Identity Crisis

37 C36. Hands on the Wall


A amiga de infância de Dio queria conhecê-lo. Esse era o motivo pelo qual ele tinha trazido uma garota para o momento sagrado entre seus amigos? Sieghart quis passar a mão delicadamente sobre a face do parceiro e ver se dava um belo de um beliscão, mas se impediu de fazê-lo. Não quando a culpa era toda sua por não ter explicado direito como as coisas funcionavam ali.

— Escuta, eu só não vou poder ficar muito tempo. — ela rapidamente adicionou, apontando para o colega italiano. Se ela era perspicaz para ler suas intenções, não deu a parecer. — Tenho uma reunião com o agente da família ainda hoje e depois vou ver o papi.

Dio ignorou a fala, começando a despir-se do blazer úmido, revelando a mancha transparente em sua camisa interior de algodão. Sieghart tentou dividir sua atenção igualmente na forma em que o peito do rapaz se apresentava tão à mostra e a sorrir para a recém-chegada.

— Sem problema, Srta. Rey.

Nisso, para a sorte do jovem Sieghart, o herdeiro da mansão o chamou para corrigir qualquer que fosse o problema do carvão e ele teve que dar um último olhar para a face irritantemente alheia do italiano.

Dio ainda conseguiu ouví-los.

— Você jogou alguma coisa aqui? — o Sieghart reclamou, mexendo em alguma coisa, com fumaça saindo em sua cara.

Lupus deu de ombros, mostrando uma garrafa sem rótulo para ele, sem cor. Sieghart tirou-lhe das mãos com violência.

— Seu idiota, essa é a de água! A outra ali que é álcool! Agora vai demorar mais...

E ele distraiu-se depois disso, dando sua atenção para o fogo e a carne, deixando os dois para uma conversa casual com o pessoal sentado na mesa de praia.

— Dio, meu chapa. — Ryan começou, levantando a garrafa mágica. — Essa aqui é nossas boas vindas pela sua primeira visita. Não ouse recusar.

— E que raios é isso? — indagou, torcendo o nariz imediatamente para a peça intimidadora. Rey também se encolheu na cadeira. — Que monstruosidade é essa?

Os outros riram maldosamente, começando a contar a história de como a garrafa lendária tinha ido parar no bar de Regis Wilde. A história era contada quase como um ritual assim que um novo membro do grupo era integrado.

Enquanto isso, Sieghart fazia suas tarefas bem focado, curtindo como a faca deslizava prazerosamente em cada peça e ele separava perfeitamente as porções adequadas para seus amigos. Ele se perguntou um momento se Dio gostava de comer um bom churrasco e levantou os olhos. Viu-os animados conversando sobre a bendita bebida, que aliás, o tinha deixado bem feliz. A sorte foi o jogo embaixo do sol tê-lo feito suar aquele álcool.

Pensou em chamá-los, mas não o fez. Seu olhar pairou sobre ele, vestido daquele jeito e sentado confortavelmente, parecendo finalmente à vontade com Lupus e os outros. Ele suspirou, sentindo-se relaxado. Até que a garota virou o rosto, olhando-o sobre o ombro e tirando-lhe um pouco da paz.

Ela sorriu, um sorriso largo e espivetado, como uma criança, e veio em sua direção, o celular em mãos.

— Você tem uma habilidade e tanto. — ela comentou, casual, apoiando-se sobre o balcão e vendo-o trabalhar. Os lábios, doces, começaram a tomar de uma lata de energético.

— Não tanto quanto parece. — ele sorriu com o elogio, sabendo que ela queria jogar papo fora. — Mas é divertido.

Ela inclinou-se levemente e, no movimento, Sieghart – sempre com bons olhos – não deixou de ver em milésimo de segundo como os seios protuberantes deitaram sob o tecido, permitindo-o ver sua quase completa forma. Ela era provocante, sensual... Parecia Dio em vários aspectos. Não seria nada estranho se os dois já tivessem se pegado. Aquele pensamento, rapidamente, o fez imaginar cenas. Ele não soube se aquilo foi interessante, mas o gosto que deixou depois, foi péssimo.

— Sabe, eu insisti muito para ele me trazer aqui. — ela continuou, dessa vez tornando seus olhos para o corpo do moreno, claramente o analisando, do peito até a virilha. Ele não se deixou abalar, mas por dentro, algo se remexeu com tamanho atrevimento.

— E qual era o motivo da sua insistência? — ele perguntou, tentando ser o mais pacífico possível, utilizando suas mãos o máximo possível para se distrair.

Ela bateu os dedos na própria bochecha com preguiça.

— Bem, é mais por que o Dio é um molenga, sabe. Se fosse um ficante qualquer, beleza, já estou acostumada com isso, mas não posso ficar tranquila vendo ele gostar de alguém sério. Ele é um chorão dos piores.

Sieghart parou o que fazia, a fitando incrédulo. Não soube se foi a vergonha de ouvir que Dio gostava realmente dele por uma amiga íntima ou se foi ouvir que o cara na verdade era diferente do que se mostrava.

Ele soltou um risinho de canto, enrubescendo um pouco. Então ele continuou o que fazia, sentindo-se um pouco menos desconfiado.

— Essa é nova pra mim. — comentou, virando-se para o fogo e começando a tirar a primeira peça, que cheirava como o céu.

Rey inspirou o ar com força.

— Uau... — ela indagou, observando com olhos gordos como ele manuseava uma faca extremamente afiada e cortava a carne com uma precisão belíssima.

Ele levantou a tábua para o balcão.

— Se serve. — convidou-a.

Ela foi com as pontas dos dedos e mastigou, parecendo muito com uma moleca. Ela fechou os olhos e fez um som satisfeitíssimo.

— Uau. Caralho. — ela disse, parando um pouco e depois começando a rir do próprio palavreado. Sieghart riu dela mais ainda, sem perceber como atraiu a atenção do grupo inteiro na mesa.

Ambos se entreteram ali com os primeiros pedaços.

— Prefere assim ou precisa assar mais?

— Pára. Acho que nunca comi uma carne tão suculenta assim... — ela dizia, apoiada no balcão e já engolindo o terceiro pedaço com a face ruborizada de prazer. — Você está escutando isso da filha de uma família muito carnívora.

Ele riu de novo, separando a nova peça para começar a servir os amigos.

— Isso quer dizer que o Dio prefere carne também?

— Hm, hm... — ela mastigou e engoliu. — Não, aquele ali é meio que uma ovelha negra. Ele curte umas coisas vegetarianas. Ah, não que não coma carne, tá?

Sieghart sorriu, deixando seus pensamentos intrusivos quietos, apesar de sentir o leve ciúme por não saber coisas simples como essa sobre o italiano. E a menina o leu com perfeição.

— Hahah, olha só, você realmente liga para ele né?

Sieghart fez um bico e fingiu ignorá-la, rapidamente recorrendo ao óculos escuros. Ainda assim, ele disse, estendendo o recipiente.

— Sim, eu ligo. Leva para eles.

Ela fitou-o surpresa pela resposta honesta, mas mais por conta de ele já estar dando ordem sem conhecê-la.

Hnf. Não é à toa que ele gosta de você... Muito mandão.

Não foi a intenção, mas a lembrança das coisas ditas durante a aventura na boate moveram seu estômago. A garota sabia demais.

— E me traga uma cerveja.

Ela girou os olhos e o abandonou, rebolando até os meninos, sentando-se com eles para jogar cartas. Em vez dela, veio o namorado, que trouxe a garrafa.

Diferente da amiga, ele pretendia dar a volta pelo balcão e ficar junto com o moreno. Porém, observando as costas do moreno, percebeu como estava distraído com o controle do fogo e conferindo tudo. Dava para ver como ele era organizado e perfeccionista em tudo. Assim, ele esperou pelo menos até o moreno se virar naquela direção.

Sieghart arqueou as sobrancelhas ao vê-lo e instantaneamente sentiu-se nervoso. Aliás, porque tanto nervosismo depois de tudo o que fizeram? Seus lábios apertaram, esperando o mais alto achegar, abrindo o vasilhame com as mãos e tomando um gole. Os olhos escuros firmes nos seus enquanto a garrafa suava e descia por seu antebraço. Sieghart tirou os óculos, sentindo que precisava vê-lo diretamente.

— Não vai me dar oi direito? — o italiano sorriu, tirando os lábios da garrafa e se aproximando do moreno por centímetros. Seu corpo inclinando, tão naturalmente.

Sieghart ficou imóvel, não esperando a forma como o mais novo ajeitou-se sobre ele, a mão esquerda envolvendo a sua e seus lábios vindo tocar sua bochecha levemente, carinhosamente e meio geladinho. Se não bastasse o calor sobre a cabeça, o sentimento quente que o tomou foi tanto que ele segurou aquela mão, retribuindo a carícia com o polegar, sinalizando para ele ficar, enquanto fechava os olhos.

— Oi...

Dio terminou o toque e fitou aquele rosto, as maçãs vermelhas e o cabelo úmido grudando no pescoço, os olhos doces abrindo para ele. Ele sentia tudo ficar rosa e flutuante.

— Oi...

Suas mãos lutaram para afastar e Dio não resistiu em mexer em sua franja, fazendo o namorado ficar inquieto. Sieghart olhou por sobre o ombro dele, vendo os olhares levemente curiosos dos amigos, mesmo eles tentando ser discretos. Aquela conversa baixa não enganava ninguém. Aquele bando de comadres fofoqueiras.

— Toma um pouco. — Dio o chamou, encostando a boca da garrafa em seus lábios e se divertindo ao vê-lo se eriçando todo com aquela demonstração de afeto. Sieghart tomou a garrafa por conta própria e tentou focar no que fazia.

Dio se encostou ali, observando-o fazer a tarefa que tinha se disposto, achando-o extremamente fofo. O aroma no ar o envolvia, fazendo-o gradualmente relaxar. Inicialmente, tinha vindo porque tinhasuas suspeitas sobre a conversa de Rey, já que ela era uma desbocada. Mas aparentemente o moreno estava de ótimo humor e não demonstrava irritação por tê-lo deixado na madrugada. Sinceramente, Dio o viu com Rey agindo tão amiguinhos e por isso se repreendeu por não ser ele o primeiro ali. Então decidiu fazer o que estava com vontade realmente, que era simplesmente estar com ele, beijar ele, brincar com ele. Conversar com ele.

Entediado, sabendo que não era boa ideia ficá-lo provocando enquanto mexia com fogo, se ofereceu para ajudar ao invés.

— Se você souber usar uma faca, pode cuidar dessa aqui. — o moreno disse, trazendo a próxima peça para o balcão de apoio.

Dio lhe deu um olhar como se dissesse“Está brincando comigo?”


XXX


Do primeiro andar era possível ouvir as vozes no fundo, porém, o albino não se incomodava nenhum pouco agora, não após aquele momento marcante de mais cedo. Talvez num futuro próximo ele seria apresentado para todos os amigos de Lupus e eles não precisariam de nenhuma formalidade mais. Eles poderiam ambos aparecer em público juntos. Ambos poderiam passar um pelo outro pelos corredores do colégio e acenarem um para o outro como irmãos normais.

Algo amargo, no entanto, empoçava em sua garganta toda vez que pensava nisso. Uma sensação de insuficiência.

Eles falariam sobre o que aconteceu no colégio logo, sabia disso. Aí, como eles iriam encarar um problema tão grave como aquele, considerando como Lupus era tão reservado?

E se o irmão dissesse que aquilo foi só para aliviá-lo e que não sentiu nada? Mesmo quando Lass tinha visto Lupus claramente respondendo interessado.

Honestamente, ele sabia que poderia ter se segurado. Mas ele foi, ele se esfregou naquele calor, não conseguindo resistir aos seus impulsos. Deveria haver ao menos um traço de repulsa naquilo tudo, ele sabia. Mas não houve absolutamente nada repulsivo. Nada além da sensação de completude ao obter algo que sempre quis do mais velho. Ele se encontrava agora no limite, na real compreensão de seus sentimentos por Lupus.

O lápis, todo mordido, soltava o gosto amargo de madeira.

Lass apertou os olhos, cedendo aos desejos. Ali da sala de estudos havia uma visão relativamente boa para o gramado onde os rapazes às vezes saíam para uma partida de bola. Ele não gostava. Se saísse naquele sol ele queimava inteiro e ficava dolorido por uma semana.

Não houve tempo para pensar muito mais quando seu telefone vibrava forte e interrompia seus pensamentos apenas para afundá-lo novamente em um balde de ansiedade. Ele atendeu o mais animado quanto possível.

— Oi pai!

O albino se sentou confortavelmente em frente à janela, tentando distrair-se com a visão dos rapazes fazendo churrasco e rindo com alguma coisa. Regis, como sempre, era um pai muito atencioso, quando podia claro. Lass apenas só sentia que nos últimos tempos estava ficando cada vez mais difícil sequer sentarem-se juntos para uma partida de xadrez ou algo assim. Ele estava tão ocupado com o trabalho que não pisava por uma semana em casa, desde o início do ano.

— E está tudo bem, filho? Eu queria dar uma checada com você antes de voltar semana que vem. — o homem indagou, fazendo algum som de eco ao fundo.

A voz o amaciava, como sempre, e a saudade apertou um pouco mais.

— Uhum... Só com saudade.

A risada do Sr. Wilde foi contagiante do outro lado.

— Eu também sinto falta, filhote. — ele se interrompeu para falar algo com alguém ao fundo.

— O que está fazendo agora? — Lass indagou, sentindo-se mais curioso.

— Estou com um colega da construção. O projeto do hotel finalmente está caminhando, sabe? Logo mais vocês vão ter uma segunda casa.

O albino coçou a bochecha, meio que animado com a ideia de viajar e se envolver com o universo do pai.

— Parece muito bom.

— Você nem imagina, Lass, vai ser um sucesso. Bem, quero saber do meu filho. Você está comendo e indo para a escola direito? Seu irmão está cuidando de você? Por que eu juro que vou pegar o Lupus de jeito se ele não tiver cumprido a promessa.

Uma sensação estranha tomou seu peito ouvindo isso. Ele tinha combinado com Lupus sobre o que dizer ao pai... mas ele não estava realmente querendo saber sobre os detalhes. O garoto não soube se isso foi algo bom ou ruim, mas naquele momento, sinceramente, não estava certo se tinha coragem de mentir.

— Pai, está tudo bem. Eu estou indo para a escola, vendo meus amigos, normal. Minhas notas estão normais e eu consigo prestar melhor atenção na aula. Acho que a nova dieta está me ajudando muito.

— Hm, sério mesmo?

— Sim, está tudo bem.

— Perfeito. E o Lupus? Vou ligar pra ele amanhã também, já que ele pediu para não incomodar hoje... ele disse que tinha um compromisso.

Lass arqueou a sobrancelha. Provavelmente Lupus não quis dizer que tinha trazido amigos para casa. Uma vez, o pai tinha pegado ele e Sieghart tentando abrir as garrafas de sua coleção especial de uísque e o sermão que levaram não foi brincadeira.

— Nós estamos tomando café juntos e ele me leva para a escola mais. Ele me ajuda quando preciso.

Não era totalmente mentira.

— Por que eu ainda me sinto insatisfeito...? — Regis indagou, mas soltou um suspiro. — Aquele garoto é tão teimoso. Igualzinho a-... Bem, Lass, você sabe que pode ligar pro seu velho por conta própria também né?

Lass apertou o lábio, sabendo o que o homem queria dizer, mas não o fez. O problema era que ele não via a situação da mesma forma. Para ele, Lupus era na verdade muito parecido com Regis. A memória era pouca, mas conseguia lembrar de como o pequeno e agitado Lupus foi mudando quando criança. Como sua mãe instável o aterrorizava e, inevitavelmente, o fez se tornar uma cópia daquele comportamento lunático e realizar tal mudança de personalidade que o menino entrava em crise junto dela em seus episódios.

— Eu já sou crescido tá? Não espere muitas ligações minha. — Lass riu, brincando com ele.

— O que é isso?! Você está na fase rebelde, Lass?!

A conversa não demorou muito mais, sendo o suficiente para o albino por todos os assuntos da escola e de seus amigos em dia. Seus olhos seguiam pelo vidro os corpos se movendo. Viu a menina desconhecida seguindo para a saída com Lupus.

Enquanto pensava onde se encontrava o irmão, o som da porta se abrindo o fez levar um susto, quase derrubando os materiais empilhados na mesa de estudos.

— Meu Deus... — ele murmurou, sentindo o coração acalmar após segurar os livros.

— Opa, desculpa interromper...

A voz inconfundível do jardineiro da escola invadiu o local.

— Lass? — Ryan indagou, alargando o sorriso e já entrando, não deixando a expressão de confusão por um momento.

O corpo do garoto reagiu quase que automaticamente à aproximação. O mais velho estava sem camisa, só de bermuda. Claro, ele sabia que Ryan estava lá, mas vê-lo assim perto... E agora ele também tinha que lidar com explicações.

— R-Ryan... — ele murmurou, deixando os livros e rapidamente se pondo frente à mesa.

O rapaz franziu a testa como se indagando o que estava acontecendo ali. O Woodguard, perceptivo como sempre, não deixou de notar a postura defensiva do mais baixo e como Lass desviava o olhar, o rosto corado. Ryan compreendia o porquê de ele ser tão tímido, com aquela face delicada devia atrair muitos olhares.

— E aí, tudo bem? Nos vimos da última vez na escola. Como você está? — perguntou em um tom animado, tentando afastar a estranheza do momento.

Lass levantou os olhos azuis, ainda incerto, apertando o maxilar levemente.

— Bem... E-E você?

Ryan riu, se achegando mais e batendo em seu ombro tranquilamente, fazendo o albino se perguntar como ele conseguia ser assim. O maior sempre era tão naturalmente empático, conseguia fazê-lo relaxar com a forma que se postava.

— Se você está aqui dentro e me viu, por que não foi me cumprimentar, hein?

Lass balançou a cabeça.

— Não queria incomodar... Eu também queria passar o dia estudando para as minhas provas. Não podia me distrair.

— AH, desculpa. Eu tô atrapalhando então. — Ryan soltou-o, sentindo que talvez fosse melhor deixar o garoto sozinho, embora dentro de si ainda houvesse uma parte querendo ficar.

A verdade era que desde que conheceu o menino, pensava muito nele. Também achava que na úlima conversa tinha falado além da conta, além de ter podido ser mais sincero. Ryan vivia fazendo o máximo possível para falar a coisa certa para os outros, principalmente no meio da elite em que socializava. No entanto, ele era apenas um cara comum. Ele tinha muito cedo aprendido a guardar suas opiniões e fingir ser um tolo sorridente. Por isso tinha agido daquela forma com o garoto.

“Lass é só um garoto introvertido e tímido. Eu devia ter me aberto um pouco mais.” Pensou o alaranjado, decidindo se saía ou não.

Lass pareceu pensar, mas rapidamente levantou um livro.

— Você não está atrapalhando, Ryan! P-Pode... ah, me ajudar com a tarefa!

Instantaneamente ele parou e percebeu o quão irracional era seu pedido, visto que o amigo estava na casa pra se divertir. Ryan o encarava, assimilando a situação.

— Ah... quer dizer...

Ryan soltou uma longa risada ao se tocar do que realmente estava acontecendo. A face do albino virou um tomate com sua reação, mas não disse nada, esperando ele terminar.

— Eu ajudo, Lass! Com que matéria você quer ajuda?

O albino olhou o livro, no qual estava escrito “Estudos Sociais” e rapidamente trocou pelo de Ciências.

— Entendi, a minha especialidade. — Ryan riu e se juntou ao mais baixo na mesa.

O menor sentiu a diferença entre eles assim que o veterano puxou uma cadeira e se ajeitou, olhos estudando o local. Ryan era bem mais alto, corpo largo, quente e moreno do sol. Ele tinha olhos verdes escuros e intensos e o cabelo brilhante estava mais comportado. Ryan devia ter passado pela piscina mais cedo.

Embora ele devesse se concentrar, era impossível com a temperatura quente exalando diretamente da construção máscula quase grudada à sua.

— Você... Você não quer pôr uma camisa antes?

— Hã?

Ryan o fitou como se ele estivesse falando grego por um momento, mas logo ele percebeu. O sorriso cheio de significados que ele deu fez Lass virar o rosto para frente, tão envergonhado que ele se sentiu mal.

— Ei, relaxa. Vai ser rapidinho. Me diz qual é a dificuldade.

Mentalmente, Ryan achou graça de como a atitude do garoto era tão fofa.

O menino folheou rápido, entregando a atividade, sem olhá-lo em nenhum momento. Considerando que ele teve seu despertar recentemente, estava sendo muito difícil não levar seus pensamentos sobre Ryan a um nível ainda maior. Sim... O que tinha feito com Lupus não lhe saía da cabeça. Mas então, quais eram seus verdadeiros sentimentos quando ele sentia atração pelo Woodguard também?

— Você pode me explicar um pouco melhor essa parte...?

O mais velho então permitiu doar seu tempo para ele, mesmo sabendo que o garoto não precisava realmente de ajuda com nada.


XXX


Jin estava já revirando os olhos na cadeira porque sua ressaca apenas piorava. A comida, obviamente, estava uma delícia, mas ele não tinha um estômago tão forte para álcool.

— Ele vai desmaiar se continuar assim... — Lupus comentou com Zero e Ryan, sentados perto dele, e se pôs a pensar no que fazer com o ex-monge problemático.

Os outros se serviam e até que estavam bebendo moderadamente, mas por dentro estavam todos bambos da noite passada.

— Banheiro e descanso de novo. – murmurou Zero pela primeira vez no dia.

— Ótimo conselho, meu amigo. —Lupus lhe agradeceu animado e chegou perto do garoto ruivo, acenando na frente de seus olhos. — Jin? Alô, Jin?

O garoto tirou os óculos amarelos e o fitou com olhar caído, respondendo em voz grogue:

— Eu não vou tomar mais dose nenhuma, cara.

O resto da galera, que apenas assistia a cena, desandou a rir. Ryan, que estava mais perto, segurou seu ombro chamando atenção.

— Relaxa, amigo. Vamos, vou te levar no banheiro e te levar para o quarto de novo, okay?

Pelo menos, ele uma das melhores opções ali. Caso quem tivesse oferecido fosse outro além de Zero e Ryan, o rapaz desconfiaria de que tinham um plano de zoá-lo.

— Olha que filho da mãe... Eu não sou tão cruel assim. — Sieghart reclamou, notando aquele olhar de pura desconfiança voltado para eles.

A única resposta recebida foi um virar de olhos, porém, ele obedientemente seguiu Ryan mansão adentro. Logo depois, Zero pegou uma água e um copo de um drink de limão docinho, que estava bebendo há tempos, e foi atrás.

Aparentemente aproveitando a deixa a presença feminina do grupo finalmente se ergueu, avisando que estava em seu horário e devia voltar para casa e seus afazeres.

— Nenhum momento de descanso naquele prédio, né? — Dio indagou, meio que contente por ela finalmente largar de seu pé. E, parecendo ler seus pensamentos, ela o encarou inquisidora.

— É verdade, mas eu tenho meu lazer bem definido, ainda bem. — ela respondeu meio ácida e abaixou-se para ele, apertando sua bochecha de um jeito muito estúpido.

Com aquilo, Dio não resistiu e soltou um xingamento que ela respondeu com um dedo do meio enorme e de unha longa, brilhante e púrpura. Aquela interação tirou um riso maldoso do namorado, achando bem merecido para alguém como Dio, que só incomodava os outros.

— Eu te acompanho. — Lupus suspirou e foi levando de volta a garota. Os dois pareceram se dar super bem durante aquela conversa toda.

E por fim, o casal ficou a sós.

Assim que todos desapareceram de vista, o moreno estava relaxando em sua cadeira, desfrutando daquela sensação praiana, de descanso, e tranquilidade. Ele tinha preparado no meio tempo o coquetel que tinha aprendido de limão e céus, parecia que ele estava nos trópicos.

— Conseguiu dormir bem sem mim? — Dio indagou, deslizando os dedos para o drink em sua boca, roubando-o. Ele trouxe o vidro para si mesmo, copo muito gelado, trincando no ar. E seu olhar de soslaio observou como os olhos prata do moreno brilhavam para si. Aquele olhar que ele não resistia.

— Uhm. Eu consigo dormir bem, independente, Fiammeggianti.

O italiano piscou, ainda desacostumado quando o rapaz ainda o chamava assim. Mas ele gostava, principalmente quando o moreno claramente fazia isso para discutir. Era a deixa perfeita para ele começar uma de suas provocações e irritá-lo a ponto de ele perder a linha.

— Tenho minhas dúvidas... — respondeu, baixo, se inclinando. As costas de seus dedos gelados acariciaram perto da orelha esquerda, sentindo os pequenos fios. E o Sieghart encolheu o pescoço apenas um pouco, fechando os olhos pelo choque térmico, mas logo o olhou de volta.

— Eu acho que você está carente desde ontem a noite. — murmurou o moreno, fitando os lábios tão perto dos seus e continuou. — Mas é melhor você segurar essa vontade por aqui.

Sinceramente, ouvir um não nesse momento para o italiano era como oferecer um sorvete para uma criança apenas para negar depois. Era injusto depois de toda a dedicação que tivera com ele. As cenas da noite passada não saíam de sua cabeça, mesmo quando tinha ido embora, se encontrado com o grupo de seu pai e resolvido os assuntos pendentes.

Porém, antes que o estrangeiro tivesse qualquer chance de continuar, Sieghart roubou de volta a bebida e se aproximou, tão ligeiro, e terminou o encontro de seus lábios. Dio ouviu a batida de seu coração acelerando naquele imediato instante, seus olhos arrregalados fecharam tão rápido tão logo a boca macia e gelada do mais baixo tocou a sua, num selinho casto e demorado. Sieghart quis se afastar, e Dio queria ficar só mais um pouco. Os dedos da mão esquerda buscaram a face do moreno e eles se separaram apenas para trocar outro, mais demorado e com mais movimento, levemente molhado.

O mais alto respirou num golpe de satisfação, sentindo o lábio carnudo no seu, esfregando-se contra ele, acariciando-o com os seus próprios, causando uma explosão de um sentimento intenso, que não era apenas excitação, mas um prazer singular.

Os dedos do mais novo não se contentaram com a face e deslizaram pelos fios negros, acariciando atrás da orelha, o pescoço, a nuca, mantendo-o perto para aquela troca.

Os dois pararam juntos, se olhando meio enuviados. Sieghart viu, pela primeira vez, como o rosto de Dio mostrava uma expressão vulnerável, afetada e um leve rubor. Ele claramente tinha amado aquilo... Sieghart também. A poça em seu estômago cada vez mais funda. O mais velho olhou rapidamente para qualquer outro ponto, tentando acalmar suas emoções.

— Por que você... — Sieghart indagou, sentindo tudo um pouco demais. — ... é só um beijo, por que você faz parecer tão pervertido?

O outro quis rir com o comentário tão honesto e pela cara indignada do companheiro. Apesar de tudo, Sieghart tinha um comportamento bastante comportado e inocente que ele achava completamente divertido. Além disso, seu corpo não acompanhava seu pensamento muito bem quando se tratava dele.

Com isso, Dio estendeu novamente o copo longo e já pela metade.

— Por que estar aqui, nessa vibe... não é meio romântico?

Sieghart encostou-se ombro com ombro com Dio no sofá branco, sentindo que precisava se apoiar e voltou a beber para se distrair.

— Romântico, não pervertido.

Dio riu divertidamente, longo e gostoso. Ele parecia tão livre e confortável. Sieghart se sentia quente, mas não tanto quanto depois de o italiano continuar a falar.

— É que eu me sinto assim toda vez que estou com você.

Depois houve um breve silêncio, confortável, e tocante. O moreno fechou os olhos, deitando o rosto no ombro do mais alto, sentindo-se, em um aspecto, completo. Mais ainda, sentindo-se livre.

O contato de corpos fazia a pele eriçar. Dio deixou o moreno deslizar a mão discretamente e acariciar a sua, para que eles entrelaçassem os dedos.

Ficaram assim um tempo, só observando a paisagem privilegiada dos Wilde, às vezes descansando os olhos e curtindo aquele momento, aquele céu aberto e tão raro.

— Eu também. — Sieghart respondeu.

O sorrisinho de Dio apareceu discretamente e ele continuou sua carícia levemente sob os dedos longos.

— Quer espantar a preguiça jogando um pouco comigo?

Uma pausa seguiu e o moreno abriu os olhos, sorrindo de ponta a ponta.

— Vamos ter uma revanche então?

O italiano se levantou num movimento rápido, puxando o moreno junto consigo. Sieghart riu e alcançou a bebida lendária com a ponta dos dedos.

— Mas a gente vai beber um desse para jogar e quem perder toma mais um.

Dio fez uma careta para a carcaça do bicho.

— Acho que não, querido...

Sieghart ficou vermelho, mas resolveu ignorar o nome novo e tentou insistir. Assim que estendeu a garrafa mais uma vez tentando assustar o mais novo com a embalagem de vidro, seu celular vibrou intensamente, indicando uma ligação. Dio ficou em silêncio alguns segundos, ainda sorrindo dos últimos segundos enquanto o moreno rapidamente conferia quem poderia ser. Provavelmente sua mãe, mas sua face não deu nenhum indício de quem era. Ele deu de ombros e desligou a chamada.

— Quem era? — o italiano perguntou curioso. Com certeza não era o pai do moreno... as expressões faciais não mentiriam.

— Ah, não era importante. — o moreno deu de ombros de novo e voltou de novo para o italiano. — Não pensa que eu esqueci, hein? Você não fica alterado nunca, Dio. Hora de eu ver como você fica quando é um perdedor. — ele adicionou com veneno e muita animação.

O maior virou os olhos, rindo.

— Não tem nada de interessante em me ver alterado... é normal.

O moreno casualmente encheu um copo, arrancou a camisa e empurrou os cabelos pra trás. Claro, não tinha sido sua intenção, mas Dio tinha os olhos fixos em seu corpo, automaticamente hipnotizado. É... ele não queria ficar bêbado agora.

— Sr. Perfeitinho. — Sieghart provocou, oferecendo a dose moderada. — Eu perdi pro Jin antes porque subestimei eles, mas isso não vai mais acontecer.

Dio zombou dele um pouco mais, tentando distraí-lo, mas no fim ele estava interessado em ir pra grama com o namorado e provar que ele era melhor no jogo. No treino eles nunca realmente tiveram oportunidade de provar suas habilidades no um contra um.


XXX


Dio não soube muito como resolver a situação, mas sua dose inicial foi bem menor por conta de estar usando uma calça, muito desconfortável para jogar futebol aliás, e não ter nenhum shorts por perto para emprestar.

— Sinceramente, você acha que as pessoas vão em churrascos de roupa social? —o moreno resmungou pela terceira vez, se ajeitando no centro do campo improvisado.

— Eu disse... A reunião que tive foi importante. Meu pai ia me matar se soubesse que fui de moletom ver o sócio dele. — Dio respondeu, achando graça da forma que o moreno não largava do assunto.

— Você podia ter pegado uma troca antes...? — o moreno assinalou com um dedo na testa, indicando o “cérebro”.

Dio riu e tirou a camisa, calando-o apenas por um segundo, caminhando para perto, descalço, barras dobradas e botão da calça desfeita.

— Bom, eu não sabia que era um churrasco brasileiro, Sieg. Você não me disse isso.

Sieghart totalmente o ignorou. Assim que seu olhar começou a se perder na estrutura larga do rapaz, fingiu desinteresse e abaixou-se para tirar os próprios calçados.

— Já que você não vai conseguir me entreter nessa condição, vou tentar igualar o jogo.

Dio deixou-o reclamar e resmungar, mas se aproximou enquanto o moreno retirava a chuteira –que carregava por aí quando sabia ter a oportunidade de jogar – e brincou com os cabelos negros, transformando-os num ninho em questão de segundos. Sieghart tentou socá-lo, mas não deu tempo.

— Diacho, você é irritante hein? — Sieghart mordeu os lábios se levantando. — Vamos logo, antes que os moleques voltem.

E eles começaram sem delongas, sem aviso. Dio roubou a bola, driblando pela esquerda, mas o moreno era rápido em responder quando um adversário tentava quebrar seu ritmo no início.

Não demorou minutos para que o jogo corporal iniciasse, como dois amadores, se empurrando feito loucos.

— Porra, Dio! — Sieghart reclamou, rindo ao mesmo tempo quando o italiano acelerava para o gol, mas parava o movimento só para o moreno bater em suas costas. — Vai ser assim mesmo?

O outro riu alto.

— Eu estou te esperando igualar o jogo!

O moreno então o cortou pela frente, fazendo Dio ficar de costas para sua direção alvo, travando suas pernas numa batalha pelo domínio da bola. Sieghart forçava o peitoral contra o ombro do italiano, focando no trabalho dos pés. O mais alto suava, e sua pele era macia, mas ele não conseguia prestar atenção quando estava tão focado em provar um ponto.

E assim foi por intermináveis minutos. Por gastar muito energia tentando segurá-lo, ambos tropeçaram e rolaram algumas vezes e tentaram ir pelo gol, mas sem sucesso de nenhumas partes.

O sol das 15h atingia-os, bem no alto do céu. Dio já estava ensopado e respirava alto, visto o ritmo inusual do jogo. Afinal, o vice-capitão era um dos melhores atacantes do futebol colegial no país.

Eles se deram distância, buscando ar. Sieghart novamente fez aquilo que ele tinha visto ao chegar, puxando os shorts para cima, que já estava todo grudado em suas coxas. Dio tentava respirar e tirar o suor, mas não deixando de encarar o outro. O moreno igualmente sofria com todo o esforço realizado, mas de forma... sexy. Ele empurrou o cabelo para trás, passando a mão no rosto inteiro, ficando todo desnivelado e cru.

De longe assim, ambos encontraram olhares. Mas o que pegou Dio foi o sorriso sem graça do moreno, percebendo-o. Depois, Sieghart veio correndo até ele e capturou a bola em sua distração.

— Cansou, foi? — indagou numa lufada de ar ofegante e se pôs a fazer algumas embaixadinhas, só para zombar do namorado.

Ele não ia ficar irritado com uma provocação barata daquelas, mas ia fingir que sim. Por isso ele se aproximou, mãos na cintura, abdômen tensionado, distraindo o olhar de Sieghart por vezes.

— Para quem está jogando de calça, estou me saindo super bem. Onde está seu gol, hein?

Sieghart parou a bola sob o pé, fitando-o como se ofendido.

— E seu contra ataque de merda? Não chegou na linha de pênalti nenhuma vez, mas eu sim.

Dio riu de novo, roubando a bola outra vez e tirando um som afetado do moreno, mas ele não saiu correndo. O mais alto só tinha feito isso para provar a qualidade de suas embaixadinhas.

— Eu fiquei com o domínio a maior parte do tempo. — Dio terminou, mandando uma de peito para o moreno, que a recebeu perfeitamente.

— Aham. E eu mantive o melhor controle de área e fiz avanço.

Os dois começaram então para ver quem derrubava primeiro. Até que, certo momento Dio mandou muito alta e muito perto, de modo que Sieghart apenas olhou para cima.

O italiano então aproveitou o momento para pegá-lo pela cintura com uma força inpensada, surpreendendo-o.

—E-Ei...

Num segundo, o maior cobriu-o, grudando seus corpos juntos.

— Já deu para mim. — ele suspirou, puxando o pescoço de Sieghart, procurando rapidamente um sinal de desconforto, mas o moreno já estava com os dedos agarrados em seus bíceps.

— Pervertido. — Sieghart murmurou, sentindo a mudança no ar e entrando no clima levemente. Sim, seria mentira dizer que não estava louco pensando nisso o dia inteiro, o tempo inteiro. Mas mesmo assim, eles tinham conversas importantes para ter. Ele se sentia tão dividido que estava agonizando por ter seu corpo e sentidos sendo satisfeitos, porém as conversas tão escassas.

Dio o envolveu todo, fazendo as coisas importantes ficarem nubladas. O punho de Sieghart se fechou sobre os ombros largos, tentando encontrar a razão no meio de tanta excitação. A virilha, as pernas, o peito, tudo tão encaixado que suas pernas ficaram moles.

Mas apesar de tudo, o namorado pareceu captar aquela preocupação.

— O que foi? — indagou, parando de se forçar sobre ele.

Sieghart apertou seu ombro inconscientemente, não o olhando nos olhos. Aquela expressão de insegurança mexeu com o Fiammeggianti, fazendo-o recordar de suas conversas e ele então soube o que o incomodava.

— Sieg. — Dio o acariciou no queixo, seu olhar se tornando muito sério, fazendo o Sieghart sentir aquela sensação estranha de estar pisando em território desconhecido novamente. O maior inspirou ar, igualmente dividido. — Eu não pretendo esconder nada de você. Só que você talvez não goste do que vai ouvir...

Aquilo só o deixava mais intrigado ainda. O que raios um adolescente italiano poderia estar envolvido que poderia ser tão sigiloso?

— Eu não sei... Não sei se já está na hora de falarmos sobre isso. Fico pensando se não é algo besta, mas do jeito que você fala...

Dio respirou, fechando os olhos para juntar calma e seriedade. Tinha muitos pontos que talvez fosse difícil para Sieghart compreender e que talvez o fizessem não querer mais se envolver consigo. E no fim seria um motivo plausível.

— Escuta... Não é um assunto simples nem besta. Não tem a ver com relacionamentos ou coisa assim. É só que minha família...

Dio tocou a cabeça, sentindo de repente uma dor de cabeça. Aquilo era difícil.

— Os negócios da minha família não são exatamente... Não é bem uma “empresa”.

Sieghart franziu a testa ao ouvir aquilo.

— Olha, não é a mesma coisa que aconteceu comigo? — o moreno indagou, sentindo sua garganta tremer de nervosismo. Era patético admitir que ele estava apenas inseguro e queria saber se não havia qualquer cara ou garota envolvidos na história. O que mais ele deveria pensar quando um cara mulherengo como ele vivia saindo de madrugada logo após iniciar um relacionamento? E pior... Sieghart foi o que propôs o namoro. Talvez Dio... Ele não queria acreditar que o parceiro era um filho da puta, mas depois de tudo o que já havia passado, aqueles pensamentos tiravam seu sono.

— Você diz... Sobre o noivado que seu pai te obrigou? — Dio perguntou imóvel.

O moreno apenas assentiu, esperando.

— Não. Não tem nada de casamento, nem namoro, nada... Não tem ninguém envolvido. — Dio admitiu, sentindo-se cada vez mais impelido a falar o real problema. — Meu pai já considerou me casar com a Rey, mas nós somos só amigos. Ele sempre me diz que é para eu fazer o que quiser sobre meus relacionamentos afinal. Ele tenta ser compreensivo, de verdade. Eu só... eu vou ter que voltar para a Itália no final do semestre.

Sieghart apertou os dedos no braço do mais alto ao ouvir aquilo. Profundamente irritado.

— Okay, mas e daí? Tem algum problema se você precisar voltar para a Itália?

— Não... é que muita gente não gosta dessa ideia. Eu não tinha certeza se podia falar disso.

— Nós estamos juntos. É claro que você pode falar disso comigo.

Dio sentiu a dor aumentando e a poça de remorso em seu estômago.

— Desculpa. Eu nunca passei por isso antes... eu ia contar, mas não achei o timing.

Os olhos prata desceram, sentindo-se culpados. Aquilo ainda não explicava tudo o que queria saber, mas ele, como sempre, era muito bom.

— Tudo bem, Dio. Você... Você vai me contar tudo o que for importante daqui para frente? — sua voz próxima, seus dedos acariciando os ombros. — Eu...

Dio assistiu a face levemente bronzeada de sol ficando vermelha, numa camada de embaraço. Ele simplesmente era tão perfeito. Zangado, chorando, sorrindo. Eles tinham que sentar e contar tudo sobre si, sobre o que fazia, quais eram seus sonhos e seus gostos, seus amigos e sua família. Ele queria botá-lo no ombro e levá-lo para todos os lugares.

— Ei. — Dio o tocou na face, vendo os olhos parecendo vidro, molhados. — Ercnard, eu prometo. Eu vou contar tudo para você. Mas você tem que me prometer isso também.

O moreno rapidamente o fitou e assentiu com a cabeça.

— Claro, eu prometo. Eu também não quero esconder nada de você.

Os dois riram um pouco, sentindo a tensão do momento esvaindo como a água descendo pela pia. Dio o envolveu nos braços, novamente sentindo aquele calor diretamente no seu.

Sieghart apertava suas costas, seus peitos roçando em completo contato. Por um lado, era quente e confortável, mas o suor fazia ser um pouco grudento. Mas eles não ligavam nenhum pouco.

— Ei... — Sieghart murmurou em seu pescoço. — Você vai voltar a fazer o que estava fazendo?

O maior tremeu com vontade de rir, mas acariciou os fios daquele pescoço cheiroso.

— Você diz “continuar te dando um pau no futebol”?

A reação de Sieghart foi levantar a cabeça para xingá-lo e negar aquela afirmação absurda.

— Não foi isso-,

O italiano sorriu, largo e cobriu aquela boca com seus lábios, fazendo-o ficar quieto. Bastou um pequeno toque e o moreno derreteu nele, completamente entregue.

Dio parou depois de um segundo, sem aprofundar, mas sentindo seu corpo inteiro em chamas. Seus olhos famintos para o moreno, aquela face tão sexy o olhando pronto para fazer tudo o que quissesse.

— Vamos para outro lugar. — disse o italiano, convencido de que sua voz tinha saído bastante tremida.

Sieghart mordeu a boca, segurando sua mão e puxando-o para um vestiário anexado à piscina. Com sorte, os amigos veriam e não os perturbariam por um tempo.


XXX


O Fiammeggianti não foi gentil como achou que seria, pegando-o de surpresa quando o encostou com tanta força na parede de uma das cabines que o baque estalou pelo local no encontro da pele com o azulejo frio. E ele, honestamente, não estava ligando por nada nesse mundo.

Os dedos o empurraram forte, faminto por seu corpo, subindo rápido, porém, cuidando para sentí-lo a cada segundo. A sensação de formigamento no estômago de Sieghart não o deixava relaxar, principalmente ao ter os lábios do mais novo tão apressados em seu pescoço, deslizando em um movimento lânguido, succionando perto de sua orelha, traçando sua clavícula, ascendendo em seu pomo de adão.

— H-hm...

Sieghart fechou os olhos, respirando descompassadamente ao sentir a mão em seu peito, apertando num toque leve, massageando-o demoradamente, envolvendo-o todo. Ele se perguntou o porquê da distância de suas cinturas, mas num olhar rápido, viu que Dio estava completamente duro. O moreno suspirou ainda mais alto, sentindo o rubor tomando todo seu rosto e o sangue fluindo deliciosamente para onde devia.

— Seu cheiro... — Dio murmurou enquanto apertava com força a carne, puxando e roçando o mamilo escuro, deixando-o sensível.

Sieghart não soube o que fazer com as mãos, mas abraçou os ombros do mais alto por baixo, sentindo-o colar suas virilhas. Dio aproveitou para envolvê-lo naquele contato e roçar o quadril contra o seu, permitindo que os dois experimentassem a rigidez sob os tecidos. O efeito era diminuido em muitas vezes, mas era tão sensual que podia fazer Sieghart gemer fraco.

Naquele momento eles falavam por murmúrios, os sentidos ativos pela secrecidade do que faziam.

Eles se beijavam a cada oportunidade, as mãos explorando os maxilares, as línguas entrelaçando lascivas numa tentativa impossível de alcançar algo mais profundo. Aquilo fazia a mente rodar. Sieghart o agarrava pelos cabelos e Dio o tomava pela cintura, descendo uma das mãos para agarrar a coxa do moreno e trazer para cima, encaixando-o em seu corpo de tal forma que os dois estavam irremediavelmente grudados, como uma pessoa só. E o maior esfregou seu quadril, causando fricção, mimetizando sexo, rezando enquanto sentia a umidade nas roupas. O pênis totalmente ereto do moreno provava o quanto seu companheiro estava gostando daquilo e, claro, massageava seu ego.

O moreno em resposta soltava sons baixos e tímidos, mas não menos sinceros.

Então os dois entraram num ritmo único, o maior deslizava sobre ele, olhando-o nos olhos de um jeito predador, enquanto o moreno respondia, os lábios entreabertos, sentindo perfeitamente como era se sentir mole e excitado por alguém.

— Dio... — ele suspirou necessitado, apertando ainda mais o gancho que tinha sobre o pescoço do companheiro.

Em resposta, Dio soltou a perna em sua cintura e segurou uma das mãos do moreno, direcionando à sua rigidez intocada.

— Deus... — Sieghart gemeu muito baixo, segurando o volume com incerteza. Não importasse ele tendo sentido ou experimentado antes, neste mesmo instante era demais para ele. Tão rígido.

— Ercnard. — Dio suspirou em seu ouvido, chegando mais perto, esperando aquela mão quente e larga responder ao pedido de suas estocadas. Sua boca alcançou perto da orelha, uma área tão deliciosa, sensível, o aroma tão distinto do rapaz. Sieghart dobrou a cabeça com ele ali, mas não fugiu, e o pegou com mais firmeza. — Faz alguma coisa comigo... Eu preciso.

Sieghart olhou para cima, como se buscando ajuda para se controlar. Ele moveu seus dedos sob o tecido, mas aquela maldita calça...

— Tira. — ele disse, meio estrangulado, sentindo a respiração falhando e o rosto tão quente, o álcool parecendo responder só nesse momento.

Dio desceu rapidamente as mãos, desfez a calça rapidamente, abaixando-a até o meio das pernas. Sieghart não ficou feliz com isso. Eles tinham feito tudo às pressas na boate, meio vestidos, tão desconfortáveis. Ele não queria isso. Por mais que fosse excitante tudo isso, ele ainda queria deitar numa cama, sentir aquela boca insana de novo, saboreando tudo. E ir até o fim.

Sieghart tocou a cintura nua, fitando o membro exposto para ele. Certo, era meio difícil dizer não quando ele próprio estava em um estado tão lamentável.

— Fica com o short. — Dio disse, sua voz tão grave, os olhos parecendo esconder um segredo.

Os olhos prata o fitaram, surpresos com o pedido, mas logo se voltaram para o objetivo. Ele então desceu nele, agachando-se sobre as coxas, assim como o Fiammeggianti tinha feito pra ele, tão sexy, acompanhando a descida com sua boca, desenhando a linha de seu umbigo.

Dio o fitava de cima, totalmente ligado em seu modo erótico. Seus olhos, o cabelo, a boca. Ele estava desnivelado e faminto como um animal, só se segurando para não fazer uma indelicadeza.

Os dedos do italiano acariciaram o queixo do moreno, aproximando-o de sua ereção. O moreno o segurou de leve, mas céus, o rapaz não se importava nem se Sieghart o machucasse agora. Então o impeliu, com os olhos, com as mãos, indicando sua impaciência.

— Ercnard... — ele implorou com o olhar.

O moreno não se demorou, mesmo achando graça da forma que ele nunca passava dos limites e o obrigava a nada. Se fosse ele, teria apenas metido na garganta de Dio, assim como na noite anterior.Só de lembrar, seu membro respondeu com um leve pulsar.

Sua língua foi primeiro, nas costas da glande inchada. Ele estava com o gosto salínico, ambos estavam, mas ele não ligava. Os dedos envolveram a base e, só no início, o moreno foi suave, molhando as costas daquele pênis massivo. Ele fechou os olhos, desfrutando do gosto, do cheiro, deslizando a língua sobre toda a glande, abaixando a ereção para chupá-lo levemente nas laterais.

Ao chegar a base, tentou ver a reação e confirmou Dio apoiado com os antebraços na parede, olhando-o todo franzido e vermelho.

— Você está bem? — perguntou o moreno, masturbando-o, sem desencostá-lo de seu lábio inferior.

Dio assentiu levemente, remexendo os quadris. Parecia que ele estava impaciente, mas não queria admitir.

— O que você quer que eu faça? — Sieghart perguntou, se apoiando em uma das coxas do maior, descendo o resto daquela calça pro chão. Ao mesmo tempo, o moreno ficou de joelhos, beijando a glande e chupando-a, apenas de leve, só o suficiente para o maior tentar enfiar em sua boca quando estava se afastando.

— Seu-, me chupa. — Dio desceu uma das mãos para pegar um tanto de cabelo. Sieghart moveu seu rosto, seu nariz roçando mais embaixo, lambendo com umidade seu escroto. Instantaneamente o rapaz em pé parou de se mover e esperou aquela língua molhada massageá-lo em sua bola esquerda, desenhá-la, puxá-la para dentro dos lábios, tão deliciosamente, e sugá-lo com um mar de saliva. Ele ficou fraco, gemendo para o teto, sentindo qualquer insegurança indo embora.

— Sieg... — ele sofreu no gemido, pois o moreno seguiu para a próxima, acariciando-o com a língua, fazendo uma bagunça com ele. Chupava-o apenas na velocidade e com a força certa para deixá-lo louco, seu pau babando fluído e suas mãos zangadas naqueles fios macios o impeliam para lados diferentes, guiando-o.

— H-Hm... — o próprio Sieghart fechava e abria os olhos, sentindo o peso e a forma deslizando em sua boca. A finura da pele do saco que ele chupava e estendia, tinham um gosto que ele nunca ia esquecer. E melhor, as expressões de Dio. Era ele quem estava dando prazer para seu companheiro... Nada podia superar aquela satisfação.

Os olhos vinho o encararam de cima, quase como se dissesse para serví-lo logo ou haveria consequências. E Sieghart também já estava satisfeito com a preparação e em breve ele gostaria de trocar de lugar, então era melhor agradá-lo agora.

Num deslize calmo, seus dedos firmaram-no, abraçando o membro inchado. Sieghart sentiu seu coração acelerando enquanto ele fitava Dio e movimentava seus dedos para baixo e cima, repetidamente, devagar, seus lábios tocando a glande, a língua tocando a abertura, deixando o fluído tocar suas papilas.

Dio apertava os punhos na parede, abaixando a cabeça, olhos fechados e boca entreaberta. Os músculos de seu abdomen se apertavam e ele mexia a cintura em resposta, desfrutando, aumentando o ritmo.

Sieghart lembrou-se de como precisava de umidade, e lambeu toda a glande, envolvendo-a, traçando seu contorno. Dio travou a cintura, gemendo de novo, uma das mãos descendo e tocando o alto da cabeça do presidente.

— Isso... — Dio suspirou, adentrando os fios, massageando deliciosamente o topo de sua cabeça.

Sieghart fechou os olhos, sentindo aquele toque incrível, e se preparou para poder começar a pô-lo na boca. A grossura ia adentrando o vão quente de sua via oral, fazendo-o gemer, sua língua apoiando-o por baixo, sua atenção focada em não bater os dentes em cima.

Dio ia fazendo sons deliciosos, que o deixava ainda mais excitado e tornando a tarefa mais difícil quando ele estava tão duro que não aguentava mais.

Ambos encontraram rapidamente o ritmo, ajustando-se um ao outro. Sieghart o sugava molhado se afastando enquanto o italiano segurava seu rosto, resvalando os dedos em suas orelhas.Aquela dança rítmica e erótica, causando a vermelhidão na boca do moreno.

— Ercnard...

O moreno abriu os olhos, totalmente envolvido, sentindo o sabor do namorado invadir tudo, o prazer daquele momento tomar todo seu pensamento normal. Ele foi capaz de ver o efeito que causava no Fiammeggianti. O rapaz ficava louco ele, tinha um tesão enorme em seu corpo, mas nunca se colocava acima dele... Dio sempre estava dando para receber. Ele não ligava para os detalhes realmente, mas depois de todos os momentos íntimos que tiveram, ele também queria fazer algo.

Sieghart afundou-se no membro, indo mais longe, sentindo-o tocar sua garganta. Sua imaginação voava para todos os cantos e ele às vezes pensava em como seria enfiar um pau desses dentro de seu corpo. Só de pensar, ele tinha arrepios, seu membro respondia contraindo-se.

A sucção se tornou incrivelmente molhada e Dio ganhou coragem para tomar o domínio da situação. Suas mãos buscaram as do moreno e ele as colocou em seu quadril enquanto afastava os fios negros para ver a tez clara por completo. Ele sentiu seu pênis pulsar naquela boca sexy e por um momento ele se sentiu como um macho. Ele quase riu do pensamento, mas não o fez.

— Abre bem a boca... — ele avisou, a voz rouca e profunda, fazendo com que Sieghart o fitasse confuso. —... vou por na sua garganta.

Sieghart franziu a testa quando o mais alto veio, devagar, mas o pressionou contra a parede enquanto o instruía. Dali, Dio via o pênis insatisfeito marcando os shorts, movendo-se em resposta à sua investida.

— Respira e relaxa. — Dio murmurava, esperando que o moreno não desistisse no meio do caminho. Mas não, ele fechou os olhos e deixou-o, estendendo a língua, abrindo a deliciosa glote e permitindo que o maior fosse e até encostar as bolas em seu queixo. Sua respiração se tornou descompassada e o movimento involuntário no fundo de sua garganta tornava tudo intenso para Dio. Imóveis, Sieghart tentava respirar, mas em segundos ele começou a gemer, sentindo a glande batendo em um lugar muito desconfortável e ativando seu reflexo.

Dio se afastou ao ver que o moreno estava engasgando, o suficiente para tossir levemente e recuperar o ar, segurando seu pênis totalmente rígido com a esquerda. Então ele se posicionou de novo e segurou a testa do moreno contra a parede.

— Vai, vou enfiar de novo.

Sieghart só teve tempo de respirar de novo e o outro só veio. Dio colocou fundo, fazendo com que o moreno respirasse alto pelo nariz, obrigando-o a criar espaço em sua cavidade.

— Isso é tão bom... — Dio gemeu baixo, contraindo os glúteos ainda mais para frente, afundando-se na envoltura molhada e quente. —... A-ah... se você me engolir assim... Ercnard, vou gozar na sua garganta.

Sieghart abriu os olhos úmidos, mas não conseguia se controlar muito bem, não com o pênis parando toda sua respiração. E depois disso um breve alívio, apenas antes de Dio começar a estocar em sua garganta, sem sair muito, mas com força, com intenção. Aquele animal.

— Como se sente?... É gostoso foder assim né?...Eu entendo perfeitamente... — ele sorriu para o ar, fitando-o com maldade enquanto seus dedos agarravam a cabeça do namorado e controlava seus movimentos.

Depois daquilo, o moreno até se sentiu arrependido pela animação toda da noite passada e prometeu a si mesmo nunca mais ser violento recebendo um oral.

— Hm... — Sieghart apertou os olhos com força, sentindo algo em particular, e afastou a perna do maior. — H-Hm!!

Quando se afastou, o moreno tossiu por um tempo, sentindo-se todo molhado, seu maxilar todo dolorido e a garganta ardendo.

Dio abaixou-se na mesma altura e não o deixou respirar, beijando a boca inchada, descendo as mãos para envolver a ereção ignorada por sobre os shorts. Sieghart agarrou em seus ombros logo que o fez, fechando os olhos molhados e tentando não tossir durante o beijo. O italiano deixou então que suas mãos dessem o que o moreno queria, sabendo que não tinha coragem de tentar algo mais sem antes fazê-lo gozar.

— M-m... Dio... — ele murmurou no ouvido do Fiammeggianti, arranhando seus braços com a sensação intensa do trato que recebia.

— O que você quer, meu bem? — indagou o mais alto, direto em seus lábios novamente, com a respiração falhada, o desejo de meter esbranquiçando seu pensamento normal, e suas mãos acariciando-o com dedicação, adentrando o tecido e movendo-se.

O moreno virou os olhos, sentindo os calafrios cortando suas costas e estômago.

—A-Ah... Me faz gozar...

— Tão rápido? — Dio indagou, mas seu tom sarcástico não atingia seus olhos. Não com ele todo desnivelado e no limite do próprio orgasmo. Então ele puxou as mãos do mais velho e o fez fazer sua parte do trabalho.

Ambos se olhando fixamente, sobre os joelhos no chão, contra a parede. Os dois jovens encostaram as testas, respirando alto, ruborizados nas faces, os dedos se contorcendo, ajustando os ângulos. A carne exposta que eles às vezes espiavam estava tão úmida e quente, tão aquecidos um no outro que até mesmo poderia durar horas. Mas os dois sabiam que não era possível.

Sieghart mordeu o lábio, sentindo que o clímax estava tão perto, mas dessa vez, ele não queria evitá-lo. Dio leu seu rosto e foi para seu maxilar, beijando-o rápido, mordendo a pele levemente.

— Vai gozar? — perguntou, sentindo claramente que estava gastando todas suas forças para não chegar ao clímax enquanto o moreno não o fizesse.

Naquele último minuto, Sieghart o beijou também, no rosto, em seu maxilar. Os dois trocaram algumas provocações, mas estava tudo calmo.

— D-Dio... — Sieghart gemeu, respirando descompassado, seu rosto molhado do suor, corado e lábios suculentos.

O outro não estava muito melhor. Ele apenas respondeu, continuando o sobe e desce de seus dedos sobre a rigidez insana do moreno. De repente ele já estava no limite, com a voz sexy tão perto, necessitando dele.

— Ercnard...

O moreno moveu involuntariamente a cabeça para cima, se permitindo gozar livremente, sem hesitar, sem a necessidade de pospor, apenas abrir as pernas e deixar a sensação cobrir tudo. Nesse tempo ele não conseguiu ajudar Dio, mas o italiano realmente não se importava com isso, não com a visão privilegiada que estava recebendo. Ele soube... nada era tão satisfatório quanto ver sua pessoa especial sentindo-se plena e saciada.

E ele o beijou inteiro. Dio tocou aqueles lábios, incansavelmente, sentindo-se hipnotizado. Suas carícias acalmaram o clímax de Sieghart, massageando-o lentamente, fazendo o fluído quente deslizar em suas mãos, seu beijo traçando o pescoço, descendo os ombros enquanto esfregava lentamente os dedos na base e abaixo da glande extra inchada, deixando-o descansar sobre o tecido branco e manchado da umidade. O cheiro subia dali e Dio sentiu-se ainda mais excitado e necessitado.

O moreno o fitou, olhos buscando a realidade ainda, mas voltou a mover os dedos. Dio achou graça, observando a face toda vermelha e exposta tentando seu melhor. E então, ele ganhou energia para se levantar, pedindo para o moreno fazer o mesmo. Dio se livrou da sensação grudenta em seus dedos abrindo um chuveiro vizinho rapidamente. O moreno aguardou, apoiado na parede, já mais relaxado, porém, ainda com a sensibilidade ativa, correndo os olhos pelo corpo inteiro do italiano, sentindo que a qualquer momento sua ereção poderia voltar.

O maior o viu encarando e riu levemente, seus dentes levemente pontiagudos aparecendo. O italiano o pegou pela cintura e voltou a beijá-lo.

— Você ainda tá duro. — Sieghart disse após se separarem, sentindo-o esfregando em total rigidez no seu próprio. Apesar de flácido, apenas com o roçar ele já estava querendo voltar a acordar.

— Hm... — Dio o beijou na orelha, aproveitando cada momento para desenhar a forma do moreno com as mãos, deslizando por suas costas e alcançando os glúteos que tanto gostava. — Vira de costas para mim?

As sobrancelhas negras arquearam e ele hesitou um instante. O italiano o impeliu com as mãos, fazendo-o virar todo o corpo, se divertindo com a expressão do moreno.

— Relaxa, okay?

— Não... Não quer que eu te chupe...? — o moreno indagou, com o peito contra a parede, sentindo-se levemente culpado por não estar retribuindo o favor devidamente. Antes de continuar, ele apertou os olhos, sentindo claramente como o italiano o envolvia por trás e encaixava seu corpo, tão deliciosamente quente e confortável, que o Sieghart até mesmo parou de falar. Naquele momento ele percebeu uma coisa. Que Dio o desacelerava. Que eles estavam excitados, no entanto, nunca ficavam afobados, pelo menos não como ele ficava antes com outras pessoas. Ele só se deixava deliciar naqueles momentos, como nunca antes, e era tão excessivamente bom, que sua conexão tornava numa intimidade sem par.

— Bom? — Dio perguntou, beijando sua nuca, sentindo os fios negros em seu rosto, cheirosos e bagunçados como nunca. E Sieghart murmurou de volta que sim, parecendo vulnerável e afetado.

Dio apenas tirou uma mão para se massagear alguns segundos, subir o short na entrada da perna direita e encaixar seu membro ali, alcançando os glúteos macios e altos. Um choque elétrico pareceu passar em suas costas quando o fez. Seus dedos desceram os ombros firmes, roçaram os braços, delineando com os polegares os tríceps contraídos, depois os antebraços, até alcançarem as costas das mãos. Tudo para que ele se distraísse da sensação do pós-orgasmo que pairava, como se ele estivesse no auge.

Sieghart gemia levemente enquanto as mãos grossas entravam em seus dedos e juntas subiam até seu peito, afastando-o da parede alguns centímetros. O moreno sentia seu rosto inchando e seu pênis respondendo. Aqueles toques macios e lentos, tão... ele estava ficando fora de controle.

Os dedos do Fiammeggianti se separaram e ele deixou-se ser tocado. Dio acariciando seu peito, esfregando o mamilo ao mesmo passo que movia a ereção entre suas nádegas, passando por sua entrada, umedecendo-o com o pouco fluído que lhe escapava, levantando as duas barras dos shorts, deixando tudo misterioso e sensual. Sieghart manteve-se imóvel, apreciando a forma com que o outro investia naquela região, causando-lhe uma satisfação incrível.

— Hm... — Dio deslizou suavemente, apertando os mamilos em seus dedos, no mesmo ritmo de suas investidas, sua boca tentando se ocupar na base daquele pescoço alvo. Succionando levemente, lambendo-o, inspirando aquele aroma tão cru, tentando arrancar à força da pele quente e queimada do sol. Sieghart se apoiava em seus punhos, acompanhando-o nas carícias.

— Dio... — ele murmurou mais uma vez, movendo o corpo levemente para encontrar com o maior.

Os dois encontraram um ponto de encaixe, onde aquilo tudo se sentia muito bem. Dio se concentrou, fazendo a fricção mais intensa, seus braços envoltos nas laterais do moreno, sua voz falhando cada segundo mais perto de explodir naquela massa erótica. Ele olhava para baixo, assistindo a forma de seu membro molhado deslizando escondido no vão dos glúteos e ele quis mais muito fortemente. Seu desejo de irem até o fim pairando em sua mente com força... Mas no fundo sabia que hoje não era o dia. Sieghart enquanto isso pôs-se a acariciar os próprios testículos, levemente e ele olhou por cima do ombro.

Dio desceu as mãos, tocando-lhe o quadril, fazendo-o se inclinar um pouco, expondo-o.

— Toda vez que... — ele começou, sua voz em pedaços, a face suada e as batidas do coração no máximo. Seus olhos fechando momentaneamente com uma sensação particular. —... que a gente sai do treino, eu quero te comer assim...

Sieghart arqueou as costas ouvindo aquelas palavras, sentindo o pênis esfregando particularamente em sua entrada. Dio não ia colocar, mas esfregava com intenção, brincando ali, pressionando de forma que o moreno levantasse os calcanhares e gemesse desesperado.

— Merda... desde a primeira vez que te vi... eu quero o tempo todo, Ercnard...

O moreno travou as pernas, sentindo-se fraco. O maior agarrava sua cintura com possessão, descendo o membro pra ser abraçado pelas coxas macias e grossas do moreno. E então Dio visualizou o que seriam os dois. Eram eles, metendo da forma mais satisfatória, Sieghart dando para ele tão bem, gemendo com aquela voz, pedindo coisas absurdas para ele, num tom perfeito. Agora, nesse instante, apenas um prospecto do que seria, mas... era melhor do que tudo o que já havia feito ou sentido.

Os olhos prata tentaram alcançá-lo e Dio ficou satisfeito em vê-lo de relance, permitindo que ele fizesse o que queria. A junção das duas carnes recebendo o corpo de seu membro rijo o fizeram suspirar forte, sentindo o êxtase gradualmente se formando cada vez mais rápido.

A moção dos corpos fazia parecer que estavam realmente conectados. Dio investia, deslizando num ritmo mais intenso, buscando seu prazer. Sua mão esquerda tocou a bunda do moreno, apertando-a por dentro da barra, beliscando-o e o apertando-o sem delicadeza, vendo-ade relance ficar vermelha com a força que impunha.

— H-Hm! Ei!... — o moreno arfou.

Dio riu levemente, fazendo as coxas se juntarem mais.

— Me aperta como se fosse esse buraco aqui, Ercnard. — Dio proferiu, subindo os dedos ainda mais e esfregando o polegar na entrada fora de sua visão. O moreno se contraiu inteiro, xingando para o ar enquanto o italiano investia no vão de suas pernas. Com a mente já não funcionando muito bem, Sieghart puxou o tecido onde a ponta do pênis batia pela frente de suas pernas, liberando-o, e fechou as duas mãos na glande mole e molhada. Ele fechou as coxas, sentindo a fricção mais quente.

— Oh... — Dio fechou os olhos, rangendo os dentes em seguida, sentindo uma onda de prazer quase o levando a se soltar.

Sieghart rapidamente subiu as mãos, molhando-as com saliva, sua língua tentando trazer umidade para os nós internos dos dedos. E assim que envolveu-os na cabeça, que surgia a cada vai e vem, Dio soltou um som estrangulado, de alívio e aprovação que permitiu o moreno movê-los, levemente, mas rápido.

— A-Ah... Isso... – murmurou o mais alto, estocando com força naquela fenda erótica, deixando o estoque em sua virilha começar a esvaziar. Suas veias saltavam nos braços e nas mãos, sua face comprimida. Seu dedo sobre a entrada deliciosamente enrugada, se movia involuntariamente, causando-lhe desejos ainda mais egoístas.

— D-Dio...

— Ah... Ercnard... — o mais novo subiu a mão num movimento rápido, chupando seu próprio dedo e voltou-o para onde se encontrava. — Vou gozar...

Enquanto ele fechava os olhos no impulso, seu polegar adentrava-o. Apenas aquela ponta, só o suficiente para agarrá-lo com os dedos restantes e deixar Sieghart mole igual gelatina.

— Porra-

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Sieghart gemeu com aquela invasão repentina, causando-lhe calafrios. Ele nem mesmo conseguiu ver quando o sêmen jorrou pelo chão, em pequenas ondas, cobrindo seus dedos quando fechou a glande em seus dedos.

Quando acabou, o branco pingava pelo chão, Sieghart estava arqueado em uma posição estranha e Dio mantinha-se imóvel, apenas movendo seu dedo levemente na abertura quente do moreno. Sieghart sentia um leve desconforto, mas a excitação estava acima dele. E ele se perguntou como tinha coragem... como ele fazia coisas assim tão descaradamente.

— Ercnard. — Dio o chamou de volta, movendo o dedo. Os olhos vinho desfocados, a boca mole e a respiração voltando ao normal. A face do maior estava ruborizada e relaxada. Mas seu dedo movia-se sem parar, entrando e saindo levemente, para baixo... para cima, tentando alargá-lo ainda mais.

Sieghart contraiu o abdômen, com as mãos ainda cobertas do fluído cheiroso e não soube o que fazer. Dio o empurrou, uma mão ali, outra no quadril. Ele voltou à parede, se assustando com a rapidez do mais novo.

— O que você tá... fazendo? — Sieghart indagou, sem tempo para reagir quando o italiano retirou-o de dentro de si e deslizou os shorts para baixo, revelando sua área traseira. — Dio, ei...

Foi tudo muito rápido depois. Dio desceu os joelhos no chão, passando os dedos sobre os glúteos macios e firmes de uma cor levemente mais clara que as pernas. Dio separou-os, observando onde seu dedo esteve segundos antes. Ele não esperou o moreno reclamar ou dar opinião, aproximando seu rosto, sentindo o cheiro tomando todo seu sentido.

Ele se lembrou da primeira vez que fez isso com Sieghart. Ele estava de banho tomado, ele estava com aroma de produtos de banho.

Dio se deitou naquele aroma, roçando o nariz levemente, sua boca chegando perto. Seu lábios tocando a abertura com cuidado. Sieghart quase levantou uma perna, arqueando a lombar ao sentí-lo pairando.

— Dio, já chega... A gente tem que-

Ele não queria ouvir nem parar. Ele só queria experimentar um pouco antes de ambos terem a noite tão esperada.

— Espera. — Dio suspirou, beijando o glúteo, voltando à entrada do ânus. — Eu só vou te lamber um pouco.

Sieghart fechou os punhos grudentos, gemendo ao sentir a lingua quente desenhando-o.

— Ah... Meu Deus... — ele arfou, sentindo a língua do namorado girando em sua parte mais íntima, os dedos afastando suas duas nádegas, forçando a entrada. A saliva molhando-o.

Dio respirou, deixando-se navegar no aroma, no sabor peculiar. Ele definitivamente adorava isso. E mais, como as reações fofas do moreno o deixavam tão feliz.

Sieghart deixou-o então, chupá-lo, abrí-lo e acariciá-lo, causando-lhe sensações pecaminosas. Seu coração a mil quando sua cavidade abrigou a língua do italiano completamente e a movimentação o fez sentir arrepios por todo o corpo.

E então, quando Dio parou, sua boca, queixo e face quentes, admirando o buraco que se contraía no ar, molhadinho e relaxado, ele decidiu que deveria parar por ali. Ele sorriu com o trabalho e segurou seus desejos para o bem do futuro.

O mais alto reorganizou os shorts e se levantou, fazendo o moreno virar-se novamente. Dio o abraçou levemente e Sieghart inclinou-se para os dois se beijarem uma última vez, sentindo tudo o que poderia naquele momento, talvez a maior parte fosse alívio. O moreno deixou-se deitar um pouco no ombro do maior e ficou ali.

— Vou te levar pra casa hoje. — Dio disse, beijando-o no meio dos cabelos.

Sieghart não respondeu de imediato, mas o fitou, a face toda vermelha e cansada e concordou.


Continua