Identity Crisis

8 C07. Apparition


Notas iniciais
(Capítulo revisado) Olá!!! Estou postando esse capítulo com muita felicidade, mas, talvez para vocês isso não seja tão bom (ou sim, sei lá). Esse capítulo é focado no Lupus, meu amor para o resto da vida. Agora as coisas começam a ficar interessantes gente. Aproveitem o capítulo. Boa leitura! OBS: Eu comecei a escrever Lupus Wilde. (esse "e" no final, porque estou seguindo os nomes do servidos inglês, a maioria pelo menos. A Holy eu mantive, não troquei por Lime, entenderam? E o nome da Amy estava errado, não era Lee, e sim Plie). Me desculpem.

Naquele mesmo dia, quando seu astuto colega de quarto Dio Valico Fiammeggianti o abordou no corredor pela manhã, Lupus foi para a aula com uma grande pulga atrás da orelha.

Inicialmente ele não tinha se preocupado com o que ardiloso tinha dito, porque ele (Dio) era claramente uma pessoa ardilosa, mas depois de duas horas de pura reflexão, e lembrando-se da conversa com Sieghart, o veterano achou que tinha algo acontecendo que ninguém simplesmente não via.

Seus colegas de classe, já acostumados com seu comportamento apático e respostas curtas, não teriam percebido como ele estava avoado se o professor não tivesse chamado sua atenção para responder algo que ele nem lembrava. Ele nem se lembrava qual matéria estava tendo.

“Não que o novato possa se tornar uma ameaça ou coisa assim. Visto pelo modo como Sieghart agiu, só posso pensar que eles se conheciam de alguma forma. Apenas pensar não vai me levar a lugar nenhum.” Lupus esfregou a cabeça. Seus cabelos ondulados tinham ganhado uma mão nova de louro e ele tinha problemas em manter sua franja no lugar certo e ela acabava caindo em seus olhos sempre. “Não tem jeito.”

Quando o primeiro período acabou, ele teve certeza de que ele não conseguiafixar a atenção nas próximas aulas. Não havia dormido, nem comido direito, o tempo todo ouvindo resmungos de Jin e Dio desfazendo as malas, que pela quantidade pareciam mais um capricho feminino. Ele não ousou comentar. Sem falar que Ryan e Zero durante a noite apareceram com o Xbox 360 e iniciaram uma sessão que durou toda a madrugada. Lupus se sentia uma, com o perdão da palavra, uma merda.

“Sieghart é que fez bem indo para o quarto da Elesis. Antes isso que perder o sono com um monte de machos fedidos.” Lupus resmungou para si mesmo, ajeitando as roupas enquanto se erguia, pegando a bolsa e afrouxando a gravata escura. Ele estava indo para a biblioteca dos colegiais. “Onde tem livros normais que eu posso simplesmente desfrutar”.

Um grupo de garotas charmosas sentadas nas carteiras dos fundos acenou para ele, apontando seus lábios cheios e rosados, estufando os peitos e esfregando as coxas por debaixo das saias. Claro, ele sempre recebia esses gestos agradáveis e convidativos. Isso geralmente levantava seu ego, mostrando que ele não estava nada mal enfim. Continuava um elegante cavalheiro da alta sociedade. E sexy, que tinha o direito de seduzir quem quisesse. Todavia, esses pensamentos maldosos ficavam nos limites de sua mente.

Ele não era cruel como ele mesmo pensava ser. Não ia aos bares e aos clubes para desiludir os corações fracos das jovens e nem dormir com todas, mesmo porque ele tinha tido o suficiente disso durante o colégio.

Lupus afastou os pensamentos, caminhando lentamente. Ele nunca caminhava rápido porque gostava de observar. A Academia Real era o lugar dos sonhos dos jovens que queriam estudar em escolas renomadas. Tinha longos jardins impecavelmente cuidados, tinha a localização perfeita para se ver as poucas estrelas do céu urbano e estruturas que eram verdadeiras obras arquitetônicas. O local tinha todos os mimos. Era confortável em todos os aspectos, com áreas de descanso, de esportes, locais para refeição que satisfazia todos os gostos.

Era neste lugar que Lupus estava vivendo agora e ele tinha certeza de ser o nº 1 em dar valor àquilo que muitos não possuíam: uma ótima educação, um ótimo alojamento e comida de qualidade. Casa, comida e estudo. As bases de uma vida de qualidade e as melhores que poderia ter.

Durante a caminhada, que não durou mais que uns vinte minutos até os prédios do colegial, ele confirmou que a estação trazia pouca vegetação e o lago principal incluindo a fonte tinham grandes chances de congelar naquele ano. Nas beiras das muretas, que acompanhavam o corredor externo, havia muitos grupos de estudantes sem aula, batendo papo e paquerando. Os casais estavam encostados nas árvores comendo, ou fazendo sei lá, coisas que casais fazem em público.

Lupus ignorou tudo, apreciando apenas a brisa gelada, que causava cócegas bem vindas em seu rosto. Muito antes de que ele pudesse perceber, já estava dentro da biblioteca.

O ar do colegial era diferente, lógico. Todos pareciam menores ali, menos centrados nos estudos e mais focados em dormir nos sofás, embora muitas garotas de óculos e garotos deslocados estivessem numa leitura silenciosa, sabendo que ninguém poderia incomodar seu momento de glória.

Lupus chamou atenção, coisa a que estava meramente acostumado. Confirmando quem era a bibliotecária e qual a seção de livros que ele devia ir em primeiro lugar, o rapaz atravessou o corredor principal, vendo as prateleiras erguendo-se em linha reta, plaquinhas penduradas ao teto indicando o gênero e placas laterais mostrando a ordem alfabeticamente.

“Bem simples. Na universidade tudo é por códigos e buscas online no sistema da academia”.

Lupus escolheu aleatoriamente o corredor que iria buscar alguma leitura saudável (ou não), para distraí-lo até poder ir almoçar com seus amigos ainda em aula. Não havia ninguém.

“O silêncio realmente faz você se dar conta de como as pessoas são desnecessariamente barulhentas no dia a dia.” Lupus pensou consigo mesmo, andando calmamente, as mãos nos bolsos,= e os olhos correndo pelas capas duras sem realmente lê-las.

Era uma seção de sci-fi. Ele não gostava tanto.

“Esse é velho... Deu origem ao ‘Eu Robô’. É bom, mas já li.”

Lupus continuou andando. Nada que reconhecesse e ele deu a volta, passando por no mínimo quatro prateleiras. As pessoas nas mesas pareciam saber que ele era um veterano e também que ele estava ali de bobeira para passar o tempo. Ele não ligava realmente, mas os olhares em excesso naturalmente conseguem deixar as pessoas sem graça se você não for um astro da televisão, especialmente.

A sala da biblioteca era realmente grande, o que era esperado de um colégio de elite, mas ele não fazia ideia de que ela chegaria tão longe até um ponto onde os próprios alunos não costumam ir. No fundo da sala, que tinha o formato de um gordo L, a luz parecia com defeito e tinha pufes espalhados e encostados nas paredes dos fundos. Uma grande porta de emergência ficava ali em caso de incêndio, contudo, Lupus sabia que nunca houvera incêndio naquela Academia. Ele pesquisou.

Pensando estar sozinho, e mesmo se não estivesse, o moreno de cabelos alourados avançou por uma prateleira de gênero mais antigo. Ah, sim! Tinha livros realmente antigos ali, que até mesmo era proibido o empréstimo. Eles tinham cheiro de velho, as folhas tão amareladas que pareciam estar sendo comidas por animais invisíveis a olho nu e prestes a despedaçar.

“Deve ser por isso que colocaram nesse fundo.” Lupus concluiu, andando mais um pouco e buscando algum título interessante. Havia faroeste naquela seção e ele era um tremendo amante desses temas de ação anti-herói!

Completamente focado agora em achar o livro ideal para ler, Lupus encarou um que não estava em estado tão ruim e que tinha um título muito parecido com a de um mangá que Ryan o tinha obrigado a ler.

Ao relê-lo, Lupus piscou, percebendo como aquele local era sombrio em comparação às primeiras seções. As prateleiras de cedro levantavam-se até o teto escondendo tudo o que poderia estar acontecendo dos respectivos lados. A falta de luz dava um ar de proibido.

“Credo. Me lembro daquele velho filme ‘Pagemaster’. Dá mesmo uma sensação esquisita de que você vai ser atacado por alguma criatura saída de um livro. Ainda bem que não tem pinturas perturbadoras de Mobydick no teto ou eu ia sair correndo”. Lupus bufou, colocando o dedo indicador na superfície da contracapa e puxando-o em sua direção. Num leve puxar o rapaz o tinha em mãos. Okay, livro escolhido!

“Espera”. Lupus sentiu uma sensação muito comum de se sentir observado. Ele olhou pelo buraco que havia deixado com a falta do livro e, surpreso, do lado oposto alguém havia tirado o livro também ao mesmo tempo. Olhos azuis detrás de lentes o observavam pelo vão, igualmente impressionados. “Mas o que-”.

Bastou para Lupus sentir uma pontada estranha em seu peito. Seu cérebro pareceu estalar.

Aqueles olhos... Ele reconheceria em qualquer lugar a íris azul-celeste envolvida por uma pequena faixa azul celeste. Suas pernas moveram-se e seu corpo virou. Um som engasgado saiu da pessoa do outro lado e, ao mesmo tempo, Lupus suou frio. Ele começou a correr, dando a volta pela extremidade mais próxima, e ele pode ver a pessoa ainda paralisada no mesmo lugar.

— Você! — Lupus mal conteve sua voz, aproximando-se em passos pesados e sonoros.

Assim que parou bem na frente do ser, paralisado por sua presença, Lupus recordou-se de um oceano de memórias que não queria relembrar. Sua mão bateu com força na prateleira, bem ao lado da cabeça alheia. O som foi alto, mas não havia ninguém perto para ver.

Era um garoto. Bastante baixo, usava óculos de aro negro quadrado, daquelas armações velhas que tinham voltado à moda nos últimos dois anos. Seu uniforme era parecido, mas ele usava a camisa branca e um colete bege por cima, a gravata azul clara, sapatos despojados all-star azuis. Cabelo branco e curto até abaixo das orelhas. Olhos azuis, excessivamente grandes.

— L-Lupus? O-O que faz aqui?! — ele gaguejou, abraçando o livro com força e encolhendo-se contra a prateleira do moreno.

A sobrancelha de Lupus formou um desenho nada bonito em seu rosto. Ele agradecia a falta de luz do local e a inexistência de pessoas naquela área ou ele definitivamente teria chamado a atenção para os dois. Afinal, ele não poderia estar menos irritado vendo aquele ser à sua frente.

— Eu é que pergunto, seu lixo. O que faz aqui? — Lupus indagou, ameaçadoramente lento, rouco e perto, impedindo as rotas de fuga com seus braços.

— E-Eu-Hmm! — o garoto tentou falar, apertando o livro contra o peito como se sua vida dependesse disso. A mão de Lupus apertou suas bochechas com pouca delicadeza, mas não por isso o ferindo, mas garantindo que ele não pudesse falar e ainda aterrorizá-lo um pouco. As bordas dos olhos do garoto ficaram cheias de lágrimas e ele já estava tremendo, seus ombros terrivelmente tensos e suas pernas vacilantes.

— Não importa. Sei que você não é um estudante do colegial, você é só um pirralho do ginásio e eu me lembro de ter dito para não aparecer nunca na minha frente. Quer que eu repita? — Lupus tinha um brilho sanguinário no olhar. A cor vinho parecia sangue naquele mesmo momento. Ele estava determinado a colocar medo no garoto. Ele era puro ódio. Seus dedos na face do mais novo pressionaram até as primeiras marcas vermelhas aparecerem. Os lábios do garoto não se moveram, mas estavam juntos num bico que ele não podia desfazer.

— P-Por f-favor...

— Suma da minha frente. — Lupus balançou o pequeno rosto em sua mão e o lançou para o lado. O garoto teve equilíbrio para não cair, mas ele nem pegou o livro, que tinha atingido o chão, pois o olhar mortífero no rosto do universitário o fez congelar e ele teve que se esforçar para dar a volta e sair correndo o mais rápido possível.

Lupus baixou o rosto, ouvindo um soluço enquanto os passos do garoto sumiam. Sabia que o tinha feito chorar. Duramente.

— Merda. — resmungou, estalando a língua irritadamente.

Isso tinha que ter acontecido hoje, não é? Que grande sorte ele tinha. Tudo parecia tão bem e olha só o que acontece!

— Merda! — repetiu, pegando o livro que o garoto de cabelo branco havia deixado. Era um antigo do estilo do seu, um anti-herói que fazia justiça. Era coincidência? Não. Claro que não. Ele sabia.

O garoto que saiu correndo, de cabelo branco e olhos azuis que despertavam suas emoções mais obscuras, tinha apenas 13 anos de idade. Ele carregava uma carteirinha com foto 3x4 com cadastro no Ginasial da Academia Real de Londres e estava no último ano. Seu nome era Lass Isolet e era, na verdade, natural da Irlanda. Era o filho bastardo. O pai levou a melhor e levou o filho de 4 anos para a família oficial em Londres, causando desgraça e conflitos que duraram intermináveis anos até os dias atuais.

Ele era o crime.

Para a perturbação de Lupus, era seu castigo e sua sina para a vida inteira. Seu pequeno meio-irmão.

Continua

Notas finais
E aí? O que acharam?? :333