Identity Crisis
15 C14. Thinking
Notas iniciais
Naquela mesma tarde, Sieghart foi cumprir com seus deveres atrasados, relembrando que o jovem tinha muitos cargos dentro da Academia Real de Londres. No entanto, o motivo real de o moreno ir para a Sala do Conselho Estudantil depois de tanto tempo para cuidar de uma papelada que os outros membros poderiam lidar, era que ele tinha acabado de receber uma confissão de amor... De um homem.
Não. Na verdade, atualmente havia mais coisas importunando a vida do Presidente.
De qualquer forma, a única coisa capaz de distraí-lo era a pilha de papéis e os preparativos do Festival de Primavera.
— O Presidente está a mil hoje, não é? Será que aconteceu alguma coisa? — cochichou um garoto do segundo ano para um colega do lado.
— Né? Ele foi ajudar no treino de outros clubes e ficou até agora atendendo aos pedidos dos professores e dos alunos só nessa tarde. — respondeu o outro.
Sieghart ouvia esses comentários e vários outros de alunos que passavam em frente à sala e se surpreendiam ao vê-lo ali, mas não dava bola. Estavam certos. Ele estava mal. Tudo o que conseguia fazer era ler os pedidos e sugestões intermináveis e decidir se aprovava ou não para o conselho. Ele não tinha outra escolha, já que se ficasse pensando em todos os seus problemas podia acabar pirando.
“Talvez nada tivesse acontecido se eu tivesse sido mais cuidadoso”. Pensou, afastando a franja e olhando aborrecido para a mesa. “Foi a primeira vez que recebi uma confissão como essa. Ele me surpreendeu”.
A ideia o fez se inclinar, seu estômago remexendo pela lembrança. Uno era um universitário assim como Lupus, mas não chamava a atenção, não participava de clubes e era tímido, o que o tornava invisível. Por alguma razão ele tomou coragem e foi até Sieghart e se declarou, mas não foi essa parte que deixou o moreno atordoado.
“Só agora decidi dizer o que sinto. Mas acho que é impossível. ”
“Por quê? ”
“Porque você já é apaixonado por outra pessoa, Sr. Sieghart. Não é mesmo? ”
“O que você quer dizer com isso? ”
“Eu disse... Eu te observava. E nunca te vi tão vívido como quando o aluno transferido, Fiammegianti, está perto. ”
“Hah, você está brincando comigo, não é? Eu não achei graça. ”
“Antes eu havia dito que não era brincadeira. Eu apenas resolvi dizer o motivo pelo qual eu desisti. Não é como se eu tivesse chances contra ele. Estou satisfeito só por poder falar diretamente com você, Sr. Sieghart”.
Assim foi a conversa com o rapaz mais velho.
Sieghart passou os dedos pelos olhos, tentando esquecer, mas esse era um daqueles momentos em que quanto mais você tenta menos consegue. Naquele instante passou um indivíduo na frente da sala, distraído demais com a conversa, falando:
— Aquele aluno do 3-A, Dio, jogou na liga da Itália. Logo logo ele vai pegar a faixa de capitão do time de futebol.
Os membros do comitê fizeram vista grossa para Sieghart quebrando o lápis em sua mão.
— Haa... — suspirou o moreno, assim que assinou o que seria o último pedido do dia, finalizando o trabalho.
Ao que o Conselho o cumprimentava, ele abria a porta consultando o relógio ao mesmo tempo.
— Hn-! — exclamou uma pessoa quase esbarrando com ele.
Sieghart olhou para cima imediatamente, reconhecendo o dono da voz. Este tinha olhos azuis sérios e ar prepotente. Ele não pôde fazer nada além de uma careta e pronunciar:
— Erudon.
O outro franziu a sobrancelha, visivelmente afetado, e fechou os olhos, cruzando os braços para o lado.
— Mas que bela tarde que fui dar de cara com tal criatura desagradável. — replicou o azulado agressivamente para o moreno.
—Tch, essas são as minhas palavras. Se não quer dar de cara comigo não venha para o Conselho Estudantil, Rabo-de-Cavalo. — retrucou Sieghart, igualmente rude.
Para o moreno não havia pior dia em sua vida. Estava cansado, extremamente estressado por estar constantemente sob pressão e agora aparecia o chantilly do bolo, Ronan, já que a cereja ainda estava para aparecer naquela noite.
— Infelizmente não tenho escolha. Acontece que o Presidente geralmente está ausente de suas tarefas, vagabundeando por aí, o que é diferente de hoje. Mas não que eu me importe. Você pode se ausentar o quanto quiser, assim eu sou poupado de olhar para a sua cara.
Antes que Sieghart pudesse soltar o verbo, uma pessoa passou ao lado de Ronan e entrou no meio deles, já os afastando com as mãos.
— Mas nunca vão parar com isso?! — reclamou Jin, parecendo uma mãe enquanto olhava de Sieghart para Ronan.
— Ele começou, Jin. — disse Sieghart prontamente, embirrado como uma criança.
Ronan relaxou a expressão, mas o moreno reparou na troca de olhares que os dois deram de um jeito muito estranho. Na hora o Presidente percebeu que os dois estavam íntimos demais.
— Esqueçam isso. — disse Jin, balançando a mão e virando para o moreno. — Você tem mais coisas para fazer. Aproveita que está no clima hoje e vamos nos juntar à inspeção dos monitores. Até mais, Ronan!
O azulado acenou com a cabeça, ainda com uma expressão atribulada e deixou que o ruivo levasse o amigo para o outro lado.
Quando estavam fora de vista, Jin parou-o.
— Bem, eu disse aquilo, mas você não fez nenhuma pausa hoje. Vamos tomar aquele café e depois você volta ao trabalho, tá? — Jin propôs com um sorriso gentil, dando uma palmada em seu ombro.
Sieghart sorriu de volta, agradecido pela preocupação do melhor amigo.
Foram os dois para uma das lanchonetes da Academia, aliviados por não encontrarem muitas pessoas conhecidas, exceto uma menina do primeiro ano, que veio até eles.
— Sr. Sieghart, eu estou procurando a Elesis, mas não a encontrei. Por favor, pode entregar isso a ela para mim? — pediu a menina, de olhos azuis redondos e tranças curtas. Parecia um anjo e ganhou a simpatia dos rapazes no mesmo momento.
— Claro, Srta. Serenity. — respondeu o Sieghart, com todo seu pouco bom-humor, segurando o embrulho que era estendido.
Eles se sentaram em uma mesa após retirarem os pedidos e se encararam, finalmente tendo um momento para conversar.
— Você está amigo do Ronan? — perguntou direto o moreno. Jin desviou os olhos, mas aparentemente ele já sabia que não conseguiria esconder nada.
— Nos falamos bastante. O Clube de Esgrima pratica ao lado da área de treino do Clube de Kung Fu. Nós precisamos usar o mesmo vestiário, somos da mesma sala, reportamos as atividades da Academia no mesmo lugar, então é inevitável encontrar com ele a todo o momento.
Sieghart o olhava ainda destravessado, bebendo de seu café puro. Jin ergueu as mãos.
— Temos as agendas parecidas, caramba!
— Hm. — murmurou o moreno, soando falso.
— Você não está acreditando né?
— Eu não gosto daquele viciado em chá desgraçado. —Sieghart bufou, olhando para o ruivo seriamente. — Mas não é culpa minha. Sei que temos nossas rixas de família e pessoais, mas aquele cara me odeia gratuitamente. E se quer saber, eu nem sei o motivo.
Jin fez uma cara de confuso e ficou mexendo a colher na xicara por alguns segundos. Sieghart franzia a sobrancelha.
— Sério. Eu simplesmente o conheci e um dia depois comecei a receber esse tratamento. Não sei o que fiz até hoje.
— Melhor não esquentar com isso. — aconselhou Jin, pegando algo em sua bolsa e lhe entregando. — Isso é para a Elesis. Já que você vai entregar o pacote da Holy Serenity, pode entregar o meu também?
O moreno estarreceu, estranhando a situação. Vendo-o, Jin suspirou.
— Sieg, não me diga que não sabe que dia é amanhã.
Em resposta, Sieghart, que estivera os últimos dias tão desligado das coisas ao seu redor, se lembrou e estalou os dedos.
— Droga! — reclamou.
— Isso. Droga mesmo. — Jin ironizou, balançando a cabeça. — Vai terminar seu serviço e pensar no que dar para ela. No fim das contas é o seu presente que Elesis mais quer.
Continua
Fale com o autor