Identity Crisis
35 C34. A long evening
Notas iniciais
1ª parte: O Jantar Anual da Família Sieghart
Tratado como o evento mais íntimo e também o mais importante para todos os membros e associados do império encabeçado por Eckhart Freijat Sieghart, pai de Seth e avô de Ercnard, o jantar anual costumava acontecer em algum momento no meio do ano, diferente do que a maioria das famílias tinha costume de fazer, geralmente no final ou nas festividades do início do ano.
A verdade é que o velho não comandava na Inglaterra e sim nos fundos de uma fazenda no meio da Alemanha, de onde a família originara e odiava passar datas festivas em reunião tão sérias. Ele por si só não era nada sério, se caracterizando como um velho bastante excêntrico.
Ercnard lembrava de suas visitas e adorava o avô. Nada o faria esquecer quão magoado ficou quando seus pais o arrastaram para outro país e o afastaram de seus amigos e da porção da família que ele mais gostava. E agora, com o avô paterno de volta, ele se sentia na obrigação de comparecer, mesmo tendo evitado qualquer encontro burocrático pelos últimos 3 anos.
— Cuidado com o degrau, Mestre. — avisou-lhe o mordomo Claude, tirando-o de seus pensamentos.
A mansão em que havia crescido se erguia diante de seus olhos. A festa aconteceria no terceiro salão da casa, onde haveria toda a equipe organizada em um banquete metodicamente preparado pelo cozinheiro chef da família. Havia seguranças localizados estrategicamente por todo o perímetro e todos os sistemas de segurança devem ter sido checados durante dias.
Sieghart lembrou-se de quando tinha 6 anos. Uma vez, ele presenciou um tiroteiro e depois foi um caos durante muito tempo até as coisas se acalmarem e a família poder reunir-se novamente.
— Bem vindo de volta, Mestre.
O moreno desceu seus olhos pratas para as mãos delicadas de sua empregada pessoal, que vestia um vestido liso, que compunha o uniforme vermelho-sangue da noite, e os cabelos em coque. Sua maquiagem leve, os lábios rosados. Ela se portava ainda mais profissional do que o normal.
— Boa noite Estela. — ele a fitou com precisão, tentando encontrar qualquer sinal de que sabia dos atos do irmão, Maya.
Ele entregou seu casaco e se dirigiu para dentro de casa, incapaz de ouvir as vozes que das pessoas que já deveriam estar no salão. Porém, ouviu um som vindo de cima das escadas, que acreditou ser causado por Griffith.
“Mais tarde”. Pensou. E se encaminhou diretamente para o local do jantar. Ele estava atrasado, mas como não era o anfitrião, não precisava se preocupar. De qualquer jeito, a festa já tinha começado a mais ou menos duas horas.
E assim, chegando às portas de entrada, iniciou os procedimentos usuais que ocorriam quando ele chegava no ambiente. Os guardas abriram espaço, organizando-se imediatamente ao vê-lo. O homem alto de óculos e coltre acionou o rádio, informando de sua presença “O Filho do Sr. Sieghart acaba de chegar na portaria”. Os homens se posicionaram, informando-o rapidamente sobre seu assento no salão, mas uma mulher com um uniforme escuro e lenço dourado atravessou as cortinas ao seu lado, posicionando-se à sua frente, acompanhada de mais duas.
— Sr. Sieghart! Boa noite, meu nome é Angela. Somos as suas encarregadas da noite. Vou informá-lo de alguns detalhes essenciais, certo?
Sieghart acenou com naturalidade, sabendo que era o papel da mulher facilitar sua noite. Ele não gostava de toda a multidão em volta dele, mas infelizmente ele não podia dificultar as vidas daquelas pessoas, que só tinham vindo cumprir sua função.
E então ela iniciou, rápida e objetiva. A quantidade de pessoas, a localização das mesas, quem estava sentado do lado dele, quem importante da família estava presente e quem não. Ela informou-lhe as bebidas, ele a interrompeu para pedir algo especial. Ela lhe disse sobre a família Elsteiner, os Frost, o representante dos Wilde, os sócios da empresa e alguns socialites relacionados, além de alguns amigos militares de seu avô e todos seus companheiros. No salão deveria ter por volta de trezentas pessoas, contando com as equipes de serviço, os familiares e boa parte dos empregados da central que Seth comandava em Londres.
Além disso, ela já o informou sobre a alimentação e quanto tempo ele deveria ficar, informado pelo próprio pai.
— E meu avô? — perguntou com esperança de que talvez ele pudesse ficar perto do homem e evitar ser um alvo de Zhelia, a irmã do mesmo.
Ela guardou sua prancheta e acionou o rádio, sempre muito comunicativa com o olhar e objetiva.
— O Sr. Eckhart Sieghart está prestes a chegar. Seu vôo atrasou mais cedo, mas já foi resolvido.
Sieghart levantou a sobrancelha, entendendo porque o local havia sido mudado para o salão 3 de última hora.
— Ele vai descer com o helicóptero aqui?
A mulher olhou o relógio e o fitou, olhos castanhos sérios.
— Em cinco minutos, Senhor.
Sieghart balançou a cabeça, em entendimento, ganhando uma ideia.
— Angela, mande o Claude para a área de pouso e escolha dois seguranças para irem comigo. Eu vou acompanhar meu avô.
A mulher acenou uma vez e imediatamente fez o que lhe fora mandado. Ela acenou para o segurança-chefe e ele separou mais um homem de confiança, ambos se pondo a postos. Em menos de dois minutos, o rapaz caminhava para a pista, atravessando o corredor externo do salão, acompanhado pelos altos homens e avistando Claude esperando do outro lado com o equipamento para a espera.
O helicóptero chegou por fim, no tempo previsto. Sieghart se tornou apreensivo, mas de um jeito bom, já conseguindo ver o velho.
Ele cobriu o vento que bateu em seu rosto e aguardou até que o homem mais importante da noite descesse do avião. Ele continuava forte, robusto. O avô tinha as feições duras e os cabelos bem brancos, mas uma saúde de ferro e uma boca enorme para ser sarcástico e inconsequente.
Assim que os olhos azuis do homem o encontraram, o velho arregalou os olhos, mas disfarçou com uma leve tosse. Sieghart se aproximou calmamente, um pouco envergonhado por nunca ter se esforçado para vê-lo.
O velho o encarou, analisando-o. Sieghart o cumprimentou.
— Oi, vô.
— Hm. — Eckhart era apenas um pouco mais alto que o rapaz atualmente. Ele levantou a mão e segurou a bochecha do moreno com uma força desnecessária. Sieghart gemeu, não esperando que essa seria sua primeira interação. — Seu moleque levado! Você tem coragem de aparecer assim hein?!
— AI-AI! Vô!
— Olha como você está enorme! Como tem coragem de fazer isso com seu próprio avô?! Sumir por anos! Hein, Ercnard?!
O moreno segurou o pulso do avô, sua face latejando dor e seus olhos lacrimejando. Pelo menos ele podia esconder sua saudade e dizer que eram lágrimas de dor.
O velho então o soltou, mexendo os lábios, movimentando seu bigode e barba bem mantidos. Ele o fitou, colocando as mãos atrás das costas.
— Ajude esse velho a entrar. Temos muito para conversar, seu menino idiota.
E eles seguiram para o salão. Claude ajudou o Presidente a ajeitar as vestimentas, o paletó em vinho e negro, porém sem gravata, antes de pisarem no evento. Os olhos de todos no salão se viraram curiosos para ver o imponente senhor, o brilho do colar prata e do brinco redondo de diamante em sua orelha esquerda.
Seth se afastou de seu grupo de amigos mais importantes ao vê-los, destoante das cores monocromáticas que todos decidiram para a noite, identificando o próprio filho junto ao pai. Ele se direcionou até as portas laterais, onde eles estavam. Algo em si remoeu quando os encarou, não esperando que Ercnard chegasse junto ao avô.
— Pai. Ercnard.
Eckhart o encarou no mesmo nível e sorriu, abraçando-o.
O pai de Ercnard era muito parecido como filho, mas eles diferenciavam nos olhos azuis escuros, nos traços grosseiros, os cabelos lisos. Já o mais novo tinha os olhos ainda mais claros, pratas, os fios revoltos e face delicada como a da mãe. Todos conseguiam ver com facilidade a herança sanguínea.
Ao se afastarem, Seth foi para cumprimentar o rapaz. O moreno sentiu seus ombros envolvidos pelas mãos intensas e, em seguida, a mão quente do pai em sua cabeça, causando-lhe uma sensação contraditória. Sentiu os lábios grossos em sua face direita. O conhecido beijo de cumprimento de sua família.
— Bem vindo de volta, filho. — sua voz grave tomando-o, fazendo-o se sentir culpado, pequeno e impotente.
Eckhart manteve seus olhos poderosos sobre ambos o tempo inteiro, mas relaxou um pouco assim que foram abordados por Erika, quebrando todo o ar pesado. O senhor mais velho se encantou ao vê-la e já começou com as brincadeiras, sendo levado para seu lugar na mesa, cumprimentando pessoas pelo caminho.
Sieghart e Seth foram atrás, lado a lado. O moreno mantendo-se altivo e confiante, mesmo que por dentro estivesse ainda processando aquela demonstração de afeto de seu pai.
“Faz anos...” Ele pensava, perturbado com a sensação tão estranha. Aturdido com a realização de que tudo o que sempre quis fora um abraço do pai, uma única palavra de que estava orgulhoso dele.
Todos se sentaram, dando início propício ao jantar. Os aperitivos tinham passado há tempos e eles já conseguiam ver os convidados animados e falantes. Sieghart decidiu que beberia uma taça de vinho e ficaria tudo bem apenas com isso.
— Ercnard, meu amor, você não me disse que ia vir. — Erika o abordou inocentemente, enquanto ele sentava ao seu lado. — Você está tão bonito!
O moreno a fitou, sentindo certo alívio. Sua mãe, apesar dos pesares, não tinha poder sobre tudo o que acontecia dentro de casa. Ele tinha um carinho enorme por ela, mas não conseguia abandonar sua mágoa por ela sempre ficar calada durante sua criação. Sua relação era pacífica e ele a amava com todasas forças, porém, não podia contar com ela.
— Mãe... — ele a fitou em tom de aviso. As primas distantes à sua volta o olhavam com olhares brilhantes e cheia de risos com a forma amável que a mulher do CEO o tratava. Ele girou os olhos, vermelho. — Obrigado.
Ela sorriu, mas foi logo que o olhar de mãe mudou, como se o cobrando de sua conversa na noite anterior e, para não deixá-la preocupada, Sieghart a abraçou e a cumprimentou com demora, falando palavras de reafirmação em seu ouvido, explicando que estava tudo bem e que poderiam conversar com mais calma dali um dia, durante a tarde de domingo. Só assim, ela deixou seu olhar de aviso e relaxou.
Foi sem demora que todos começaram a se sentar e diminuir o tom da conversa, mas diferente do esperado, antes que Seth pensasse em abrir a noite, o Sr. Eckhart levantou a voz.
— Ercnard, seu moleque, sente aqui do meu lado. Seth, faça companhia para sua esposa.
Pela lógica, Sr. Eckhart ocupava a cadeira principal da ponta e na direita sentavam-se a hierarquia em linhagem e posição na empresa. Seth deveria ocupar a 1ª, Graham, o associado com a maior porcentagem das cotas na 2ª e membros importantes como Zhelia e os generais seguiam. Na esquerda, a 1ª era Erika, a 2ª era de Sieghart. Elesis não compareceu, então a 3ª estava Nina, a neta de Zhelia.
Logo, ao anunciar a troca, Seth ficou momentaneamente roxo, mas fez o que lhe foi dito, trocando para a segunda cadeira na esquerda, depois de sua esposa, e perdendo o lugar de honra para o próprio filho.
A festa teve início e o moreno teve finalmente sua primeira taça servida. Seu avô proferiu algumas palavras, mas deixou Seth fazer seu discurso e dar continuidade como planejado. O velho apenas queria gastar seu tempo conversando com o neto de qualquer forma.
— Então, filho. — era assim que o avô o chamava em casa o tempo todo. — Conte pra mim, como está a escola?
Sieghart riu levemente, sentindo o rubor no rosto. Ele tentou contar tudo o que tinha acontecido nos últimos tempos, explicar o que fazia, quem eram seus amigos. No fim, seu avô lhe interrompia e contava inúmeras histórias e também das aventuras de pesca que estava tendo nos últimos tempos.
Ambos tinham uma ótima conexão e eram os únicos que pareciam estar ali curtindo o momento e não por obrigação.
— Esse camarão? Divino. Come, filho. Respeite os esforços do Julio. — Eckhart empurrava todo e cada prato para o moreno. — Você está magro. Quando vai ficar forte igual a mim?
— Vô, no futebol eu não consigo ganhar tantos músculos... — explicou com um riso. — Não que eu não queira, mas eu gosto do campo.
— Bah, futebol. — o velho girou os olhos. — E o boxe? Desistiu?
O rapaz confirmou, enquanto tentava ignorar o olhar profundamente irritado de seu pai, Seth.
— Há muitos anos. A Elesis continuou. Ela luta profissionalmente.
Então uma luz se acendeu na mente do Presidente.
— Onde está a menina? A baixinha ruiva.
Os olhos azuis andaram pelo ambiente e ele avistou Elscud, que tinha vindo conversar com Erika.
— Elsteiner!
O investigador da polícia levantou os olhos no susto, assim como todos em volta, impressionados com a potência vocal daquele senhor.
— Onde está a sua filha?
— Sr. Eckhart, a Elesis decidiu ficar em casa. Ela tem uma luta importante semana que vem, então ela precisa se concentrar.
O velho comia enquanto assentia com a cabeça e se virou para o moreno.
— Eu poderia estender minha estadia e nós podíamos ir assistir à luta, Ercnard. Um programa em família!
O moreno abriu a boca, em choque. Ele não via seu avô há tempos, mas todos diziam que ele era um homem muito difícil de encontrar. Ele estava em um lugar e logo depois do outro lado do mundo.
— Vocês dois ainda são grudados, como antes? — o mais velho perguntou, satisfazendo-se com o grosso filé bovino colocado à sua frente.
O rapaz levantou a face em surpresa, mas antes de responder, Angela tomou seu lado, trazendo uma garrafa de uísque especial e os complementos. O avô abriu os olhos maior que o rosto e deu uma gargalhada.
— Esse é meu neto! Sabe exatamente o que é coisa boa!
A mulher serviu-os, cheia de profissionalismo, apesar do peso da garrafa, gelo e dos acompanhamentos. O avô deu a mulher um sorriso gentil, olhou seu nome na tag e disse que ia lembrar de seu nome. Ela reverenciou-o com a cabeça, um sorriso satisfeito, e dispôs a bebida na mesa para que eles mesmos pudessem se servir, por fim, se retirando.
O avô lhe estendeu um brinde e Ercnard o aceitou.
— Sobre sua prima...
— Ah, sim. Nós estudamos no mesmo lugar desde sempre. Nós não somos grudados, mas nos damos super bem. Crescemos próximos como irmãos.
O Presidente então passou o guardanapo sobre os lábios e tomou sua dose. Ele limpou a garganta e fez suspense com o pensamento que lhe passava. Ercnard esperou, girando o líquido sobre o gelo e pondo-o na boca. Pelo canto dos olhos viu que o avô estava fazendo as engrenagens trabalharem.
E então a ideia ganhou forma:
— Por que não se casa com ela?
Naquele mesmo instante, Sieghart engasgou-se com o uísque, mas tão forte, que ele chamou atenção de todas as pessoas em volta. Tia Zhelia já estava com os ouvidos na conversa há tempos e ficou vermelha, enquanto Erika e Seth paravam com os talheres. Elscud franziu a cara, ficando muito sério. Antes de ele poder falar algo, Ercnard respondeu, entre uma tosse e outra.
— Vô! Ela é minha prima! Prima direta ainda. Impossível!
O homem o olhou confuso.
— E essas coisas importam hoje em dia? Fiquei sabendo que teve um homem que casou com uma poltrona! Uma poltrona, Ercnard!
O rapaz passou a mão no rosto com toda aquela maluquice. Se bem que deveria ser só uma ideia passageira, considerando a face zombeteira do velho.
— Impossível.
“Ele está se divertindo às minhas custas.”
Claro. Eckhart sabia cutucar as pessoas no lugar certo. Ao mesmo tempo tinha enfurecido Zhelia, que queria Nina engajada com o herdeiro e desprezava o ramo Elsteiner da família, os “plebeus e interesseiros”; Erika, pois ela tinha uma história parecida em seu matrimônio, sendo que ela era parenta de segundo grau e Seth insistiu em casar com ela, mesmo ela não tendo nenhum dinheiro nem poder; Irritou Elscud, pois ele era inteligente, mas mesmo assim ficava afastando sua filha de tudo e continuava aparecendo nas reuniões, além de não aconselhar Seth e Erika direito, sendo que era o único que tinha essa capacidade.
Enquanto isso, Seth parecia estar fazendo todo o possível para não abrir a boca e começar uma discussão, como sempre acontecia quando os dois estavam juntos. Aqueles dois, pai e filho, tinham uma relação dificílima, mas eles seguiam as regras, suportando-se dia após dia. E Ercnard desconfiava que sua família tinha mudado por esse motivo, pois seu pai não suportava mais viver na sombra do homem que era o Presidente Sieghart.
O velho riu, tentando quebrar o clima sério, batendo em seus ombros, deixando-o mais calmo.
— Por que você está tão sério sobre isso? É muito cedo para um pintinho como você casar.
O tilintar do garfo caindo sobre o prato foi audível. Sieghart então olhou na direção de seu pai, que os encarava incrédulo.
— O Ercnard vai se casar esse ano, pai. O casamento está marcado.
Todos olhavam com os olhos esbugalhados para o chefe da família, as bocas entreabertas.
Ninguém fora daquela mesa ou mais distante realmente tinha noção do que estava acontecendo. Numa festa tão extravagante, as pessoas estavam muito mais concentradas em se esbanjar e não nas tretas da alta sociedade. Exceto as pessoas minimamente capazes em roubar a fortuna Sieghart.
Tia Zhelia rangeu os dentes, olhando o sobrinho com um ódio palpável. Nina direcionava seus olhos verdes para o prato, completamente envergonhada.
Seth a ignorou e retomou sua postura, fitando a todos com condescendência. Eckhart fingiu-se de tonto e olhou novamente para o neto.
— E você não foi capaz de me dizer isso logo de cara, Ercnard? Isso é verdade?
Foi nesse momento que ele se perguntou se seu plano tinha dado certo. Ele não tinha visto Mari em nenhum momento quando entrou, então ele chegou à conclusão que ela tinha realmente desistido.
— Deve ser verdade que o casamento está marcado. — respondeu, encarando os olhos ameaçadores de seu pai. — Embora eu não vá comparecer.
O homem franziu ainda mais o cenho, apertando os dedos incontrolavelmente. Elscud, quem estava mais próximo conseguia ver a face conturbada de Erika e Seth tremendo levemente. Mas ele não disse nada.
— E quem é a noiva? — Eckhart continuou, casualmente deliciando-se com sua carne. Entretanto, seu olhar mostrava que ele já tinha uma noção do que estava acontecendo. — Vocês não se deram bem?
Sieghart olhou o avô, vendo que ele estava sério. O homem terminou seu prato e tomou mais um gole, adquirindo uma posição mais ereta. Ele queria a verdade.
Devia ser horrível para Seth, mas Ercnard sabia, sentia isso claro como o dia... Seu avô o queria livre. Ele tinha poder para lhe dar o que quisesse e toda a proteção que precisasse.
— Marie Ming Onette, filha de Desireé Onette e Han Ming. — Seth o cortou, voltando a tomar de sua taça.
— Hm. A prometida de Lichtenstein. — murmurou, pensativo, Eckhart.
— Que absurdo! — Zhelia resmungou ao lado, balançando a cabeça e tomando seu vinho também. Suas mãos magríssimas de ex-modelo tremiam.
Com toda a comoção, todos tentaram se ocupar com suas bebidas, apenas observando se aquela história iria acabar bem.
— Ercnard. — Eckhart lhe chamou, seu tom calmo, porém, mandatório. — Como eu disse antes, é cedo ainda. Já decidiu se vai assumir a empresa ou se vai entrar em uma faculdade?
— Pai! — o chefe da família tentou impedí-lo, mas o idoso era supremo. Sua mão levantada calou Seth.
— Ercnard?
O rapaz inspirou, não esperando receber aquela pergunta tão abertamente. Os olhos de sua mãe, de seu pai e todas as pessoas que ele queria manter no escuro.
— Ainda não está decidido. — ele respondeu, sua voz como um fio, tomada pela indecisão. Ele não tinha a ideia certa ainda, não com o leque de opções que possuía. — Mas tenho uma ideia.
— Hm. — Eckhart fechou os olhos e ajeitou sua barba um pouco antes de dar seguimento no questionário. — E sobre a garota? Você a conheceu?
O moreno assentiu, sentindo seu estômago revirar com a lembrança da azulada acusando-o em frente a todos na academia.
— Sim. Não nos demos nada bem.
O velho via em seus olhos, parecendo decifrá-lo com uma sabedoria de uma vida inteira. Já o pai, abriu a boca e começou a atacá-lo no mesmo instante:
— Você não fica satisfeito nunca, Ercnard? Depois de todo o trabalho que me deu, não sabe o que vai fazer? O mínimo que deve fazer é casar com a Onette e colaborar com as tradições da nossa família. — Seth se dirigiu ao moreno, cheio de decepção e raiva no olhar. — Aos 18 anos o primogênito assume como CEO e se casa com alguém de influência que seja digno de carregar o nosso nome. A Princesa Onette é uma oportunidade de ouro que nunca mais vamos ter na vida. Você foi o único que ela se interessou, mesmo depois de dez anos de a Coroa tentando encontrar um par adequado que pudesse assumir o trono.
Eckhart fitou ambos, Seth e Erika, cheio de acusações. Mas não disse nada, em favor da mulher e para não desrespeitá-la, afinal, ela tinha concebido Ercnard.
O rapaz mordeu o lábio por dentro, murmurando:
— Eu sei bem das tradições.
— Tem algum motivo mais específico para ter desistido da princesa? — o avô indagou. Sabia das histórias por familiares, que o neto andava por Londres cheio de graça, gastando horrores, criando o caos em todas as casas noturnas e tinha várias amantes depois que terminou com a única namorada séria algum tempo atrás.
— Ela... Não sabe respeitar o espaço dos outros. Ela achou que estava me comprando. Elesis discutiu com ela e fomos parar na diretoria.
Era vergonhoso admitir, mas parecia melhor falar a verdade do que esperar o senhor buscar todo seu histórico, pois ele parecia um velho teimoso e muito capaz disso.
— Pelo amor de Cristo, Ercnard. Por causa disso? E de novo essa garota envolvida? Você precisa controlar sua filha, Elscud! — Zhelia reclamou, girando os olhos. Ainda que odiasse a ideia de Nina perder o lugar, qualquer uma era melhor do que Elesis.
Elscud a olhou feio, mas não respondeu.
— Os homens de hoje. Todos uns frangotes. — a idosa reclamou, fitando Eckhart. — Especialmente da sua família, Eck. Como vai consertar isso se não tivermos um líder de confiança?
— Tia, é melhor você manter seus pensamentos para você. Você não foi capaz de conceber homens. — Seth retrucou, sua voz alta o suficiente para todas as meninas na mesa calarem-se, olhando-o horrorizadas, e fazer a velha ficar roxa.
— E você é melhor tomar cuidado com o que fala, Seth, ou eu vou começar a ficar irritada. — Erika o olhou em fúria, por baixo da mesa beliscando sua perna fortemente. O homem engoliu a dor, mas ficou quieto.
Por fim, Eckhart retornou ao mais novo Sieghart.
— Garoto, você é novo e tem passado por várias coisas. Eu sei bem o que está acontecendo na sua vida, mas não posso simplesmente entrar e tentar mudar as coisas por você.
A mão do idoso sobre seu ombro foi um pouco mais tranquilizadora.
— Sobre as tradições. — ele disse. — Nós estamos vivendo outros tempos. Essas tradições vem sendo lentamente modificadas e não faria nenhum mal esperarmos até você estar pronto. Melhor termos mais paciência e termos um líder maduro e mais bem preparado do que forçarmos uma situação contraprodutiva.
Os Sieghart então iluminaram-se. O presidente, com o tempo, também havia mudado lentamente, conhecido o mundo. Agora ele via as coisas por outros lados.
— Não quer se casar com a garota de Lichtenstein? Não se preocupe. Mas seria interessante seu avô te ver engajado logo e descansar em paz.
— Vô... Não fale assim. — o garoto baixou os olhos, sentindo-se um pouco mais aliviado em resolver aquela questão, contudo, mais responsabilizado. — Eu sei que fui muito irresponsável até agora, mas ainda tem coisas... Tem coisas que eu quero fazer.
O homem fez silêncio, interessado em suas palavras, e apenas sorriu.
— Bem, essa semana eu vou ter bastante tempo para lidar com vocês. Você vai me levar à luta da sua prima e depois vamos sair juntos.
Seth suspirou fundo, sabendo que sua vida seria um inferno com o Presidente rondando a empresa e sua casa. Erika suspirou aliviada pelo assunto ter um fim, mas apreensiva.
Zhelia estava tão incomodada depois disso que na primeira oportunidade, quando os shows começaram, ela se retirou para um canto afastado do salão onde suas comadres ficavam.
Eckhart manteve-se à mesa com o rapaz, abraçando seu ombro fortemente.
— Por enquanto um brinde ao meu neto!
O moreno o fitou com um leve ar de culpa. Hoje à noite estava partindo para continuar seus erros e seus segredos, e o avô parecia ler tudo em seus olhos.
XXX
Não havia festas mais deslumbrantes que as proporcionadas pela Gladis. Mesmo sendo a menor e de teor familiar, o Jantar Anual não deixou a desejar, trazendo para os convidados uma variedade de músicos, começando por uma apresentação clássica, uma menina talentosa que tinha relações com algum co-trabalhador, depois tiveram shows mais despojados, instrumentais para as nomeações e DJ para os mais novos aproveitarem depois que os adultos saíssem.
Parte da família estava já se despedindo, os que tinham filhos pequenos, e o casal anfitrião estava mais ocupado em ficar de prontidão no centro do salão, entretendo todos os associados. Sieghart, por sua vez, ficara conversando com o avô por um bom tempo até que ele decidisse também averiguar as pessoas relacionadas da empresa e o deixasse com a Von Claire e suas primas mais distantes.
O moreno fitou a si próprio na taça de água que haviam lhe servido. A encarregada Angela passou uma segunda vez, informando-o de que ele estava liberado para ir quando quisesse, além de ficar responsável em passar qualquer mensagem que ele precisasse. Se sentindo agradecido por ter alguém que entendia as coisas rápido, fez um sinal para ela se aproximar, causando uma leve comoção da parte das parentas.
Angela abaixou-se, ouvindo o que tinha a dizer diretamente em seu ouvido.
— Me diga, a Onette mandou uma resposta ao convite de hoje, Srta. Angela? — indagou, murmurando baixo o suficiente para a mulher ter que se concentrar em meio aos inúmeros sons do local.
A mulher morena o fitou e murmurou de volta.
— O motivo de sua falta é que ficou de cama. Ela acredita estar se adaptando ao clima do país e adquiriu uma febre.
— Entendi.
Ele ficou uns instantes em silêncio, observando apreensivo se podia realmente ir embora. Se possível, queria sumir sem ninguém ver, mas com as meninas na mesa ele não conseguiria desaparecer silenciosamente.
Na verdade, se seu avô não o tivesse entretido, ele estaria sentindo um vazio enorme como agora. Seu desejo de ver o namorado logo e passar uma longa noite livre de tudo, o fazia se sentir cada vez mais inquieto.
Seus pais estavam distraídos, seu avô em alguma roda de homens que só queriam falar de bebidas e bolsas de valores. Todos os que queriam vê-lo já o tinham feito.
— Senhor Sieghart.
O chamado o tirou dos pensamentos ansiosos. Mas o nome não lhe soou bem. Já fazia tempos que o nome não estava lhe caindo bem.
— Por favor, me chame de Ercnard se possível. — ele a fitou, apologético.
Angela pareceu ter ficado curiosa, mas apenas por um segundo. Ela abaixou-se novamente, fazendo uma concha com as mãos.
— Senhor Ercnard, se quiser uma desculpa para ir embora pode contar comigo.
Ele soltou um riso leve, sentindo-se estranhamente seguro com a presença da mulher. Ela tinha um jeito tranquilizador e sábio. E o engraçado é que nunca a tinha visto antes.
— Então se puder, peça uma troca de roupas para minha empregada Estela, que vou sair daqui cinco minutos.
Ela assentiu prontamente, mas, antes de sair, o moreno a impediu e entregou-lhe seu cartão. Alguém como ela tinha grande potencial para trabalhar em altos cargos, então melhor puxá-la para seu lado o mais rápido possível.
Ela o fitou, seus olhos grandes castanhos. Angela ganhou leve rubor no belo rosto, mas o olhou séria.
— Senhor... Eu fico muito lisonjeada, porém, eu sou bem mais velha que você.
— Q-Quê?! — ele engasgou, olhando para os lados e vendo as faces incrédulas de Nina e de sua mãe, quem havia chegado perto da mesa. Seu rosto ficou quente ao notar como sua ação estava sendo lida. — Não foi isso que-
Ela balançou a cabeça, juntando as mãos e fazendo uma leve reverência.
— Além disso, as pessoas vão ficar irritadas se eu receber mais um cartão. O Sr. Presidente fez o mesmo mais cedo... — ela murmurava, mostrando certa preocupação. — ... Infelizmente tenho que recusar.
Ele a fitou, vermelho como um tomate e empurrou o cartão de volta para ela.
— Srta. Angela, por favor! É sobre trabalho, certo? Trabalho! Por favor use esse contato caso estiver interessada em atuar em algum ramo da nossa empresa. Ficaríamos felizes em tê-la!
Ele se levantou então, abaixando a cabeça rapidamente e saindo em uma velocidade indistinta. Sabia que seu rosto estava explodindo e não era fácil de esconder. Assim, ele abandonou o local sem nenhuma desculpa ou despedida, já tomando o celular para chamar sua carona.
“Dez minutos. Na entrada da mansão.”
O moreno piscou rapidamente e se dirigiu para a casa principal, para seu quarto. Estela o parou no meio do caminho, o olhar inocente como sempre e lhe devolveu o casaco.
— Mestre, você vai passar a noite aqui?
— Não, Estela, vou passar a noite fora e amanhã vou visitar os Wilde, como de costume.
— Hm, certo. — hesitou a moça, parecendo preocupada. Ela sabia bem do que acontecia quando Sieghart saía de casa naquelas horas. Ela quase havia sido despedida quando Seth descobriu que ela era cúmplice do filho.
— Pode ficar tranquila, Estela. Avise a minha mãe, okay? Eu vou estar com meus amigos e prometo ser cuidadoso.
Ela ergueu os olhos, esboçando um sorriso mais aliviado.
— Entendido! Por favor, venha algum dia essa semana, Mestre. Grifitth e todos os empregados estão sentindo sua falta.
Ele sorriu de volta para a moça, mais baixa e mais ingênua do que se esperava de alguém naquela idade. Ela havia cometido um erro no passado, mas Sieghart a tinha perdoado e eles desenvolveram confiança novamente. Maya não sabia realmente como era a relação de ambos.
— Vocês vão precisar lidar com meu avô essa semana. Mas eu pretendo aparecer, claro.
Ela se animou com isso e logo desviou do assunto, o informando onde estavam as vestimentas que ele gostava de sair à noite.
Dez minutos depois, uma moto negra e silenciosa parou nos portões, as luzes baixas. Ercnard saiu, trajado num casaco para proteger-se do vento e calças negras, o cabelo negro quase inteiro alinhado para trás, dando destaque às mechas roxas que se escondiam na camada inferior. O brinco de prata longo acoplado ao piercing em seu lábio.
— Pronto? — o dono da moto indagou por debaixo do capacete, já estendendo-lhe o extra.
— Lógico. — o moreno respondeu com um largo sorriso, se preparando para partir.
Assim que ele montava no assento e se firmava no automóvel, Dio ainda brincou.
— Pode me abraçar se ficar com medo na estrada.
O moreno lhe deu um leve tapa, não conseguindo falar muito bem com o capacete e não o abraçou, mas não por isso curtindo menos a sensação de montar numa moto com seu parceiro pela primeira vez.
Na mansão, naquele mesmo momento, Estela fechava a cortina no quarto do herdeiro e se preparava para voltar aos últimos afazeres da noite. Virando-se para seguir o corredor do segundo andar, levou um susto ao se deparar com um grande homem idoso, apoiado numa das janelas de observação, sentado na namoradeira. Ele tomava um copo de uísque. Seus olhos azuis estavam fixos na cena que ocorria na rua.
— Senhor Eckhart! — ela exclamou, se aproximando após o susto. — Não sabia que já estava de volta. Seja bem vindo.
Ele deu uma risada para ela e fez um convite para se sentar, o qual ela rejeitou rapidamente.
— Obrigado, Estela, minha querida. — ele suspirou. — Eu estou há tempos longe de tudo, sabe como é. Eu gostaria de saber um pouco mais sobre meu neto...
2ª parte: Alley Club
A estrada se estendia diante deles, silenciosa, passando por um carro ou outro, sob as luzes dos postes.
Dio acelerava na moto, mantendo a velocidade permitida, mas gostava de brincar com o rapaz atrás de si, ameaçando ir além do necessário. Eles não conversaram nada, curtindo o momento, até que entraram na cidade, deparando-se com as luzes e a movimentação.
Num semáforo, o moreno arriscou se inclinar e falar, abafado pelo capacete negro.
— Vamos direto para o clube?
Dio fez um sinal positivo e ajeitou-se na moto antes de inclinar o corpo mais para trás.
— Seus amigos já estão lá te esperando. — ele complementou, vendo o namorado mexer a cabeça em entendimento. — Quer passar em algum lugar antes?
Sieghart até pensou em dizer sim. Em dizer que queria tempos a sós, que eles tinham que compensar aquele desencontro todo e, possivelmente, fazer o senhor misterioso contar o que eram aqueles “negócios de família”. Porém negou e ambos foram num rugido da máquina para o famoso e tão familiar Alley Club.
O bouncer na entrada, assim que os viu, não precisou de nenhuma palavra ou identidade, permitindo que os dois belos rapazes passassem por toda a fila, sendo alvos de olhares mixos. Um outro na fila tentou reclamar, mas logo foi calado em segundos assim que seus companheiros disseram quem eles eram.
Dio sorria na passagem, seus lábios causando um efeito arrasador. Sieghart pôde enfim ver a face do namorado, mesmo tendo-o visto horas antes, mas tendo a mesma sensação de sempre. Era um rosto socável de fato, mas ele sabia que tinha mais por detrás daquele olhar e jeito popular e malandro, que mexia com todos no local.
— Dá para entrar logo? — Sieghart resmungou, colocando as mãos em seus ombros, não se dando conta de que olhavam-no mais do que a Dio.
O mais alto apenas riu, deixando-o fazer o que quisesse.
E entraram no clube. As luzes e o som imediatamente invadiram seus ouvidos, abafados, quente, movimento intenso, corpos. Como um efeito de uma substância ambos foram tomados pela energia do novo espaço, que sempre tinha uma cara nova.
O moreno inclinou-se sobre os ombros do mais novo.
— Vamos achar o Ryan e os outros. — falou, precisando aumentar seu volume na multidão.
Os dois passaram, fazendo seu caminho até um larguíssimo bar central circular, onde se juntavam a maior parte das pessoas. O espaço se abriu forçadamente quando os dois chegaram nos bancos e um dos bartenders os avistou.
— Sr. Fiammeggianti! — o rapaz exclamou com um sorriso. — Bem vindo de volta!
Sieghart o fitou, assistindo com enorme curiosidade a interação. Dio não o deixou no escuro, dando um abraço em seu ombro e o acomodando no único banco livre.
— Esse é o Heitor. Ele sempre me serve quando estou aqui. — Dio explicou, brincando com os dedos no ombro do moreno. Sieghart riu internamente, sabendo que agora teriam essas coisas... apresentar as pessoas, se envolver em novos círculos, descobrir coisas novas sobre o outro.
— Sr. Sieghart, certo? O que quer beber hoje?
O moreno já havia bebido vinho e uísque então queria maneirar no começo.
— Um Highball.
O rapaz pensou e balançou a cabeça, respondendo um “é pra já”. Dio ficou ao seu lado, seu braço enganchado por detrás de seu pescoço, sua mão dominante em seu ombro, transmitindo-lhe um calor muito bem vindo.
— O que você vai querer? — perguntou Ercnard, sua mão esquerda tentando contato nas costas do rapaz em pé. A proximidade, começando lentamente a matá-lo por dentro.
O italiano o fitou, inocente; inclinou a boca perto de seu ouvido.
— Tenho que ir devagar hoje... Então acho que vou pegar um igual o seu.
O moreno rapidamente arregalou os olhos e não soube se ficou visível ou não, mas seu rosto esquentou. O fato era que seria melhor os dois seguirem o mesmo ritmo... visto que depois... ele não tinha certeza, mas talvez hoje.
Não muito depois, encontraram caminho entre as pessoas para o segundo andar, estreitando-se pela escada circular. Mãos tentavam segurá-lo, mas o moreno apenas sorria divertido, negando com o dedo. O mesmo para Dio, que se afastava e puxava o moreno consigo, não se importando se parecia íntimo ou não.
— Finalmente! — Ryan exclamou, claramente animado assim que os olhos se encontraram.
O casal chegou perto dos amigos, bebendo os drinques em um passo lento, ombro a ombro. Receberam olhares estranhos de Jin, Ryan, Zero e, surpreendentemente, Ronan, quem não era a fim de lugares como esse.
— Vocês nem parecem que estão namorando. — Ryan comentou, olhando como os dois mantinham as mãos nos bolsos.
Sieghart soltou um som confuso, morrendo de vergonha, e Dio riu baixinho com isso.
— É que isso é totalmente novo. Para nós dois. — o italiano revelou, brindando com o ruivo, que levava um Sex on the Beach nas mãos.
— Oh, sério?! — Ryan exclamou na surpresa, mas apenas deu de ombros e riu, totalmente feliz com todo o álcool que já tinha ingerido. — Que bom para vocês!
Os amigos estavam esparramados nas poltronas duma mesa vip, onde já haviam se esbaldado com várias bebidas e ostentavam um belo balde de gelo no centro, onde descansava um vinho e um uísque que era a cara de Zero.
Eles se cumprimentaram, ignorando todas as estranhezas e as leves inimizades. Jin e Ronan ficaram em uma ponta, Ryan e Zero ficaram no meio, deixando os recém-chegados na borda esquerda.
Dali, era possível ver toda a pista, a maior pista da casa noturna, o palco, o DJ, e aproveitar todo o privilégio de serem atendidos diretamente pelo bar.
— E o Lupus? — Sieghart indagou, fitando principalmente Ronan, quem tinha sido o responsável por pegar o material naquela tarde.
O azulado negou com a cabeça e olhou para Ryan, claramente não sabendo o paradeiro do veterano. Já o ruivo fez uma cara preocupada.
— Eu insisti para ele vir, mas o Lupus disse que desistiu por que estava ainda muito cansado. Que vai guardar energias para amanhã, já que vamos passar o dia na casa dele.
— Ele geralmente é forte com a bebida não é? — Dio interrogou, sentindo-se levemente mais a vontade para conversar com os amigos do moreno.
— Hm, sim... Ele é uma máquina de beber. Mas ele realmente não estava legal esses dias. O Sieg sabe bem, né?
O moreno assentiu, lembrando da conversa intensa que tiveram. Se o amigo não queria vir para o clube e enfiar a cabeça em bebida nesse momento, decidindo por ficar sozinho e descansar a mente, ele também preferia assim. Tinha aprendido que certas coisas precisam ser encaradas de frente e não se escondendo atrás de seus vícios.
Dio aproveitou o momento que os amigos tiraram para fofocar sobre o público da noite e sobre os shows para circular os dedos na cintura do moreno, juntando seus corpos muito próximos.
Ercnard aconchegou-se no embalo e levantou o copo alto para o namorado, com quem trocou um olhar relaxado. Dio brindou com ele, acariciando seu corpo gentilmente.
— Ainda hoje eu vou te levar para a pista.
— O-Okay... — respondeu, ganhando um novo prospecto para a noite.
Conversa vai e vem, Zero decidiu partir para o ataque e levou Jin com ele, para ser seu portador de voz. Os rapazes se enfiaram entre as pessoas, mas era possível localizá-los pelo cabelo ruivo cintilando no meio dos jogos de luz incríveis, fazendo o público vibrar todas as paredes.
O alemão terminou a bebida logo e decidiu que já estava esquentado, decidindo compartilhar uma dose de uísque com gelo com o companheiro.
Ronan conversava sobre os últimos dias casualmente, falando o que Jin vinha contando para eles. Dio deixou-se assistir e participar quando o assunto era jogos e as competições. E não demorou nada até que Ercnard e Ronan estivessem falando sobre o conselho estudantil, trocando ideias sobre os membros e sobre as medidas que deviam tomar. O ruivo os deixou, percebendo que tinha ficado sobrando e foi com Dio.
— Ei, Fiammeggianti. É mesmo sua primeira vez com outro cara?
A questão, se não intrometida era ao menos curiosa. E fez Dio ficar interessado. Ele, que nunca tinha conversado sobre isso com ninguém.
Sua face mexeu-se levemente e ele assentiu, imaginando, com uma ansiedade não-característica sua mexendo em seu estômago. Como responder às pessoas, à sua família, quando começassem a perguntar sobre sua vida amorosa? Sobre sua vida sexual? Ele não conseguia se ver falando sobre isso ainda com Rey, muito menos com seu pai.
— Isso não é uma decisão fácil de tomar né? Por que decidiu tentar com o Sieg? — indagou o ruivo, segredoso, com os olhos verde-escuros curiosos e genuinamente preocupados. — Eu sei que ele é bonito tá? Todos nós já sabemos disso.
Dio sorriu novamente, aliviado por confirmar ainda uma segunda vez que seu parceiro era muito bem cuidado pelos amigos. Tanto pelo time, quanto pelos rapazes que o seguiam. Sim, isso era um ótimo sinal e um indicativo de que ambos tinham prospectos futuros muito parecidos. Assim, ele fitou o ruivo com confiança.
— Quer mesmo saber? Os detalhes são sórdidos. — Dio brincou, sua voz lasciva, causando um leve arrepio no colega mais baixo.
— Minha Lisnar... — Ryan murmurou, estremecendo ao pensar em cenas que não queria. — Não vou cair nessa. Pode abrir o bico, garanhão. Conte-me tudo.
Dio suspirou, ainda não compreendendo todo o interesse.
— Mas por que toda a curiosidade? Ele não contou ainda para vocês? A gente se conheceu aqui nesse clube na verdade, antes de eu aparecer no colégio.
— Tá vendo? Ele nunca disse como tudo rolou. — Ryan coçou a testa, bebendo mais um pouco e continuou seu desabafo. — Para a gente, foi como se uma bomba tivesse sido jogada okay? Tão misterioso com tudo, deixando a gente no escuro... Eu só descobri tudo por causa das minhas deduções. Você sabe como é, Dio, não é algo fácil de dizer para os amigos, certo?
Dio concordou com a cabeça, se contentando com aquele argumento. Ele lhe apontou com a mão e o chamou para perto, para ele contar em segredo, mesmo o moreno estando distraído num debate intenso com o azulado.
— Você não pode dizer para ele. — Dio comentou, sabendo a resposta mais claramente em seu ser... Por que Ercnard?
Ryan lhe deu um sinal positivo e esperou. Dio riu maldosamente e disse:
— Ele tem um dom de me fazer querer ser mau com ele. Sabe por quê?
Ryan negou rapidamente com a cabeça, seus lábios fechando e sua mente mordendo-se de curiosidade para os detalhes sórdidos.
— Por que ele fica fofo quando está bravo. — ele riu rapidamente, dando uma cotovelada no ruivo.
O outro ergueu a sobrancelha, desconfiando totalmente de suas palavras.
— Você tá é zoando da minha cara. — Ryan encostou-se cruzando os braços.
Dio mostrou a língua para o ruivo, como uma criança que está pregando uma peça. Ryan bufou, insatisfeito, sabendo que pelo menos tentou.
— O que é esse sorrisinho? — o moreno perguntou, encostando nele novamente e terminando a dose que estava em seus dedos.
— Nada. — Dio respondeu com um sorriso, levantando e puxando o braço alvo junto consigo. — Vamos dançar.
3ª parte: Uma dança
Finalmente, os dois se levantaram da mesa, caminhando entre as pessoas para um posicionamento perfeito de onde não precisariam se preocupar com nada.
O moreno sentia os dedos envoltos em seu braço, sem soltá-lo, guiando-o gentilmente para o meio das pessoas, mais longe da visão dos amigos, que deveriam entender o recado sem precisarem ser avisados. Um pouco de privacidade em meio a estranhos que nunca os julgariam pelo que iriam fazer.
Sieghart se sentia entorpecido como em um sonho, a vibração das luzes, do álcool, do corpo excitado e da presença da pessoa que mais queria estar conectada no momento. Ele apenas seguia o chamado.
— Vem, Ercnard.
Ele foi.
O italiano, por sua vez, precisou de um momento para observá-lo uma última vez antes de se perder em uma loucura. A camisa branca leve, que a qualquer movimento subia pelo corpo do moreno, a calça simples preta, colada às pernas de jogador. Era tão simples, mas estava perfeito. Sexy.
Imediatamente, seus olhos fixaram-se e deu-se o início da dança.
A verdade é que Ercnard nunca tinha sido um bom dançarino, mas ele gostava de estar ali e curtir o momento. Geralmente, estava sempre com seus amigos e seu passo usual era levantar os braços e rolar o quadril, em tom sarcástico. Todos riam, faziam o mesmo, se divertiam juntos e zoavam depois. Mas agora... Agora, com a desinibição, o rolar de seu quadril fazia com que os olhos do Fiammeggianti brilhassem, concentrados como um tigre faminto. E isso lhe deu coragem cega.
Os dois seguiram a batida pop e festiva, do tipo que fazia as pessoas dançarem o mesmo passo.
Sieghart brincou com ele, rolando os ombros para a frente, e sua surpresa foi ver o italiano rindo de volta e devolvendo o mesmo movimento. Suas mãos se juntaram e Dio deixou-se cantar com ele a letra popular de outra música, girando o moreno. O rapaz fazia uma pose ao final e depois morria de vergonha, disfarçando com um gole de drinque.
Na próxima, os dois juntaram seus quadris, lado a lado e acompanharam a interação com o dj da noite, que tinha vindo para fazer um espetáculo. Sieghart inclinou-se para falar como aquele cara era famoso na Europa toda e Dio o entretia, conversando de volta.
Foi um bom tempo apenas de pequenos toques inocentes, dancinhas e brincadeiras. Mas em certo momento, quando menos esperaram... O momento certo chegou.
A música levemente se tornou mais lasciva, alterando a energia. Porém, isso ocorria somente no universo dos dois. A inibição totalmente expulsa do corpo e da mente.
— Hmm... Você vai dançar de verdade agora é? — Dio o provocou, vendo o moreno girar o quadril lentamente para ele, inicialmente em tom de brincadeira, e mexer nos próprios cabelos negros, levando-os para trás.
Sieghart manteve-se perto, a distância entre as pessoas tão pequena que ninguém realmente notava quem estava grudado ou não. O mais baixo só soube que seus olhos cintilantes subiram para os do italiano com um desejo desvairado. O beat fazendo-o rolar cada vez mais perto do corpo à sua frente. Como uma serpente, enfeitiçando o outro. Dio o acompanhou, indo de um lado a outro, ativando sua energia sexual... seus dedos encontrando a face do moreno, apenas resvalando em seus lábios num toque fantasma.
Os dois se mantiveram ali, dedos tocando os braços, tocando o pescoço... Seus dedos entrelaçando, um giro lento, os corpos apenas se encostando, como se tivesse uma barreira atmosférica que os separava do verdadeiro tocar. Ainda assim, era palpável o sentimento. Uma cobiça que nunca antes haviam sentido. Uma preliminar muito bem vinda.
Eles continuaram a dança, pra lá, chegando mais perto, os quadris juntos, os braços de Dio começando a se envolver no clímax, circulando o moreno, arrebatando-o totalmente para seu espaço. Trouxe as costas do moreno para seu peito, mas a dança não parava. O mais velho deslizando-se para mais perto, sentiu-o roçar diretamente em si. E a inibição não ia voltar tão cedo, pois Ercnard deixou as mãos tomarem posse de si e os braços envolvê-lo com sensualidade, mas com um cuidado que lhe trazia segurança. E a dança não parava.
Os dois seguiram o mesmo ritmo, as mãos de Ercnard em seu antebraço, a mão de Dio descendo em sua cintura. A boca do mais novo brincava perto de seu ouvido, arriscando um selinho ou outro na pele, tentado. Enquanto isso, o moreno sentia os toques com um querer não obedecido.
— Dio... — ele chamou, inclinando sua cabeça e seu corpo ainda mais perto, sentindo como se o calor emanado do parceiro tivesse o exato formato de suas curvas.
O mais alto abrigou-o, diminuindo o vai e vêm da dança, aproximando-o ainda mais, seu nariz infiltrando-se nos fios coloridos da nuca. Dio suspirou com o aroma que o invadiu... ele sim, totalmente embriagado. Seus dedos agarraram-se aos de Ercnard, pouco se importando se alguém ia ver. Se já tinham visto tudo isso... Seu raciocínio não o permitiu ir mais além. Seu beijo foi longo e molhado, seus lábios tomando-lhe a pele da nuca, sua língua provando do sabor suave, salínico. Sieghart apertou ainda mais seus dedos e apenas fechou os olhos, dobrando-se levemente com a umidade e a respiração, causando-lhe uma sensação de euforia, movendo todo seu estômago e fazendo seu corpo querer ainda mais.
Assim que permitido, Ercnard se virou, frente a frente. O olhar escuro, a visão cega de tudo o que era alheio a eles. Nem havia pessoas, nem olhares, nem lembranças ruins. O presente se intensificou como uma bomba de êxtase ao encará-lo.
Dio sentia, se não igual, muito mais.
E as mãos do mais alto se abriram, dando espaço para o moreno se enganchar com ele, as mãos em seus ombros, com a música gritando em seus corpos. O moreno deslizou seus dedos pelos ombros largos. Dio vestia uma camisa parecida com a sua sem mangas, porém o tecido brilhoso e leve, justo. As pontas de seus dedos brincaram na pele e fizeram-lhe um desenho nos bíceps, descendo até seus pulsos, guiando-os para dar a volta em sua cintura.
Os dois se juntaram, peito no peito, e voltaram a balançar muito devagar. Os braços do moreno subindo para envolve-lo pelo pescoço.
— Ercnard... — Dio o chamou, seus dedos o trazendo. Seu rosto inclinou-se.
O moreno fechou os olhos a milímetros, deixando rolar com a maior naturalidade. Encontrou-se no caminho, curto demais, os lábios amaciando-se uns nos outros, confirmando sua intensa afinidade.
Alguns segundos tornaram-se minuto. O moreno deslizava sua boca com calma e graciosidade, os dedos movendo-se minimamente pelos fios roxos. Dio o acompanhava, ditava o ritmo em alguns momentos. Ambos se sentiam com os narizes, com os dedos, a língua e a boca. Tudo ficava calmo. Uma batida tão intensa nos peitos, mas seu ósculo era tão lânguido e lento. Como uma refeição tão perfeita que depois de se encher, preencher e deliciar, ainda não é o bastante, causando um querer profundo e inacabável. Tão cheio, tão perfeito e tão duradouro.
Mas em certo momento acabou, fazendo-os girar os olhos de volta na realidade. O final da música. O final da dança.
4ª parte: Pausa para o clímax
Era o término do show que os trouxe de volta do deslize – embora o deslize fosse justo e desculpável. A troca de DJs e a falta de mais álcool para abrandar a excitação dos jovens.
Ambos riram um para o outro, tomados pelo sentimento do proibido e também pelo da libertação. E podiam, visualmente, se comunicar e dizer que estavam felizes com o resultado.
— Vamos pegar mais um drinque? — o rapaz de olhos prata sugeriu, apontando para um bar lateral, onde pudessem ficar mais longe da visão dos amigos. — Depois podemos voltar...
Dio concordou, sabendo que esse era um momento chave, que os colegas iam se aproveitar para aparecer e se enturmarem com eles. E eles precisariam ainda de um tempo a mais sozinhos.
Andando rapidamente, o moreno não largava de sua mão, com uma coragem nova.
— Ei. — chamou o italiano, segurando aquela mão com a mesma firmeza, ainda perdido demais naquele momento anterior, se perguntando o que deveria realmente fazer.
Sieghart o fitou enquanto caminhavam juntos.
— O quê? — o moreno perguntou, pacífico.
— Vamos deixar o drinque para depois...
O moreno piscou rapidamente, ainda não entendendo sua face imóvel. O mais alto mexeu seus dedos, moveu os lábios, podendo ainda sentir o gosto do beijo tão injustamente perfeito que o tinha deixado nas nuvens.
— Dio?
O italiano chegou mais perto, também possuído por uma coragem desinibida completamente jovial e tola, mas real. Agarrando o pescoço de Ercnard, mantendo-o parado, ele beijou-o no rosto, próximo ao lábio, sofrendo pura tentação, mas sem ceder.
— Vem comigo... Vamos no banheiro...
Ercnard tremeu. Seu corpo imediatamente responsivo.
Os dois não pensaram muito bem quando entraram no local, deparando-se com outros indivíduos terminando sua vez ou utilizando a pia. Alguns se ajeitavam no espelho. Dois batiam papo na porta.
Mas eles fingiram estar extremamente bêbados e Dio enfiou o moreno na última cabine, rapidamente pegando várias folhas de papel e fechando a porta atrás de si, deixando lá também sua já pouca moralidade.
O trinco virou, indicando “ocupado”.
O mais novo olhou-o da mesma forma que antes, absorto na ideia e na necessidade. Ercnard também, sem palavras, não se importava com o que, nem como, mas tinha que ser feito. E rápido.
Sem nenhuma demora, os dois se encontraram, no meio do ambiente nada higiênico, bocas se juntando em volúpia, dedos objetivos, as mãos agarrando-se às calças com pressa. Dio tentava evitar os sons dos próprios gemidos de excitação contra o Sieghart, seu cérebro focado em seguir a única tarefa. Seus dedos encontraram com velocidade o zíper da calça do moreno, abrindo-o, libertando-o. O moreno fazia o mesmo consigo, seus dedos firmes no cós de sua calça, e, ainda mais, abaixando-a juntamente com a peça íntima.
Não havia espaço para delicadeza. Eles não queriam nada delicado também, torturados pelos dias em espera, momentos de provocação, beijos castos, pospondo o momento de glória.
O Sieghart esqueceu toda sua insatisfação com as atitudes do namorado dos últimos dias. Depois disso, eles podiam conversar.
E o momento e o lugar pediam que eles fossem dinâmicos.
Ambos se contorceram no pouco espaço, expondo-se. Conflitado, o moreno fitou o rosto de Dio e depois o membro excitado, bem diante de seus dedos. O mais novo também não lhe deu tempo para pensar adiante, tomando a ereção de Ercnard em sua mão direita. Sua boca voltou para o moreno e lhe deu um aviso, de que deviam manter o silêncio.
Os sons do ambiente continuavam, a música vazando ainda mais alta quando alguém entrava, as vozes de conversa se misturando e os jatos de água. Mas ambos se concentraram por um momento, juntando os corpos. Dio passou os dedos pelo peito do moreno, subindo para seu rosto, dando-lhe um beijo enquanto posicionava os dois juntos.
— Isso, chega mais perto... — o moreno sussurrou, trazendo a cintura do rapaz para si, sentindo o pênis completamente enrijecido de seu parceiro. Seus dedos começaram a se movimentar, experimentando a forma, imponente e jovem. Dio levou os dedos rapidamente à boca, molhando-os com saliva e direcionou ao meio das pernas.
Ambas as mãos se tocaram, as carnes juntas, a respiração tocando-os na face um do outro. Os olhos vagando pelos dedos, pela saliva, voltando para os olhos.
Dio era lento em seu jeito de masturbar, tomando ritmo com o tempo, obrigando-o a sentí-lo por todo. Seu jeito era insistente e odiava dar ao moreno o que ele queria, levando-o numa tortura gradual, porém, extremamente viciante.
Sieghart apertou os olhos ao sentí-lo descendo, subindo, lentamente... Os dedos indicador e o polegar brincando com sua glande, desenhando arduamente na área sensível, enquanto a outra mão do italiano acariciava seu rosto, seu pescoço, entrava em seus cabelos incansavelmente.
— M-Mm... Dio... — sussurrou, inclinando inconscientemente seu rosto para deitar-se na face do rapaz, enquanto seu quadril fazia o mesmo, buscando o toque doce e cruel, mas Dio o deixava sozinho no ar.
Vendo a reação tão adorável, o mais novo sentiu seu desejo se tornando ainda mais forte. Parou para ouvir os sons no local e decidir seu próximo passo. Ele se lembrou naquele pequeno instante que Ercnard tinha maior estamina e durava mais tempo, e por isso ele precisava fazê-lo chegar ao orgasmo antes ou eles iam acabar demorando demais.
Então foi com leve surpresa que Dio beijou-o de novo, deixando seus cabelos, descendo o corpo como podia, beijando-o na clavícula, acompanhando suas mãos pelo contorno do corpo do Sieghart. Ele desceu o máximo que pode, ganhando apoio na parede da porta, orando para que ela não fosse mole. Ainda assim, o objeto ainda tremeu e fez barulho. Mas os dois ignoraram os murmúrios do lado de fora, provavelmente especulando o que estava acontecendo.
Dio tomou-o nos dedos, pressionando-o com a força certa. Seus olhos buscaram a cara toda vermelha e afetada, que não conseguia esconder a animação em ter o prospecto do pau chupado. O namorado se apoiou em seus ombros e segurou a própria base, acariciando os testículos, escondidos pela peça íntima. Os lábios entreabertos do moreno brilhavam, molhados; os olhos prata ganhavam a escuridão do ferro e o brilho de uma chama corroedora. Ferro e brasa.
Ali embaixo, Dio o quis todo em si. O pôs na boca em um único movimento, sentindo os dedos longos apertando em sua camisa. E quando ele subiu os lábios habilidosos, deixando sua saliva escorrer no corpo rígido, deliciando-se no sabor e no aroma natural de seu companheiro, a mão venosa subiu junto, encontrando controle em seu cabelo.
O Fiammeggianti então fechou os olhos em deleite. O arrepio em sua espinha ao ter a mão presa em sua cabeça, sua boca tão preenchida. A memória do vestiário e da cama voltaram com força e ele começou a desenvolver ainda mais ambições tolas. Ele foi adiante, movendo-se para frente, chupando-o com barulho e fluído, fazendo aquela glande gorda e vermelha beijar o sino de sua garganta. Seu estômago remexeu e ele abriu ainda mais seus músculos, procurando abraçá-lo inteiro com a língua.
O moreno encontrava-se com os olhos para baixo, meio fechados, seus dentes rangendo para não deixar o som alto em sua garganta sair. E ele em seu pensamento estava maluco, esquecendo onde estavam, perdendo o controle de suas ações.
— D-Dio... — ele gemeu, sentindo sua alma sendo tomada aos poucos, arrancando as batidas rápidas de seu coração. Seu pênis latejou fortemente no fundo da garganta do rapaz ajoelhado para si. Ele se sentiu quase completo. Agora ele queria mais daquela sensação incrível que ele se lembrava, o deslize, a pele arranhando uma na outra, até o clímax perfeito.
O italiano abriu os olhos para ele, os dedos em suas pernas, a língua pressionando e estirando. Ele não conseguia se mover, não com Sieghart segurando sua cabeça tão fortemente no lugar. Mas a espera não demorou mais, com os dedos guiando-o.
Dio o deixou se mover como queria. Ele fechou os olhos após uns instantes apreciando a vista, mas fechou para se concentrar. As duas mãos ditando, uma na nuca, uma em seus fios. Sieghart iniciou, experimentativo, e aos poucos foi chegando a um passo brutal e rítmico, movendo o quadril rapidamente em sua cavidade bucal, evitando seus dentes, buscando a contração com sua glote.
De repente, eles sentiramtudo com perfeição. Era sujo. Era quase uma utilização. Mas como era excitante! Se isso era como se sentia dar um boquete para ele, Dio decidiu que ia fazê-lo sempre. Algo tão genial assim... ele gemeu gravemente, desde o fundo de seu peito. O moreno girou os olhos, se perdendo com o sexo, amando sua boca. Dio apertou os olhos, sentindo cada vez mais difícil aguentar a agressividade que o pênis completamente duro o invadia, mas se forçou a ficar. Suas mãos buscaram socorro e logo ele começou a perder o controle de sua respiração. Sieghart abraçou sua cabeça, fodendo sua cara. Ele fodeu com intenção, esquecendo de toda sua gentileza. Dio não conseguia conter as lágrimas em seus olhos, os sons imundos ocupando o cubículo. As mãos do moreno vieram para as maçãs de seu rosto e diminuiu a velocidade, deixando-o respirar, mas ainda se movendo, rebolando em sua boca, tocando a ponta no céu de sua boca, em pura provocação.
Os dois estavam vidrados. Houve uma mudança no ar. Sieghart desceu seu membro uma última vez por sua garganta e subiu devagar, olhando-o com poder. Dio tossiu, tentando engolir o excesso que o sufocava.
Ercnard deslizou os dedos pelo pênis em sua máxima potência; desenhou com ele os lábios inchados do italiano.
— Me mostra a língua...
Dio arregalou os olhos, incrivelmente abertos, e foi como se um choque passasse por todo seu corpo. Ele obedeceu, tão rápido, como se aquilo fosse um fato. Sua natureza.
O mais novo abriu sua boca, e estendeu a língua para o pênis. Com lentidão, lambeu as costas da glande enquanto o moreno se concentrava em sua masturbação. Seus olhos se tornaram ainda mais finos, escuros, e perdidos nas ordens tão sensuais.
Sieghart segurou seu rosto, um dos dedos entrando em sua boca. A voz se tornando rouca. Ele se tornou, apenas naquele instante, seu dono.
— Abre pra mim, Dio...
O italiano fez o que era mandado enquanto o moreno claramente tremia muito concentrado e chegando ao limite. Dio abraçou-o pelas pernas, deixando sua mão tocar apenas brevemente sobre a roupa os testículos do moreno.
Ercnard dobrou-se levemente, abrindo os lábios para o ar e, sem controle, deixou o orgasmo intenso dominar o momento, espirrando o começo na face do mais novo, fazendo-o piscar. O moreno segurou o gemido, o ar, tudo dentro de seu corpo, que vibrava, gastando as últimas energias. Seu corpo todo pulsava, seu membro excessivamente sensível.
E Dio provou-o, sentindo o fluído deslizar da ponta, diretamente da abertura para dentro de sua boca, ganhando abrigo em sua língua, como fora comandado. Ele segurou todo o gozo, quente, amargo e rancido na poça de sua garganta.
Sieghart abriu os olhos, ainda tremendo, exausto e agarrando seus ombros para se manter em pé.
Os olhos do namorado o fitaram diretamente, satisfeito, engolindo o líquido cremoso em um único gole, respirando depois em alívio de ter acabado. Ercnard apertou ainda mais seus dedos com a cena, não conseguindo controlar o latejar de seu membro, movimentando-se uma vez no ar como se tivesse vida própria.
— Meu Deus... — o moreno murmurou, tentando recuperar o auto controle de seu corpo e se acalmar. Dio alcançou-lhe o pênis novamente, abocanhando-o pela metade, fazendo-o soltar uma exclamação de prazer e alta sensibilidade.
Finalmente, uma batida grosseira na porta.
Ambos a ignoraram completamente.
Dio chupou-o com cuidado, afastando sua boca com uma última, molhada e lânguida sugada, terminando seu intento. Deixá-lo com um gosto de quero mais. E se levantou, sentindo as pernas contraídas de tanto ficar na mesma posição.
O moreno estava bambo e ainda não tinha voltado para a realidade, mas abraçou Dio, e sua mão, molenga, agarrou seu pênis, que não aguentava mais a longa espera.
Dio riu baixinho e abraçou-o de volta. Abraçou-o todo, a cabeça do moreno descansando em seu pescoço.
— Vou emprestar sua mão, Ercnard. — Dio murmurou, envolvendo a mão do moreno, firmando-o em seus dedos.
Sieghart esfregou seu nariz no pescoço do italiano e apertou os dedos com mais energia, sussurrando, a voz pesada e grave como nunca:
— Fode a minha mão...
E depois disso foi como um choque elétrico. O mais novo movimentou-a, deliciosamente, maravilhado com o encaixe da mão quente, envolvida pela sua, como uma única. Ele franziu o cenho, sentindo a piscina de excitação em seu baixo estômago e todas as intimidades se contraindo. Ele ia gozar tão gostoso... ele sabia, sentia tão claro. O cheiro dos cabelos em seu nariz, o corpo todo mole e entregue em seus braços. Seu pênis apertado na cavidade entre os calos e os dígitos suaves. O som do moreno em seu corpo, vibrando quente. Dio fechou momentaneamente os olhos para sentir uma sensação particularmente deliciosa, mas abriu-os novamente, decidido a olhar a face do namorado quando viesse. E talvez... talvez gozar com algumas palavras sujas.
Sieghart o fitou, em seu relaxamento, mas as bochechas tingidas de um vermelho que diziam claramente o que estava pensando.
— Você gosta disso...?
Dio deslizou nos dedos lentamente, sentindo o orgasmo se formando com rapidez. Aquela voz... ele o enlouquecia.
Ercnard beijou-o embaixo da orelha enquanto o via sofrer com a masturbação, lutando para não deixar o clímax vir nem antes nem depois. A boca esperta mordiscou sua pele, fazendo-o inclinar o pescoço, respirando com mais dificuldade. A língua serpenteou em seu pescoço, em sua orelha. Ele tinha desvendado tudo. Todos seus desejos sujos.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!A mão livre de Sieghart puxou a de Dio, que até então lhe deu suporte, para deslizar em suas costas e descer, tocando um de seus glúteos. Dio o apertou com força, mordendo os lábios para impedir o orgasmo. A massa em seus dedos, divina.
Sieghart então ditou o movimento de suas mãos, falando-lhe mais uma vez.
— Gosta que eu mande em você, Dio?
O mais novo sabia que não era hora, mas confirmou levemente.
— Às vezes...
E deixou o namorado com o trabalho. Seus braços o envolveram, as mãos segurando os glúteos, experimentando as curvas e a textura macia por dentro da calça. Dio deitou a cabeça no pescoço do moreno, inspirando o cheiro maravilhoso para dentro de si. Seus dedos amaciaram-no; moveram-se cada vez mais para o vão. Seus dedos da mão direita encontrando caminho para a entrada enrugada, que respondeu com uma contração leve.
O rapaz sentia-se febril e incapaz de conseguir além disso.
— Ercnard...
O moreno tentou focar um pouco mais, movendo sua mão com um pouco mais de habilidade sobre o pênis rijo e úmido, contudo, as mãos em sua intimidade, o dedo desenhando o círculo em seu ânus, o deixavam vulnerável e sensível outra vez.
Dio apertou aquela bunda com agressividade, sentindo-se vingado pelos momentos anteriores, mas recebendo apenas mordidas leves no lado esquerdo de seu maxilar. Doce e gentil.
O moreno sussurrou uma última vez, quando as coxas de Dio começaram a se pressionar, gradualmente, a testa cada vez mais franzida e os olhos desfocados.
Os dois jovens se olharam. Dio, como se estivesse aguardando-o. Ercnard, distraído com o dedo forçando entrada.
— Pode gozar...
O mais novo rangeu os dentes ao som da voz. Sieghart sentiu-o no limite, no pico, apenas lutando contra. O abdômen exercendo uma força imensa. Ele também, contraiu-se com o dígito entrando quase pela metade dentro de si, com apenas leve ardência.
Ercnard abriu os lábios, quase cedendo à vontade de pedir para ir mais fundo, mas fitou Dio. Ele tinha que fazê-lo sentir prazer também e o Fiammeggianti já não ia aguentar mais nenhum segundo. Então, ao invés do pedido, ele deu seu último comando.
— Goza pra mim, Dio.
Era tudo o que ele queria ouvir. Dio o segurou forte e imóvel assim que ouviu as palavras. Sentiu a última onda que o levaria a ter um gozo intenso na mão do moreno, sendo habilmente coberto pelas folhas de papel que Sieghart alcançou com uma tenacidade admirável.
E tão rápido como começou, havia acabado.
Depois disso, o Sieghart jogou o papel no lixo e manteve-se parado com o mais alto, abraçados por um tempo a mais. Dio estava se acalmando, suas mãos deslizando por suas costas, sua boca beijando-o devagar no pescoço, subindo seu maxilar, seu rosto e por fim sua boca.
Eles trocaram algumas carícias calados e decidiram que estavam cansados demais para voltar à pista. Restava então voltar para o grupo, se sentar e beber algo num ambiente relaxante.
— Vamos? — Dio perguntou num murmúrio, lhe dando um sorriso suave e satisfeito.
Sieghart concordou, suspirando, sentindo a preocupação de encarar as pessoas do lado de fora começando a roer seu estômago. Dio percebeu e apenas lhe deu um aperto na mão, piscando para ele. Mas no fim, não houve ninguém que falasse nada, ou que achasse estranho. Com sorte, o banheiro tinha esvaziado desde o início de sua aventura na última cabine e o único que ainda estava lá era um rapaz que conversava na porta. Um deles olhou para Dio.
— Seu amigo melhorou, colega? — ele perguntou, com olhos genuinamente preocupados.
O casal se lembrou da desculpa inicial de que o Sieghart estava passando muito mal e nem conseguia andar direito por causa da bebida.
Dio assentiu, agradecendo-o, enquanto o rapaz sorria e dava um tapa leve no ombro do moreno.
— Ainda bem, nós quase íamos chamar ajuda para levar o garoto pro hospital. Ainda bem que está tudo certo então.
Por fim, com os agradecimentos e despedidas, Dio e Ercnard se afastaram, sentindo-se milagrosamente salvos pelo universo. Eles se encararam, ainda cheios de expectativa, vibrando em todas aquelas sensações, apreciando cada novidade.
Mas definitivamente era melhor dar uma pausa e ver os amigos, que, não sabiam, estavam já à sua procura.
Continua
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