Notas iniciais
AHHH! SAUDADES! Como de praxe, me perdoem pela demora... Mas finalmente aqui estou eu, com um cap fresquinho pra vocês. Bom, eu nao vou falar muita coisa aqui nas notas iniciais, vou deixar pra finais, eu sei que vocês estão ansiosos, porém, antes de irmos ao finalmentes, eu gostaria de deixar aqui três links de musicas que praticamente me guiaram durante esse capitulo, então vamos agradecer há: * Autumn Leaves - Ed Sheeran www.youtube.com/watch?v=6n_CU3yt31o * Wipe Your Eyes - Maroon5 https://www.youtube.com/watch?v=Ez68BZ2_6yw e * Adore - Paramore https://www.youtube.com/watch?v=FHMVSl0ctbo Se vcs escutarem as musicas, saberão exatamente em que momentos elas estão mais evidentes no capitulo... Bem, no more embromation! Me desculpem pelos erros de ortografia e coesao! Nos vemos nas notas finais! ;**

O vento fresco fluía com veemência naquele fim de tarde, agitando as folhas amareladas das árvores ao redor, fazendo assim com que alguns pássaros alvoroçados levantassem voo. O sol, que já mergulhava entre as águas do mar mediterrâneo, deixava para trás seus últimos raios, pintando o céu, o oceano e a areia branca da praia, praticamente deserta, com as mais diversas nuances de laranja. O que por muitos seria descrito como um cenário de algum filme de romance, ou uma das maravilhas desse mundo, passava despercebido pela garota de olhos chocolates e cabelos escuros, sentada em um banco na parte de trás da casa de sua mãe, mais especificamente de frente para praia e todo aquele espetáculo.

Elena estava inerte aos efeitos que aquela paisagem poderia ter sobre ela. Aos olhos de Elena, as cores vivas e radiantes que compunham a paisagem ao seu redor e a paz que ela poderia transmitir não existiam. Tudo que ela conseguia enxergar era o mesmo tom de cinza desbotado e patético, e tudo que ela conseguia sentia emanar daquela imagem era uma apatia e tristeza exacerbadas. Com um sorriso sofregamente sórdido nos lábios, Elena conseguia perceber, que deixando Damon, ela também estava deixando sua capacidade de ver a beleza, alegria, e até a vida das coisas ao seu redor. A presença dele era a razão pelas quais as coisas se tornavam memoráveis, sem ele, tudo parecia perder gradualmente o sentido. E depois de quase uma semana sem sequer vê-lo, nada mais tinha essência ou significado.

_ Trouxe um suco pra você... – Elena voltou seu olhar para Miranda, a tempo de vê-la deixar um copo de alguma coisa verde na mesa de centro na frente do banco de vime onde Elena havia praticamente passado os últimos dias, e sentar-se ao seu lado. – O fim de tarde está perfeito, quem sabe depois de beber seu suco, não vamos dar uma volta?

_ Obrigada... – Elena pegou o copo, e sorveu um pouco do liquido espesso, detectando o gosto da couve se misturar ao cítrico da laranja e se sobressair ao da hortelã. – Eu não estou muito a fim de sair...

_ Você está bem? – Miranda a fitou, preocupada.

_ Não posso dizer que me sinto bem... – Elena deu de ombros com um sorriso amarelo nos lábios, voltando seu olhar para a paisagem morta a sua frente. — Mas eu estou bem...

_ Você tem certeza? – Miranda levou sua mão até a testa de Elena, checando sua temperatura assim como fazia quando era criança e assim como vinha fazendo durante os últimos dias. — Você está um pouco pálida, e gelada... Acho que sua pressão está baixa... Talvez devêssemos ir ao medico...

_ Não precisa, mãe... – Elena murmurava em um resmungo enquanto desviava gentilmente da mão que sua mãe agora levava até seu pulso, a fim de medi-lo.

_ Elena, se meus cálculos estão certos, suas duas semanas... Acabam hoje, meu bem... – os olhos de Miranda se tornaram marejados e aos poucos sua voz ia ficando embargada pelo choro. – Então não me diga o que não é preciso, e nem para não me preocupe...

_ Me desculpe, mãe... – Elena engoliu o nó que havia se formado em sua garganta, e depois de deixar o copo de suco novamente sobre a mesa de centro, virou-se para sua mãe, segurando uma das mãos dela entre as suas, tentando de alguma forma, tranquiliza-la – Eu quis dizer que não me sinto mal, mas mesmo assim, quero que não se preocupe... Se sentir qualquer coisa eu aviso a senhora, tudo bem?

_ Promete?

Miranda apertava as mãos de Elena, como se soltá-las significasse perder Elena de vista, e ela a entendia. Sua mãe nunca foi o tipo de mulher fraca ou vulnerável, no entanto, depois da morte de seu pai, Miranda teve que lutar para ser mais forte ainda, e para que ela fosse capaz de não deixar transparecer sua tristeza, pelo bem de seus filhos que também sofriam pela perda. E agora, com a evidente e inevitável morte de sua filha, Miranda sabia que mesmo sofrendo profundamente, haveria de ser mais forte do que nunca por Elena. Mesmo grata pelo apoio de sua mãe, Elena sabia o quão doloroso aquilo deveria está sendo, e a cada dia que passava, Elena se sentia mais culpada por ter que colocar sua mãe em tal situação, mesmo que não fosse diretamente sua culpa. Por isso ela não era capaz de negar os mimos, carinhos, cuidados, mesmo que exagerados, de sua mãe.

_ Prometo... – Elena ergueu a mão de sua mãe que ela mantinha presa as suas, e a levou até seus lábios, beijando carinhosamente os nós dos dedos de Miranda. – Eu te amo, obrigada por cuidar de mim, mãe...

_ Eu também te amo... – a voz de Miranda soou chorosa aos ouvidos de Elena, e ela pode ver uma lagrima solitária escorrer pelo rosto imaculado de sua mãe. Mas antes que ela pudesse cair de fato, Miranda levou uma de suas mãos até ela, a enxugou, e com um sorriso amarelo nos lábios, voltou a falar – Eu quase ia me esquecendo, chegou um pacote pra você...

_ Pacote? – Elena olhou confusa para sua mãe – Quando?

_ Foi há pouco tempo. Eu vim te avisar, mas você estava com uma expressão tão tristonha que resolvi fazer um suco e vim ver como você estava...

_ E onde está? – Elena estava perplexa, mas ainda assim, curiosa.

_ No seu quarto, em cima da sua cama... – Miranda pegou o copo sobre a mesa e se pós de pé – Eu vou guardar isso aqui pra mais tarde. Vai lá abrir, quando o jantar estiver pronto peço para o Jeremy te chamar...

Sem esperar pela resposta de Elena, Miranda seguiu seu caminho para parte de dentro, e logo depois Elena fez o mesmo, adentrando a casa e rapidamente seguindo para seu quarto no segundo andar. Assim que entrou em seu quarto, Elena pode ver a caixa sobre sua cama, com o logo de alguma empresa de entregas escrito em letras grandes e coloridas na parte lateral. Ela se sentou de frente a caixa consideravelmente grande e a examinou por alguns instantes. No remetente havia o nome completo de Caroline, e pela data de envio era possível saber quão demorada havia sido sua entrega. Sem mais delongas, Elena abriu o lacre, e retirou a tampa da caixa, reconhecendo boa parte de seu interior.

Ali estavam algumas de suas coisas, pelo menos as que Elena considerava essenciais para sua existência e que não couberam em sua mala, como os seus livros favoritos, os bibelôs e pelúcias que antes dominavam as prateleiras de seu quarto, seus diários, e os álbuns de fotografia que ela mesma havia decorado. Sobre todas as suas coisas, havia um envelope cor de rosa, e uma brisa alegre embalou seu coração, aquecendo seu peito, ao ver o nome de Caroline escrito em uma letra cursiva perfeita. No dia seguinte a sua chegada à Espanha, Elena havia enviado um e-mail para Carol, lhe colocado a par de alguns dos acontecimentos, mas alguns poucos dias já haviam se passado, e nenhuma resposta foi recebida. Então mais que depressa e com um sorriso nostálgico nos lábios, Elena se pós a ler o conteúdo da carta em suas mãos:

Elena,

É com lagrimas nos olhos que cumpro com o que me fez prometer em sua carta. Aqui estão as coisas que pediu que enviasse para casa de sua mãe, espero realmente que tenham chegado a salvo, pois sei o quão preciosas elas são pra você. Eu arrumei seu apartamento, e empacotei suas roupas e o restante das suas coisas, como me pediu. Dentro dessa caixa você também deve encontrar as chaves de seu apartamento, assim como a escritura.

Eu recebi seu ultimo e-mail, e sinceramente, eu sinto muitíssimo por não tê-lo respondido, mas eu não fui capaz. Sempre que tentava digitar alguma coisa, as palavras me fugiam e as lagrimas tomavam conta de mim. Agora mesmo, eu estou tentando não manchar com minhas lagrimas as palavras que escrevo com tanto esforço.

Sinto sua falta, amiga. Sei que Silas também sente, por mais que ele não demonstre, dá para ver naqueles olhos cor de canela a tristeza que ele sente por estar longe da mãe humana dele. Mas imagino que deva está sendo muito mais difícil para você do que para qualquer um de nós. Por mais que você não deixe explicito em seus e-mails, é palpável a angustia que você sente por ter que deixar Damon como você deixou. Queria ter o poder de opinar em suas decisões, assim como fiz durante todos os nossos anos de amizade, mas isso não é algo que eu possa interferir. Se for essa a sua vontade, que assim seja feita.

Bem, esse aqui é meu limite. Realmente espero que essa encomenda chegue rapidamente, acho que você está precisando urgentemente de algumas dessas coisas. Assim que receber me ligue, ou me mande um e-mail, ou mensagem. Estarei esperando.

Saudades,

Care.

Com o rosto banhado pelas lagrimas que saiam sem sua permissão, Elena dobrou a carta de Care e a colocou novamente no envelope, para logo depois guarda-la no criado mudo ao lado de sua cama. Mesmo com sua visão embaçadas pelas grossas lágrimas, Elena voltou seu olhar para a caixa sobre sua cama, analisando mais minuciosamente seu conteúdo. Lembranças iam e vinham enquanto seus olhos passavam pelas diversas pelúcias, algumas até amareladas pelo tempo, pelos livros com marcas de dedos na paginas graças às varias vezes em que foram lidos. Seus olhos passearam por todo o seu tesouro dentro daquela caixa, mas dentre eles, um lhe chamou atenção. Um sorriso melancólico e nostálgico surgia em seus lábios à medida que a ponta de seus dedos tocava levemente o relevo da parte lateral de uma das coisas mais preciosas de sua vida.

Sem pestanejar, Elena retirou lá de dentro o grosso e pesado álbum de capa dura, o qual vinha a acompanhando desde muito cedo, o couro desgastado que o envolvia e suas paginas já amareladas e frágeis eram a consequência disso. Com cuidado exacerbado, Elena o abriu, e se pós a fitar com nostalgia os detalhes das decorações da pagina, a foto colada a ela e a legenda logo abaixo. Todas as fotos que compunham aquele álbum eram as que ela julgava serem os momentos mais especiais de sua vida, e em consequência disso, aquela eram também as suas prediletas, mas a que Elena havia escolhido a dedo para ser a primeira foto de seu álbum era a que ela mais estimava.

Na foto, Elena e Damon, sentados no balcão da cozinha da antiga casa de Elena, em Mystic Falls. Aquele dia havia sido o aniversário de oito anos de Elena, e para comemorar sua mãe havia feito um bolo de chocolate com bastante calda, assim como Elena sempre gostou. Como resultado, lá estava Elena e Damon, com calda de chocolate por todo o rosto, e sorrindo como dois bocós. Ao mudar para a próxima pagina, Elena soltou uma gargalhada baixa em meio ao choro silencioso que a dominava. Damon, já um pouco mais velho, com seus quinze anos, fazia um bico em meio a uma careta, mandando beijo para a câmera, ou melhor, para a fotógrafa, ou seja, Elena.

A fotografia ao lado era dos tempos de faculdade, e diferente da maioria das fotos naquele álbum, Elena estava sozinha nesta. Aquela foto foi tirada por Damon enquanto ela não estava olhando. Seus cabelos longos estavam mais longos do que atualmente, e por isso Elena estava distraída o amarrando em um alto rabo de cavalo quando foi pega desprevenida. Elena não gostava tanto assim quando ela era a modelo, e chegou até a dar uma bronca com Damon por tê-la fotografado, no entanto ela havia gostado da foto, e então resolveu guarda-la. Logo abaixo, Damon havia escrito ‘Eu nunca vou deixar você saber o quão linda é pra mim, mas você NUNCA deveria corta o cabelo, pois eu simplesmente amo a maneira como ele cai sobre suas costas quando você o amarra desse jeito!’

Sem forças para lutar contra si mesma, Elena abraçou o álbum rente ao seu peito e deixou com que seu choro contido fluísse sem preocupação. A cada página, foto e legenda que se seguia, uma nova onda de pesar e nostalgia atingia o peito de Elena com toda força, fazendo-a afundar cada vez mais no martírio que aquelas memórias perfeitas e toda a sua existência haviam se tornado nos últimos dias.

Sete dias. Uma semana havia se passado desde que Elena o virá e falara com ele pela última. A sua última semana de vida havia simplesmente passado diante de seus olhos. E mesmo que ainda esteja com vida, aqueles haviam sido os momentos mais mórbidos de toda a vida de Elena. Ela havia deixado Damon para trás, e com ele, qualquer vontade e motivação que Elena pudesse ter para continuar viva. Damon era em essência a sua perseverança, e sempre que precisava de motivos para ser forte, era nele que ela se apoiava. Sem ele ao seu lado, cada dia que amanhecia, cada suspiro dado, cada batida involuntária, cada movimento de seu corpo se tornava doloroso demais, e cada vez mais desnecessário.

_ Elena? – pequenas batidas foram escutadas pelo quarto assim como a voz preocupada de Jeremy do outro lado da porta do quarto de Elena, fazendo com que a mesma buscasse recompor-se enquanto enxugava suas lágrimas afoita – Posso entrar?

_ Claro! Pode entrar!

Elena disse colocando o álbum sobre a cama e se dirigindo para o banheiro de seu quarto, a fim de jogar uma água no rosto para amenizar os efeitos do choro que a acometeu. Mas, ao se olhar no espelho, Elena pode ver que seu rosto estava mais inchado do que ela esperava, e aparentemente nem água gelada poderia disfarça-lo. Sem opção nenhuma, e já escutando o chamado de seu irmão do outro lado da porta do banheiro, Elena resolveu sair e enfrentar o olhar pesaroso de Jeremy sobre si. No entanto, assim que se virou para retornar ao seu quarto, Elena sentiu sua cabeça rodar e suas pernas perderem a força ao mesmo tempo em que uma dor lancinante lhe atingia o abdômen. E se não fosse pela mão que mantinha apoiado sobre a maçaneta da porta, Elena poderia ter facilmente caído no azulejo frio do banheiro.

_ Elena? Está tudo bem? – Jeremy perguntou preocupado enquanto batia na porta do banheiro.

_ Sim! Está tudo bem...

Elena engoliu a seco o temor que se instalou na boca de seu estômago, e voltou-se novamente para a pia do banheiro, se olhando no grande espelho que ocupava boa parte da parede a sua frente. Seu rosto havia empalidecido consideravelmente, e seus lábios estavam brancos. Gotículas de suor começavam a se acumular na testa e na palma da mão de Elena, enquanto ela respirava profundamente tentando se recuperar daquele mal estar. Nos últimos dias, esses episódios estavam ficando cada vez mais frequentes, e para não preocupar sua mãe e seu irmão, ela tentava ignora-los e controla-los o máximo possível, mas a dor e a fraqueza que a assolou, havia sido forte demais para apenas ignorar.

_ Elena? Você está passando mal? – Jeremy disse exaltado enquanto forçava a maçaneta para entrar no banheiro, sorte ou por acaso, Elena a havia trancado quando entrou – Elena! Abre essa porta!

_ Droga Jer! Eu já estou saindo! – Elena gritou, mais alto do que necessário, estressada pela insistência de Jeremy. Elena jogou uma água no rosto, secou em sua toalha, e abriu a porta abruptamente, dando de cara com Jeremy – Eu já disse que estou bem! Dá pra parar de pegar no pé?

_ Você é minha irmã, está com uma doença terminal e se nega a buscar tratamento... – Jeremy disse no mesmo tom e altura de Elena, mantendo as mãos no quadril e uma carranca nada agradável no rosto – Então eu tenho motivos suficientes pra me preocupar e pegar no seu pé!

_ Mas você não tem motivos para ficar agindo como meu pai! – Elena desviou de seu irmão, quase esbarrando seu ombro no braço que ele ainda mantinha no quadril, e adentrou em seu quarto, se sentando emburrada na beirada de sua cama – Eu já estava saindo, não custava esperar alguns instantes...

_ Desculpa Elena... – Jeremy deu alguns passos na direção de Elena e se sentou ao seu lado – Suas duas semanas já acabaram, e levaram minha tranquilidade com ela...

_ Eu já disse que não precisa ficar preocupado...

_ Mas eu estou preocupado... – Jeremy disse angustiado, se ajeitando na cama para ficar de frente para Elena – Não adianta você me falar que está tudo bem, eu não vou ficar menos agoniado ou preocupado...

Elena voltou-se para seu irmão, a fim de repreendê-lo por seu cuidado exacerbado, mas ao fitar seu irmão, não se atreveu a continuar. Os olhos castanhos de Jeremy estavam envoltos por manchas escuras e era visível que ele havia emagrecido alguns quilos durante esse tempo. O rosto jovem de Jeremy havia envelhecido mais em uma semana do que em toda sua vida. Elena engoliu a seco o bolo que se formou em sua garganta e abaixou seu olhar para o álbum aberto sobre sua cama. Automaticamente seus lábios se curvaram em um sorriso amarelo, e sua visão se tornava parcialmente embaçada, graças às lágrimas que queimavam em seus olhos. Jeremy seguiu seu olhar, e entendeu o por que do silencio de sua irmã sem que ela precisasse sequer explicar.

_ Vocês parecem contentes... – Jeremy disse observando Elena colocar o álbum em seu colo, e alisar com a ponta dos dedos uma foto, onde ela e Damon estavam abraçados e sorrindo em um dos muitos festivais ao ar livre que foram juntos.

_ Estávamos, foi um dia bastante divertido... – Elena se deliciava com aquela lembrança, mas aos poucos seu sorriso foi desaparecendo de seu rosto, dando lugar ao pesar que sentia. – Mas foi há muito tempo...

_ Talvez você devesse ligar para ele, Elena... – Jeremy murmurou com pesar, recebendo um sorriso sórdido e sem vida de sua irmã, mas ele continuou – Eu estou falando serio, Elena! Damon deve está tão sentido e triste quanto você! Vocês não conseguem viver sem o outro! Pelo amor de Deus! Liga pra ele e conta logo a verdade!

_ E do que adianta Jer? – Elena disse sofregamente em meio as lagrimas que corriam livremente por seu rosto – Agora já é tarde demais pra mim, meus dias se esgotaram. Eu não quero que ele me veja nessa situação, não quero que ele me veja morrer...

_ O que você vai fazer? Ficar agindo como se já estivesse morta? Pois é isso que você está fazendo! – Elena olhou confusa para seu irmão exaltado a sua frente – Não adianta me olhar desse jeito, você sabe que eu estou certo! Você precisa do Damon nem que seja pra viver dignamente o pouco tempo que ainda lhe resta, seja lá quanto for!

_ Você sabe que não posso pedir isso pra ele... – Elena deixou o álbum de volta na caixa e se colocou de pé, desviando seu olhar de Jeremy.

_ Não, você não me entendeu... – Jeremy se levantou e foi em direção a sua irmã, segurando suas mãos e a forçando a fita-lo – Presta atenção no que eu vou lhe perguntar. Se Damon estivesse amarrado a uma bomba, o que você faria?

_ Que tipo de pergunta é essa Jer? Me solta, por favor... – Elena tentava desviar das mãos de Jeremy, mas ele não permitiu.

_ Responde, Elena! – Jeremy disse incisivo.

_ O que você acha? – a voz de Elena saiu engasgada pelo choro preso em sua garganta. Jeremy não disse nada, apenas esperou por sua resposta – Eu daria um jeito de desarmar a bomba, ou sei lá, tiraria ela de algum jeito e a jogaria bem longe...

_ E se você não conseguisse?

_ Por favor, Jer! – As lagrimas de Elena desciam sem controle pelo rosto de Elena, mas Jeremy parecia ignorar sua suplica.

_ Responde!

_ Eu o abraçaria, e explodiria junto com ele! — Elena gritou alterada, seus olhos arregalados pelo susto de sua própria reação e pelo alivio que aquilo trazia ao seu peito. – Eu morreria com ele...

_ Então, se Damon estivesse na mesma situação em que você está agora, com uma doença incurável... – Jeremy sorriu gentilmente enquanto acariciava as mãos geladas de Elena – O que você faria?

Elena não respondeu, era óbvio que ela jamais sairia do lado de Damon se a situação fosse essa, mesmo se ele a pedisse para ir, ela não seria capaz. Jeremy soltou suas mãos das de Elena, e a envolveu com seus braços fortes em um aconchegante e carinho abraço de urso. Elena afundou sua cabeça no peito de Jer, sentindo o calor e a calmaria que emanavam de seu irmão a envolver, tranquilizando e iluminando sua alma.

_ Você sabe que Damon faria a mesma coisa por você, mas você não o deu a chance de fazê-lo. Nunca é tarde pra voltar atrás em nossas decisões, e você não vai se tornar menos forte por isso... Até por que você chegou até aqui, é a mais forte de todas... – Jeremy beijou o topo da cabeça de Elena antes de solta-la de seu abraço. Com um sorriso complacente, ele andou até a porta e a abriu, mas antes de sair, virou-se para Elena e disse – Mamãe me mandou vim te chamar para o jantar, mas acho que você tem uma coisa pra fazer, então vou pedir pra mamãe guardar seu prato no forno...

_ Obrigada, Jeremy...

_ Estou ao seu dispor... – Jeremy gesticulou com a cabeça, e sorriu amavelmente para Elena – Te amo, fica bem ok?

_ Também te amo...

Elena mantinha seus lábios curvado em um sorriso gentil e agradecido, enquanto via Jeremy sair e fechar a porta de seu quarto, a deixando sozinha novamente. Elena andou lentamente em direção ao seu criado mudo, e da primeira gaveta retirou seu aparelho celular, que vinha passado os últimos dias lá dentro, sem quase nunca sair. Seu dedo deslizou na tela touch, mostrando seu papel de parede, uma foto sua e de Damon como plano de fundo, o qual ela não teve coragem de mudar. Suas mãos suavam frio, e o aparelho parecia muito mais pesado do que realmente era, mas ainda assim, sem pensar muito no que dizer, ou em como ouvir, Elena apertou o numero de Damon na discagem rápida, e receosamente colocou o aparelho no ouvido. Não foram necessários muitos toques para que Damon atendesse, e Elena logo pode escutar a voz que tanto ansiava escutar soar pelo auto falante e agitar seu coração dolorido:

_ Lena? Lena, é você mesmo? – A voz de Damon soava um pouco corpulenta e embaraçada aos ouvidos de Elena. Ela queria responder a ele, mas o bolo em sua garganta impedia com que qualquer palavra fosse proferida – Por favor, eu espero não ter bebido demais... Espero que não tenha te ligado bêbado... Se liguei, me perdoa, não quis te pressionar... Meu Deus, eu liguei pra você e nem me lembro... Preciso para de beber...

Elena mordeu seu lábio inferior tentando impedir uma risada de se soltar, mas ela não pode impedir a lágrima que escorreu de seu olho, pelo jubilo que sentiu ao escutar a voz de Damon soar por seus ouvidos, e abrandasse sua alma.

– Lena, se estiver ai, por favor, me responda, eu não quero parecer um bêbado louco...

_ Sim... – Elena pigarreou, limpando sua voz antes de continuar – Sou eu, Damon...

_ Oh, Deus... Como é bom escutar a sua voz... – Damon disse exasperado, era possível seu sorriso a milhares de quilômetros – Eu sinto tanto sua falta, meu Deus, como eu sinto sua falta! Esses últimos dias tem sido insuportáveis sem você, eu não quero ficar longe, não quero mais brigar com você, por favor. Eu não suporto ficar longe de você, Lena... Eu faço tudo que você quiser, só me deixa ficar perto de você, eu prometo ficar quietinho...

Elena não pode impedir a risada curta que saiu por seus lábios, ao escutar mais uma das ironias de Damon. Somente Deus tinha ideia de quão grande era o buraco que a saudade havia cavado em seu peito, e também somente ele sabia o quão revigorante era escutar as palavras de Damon.

_ Lena? Ainda ta ai? Caiu? Droga! – Damon xingava perceptivelmente estressado e embriagado.

_ Ainda estou aqui...

_ Ah, ainda bem... – Damon suspirou aliviado. – Lena, eu preciso te ver... Me diz que eu posso ir até você...

_ Damon... – Elena queria dizer logo tudo que havia omitido de Damon durante todos esses dias, mas seu raciocínio falava mais alto, aquela não era uma boa hora, ele provavelmente estava tao bêbado que sequer lembraria. – Eu tenho uma coisa pra te dizer, mas você tem que está sóbrio pra escutar...

_ Mas eu estou sóbrio! – Damon dizia tentando disfarçar os efeitos do álcool em sua voz, mas em resposta aos pensamentos de Elena, ela pode escutar um pequeno soluço vindo do outro lado da linha — Pode falar...

_ Acho melhor esperar você se recuperar da bebedeira... Vai se melhor assim. – Elena sorriu para o telefone, como se Damon pudesse vê-la sorrir. – Onde você está?

_ Andando pelas ruas de Florença, e procurando o pensionato que venho vivido nos últimos dias, esperando por uma ligação sua... – A senhora Flores vai me matar por chegar nesse estado. É uma velhinha simpática, mas não é nada fofa quando estressada... Mas me fala, o que você queria me dizer?

_ Eu prometo lhe dizer amanha bem cedo... Mas pra isso você vai ter que ir para pensão da Sra. Flores, tomar um banho gelado e tomar um café bem forte, e ir dormir...

_ Tá, e depois...

_ Amanhã bem cedo eu te ligo e depois a gente conversa. – Elena deu de ombros.

_ Tudo bem então... – Damon soluçou novamente, fazendo Elena realmente suspeitar da capacidade de Damon em fazer o que ela o pediu – Mas você tem que prometer que vai ligar...

_ Eu prometo...

_ De dedinho? – Damon perguntou em um tom um pouco infantil fazendo Elena revirar os olhos sarcasticamente. – Vamos lá Elena, prometa!

_ Prometo, de dedinho... – Elena meneou a cabeça comicamente indignada com a situação de Damon – Eu vou desligar, a gente conversa amanhã...

_ Elena! Espera! – Damon gritou do outro lado da linha, fazendo Elena se assustar levemente. – Tem algo que eu quero te falar, e acho melhor te dizer nesse estado, por que tenho certeza que quando conversamos amanha, vou querer me fazer de durão, e ai vai ser demorar um pouquinho para que eu achar que você mereça escutar o que eu tenho pra te dizer, entendeu?

_ Aham, entendi... – Elena tentava inutilmente esconder seu sorriso, que a cada instante se tornava maior, chegando a tomar conta de seu rosto – Pode falar, estou escutando...

_ Eu só quero que você saiba, que tudo que eu fiz nessa vida foi pra te manter a salvo do meu lado. Pra mim, não importa que me insulte, que me deixe com raiva, que tente me afastar, ou que rejeite o meu amor, o importante é que nada que diga vai mudar o que eu sinto por você... – cada palavra de Damon era pausadamente proferida, como se ele desse uma ênfase exagerada a todas elas, mas ainda assim Elena escutava com atenção e lagrimas nos olhos – Eu vou te proteger Lena, eu vou te manter salva... Não se preocupe, ok? Eu estou aqui, um pouco alterado mas ainda assim aqui... Não importa, a situação eu vou sempre estar ao seu lado... Na tristeza e na alegria, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, lembra?

_ Não somos casados, Damon... – Elena ria em meio as lagrimas a quais ela tentava silenciar.

_ Eu sei, mas é só pra enfatizar! – Damon disse sarcasticamente embriagado, fazendo com que as lagrimas de Elena saíssem com mais abundância, e soluços escapassem por sua boca – Você está chorando?

_ Não... – Elena mentiu, mas graças aos soluços que teimavam assola-la, sua mentira não foi bem sucedida.

_ Não chore agora, Lena... – Damon soltou um gemido estranho do outro lado, como se estivesse chateado ou algo parecido – Deixa pra chorar quando eu estiver aí, junto de você, e puder te abraçar e enxugar suas lágrimas...

_ Tudo bem... – Elena secava inutilmente suas lagrimas, mas não conseguia deixar de sorrir pelas palavras de Damon. – Eu vou desligar agora...

_ Ok, não esquece o que você prometeu...

_ Não vou... — Elena disse rapidamente e desligou antes que suas lagrimas se tornassem incontroláveis.

Teria sido menos angustiante se tivesse dito logo a verdade para Damon, mas as circunstancias não eram as melhores. Não faria mal esperar por mais algumas horas, mesmo com seu prazo esgotado e a morte praticamente batendo em sua porta, Elena tinha certeza que viveria até lá, ela tinha motivos pra isso. Elena colocou seu celular sobre o criado mudo, enxugou o restante de suas lágrimas e voltou-se para a caixa a sua frente, fechando e colocando-a no lado de sua cama, deixando apenas o álbum sobre sua cama, ela tinha algo importante para acrescentar ao seu conjunto.

Ela se levantou, indo em direção a escrivaninha de mogno e pela primeira vez em muito tempo, ligou seu notebook. Havia algumas fotos da sua ultima viagem, que ficaram ótimas, e Elena queria guarda-las, por isso decidiu coloca-las para imprimir antes de ir jantar para depois cola-las no álbum. Elena se sentia estranhamente entusiasmada enquanto selecionava rapidamente as imagens no seu computador e as colocava para imprimir, e pela primeira vez, parecia haver uma luz no fim de um túnel aparentemente imerso na escuridão.

A primeira foto saiu da pequena impressora sobre a escrivaninha. Elena a pegou, e dirigiu-se novamente para sua cama, onde seu álbum estava. Ela o abriu em uma de suas poucas páginas em branco, e com a ajuda de uma cola bastão, colou uma foto sua ao lado de Damon em sua segunda noite em Amsterdã, já que a primeira eles mal conseguiam se lembrar, e as poucas e borradas fotos eram as únicas evidencias consistente daquela noite. Depois de pressionar um pouco os cantos para que colasse bem, Elena pegou uma caneta e depois de pensar um pouco, sabia exatamente o que escrever. ‘ Sempre que você está por perto eu me sinto mais viva do que nunca’.

Com um sorriso contido nos lábios, Elena se levantou, guardando a caneta em seu devido lugar e desligando a tela de seu laptop para que ele continuasse a imprimir as fotos enquanto ia jantar. No entanto, no caminho até a porta de seu quarto, Elena sentiu uma pontada em sua cabeça a acometer de forma abrupta, ao mesmo tempo em que sentia suas pernas cederem a gravidade, a fazendo cair de joelhos no chão de madeira de seu quarto.

Seu coração batia desesperadamente em suas costelas, e suas mãos suavam frio, Elena não podia evitar o temor que subia por sua espinha sempre que esses passamentos a assolavam, mas ainda assim ela procurava manter sua respiração controlada, para que ela pudesse se recuperar rapidamente desse mal-estar, assim como muitas vezes antes. Se sentindo um pouco mais de firmeza no corpo, Elena resolveu se levantar do chão, mas ao apoiar seu corpo sobre os braços e forçar para se colocar de pé, uma pontada fortíssima a atingiu o abdômen, como um soco em seu estômago, sendo seguida por uma mais forte, que a fez cair novamente no chão.

Ao longe ela conseguia escutar o toque irritante de seu celular soar pelo quarto, mas a cada pontada que a atingia, mas sua consciência ia se perdendo, e nada mais pode ser visto ou escutado. Em uma tentativa falha de ser socorrida, Elena chamou por seu salvador mais uma vez naquela noite: ‘Damon...’. No entanto, sua voz não conseguiu se fazer audível o suficiente, e sozinha deitada no chão de tacos de seu quarto, Elena mergulhou na escuridão de sua inconsequência.

Notas finais
E ai? O que acharam? Eu sei que vcs querem me matar pela demora, mas tive um bloqueiozinho, novamente, como sempre! Foi bem dificil escreve esse capitulo, em algumas partes eu tive que me colocar no papel de Elena e chorar junto com ela, foi realmente emocionante... Bom, eu tinha separado umas fotos delenas pra colocar no cap, mas acabei nao colocando tudo... Entao, caso o link das fotos nao funcione, aqui vai.: *http://images5.fanpop.com/image/photos/30500000/Ian-Nina-ian-somerhalder-and-nina-dobrev-30517409-1587-1973.jpg (foto1) * http://images4.fanpop.com/image/photos/18100000/Ian-Nina-ian-somerhalder-and-nina-dobrev-18171030-500-341.jpg ( Foto2) *http://www.chicfactorgazette.com/wp-content/uploads/2013/01/ian-and-nina-chic-factor3.jpg (Bonus) ______________________________ Bem, me digam o que acharam tá do capitulo, estarei aguardando seus reviews de morte e ameças ok? kkkkkkk E ai? quem assistir o primeiro episodio da sexta temporada? Eu tinha prometido a mim mesma que nao assistiria antes de postar esse cap, mas nao consegui me segurar... Eu precisava saber!!!! DDD: Comentario pra você que assistiu o episodio e leu Quase sem querer: O Damon nos ultimos instantes do episodio de tvd, me fez lembrar o Damon de QSQ, aquela camisa xadrez... tao lindo! *_* juro pra voces que eu achei que fosse outra duplicata, tava pra jogar o tablet na parede! kkkk Bom, acho que é só isso, proximo capitulo deve sair terça ou quarta, ok, dessa vez vai ser rapido! como tirar band aid! Tchau, beijos e abraços! :****