Notas iniciais
(Capítulo revisado) Yo minna-san! Estou de volta com o capítulo 8, novamente curto. Acho que 2000 está bom, é um ritmo tranquilo e eu meio que estou conseguindo organizar melhor os acontecimentos na minha cabeça. Assim, espero que gostem do capítulo, que é bem simples, mas que já está esquentando as coisas! Hahaha~ Obrigada a todos que comentaram, por MP especialmente, e agradeço por estarem aí, acompanhando, gostando, e melhor, criticando. Eu gosto disso ;). Uma boa leitura!

Dentro de duas horas o pátio da academia ficou lotado pela aglomeração dos alunos saindo para o intervalo. Todos se amontoavam em grupos e a conversa aumentava até os sons das vozes inquietas se tornar uma bagunça incompreensível. O céu acima de suas cabeças não era muito amigável com nuvens pesadas e a promessa de uma tempestade mediana; os noticiários haviam reportado. Às 13h, Londres parecia estar encarando o Apocalipse.

As estátuas de animais no jardim de esculturas formavam sombras longas e sinistras pelo chão parecendo mais como encostos do que como sombras. As expressões eram fortes e atraíam os olhares dos estudantes, que a todo tempo comentavam “Assustador” ou “Igual filme de terror!”.

Nosso Presidente estava em constante observação, exercendo suas diversas obrigações. Pode ser até loucura pensar que ele tinha tantos cargos ao mesmo tempo e pode-se pensar até mesmo que ele era incapaz de realizar todas elas, no entanto, Sieghart nunca foi o tipo de pessoa que iniciava algo e não terminava.

O rádio da academia passava a programação, transmitindo as notícias, avisando para os alunos tomarem cuidado com o temporal. A voz era conhecida, clara e objetiva, apesar de fofa. Era Arme Glenstid, a nerd superdotada do 1ºano. Sieghart sentiu arrepios ao pensar na garota, lembrando-se de vários momentos embaraçantes que passou nas mãos da novata em poucas horas.

— Capitão! — seu vice capitão do futebol chamou-o ao avistá-lo no corredor. O vice era do 2ºano e se chamava Grant Pone Max Reinhardt, neto de um acadêmico muito famoso e que havia ganhado o Prêmio Nobel da Ciência. Ele avançou na direção do moreno com sua cabeleira verde-escura em passos rápidos e animados, levando um sorriso atrevido nos lábios. Sieghart o cumprimentou com o olhar apenas.

— Você estava passando de sala em sala para divulgar os eventos do Conselho Estudantil? Você é bem ocupado mesmo. — Grant sacudiu a mão e bateu em seu ombro. — Desse jeito nunca vai perder a forma, mesmo que não vá aos treinos.

Sieghart deu uma risada sem graça, falando passivamente.

— Eu entendi o recado. Eu me atrasei para o treino, mas pego o segundo tempo. E o que você faz aqui? — ele indagou sem seriedade nenhuma empurrando o dedo indicador no peito do esverdeado. — Pare com esse sorriso, você parece uma hiena.

— Cruel. — Grant fez um bico, jogando as mãos para o alto. — Eu vim aqui especialmente te ver. Para avisar que hoje, para o nosso azar, o técnico abriu os testes para ingresso no time. E adivinha quem não estava lá quando precisava?

O moreno suou frio. No final do dia, o técnico sem dúvida iria bater um papinho com ele.

— Sinto muito.

— Não é hora de se desculpar! Que tal você se trocar e ir de uma vez? O Conselho Estudantil pode lidar com divulgação sozinho! — Grant o tirou de seu lugar com um puxão no braço, arrastando-o corredor afora.

As pessoas abriam espaço para a forçosa passagem de Grant, mas especialmente ao ver o rosto do Presidente. O moreno ia reclamando, tentando se soltar. Antes de tudo, ele tinha algumas coisas para fazer e uns papéis assinados para entregar.

— Quieto e vamos logo, Sieg! — o vice reclamava.

Em dado momento, Sieghart puxou seu braço com tanta força que seu cotovelo voou para trás e sua surpresa foi tão grande ao sentir ter atingido alguém que ele rangeu os dentes, arregalando os olhos.

— Você está bem?!

O silêncio das pessoas em volta assustou os dois envolvidos no acidente, que viraram o centro das atenções. Sieghart estava com as mãos estendidas para ajudar seja lá quem fosse. Qual seu espanto ao ver uma pessoa de cabelos longos azuis com a mão na têmpora direita.

— Você. — a voz escapou do moreno e ele realmente não soube o que sentiu. Suas sobrancelhas instintivamente juntaram-se no meio da testa e sua vontade real era dizer “Mereceu, babaca”, mas as coisas não eram tão simples assim.

O olhar que ele recebeu foi mortal, gélido, perverso. Sieghart achou que sua alma estava sendo sugada ou coisa assim. Essa era a impressão que ele sempre tinha quando Ronan Erudon resolvia mostrar alguma emoção naquela cara estoica – e isso só acontecia quando ele estava extremamente zangado.

O Capitão da Esgrima era por dois dedos mais alto que Sieghart, se diferenciando da maioria dos alunos por seu estilo clássico, postura impecável e, principalmente, por seus cabelos longíssimos. Era um aluno de família milionária, um símbolo da nobreza na academia. Ronan era o sobrinho da diretora e o número um no ranking dos testes desde sua entrada no fundamental, como era esperado. O sentimento de antipatia era mútuo. Os dois se viam como empecilhos e uma ameaça. Eles nunca se gostaram de nenhuma forma e jamais trocaram falas não relacionadas aos assuntos formais da academia.

O ódio era natural, porém, naquele momento Sieghart realmente achou que o azulado ia ataca-lo.

— Ei. — Grant indagou ao perceber a intensidade dos olhares e que eles não pareciam estar ouvindo ninguém no momento. Ele suava frio diante o que pareciam um lobo e uma raposa que mediam os dentes e os rosnados.

A sobrancelha do azulado mexeu-se minimamente, mas o suficiente para ele expressar sua profunda raiva. Ele havia acabado de levar uma cotovelada na cabeça, ele merecia desculpas.

— Onde está a educação, Sieghart? — sua voz soou baixa, mas dona de um tom poderoso e perfeitamente controlado, apenas pronto para calar qualquer um apenas com o timbre.

O seu nome naquela boca fez Sieghart estreitar ainda mais os olhos, passando seus olhos de prateados para negros. Ereto, seus lábios secos formaram uma linha fina. De repente não havia ódio, mas um sarcasmo palpável.

— Sempre nos lugares indesejados, Erudon. Minhas desculpas por machucar seu belo rostinho. — o sarcasmo não atingia seus olhos, uma vez que ele estava falando sério. Ronan não reagiu imediatamente, mas manteve o encaro, em nenhum momento quebrado.

— Tenha mais atenção quando andar por aí socando as pessoas. Você pode acabar atingindo alguma dama inocente. — disse o azulado e se virou, refazendo seu caminho, finalmente desfazendo o contato.

Sieghart soltou um “Tch!”, incapaz de conter por mais um segundo sua insatisfação. Grant puxou seu braço, chamando-o, como que para não aumentar seu nervosismo. As pessoas dispersaram comentando sobre o breve embate do Presidente e do Capitão da Esgrima.

— Eu acho incrível que o Conselho Estudantil tome conta dos assuntos dos clubes e ainda assim você não foi para cima dele. — o esverdeado comentou enquanto se aproximavam do campo em que o time treinava.

— Hunf. Ele é diferente. Não é pelos punhos que eu vou provar algo. — Sieghart suspirou. — E eu não é por que eu tenho certo poder que vou usar para prejudicar alguém, por mais que eu o odeie. O máximo que posso fazer é suportar e esperar responder à altura.

Não eram precisos muitos detalhes para entender isso, mas estava claro que a briga estava além da disputa das empresas da família no mercado ou simples rivalidade. Grant estava alheio, como a maioria das pessoas no colégio. Isso porque os Erudon e os Sieghart eram um tanto misteriosos, cujas empresas eram incrivelmente lucrativas, mas ainda assim, curiosamente, não tão deslumbrantes a ponto de lhes dar os títulos de “Maiores Empresas do Mundo”. Era um mistério o que eles faziam. Nenhum jovem normal poderia dizer o que os fazia tão poderosos, mas isso não chegava a ser discutido. O importante é que eles eram os mais poderosos e saber disso bastava.

XXX

Camiseta e bermuda negra, listras verdes e símbolo vermelho. O uniforme era simples, mas bonito. A chuteira era de escolha do jogador, de forma que alguns apareciam com suas versões de marca-texto laranja e verde, chamando a atenção e cegando os jogadores de bom gosto.

— Você quer mesmo acabar comigo calçando essa coisa. — reclamou o vice capitão assim que encarou um novato que tinha terminado o teste e esperava sentado no banco de reserva.

Sieghart apareceu logo atrás e seus olhos percorreram todos os jogadores em quadra treinando pênaltis.

Assim que o viu, o técnico anunciou o descanso e eles viraram-se para ver o moreno.

Os sorrisos e as reverências eram orgulhosos e gentis, no entanto, Sieghart não pôde prestar atenção em nada disso. Seus olhos estavam presos, ligados, aos do demônio que ele mais temia encontrar.

Ele estava já de uniforme e olhando fixamente para si, sem sorriso nem provocação, apenas com um intenso olhar. Sieghart sentiu-se como quando estivera preso contra a escrivaninha, com seu corpo dominado e seu pênis esfregando na coxa dele. Seu baixo ventre remexeu-se sem sua permissão com o pensamento. Ele automaticamente virou o rosto para o técnico, torcendo para que ninguém tivesse percebido seu constrangimento.

“Cadê?! Cadê a minha razão quando olho para ele?!” Sieghart mordeu o lábio discretamente por dentro. O Fiammeggianti estava acabando com sua mente, sua presença o deixava atordoado e seu olhar o deixava excitado. “O que está acontecendo, merda!?”

— Sieghart. — o técnico, aquele maníaco competitivo, Bard, moveu seus olhos róseos para o moreno e lhe apontou os novos jogadores. — Já que você gosta tanto de ajudar as pessoas, que tal você começar a orientar o nosso novo titular?

— Ah-, — Sieghart levantou o dedo, pronto para dar alguma desculpa, mas ouviu as risadas dos colegas de time comentando sobre como ele tinha vacilado em não ter aparecido no 1º tempo, que ele poderia ter sido perdoado, mas já era tarde.

— Bem. — o homem passou os dedos pelos cabelos ondulados, sorrindo largamente. Ele certamente devia ser modelo e não técnico de time de futebol. — Uma hora e meia de treino extra para você e para Dio.

Sieghart então arregalou os olhos, entrando em um choque momentâneo. Seu sangue fluiu rapidamente para todas as áreas de seu corpo e ele sentiu uma aceleração nas batidas cardíacas de forma tão insuportável que seus dentes rangeram antes de ele exclamar alterado:

— De jeito nenhum!

O técnico Bard o encarou com curiosidade. Já os colegas de equipe, no entanto, perceberam a mudança de comportamento claramente, assistindo o rosto do moreno contraído e rígido. Os rapazes de time nunca o haviam visto perder a calma, nem em jogos preocupantes que venceram por um fio, nem com rivais que o atingiam propositalmente. Nunca Sieghart havia perdido as rédeas da situação. O máximo que se descontrolava era em certos xingamentos com o Erudon do Clube de Esgrima.

— Perdão? — Bard indagou, tirando a caneta da ficha que levava em mãos e pronto para escrever alguma coisa.

Sieghart sabia qual a intenção do homem ao fazer isso, então se calou, baixando a cabeça.

— Que seja então. — sua voz saiu rasgada.

— Muito bem! — o homem sorriu, dando as coisas e se afastando. — Fim de treino, rapazes! Chuveiro!

Restaram em poucos minutos apenas Dio e Sieghart, parados, afastados e calados.

— Ei. — chamou o italiano, não demonstrando segundas intenções.

Sieghart estreitou os olhos, mas inspirou energias positivas para seu cérebro, começando a correr na direção do molestador. Ao parar na sua frente, Dio finalmente sorriu.

— Não nos vemos desde a noite anterior. — ele coçou a cabeça.

Sieghart tentou ignorá-lo, ainda que quisesse dizer várias coisas. No momento em que deixou a guarda baixa, a mão do rapaz estava em seu ombro, forte e possessiva, causando-lhe um tremor que era semelhante ao pânico.

— Me solta! — Sieghart puxou seu ombro violentamente, mostrando todo seu rancor. A ruga em sua testa e suas sobrancelhas franzidas o deixavam nada agradável, mas os traços belos ainda estavam lá. Dio ficou fascinado pela expressão.

— Eu gostei disso. Acho bom você cuidar das suas costas, Ercnard.

— O quê?

O italiano, num rápido movimento, agarrou a mão do moreno, virando-o, tirando-lhe uma exclamação desesperada e estapeando uma nádega sua, que o fez saltar surpreso. Dio o largou então.

— SEU—! — Sieghart fechou o punho, virando-se para acabar com a vida daquela criatura. — SUA BICHA NOJENTA!

Rosnando, cego de raiva e tão constrangido pela humilhação que o fazia querer morrer, Sieghart socou a face do italiano com o punho tão rígido que as veias saltavam.

Continua

Notas finais
É isso aí! Espero que esteja bom e que a cena de Ronan vs Sieghart tenha ficado boa. Vamos ver no próximo porque Dio está... Hm. Bem, ele está um pouquinho mais sério. Espero comentários e críticas! o/ Jaa na minna, obrigada por terem lido até aqui!