Identity Crisis

7 C06. Determination


Notas iniciais
(Capítulo revisado) Yo! Mais um pequeno capítulo para vocês o/! Uma boa leitura!

A aula de ciências poderia se tornar bastante desagradável por vários motivos, mas para o Presidente do Conselho Estudantil certamente a dissecação de seu sapo não se incluía num deles.

Sieghart era do percentual da sala que não se importava realmente em abrir corpos de animais conservados ou fazer experiências desalmadas nos pobres ratinhos brancos de olhos vermelhos, incutindo-lhes doenças e enfiando agulhas pela nuca depois para impor o rigor mortis. Esse percentual era 50%, os homens. Ou a maioria deles.

Verdade que era desagradável ter que fazer isso duas vezes por semana e ainda por cima no primeiro dia de aula, valendo uma nota alta e uma promessa de um ponto a mais na média que todo bom aluno adora. Mas depois de um tempo repetindo o processo, qualquer um acaba se acostumando.

O que perturbava realmente Ercnard Sieghart era o bisturi brilhando em sua mão, quase ganhando vida para se lançar no olho de um ser indesejável que acenava da porta da sala, chamando a atenção de todos os alunos no Laboratório de Ciências II – De Anfíbios e Roedores.

— Sr. Fiammeggianti. — a professora, Srta. Gumiho, uma pomposa moça de cabelos negros e olhos dourados, lhe repreendia com a bisturi suja apontada a que Dio simplesmente encolheu os ombros com expressão falsa de desculpa. — O que fazer? Se perdeu por causa de um desses monitores inúteis, não é? Vamos, entre e sente junto ao Sr. Sieghart para continuarmos nossa atividade.

Sieghart suspendeu a boca no ar, sentindo-se um médico psicopata, balançando seu bisturi e escondido sob a máscara branca e os óculos de grau que escondiam a visão. Mas ele não tinha os óculos e nem a máscara, apenas o bisturi, porém, não deixava de se sentir menos assassino quando o saltitante molestador veio se sentando em sua mesa, que era a última da sala.

“Maldição!! Escolhi esse lugar porque pensei que ela colocaria ele na frente para prestar a atenção! Depois do meu esforço de passar a noite com Elesis é isso que eu ganho?! E quem é monitor inútil, sua velha nojenta?!” O moreno rangia brandamente seus brancos dentes, afastando seu banco da do italiano assim que este se sentou.

— Bom dia, Sieghart. — ele cantarolou malditamente debochado para o moreno.

Sieghart o olhou de canto, sugando o ar para os pulmões de forma lenta para reunir toda a energia positiva que era capaz. Depois de descaradamente aproveitar-se dele, roubando beijos nada agradáveis de lembrar e deixando-o completamente desarmado e confuso sobre, Sieghart simplesmente era incapaz de agir normal.

Estava com aquela mistura de raiva, desconfiança e uma pitada de ansiedade. Seu coração batia incrivelmente rápido a cada lembrança decorrente dos últimos três dias.

“Anteontem mesmo eu estava sendo abusado por ele! O que faço? Ele me deixa louco!” Sieghart concluiu, sentindo vibrações estranhas no estômago vendo aquela cara falsa e repleta de pensamentos sujos.

Ele podia fingir ser gentil, embora sua vontade real fosse atacar aquele pescoço e fazê-lo engolir o cadáver do anfíbio. O irritante acima de tudo era que ele não podia deixar de sentir dúvidas sobre si mesmo como havia se sentido durante os “ataques”.

— Bom dia, Fiammeggianti. — sorriu, brilhando como o sol que não aparecia em Londres naquela época do ano.

O sorriso do italiano foi leve e ele apontou o animal surrupiado e estraçalhado em cima da mesa. Nada romântico. Nem era para ser.

Sieghart propositalmente sorriu, continuando a tarefa de terminar de abrir o bicho até o fim. Ele não sabia onde ficava as partes genitais daquele animal e nem se interessava em saber, mas se supunha que ficasse entre as pernas como a maioria dos animais terrestres que ele conhecia. Detalhe: ciências era sua pior matéria. O bisturi manchado rasgou aquela parte em um único movimento, fazendo o sangue respingar no recipiente.

Dio fez cara de afetado.

— Oh, vejo que você está meio irritado. É porque não conseguiu dormir no próprio quarto?

Os olhos arroxeados capturaram os olhos de Sieghart e seus dedos o bisturi. Os lábios do rapaz entreabriram-se enquanto ele iniciava o trabalho de separar os órgãos, uma tarefa para os bem entendidos, mas para ele um mamão com açúcar e tão simples como tarefa de criança.

Sieghart não respondeu a pergunta. Ele estava pensando e tentando se manter afastado o máximo possível. Isso porque a mesa do laboratório era bastante larga para o trabalho manual na superfície, mas embaixo não era tão espaçosa para duas pessoas colocarem as pernas. O que ele podia esperar dessa aproximação indesejada?

“Eu definitivamente não tenho culpa de ter chegado um pouco atrasado e ter ficado sozinho aqui.” Ele chorou mentalmente, mas sendo distraído por um resmungo do novo companheiro de assento. “Que merda de karma é esse que eu adquiri para ter esse stalker em cima de mim?!”

Já Dio concentrava-se em uma coisa naquele momento. O pulmão. Maldito, ele estava em seu caminho para pegar alguma coisa que estava preta logo ao lado. Entretanto, em sua caçada ao órgão escurecido, ele sentia o nervosismo de seu companheiro.

“Eu tinha certa ideia de que poderia acabar vindo parar aqui, ao lado dele.” Dio pensou, mordendo o lábio, sentindo com perfeição o movimento automático dos pés do Sieghart. Ele batia ritmicamente o pé no chão, o pé esquerdo. Ele estava alternando, como se estivesse pensando em uma música e era perfeito. Era realmente intrigante.

Os olhos de Dio o fitaram pelo canto. Sieghart fingia assistir sua habilidade em cortar coisas, mas seus dedos da mão direita seguravam na base da cadeira, exatamente como se estivesse tentando impedi-la de voar. Os da esquerda apoiavam-se sobre sua própria coxa e afundavam-se fortemente. Aquilo fez Dio apertar os lábios nos dentes, engolir saliva e reprimir seus pensamentos mais profundos.

Dio sorriu de canto. Aquela forma de reagir a situações inesperadas era genuinamente inocente. Era o bastante para ele começar seus jogos.

Sua mão esquerda deslizou para o lado, sentindo a base da cadeira em seus dedos. Ele afiou o olhar, entregando o bisturi para Sieghart. A expressão de Sieghart não era nada agradável. Ele estava desesperado por estar ali. Ele realmente estava abalado com tudo o que estava acontecendo.

Com a expressão claramente afetada pela aproximação, Sieghart tentou se concentrar no sapo. Ele e o sapo. Era tudo o que ele precisava naquele momento, uma conexão forte entre ele e as entranhas de um animal viradas para si esperando pela lâmina medicinal.

“Bem que esse bastardo podia ser um desses sapos. Assim eu o eliminaria facilmente.” Ele riu do próprio pensamento.

— O que é engraçado? — murmurou Dio, achando a brecha para pousar a mão na perna direita de Sieghart. Apertou de leve, sentindo a carne estremecer embaixo dela. Seu próprio corpo ficou quente quando Sieghart, num impulso para impedir seu próprio gemido de pavor, apunhalou mortalmente o já falecido sapo.

O rosto de Sieghart corou até as orelhas.

— Ops. — Dio sorriu com os dentes, adorando a face paralisada do moreno, que não se atreveu a mover a perna, olhando para os lados e confirmando que ninguém tinha visto aquela cena e muito menos aquela mão grande apalpando sua coxa.

— T-Tira a mão. — Sieghart chiou, arrepiado, descendo a mão para onde Dio o apertava. Seu rosto estava em chamas. Deus, por quê?! Ele estava ficando seriamente assustado.

— Por quê? — Dio murmurou e moveu os dedos forte, massageando e o prendendo ali ao mesmo tempo. Ele aproximou o corpo um pouco mais, sabendo que a Professora Gumiho olhava para a lousa branca e fazia suas anotações distraidamente. — Não é gostoso?

— P-Pára. — Sieghart resmungou, aos poucos sentindo o desespero subir à cabeça. Seu corpo tremia, ele não era capaz de mover um músculo, sua mente ativando todos os sentidos, seu sangue fervendo.

Dio ergueu uma sobrancelha, percebendo o suor se formar na pele de Sieghart. Os olhos grandes espreitaram em todas as direções, os lábios pressionaram-se. A perna em seus dedos tremia fortemente. Tudo isso era medo? Sem saber exatamente o que fazer, Dio chamou seu nome.

— Sieghart. — sussurrou, apenas para ele.

Foi como acordar de um pesadelo. A voz de Dio o chamou naquele tom, foi extremamente baixo, mas o trouxe a calma que ele precisava. Embora a mão o continuasse tocando. Seu estômago doía ainda, porém, não com a mesma intensidade.

— Você está bem? — Dio indagou. Ninguém naquele local conseguia ouvir sua voz. Ninguém podia ver suas mãos e suas ações debaixo da larga mesa. Ninguém conseguia perceber como Sieghart realmente era.

A voz de Dio continuou entrando em seu ouvido, arrepiando. Aquele hálito fresco, que na primeira vez o tinha deixado relaxado estava causando desta vez o efeito contrário. Seu coração bateu forte em todas as partes de seu corpo, fazendo-o abaixar o olhar instantaneamente.

“O que está acontecendo? O que está acontecendo?”

O moreno se reteve, evitando parecer ridículo se fizesse algo impensado. Tomando a coragem que ele era capaz, mesmo para enfrentar a única pessoa que fez seu corpo responder honestamente, Sieghart segurou a mão de Dio. Por um momento ele ficou entretido em senti-la em seus dedos. Era diferente de tudo que ele havia experimentado. A largura, a textura e o peso. Não era nem perto da mão de uma garota, obviamente. Mas não era tão desagradável como pensava. Ele podia arriscar dizer que aquela mão tinha tocado e feito coisas, muitas coisas. Coisas ruins. Seu peito apertou e ele vibrou de medo, embora não soubesse dizer como havia sentido tantas coisas só com esse pequeno gesto.

— Tira a mão de mim, agora. — Sieghart pronunciou a sentença lentamente, acertando o tom. Sua face não era ameaçadora, mas aparentemente seus olhos trêmulos e sua expressão perturbada foram capazes de transmitir seus pensamentos íntimos sobre esse tipo de coisa.

“Eu não vou me entregar. Eu ainda não acredito que posso me relacionar com alguém.” Pensava sério, rígido e impaciente. Consigo mesmo.

A mão gelada de Sieghart sobre a sua era sim... Deliciosa.

“Mesmo confuso, você tem iniciativa para me tocar.” Dio sorriu firme, mesmo com o mandato para soltar a perna. “E atrevido. Por que desafiar um molestador é como pedir para ser abusado.”

Sieghart viu o brilho nos olhos do italiano e de alguma forma mágica aquilo o deixou muito irritado. Se tinha algo que ele não suportava era ser subestimado e era isso que ele estava vendo no olhar do colega. Olhar que dizia “Não vou fazer o que você manda porque você não bota medo”.

— Eu já avisei, Fiammeggianti. — Sieghart murmurou, não entendendo de onde sua voz saiu tão grave e afastando a mão que parecia há muito ter se acostumado a acariciar sua coxa.

— Ow. Tudo bem já que quer assim. — Dio respondeu, sorrindo de ponta a ponta, aceitando o argumento. “Mas nem por isso vou parar de perturbar, Sieghart. De pouco em pouco, é assim que vai ser”.

As sobrancelhas escuras de Sieghart juntarem-se franzidas. Por algum motivo ele já sabia como o tipo de Dio funcionava e ele já imaginava depois disso que ele não teria a paz que estava acostumado.

“Seis meses aguentando esse cara.” Sieghart olhava de soslaio Dio voltando para a atividade e agindo como se não tivesse acontecido nada. “Preciso arranjar um jeito de me afastar ou ele vai acabar me colocando em problemas”.

Continua

Notas finais
Olá minna-san. Ah, eu estava pensando que conseguiria postar sem reviews... Mas estou enganada. Eu descobri que prefiro receber um continua do que não receber nada. Apesar de que eu estou adorando escrever mesmo sem isso. Enfim, eu espero comentários com ansiedade. Quero saber como vai o andamento da fic, e por isso quero saber suas opiniões :) Um abraço e até o próximo!