Notas iniciais
(Capítulo revisado) Yo! Eu esqueci de programar então o capitulo acabou atrasando XP. Agradeço já os comentários anteriores, ainda não os respondi, mas farei isso em breve, e espero que continuem acompanhando :D! Boa leitura!

Até a noite Sieghart passou as horas a fio resolvendo os problemas da Academia e fazendo jus ao seu posto. Só quando pensou num presente decente para Elesis e terminou os afazeres que ele se dirigiu ao quarto, mas não para dormir, não ainda.

Os amigos estavam adormecidos em frente à televisão, ligada na tela do jogo, inclusive Zero, que esteve meio desaparecido nos últimos dias. Dio estava deitado para o outro lado em sua cama, parecendo estar no décimo sono.

Ele foi em direção ao seu armário e pegou silenciosamente o seu segredinho, saindo do quarto pé ante pé, bem agasalhado por causa do frio da noite.

— Esse dia foi péssimo. — ele resmungou assim que terminou de subir as escadas para o telhado e se encostou à grade do prédio.

Sieghart fitou bem o cenário noturno, sentindo-se fatigado demais para reclamar com o clima frio ou com a neblina escura de fumaça, mas apreciando a luz fraquinha da lua. Em seguida, tirou do bolso um maço de cigarros para empurrar um deles na boca e acendê-lo com um isqueiro de fluído.

O instante seguinte foi medicinal. Ele sentiu uma vibração em sua cabeça e seu corpo foi relaxando pouco a pouco após o primeiro trago, então fechou os olhos.

Com a chegada de Dio ele tinha se esquecido de algo muito importante que havia acontecido em casa.

Agora você, que talvez não se lembre de que no início dessa historia Sieghart era conhecido por ser um rapaz perfeito e respeitado, mas que fugia do colégio durante as noites para boates, talvez não saiba também que Sieghart fazia isso por apenas um motivo: rebeldia.

Só que ele havia esquecido momentaneamente de todos os seus problemas familiares e somente agora eles tinham voltado para atormentá-lo.

Seu pai, o empresário líder do comércio londrino, havia lhe dito assim logo que seu namoro com Lin Agnécia havia terminado no começo do ano: “Você já é um adulto, Ercnard. Se até o fim dos seus estudos você não escolher sua noiva, eu mesmo farei isso. Entendido? ”.

O veredito de Seth Sieghart se tornou a preocupação número um naquele momento.

— O problema é que ultimamente só atraio machos. — riu consigo mesmo com ar miserável.

— Não posso discordar.

O moreno virou-se bruscamente, escondendo o cigarro. Quem estava lá não podia ser menos indesejado. A cereja do bolo.

Bufando, Sieghart deu-lhe as costas e passou a olhar o horizonte cheio de prédios antigos.

— Não estou com paciência para você, Fiammengianti.

Dio deu de ombros e caminhou ao lado do moreno, que o olhou repreensivo e afastou-se um pouco. O italiano deu um risinho com isso.

— Que olheiras, Presidente. — murmurou provocante.

Dio inclinou-se perto dele para falar e apontou-lhe os olhos com um sorriso enigmático. Sieghart franziu a testa com irritação e tentou ignorá-lo.

Ambos ficaram em silêncio por algum tempo, sentindo-se incomodados um com a presença do outro.

— Viu, pode fumar. Eu não vou contar a ninguém.

— Como se eu pudesse confiar em você.

O Presidente demorou uns segundos e retomou o cigarro para dar o segundo trago. Aquilo fez reacender uma sensação perdida de nostalgia e descanso em seu corpo.

Ele refletiu um pouco sobre seu estado atual e descobriu que odiava Dio, mas odiava mais como seu pai queria forçar a empresa nele. Por isso ele era assim. Por trás de sua figura de rapaz decente ele tinha sua vingancinha particular, contudo, ele sabia que seu comportamento não passava de covardia.

— Você parece preocupado com alguma coisa. — comentou Dio, tomando o cigarro de sua boca e fumando ele próprio.

Aquilo mexeu com Sieghart, mas ele não demonstrou reação.

—Dá para perceber? Apesar de que você nem me conhece.

O italiano sorriu com o canto da boca, soprando a fumaça no rosto do moreno.

— Você estava sério no treino. Achei que me xingaria bem mais quando te provoquei.

— Eu só preferi não dar muita bola. Você só está fazendo isso para me provocar, não é? — questionou Sieghart, endurecendo a expressão.

— Então, o que é?

— O quê?

— Problema de família?

Sieghart respirou com lentidão, enchendo o pulmão devagar e soltando ar com dificuldade, completamente desgostoso com aquela conversa estranha.

— Não tem por que te contar. Não é da sua conta.

Dio lhe estendeu o cigarro pela metade.

— Isso que está fumando é uma merda. Desconte suas frustrações em algo melhor pelo menos.

Sieghart o tomou rudemente e estalou a língua. Não era como se ele se importasse com marcas. Ele só comprou o que dava mais efeito.

— Eu gosto. Se você não gosta então não fume, idiota.

Uma brisa gélida passou e arrastou a fumaça. Sieghart encolheu os ombros, mas o corpo do italiano tinha coberto a maior parte do vento.

Os olhos de Dio encontraram-se com os seus, sérios. Tão sérios como quando Sieghart teve que acompanhá-lo ao dormitório. Lhe deram arrepios os olhos que pareciam ver tudo. As palavras de Uno não saíam de sua cabeça, mas Sieghart não queria acreditar nelas.

Dio se aproximou dele e inclinou-se na altura de seu rosto, apesar de a altura dos dois não ser tão diferente.

— Você pode apenas esquecer suas preocupações e me beijar. O que acha disso? — indagou o rapaz em um murmúrio, como se fosse apenas para Sieghart ouvir.

Sieghart demorou para assimilar, mas quando o fez acabou rindo, seu rosto esquentando de vergonha e indignação ao mesmo tempo. Ele não fazia ideia de que alguém podia falar uma coisa dessas tão calmamente. Era super embaraçoso.

Ele apagou o cigarro no chão e colocou os dedos na grade, virando para o italiano atrevido. Tinha um sorriso obscuro nos lábios.

— Você não consegue manter um assunto só? Eu não senti que estamos tendo uma conversa aqui. — disse Sieghart, colocando uma mão no bolso. Dio deu de ombros e manteve-se quieto. — Porque você insiste em ficar no meu pé? É tão divertido me incomodar?

Dio se aproximou mais um pouco do moreno e com sutileza tocou a manga de seu casaco, invadindo seu perímetro. Seu olhar era fixo e parecia cortá-lo por dentro.

— Você fica vermelho quando fica irritado ou com vergonha. Por isso eu gosto de te provocar.

Sieghart colocou a mão entre os dois e tentou manter a seriedade.

— Não importa o motivo. Existem muitas pessoas para brincar, então você pode me deixar em paz, não é.

Dio levantou outro braço, segurando sua outra manga, sem mover um músculo facial.

— Não vai adiantar. Você foi a primeira pessoa que me deu vontade, Ercnard.

O moreno arregalou os olhos e afastou-se de Dio, dando-lhe as costas.

— Não é a primeira vez que você me chama assim. Te aconselho a parar.

Dio seguiu o Presidente para a saída do telhado sem trocar palavra. Mas o italiano pelo visto não ia deixar por isso mesmo e o segurou assim que desceram as escadas, no quase completo escuro.

— Essa conversa acabou. Nem se atreva a fazer-, — começou Sieghart, sentindo suas costas encostarem na parede.

— Não posso te chamar pelo nome?

Sieghart tentou olhá-lo diretamente, mas ele não pôde porque Dio falava próximo ao seu ouvido.

— Se isso for te irritar ainda mais, é isso que vou fazer. Ercnard. — murmurou Dio, respirando em sua orelha, fazendo-o arrepiar.

Sieghart sentiu a veia saltando em sua testa. Aquele tom pretensioso o fazia querer espancá-lo! Tão arrogante!

— Está muito tarde para isso.

Dio riu baixo, tocando seu ombro com a outra mão e colocando os lábios perto dos seus.

— Eu sei que há uma parte dentro de você que quer isso, Ercnard. Se não quisesse, teria me evitado na primeira vez. — disse Dio, segurando mais fortemente seu pulso e ombro e colando seu corpo ao do moreno.

Ambos ficaram parados assim por mais de dois segundos. Sieghart não fez força para sair por que seu corpo tremia. Sua consciência doía ao lembrar-se dos beijos profundos que trocaram e que ele não conseguia aceitar.

Dio não se mexeu, mas sentindo que o moreno não se moveria dali, decidiu atiçar mais.

— Você vai me beijar ou eu posso fazer isso?

Sieghart trincou os dentes, sentindo seus olhos pesarem tanto que ele podia soluçar. Seu orgulho escapou só um pouquinho, mas foi o suficiente.

— Esse não sou eu, Fiammegianti. — Sieghart murmurou, fechando suas mãos em punhos, mas relaxando o corpo contra Dio e deixando-se apoiar na parede.

— E o que isso significa? — indagou Dio, aproximando-se tanto que seus lábios chegaram a encostar.

Sieghart inspirou ar e abriu um pouco mais os lábios.

— Significa que você só está interessado em uma imagem minha. Eu não sou como você pensa.

Dio riu de novo, encostando seus narizes e fechando os olhos, parecendo sentir prazer com o que ele dizia.

— Eu provavelmente te conheço melhor do que você mesmo. — Dio murmurou, soltando o moreno para tomar sua face. — Você não pode só ficar recuando o tempo todo, entende? Tem que atacar também.

Sieghart ficou quieto, sentindo a respiração de Dio em seu rosto e suas mãos grandes e quentes. Era estranhamente aconchegante.

— Bem. Você não é tão covarde quanto acredita, então vai conseguir superar isso de uma forma ou outra. — Dio disse e o beijou. Seus lábios resvalaram e esfregaram-se.

— H-Hm... — Sieghart murmurou, tentando manter uma distância.

Dio o apertou contra seu corpo, aprofundando o beijo.

A respiração de Sieghart ficou descompassada, mas dessa vez ele não se sentiu tão mal quanto das outras vezes. Suas mãos subiram tímidas para os ombros do italiano e ele, tentado por estarem a sós e extremamente curioso no que aquilo poderia resultar, apesar da estranheza, deixou seu corpo responder naturalmente.

Estava tudo quieto. Os dois podiam até mesmo ouvir seus suspiros ecoando no corredor vazio, mas não se intimidaram, ou melhor, sentiram-se impulsionados a continuar.

Dio tocou-lhe a cintura, certo de que não o deixaria escapar, mas o máximo que o moreno fez foi suspirar baixo. Suas línguas tocaram-se e enroscaram-se demoradamente, seguidas de leves sugadas nos lábios.

Sieghart pressionava os dedos no casaco de Dio, cada vez mais envolvido pelo beijo e pelos toques do italiano, que o massageava nas laterais do corpo e subia as costas e entrava em seu cabelo de tal forma que ele estava quase derretido. Pela primeira vez ele soube como era ser envolvido por outro homem e como era inesperadamente delicioso.

— Hmf... — Sieghart murmurou quando Dio deslizou os dedos por sua nuca, acariciando os fios negros.

Sieghart colocou mais iniciativa no beijo e parou de se restringir tanto, deixando Dio roçar o corpo no seu com intimidade.

Dio suspirou e começou a ficar sensível, sentindo mesmo com as roupas o formato do corpo de Sieghart e a proximidade entre eles. Ele logo começaria a querer um contato mais direto, só que realmente não era hora e nem lugar. Partiu dele a ideia de parar, então ambos foram parando até seus lábios se separarem completamente e seus rostos ficarem imóveis.

Sieghart separou seus rostos, deslizando suas mãos para soltá-lo e abaixou a face. Ele não tinha coragem para encarar Dio agora.

Dio demorou um pouco para libertá-lo, tendo aproveitado todos os segundos para se certificar de lembrar daquele momento tão importante. Ele não queria comentar, mas estava constrangido depois de um beijo tão longo.

Na hora que eles se separaram foi como se tivessem jogado água fria neles. Foi tão solitário que eles ainda se entreolharam, mas havia muito orgulho ainda envolvido.

— Vamos voltar para o quarto. — sugeriu Dio, colocando as mãos nos bolsos.

— É, vamos. — respondeu Sieghart.

Andaram em silêncio. Ao chegar na porta do quarto, se entreolharam. Sieghart tinha um olhar pesado e o italiano sabia o que significava.

— Sei que não devo ter expectativas, mas não quer dizer que eu vou parar, Ercnard. — Dio o fitou. De certa forma ele estava envergonhado agora e a excitação não ajudava.

Sieghart o olhou feio.

— Eu tenho que pensar sobre muitas coisas ainda, então você pode parar? — replicou o moreno abrindo a porta.

— Se me chamar de “Dio” e não de “você”.

— Não vou fazer isso.

Continua

Notas finais
Yo novamente! Eu estava dando uma relida na fic e me lembrei que eu evitava fazer o Sieghart falar o primeiro nome do Dio durante todo esse tempo de propósito. Por isso ele está insistindo para o Sieg falar o nome dele... questão de intimidade e tals. BEM, espero que tenham gostado! XD No próximo>Lupus acorda de seu repentino desmaio e se lembra que precisa ir a festa da Elesis. Na festa, Elesis recebe a presença do pai de Ercnard, o arrogante Seth, empresário famosíssimo, e tem uma conversa preocupante com ele. Um abração, pessoal! Até o próximo~