Identity Crisis
18 C17. Escaping
Notas iniciais
— Feliz Aniversário!
Sieghart abria os braços com um sorriso largo no rosto. Mal sabia ele que as coisas podiam piorar ainda mais do que ele pensava.
Elesis nem se deu o trabalho de fazer uma expressão feliz, mas murmurou um “Hm” e levantou-se para cumprimentar Lupus, quem vinha atrás do moreno, com uma cara de quem tinha passado a manhã inteira se arrumando.
— Você acorda com essa cara perfeita? — Elesis resmungou, estendendo a mão para ele.
O louro riu.
— Parabéns, Elesis. Espero que você possa realizar todos os seus objetivos na vida. Ah, e muita saúde. — ele disse trocando de assunto, apertando-lhe a mão.
— Eu não quero que aperte a minha mão, idiota. Eu quero isso.
Elesis apontava o embrulho pequeno que Lupus segurava na mão direita, vermelho, com fita preta.
— Credo, você se importa só com o Sieg mesmo, não é? — Lupus murmurou, deixando-a pegar o presente. — Apesar de que eu meio que entendo isso.
— Disse alguma coisa? — Elesis perguntou irônica, totalmente concentrada em abrir o embrulho.
Lupus suspirou, olhando para o companheiro.
Sieghart estava silencioso demais para quem tinha vindo o caminho inteiro falando. Ele tinha ido buscar Lupus em casa de repente mesmo depois de ter feito a ligação e estava com um humor estranho. Ele sorria, mas não estava sorrindo de verdade.
— Vamos pegar algo para comer. — Lupus falou e tocou-lhe o ombro, apontando para as mesas de aperitivos. O moreno nem hesitou.
Elesis trocou olhares com o primo e isso foi suficiente para ter uma noção do que havia acontecido. Ela voltou a receber os convidados enquanto os dois se afastavam em direção a um grupo de pessoas.
— Acho melhor você não beber hoje. — Lupus comentou baixo, vendo que os garçons serviam diversos tipos de bebidas alcoólicas e, conhecendo-o, o mesmo ia dispensar os refrescos aguados das festas da Família Sieghart.
O moreno o encarou com ar sarcástico.
— Huh, como se eu fosse.
— Se quiser conversar com a Elesis sozinho eu posso simplesmente dar uma volta por aí.
— Não, não. Fica junto comigo. — Sieghart segurou o braço do companheiro. — Quero evitar ficar sozinho numa festa de família.
Nesse momento uma sombra se projetou ao lado da dupla e cresceu até estar na frente deles muito rapidamente. A figura de uma jovem alta loura parou ali e piscou para eles com um sorriso para lá de zombeteiro.
— Ohh, não sabia que você tinha alguém tão íntimo assim, primo da Elesis! Por que não falou disso antes?
Arrepiado, o moreno soltou Lupus e adiantou-se para a garota:
— Não tem nada para falar, Lire. O que está fazendo aqui, hein?
A francesa arqueou a sobrancelha e levantou o queixo em desdém.
— Que rude! Eu tinha vindo para te ajudar, mas parece que como esperado não vai rolar.
A garota foi dando a volta, mas Sieghart a impediu antes que pudesse ir em direção à Elesis.
— Ajudar como? — ele indagou, confuso. Lupus apenas colocou as mãos nos bolsos e se pôs a assistir.
Lire suspirou levemente como uma madame e tocou o rosto, fingindo choque.
— Ora! Não vê aquilo? —ela disse, apontando discretamente para o outro lado do jardim, onde caminhava pelo menos uma dezena de grupos, dentre eles belas moças que se portavam como miladies cheias de inocência, sorrindo com delicadeza e andando com elegância. Os olhos, no entanto, estavam felinos por matrimônio.
— Ugh!
Lire riu baixo enquanto o alemão e o inglês faziam expressões preocupadas.
— Cher me contou que todas às vezes você tem problemas com esses “corvos” e ela fica muito preocupada já que ela não pode estar ao seu lado o tempo todo. Hoje mesmo é um desses dias em que ela não vai poder de modo algum estar perto de você e por isso não pode te “proteger”. Além disso, essas vacas sabem do complexo de édipo dela, então vão aproveitar para te atacar. — Lire explicou, tocando a bochecha enquanto sorria fofa-maldosamente.
Sieghart suspirou.
— Realmente eu sempre tenho esse tipo de problema. Fico aliviado em saber que você não me odeia como antes, Lire. — Sieghart comentou, também colocando as mãos nos bolsos e indo caminhar ao lado da francesa. — Aquele dia em que fui para o dormitório da Elesis, você demorou para assimilar que eu e minha prima não temos nada além de fraternidade.
Lire sorriu, passando a mão na cabeça do moreno, como se ele fosse uma criança.
— Ei! — ele resmungou.
Lupus, atrás dos dois, deu uma risada reprimida.
— Mantenha uma distância segura dela. Se para não magoá-la for necessário que eu te acompanhe por causa das paranoias dela, que seja. Só não espero ver ela andando atrás de você como uma cadelinha de novo.
Sieghart engoliu em seco. Ele compreendeu muito bem aquela mensagem maligna que a loura transmitia pela expressão sorridente.
— O-Okay, mas só para reforçar... Nós dois somos tipo... não, sabe?
— Você está falando inglês, Sr. Sieghart? — Lire sorriu ainda mais largamente, segurando a bochecha do moreno e a apertando tão forte que ele soltou um chiado e esperneou para se soltar.
“Porra, mas que garota louca! ” Sieghart xingava mentalmente, acariciando o local inchado.
Para a alegria dos dois rapazes, um pouco intimidados com a presença violenta da francesa, Elesis reapareceu.
— Eu vi que você tinha chegado então dei um tempo daquela cadeira. — Elesis disse com uma expressão mais aliviada, dirigindo-se à loura.
— Ah, Cher! — Lire a abraçou e Elesis a girou levemente. — Já estava com saudades!
Elesis sorriu genuinamente e deu dois beijos nas bochechas da “amiga”. Em seguida, ela falou algo no ouvido da loura, o que a deixou um pouco insatisfeita e virou-se para Sieghart.
— Recebi um recado que o tio já foi embora da festa. Podemos conversar agora. — Elesis disse, apontando para a casa, indicando que ambos deveriam entrar. — Por favor, Lupus, pode esperar um pouco por aqui?
O moreno trocou olhares com Sieghart, que não parecia feliz, mas assentiu com a ideia.
— Tudo bem. — Lupus concordou, se afastando com Lire enquanto deixavam os primos.
Elesis tocou o ombro de Sieghart e murmurou para que fossem rápidos.
A mansão possuía um largo hall, que se estendia para a esquerda e para a direita até alcançar duas largas portas, além de uma escada única, centralizada, que levava ao andar superior.
Elesis o levou para a direita, o fez passar pela porta, e ele soube que ela o estava levando para um cômodo mais reservado, uma academia, que naquele momento com certeza não estava sendo utilizado. Assim que ela fechou as portas, sua expressão fechou-se ainda mais.
Ele podia ver a hesitação na face da ruiva com clareza.
— Não precisa se preocupar comigo, Elesis. Pode dizer.
A garota suspirou, não parecendo mais aliviada.
— Tem a ver com meu pai, não é? O que ele te disse dessa vez?
— O que ele disse não importa, mas dessa vez ele pegou pesado, Sieg! — a face de Elesis enrugou. — Por que você não mantém contato com ele e evita esse tipo de situação? Podia mentir, dizer que você tem uma namorada, uma peguete, que seja! Agora ele arranjou uma noiva para você e essazinha vai vir para te conhecer!
Sieghart empalideceu.
— O quê? Quem?
— Isso mesmo. Porque você não reporta sua vida para aquele velho ele resolveu por conta própria te casar. E adivinha, ela é uma PRINCESA. — Elesis cuspia raivosa, lhe apontando o dedo.
Sieghart, em choque colocou a mão no rosto, percebendo a situação que se encontrava.
— Uma princesa? — indagou depois de uns segundos.
— Daqui dois dias ela virá até a mansão para te ver. O tio Seth disse que a garota tinha ficado super interessada em você. E também fez questão de dizer que você devia aparecer, senão...
Elesis encostou-se a uma cadeira ergométrica, mexendo no cabelo.
— Senão?
De repente a porta foi aberta, interrompendo a conversa. A pessoa os fitou com ar de desaprovação.
— Oh, você estava aqui.
Sieghart desfez qualquer face de fraqueza que estava fazendo e franziu o cenho, endireitando-se embora estivesse surpreso pela aparição desagradável.
— Ronan! — Elesis exclamou, indo até o azulado.
O colega de ambos olhou de um para o outro e fez uma careta para Sieghart.
— Estão procurando por você, Elesis. — Ronan disse, sem parar de encará-lo.
A ruiva reclamou consigo mesma e apressada disse:
— Pense no que vai fazer, Sieghart, mas não se atreva a me deixar fora dessa, hein? Estou indo.
Ela saiu sem mais, como se não soubesse o quanto os dois se odiavam.
— O que faz aqui? — Sieghart começou, estranhando o fato de o azulado estar em sua própria casa. Quem sequer o tinha convidado?! O louco?!
— Sou convidado. — Ronan respondeu, dando-lhe as costas enquanto saía divinamente jogando o cabelo longo e fechando os olhos.
Bufando, Sieghart foi atrás do rival.
O gramado agora estava ainda mais cheio de pessoas, a maioria familiares, mesmo que distantes. Dentre eles muitas senhoras e homens problemáticos a falar de tradições e olhando o comprimento das saias.
Ronan seguiu por um lado, ignorando completamente o herdeiro da casa e foi para perto de um homem que parecia-se muito com ele, alto, de cabelos longos azulados e olhos tão sérios quanto. Sieghart não pode se atentar em detalhes, pois um par de mãos envolveu sua perna.
— Tiooo! — chamou uma menininha, com um sorriso largo e apaixonado. O rosto da criança estava vermelho e seus olhos brilhavam.
Sieghart abaixou-se na altura dela e deu um sorriso.
— O que foi, pequena?
A menina não disse nada, apenas pegou sua mão e o puxou para outra direção. Sieghart ainda pode ver a figura de Lupus do outro lado, longe da comoção de pessoas, ao lado de uma jovem de cabelos prateados longos e ondulados que estava de costas para si.
— Oh, aí está ele! — uma voz exclamou, uma voz rouca e fraca, mas com estamina suficiente para espalhar centenas de boatos. — Obrigada, florzinha, você pode ir agora.
A menina soltou a perna de Sieghart e pegou um pirulito da mão da senhora, acenando e se afastando do grupo ali.
Sieghart encarou com um sorriso amarelo a tia avó, D. Zehlia. A senhora era elegante, esbelta, assim como todas as mulheres da família, e escondia as rugas com montanhas de maquiagem e plásticas. Era extremamente rica e a isso proporcionalmente fofoqueira.
— Como é bom te ver novamente, tia. — riu o moreno, completamente contrariado. Ver aquele ser era o fim da picada!
A senhora deu uma risadinha pomposa e mexeu nas mangas do vestido rosa. Em seguida ela puxou para perto uma jovem baixa de cabelos negros e olhos verdes.
— Essa é a filha do Comandante Claus. — a senhora apresentou, sorrindo largamente enquanto empurrava a menina para Sieghart. — Ela não é adorável?
— Olá. — Sieghart cumprimentou a garota do jeito mais decente possível, tentando manter uma distância.
— Meu nome é Nina Von Claire. — ela sorriu tímida para ele, corando e mexendo no cabelo que batia nos ombros. — Estou muito feliz de poder te conhecer, Sr. Sieghart.
—Haha... — Sieghart deu uma risadinha sem graça. Via nos olhos que a garota era exatamente como as outras, que gostavam somente de sua aparência e de seus status. — Obrigado. Me desculpe, mas eu-,
— Podemos trocar números ou sair algum dia? — a garota morena o interrompeu, seus olhos ficando muito sérios. Ela já segurava nas mãos o celular, ligado na câmera.
A senhora segurou o ombro de Sieghart e murmurou baixo.
— Vamos, sobrinho. Não queremos nenhum mal-entendido na família, queremos? Você precisa de uma desculpa para não dizer que está evitando sair com mulheres ultimamente não?
O Presidente arrepiou dos pés à cabeça. De onde havia saído aquilo?
— O que você quer dizer com isso, tia? — ele murmurou de volta, mas não teve tempo de dizer mais nada. Nina estava agarrada ao seu braço.
O decote da menina o permitiu ver o par de seios vultuosos, encaixados em seu bíceps. Além disso, ela deitou a cabeça em seu ombro enquanto levantava o braço livre para tirar a selfie.
Quando acabou, Sieghart se despediu rapidamente, fingindo que alguém o havia chamado. Ele caminhou – mentalmente disparando – em direção a Lupus.
Zhelia, que havia ficado, riu atrás de sua mão magricela e começou a matutar com dezenas de jovens por ali, além dos familiares de Sieghart, sobre a atitude do herdeiro da família.
Continua
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