Notas iniciais
Yooooo! Parece que eu demorei uns 3 meses dessa vez e eu queria me bater por isso. A novidade é que agora eu sou professora (olha pra mim empregada rsrsrs) e claro essa felicidade vem com várias responsabilidades. Ainda assim estou trabalhando nas fanfics. Eu preciso apontar aqui meu agradecimento à almacrawford que foi até o spirit me procurar e conversar sobre essa fanfic que me deixou com o coração doendo de feliz. Também à TatsuKym que sempre me apoia demaaaais!~ Estou constantemente vendo as fics para não me perder e claro muitas coisas acabam acontecendo de 1 jeito que eu não esperava ou achei melhor mudar. Enfim estou muito feliz por ter vocês como apoiadoras. Amo seus comentários e espero continuar escrita de qualidade. Um abração enormee! Boa leitura minha gente!

— Ah! Não deixa ela escapar, Lass! — exclamou Ara, erguendo as mãos e quase deixando cair o recipiente de água.

O garoto arregalou os olhos ao ver Plum dando pequenos saltos em direção à porta da sala e largou o pote com letras gordinhas e coloridas que formavam o nome da coelhinha de estimação do ensino fundamental. Lass arrumou os óculos antes de captura-la em suas mãos e sentir a fofura do animal.

— Você é bem agitada para uma anã. — comentou o menino rindo levemente. Ara o acompanhou, dividindo a diversão de segurar um bichinho tão frágil e peludo.

A menina asiática de cabelos longos olhou para Lass, as bochechas vermelhas. Como acontece quando você tem 14 anos, todas as amigas sabiam de quem ela gostava. Ela, diferente das meninas de sua sala, apreciava uma personalidade mais quieta, elegância e beleza nas sutilezas. Lass tinha tudo isso e ela gostava de ver como ele parecia frágil, mas na verdade era bem resolvido com suas ideias.

— Lass, você realmente gosta de animais né? — ela indagou, sua voz doce parecia que estava sorrindo.

— Hm? Acho que sim? — ele respondeu com um ar distraído. — Mas eu tenho medo de um monte deles.

— É sério? Não acredito! Tipo qual?

Ele acarinhou as orelhas de Plum e hesitou antes de responder:

— Tipo cães.

Ela abriu a boca como que indignada. Ele fez um bico, sentindo-se exposto. Ele já tinha visto tanto essa reação que já que estava acostumado.

— Eu prefiro animais pequenos e herbívoros que não pareçam ser perigosos. Até virei vegetariano por causa disso... Assim como minha mãe.

A menina piscou curiosa. Claro, Lass nunca falava dos membros familiares além de seu pai, mas ela não conseguiu dar continuação à conversa, pois Lass trocou de assunto logo em seguida.

— Ah, acabou a ração dela. Ara, você não pode fazer o pedido? Eu ainda preciso fazer a lição da próxima aula. — ele pediu juntando as mãos.

Ara suspirou colocando as mãos na cintura.

— Pode deixar comigo. ­— ela sorriu de um lado ao outro. — Mas você fica me devendo um chá.

Ele passou a mão no cabelo com uma face brincalhona.

— Não prometo nada. — ele riu baixo.

Enquanto a menina fazia sua tarefa, ele ficou se entretendo em assistir o nariz do pet se mexendo quando houve uma batida na porta.

— Com licença?

Lass virou a cadeira giratória em que estava sentado com Plum no colo e fitou o recém-chegado, que para sua surpresa, era um rapaz bem mais velho.

— Sim? Em que posso ajudar? — Lass indagou afobado, se levantando ao passo que o rapaz se aproximava e deixava clara a diferença de tamanho entre os dois.

— Eu vim visitar essa mocinha linda! — ele respondeu com um sorriso largo, apontando para a coelha. — Eu sou o pai dela!

— Hã?! — Lass abriu a boca, confuso.

O rapaz riu alto.

— Eu não queria te assustar. Meu nome é Ryan Woodguard e estou no 3º ano. E você?

Lass fitou uns segundos a mão estendida e dela seguiu até o rosto.

“Qual a palavra para esse tipo de pessoa mesmo? Ah sim... brilhante.” Pensou sua mente voando longe.

O colegial tinha olhos verdes escuros. O cabelo mediano era ruivo e revoltoso de uma maneira que só amplificava o ar “solar” que emanava daquele corpo. O sorriso era largo e simpático, os dentes branquíssimos. As peças do uniforme revelavam que ele era do ensino médio, mas ele não usava o blazer só a camisa branca juntamente à gravata meio solta. Os bíceps do rapaz destacavam no tecido assim como o abdômen. O pescoço era grosso e o pomo de adão se mexia a cada pequeno movimento. Ele era tudo o que um homem quer ser.

— Uhmm... Eu vô’ ficar meio constrangido se você não apertar minha mão haha. — Ryan riu levemente e coçou a cabeça com a outra.

O albino acordou de seu transe, olhando para o rosto do rapaz para a mão e para o rosto de novo enquanto envolvia seus pequenos dedos na mão morena – assim como todo o corpo. Ele era quente.

— Desculpe. Meu nome é Lass. — Lass balbuciou e finalmente soltou o cumprimento. — O que você quis dizer com “pai”?

O rapaz abriu ainda mais a expressão, as maçãs do rosto altas. O sorriso dessa vez era ainda mais extasiante.

— Eu quis dizer que ela originalmente nasceu na minha casa. — o ruivo apontou. — Sabe, minha família tem uma fazenda e ela nasceu de uma ninhada uns tempos atrás, mas ela era muito fraca. Ela não sobreviveria lá.

O mais baixo piscou um segundo.

— Você quer dizer que ela ia ser abatida.

A face do ruivo ficou vermelha e a excitação na expressão quase sumiu, porém, ele ainda assim manteve um ar otimista.

— Bem... É verdade. E foi por isso que eu a trouxe para o colégio.

Lass abaixou o olhar para a menininha, sentindo a agitação do corpinho se mexendo em direção a Ryan. Parecia reconhecê-lo.

— Aww, sua fofinha. — Ryan disse com voz de bebê, estendendo as mãos. — Por favor, posso segurar?

— Claro. — Lass respondeu mais tranquilo, entregando-a e assistiu uns segundos a interação amorosa. — Ela parece gostar de você.

— Hm. Meio que eu sou o “pai” dela na verdade já que fui a primeira coisa que ela viu. — ele riu docemente.

Lass tremeu com a ideia. Pior do que ter um homem perfeito na sua frente é ele falar que é “pai” dessa forma tão segura. Apenas soava atraente.

— Sorte dela que teve alguém que se preocupou. Eu também estou feliz por isso, já que agora posso cuidar de um bichinho. Na minha casa eu não poderia.

Ryan sorriu olhando para ele.

— Entendo como é. Na minha casa aqui em Londres não é permitido animais. Não importa muito agora que estou no dormitório. Assim posso vir ver a... Você já deu um nome?

— Ah... Nossa sala a chamou por Plum. Se bem que a ideia foi minha. — Lass coçou a bochecha, envergonhado.

— “Plum”? Tipo ameixa? — Ryan riu. — Por quê?

— A-A textura da parte de dentro... E você não acha fofo o som na hora que você fala “Plum”?

Ryan quase gargalhou nessa hora e Lass só queria esconder a cara. Eram sorrisos demais para um dia.

— Você está certo. É um nome fofo mesmo. — Ryan disse ainda se recuperando do riso e fitando-o. Depois de um pequeno instante de silêncio, ele pôs a mão na cabeça do garoto, fazendo um breve cafuné e dando um olhar doce para o ingênuo Isolet. — Você é meio fofo também. Sua cara está toda rosa.

Lass ficou mudo, fingindo que não tinha ouvido essas palavras. Não muito depois que Ryan ficou brincando e falando com Plum, ele olhou o relógio e disse que precisava ir embora.

— Quando puder vir outra vez eu venho. Nos vemos por aí então Lass?

— H-Hm. Talvez.

— Ótimo! Eu preciso ir agora. Cuide bem da Plum, por favor.

— Sim... Pode deixar.

Ainda depois de um bom tempo de Ryan ter se despedido, Lass ficou sentindo o rosto ardendo. Ele também não soube direito se aquilo que estava acontecendo com seu estômago era normal e tampouco seus pensamentos, que até então nunca tinham tido um teor tão... erótico. Quer dizer, ele nunca tinha pensado antes em como alguém poderia ser “bonito” ou “sensual”. Por sua cabeça nunca passou que um tríceps grosso o fazia sentir um estremecimento na virilha.

“E ele me chamou de ‘fofo’”.

Seu trem de pensamento foi ficando cada vez mais perigoso enquanto colocava Plum na gaiola e depois se sentava, repassando toda a conversa na cabeça.

Uns poucos dias atrás Lass passou por um momento assustador com o irmão mais velho. Ele não era tão inocente, então sabia o que Lupus estava querendo fazer arrancando sua roupa e tocando-o daquele jeito. Não foi algo que ele se sentiu bem, mas definitivamente o fez sentir um tremor parecido com agora.

“Talvez aquilo tenha ativado alguma coisa em mim.” Lass tapou a boca, pensativo. Imediatamente ele balançou a cabeça de forma negativa, ficando um pouco trêmulo ao lembrar-se de tudo o que passou com o irmão por alguns anos.

“Não. O que estou sentindo é diferente de antes. Não é medo. É algo bom.” Lass sorriu levemente para si. “Deve ser a puberdade. Eu sou um adolescente normal”.

Lass respirou fundo enquanto via Ara entrando na sala com um pacote em mãos com uma embalagem rosa e o desenho de um coelho anão de olhos vermelhos.

Por um instante ele se sentiu aliviado e até um pouco feliz.

XXX

“Faz dois dias!”

— HA!

O grito assolou o tatame e o peso do pé no chão fez vibrar até os ossos dos novatos que assistiam o treino do capitão do clube. Os olhos arregalaram para a inicialização do Tigre Real, maior título do estilo no Kung Fu colegial. Todos notaram com clareza o brilho dourado nos olhos de Jin Kaien sabendo que ele ainda estava de extremo mau-humor. Para se ter breve uma noção, o ruivo era conhecido por ser uma espécie de reencarnação de Buda então não era surpresa tantos rostos pálidos.

A testa estava ensopada com os movimentos precisos. Os músculos do jovem contraíam-se, revelando só o que você pode imaginar que era a força do monge. Jin era incrível, uma figura que todos admiravam e utilizavam como ideal naquela academia, porém, já fazia dois dias que ele tinha esse olhar distante e seus golpes eram quase puramente agressivos.

O motivo para tudo isso se passava na cabeça do ruivo, onde milhões de coisas aconteciam e o deixavam num nível de estresse que nunca ninguém havia visto. Primeiro, ele não estava voltando para casa porque sua família estava o pressionando para arcar com algumas responsabilidades da linhagem e problemas financeiros.

Aí seu melhor amigo – Sieghart – não estava falando mais com ele já que agora só o Fiammegianti importava. Além de ser descartado do papel de confidente, Sieghart nem se importava em vir explicar as coisas. Jin se sentia sozinho e não tinha com quem compartilhar seus problemas mais íntimos.

Tinha o campeonato que estava por vir e que ele precisava ganhar, mas o ruivo também não sabia se conseguiria se manter nessa escola extremamente cara e exigente. Por vontade própria, ele estava pensando em se transferir, mas não tinha coragem de dizer a ninguém.

Jin saiu de sua distração ao terminar a sequência e ser chamado por um dos alunos.

— Capitão, tem visita. — interrompeu o garoto novo de cabelos brancos e olhos afilados, um talento em ascensão.

Os olhos dourados seguiram para aonde os colegas olhavam e então arregalaram. Talvez suas bochechas coraram só um pouco, não que ele estivesse feliz.

Sim, não era novidade que o capitão do clube vizinho era amigo de Jin, mas ele nunca tinha aparecido antes do treino acabar. Ninguém se atreveu a comentar nada por hora visto o humor do capitão.

— Obrigado, Azin. Estão dispensados.

Ele esperou enquanto os jovens se retiravam, ignorando propositalmente a presença do Erudon na porta, sorrindo polidamente para todos que passavam por ele. Assim, ao serem deixados a sós, Jin cruzou os braços fitando-o com relutância.

Ronan provavelmente não tinha saído do clube, já que vestia o uniforme. O cabelo estava preso num laço roxo e caía por sobre o ombro direito atraindo a atenção do ruivo. Sinônimo de elegância, Ronan era o príncipe milionário que todas as mulheres queriam: musculoso, alto, traços faciais delicados e expressão fria. Dizer que os dois eram opostos era pouco.

— Faz um tempo que não nos vemos. — começou o azulado, sem demonstrar nada específico.

— Nós nos vemos todos os dias depois do clube. — Jin rebateu, se arrependendo logo em seguida de seu tom.

— Hm. — ­Ronan levantou uma sobrancelha em resposta. — Na verdade eu assisti uma parte de seu treino hoje. Jura que não me notou aqui até o final?

Jin sentiu o estômago virando um pouco. Ele não tinha notado, embora devesse.

— Não notei.

Ambos ficaram em silêncio um tempo.

Para o ruivo, Ronan era apenas um substituto temporário para seus desejos envolvendo Sieghart, mas ultimamente ele estava tão incapaz de lidar com seus sentimentos que havia cortado as investidas do azulado.

— Finalmente aconteceu alguma coisa entre vocês? — Ronan indagou com um tom que parecia estar tocando porcelana.

— Entre quem?

­— Quem mais? O Sieghart. — retrucou o esgrimista, aproximando-se e tocando a faixa vermelha presa firmemente na cintura do ruivo.

Imediatamente a raiva retornou e Jin bufou. Ele deu as costas, caminhando para os armários, onde tirou a faixa e pegou uma toalha para jogá-la sobre os ombros nus.

— Não aconteceu nada.

Ronan o seguiu e deu um risinho que foi cortado pelo olhar rígido do outro.

— O problema então é que não aconteceu nada? — forçou o mais alto.

Jin já estava cheio com isso então levantou uma mão, apontando para o colega, as sobrancelhas franzidas:

— O que você tem a ver com isso, Ronan?

Ronan se defendeu levantando as mãos.

— Pelo que dá para ver você não é um poço zen como todos dizem.

— Exatamente isso! Que merda que você ou outros sabem sobre mim? Eu tô’ cheio de toda essa merda!

A verdade era que o Erudon não esperava por essa reação, mesmo sabendo de alguma forma que havia acontecido algumas tretas com Sieghart nos últimos dias. Além disso, o cara havia aparecido acompanhado de uma garota que não descolava dele e magicamente Sieghart e o Fiammegianti estavam se dando bem. Nada disso era coincidência, então ele tinha vindo verificar o ruivo.

— Você não quer conversar sobre isso? — Ronan indagou depois de uns segundos vendo o ataque do ruivo atingir os olhos, mas ele não chegou a chorar.

— Não. — Jin respondeu num sopro.

— Isso não parece um problema que dá para ignorar já que está te afetando nos treinos.

O riso que Jin deu foi estranho até para ele mesmo nesse momento.

— Cara! Eu disse que não quero conversar!

Ronan era uma pessoa paciente, mas também era um ser prático. Tinha algumas vezes que ele se entediava ou se irritava com algumas coisas e Jin ficar fazendo graça não era uma das que ele apreciava.

— Certo. — Ronan rebateu, mas pegou o braço do ruivo e o puxou para perto. Os olhos surpresos o fitaram bem no fundo. — Se você conseguir se livrar do meu agarre, eu te deixo em paz.

Jin rangeu os dentes, sentindo-se insultado, mas no instante seguinte ele estava com os joelhos no chão e Ronan por cima aplicando um mata leão.

— Não-vale! R-Ro! — Jin esperneou, quase perdendo o ar e batendo de volta na costela do azulado, que teve que apertar o braço.

Jin poderia ter saído, mas a surpresa o tinha deixado completamente sem reação. Além disso, ele sabia no fundo que precisava desabafar com alguém, logo se dando por vencido.

Ronan sorriu satisfeito e o ajudou a levantar.

— Como se sente?

— Um cocô. — Jin resmungou, antes de ser puxado de encontro ao peitoral do azulado. — Ei... Eu acabei de treinar.

Jin tentou afastar os dois, mas o maior inclinou-se, puxando seu queixo. O toque dos lábios de Ronan foi macio e o cheiro ficou impregnado em suas narinas alguns segundos, fazendo-o desejar mais.

Ambos se separaram do selinho casto, algo estranho entre eles.

— Se arrume, então podemos conversar e fazer coisas mais interessantes. — Ronan disse, deixando Jin sair do enlace.

— Foi só por isso que você veio aqui? — bufou com o rosto esquentando anormalmente.

O azulado riu e explicou:

— Eu estava sendo negligenciado, mas dei o braço a torcer e vim te ver. Você não viria até mim, não é?

Ao ouvir isso, o ruivo pausou. Se ele pensasse bem, Sieghart também sempre foi uma pessoa problemática, então não era estranho que ele estivesse mentindo para todos e internamente buscando ajuda de alguém. Dio Fiammegianti, que era um desconhecido e não sabia de nada, poderia ser um “Ronan”, uma segunda figura a história.

Jin reconhecia agora que talvez ele devesse dar o braço a torcer. Sieghart não estava cumprindo sua parte de amigo direito, mas Jin também descontava nele por causa de seus ciúmes.

Um deles precisava dar o primeiro passo, pelo menos para resolver a situação.

— Ronan... Obrigado. — Jin sorriu, segurando as mãos do azulado. — Sei o que fazer agora.

— Ah, você tirou alguma coisa do que eu disse? — Ronan indagou. — Como vai me compensar?

Quando Jin abriu a boca para responder, seu celular vibrou. Ele avisou para Ronan que iria atender e que era Elesis.

— Sr. Jin? É a Amy... Por favor, venha até o pátio! A Srta. Elesis está pirando!

Continua

Notas finais
É isso pessoal! Está pequeno em comparação ao anterior devido à ausência de cenas +18 rsrsrs Deixa aí seu comentário para apoiar minha inspiração e valorizar as minhas costas rsrsrs Até a próxima!