Notas iniciais
(Capítulo revisado) Yo minna-san. Ahn... Me pergunto se é porque é uma fanfiction yaoi. Sore to omou... Pode ser porque ela é fraca? Ou simplesmente porque as pessoas leem e não querem comentar? Ah, eu não sei realmente. Eu realmente não quero obrigar ninguém, mas fiquei meio triste. Não sei se estão gostando ou não, leitores fantasmas. Ah, mas eu agradeço muito aos comentários anteriores, eu os considero muito! Só desejo uma boa leitura a todos de qualquer forma!

10h. O primeiro intervalo entre as aulas em que os alunos podiam escapar dos testes.

Como prometido, Elesis Sieghart tinha conseguido fazer com que sua amiga francesa Lire ficasse sob os cuidados de um grupo feminino conhecido e ido atrás dos dois ruivos que não largavam o pé de Ercnard.

A jovem ruiva atravessou o pátio, que interligava a cantina e o refeitório, o lugar onde todos os alunos geralmente se amontoavam para conversar, sendo prontamente seguida por uma garota de cabelos rosa berrante, assim como a vestimenta inteira. A menina tocou seu braço e não deixou que ela falasse.

— Honey! Onde pensa que vai?! — a garota perguntou brava e exigindo com os olhos castanho-claros. Elesis suou, ficando visivelmente irritada com o tom histérico da rosada, que tendo uma diferença de oito centímetros de altura, parecia não ter noção de quem estava tocando.

— Para onde você não possa me seguir, Amy! — Elesis balançou o braço rudemente, apartando-se da garota. A menina fez um bico, enchendo as bochechas infantilmente. — Não faça essa cara! Eu tenho coisas importantes para fazer, então dê um pouco de atenção para a Eruel para mim um pouco.

A ruiva suspirou quando a menina chamada Amy cruzou os braços sobre os seios bastante protuberantes e fez cara de quem não gostava da ideia. Elesis tomou paciência.

Aquela era Amy Plie, uma secundanista problemática, mimada, que tinha entrado na Academia graças à relação da família com os Erudon. Garota nada prática, exigente, que grudava como chiclete nas pessoas que gostava. Apaixonada pela ideia de amizade e amor entre meninas e profeta do “caminho rosa”.

— Não quero ficar com a lambisgóia verde. Ela me lembra uma alface. — a rosada fez uma careta. Elesis segurou-se para não agarrar aquele pescocinho. E o que a alface tinha a ver? E que palavra mais velha “lambisgóia”.

— Você não é vegetariana? — Elesis fez uma cara entediada. Depois suspirou, pondo a mão na testa. — Não importa. Você não pode fazer isso por mim?

A rosada desfez o bico, olhando meigamente para a ruiva, que tinha fingido uma cara fofa. Elesis teve a impressão que o refeitório inteiro havia virado para assistir a cena. Sempre acontecia, porque somente a garota de chiquinhas rosas conseguia esse feito.

— T-Tá bem! — Amy respondeu com determinação repentina, ficando toda vermelha e seus olhos ficando extremamente gordos e expressivos. — S-Se for por você, eu faço qualquer coisa, Elesis!

Elesis sorriu amarelo, passando a mão na cabeça da menina e dando as costas, acenando um “até logo”. Ela pode ouvir os gritinhos de excitação da rosada enquanto se afastava e os comentários das pessoas por todo o lugar.

E como se não bastasse isso outra pessoa veio lhe seguir, mas desta vez uma que ela conhecia bem e que não era tão inconveniente.

— Oi, Srta. Sieghart. — cumprimentou uma menina, também baixa, de olhos azuis grandes, porém maduros, e cabelos claro-esverdeados curtos, presos na lateral da cabeça. Seu uniforme diferenciava apenas na saia e nas meias 3/4 brancas.

— Bom dia, Serenity. — Elesis cumprimento de volta, sem parar de andar, balançando o quadril de forma natural enquanto a verdinha a acompanhava com as mãos para trás do corpo. — Você está gostando da Academia? Conseguiu se enturmar com o pessoal?

A garota sorriu pequeno.

— A-Ainda está um pouco difícil. Eu vim diretamente de um colégio católico de Roma... Acho que é difícil as pessoas gostarem de mim de cara.

Elesis olhou para a garota, tímida e um pouco desesperançada. A ruiva bateu levemente no topo da cabeça da novata.

— Relaxe. Você vai encontrar alguém legal para fazer amizade por aqui. Não é na primeira semana que encontramos as pessoas certas. Mas quer um conselho? — Elesis sorriu. — Aja normalmente. Não precisa chamar atenção e nem correr atrás das pessoas. Elas virão até você porque vão ver quem você realmente é.

A ruiva piscou e olhou em volta, vendo o ruivo Jin andando entre os alunos com uma cara fechada. Elesis voltou-se para a primeiranista.

— Você pode me chamar de Elesis, tudo bem? Eu sou sua amiga também se não percebeu. Pode vir falar comigo quando quiser. — a ruiva acenou. — Agora vá se alimentar. Eu preciso falar com uma pessoa.

A garota segurou sua mão antes que pudesse sair, com um sorriso radiante.

— Pode me chamar de Holy! — ela soltou a mão de Elesis, acenando.

Elesis sorriu, virando-se e correndo atrás do Kaien o mais rápido que podia. O capitão do Kung Fu estava andando sem rumo, mas olhando todos os lados. Ela pensou imediatamente que ele estava procurando por alguém e puxou seu ombro, não recorrendo à violência logo de início como queria.

Jin levou um susto quando a viu. Ela franziu a sobrancelha.

— Que é? Eu não sou a Bloody Mary¹ ou coisa assim.

— O-O quê? O que é Bloody Mary?

— Cale a boca. Por que você está andando com essa cara como se sua bandana tivesse sido roubada? — Elesis bateu o indicador na testa do ruivo, fazendo-o balançar tal a força da garota.

— Mas que exemplo é esse, Elesis?! — Jin ficou abismado com a garota, arrumando a faixa preta e vermelha em sua testa, como se protegendo ela. Elesis ficou séria, esperando a resposta.

O garoto ficou em silêncio, sabendo que alguma parte de seu corpo ficaria bem dolorida se ela fosse obrigada a repetir a pergunta. Ele pensou rápido, tentando achar alguma desculpa convincente.

“Se ela souber que tem a ver com o Sieghart, é capaz de acharem um corpo hoje ainda!” Jin olhou para o lado e de volta para os olhos que faiscavam com a espera torturante.

— É que, é que...

— Sieghart. Onde está o Sieghart? Tem a ver com o Sieghart, não é? Você só fica com essa cara e andando sem destino quando está longe dele. Ele não está no dormitório né? Porque ele sumiu da aula? O que a diretora queria com ele? Onde ele estava ontem? O que você planeja escondendo as coisas sobre ele de mim?

Quando percebeu, Elesis já estava quase sufocando o garoto, louca de fúria. As pessoas em volta tinham tentado pará-la, mas ela por si mesma acordou, percebendo seu momento de transe.

Ela olhou para o lado, irritada consigo mesma, os punhos fechados do lado do corpo. Ela baixou a cabeça.

— D-Desculpe, Jin. — disse baixo, apenas para ele, mas depois viu que ele tinha o olhar baixo também, sem se importar muito com sua garganta.

Ele riu sem graça.

— Não é que eu esteja querendo esconder alguma coisa, mas é que ele não gostaria de falar com ninguém agora. Nem comigo. E eu não sei onde ele está. Ele não disse para onde ia. — Jin se aproximou dela.

Elesis retrocedeu um passo, fazendo isso para se garantir de que não o machucaria de novo. Ele deu de ombros, suspirando, e seus olhos dourados ficaram penetrantes.

— Mas tem uma coisa que você deveria saber. A diretora fez o Sieg andar com um cara novo pela Academia, mas não sei o que houve entre eles que deixou o Sieg muito nervoso. O nome dele é Dio Valico Fiammeggianti, veio de Veneza. É tudo o que sei. E também que ele parece ser um cara extremamente irritante.

Elesis arregalou os olhos.

— É isso mesmo o que você sabe Jin? Jura? — ela tinha os olhos flamejantes. Estava quase cega para saber. Ela quase o agarrou pelos ombros, mas se conteve. Jin sorriu, achando graça do jeito da ruiva.

Depois de três anos estudando juntos, ele até que tinha se acostumado com esse jeito estranho e obsessivo que tinha com o melhor amigo. Ela era violenta conscientemente e às vezes ficava louca, como há momentos atrás, sem perceber que estava ferindo as outras pessoas. Contudo, esse transe tão perigoso só acontecia quando era sobre Sieghart e apenas quando ela estava brigando com homens. Elesis jamais tinha posto um dedo em garotas, exceto nas que arranjaram briga com ela por causa de Sieghart.

Jin foi quem passou a mão na cabeça da garota. Ele era quase um ano mais velho que ela, apesar de não fazer muita diferença.

— Ele não está nos dormitórios, nem nas quadras e nem no telhado do refeitório. Nas salas de aula também não. Já perguntei para quem o viu e ele foi para esse lado, mas quem garante para onde ele foi depois?

A ruiva assentiu com a cabeça, agradecendo.

— Obrigada por me dizer! E me desculpe de novo. Eu perco a cabeça... Você sabe. — ela pediu, sentida.

— Tudo bem, quando você achar o Sieghart bote a culpa nele. — ele se despediu. — Vou te avisar se o achar, ok?

Ela agradeceu outra vez e saiu correndo. Jin ficou olhando a ruiva, tentando entender o que a fazia ser assim, tão motivada pelo primo.

Mas deu de ombros, tentando ocupar sua mente com outras coisas. Agora que Elesis teria o trabalho de procurá-lo, não fazia muito sentido em fazê-lo também. Ela tinha a energia de um maratonista, acharia ele rápido.

XXX

O moreno havia saído do quarto com um peso enorme em sua consciência. Havia encontrado Jin quase na porta e lhe contado o que Karina havia pedido para fazer.

“Jin você também é um monitor. Se ele pedir alguma coisa, apenas atenda ok? Mas eu não quero olhar para ele, não agora. Faz esse favor?” Foi o que disse, mas sua cara estava tão pálida que o deixava com cara de doente. Mas Jin havia percebido que algo mais tinha acontecido.

“Sieg, o que ele fez? Ele te machucou? Ou ele te ameaçou, sei lá?! Você não tá bem.” Jin disse, segurando seu braço, impedindo-o de fugir.

Sieghart não queria importuná-lo e nem contar que o motivo era um assédio que tinha sofrido. Seria uma, uma... Uma vergonha! Seria mesmo, porque ele tinha retribuído aquilo por alguns segundos mesmo não querendo admitir. Não, ele não diria. Nem em séculos!

Seu coração batia dolorido. Sieghart percebeu que tinha chegado a um prédio universitário, mais distante e onde ele podia ficar sem ser alcançado facilmente. A entrada para o telhado ficava num corredor escuro e perto de um laboratório sinistro do curso de Engenharia Eletrônica. Ninguém do ensino médio se atrevia a aparecer por ali com medo da aura do lugar.

A porta que dava para o telhado era daquelas de emergência. Sieghart passou por ela, vendo o céu aberto e o tonel de água que sustentava aqueles prédios. Estava muito cedo para ele fazer qualquer coisa, mas voltar ao quarto estava fora de questão por enquanto. Ali serviria como seu breve refúgio um tempinho.

O moreno conversou consigo mesmo.

— O que aquele louco queria comigo? Me provocar por causa de ontem? Tenho cara de gay? — Sieghart se perguntou, andando pelo lugar até chegar perto da grade e olhar para cima. O dia estava com sol, algo bastante raro, mas ainda assim frio, com grossas nuvens quase cobrindo o azul do céu. — Só queria que isso não tivesse acontecido.

Sieghart bagunçou ainda mais o cabelo revolto e bufou. Seus olhos perderam-se no cenário que as casas e construções elegantes formavam até a Ponte de Londres e o Parlamento.

— Ele só quer brincar comigo? — Sieghart empurrou o cabelo para trás, sentindo seu rosto quente. Por que alguém gostaria de brincar com ele? Mas ele era tão popular com as garotas. Era... como se diz? Másculo. Não tinha modos afeminados, não tinha voz fina. Ele em nenhum sentido teria atraído outro homem em sua imaginação.

“Mas você retribuiu, não é, Ercnard?” Sieghart ouviu seu lado obscuro falando provocantemente em seu ouvido. “É, eu retribui, merda. Será que é por causa disso?”.

“Tem certeza de que não foi culpa dele por ter te tocado nas partes de baixo quando te agarrou ontem? Qualquer um ficaria excitado com aquilo.” Sieghart ouviu seu lado bonzinho tentando safar a culpa, fazendo-o apenas se aborrecer e ficar ainda mais envergonhado com tudo.

O moreno ainda balançou os pensamentos. Ele tentou se concentrar em qualquer coisa, tipo na garota com quem havia feito sexo no banheiro naquela mesma festa, mas nada foi capaz de distraí-lo. Tudo o que ele conseguia pensar era em como aquele... Dio... Tinha conseguido deixá-lo mexido.

Sem que percebesse, a porta do telhado fora aberta. A pessoa que tinha aberto ficou olhando curiosa Sieghart, a pessoa mais famosa de todo o colégio, mesmo sendo ele só um terceiranista. A pessoa viu Sieghart se mexer estranhamente. De inicio tal pessoa pensou que Sieghart talvez estivesse passando mal, mas não se atreveu a chamá-lo.

Foi quando Sieghart tocou seu coração.

Fazia mais ou menos uns seis meses desde que ele havia terminado seu namoro maravilhoso com a encantadora Lin Agnécia, dois anos mais velha. Frustrado, porque os dois se davam bem – em termos de “cama” –, mas tinham tudo para dar errado, Sieghart se lembrava claramente de como tinha jurado não entrar em mais nenhum relacionamento sério, ficando com diversas garotas diferentes num mesmo dia. E ele continuou fazendo isso, depois de muito tempo.

O resultado inevitável era que ele não sentia mais a mesma coisa.

Não existia mais aquela coisa adolescente de ver uns peitos e já ficar duro. Nem tinha mais a vergonha quando eles tiravam a roupa – eles nem tiravam mais a roupa, se quer saber. Toda vez que a bendita da garota tentava fechar as pernas em sua cintura, ele sentia que broxaria em qualquer momento. E nem se fale das tentativas sem sucesso das garotas em fazê-lo gozar com oral ou tentar um cowgirl. Tudo inútil. Ele odiava isso. Odiava sentir que tudo que tentava era insuficiente e que uma garota, linda, sedutora, experiente, não conseguia fazer seu tesão ser mais do que um orgasmo sofrido.

Era uma tortura. Uma tortura que ele sofria em silêncio e tentava compensar repetindo e repetindo diversas vezes.

— Droga. Eu não queria que isso tivesse acontecido. — Sieghart fechou os olhos fortemente, fingindo não ver as coisas que aconteceram naquele tempo todo. Mas o que ele devia fazer?

Um som metálico vindo da porta o fez virar bruscamente, espantado, e ver que alguém tinha a fechado e ido embora. Sieghart, no entanto, ficou imóvel, avaliando se ia atrás da pessoa ou não.

“Não. Se saiu correndo é porque não queria que eu o visse. Deixa quieto.” Sieghart pensou, olhando para o outro lado, onde os prédios colegiais ficavam. Os estudantes estavam se movimentando como um formigueiro e em nenhum momento ele pôde reconhecer alguém... Ah! Exceto Elesis, com aquele cabelo vermelho longo, andando de um lado para outro.

— Ela vai acabar arranjando problemas se ficar me procurando desse jeito. — Sieghart sorriu pequeno, resolvendo sair de onde estava e ir de encontro com a prima doida. E ele empurrou a barra metálica que dizia “Empurre”, mas ela fez um som esquisito e não cedeu. — O quê?

Sieghart empurrou de novo, sem sucesso, e tirou as mãos, começando a sentir sua pulsação realmente veloz.

— Não, calma. — Sieghart respirou fundo e puxou a porta em sua direção, depois abaixou a barra, empurrando novamente. O clique soou e ele levantou as sobrancelhas agradecendo a Deus por ter funcionado. — Essas portas sempre dão um susto na gente. — resmungou. — Ainda bem que deu certo ou eu acabaria numa cena de Hangover² aqui mesmo.

O que Sieghart não viu foi que alguém tinha aberto por dentro, para sua sorte.

XXX

Dio tinha encontrado a biblioteca depois de deixar o quarto.

Não havia sido difícil achar um monitor, já que parecia que naquele lugar qualquer um poderia facilmente dizer quem era uma e outra pessoa. Depois de alguns minutos, com a ajuda das placas de direção, ele chegou ao único lugar que realmente o fazia relaxar.

Aquele lugar cheio de livros, com cheiro característico, poltronas, pufes, mesas de madeira e estantes altas. Tudo aquilo realmente o fazia ficar mais calmo. Era um universo inteiro em uma sala, com conhecimentos do mundo todo, que ele desconhecia. A única coisa que ele desconhecia.

Seus pés o levaram até uma seção especifica. Ele poderia ter procurado algo mais concreto como história ou buscado algo interessante para aprender como Língua Latina ou Povos Germânicos ou Orientais. Ele tinha opções infinitas, até mesmo Kamasutra se quisesse. Tudo era leitura. Mas o que ele queria, de verdade, era fugir um pouco da realidade, tirar os pés do chão, onde ele sabia conhecer de quase tudo.

Não interessava a origem da humanidade, nem a resolução do próximo crime. Dio sabia que no mundo real uma morte poderia acontecer perfeitamente sem ninguém descobrir. Uma mente tão sagaz como a dos investigadores dos romances policiais ingleses e dos seriados americanos não existiam, pelo menos ainda não ou não mais.

Não só isso, ele sabia que a podridão acontecia no nariz das pessoas sem que elas percebessem. No fim, a sociedade girava em torno de um ciclo invisível, mas que algumas pessoas como Dio eram capazes de perceber.

No entanto, ler livros de filosofia não mudaria o caminho que ele era obrigado a seguir. Escolher entre a vida e a morte é muito óbvio, pois essa é uma escolha instintiva do ser humano. E ele era sem dúvidas humano.

Por isso que ele parou num lugar determinado, curioso, olhando para uma estante que desde o topo até em baixo era preenchido por histórias de amor que não acontecem no mundo real. Romances profundos, imaginativos, de amor possessivo e louco, com personagens irreais e imorais, no surrealismo dos sonhos e do idealismo utópico. Dio pegou um livro qualquer, sabendo que todos tinham o mesmo fim.

Ele riu baixinho, olhando a capa. O nome era algo como Amor à Prova de Fogo.

— Que clichê ruim. — ele resmungou, ficando irritado com a cena da moça abraçada ao homem em roupas antigas. Era, de fato, um dos piores nomes e uma das imagens mais bonitas que ele já vira em capas de romances e novelas. Tudo era tão bonito na folha, mas não era bonito assim no universo em que vivia.

Então decidiu trocar. Mas as próximas cenas foram muito parecidas com essa primeira. Dio trocou mais do que cinco vezes e desistiu. Hoje ele estava um pouco enfezado com a vida. Ele queria algo real, palpável e envolvente... Como Ercnard Sieghart, que em menos de 24 horas havia se tornado sua ambição.

Dio estava certo, olhando os livros de outra estante, apenas passando os olhos sem realmente prestar atenção, que ele tinha esperanças em ter uns bons momentos com o moreno. O herdeiro da família alemã Sieghart era envergonhado, tinha jeito de machão e parecia ser bem conhecido na Academia – claro, com tantos cargos –, sem falar que havia metade dos estudantes apaixonados por ele, mas tinha gostado um pouco da ideia.

“Ficar provocando ele não é nada mal. E se ele quiser ir mais longe, vai ser um bom passatempo.” Dio sorriu largamente. Nunca cansava de se certificar disso, mas claro, lembrar-se da cara excitada do moreno era um deleite incrível.

Seus dedos pararam em algo que parecia ser interessante: um romance mais pé no chão, com capa mais bem projetada e nome mais tranquilo.

Não é de interesse saber o que ele pegou para ler, mas sim que na hora que o fez, pela abertura do livro, Dio viu o livro do outro lado sendo retirado também. E ele viu uma face. Uma face alva, olhos azuis escondidos atrás de um par de óculos retangulares pretos.

Dio piscou de curiosidade. Os olhos azuis que o encararam eram grandes e infantis, mas o jeito do olhar era maduro e causava um tremor gélido. Uma franja albina cobria sua testa. Depois disso Dio não viu mais nada. A pessoa tinha saído sem lhe dar muita trela e pouco ligando para seu interesse.

“Hm, alguém bastante interessante por aqui. Que inesperado. O engraçado é que pelo que vi, é impossível dizer se era um homem ou mulher. Bem, não importa muito.”.

Dio levantou o livro nas mãos, decidindo voltar ao quarto e esperar que Sieghart reaparecesse.

Continua

Vocabulário

¹Bloody Mary— mais resumidamente, a Loira do Banheiro ou Maria Sangrenta.

²Hangover— O nome original do filme “Se Beber não Case.”

Notas finais
Yo! *-*