela abriu os olhos, os voltando para o corpo do e-mail que ainda estava escrevendo para Caroline, e continuou a digitar:
Eu não sei o que dizer, tudo está se tornando confuso... Ás vezes penso no tamanho do fardo que tenho que levar nos ombros em consequência a minha omissão... Essa culpa, essa sensação de impotência, de está de mãos atadas... Tudo isso me corroí por dentro de um jeito pior do que a certeza da minha própria morte. Damon sempre foi pra mim como um anjo, um pouco demônio tenho que admitir... E que sempre esteve do meu lado, em todos os momentos importantes da minha vida, sem exceção... E agora, escondendo sobre a minha eventual, inevitável, e cada vez mais próxima, morte, me sinto como se tivesse o traindo, me sinto a mais vacas das vacas. É horrível se sentir assim...
Elena sentiu novamente a aflição retornar ao seu peito. Ela fechou os olhos, repetindo todo o processo para diminuir aquela sensação, mas parecia que cada respiração profunda e controlada que Elena dava, trazia mais combustível para que aquele fogo abrasador continuasse a lamber as veias de seu coração. É horrível se sentir assim, péssimo... Elena refletiu em seu pensamento sobre a última frase que havia digitado para Carol, tentando o máximo ignorar a brasa que marcava seu peito.
‘Sim, é horrível se sentir assim... Mas é pior ainda ter que fingir que não há nada de errado comigo, que nada aconteceu entre nós em Amsterdam, e que algo vem acontecendo durante todos esses anos, em que eu mantive meu coração calado, dizendo a mim mesma que eu estava confundindo o afeto de Damon com algo totalmente errado, e que eu deveria enxergar ele com outros olhos, menos carnais e mais amigáveis e fraternais. E assim o fiz, desde o dia em que eu senti seus lábios pela primeira vez juntos aos meus. Eu neguei a mim mesma sentir algo mais que pura amizade durante todos aqueles anos, e eu consegui. Eu o tirei da minha cabeça. Eu era capaz de andar pelos corredores da escola e faculdade e não ligar para os comentários sobre Damon e suas inúmeras namoradas. E por mais que eu não me sentisse como eu mesma, eu já conseguia respirar sem que meu peito parecesse está em chamas. ’
Elena levantou nervosa e passou a incontáveis voltas ao redor do quarto de hotel, com os cabelos desgrenhados entre os dedos, agradecendo aos deuses por Damon não está ali para vê-la surtando. Sua mente doente e já conturbada se tornava cada vez mais perigosa. Assim como uma bomba atômica, sua mente lhe lançava coisas, coisas que Elena tratou de esconder de si mesma durante um bom período de tempo. E agora, sua mente simplesmente as estava jogando em seu colo, deixando que as mesmas explodissem sobre ela, a fazendo reviver um sentimento que ela achava ter se livrado a muitos anos atrás. Tudo que ela jurou não sentir mais estava voltando com uma força surpreendente, tirando seu fôlego, e a consumindo por inteiro.
_ Não... – a voz de Elena saiu entre cortada pelo bolo que se formava em sua garganta enquanto tentava segurar as lagrimas que subiam até seus olhos – Não, eu não consigo, eu não posso... Eu segui em frente, não me permito voltar atrás! Eu não posso ama-lo, não desse jeito! Eu não posso, não posso...
Elena voltou rapidamente para o computador, apagando tudo que já havia escrito até aquele momento, deletando qualquer vestígio da sua incerteza que pudesse virar contra ela em algum momento. Depois de um breve momento, tentando reassumir o controle do seu próprio corpo, digitou:
Oi Care,
Como estão as coisas por ai? Eu espero que bem... J Eu sei que prometi escrever assim que chegássemos à Holanda, mas eu quase não tive muito tempo. Já estamos em Paris, e logo estaremos indo pra Itália. Como está o Silas? Espero que não esteja dando trabalho pra você... Mande um abraço pra todos, e prometo que em breve volto a escrever.
Beijos,
Elena.
Depois de enviada a sua mensagem, Elena fechou brutamente seu computador, não ligando muito ao dano que ele sofreria. O deixou em algum canto da cama, e se deitou em posição fetal, fechou os olhos deixando que suas lágrimas escorressem e molhassem seu travesseiro e respirou fundo. Dessa vez Elena não estava tentando fazer com que aquele sentimento desaparecesse, e sim estava o trancando no lugar onde ele esteve por todos esses anos, guardado em um quarto escuro no fundo da alma de Elena, de onde ele jamais deveria ter se atrevido a sair.
Elena prometeu a si mesma que não retornaria a ponderar sobre, ou deixaria que aquele sentimento a dominasse, assim como ele fez durante anos, e como ele quase havia feito minutos atrás. E se fosse preciso afastar Damon para que ele jamais pudesse ter conhecimento desse sentimento, assim ela o faria. Aquilo era o que Elena julgava ser melhor para todos, principalmente para Damon. Assim quando sua hora finalmente chegasse, ele não precisaria sofrer mais do que o necessário, se lamentando por um algo que jamais poderá acontecer.
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