Identity Crisis
36 C35. Body Temptation
Euforia.
Ryan girava os cabelos após mais um gole, piscando umas cinco vezes e cambaleando antes de cair no colo de Ronan, que praguejou alto. O senhor almofadinhas também sabia xingar afinal.
Os outros riam como hienas, tão passados que mal conseguiam compreender do que realmente estavam rindo. E o ruivo de cabelos mais intensos olhava com olhos sonhadores para o azulado e o agarrava pelo braço, muito mais fraco, e resmungava palavras sem nexo. Já o sempre calado Zero estava intensamente agarrado com uma moça alta ao fundo do salão e continuaria lá por um bom tempo. Ele era apegado.
Enquanto a cena ocorria, Sieghart ainda sentia-se flutuando, rendendo-se ao desejo de continuar as ousadias de mais cedo, deixando Dio provocá-lo. A mão esperta do companheiro brincava em sua nuca por uns tempos, depois o puxava pela cintura para seu corpo, tão grudados que não havia mais dúvidas de que estavam juntos. Por baixo da jaqueta, os dedos grossos subiam, acariciando a curva de seu peito e sua axila, devagar, subindo experimentalmente por seu mamilo, beliscando com demora... girando-o deliciosamente. Dio murmurava em seu ouvido aos poucos, fazendo-o dobrar as pernas. “Mais tarde vou chupar seu peito...” enlouquecendo-o com aquela voz grave e com aquelas obscenidades que parceira alguma havia lhe dito. Sieghart lembrava-se vividamente daqueles lábios há poucos minutos massageando sua glande. Isso já o fazia querer sumir para um canto escuro com ele.
Os colegas continuavam falando e a promessa do que fariam ao sair continuava enevoando sua mente. O rapaz então engoliu em seco, sentindo os dedos quentes o beliscarem tão deliciosamente que seu membro latejou forte entre as pernas e seus olhos fecharam por uns instantes. Sua boca salivava e o desejo percorria cada nervo de seu corpo.
Foi então que sentiram uma vibração no bolso da jaqueta, obrigando-os a parar. Dio pegou o celular e, o moreno não teria dado bola nem se ele tivesse atendido, contudo, a face do italiano o intrigou quando ignorou a chamada rapidamente.
— É importante?
Dio o fitou uns segundos e só disse:
— Não vou atender agora.
A vibe do momento rapidamente se transformou com aquele olhar. Olhar de “algo aconteceu, mas isso é mais importante”. E ele soube que se arrependeria, mas Sieghart mordeu os lábios e aceitou. Ele sabia que os imprevistos que Dio sempre tinha continuariam aparecendo caso estivessem juntos.
— E você não vai me dizer sobre o que são esses negócios de família? — indagou casualmente, mas com olhar firme. Era um escolha afinal. Uma escolha que poderia acarretar certas consequências.
Dio engoliu ar e deixou a bebida na mesa. O moreno o viu esfregar a testa e logo dizer:
— Eu quero. Mas é complicado para explicar exatamente agora. — ele disse, deixando suas mãos para si. Queria deixar claro que estava sendo sério e não enrolando o parceiro com desculpinhas e afetos.
— Porque estamos bebendo? — Sieghart perguntou, sabendo que estava alterado.
— Porque os assuntos de família que eu tenho não podem ser ditos em lugares públicos... devo adiantar. — ele murmurou, inclinando a boca sobre a orelha do mais velho.
Os olhos prata arregalaram-se brevemente, curiosos. Mas antes de continuarem, novamente, uma ligação os interrompeu.
Dio ia desligá-lo, mas os dedos claros o pararam. O menear da cabeça o permitiu atender.
— Desculpa. — Dio adicionou, antes de aceitar a chamada e assumir uma voz de empresário. — Fiammeggianti.
Sieghart encostou seu rosto entre o peito e o ombro do namorado e deixou-o ter sua conversa, esquecendo-se do resto. Ele deixou o rapaz acaricia-lo, em seu ombro, suas mechas escuras e pescoço, apreciando muito, e deixou também a sensação péssima do redeimoinho da embriaguez tomá-lo ao fechar os olhos. Ele não queria vomitar, mas tudo rodava, distraindo-o totalmente da conversa ao telefone.
— Ei, Sieg, você está bem? — a voz de Dio o chamou e ele reabriu os olhos para vê-lo com uma cara que não estava muito feliz.
— Quem era?
Dio crispou os lábios.
— Sieg, uma colega minha vai vir me buscar para me levar a um restaurante da minha família. Aconteceu uns problemas com os nossos funcionários... — ele explicou, um pouco hesitante.
Sieghart soube que não ia gostar. Ele tinha deixado afinal.
— Você realmente... realmente vai me explicar tudo? Por que eu... — ele estava prestes a dizer “estou farto dessa merda de enrolação”, mas invocou o buda dentro de si. — Enfim. Você precisa me explicar tudo depois. É uma promessa.
Dio rapidamente assentiu com a cabeça, deixando-o apenas minimamente aliviado.
— Sim, eu prometo. Depois. Quando nos vermos de novo. — ele prometeu, acariciando sua face.
Sieghart aguardou uns segundos e assentiu de volta. Os dois, muito naturalmente, se aproximaram juntos, os lábios se juntando, as mãos encaixando-se perfeitamente. E eles não resistiram a uma pequena demora, um pouco mais, um pouco de língua e suspiros quentes.
Não foi nem um minuto depois que surgiu um rapaz à frente do grupo em roupas sociais. Tamanho médio, olhos escuros e cabelo ruivo flamejante, voz fina e com sotaque forte.
— Aí está você, chefe. — proferiu, jogando o olhar de um ao outro. — Estamos à espera no estacionamento.
Dio fitou Sieghart uma vez antes de beijá-lo mais uma vez rapidamente e se despedir com uma carícia em seu queixo.
Ao serem deixados sozinhos, Sieghart voltou-se para os amigos, que mantinham uma conversa casual, mas olhavam a situação brevemente.
— E aí? Voltou à Terra? — Ryan perguntou com graça, sorrindo de ponta a ponta.
Sieghart coçou a bochecha, sentindo que nenhuma quantidade de álcool eliminaria o constrangimento de trocar carícias com alguém tão abertamente.
— Ele precisou sair. Tem umas coisas para resolver... — ele disse enrolado, tentando mudar de assunto.
Dessa vez, foi Jin quem brincou com ele, maldoso, olhos apontando para baixo.
— E te deixou com umas coisas para resolver também.
XXX
Tudo ocorreu normalmente na manhã seguinte. Todos estavam de ressaca, como devia ser, e apagados em seu quarto gigante como era o esperado.
Lupus tinha tomado seu banho com demora e descansado bem seu corpo. Mentalmente? Ele ainda tinha suas dúvidas, mas o plano era ir melhorando dia após dia, principalmente agora que tinha finalmente aberto seu coração e contado boa parte do que aconteceu para alguém confiável.
Ele também não estava disposto a acordar ninguém até mais tarde, visto que ele tinha acordado de madrugada para deixá-los entrar na mansão e foi um show de horrores. Ronan achou uma boa ideia mandá-los direto ali do que levá-los para a própria casa e ter que ficar com a sujeira depois. O que era justo. Eles iam mesmo vir para a mansão, mas Lupus tinha dispensado o rolê no clube na noite anterior após resolver aquele trabalho de edição atrasado.
— Hm... — o resmungo veio do melhor amigo, que sempre tinha um sono quieto, mas às vezes dava uns murmúrios engraçados.
Lupus se aproximou dele, agachando-se. Sieghart estava também abatido. Cabelo desgrenhado e exalando álcool. Mas sua face sempre era bela, não importava quão desarrumado estivesse.
O mais velho levantou-se então, apreciando o ar da manhã gelada e caminhou até a janela, observando o largo jardim moderno e a piscina aquecida, onde pensava ter alguma partida com os amigos e beber algo interessante, conversar e comer aquele delicioso churrasco brasileiro que Sieghart tinha aprendido a fazer e eles decidiram fazer pelo menos uma vez ao mês.
Um toque discreto na porta o tirou do momento, levando-o a encarar Miriam, sempre profissional, avisando que o café da manhã estava servido. Lupus pensou um pouco, olhando para os amigos e de volta para a mulher. Ela não demonstrava, mas ele tinha perfeita consciência de que a empregada o odiava. Ele não a culpava. Ele boa parte das vezes odiava a si mesmo também.
— Os meninos vão levantar um pouco mais tarde, mas eu já estou descendo. — avisou, pacífico.
A moça de cabelos claros assentiu com a cabeça e fez uma leve curva com o corpo, se afastando. Mas não houve tempo para ele fechar a porta, pois ela voltou e o chamou.
— Jovem Mestre.
— Sim?
Ela olhou para os lados e murmurou.
— O Mestre Lass está na mesa no momento... Ele acabou acordando cedo e não sabia que o senhor estava na casa com os amigos.
O mais alto soltou um breve “oh” e ficou indeciso se ia ou não. As lembranças da última vez que haviam se visto estavam muito claras, quase palpáveis. Obviamente, nenhum humano seria capaz de esquecer o momento em que esfrega as partes íntimas com o próprio meio-irmão. Momentos como esse são inesquecíveis.
Miriam o observou alguns segundos e suspirou, desfazendo a pose de funcionária.
— Lupus, por que apenas não... vai até ele? E tem uma manhã tranquila e normal?
Ele arqueou a sobrancelha, surpreso pela objetividade da mulher.
— Você geralmente seria contra eu fazer isso, Miriam. Nunca sabemos quando eu vou estragar tudo não é? — respondeu, amargo, sentindo o olhar atravessando-o.
— Eu acho que estamos cansados disso. O Mestre Lass já não é mais uma criança e tem demonstrado suas vontades com clareza. Além de que está se esforçando para mudar toda essa situação. — ela suspirou, levantando um livro que carregava para o rapaz loiro. — É só o senhor não estragar tudo.
Lupus franziu o cenho, pegando o objeto oferecido. Não havia desenhos, apenas a capa vermelha clássica, detalhes dourados e um título exuberante.
— Simples assim? — indagou, sentindo o coração pulsando forte.
— Simples assim.
Ela sorriu para ele, pela primeira vez, e deu espaço e até o convidou “Então vamos”. E ele a deixou guiar até o salão da mesa principal.
O menino albino estava acomodado, servindo-se com a usual humildade. Hoje ele tinha prendido o cabelo, que vinha crescendo rapidamente, em um pequeno coque em altura média. Uns fios rebeldes ainda escapavam sobre a testa. Seria idiota demais tentar fingir que o garoto não era atraente. Todos conseguiam ver que a delicadeza do rosto se misturava com a agudeza do seu olhar, além de sua inteligência, que podia pegar qualquer um desprevenido. Apenas o próprio Lass não conseguia entender que possuía um charme único.
Os óculos quadrados mantinham-se dobrados ao lado na mesa.
— Bom dia.
A voz rouca do mais velho atravessou o ambiente e chamou a atenção do garoto, que o fitou de súbito. Ele encolheu os ombros, mas só por um instante, encontrando seus olhos. Raios saíam deles, numa conexão intensa.
Lass desviou os olhos, se acalmando e tentando esconder o rubor na face. Sua voz controlada respondeu.
— Bom dia.
Lupus sentiu o peito leve e um sorriso pequeno tentando sair. Ele se aproximou e sentou-se na cadeira à frente, não demorando em estender o livro.
— Miriam pediu para te entregar. — comentou casualmente, sua voz ainda confusa, mas dando seu melhor.
Lass o fitou, pegando para si o livro e meneando a cabeça. Era um livro da escola que ele precisava fazer um trabalho, então ia aproveitar o final de semana para ler.
— Hm. — agradeceu, baixo. Mas um segundo depois começou a mover as mãos, pegando a faca e uma fatia de focaccia cheirosa. — C-Como estão indo suas aulas?
Lupus soltou um risinho nasal, impressionado pelas mudanças que seu irmão vinha apresentando. Tinha que admitir, Lass era incrível, forte, obstinado. Infinitamente melhor que ele.
— Sinceramente, eu estou pensando em dar um tempo acabando esse semestre.
Lass parou a comida no meio do caminho e o olhou confuso. Viu a seriedade e o tom de auto-zombaria no mais velho inconfundíveis. Ele sabia que não demoraria para eles começarem a ter as conversas sérias que tinham adiado tanto.
Lupus suspirou alto e se esparramou na cadeira. Seus olhos vinhos voltados diretamente para o menor.
— Lass, você vai para o ensino médio agora. As coisas vão começar a ficar ainda mais sérias. As exigências vão aumentar também...
O menino mordeu a massa, mas permaneceu quieto, surpreso com a calma e a naturalidade que Lupus falava com ele. Tão estranho, mas tão familiar.
— Mas vai ser um período cheio de coisas legais também e novas coisas para aprender. — Lupus sorriu. — Pelo menos eu fiz bons amigos nessa época. E você tem que viver isso também, do seu jeito.
Por que Lass sentia que não queria ouvir mais nada? Seu cenho franziu, enquanto as memórias de tudo o que tinham passado corroíam seu pensamento. Aquilo no colégio? Ele não tinha tempo para processar o que foi tudo aquilo. Seu corpo respondendo no momento foi tão intenso... Ele podia simplesmente dar uma desculpa e que foi uma reação natural, instintiva. Mas ele sabia que não. Ele não estava apenas ouvindo os dois colegas fodendo na cabine ao lado. Seus olhos estavam frenéticos, presos no corpo do meio irmão.
Suas atitudes definitivamente tinham sido causadas por um sentimento que estava ali, disposto inteiro para ver, mas sempre tinha sido coberto por seu medo. E naquele momento foi como se ele tivesse superado toda a dor, ressentimento e insegurança. E agora, sentia que poderia fazer absolutamente qualquer coisa.
— Você já experimentou essa geléia? — Lass indagou, cortando seus pensamentos e cortando o que quer que fosse que o mais velho falava.
Lupus parou a mão no ar, a boca entreaberta, e confusão preencheu sua face. O cabelo loiro meio úmido terminava de secar.
— Não...
Lass voltou o olhar para um pão que tinha e passou geléia. Não sabia bem como ia fazer isso, mas fez.
— É uma geleia de morango. Caseira... Eu comecei a plantar no jardim dos fundos ano passado. — explicou. Sua voz era contida, mas clara. Ele olhava para a textura molenga, brilhante. — Acho que você vai gostar.
Lupus aceitou o pedaço estendido para si, fitando o menor por uns instantes. Sua expressão impagável. Ele mordeu e deixou rolar.
— É tipo... Muito bom. — ele sorriu levemente, apreciando o gosto muito mais do que esperava. Ele era um grande fã de frutas vermelhas. — E também, muito nostálgico.
Lass apertou os lábios, mas continuou comendo. Ambos continuaram comendo por um tempo.
Miriam se aproximou da mesa com um pote curto e um triturador de grãos.
— Café?
Lupus cobriu a boca para agradecê-la e depois disso todos os empregados se retiraram do local, dando espaço para os herdeiros da família terem seu primeiro café da manhã juntos.
— Esse café... — Lupus comentou, sorrindo enquanto escolhia os pequenos grãos pretos e já apreciava o cheiro. — São da fazenda de um produtor filiado. Eu pessoalmente vou nesse lugar e tento descobrir novos aromas e novos sabores. Quer fazer isso?
Os olhos tão brilhantes azuis o alcançaram, atravessando-o. O menino aceitou com muita rapidez e ele ensinou como moer o grão e a maneira adequada para passar um café delicioso.
O momento foi agradável, novo. Os garotos se sentiram como se tivessem perdido todo o tempo do mundo para fazer aquilo.
— Quem me ensinou foi minha mãe... — Lupus disse, experimentando o café que o próprio irmão passara. Seus olhos se perderam na cor escura, mas o gosto não era amargo.
Lass chamou-lhe a atenção um segundo, coçando a bochecha.
— Minha mãe... Eu lembro vagamente. Ela plantava morangos e tinha esse cheiro no ar o tempo inteiro. Ela tinha uma saúde debilitada, mas não conseguia ficar parada. Eu ficava andando atrás da saia dela, comendo morango escondido.
O mais velho sentia seu estômago virando aos poucos. Sua mãe e a mãe de Lass. As coisas poderiam ter sido diferentes para as duas e para eles.
— Sente falta dela? — Lupus indagou, sentindo o ar lhe faltando e uma onda de arrependimento batendo como um soco em seu peito.
Lass deu de ombros.
— Não. Eu só lembro mesmo é disso... Só lembro de uma ideia dela. Nada disso realmente importa para mim agora.
O moreno então comeu o pão novamente, sentindo o prazer de comer algo delicioso invadindo seus lábios. O cheiro do café em suas narinas, relaxando-o. A visão do jovem Lass à sua frente, com uma expressão que ele nunca havia visto. Seus dentes morderam a casca e o corpo do alimento, sentindo-se carnal.
Mas seus pensamentos foram logo reprimidos. Ele tinha que ser o responsável da situação. Ele seria o irmão ideal. O irmão que Lass precisava.
— Nós precisamos conversar sobre algumas coisas... em breve. — Lupus apontou, deixando a xícara e o prato. — Só preciso de um tempo.
Lass pareceu concordar com a ideia e confirmou com a cabeça. Ele seguiu o exemplo, terminando o que tinha para comer.
Eles se olharam, estranhos, mas familiares.
— Bem, eu... Eu tenho um livro para ler... Lição de casa sabe? — ele sorriu levemente, tendo ganhado uns centímetros nos últimos meses, Lupus percebeu.
— Lass... — chamou, antes de o albino sair.
— Oi?
— Você quer conhecer meus amigos? Sieghart já sabe sobre você aliás. — Lupus disse, em pé. Seus olhos buscavam algo no menor. Algum indício de que não havia mais aquela tensão, nem raiva... Mas ele sabia. Nada ia reparar seus erros naquela vida.
O mais novo arregalou os olhos e foi inconfundível seu embaraço. Ele pensou e deu um pouco de esperança para o outro.
— Eu acho... — seus olhos fitaram a porta. — ... Eu acho melhor não. Cedo demais.
Lupus o imitou.
— É... cedo demais. Desculpa.
O albino agarrou o livro e acenou timidamente enquanto saía pela porta. Lupus havia suspirado e desistido, mas ainda ouviu:
— Na próxima. Se não tiver problema.
E o garoto sumiu nas escadas.
XXX
— Então. Você estava ocupado junto com seu...Como é mesmo? Repete pra mim.
Os lábios em seus ouvidos o atazanavam há horas. Desde o momento em que tinha saído da boate até a manhã, com péssimo humor e paciência para brincadeiras, a garota não tinha deixado ele em paz. Quando tinha sentado na poltrona do carro, ele já havia avisado “É bom ser algo muito sério para me chamarem pessoalmente”. No fim era. Mas já estava resolvido.
— Companheiro. — ele repetiu, dando uma cotovelada na menina, que não parava de fazer uns sons chiados, rindo igual uma maluca.
— Eu não acre-di-to! Dio Valico Fiammeggianti. O eterno solteiro. — ela desenhou o título no ar, os olhos saltando com aquela revelação fantástica. — Don Juan.
— Fica quieta, por favor?
Ele suspirou cruzando os braços, sentindo que Alfred o fitava pelo retrovisor com imensa curiosidade.
Rey parou um instate, o fitando, dando uma pausa brutal antes de continuar.
— O Boto Rosa que viajou a Itália.
Dio levantou os braços, farto daquilo, girando os olhos para o teto.
— Chega, garota! Já entendi! Eu estou namorando, okay? Mesmo depois de tudo o que fiz!
Ela se aquietou depois disso, sem conseguir desfazer o sorrisinho.
— Você vai me apresentar ele, não vai? Eu preciso saber como ele é.
O mais novo apenas afastou a amiga de infância e manteve-a no canto com sua falação, permitindo-se um momento de reflexão.
A verdade era que ele tinha pensado em como apresentar o moreno para Rey e também em comentar com seu pai sobre a situação. Não pareceria muito repentino? E meio irresponsável? Seu pai era um cara rígido como nenhum outro, mas ele sabia que tinha um coração e meio para quem precisasse e fosse leal à familia. Ele não achava que seu pai iria ligar nenhum pouco sobre o fato de Sieghart não ser a Rita dos olhos azuis do mediterrâneo, dona do fogo da paixão sulense; uma nereida úmida e quente que traria empolgação para a casa dos Fiammeggianti.
— Você tem é que se preocupar em mostrar ele pra mim! — Rey o beliscou na bochecha, parecendo ler seus pensamentos. — Eu vou verificar para o seu papi se ele merece mesmo ficar com você, benzinho.
Dio torceu o nariz, irritado.
— Não me chama assim, Rey. Se você ficar provocando assim, aí é que eu não te apresento.
A menina remexeu os ombros e, consequentemente o casaco de penugens brancas, animada com a ideia, mas ele estava sério.
— Ele não pode saber que nós dois... já tivemos uma relação.
— Você considera aquilo uma relação, Dio? — ela riu, fazendo parecer que ele estava se preocupando com uma besteira. — Ah, me poupe. Você tinha 9 anos, idiota.
— Namoro é namoro. Não finja que foi só brincadeira de casinha.
A menina riu de novo.
— Você é tão sério com as coisas mais bestas. Bem, o ponto que quero chegar é que você já vai começar o namoro com segredinhos. Super confiável, você.
Mas o que ele ia fazer? Logo no início apresentar a amiga de infância que, por um acaso ou outro tinha sido sua namorada na escolinha? E que depois na adolescência tinham seus rala e rolas por pura diversão? Era meio difícil.
— Eu sei... Mas ele parece ser meio ciumento e não quero que ele fique inseguro logo agora.
— Bem. Antes de tudo eu sou sua melhor amiga. E é por isso que você vai me mostrar ele. — ela apontou, decisiva. — E se demorar muito para contar, eu arranjo um jeito de me encontrar com ele e conto eu mesma, tá?
— Você não ouviu o que eu disse, Rey?
— E você não ouviu o que eu disse, Dio? Se ele é ciumento, vai ser pior. Conta agora, ou depois o calo aperta. Você sabe muito bem que não pode cortar relações comigo e adiar o assunto.
Dio suspirou, passando a mão sobre a face. Ela tinha toda razão, como sempre tivera. Não ia ser fácil.
— Mestre Dio, estamos há dez minutos da residência dos Wilde. — Alfred avisou, sua voz educada e austera, recebendo um olhar decisivo e um agradecimento do jovem herdeiro pelo retrovisor.
XXX
— Acho que eu não tô legal. — Jin falou com a mão no estômago e a outra na cabeça enquanto se sentava na mesa com os amigos.
— Disse um homem sábio certa vez: “A melhor cura para a ressaca é... — Ryan começou, batendo em seu ombro em uma animação jamais vista pelo homem após uma noite agitada como aquela.
— Beber mais!” — Sieghart e Lupus responderam com um sorriso enorme e levantando as canecas vazias enquanto Zero fazia o mesmo, só que mudo.
— Um engov, uma coquinha e um salgado. — Jin respondeu, olhando-os com indignação.
— Você não muda nada hein, Jin. — Sieghart passou por ele, batendo em seu ombro e indo sentar-se também.
Era por volta da uma da tarde e a onda de calor que havia sido prometida pelo Canal 11 finalmente tinha chegado. Não era mais tão frio na Grã-Bretanha e eles poderiam desfrutar da piscina e de um jogo na grama sem camisas pela primeira vez no ano.
— O Jin tem razão no final. Antes de beber, precisamos almoçar e depois eu vou buscar a caixa de som. — avisou o mais velho do grupo, olhando o relógio. — As bebidas estão na geladeira na nossa área de lazer lá fora.
— Seus rolês nunca decepcionam, Lupus. — Ryan agradeceu mais uma vez, contemplando os pratos sendo servidos por dois empregados homens. Miriam não estava entre eles, tirando a tarde de domingo de folga.
O moreno, apesar da fome, não resistiu em pegar o celular e olhar as conversas que estavam rolando. Tinha de tudo no seu chat, visto a quantidade de grupos que participava por causa do colégio. Aí, uma mensagem em particular chamou sua atenção.
“Minha viagem já está marcada, chuchuzinho”.
E ele lembrou-se de que precisava ir se informando com ela, já que tinha prometido levá-la para conhecer os novos lugares na cidade.
— Sieg? — Zero o chamou, inusualmente falante.
— Oi?
— Conseguiu ver se o Dio vai vir para cá também? — Lupus perguntou de novo, curioso com a cara que o amigo fazia para o celular.
— Ah... Ainda nada.
Depois disso, eles fizeram todo o necessário para estarem prontos.
Sieghart conseguiu domar o ninho que estava sua cabeça e tinha esfregado com água gelada aquela ressaca e a excitação que sentia toda vez que pensava no namorado e na noite passada. Ele parecia um bicho no cio, sem conseguir acalmar seus pensamentos, mas antes, precisava tirar informações do cara. Ele precisava garantir que sua boca não tivesse a chance de ir pra outros lugares antes de falar sobre o que era importante.
Quando desceu, tendo sido o último a ocupar o banheiro do Wilde, viu os amigos na maior gritaria.
Jin e Ryan vestiam modelos que eram a cara deles. Uma até as coxas de chamas, branca e vermelha, mostrando o corpo bronzeado e definido do ex-monge. Ryan era apenas uns centímetros mais alto e vestia uma bermuda longa e caída, verde musgo e de símbolos irregulares em cinza, seu corpo era mais robusto e tinha marcas do uniforme de jardinagem.
Estavam animados na grama, com as armas de água a postos. O alaranjado não largava o coquetel de limão e rum enquanto o outro não cedeu e ficou com a água tônica.
— Cadê o Zero? — perguntou, procurando-o atrás dos óculos escuros.
— Ele se escondeu rápido demais de novo! Fizemos uma aposta. — Ryan explicou enquanto ficava costa contra costas com Jin.
— Quem pegar ele por último vai ter que tomar uma dose de Escorpião Rei. — Jin continuou, mostrando a língua e balançando a cabeça.
O moreno riu, animado com a ideia.
— O puro sabor de um homem guerreiro, másculo e sudorento saído direto das areias do Egito. — Sieghart comentou cheio de graça, se direcionando para a geladeira e escolhendo uma simples garrafa d’água para começar seu dia.
— Ew. — Ryan gemeu, balançando a cabeça também. — Aquele negócio eu tomei só uma vez...
Os meninos se afastavam, começando a procurar atrás dos enormes arbustos e moitas do longo jardim da casa.
— Eu quase morri. — Jin suspirou. — Eu acho que já quero desistir.
O moreno deixou-os lá e começou a tirar os aperitivos das travessas, colocadas em uma mesa de praia longa, perto da churrasqueira. Ele era quem ia acender e fazer todo o processo e realmente gostava disso, mas só até a hora em que decidissem jogar um futebol. Aí ele abandonava o que estava fazendo e ia se exercitar um pouco.
Tomou da garrafa, se refrescando tanto que pareceu até férias.
— Ahhhh! Puta que pariu...
Os olhos prata voltaram para os dois ruivos se debatendo de volta das plantas.
— Quem venceu?
— Zero venceu. — Ryan resmungou, abandonando a pistola num canto e indo se juntar ao mais velho.
— Ele é rápido demais.
— Hahah, vocês nunca tiveram chance. — Sieghart riu enquanto dominava a faca de carne e começava seu trabalho. O fogo já começava apenas a crepitar.
— Olha, o Lupus esqueceu a caixa de som no carro e foi buscar lá embaixo, nos portões. — Ryan disse, recuperando ainda o fôlego. — Quer jogar um pouco?
— Não sei. Não querem esperar ele? — Sieghart olhou deles para o pedaço de carne na bancada.
— Ele acabou de ir, cara. Uma aposta rápida, o que acha?
Sieghart riu com vontade, sabendo que aquela ele já tinha vencido.
— Uma dose de Escorpião Rei? Vocês juntos tem que tentar fazer um gol antes de mim.
—Hoje não, reizinho. Nós temos um plano para acabar com a sua raça. — Jin disse com o olhar brilhante, parecendo renovado e pronto para um novo ataque.
Zero bateu o punho em sua mão e fez um sinal agressivo em direção ao moreno. Eles estavam dispostos a fazê-lo ficar de joelhos pela primeira vez na vida.
— Eu tomo duas doses. — Sieghart riu ainda mais alto, acendendo um fogo dentro de si que nem se recordava direito. Finalmente, aquela vontade, a excitação, toda a energia que possuía teria vazão. Ele amava jogar, amava estar com os amigos acima de tudo. Ele precisava aproveitar os momentos que tinha.
Eles foram para o campo. O moreno abandonou a camisa sem mangas branca e ficoucom o shorts preto, raios cinzentos e sutis nas laterais, dando a mobilidade que gostava. Seu torso, recebendo o sol, pareceu se alegrar um pouco. Ele sentia o queimado, mas ai como gostava daquele calor.
— Ele está confiante. É nossa chance hein. — Ryan segredou com os parceiros de campo.
Os meninos armaram garrafas em cada lado do jardim e dado um espaço digno para poderem jogar com certo nível de habilidade. Não que qualquer um soubesse jogar de verdade como o Sieghart.
E então eles se prepararam. Sieghart se remexeu e fez um breve aquecimento, sabendo que podia pegar leve. E Zero foi quem ficou de juíz e apitou, só que no lugar do apito ele assobiou com os dedos, sendo um perito nesse assunto.
Bem. O resultado foi que Jin e Ryan vinham se preparando para esse momento pelas costas de Sieghart e, de alguma forma, roubaram a vitória. Ryan fez com que Jin, mesmo sendo um péssimo jogador, conseguisse realizar o primeiro gol de sua vida.
E, derrotado, Sieghart ficou de joelhos no meio do campo.
— A primeira dose é agora. — Zero se aproximou com um sorriso e com uma garrafa de aspecto assustador. O vidro era vermelho e grosso, com rótulo preto e letras douradas com o nome destacado em uma língua diferente.
A bendita era uma mistura secreta que realmente continha o corpo de um escorpião dourado boiando em si. Quanto mais a temida garrafa ficava parada na coleção do Sr. Regis, mais aterrorizante ficava.
Sieghart virou o olhar para o alto, suando com o sol no rosto, vendo o líquido vermelho sendo despejado no pequeno copo, minúsculo, bem em seu nariz. O cheiro era fétido e o álcool rancido. Seu estômago já machucado da noite passada reclamou.
— Sério isso? Parece pior que o ano passado... — resmungou, tapando o nariz.
Jin tocou em seu ombro.
— Vai Sieg. Abre a boquinha.
Algo no moreno se remexeu ao ouví-lo falando daquele jeito. Ele tentou ignorar sua mente traiçoeira e tentou manter a língua imóvel o máximo possível para que não sentisse nada além da sensação em sua garganta. O gosto daquilo era apenas terrível e ele sentia fisicamente a sensação sempre que se lembrava da garrafa.
Foi rápido e bem calculado. Zero tinha a mão firme e virou direto, sem deixar gotas. Sieghart fechou os lábios, tentando engolir tudo de uma vez, mas parecia que a acidez subia pela garganta, subindo por seus olhos e face. Já todo suado, parecia que estava com uma febre de quarenta graus.
Assim que terminou, tossindo igual um filho da mãe, tentou se levantar, mas ainda cambaleou, tendo que ser apoiado por Ryan.
— Ca-ralho... — ele gemeu, abrindo e fechando os olhos duas vezes.
— Vai desistir? — Jin indagou, sentindo a vitória total muito próxima.
Sieghart passou a língua nos dentes e tentou manter aquele ardor em seu sistema domesticado. Sua cabeça voltava a flutuar, numa sensação quente e intensa. Ele se sentia imensamente bem.
— Nem parece que você me conhece...
XXX
— Os jardins daqui são os mais lindos da região, sem dúvida! — Rey comentava em verdadeira surpresa enquanto seguia ao lado do dono.
Ambos tinham descido na mansão e, com muita sorte, tinham avistado o amigo de Sieghart mexendo no porta malas de um carro do lado de dentro do portão. Lupus cumprimentou os dois, estranhando a nova face, mas a convidou para entrar também.
— Eu não sou um dos mais apreciadores, mas tem gente na casa que entende de plantas como ninguém. Nem sei como essas tulipas aguentam aqui. — ele comentou, com uma expressão leve, fazendo parecer que havia tido mudanças em sua vida. Dio estava contente, gostando ou não dele. No final, o rapaz Wilde tinha praticamente obrigado que ele fosse junto.
— Eles levantaram? — Dio indagou, tentando manter a amiga longe do rapaz loiro. Rey não tinha limites às vezes e ele sabia bem quando aqueles olhos verdes estavam piscando para um novo interesse.
— Ah, já. Não sei se vão estar tão energéticos. Bom, o Ryan sempre está, mas ele acalma quando os outros estão cansados.
Mais errado ele não poderia estar.
Porque quando o trio chegou à enorme área, já na expectativa de comer bem e beber algo delicioso enquanto nadavam e tiravam umas fotos para as redes sociais, se depararam com uma disputa acirrada e agressiva, além de xingos e gritos que o faziam estar no próprio estádio da seleção durante a copa. Só que em escala menor.
Os dois ruivos faziam força para tentar segurar o moreno, que pingava suor desde a ponta da cabeça até o umbigo, com a bermuda colada em todas as partes. Ryan e Jin estavam igual, rangendo os dentes e discutindo sobre como não cobriam um ao outro.
— Caralho, segura ele desse lado, não entendeu ainda, Jin?! — até mesmo Ryan, quem sempre era calmo, tinha perdido o controle na brincadeira.
Sieghart estava sério daquele jeito, mas fazia provocações constantes, além de fazer umas embaixadinhas e zombar da habilidade dos amigos. Ele não sabia brincar.
Zero assobiou de novo assim que o moreno bateu com força em Jin, rolando pela grama. Era difícil, pois a partida tinha virado um jogo corporal e ambos eram monstros de músculos. Não estavam jogando com regras perfeitas e não tinha faltas. Então Sieghart rolava fácil, ganhando alguns arranhados.
Com isso, percebendo que não tinham sido notados, Dio deixou a dupla se encarregar de pegar as bebidas. Ele se apoiou no balcão, vendo a forma que os garotos jogavam com tanta força de vontade. Mas ele não conseguiu manter sua mente aí. Não quando Sieghart parou em meio campo, a bermuda levantada sobre as coxas, e jogou o cabelo pra trás, recuperando o fôlego. A face do namorado estava vermelha como nunca, do esforço, o brilho na pele fazendo-o parecer cru e muito humano.
Verdade seja dita, Sieghart nunca tinha parecido tão másculo e sensual. O brilho do peito e abdômen capturavam seus olhos, os mamilos suaves e escuros chamavam-no para encarar e ele não conseguia resistir àquela imagem.
Sieghart ficou de costas e mostrou o dedo do meio para Zero, que lhe mostrou de volta. Dio aceitou a garrafa d’água que Rey lhe entregou, fingindo total desinteresse, porém, num segundo os músculos daquelas costas chamaram sua atenção. O desenho da espinha percorrendo até a curva de sua lombar o entreteram. A linha do músculo descendo no tecido branco molhado, a elevação dos glúteos perfeitos de jogador.
Ele era cego? Como não tinha visto a perfeição que se mexia sob seus olhos quando estava beijando Sieghart todas aquelas outras vezes?
O riso do moreno pareceu levá-lo além. E assim que estava totalmente hipnotizado, foi acordado com um estalido. Era o som do carvão.
— Uhm. É ele, certo? — Rey perguntou, não se importando em se fazer de boba. — O seu companheiro.
Dio a olhou de canto e começou a abrir a garrafa, interrogando-a apenas uma vez:
— Impressões?
— Hunf. Ele é um moleque. — ela admitiu, sendo bem discreta para Lupus não ouvir enquanto mexia no fogo.
Dio arqueou a sobrancelha, fazendo questionamentos internos. Não via ele assim. Ele era mais que isso em sua cabeça.
Não foi muito depois que os garotos perceberam eles ali e deram uma pausa no jogo, abandonando o campo improvisado. Ao ver Dio, os rostos se iluminaram e eles começaram a cumprimentar como se fossem amigos de longa data, logo passando para Rey, mesmo estranhando a presença da garota ali.
Sieghart foi o último a vir. Ele tinha sentado um pouco na grama para pegar ar e também para se preparar em como agir com o namorado ali.
Se aproximando, Dio apenas lhe deu um sorrisinho provocante e lhe estendeu a garrafa. O moreno agradeceu, até com certa timidez, e abriu a tampa. Bem, assim que o fez, a água espirrou toda, molhando o moreno e a roupa inteira do italiano.
— Ai, acho que peguei a água com gás sem querer. — Rey disse, escondida atrás de Lupus.
Todos começaram a rir, começando a se afastar para a mesa. Depois Sieghart riu um pouco, já que estava todo suado mesmo, mas o problema foi Dio. Ele estava com um conjunto social tons de areia e sem gravata, o que devia ter a ver com seu serviço, e, infelizmente, tinha saído bem avariado da situação.
Dio respirou fundo, tirando a água do rosto e apontou para a garota.
— Sieghart, essa é a Rey. A amiga que eu comentei ontem.
Ela se interpôs, afastando o amigo e esboçando seu vestido curtíssimo, decotado em um violeta brilhante. Sieghart sentia o aroma aveludado e conseguia sentir o instinto predador nela. Ela tinha um corpo maravilhoso e uma confiança invejável. Agora, porque Dio a tinha trazido ali?
— Muito prazer. Meu nome é Rey Von Crimson River e sou agregada à família do Dio.
— Oh... Muito prazer. Eu sou Ercnard Frejat Sieghart. — o moreno meneou levemente a cabeça, sentindo certa seriedade no tom dela. Obviamente ela tinha se apresentado com nome completo, assim dando tom de formalidade à situação, então ele apenas respondeu à altura.
Ele ainda olhou Dio, querendo adicionar algo, mas ele apenas deu de ombros.
— Ela é minha amiga de infância. E queria conhecer você.
Continua
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