Identity Crisis

30 C29. This can be love


Notas iniciais
Esse capítulo é grande. MUITO GRANDE. Pessoalmente, eu amei. Boa leitura aos leitores que ainda continuam seguindo aí kk!

O Fiammeggianti não voltou naquela madrugada. Sem nenhum problema nisso, já que Sieghart parecia muito exausto para ficar esperando acordado. Na verdade, enquanto os outros jogavam mais uma partida depois de ele tomar uma ducha, Sieghart não tocou mais no nome de Dio e nem aparentou estar incomodado por sua ausência. Lupus, quem observava o amigo com cuidado, não sabia dizer se isso era um bom ou mau sinal.

De qualquer forma, na manhã seguinte, Sieghart não perguntou nada a ninguém, nem ficou procurando o “namorado” por onde passava. Ele manteve a postura usual e continuou sua rotina normalmente. Ele cumprimentou os membros do fã-clube no intervalo, ele ignorou Mari quando ela tentou falar com ele como se nada tivesse acontecido no dia anterior e ele cumpriu com suas tarefas do conselho.

Dio não apareceu nem no almoço.

Enquanto isso os murmúrios sobre a discussão de Elesis com Mari rolavam frescos no refeitório e por consequência ele recebia vários olhares curiosos. O moreno aproveitou a deixa para encontrar Elesis, sentada afastada junto com Lire. Ele conversou brevemente com as duas, prometendo conversar sobre os assuntos mais sérios em outro momento, mas confirmando que as duas estavam mais relaxadas e seguras.

Mal sabiam as pessoas que o viam passar com seu sorriso solar que várias coisas passavam na cabeça daquele moreno. A principal delas no instante era encontrar Jin, coisa que ele estava remoendo há um tempo.

“Aquele idiota... Não atende minhas ligações, ignora minhas mensagens, está até faltando nas aulas!” Sieghart lavava o rosto no banheiro, tendo um momento de paz e reflexão. Será que era arrogância sua achar que Jin estava o evitando propositalmente e não por outro motivo?

“Afinal, não só para pedir desculpas, mas também porque as coisas estão feias para os Kaien. Como amigo preciso conversar ele.”

— Ahn, com licença...

Sieghart virou-se, notando com espanto a presença de um aluno. Este tinha cabelos castanhos, olhos rosados. Um figurante huh? Sieghart nunca o tinha visto na vida e provavelmente não o veria de novo. Não com a estatura mediana e a pouca presença.

— Me desculpe, eu não percebi que tinha alguém esperando. Já estou saindo.

Quem diria que alguém teria a cara de pau de abrir a porta sem bater? Aquele era o único banheiro unissex no colégio, no qual o moreno encontrava seu refúgio quando queria ficar sozinho. Mas claro, Sieghart tinha uma reputação, então xingar o novatinho não era uma boa ideia agora, mesmo ele merecendo.

— Sr. Sieghart, a Miss Onette está te procurando por todas as partes.

O moreno sentiu o olho repuxando do lado levemente, mas ele não deixou transparecer sua irritação para o rapaz. Okay, a menina estava tentando cruzá-lo a qualquer custo, mas ele era muito bom em desviar das pessoas quando queria. Funcionou, pelo menos até agora.

— Me desculpe, qual é o seu nome?

O menino piscou, o rosto colorindo-se de vermelho levemente e respondeu hesitante:

— S-Sim, é R-Rosewood... Maya Rosewood, Sr. Sieghart!

O presidente deu ao rapaz um sorriso suave e tomou uma postura confiante. Seus olhos sorriam para o primeiranista.

— É um prazer conhecê-lo, Rosewood. Você se importa se eu te chamar de Maya?

Imediatamente o menino encolheu e balançou a cabeça negativamente, o rosto explodindo. Estava no papo.

— Certo, Maya~

Ao que dizia com um tom delicado, experimentando o nome, Sieghart tocou-lhe levemente o ombro.

— Veja bem. Você sabe o que aconteceu ontem entre a Onette e minha prima, não sabe?

Novamente, o menino assentiu, olhando-o com aqueles olhos grandes e banhados de admiração.

— Então, eu estou tentando me afastar dela por um tempo. Não quer dizer que não vou falar com ela ou coisa assim, mas ela não está respeitando meu espaço, sabe? Você deve conhecer o sentimento de você ter discutido com um irmão ou com seus pais e mesmo assim eles continuam entrando no seu quarto sem sua permissão?

— Sim! Um pouco. — ele admitiu. — Você quer que eu a distraia?

Lindo! Sieghart genuinamente sentiu vontade de abraçar aquele calouro tão dedicado. Ele decidiu não esquecer o nome dele.

— Maya, se você puder fazer isso por mim, eu agradeceria muito! Depois, te pago um almoço, que tal?

O menino fechou os punhos e balançou a cabeça tantas vezes que deveria ter dado um mau jeito no pescoço.

— Sim, senhor!

Sieghart riu um pouco, maravilhando o Rosewood.

— Pode me chamar só de Sieghart.

Quando o menino saiu, o moreno ainda esperou alguns minutos. Felizmente, não havia ninguém perto. O banheiro ficava bem ao fundo de um corredor afastado, mas também perto de algumas salas.

Silenciosamente ele colocou as mãos nos bolsos, olhando os lados e conferindo se o menino tinha cumprido com a missão antes de caminhar de volta para o pátio. Quase ao chegar lá, sentiu um puxão relativamente rude, que fez seu humor piorar em questão de segundos.

Seu corpo foi puxado para trás e batido contra a parede tão repentinamente que ele viu um flash branco, soltando um gemido de dor. No instante em que xingava, abrindo os olhos, Sieghart parou.

Dio estava bem ali. Ele fazia um sinal de silêncio. Aquele braço musculoso o empurrando contra a parede, o dedo indicador sobre os lábios grossos, os olhos vinho atravessando-o.

Sieghart engoliu a voz, sentindo o estômago rodando. Ele tinha se esquecido até então que ver alguém que se gosta podia causar tantas reações. Ele tinha se esquecido de como era sentir saudades assim. E tensão sexual.

— Ainda bem que te achei. — disse naquela voz grave, parando de forçá-lo e assumindo uma posição mais confortável. Ou o Fiammeggianti piscou demoradamente ou era Sieghart que definitivamente não estava prestando atenção.

Dio balançou a mão para ele.

— Ei, Sieg. Desculpe, eu te empurrei muito forte?

O moreno piscou de volta e parou de encarar o rosto do parceiro e acompanhou o dedo do mais novo para a direção em que estava indo antes.

— A princesa está por ali, insana. Eu a vi perguntando por você para várias pessoas, então como você também não aparecia imaginei que estava se escondendo dela. — continuou o mais novo, notando o jeito aéreo do moreno.

— É bem isso que estou fazendo mesmo. — Sieghart respondeu, com um leve tom de riso. — E como me encontrou, Fiammeggianti?

O italiano arqueou a sobrancelha dupla, dando um daqueles olhares provocantes de sempre, um sorriso largo e branco que fazia sua mente divagar.

— Você vai continuar me chamando assim até quando? — Dio indagou, colocando o antebraço na parede, ao lado da cabeça do moreno.

Em resposta, o moreno deu de ombros, sorrindo. Suas costas sentiam-se fundindo no gesso, sua espinha toda arrepiada. Acima de toda a razão existente, Sieghart por algum motivo se sentiu atraído pela ideia de flertar bem ali.

— Você não respondeu ainda... Como me achou? — o Sieghart cruzou os braços, vendo o corpo de Dio inclinando para mais perto.

Sieghart notou os olhos de Dio rapidamente conferindo se tinha alguém por perto e voltando para si. A vibe entre os dois completamente outra. A pupila do mais novo aumentando, o rosto tão perto que a ponta do nariz encostava-se à sua.

O hálito tocou seus lábios. O cheiro do rapaz acariciando suas narinas como uma poção de toque amadeirado, sutilmente arrastando-o para uma alucinação.

— Intuição. — Dio respondeu, roçando seu nariz e suas bocas, tão levemente encostados que eles nem tinham certeza se realmente estavam se tocando.

E tão rápido como começou acabou. Sieghart sentiu um peso no peito de repente, não podendo deixar de sentir essa ansiedade sobre Jin e sobre tudo o que estava acontecendo em sua vida.

Ele também sabia que seu eu de ontem não faria algo assim em público com Dio, o que dizia muito sobre sua mania de lidar com os problemas transformando tudo em diversão.

Então, antes que o mais alto tocasse sua face, Sieghart o parou segurando seu braço. Seu olhar inseguro. Ele estava excitado sim, mas ele tinha coisas importantes para resolver. Ficar com o parceiro podia esperar só mais um pouco. Dio tinha que entender isso.

— O que foi? — indagou o maior cautelosamente. Dio notou que havia algo estranho já que o moreno não parecia bravo e sim desanimado.

—... Hmf... É o Jin. — Sieghart respondeu com cansaço, fazendo com que o rapaz se afastasse.

— Você estava fingindo estar bem esse tempo todo, não é? — Dio começou a caminhar com ele, os dois parecendo simplesmente como amigos próximos. — Depois do seu colapso na sala imaginei que tinha muito mais acontecendo, não só o Kaien.

Sieghart apenas suspirou. Ele podia contar tudo para Dio quando estivessem no quarto. Ou sozinhos. Em algum lugar bem longe daquele colégio de preferência.

— Para ser sincero, eu estou um pouco inseguro em falar sobre a gente com o Jin. Ele reagiu muito mal naquele dia quando nos viu – aliás, a culpa foi totalmente sua— e ele continua me ignorando.

— Entendi. Eu me desculpo de novo por esse dia – não por ter te beijado, mas por ter te beijado ali na porta – e eu prometo que vou te recompensar de alguma forma. Sobre o Jin, eu entendo que você está com medo. Ele é um amigo muito íntimo seu, não é?

— Sim. Eu meio que o adotei haha... Não sei se você sabe a história.

O mais alto deu de ombros, mas sua expressão era de interesse. Era interessante essa nova dinâmica entre eles. Era tão mais natural do que com sua ex.

— Ele chegou aqui com uns 13 para 14 anos. Imagina só um moleque mirradinho criado nas montanhas no meio da China! Ele era tão inocente que dava até dó. Ao mesmo tempo em que era estranho o jeito dele, ele era um objeto misterioso para todos. Todos queriam saber da vida dele, mas, sinceramente, não tinha muita coisa. E você notava como ele queria pertencer ao grupo, mas não conseguia.

— Um esquisito. Claro que ninguém gostaria de ser babá dele, não num colégio como esse.

— Isso mesmo. Mas eu estava louco por uma companhia além da minha prima na época. Eu também... estava afastado de tudo. As outras crianças tinham medo de mim porque os pais falavam para não se meter em problemas comigo e que deveriam sempre respeitar a Família Sieghart. Eu acabava sendo admirado e colocado num pedestal. Eu também não conseguia conversar informalmente com ninguém exatamente pela falta de uma comunicação normal com crianças da minha idade, mas o pior era o tratamento que recebia em casa.

Dio e Sieghart tomaram um caminho por um jardim aos fundos, direcionando-se para os dormitórios. Passos lentos e o vento batendo leve.

— Uhm, você era um jovem mestre solitário. Pensei que poderia ser o caso, mas não fazia ideia de que era ignorado na escola.

— Haha, patético né? Eu fiquei tão feliz quando o Jin apareceu. Ele não sabia de nada, como uma ovelhinha. Mesmo quando tentaram dizer para ele se afastar de mim, ele disse que não fazia sentido. Ele respondeu que queria estar comigo porque eu gostava dele e porque ele gostava de mim, então porque tínhamos que nos separar? Lógica de criança sabe?

Dio riu também, conseguindo visualizar os dois, pré-adolescentes, sozinhos e se tornando os amigos mais unidos de todos.

Uma amizade assim não poderia acabar tão fácil. Mas também, é do tipo que se tem mais medo de perder.

— Eu sinto que me acomodei com a ideia de ter ele. De ensinar tudo e também de mantê-lo só pra mim. Mas eu nunca imaginei que ele reagiria com tanta raiva e ciúmes. Ele não agiu assim com a minha ex.

— Oh? Você tem uma ex?

O moreno bufou.

— Eu tenho. Pode não parecer, mas eu tenho uma. E foi só ela também. Eu tive vários casos e muitas ficantes e fiz idiotices nos últimos dois anos, mas só namorei uma menina.

— Bem, o Jin na verdade... — Dio coçou o queixo e hesitou um instante. Balançou a cabeça e manteve-se em silêncio.

— Ele o quê?

— Nada. — Dio lhe deu um leve beliscão numa área sensível, fazendo o moreno rir. — Eu entendi que você tem medo de perder ele. Mas ele já sabe, Sieg. Não é melhor pra vocês dois colocarem tudo na mesa e chegarem a uma conclusão? Ficar parado não vai mudar nada. Vocês só vão se afastar, mais e mais.

— Eu não quero isso.

— É por isso que você deveria tirar o band-aid logo, mesmo com o medo. Justamente por que ele é seu melhor amigo. Eu estou aqui pra te ajudar também caso você queira. Fizemos isso com o Wilde, podemos fazer de novo.

Sieghart suspirou outra vez. Não se sentia tão seguro ainda assim, mas ter uma pessoa ao lado apoiando-o era um alívio que ele realmente precisava. Era melhor ainda que fosse seu parceiro.

— Mas te digo uma coisa. Talvez seja melhor você falar com ele sozinho antes. Sinto que ele vai negar uma conversa se eu estiver perto.

— Dio. — Sieghart o fitou em reprovação.

— É sério. Tem certeza que não quer tentar conversar sozinho com ele?

O moreno colocou as mãos nos bolsos, olhando momentaneamente para seus pés enquanto passavam por mais prédios do enorme campus.

— Você acha mesmo isso? Não acho que o problema seja com você.

Dio riu, permitindo-se tocar a nuca do moreno e o balançar um pouquinho, fazendo-o parar de andar.

— Ei. Ele está na defensiva e para piorar eu sou o cara que “te roubou”. Claro que ele não me quer perto, pelo menos na reconciliação de vocês. Mas eu posso ficar por perto, você conversa com ele e confirma se nós podemos fazer as pazes. Que tal?

— Hm. — Sieghart mordeu o lábio, achando era muito complicado. — A gente vai parecer uma mãe tentando fazer o filho gostar do futuro padrasto.

Dio riu com a analogia.

— Olha, eu acho bom você não falar isso para ele em nenhum momento da sua vida.

— O quê? Que ele é meu filho?

— É! Nunca toque nesse assunto! Aliás, ele não era para ser mais como um irmão? Você tem problemas, cara.

Sieghart riu também, sentindo-se mais leve com a naturalidade do riso do italiano contagiando-o.

— Certo... Acho que eu vou seguir seu conselho, Dio. — os olhos prata fitaram o rapaz com suavidade.

Dio também, sentiu seu peito enchendo cada vez mais estranhamente com a troca de olhares. A conversa tão... Eles nunca conversaram assim antes. Eles definitivamente precisavam fazer mais isso.

O italiano cortou o clima e apontou para uma das construções ao lado deles.

— Que bom, porque eu imagino que ele esteja no dojô treinando agora. É sua chance.

XXX

— YI!

O ruivo estava sozinho de novo. Seu grito batendo nas paredes de madeira do dojô. E ainda assim, ele não estava tendo progresso nenhum, não com sua mente tão ocupada.

— ÉR!

Seu suor escorria, desde sua testa até seu punho estendido.

Ronan estava ajudando e muito, coisa que nunca havia esperado dele. Antes, quando os dois começaram a ter “aquele tipo de relação”, ambos tinham suas vidas completamente separadas e nenhum se intrometia nos assuntos do outro. Então Jin ficou preocupado quando o excêntrico Capitão da Esgrima começou a consolá-lo. Porque nossa! Aquele cara antes só pensava em arrastá-lo para suprir as necessidades e depois o ignorava como sempre.

— SAN!

O que mudou?

Jin ainda não fazia ideia.

Enfim, o azulado não conseguia acalmar completamente suas preocupações, claro, considerando tudo pelo o que estava passando — principalmente em casa.

Jin suspirou enquanto dava o dia por finalizado, vendo que não iria muito mais longe que isso. Calmamente ele secou o rosto com uma toalha enquanto se distraía de novo.

Ele queria muito falar com Sieg, voltar aos dias divertidos, às conversas descompromissadas e se animar com o sorriso do melhor amigo. Mas alguma coisa brotou em seu coração quando o viu com aquele maldito Dio. Sieghart teve a cara de pau de se pegar com o italiano segundos depois de abandonar a briga. Jin já estava se sentindo traído, mas naquela hora, além de ter seu coração partido em todos os sentidos, sentiu principalmente raiva de si mesmo por nunca ter dito seus sentimentos. Talvez ele tivesse tido uma chance com o moreno se tivesse tentado de verdade.

— Não adianta remoer agora Jin. — disse a si mesmo, com um sorriso triste. Ele até que estava superando bem. Ele tinha Ronan o apoiando. Ele só não sabia se ao ver Sieg ele conseguiria reagir bem.

— Remoer o quê?

A voz o fez praticamente saltar em pé numa exclamação. E é claro que ele reconhecia aquela voz em qualquer lugar. Automaticamente seu rosto esquentou, seus sentimentos se misturando tanto que ele não conseguia controlar sua face.

O moreno coçava a nuca e estava meio corado também. Os olhos desviando de vez em quando. Aquele olhar de pura culpa.

— Licença... F-Faz um tempo, Jin.

— Uhm. É... — o ruivo cruzou os braços, não se mexendo nenhum centímetro.

Jin só queria saber agora o que Sieghart poderia dizer. Ele não era exatamente a espécie de pessoa que pede desculpas. O moreno sempre dava um jeito de distorcer as situações em sua arrogância e Jin era a pessoa legal que sempre cedia nas discussões.

Sieghart diminuiu a distância entre eles com cuidado, seu olhar firmando-se com determinação. Cada um de um lado do tatame.

— Eu vim pedir desculpas, Jin. Eu queria ter dito antes, mas...

O ruivo girou os olhos, mas por dentro seu ego inflou com aquela pitada de felicidade.

— Jin, você é meu melhor amigo. — Sieghart fechou os punhos para ele, ganhando confiança. — Eu te considero como um irmão. É claro que me importo com você. Você pode achar clichê eu dizer dessa forma, mas de verdade, eu sempre me senti assim. Não quero que uma briga dessas atrapalhe o que a gente tem.

Ao mesmo tempo em que estava surpreso, o ruivo sentia-se sendo rejeitado pela segunda vez. Pelo jeito ele era um masoquista... nesse instante ele estava desejando a rejeição pela terceira vez quando abriu a boca para responder. Foi tarde. Seus sentimentos mais fortes e presos em sua garganta há tanto tempo.

A testa do ruivo franziu, seu desespero ganhando a forma de palavras.

— Mas não é assim que eu me sinto em relação a você, Sieghart.

A expressão do amigo foi de confusão. Claro, era natural que Sieghart não entendesse suas palavras. Jin era devotado, mas nunca tinha demonstrado tanto assim. Ronan e Dio eram os únicos intuitivos o suficiente para notar.

— O que você quer dizer? — Sieghart removeu sua expressão, pego de surpresa.

— Não... Não é bem o que você está pensando. É claro que você é super importante para mim também.

Jin passou a mão na face. Sentia irritação agora, coisa que era tão incomum para ele. Porque, como ele tinha coragem de sentir atração pelo melhor amigo? Ele era um traidor de merda. Um falso. Ele mal conseguia suportar esse sentimento, ainda mais com o moreno o olhando inocente de tudo.

— Bem... Eu queria dizer Jin, eu fui um completo idiota. Eu simplesmente esqueci de tudo o que estava acontecendo e te pus de lado. Não pensei que se eu me afastasse eu iria te machucar tanto. Eu realmente peço desculpas por tudo. Sobre o Dio, eu ainda preciso me explicar, mas eu devia ter te contado as coisas antes.

O ruivo apertou os lábios, a dor o consumindo.

— Não é isso... — Jin balançou a cabeça, sentindo-se uma criança novamente. — Não é nada disso. Eu não estou mais bravo com isso... Eu fui imaturo demais naquela hora, numa discussão tão tosca. Eu te culpei de tudo. Na minha cabeça você devia explicações, mas na verdade, vamos ser sinceros, eu fui um puto egoísta!

— Jin, isso não é verdade...

— É sim! Você não se sentia à vontade pra falar sobre o que estava acontecendo com o Fiammeggianti não é?!

— Eu... Eu estava confuso ainda. — Sieghart respondeu, a voz sumindo devagar.

— É verdade que eu ainda estou um pouco chateado por você ignorar nossa amizade, mas na realidade eu só queria te manipular. Eu só estava com ciúmes do Fiammeggianti. Era só nisso que eu conseguia focar.

O moreno coçou a bochecha, ruborizado.

— Você vai rir, mas isso me deixa super feliz. Obrigado, Jin.

O sorriso tímido foi o suficiente para o coração do ruivo derreter. Novamente, sendo lavado por um sentimento incompreensível pelo melhor amigo.

— Não precisa me agradecer... Quer dizer, está tudo bem Sieg. — Jin murmurou, os olhos perdidos no chão, que parecia infinito. — Eu na verdade tenho que fazer uma confissão.

O ruivo tremia. Ele ia dizer. Ele tinha que dizer.

— Eu gost- gostava de você. — o ruivo disse num fio de voz, sua face queimando tanto que ele teve que tocá-la, se escondendo do amigo.

Ele viu Sieghart arregalar os olhos detrás dos dedos.

— Não me odeie, por favor. Eu sei que fui longe demais... — Jin murmurava, sentindo a vontade de chorar crescendo. Ele não suportaria perder Sieghart de vez. —Acho que até agora eu preferi fugir de você quando na verdade estava tentando fugir de mim mesmo. Quando eu vi... Você e o Fiammeggianti, parecia que o mundo tinha caído na minha cabeça. Eu tinha tanta expectativa, vivendo no meu mundo ideal com você. E eu nunca imaginei que assim, talvez, se eu me declarasse eu teria alguma chance. Eu escolhi a amizade para me auto preservar. Então você de repente já estava com outro cara. E eu estava seguro que sabia tudo sobre você. Mas eu estava errado. Eu sou um idiota.

Era demais para absorver. Se você cria um monte de histórias dentro de sua mente e vive achando que suas suposições estão corretas, a realidade dá um jeito de meter um tapa na sua cara e te fazer enxergar os fatos.

Uma pessoa como Jin, que era sempre brilhante, também tinha uma montanha de problemas. Mas seu silêncio durou tantos anos que agora sua explosão era como a de uma bomba nuclear. Era demais. Ele só teve Sieghart em sua vida. Único confidente. Mas apenas nesse momento ele finalmente deixou sua verdadeira voz falar.

— Eu nunca soube. — Sieghart o fitou, agora bem à sua frente. Ele tocou o ombro do ruivo, ainda concebendo o que tinha escutado. — Deve... Deve ter sido muito difícil manter seus sentimentos em segredo por tanto tempo.

— S-Sim...

O ruivo piscou, não aguentando mais segurar o lamento.

Sieghart suavizou sua expressão. Era pena que estava escrita em sua face.

— Você ainda... — Sieghart murmurou, apertando o ombro do ruivo, fazendo-o encará-lo.

— Eu te amo. Droga. — Jin esfregou os olhos, não suportando olhar para o moreno. Ele fungou, o choro saindo mais forte. — Droga. Eu ainda...

Para piorar, ele estava suado do treino extra, se sentindo uma gosma. O nervosismo não contribua com sua fadiga, que era tão grande que ele só queria se deitar, dormir e esquecer-se de tudo, encontrar alguma paz.

— Sinto muito. Eu não te vejo dessa forma, Jin.

O ruivo não soube se o carinho no topo de sua cabeça foi bom ou não. Ele não soube se preferia a piedade do amigo ou uma rejeição mais dura. Não importava mesmo. Era uma merda de qualquer forma.

XXX

Foi depois de vários minutos que Jin conseguiu se recompor. Sieghart esteve sentado ao lado do amigo em silêncio, sem tocá-lo e paciente, num silêncio confortável.

Eles ainda precisavam conversar sobre inúmeras coisas e o moreno desconfiava que Dio já tinha desistido de esperar do lado de fora e voltado para o dormitório. Pensando nisso ele fitou o ruivo, quem apoiava o queixo nos joelhos parecendo pensativo, os olhos gentis meio inchados ainda.

Jin o fitou de volta, roubando sua chance.

— Eu sinto que você ainda quer conversar, Sieg.

Sieghart espelhou o sorriso amargo que o ruivo deu, sabendo que agora ele tinha que abrir o jogo.

— Hm, sim. Primeiro, sobre o Dio.

Ainda havia muito chão para o ruivo conseguir fingir não sentir desgosto em relação ao italiano apesar de não haver uma explicação lógica para isso. Talvez o universo simplesmente não quisesse combinar os dois.

Sieghart desviou os olhos por um tempo. Não estava sendo fácil falar sobre seu status de relacionamento cara a cara. O nível de dificuldade parecia estar subindo ao invés de diminuir.

Jin esperava com um olhar de entendimento prévio, mas ainda assim, atento. Ele provavelmente precisava ouvir com todas as palavras o que estava acontecendo.

— Nós estamos juntos. — novamente, as palavras não saíram tão firmes como ele planejava, mas seu olhar permaneceu altivo, envergonhado, mas determinado a captar todas as expressões do melhor amigo.

Jin esboçou um sorriso pequeno e fechou os lábios. Ele inspirou, retomando o ar de amigo protetor.

— O que fez você mudar de ideia sobre o Fiammeggianti? Antes você estava confuso não é?

Sieghart riu. Sem querer, ele estava corando de novo.

— Acho que... Para ser sincero, eu nunca tinha sentido algo assim. Com as garotas digo. Então eu realmente queria aproveitar isso.

Jin balançou a cabeça em afirmação. Ele meio que entendia o que o moreno queria dizer.

— E eu não preciso me preocupar com ele te incomodando de novo? — Jin indagou, afastando suas emoções.

O moreno riu de novo, empurrando Jin com o mesmo ar de amizade de sempre. O ruivo retornou o gesto e foi se levantando.

— Não precisa. Eu consigo meter uma surra nele se precisar. — respondeu o moreno.

Jin confirmou com um aceno, sentindo-se muito mais leve. Aquele sentimento ruim que o consumia há dias estava parcialmente sumindo agora. Provavelmente era só esperar o tempo curar o resto e ele ficaria bem. Para isso, ele precisava se dar mais um tempo.

— Certo. Eu confio em você. — Jin suspirou olhando o amigo à sua frente,

Ambos caíram num pequeno vazio se olhando. Sieghart nem parecendo como o incrível presidente do conselho estudantil e herdeiro milionário. Parecia de novo aquele menino de 14 anos solitário e arrogante.

Jin sorriu para ele. Foi um sorriso que Sieghart nunca mais esqueceu.

— Sieg, eu ainda vou ficar um tempo longe do dormitório. Claro, nós vamos nos ver e conversar nas aulas e nos nossos horários livres. Mas eu realmente quero um tempo para eu me recompor.

O moreno sentiu o mundo caindo nos ombros. Era sua culpa, não é? Era seu novo relacionamento que estava afastando seu melhor amigo.

— Jin-,

— Escuta. Eu acho que vai fazer bem para nós dois. Tá na hora de começarmos a tentar enfrentar certas coisas sozinhos. Eu sei os problemas em que a minha família está metida. E eu não quero que você se sinta responsável. Não é sua culpa e nem sua obrigação consertar nada, Sieg. Você tem vários problemas para se preocupar.

— Mas isso não faz sentido! Por que a gente precisa parar de se ver? — o desespero era claro nos olhos prata.

Jin deu um peteleco na testa do moreno, fingindo irritação.

— Tá surdo? Eu acabei de dizer que só não vou dormir mais no mesmo quarto. Se ponha no meu lugar, Sieg. Eu sou uma pessoa frágil, okay?

Sieghart torceu o nariz, corando de novo e massageando o local atacado.

— Não gosto da ideia mesmo assim.

— Eu não tenho que te agradar em nada. Fique irritado sozinho e pede pro seu namoradinho te animar.

Sieghart sentiu uma onda de arrepio até sua nuca e ele franziu a testa.

— E-Ei! Pensei que você era mais maduro que isso, Jin.

— Pensou errado. — o ruivo riu e começou a empurrar o moreno para fora do dojô. — Eu já notei que ele está aí fora. O Fiammeggianti já esperou demais.

O moreno ainda fitou-o por cima do ombro. Claro, ele estava inseguro sobre tudo isso. Jin era parte do seu dia a dia. Ficar sem ele de repente assim...

— Dio está esperando. Manda um salve para ele. — Jin sorriu, acenando.

— Hm, okay. Você vai ficar bem?

Jin deu de ombros, ajustando a faixa preta em sua testa e piscando para o moreno.

— É claro. E eu não estou tão sozinho como você pensa... Tenho outros amigos também. Agora vaza daqui.

O ruivo deu as costas e começou a fechar o local de treinamento enquanto Sieghart desistia e seguia seu caminho para encontrar onde o italiano estava.

XXX

Já tinha anoitecido quando Dio e Sieghart chegaram ao quarto, completamente quietos. O italiano observava com o canto dos olhos para a figura desolada do moreno.

“Quando perguntei como foi, ele apenas disse que ‘foi complicado’”.

O mais velho se estendeu na cama e jogou o braço por cima dos olhos, deixando claro o modo como estava exausto. Com os pés ele arrancou os sapatos, fazendo barulho e foi desfazendo os botões da camisa, já tendo o blazer arrancado logo que pisaram no cômodo.

— E onde você se meteu o dia inteiro? — perguntou o moreno num fio de voz. Claramente ele queria se distrair de seus pensamentos.

— Assuntos de família. — Dio respondeu com preguiça, também se desfazendo de suas peças de roupa extras. Seus olhos afiados sobre o peito semi exposto do moreno.

O Sieghart colocou os braços atrás da cabeça, se espreguiçando e encontrando finalmente seu conforto. Só então se dando conta de que estavam sozinhos. Finalmente.

Dio estava afrouxando a gravata quando notou o olhar intenso do companheiro. Automaticamente, o canto de seu lábio formou um sorriso, desarmando Sieghart.

O moreno desviou os olhos, começando a se esticar e fingindo bocejos.

“Nada honesto”. Dio resmungou pessoalmente e segurou uma risadinha. “Mas fofo”.

— Ei... — Dio apoiou o joelho sobre o pé da cama.

— Que foi?

O maior franziu o cenho, sentindo-se ofendido pela maneira desinteressada que o moreno falou.

— A gente devia sair, Sieghart. — o italiano disse, apoiando sua mão na cama e impulsionando o corpo para cima da cama, no espaço entre as pernas do moreno.

— Sair? Como assim sair? — a voz de Sieghart saiu num sopro de ar, afetado pela aproximação.

Os olhos de Dio desviaram daquele mar prata brilhante e desceram para sua própria mão, pousada ao lado do pé claro. Ele o encarou nos olhos enquanto deslizava discretamente para roçar a lateral externa do pé esquerdo de Sieghart em seus dedos. As pontas apenas ameaçando tocá-lo.

Dio assistiu os ombros do moreno enrijecerem como pedra e seus olhos travarem nos seus. O Sieghart realmente tinha uma tara por desafios já que conseguia fingir seriedade num momento desses. Mas o italiano não queria nada do tipo agora. Claro, era sempre divertido e ele desestressava com as apostas e jogos corporais, mas agora ele só queria ver a excitação estampada naquele rosto.

Inúmeros desejos floresceram num pequeno instante de contato. Sieghart não disse nada quando Dio segurou seu tornozelo, segurando a respiração.

— Como num encontro. — murmurou o mais novo, o timbre grave provocativo. Seu tom sério nunca entediava Sieghart, ele sabia. As pupilas do alemão aumentavam quando ele usava esse tom.

Dio sentia a pele fria em seus dedos. Suavemente ele começou a acaricia-lo com o polegar, experimentando o território.

— Uhm... Encontro... — Sieghart balbuciava como se hipnotizado.

A mão do maior era quente e forte. As veias saltavam lindamente, combinando com os calos. Sieghart a sentia perfeitamente. A mão rude e pesada.

— E depois deveríamos encontrar um local mais reservado. — Dio continuou, soltando o agarre delicado para deslizá-la em direção à panturrilha sobre a calça.

O moreno quase perdeu o controle de sua expressão. A cor em sua face ficando mais intensa.

— Tipo onde? — Sieghart respirava com dificuldade agora. O maior subindo devagar, tocando atrás de seu joelho, uma área sensível sua, quase fazendo-o suspirar. Dio sorriu e parou o avanço. Ele inclinou seu corpo para se acomodar no meio das pernas de Sieghart, sem pudor algum. O moreno sentiu tudo enrijecer, sua temperatura descontrolada.

O italiano tinha as mãos ao lado de seu corpo. Seu rosto bem acima de Sieghart. Ele começou a se inclinar para perto.

— Fora daqui. Um lugar em que não há chances de ninguém entrar para nos atrapalhar. — Dio murmurou, seus lábios tão pertos que Sieghart fechou os olhos, aguardando.

As mãos de Sieghart subiram para seus ombros, puxando-o timidamente para mais perto.

Dio sorriu internamente, tentado a desfazer o autocontrole ali mesmo. Uma parte incompreensível sua desejando se acabar nesse sentimento e no corpo à sua frente. Sua memória não acalmava, fazendo-o reviver a intensidade do primeiro beijo deles. E do segundo. E do terceiro. E de todos os outros. Até aquele momento no vestiário, quando a emoção voraz que o atormentava apenas começou a se consumir. Ele e Ercnard perdidos um no outro.

Dio também sentia-se hipnotizado naquela boca. E nos olhos. Sieghart entreabria os lábios, um milímetro mais perto. O toque daquelas mãos queimando seus ombros e confirmando o prazer palpável em tê-las em seu corpo diretamente. Os olhos entreabertos pedindo silenciosamente para “entrar e ir até o fundo”.

— Dio...

Não houve tempo para terminar, pois suas bocas esmagaram-se juntas. Mergulhando na sensação.

O suspiro de Sieghart foi tão forte que mandou diretamente uma vibração para seu pênis semi desperto. Em seu desespero, mal notou que ele próprio estava audível. Uma das mãos viajando diretamente para o cabelo negro, macio e levemente longo enquanto sua língua enrolava em sincronia na dele.

— Mmm...

Sieghart levantou o tórax, buscando o corpo de Dio como se não fosse suficiente. O italiano respondia usando de uma força desnecessária, roçando todo seu corpo superior sobre o moreno, forçando-o contra o colchão tão violentamente que Sieghart gemia em sua boca.

Parecia uma luta.

Nenhum dos dois estavam pensando logicamente enquanto se roçavam medindo forças. Dio apertando um de seus pulsos enquanto o moreno chupava seus lábios com força e enfiava sua língua cada vez mais fundo, puxando os fios tingidos do Fiammeggianti como se o odiasse.

Sem demora os dois começaram a esfregar um no outro. Dio comandando o ritmo, sem nem conseguir olhar para o que acontecia no meio de suas pernas. Sieghart encontrou sua voz para suspirar assim que o ritmo foi diminuído e suas bocas se separaram, saliva brilhando e seus lábios inchados.

Dio acariciava seu cabelo na região da nuca, o movimento de seus quadris gradualmente mais concentrados. Os dois duros.

— Ah... Isso... — Sieghart confirmou quietamente. Sentia a excitação em seu membro o possuindo. Suas mãos desceram dos ombros para o peitoral sobre a camisa. Maldita camisa. Seu olhar e o puxão na gola foram suficientes para o companheiro entender a dica.

Sieghart queria mais dessa sensação. Algo que o fazia se sentir vivo a ponto de gritar, como uma queimadura.

Dio arrancou a camisa logo que conseguiu se desfazer dos botões, expondo o corpo fruto de seu trabalho duro. Seu olhar era sexy. Parecia atravessá-lo e despi-lo. Sieghart não admitiria, mas estava cada vez mais excitado com essa vulnerabilidade.

— Hm... — Dio se inclinou, retomando o beijo, menos animalesco dessa vez.

Os dedos roçaram seu pomo de adão, então a clavícula e encontraram seu mamilo ao afastar a camisa. Sieghart apertou os olhos ao sentir o toque delicado. Nunca imaginou que o italiano conseguiria ter um toque tão delicado assim. Sua boca era rude, mas sua carícia era o roçar de uma pena.

Ao passo que seus quadris dançavam num ritmo mais lento, o moreno se esquecia na boca de Dio, trocando incansavelmente beijos que simplesmente se conectavam. A necessidade de ter a pele do outro na sua os fazendo descer as mãos mutuamente.

— Sieg... – Dio murmurou languidamente, segurando o bico marrom e o torcendo levemente, aplicando uma força gradual. O moreno dobrou as pernas no reflexo e puxando o bíceps do italiano. Logo em seguida com a outra mão foi até o botão da calça dele, buscando o contato carnal desejado.

— Tira a calça.

O mais novo arqueou a sobrancelha com um sorriso meio pervertido. Sieghart sentiu sua metade inferior reagindo fortemente, pois sim, ele havia visto a face pervertida e cheia de provocação do mais novo, mas nunca havia sido “sério” e puramente sexual. Então Dio apenas terminou com o zíper, assistindo a expressão do moreno, que só podia se apoiar em suas grossas coxas.

— Gosto quando você manda assim...

­ —!... Cala a boca... — Sieghart virou os olhos, finalmente sendo atendido. Ele deixou que o maior tocasse seu umbigo com a ponta dos dedos demoradamente, a boca acariciando seu pescoço durante o tempo todo, e descesse para a braguilha.

Sieghart não conseguia se cansar daquele olhar. Algumas vezes enxergava um deboche irritante, às vezes um desejo puro e às vezes... uma escuridão que ele ainda não era capaz de compreender. Como se Dio transmitisse algo de solidão e tristeza. E aquilo de forma bizarra o atraía muito.

— Ei. Concentre-se. — Dio segurou seu queixo, logo após se pôr de joelhos.

Sieghart levantou os olhos apenas a tempo de sua face ser envolvida pelas mãos espaçosas e puxada para encontrar com os lábios mágicos.

Dio acariciava suas bochechas com os polegares enquanto mordia seus lábios – um de cada vez – e roçava seus narizes. Acabada a carícia, ele ergueu o corpo até esfregar sua ereção coberta pela peça íntima contra o peito de Sieghart.

O moreno liberou um gemido afetado, automaticamente colocando as mãos nas pernas do maior, seus dedos afundando no músculo definido das partes de trás onde se encontrava com a polpa da bunda. Sieghart suspirou de novo ao sentir todos os dedos agarrando seu cabelo perto da nuca.

— Sim... Isso é bom... Pega mais forte. — Dio mandou, deixando claro ali que tinha algo pelos fios negros, acariciando-os, enrolando-os nos dedos e puxando-os e obrigando Sieghart a obedecê-lo. E sim, os dois eram muito fortes. A mão de Sieghart afundou no vão entre o glúteo e a perna, causando uma dor prazerosa que levou Dio a outro mundo. — Hmm...

Era verdade que Sieghart estava aproveitando demais esse momento, mas quanto mais longe estavam indo, cada vez mais sua preocupação aumentava. Até o momento eles estavam explorando e tentando se satisfazer com qualquer coisa que se sentisse bem, mas até então eles não tinham tido nenhum acordo sobre quem “ia colocar”. Dio não parecia estar focado nessa questão e até parecia gostar também de se deixar ser dominado.

— Você tá distraído de novo. — Dio o chamou, agora com uma sobrancelha de preocupação. — Tudo bem, Ercnard?

— Eu... — o moreno sentiu o rosto esquentando ainda mais. —... Nós vamos tentar ir até o final?

O italiano apenas piscou. Sua ereção continuava roçando o peito do moreno sob a peça íntima, causando ainda mais constrangimento. Sieghart mesmo não estava muito bem lá embaixo.

— Se você quiser, podemos fazer só as coisas que já fizemos antes. — Dio sorriu e saiu daquela posição, voltando a ficar frente à frente. — Claro que vai perder um pouco a graça, já que eu tinha planos para essa sua bunda hoje.

— A minha?! — Sieghart tremeu, seus olhos denotando todo o poder de seu embaraçamento¹.

O italiano riu, tocando a franja escura.

— Temos que ser justos aqui, não é? Você também é o primeiro cara com quem saio.

— Oh.

Sieghart assentiu com a cabeça, entendendo que pelo menos o italiano era razoável. Depois de um segundo de processamento os olhos prata arregalaram um pouco.

— Oh...

— O quê? — Dio estreitou os olhos, não apreciando a reação.

Sieghart deu um sorrisinho irritante, as mãos acarinhando o peito do mais novo. Seu indicador encontrando o mamilo escuro e passando apenas de leve.

— Então você também não sabe muito... Sobre foder com homens.

O rapaz girou os olhos como resposta.

— Não me subestime. Eu sei o suficiente. — Dio garantiu, puxando o moreno para outro beijo na tentativa de calá-lo.

O corpo de Sieghart deslizou para o colo de Dio, as masculinidades se encontrando e todo o resto. Os braços de Dio o envolveram inteiro enquanto seus quadris trabalhavam para manter-se no clima.

— É sua vez de tirar essa roupa, não é? — Dio riu, interrompendo o que fazia para começar a puxar as roupas todas pra fora. No processo se cotovelando sem querer e rindo sobre isso.

Ambos retomaram o ritmo, agora os dedos juntamente buscando qualquer parte de seus corpos. Sieghart na tarde anterior entendeu que Dio gostava de tudo, mas especialmente na área do tórax e toques grossos e repentinos, enquanto Dio já sabia que o constrangimento de Sieghart revelava um desejo medroso de ser amado fortemente.

Eles felizmente tinham uma ótima compatibilidade.

— Ah! — Sieghart deitou sua testa sobre a curva do pescoço do maior e decidiu ir ao ponto, tocando a própria ereção. — Espera...

Dio o fitou, também descendo sua mão dominante e trazendo seu membro para a dureza completa. Não era muito seguro com a boca e a respiração ofegante em baixo de seu ouvido, né? Mas ele ia ser forte.

Sieghart arriscou olhar para baixo, vendo os dois órgãos muito próximos, cada um a seu modo movendo os dedos. A glande de Dio molhada e inchada, tão próximo que o calor da fricção parecia alcançá-lo, fazendo-o se lembrar do modo que ambos se tocaram nos chuveiros.

— Dio. — ele chamou fracamente. Com as pontas dos dedos tentou alcançar os do companheiro.

O italiano respondeu, tocando-os de volta.

— Chega mais perto... — pediu Dio, puxando o moreno para mais impossivelmente perto, juntando suas ereções. — Me toca...

— Hm... Dio... — Sieghart gemeu. Ele começou tocando os dois, experimentando o território. O italiano encolhendo levemente quando seu polegar esfregou a glande.

— Você é tão direto. Tenho certeza que deixou algumas garotas bastante insatisfeitas. — Dio disse com tom de deboche, retribuindo o favor.

— I-Idiota!

— Bom... — Dio aproximou seu rosto da orelha direita do moreno. —... Você também, Sieg.

O moreno arrepiou-se, gemendo pelo ataque em seu ouvido, por um momento perdendo toda a concentração. Mas então ele tomou o pênis do companheiro em seus dedos, evitando ser delicado demais. Aquele fodido não precisava que ele fosse bonzinho.

­ — Ah... Sieg... — o italiano deixou escapar o gemido, indo para dar prazer ao Sieghart também.

Os dois mantiveram por um tempo as mãos e bocas ocupadas, experimentando-se. Até que o desejo de seguir em frente fez Sieghart dar o primeiro sinal.

Enquanto se beijavam, tentando evitar ao máximo chegar ao clímax, ele abandonou o pênis do amante e se inclinou, deslizando a mão pelo abdômen e peito do italiano e dando a entender que o queria deitado.

—... — Dio arregalou os olhos ao sentir o corpo delicioso do moreno subindo, de quatro, lentamente para cima de si. Seu rosto quente, seu membro pulsando com a visão daquela face. Os olhos pratas tremendo somente para si.

Sieghart não podia negar a vergonha que borbulhava em todo seu ser, mas ele queria isso de uma forma incontrolável. Seu quadril esfregando diretamente contra a perna de Dio. Ele decidiu tocar os testículos do companheiro com movimentos circulares, apalpando-os experimentalmente.

Dio começou a sentir como se fosse explodir. A boca e a mão direita de Sieghart agarrando-se à base de seu pescoço, a saliva quente escorrendo.

— Dio... — Sieghart gemeu enquanto usava os dedos para suavemente acariciar o saco do rapaz e cada testículo, assim como ele tinha feito consigo da última vez, sentindo-o suspirar e encolher-se levemente enquanto se agarrava em seus cabelos.

O italiano impulsionava seu quadril para cima, buscando mais o contato do membro de Sieghart, que roçava na altura de sua cintura. Sua mente era uma confusão nesse momento, o rosto de Sieghart ocupando sua visão com as bochechas parecendo duas bolas vermelhas, os lábios inchados e entreabertos diretamente embaixo de seu lóbulo esquerdo fazendo sons tão sexys que deviam ser proibidos. Cada mordida leve e sugada o fazendo tremer desde sua base.

— Sieg... — Dio o puxou, já não sendo capaz de estar mais próximo do outro.

Os dois trocaram outro intenso beijo antes de trocar de posição. O italiano por cima, segurou a coxa do moreno por trás, esfregando seu membro sobre o de Sieghart.

O moreno inclinou a cabeça para trás, sua franja liberando a visão de sua testa. Seus dentes fecharam-se com o movimento súbito de Dio tocando suas pernas e juntando-as em seu corpo, fazendo o movimento para trás e pra frente, mesclando a umidade do pré-gozo.

Sieghart não poderia descrever bem esse sentimento a não ser o desejo genuíno de querer consumi-lo. Ele olhou Dio e percebeu que era praticamente a primeira vez que o via dessa forma. Tão carnal.

Os dois se olhavam enquanto buscavam o toque um do outro. Sieghart queria avançar, Dio também, mas a sensação atual, lentamente construindo essa tensão aos poucos era preciosa demais para eles destruírem de uma vez.

Foi quando Dio entendeu: “Ah, eu não quero apenas ter um orgasmo”. E Sieghart sentiu seu corpo indo à loucura, seu estômago virando e seu rosto em chamas.

Dio rapidamente se inclinou sobre ele, levando sua mão até a boca avermelhada do mais velho. Sieghart automaticamente fechou os olhos, recebendo os dedos, abraçando-os com sua língua.

— Eu vou fazer o que você quiser... Se doer, me diga. Mas eu prometo ser gentil. — Dio murmurou, além de sua própria consciência. Sieghart respondeu com um gemido lânguido enquanto chupava os dedos, que no momento eram a coisa mais deliciosa do mundo. Sua língua rosada enrolando nos dígitos e molhando-os com fervor.

Sieghart segurava o pulso de Dio com uma mão e com a outra tocava o pênis bicolor, internamente estupefato pela grossura à que tinha chegado. Ao mesmo tempo tremia pela mão forte agarrando sua coxa.

— Hm-, — Dio gemeu ao sentir a mordida provocante em seu indicador e médio e os retirou, deixando a face do moreno ensopada de tesão por mais.

Dio levou os dedos para a própria boca, lambendo-os sem pudor e deixando o moreno perplexo.

“Filho da puta...” Sieghart apertou os dentes, sentindo tudo esquentar de novo e acelerá-lo de novo para as carícias agressivas.

Dio desceu os dedos com demora, arrastando-os sobre os pêlos pubianos, gradualmente deixando Sieghart apreensivo.

—... — o moreno inclinou o quadril, buscando fazer seu membro roçar naquela mão atrevida, mas Dio desviou, forçando sua mão sobre as bolas, fazendo-o travar tudo. — a-ahn... Dioo...

Sieghart tirou força de algum lugar enquanto Dio se inclinava para fazer um caminho de mordiscadas e lambidas longas em seu abdômen e segurou seu pulso, fazendo-o finalmente tocá-lo mais embaixo.

— Você quer? — Dio indagou, passando a língua sobre a glande úmida do mais velho levemente.

— Caralho, Dio... — Sieghart franziu a testa, segurando a franja do rapaz, mas não usando de força. —... Quero, vai logo...

Ele precisou descer os dedos só mais um pouco para sentir o músculo retraindo ao seu toque. Claro, não ia ser fácil logo de primeira, ele sabia bem disso.

Para acalmá-lo Dio o fitou, encontrando os olhos prata, atentos agora. Ele voltou sua boca para o pênis carente, estendendo a língua, acariciando-o, apenas sentindo o gosto.

— Hm... — Sieghart apertou um pouco o agarre em sua franja, tentando se controlar.

Então o italiano desistiu ao ver a reação extremamente fofa do rapaz.

“Hora de te compensar”.

Sieghart gemeu alto ao sentir a cabeça de seu membro sendo inteiramente envolvida. A sugada, a língua acariciando e fazendo força sobre seu períneo. Foi tão intenso que ele empurrou a cabeça do companheiro pela franja. Dio piscou, assustado.

— Au... — Dio murmurou, segurando a mão do moreno e massageando o topo da cabeça onde tinha levado o puxão.

— F-Foi mal... Eu quase... — Sieghart abaixou os olhos, nunca estando tão envergonhado como agora.

— Eu não ligo. — Dio respondeu dando de ombros e riu. — Você com certeza tem estamina suficiente pra ir algumas vezes.

O moreno riu de leve e voltou a beijar o maior, deixando-se experimentar aquela sensação nova, de dividir algo genuíno com alguém.

— Acho que não. Sou velho já.

— Cala a boca... — Dio o envolveu por uns segundos, chupando aquela boca e descendo novamente, dessa vez caminhando seus lábios por seu membro e descendo diretamente à entrada do moreno.

Sieghart se apoiou no próprio travesseiro, experimentando o nervosismo de ter a face de alguém naquela região.

Dio respirou, abrindo sua boca e usando sua língua para fazer um círculo na região pulsante. Sieghart tapou a boca para impedir sua reação, sentindo-se fora de seu corpo.

Era tão estranho! Era a coisa mais embaraçosa de sua vida acontecendo ali.

— U-uhm... Hmm...

Sieghart dobrou suas pernas. Dio aplicou mais força, sentindo-o tímido. Seu músculo forçando entrada. Seus dedos brincando embaixo de seus lábios, empurrando o indicador sobre o orifício. A voz exasperada que serviu de resposta lhe deu arrepios, levando-o quase ao limite. Seu membro não poderia esperar mais.

“Você precisa aguentar, Dio...” O italiano disse a si mesmo, deixando sua saliva escorrer. Ele sugou forte, tirando um gemido não muito másculo do outro, e voltou com uma mão, empurrando a massa do glúteo e com a outra indo para massagear o pênis de Sieghart.

— Ohh~

Sieghart tapou a boca, fitando o italiano com um olhar perdido. Que espécie de expressão aquele cara fazia numa hora dessas? Ele precisava saber.

Dio estava apenas imerso. Respirava profundamente, rondando seus lábios e língua, chupava devagar e depois gemia um pouco, parecendo deliciado com a sensação. Ele parecia extremamente confortável em fazer isso com um homem. Foi quando Dio abriu os olhos, bem quando sugava o músculo, enfiando a língua até o fundo, apertando sua coxa musculosa do treino.

Sieghart gemeu alto, seu membro pulsando fortemente no punho do mais novo, suas pálpebras ameaçando fechar. Bem quando seus olhos se encontraram, entreabertos, os cílios flutuando em perdição.

— D-Dio!

O italiano rapidamente parou o que fazia e num suspiro descontrolado, aumentou a velocidade em seu punho, adquirindo ritmo, mantendo seu olhar na face do moreno da mesma posição, mas sem se mexer. Sieghart ainda tocou sua mão, tentando fazê-lo parar, mas sua vontade era contraditória.

O que estava acontecendo ali? Aquele olhar molhado, o nariz em suas bolas, a ponta da língua tocando sua entrada devagar, apenas provocando.

—A-ah... Mmm... — Sieghart ergueu o queixo, incapaz de se conter. Era bom. Seu coração estava disparado e ele sentia o suor acumulando em suas dobras.

Dio parecia saber exatamente o jeito que ele gostava, usando seus dedos para subir desde a base e circular a glande, fodendo ela com carinho, deixando-a impossivelmente vermelha e forçando todo o pré-gozo para fora.

Era o toque dos sonhos.

“Isso...” Dio mentalmente respirou e repentinamente cuspiu no ânus do moreno. Sieghart encolheu todo o corpo, gemendo ainda mais alto num único sopro e Dio aproveitou a deixa para circular seu indicador e forçá-lo.

—O-Oh-! — Sieghart inclinou o corpo para trás, agarrando a colcha e puxando-a quando Dio girou a ponta de seu dedo, lambendo-o por cima. — Di- Ei...!

O italiano fechou os olhos e confiou em seus instintos. Forçou o indicador, esperando alguns segundos, aproveitando a pressão que o moreno fazia. Ele tremeu só de imaginar em seu pau dentro daquele espaço apertadinho.

Sieghart fechou os olhos e tentou relaxar, ainda que seu corpo estivesse todo tenso pela ardência. Eles precisavam de lubrificante. Com certeza.

— Sieg, ‘tá doendo? — o italiano finalmente perguntou baixo, muito descomposto.

— Um... Um pouco. — Sieghart suspirou fundo, apontando para baixo, o rosto febril. — Tem... Tem lubrificante numa bolsa aqui embaixo... pega...

Dio abandonou-o alguns segundos, que serviram para o moreno passar a mão nos cabelos e tentar se recompor. A distância fazendo-o visualizar os momentos a seguir. Ele sabia... ele era a reencarnação de um tomate. Deusa...

O corpo de Dio dobrado para baixo da cama não o impedia de ver o membro insatisfeito do italiano. Ele engoliu saliva, lembrando-se da face de Dio quando lhe deu aquele boquete no chuveiro.

Sieghart se impulsionou para frente até ficar de joelhos e puxou a coxa de Dio, abrindo-a para dar espaço.

— O quê? — Dio indagou, confuso pelo toque e quando voltou o olhar, viu o moreno se inclinando e segurando seu pênis. Seu estômago virou de ponta cabeça quando o moreno nem piscou ao abrir a boca e chupar sua glande. — E-Ercnard!

Dio dobrou-se pela metade, tocando o topo da cabeça do moreno, enfiando os dedos nos fios sedosos. A boca avermelhada do moreno deliciosamente se abriu, abrigando mais de seu pênis. A sobrancelha franzida deixando-o mais sexy ainda.

— Ei... — Dio murmurou, usando de toda sua concentração para não investir direto naquela garganta. A língua tímida roçando, repetindo os movimentos, um pouco forte demais. —... Sieg.

O moreno abriu os olhos, abrindo a garganta e deslizando mais, deixando-o todo molhado. O gosto era intenso, mas ele estava totalmente hipnotizado por aquele olhar, por aquela carne à disposição. O membro pulsou em seu palato e ele gemeu.

— Uh-caralho! — Dio fechou os olhos, afastando-se. E o moreno levou um susto ao sentir o respingo perto de seu nariz. Dio cobriu o próprio membro e sentou sobre as pernas, fraco.

Sieghart piscou algumas vezes, vendo o rapaz orgulhoso continuar gozando no próprio punho. Dio respirava alto, massageando-se até a última gota. Ao final, ele olhou para si, ainda ereto.

O moreno não conseguia tirar os olhos do fluído branco pintando os dedos e abdômen do italiano. As gotas escorrendo para dentro do umbigo e os pêlos do caminho da felicidade.

— Que foi? — Dio perguntou num fio de voz, com o ar sexy demais para um rapaz de sua idade.

Sieghart estendeu a mão para o sêmen enquanto cobria os lábios de Dio com os seus.

Dio não teve outra escolha senão largar seu membro e ajudar Sieghart a se ajustar em seu colo, ambos roçando-se famintos.

O italiano se afastou apenas um pouco para fitar como Sieghart juntava seus membros e os masturbava mais calmamente.

Seus olhos se encontraram uns segundos. Dio beijou perto de seu nariz, entrelaçando suas mãos com a esquerda e com a direita cobrindo os membros, esfregando o topo de ambos tortuosamente.

— Hm... — Sieghart fechou os olhos, deixando suas faces roçarem num ato muito íntimo e inesperadamente emocional. Seus narizes juntos, bocas enfrentando-se. As respirações altas tomando seus ouvidos.

Ao sentir o orgasmo se formando de novo – e ele se perguntava como Sieghart ainda não tinha cedido – ele abandonou suas masculinidades, deixando o serviço pro moreno e circulando-o para tocá-lo de novo por trás.

Sieghart inclinou a cabeça para trás levemente e apertou os dentes. Dio sorriu sobre a boca do moreno e o cercou com suas próprias coxas, tocando a nádega definida.

— Levanta um pouco. — Dio pediu em seu ouvido, sentindo-o tremer e gemer com os estímulos simultâneos.

E assim foi feito, ficando de joelhos e apoiando-se nas coxas de Dio. Sieghart envolveu o braço direito no italiano e deitou o rosto em seu pescoço, respirando forte, beijando a pele disponível e sensível enquanto Dio parecia dar conta de desrosquear o lubrificante.

— Hm. — Sieghart franziu a testa ao sentir como o companheiro o tocava com o dedo completamente úmido, circulando o anel algumas vezes e finalmente infiltrando-o. — Dio...

Dio voltou o rosto para o pescoço do moreno, beijando sua orelha, mordiscando-a e puxando-a de acordo com a reação de seu parceiro. Sieghart continuou movendo a mão dominante, apenas mantendo-os eretos e seus dedos da direita buscando os músculos dorsais, para afundar suas unhas ao passo que o dedo o penetrava até o final.

— A-Ah...

Dio apertava os dedos na bunda do moreno, dando apoio e também satisfazendo seu desejo de longas semanas em apalpá-lo. O canal estreito pouco a pouco cedia à sua invasão e ele aproveitava para circulá-lo, penetrá-lo num vai e vem suave, tendo a certeza de deixá-lo todo molhado. Cada vez que fazia isso, Sieghart agarrava-se ao seu ombro e bíceps, perdendo um pouco o ritmo. Sua voz aos poucos perdia a timidez.

— Como está se sentindo? — Dio murmurou, colocando o dedo até o final e dando uma mexida particular com a ponta ao fundo.

— H-Hm! — o moreno explodiu em vermelho, trincando os dentes com o próprio gemido e a sensação extrema em seu íntimo. Dio riu um pouco e o moreno abriu os olhos para ele com raiva. — Você devia perguntar isso antes, idiota!

Dio soltou um sorriso largo e capturou novamente uma parte de seu pescoço, chupando-a tão vigorosamente que Sieghart realmente teve que morder o próprio lábio para não gemer alto. Porém, Dio não o deixou escapar só com isso, impondo ritmo em seu punho, procurando o ponto especial.

— A-Ahh-,

Dio suspirou, sentindo os glúteos e as coxas apertando-se sobre si. Ele aumentou a velocidade, indo fundo, adicionando seu dedo médio à entrada.

— Qual é sua resposta, Ercnard? — Dio murmurou, sentindo os fios negros espalhados pela nuca, meio suados, o cheiro intenso do dia nos corpos e sem se banharem ainda.

O moreno tentou achar apoio, mas a sensação o invadia tão fortemente que ele não conseguia pensar direito. Dio estava terminando de por outro dígito. Ardia, impossivelmente apertado. E ele era um desgraçado porque ficava mexendo por dentro, dobrando, enquanto dizia coisas embaraçosas bem em seu ouvido e propositalmente tentando provocá-lo.

— Hmph. — Dio torceu os dedos, recebendo uma apertada vingativa no saco que o parar. — E-Ei, calma...

Sieghart o fitou de frente, o franzido de irritação na testa. Ele não era fofo quando queria? E fazia um tempo que ele não mostrava essa expressão.

— Haha, eu paro, eu paro. — Dio se desculpou. — Mas eu preciso saber se você está realmente okay com isso. Se doer eu posso-

— Cala a boca. — Sieghart o cortou, irritado, apertando seu bíceps – maravilhoso bíceps — e alcançou seus lábios, tratando de calá-los com força. A troca de lábios e o enrolar de línguas foi rápida.

— Uau... — Dio suspirou baixo, envolvido pela intensidade do Sieghart. Seu corpo arrepiava com ele. Só com ele. Nada podia vencer esse sentimento agora.

Sieghart o fitou, o olhar determinado, mas ainda trazendo o vermelho nas bochechas, os olhos flutuando.

— Me faz gozar... — ele pediu, convicto, mas suave. Era sua primeira vez pedindo algo dessa forma, como se precisasse disso.

E Dio simplesmente derreteu.

Ele segurou a face de Sieghart com a mão livre e deu continuidade. Seus dedos começando a foder o moreno com objetivo. O menor se segurou em seu corpo, movendo o quadril, encontrando seus dedos no caminho. Sua audácia era admirável e extremamente sensual.

— A-Ahn... Haa!

— Aqui? — Dio suspirou, com a ereção implorando por atenção no meio deles. Ele torceu os dedos, ainda mais atento pelo som de molhado que fazia quando ele metia até o fundo. A perna de Sieghart tremia e seu quadril não sabia se ia para frente e esfregava a ereção no abdômen de Dio ou se ia para baixo e tomava os dedos grossos do italiano. Ele era uma confusão só.

Dio focou toda sua atenção para o moreno. Era para ele. Ele só queria dar prazer agora e ver como a face do moreno se contraía ao ter um orgasmo.

Sieghart não podia fazer nada além de se esfregar e esperar que aquela sensação nova o levasse ao pico. Para ser sincero, era uma tortura excruciante, mas era a melhor das coisas. Então ele se agarrou no companheiro, abrindo os olhos e enxergando nada além dos olhos sedentos. A franja caindo sobre os olhos, o suor escorrendo, a respiração tão forte e o rosto tão contraído que parecia que choraria a qualquer momento. Dio era lindo.

— Isso, mete forte em mim... — Sieghart gemeu, perdido e muito longe de seu pensamento normal, forçando o quadril contra a mão de Dio. Ele só queria mais.

O calafrio que percorreu o corpo do mais novo foi o suficiente para, determinado, virar o alemão na cama.

— Uh!

Sieghart piscou e um segundo depois Dio estava com os dedos de volta em seu ânus, agora num movimento frenético, com a pressão o abraçando constantemente, mas as paredes finalmente se abrindo para ele.

Dio passou a língua sobre os lábios e usou seu punho com maestria, masturbando-o. Só ele. Os dedos tão fortes que Sieghart dobrou as coxas apenas para senti-los mais.

— É! AHH! — Sieghart viu estrelas. Ele já estava no limite há muito tempo.

Dio desceu o rosto, chupando suas bolas e gemendo alto nelas enquanto forçava outro dedo.

— M-Meu deus-, Ahh! — Sieghart tapou a boca, sentindo que ia começar a gritar a qualquer momento. Era. Tão. Bom!

— Goza... Ercnard... Pode gozar... — o italiano disse, os olhos nublados, sua sanidade perdida vendo aquele corpo torcer por ele.

O moreno segurou seus cabelos de alguma forma e de repente o rosto de Dio estava sobre o pênis pulsante. As veias de Sieghart protuberantes, a glande tão inchada e as bolas tão duras que ele devia estar passando mal.

Dio não pensou duas vezes antes de engoli-lo, deslizando-o por sua língua, chupando-o tão longamente e gemendo alto. Nada era tão bom quanto aquilo. Ele acreditou ter encontrado seu vício.

O som que saiu daqueles lábios foi gutural, longo e tão excitante que Dio precisou tocar-se instantaneamente, massageando-se apenas alguns segundos para gozar quase junto ao moreno.

— Hmm... — Sieghart parecia sofrer com o orgasmo, dobrando-se enquanto Dio o tomava, circulando sua língua várias vezes sobre a cabeça, esperando suga-lo inteiro. Seus dedos permaneciam dentro do moreno, mas se movendo minimamente. Sieghart apenas conseguiu abrir o olho para ver a expressão satisfeita do italiano, mamando e ele morreu internamente com aquela visão. — Hmm!

Dio ainda tentou leva-lo além do limite, esfregando de forma áspera aquela glande e rodando as bolas nos dedos. Sieghart quase o chutou no reflexo, fazendo um som de choro.

— D-Dio, para...

O esperma fluiu para a cama e Dio pôde confirmar o quanto eles estavam excitados. Ele nunca tinha vindo tanto assim e ele não se tocou tanto. De fato, os dois tinham uma conexão muito intensa para apenas deixar passar.

— Você tá bem? — Dio se aproximou, se sentindo mentalmente destruído.

Sieghart tinha os olhos fechados e parecia ter morrido um pouco. Seu corpo estava emplastado na cama de solteiro suando, os braços e pernas fracos. Dio sorriu, sentindo uma emoção muito familiar enquanto envolvia o moreno, beijava-o pelo rosto e acariciava seu corpo.

— Hm. — Sieghart finalmente respondeu, abrindo os olhos quando um beijo em particular pegou perto de sua orelha e ficou ali.

— Ei. — Dio disse, fitando-o. O brilho de sarcasmo em seu rosto era irritante, mas até que meio sexy.

— Ei. — Sieghart murmurou, virando-se para encaixar com o companheiro. Ele respirou fundo, conseguindo distinguir cores e cheiros finalmente. Dio era quente e aconchegante. Ele gostava dessa sensação.

— Como foi?

Sieghart jurou ter ouvido um toque de insegurança na voz do Fiammeggianti, mas tudo bem. Ele era apenas um jovem de 17 anos. Claro que os dois ainda tinham muitos problemas que não gostavam de mostrar a ninguém.

O moreno sorriu. As coisas não estavam bem para ele, mas pelo menos ele poderia trilhar um caminho para si se ele se esforçasse de verdade. Ele poderia ficar com Dio, não podia? Ele sentia que isso poderia ser amor.

Então ele escondeu o rosto no peitoral do mais novo, sentindo-o. Dio o sentiu de volta. Suas pernas se entrelaçaram e eles ficaram assim uns bons minutos.

Quando começou a sentir muito sono, Sieghart levantou a cabeça, mole, e beijou Dio com demora. O rapaz ainda estava acordado, mas parecia estar quase adormecendo também. Os dois se acariciavam, mãos nos cabelos, pescoços, peitoral e braços. Andando e explorando devagar.

Sieghart suspirou sobre seu ombro, os olhos tremendo.

— Quer seu meu namorado, Dio?

Dio arregalou os olhos, acordando no mesmo instante. Seus olhos se encontraram e caso ele não quisesse, ele sabia, ele teria dado um daqueles sorrisos tristes... mas tudo o que sentiu foi seu peito esquentando. O moreno estava falando de “compromisso”. E isso para ele era uma coisa desconhecida. Era uma coisa preciosa. Ele nem sabia como era isso. Ele não sabia onde eles iam chegar, mas caralho!

Eles eram filhos de famílias poderosas. E gays.

E ele queria esse homem. Aqueles olhos pratas, devotos, convictos, cheios de coragem apesar de todos os contras.

— Sim! É claro que eu quero. — Dio corou, não sabendo como responder. — Acho que perdi a minha chance né? Hahah... Acho que no fim você acabou ganhando de mim.

Sieghart foi quem ficou mais surpreso. Mas ele apenas riu.

— Não sabia que essa competição tava rolando.

O italiano coçou a cabeça, sabendo que se fodeu desde quando viu aquele moreno na boate.

— Me conte mais. — Sieghart se inclinou sobre o corpo do italiano, fazendo-o perder o ar e fazendo os dois rirem.

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Continua

Notas finais
Gente. Eu só sei que demorei MUITOS DIAS escrevendo essa putaria. Sei que não foi até o fim, mas eu fiquei extremamente envergonhada escrevendo. Tive que parar vários momentos para entender porque eu tava tão afetada escrevendo isso. Acho que é isso que acontece quando faz tanto tempo que vc não transa e está sob o efeito de uma boa dose alcoólica kkkkkk. Enfim. Estou c vergonha de mim mesma. Se foi bom pra vcs, é o que tá valendo. Até senti que era o final da história aqui. Tem um ar de final de história. Sabe, quando é para terminar tudo feliz? Mas merdas ainda vão acontecer? Pois é. Eu sinceramente acho que essa é a 2ª fanfic mais legal que eu já escrevi. Eu me divirto escrevendo. Ponho muitos sentimentos nelas que em outras eu não trabalho. Acho que é meu cantinho especial. Claro, não é nada tão óbvio. Tem questões nessa fic sutis que eu fico analisando e penso: uau, não é a toa que eu escrevi desse jeito. Porque meus sentimentos tão intimamente ligados com os acontecimentos. Então curiosidade pra vcs: eu tinha escrito a parte do Jin há algumas semanas atrás e então estava relendo (pq eu tenho cérebro de pássaro e n lembro NADA), e aí comecei a chorar. Passei mal lendo. E é sempre o Jin nas minhas fics. Caralho Jin. Não sei porque... ele é o personagem que eu faço isso sempre. Acho q me vejo muito nele talvez. ENFIM. Obrigada por ler!