Identity Crisis
2 C01. Attraction
Notas iniciais
Fazia mais ou menos um mês e meio que o pai dele virou em um dia claro e agradável em Veneza e disse “Dio, você está sendo transferido para a Inglaterra para concluir os estudos na Academia Real de Londres”.
Nuvem de fumaça. Charuto Italiano. Sigari Italiani. Nunca era outro, Toscano era a escolha do Sr. Valico Fiammeggianti, tanto era seu orgulho da pátria. Nenhum fumo cubano havia tocado seus lábios uma única vez na vida.
E depois disso, estava decidido.
Por um lado, ele havia ficado indignado consigo mesmo por não conseguir ir contra a palavra final de seu pai. Como ele poderia? O velho era o Papà, o Don de uma Famiglia de mais de 500 membros. No dianteiro, uma lâmina forjada à moda antiga. Ele tinha ideais remanescentes do fascismo e o título de Il Uccisore, O Assassino.
Dio Valico Fiammeggianti fora criado nesse meio. Bastardo, uma mãe americana que nunca conhecera, moldado como katana. Destruía os que eram ameaça e protegia os que ficavam do seu lado.
Por outro lado, ele ficou empolgado em conhecer qualquer outro ambiente que não fosse aquele, onde o perigo existia em cada pequeno canto da mansão. Lá, em Londres, ele ao menos poderia jogar um breve jogo, em que ele fingiria ser uma pessoa normal como se não soubesse o que era tirar a vida de um semelhante.
Primeiro ele fora conhecer as instalações da Academia – o típico reconhecimento de local –, isso quando não havia nenhum estudante presente por causa do período de férias. Sua situação e motivo de transferência foram esclarecidos para a diretora Karina Erudon. Depois disso, ele foi movido para um hotel luxuoso onde pôde, assim como em sua própria casa, desfrutar dos prazeres humanos melhor do que qualquer mero mortal. Tudo a consentimento, ou melhor, a mando de seu pai.
No primeiro momento de contato, Dio se sentira perdido com os sotaques e com as maneiras, além da alimentação. Ele se permitira explorar todo o lugar, os principais pontos da cidade, os perigosos, os grupos, as empresas, as Academias rivais e os concorrentes de seu pai.
As mulheres, ele percebera, tinham um orgulho tão intenso que transmitiam violência apenas pela postura – rígida, como madres romanas –, mas principalmente pelo olhar frio, desprovido de alguma paixão como a francesa ou a italiana, ou sendo atrevido, como a estonteante paixão brasileira.
Aquele mês ele perdera a conta de quantas prostitutas e moças que galanteara pela cidade foram para a cama consigo. E era tão bom e perfeito. Ele não poderia querer mais. Com apenas 17 anos de idade, ele conseguia se safar perfeitamente com uma identidade falsificada de 21 anos.
Enfim, passar um tempo longe dos olhos de julgamento do pai por uns meses iam fazer-lhe um bem descomunal.
Terminado esse período de 45 dias após sua chegada à fria Inglaterra, pleno começo de outono, com os dezesseis graus caindo em sua cabeça, ele recebeu uma ligação do detestável agente de seu pai Duel Pon Zec. Ele devia ir a uma reunião representar seu pai para um sócio inglês e, assim, se apresentar à “máfia” inglesa.
Por que ele tinha que fazer isso?
Bem, o aniversário de 18 anos estava chegando em breve e Dio deveria provar que poderia assumir o cargo de chefe caso ocorresse algo ao atual. Hoje não era nada muito complicado. Apenas fazer o comparecimento, aproveitar a noite e parabenizar o dono. Mero formalismo. Tudo seria bastante simples.
Dio havia dispensado as garotas e estava decidindo se ia à cerimônia de boas vindas aos calouros da Academia. Ele sabia que terminaria pela tarde, pois a diretora informou os passos do evento, então ele achou melhor se mudar para o dormitório no dia seguinte. Logo, sua tarde foi ocupada com verificações de documentos e um banho muito longo, do tipo que ele era pouco acostumado.
À noite ele se encontrou com alguns conhecidos, de reuniões em outros países e que tinham contatos em comum, e todos se dirigiram para a boate.
Por coincidência ou não se encontrou não com o sócio, mas com a filha deste: Edna Verbier, quem era a provável amante de Duel, já que sempre que se encontravam eles trocavam olhares significativos que não enganavam nem um cego.
— Está gostando do lugar, querido Dio? Ou você ainda é o garoto introvertido que conheci? — ela sorriu, amável e venenosa, um cílio comprido se fechando em um piscar.
— É confortável e os drinks são ótimos. — foi o que o jovem concluiu.
Com olhares famintos em cima de si Dio não poderia dizer muito, mas a boate era realmente grande. Comportava mais de trezentas pessoas e tinha três ambientes. Tinha música eletrônica pesada tocando em todos os andares. Não era uma... Touch Lounge Victoria, NY, mas era ótima.
Uma das áreas comuns estava com uma batida eletro muito forte. As paredes de todo o prédio eram de vidro, as pilastras eram sólidas e todos os andares conectavam uma tubulação de efeito de chuva para as horas da madrugada. Quase todas as luzes piscavam em neon vermelho e a fumaça colorida cobria até o meio das panturrilhas, impedindo completamente a visão do chão. O som estava tão alto que as paredes e as taças vibravam. Havia telas espalhadas pela pista de dança principal. As mesas pesadas tomavam os espaços onde os gogoboys e as strippers faziam o show de domingo e do teto desciam cortinas leves, cortando a visão de dentro, projetando as sensuais sombras dos corpos.
— É tudo o que tem a dizer? Não vai aproveitar com uma das nossas moças hoje? — Edna, dona de cabelos róseos trançados e olhos verdes calculistas, disse provocativa, tomando um gole da bebida e mandou chamar uma garota.
— Eu não disse que não ia, mas eu posso buscar alguém por conta própria, Verbier. Que tal me deixar ir agora? Os negócios acabaram. — Dio disse secamente, se levantando da poltrona negra, agradecendo com a cabeça e pronto para voltar ao terceiro andar onde havia deixado seus companheiros.
— Se é assim que você quer, então desejo uma boa noite. — ela sorriu, com zombaria.
Com uma piscar charmoso ela deixou a mesa também para ir ao gabinete principal. Dio se retirou logo, pensando em qual espécie de bebida merecia ser ingerida numa noite como aquela.
Enquanto abria espaço entre as pessoas aglomeradas, Dio viu de longe cabelos róseos em um penteado rebelde e também cabelos brancos.
— O que fazem aqui? — indagou direto e cru. Seus olhos afiados roxos brilhavam mesmo com todo aquele jogo de luzes da boate, destacando ainda mais sua pupila felina. Suas sobrancelhas repartidas franziram e seu lábio ficou seco.
A garota, que era quase idêntica a Edna, exceto pela ondulação do cabelo, sorriu de ponta a ponta.
— Dio! Então você vai mesmo estudar comigo? Que surpresa! — ela comemorava. Dio olhou rapidamente para a pessoa ao lado dela, de olhos duros e expressão odiável, com os olhos arroxeados que todos os familiares possuíam.
— Isso é verdade, Duel? Ela vai entrar comigo? — questionou sem rodeios e sem fingir felicidade. Não havia felicidade nenhuma em estar perto de Rey Von Crimson River. Verdade, ela era uma garota linda, inteligente, sádica e, por tudo isso, irresistível, mas ele a conhecia muito bem desde a infância. O gênio terrível e sua vontade incontrolável de ferir os outros (ele em especial), a fazia se tornar uma pessoa dificílima de conviver.
— Hm. — o homem assentiu, buscando em seu celular e comunicando algo a seu pai sem dúvidas. — Talvez. E já que nos encontramos apenas digo que está tudo tranquilo, mas para se manter atento sempre, pois nunca se sabe. Nós estamos de saída.
— Ah, mas eu nem tomei nada ainda, Duel! — Rey tentou ir contra, mas seu protetor a arrastou a contragosto.
Dio sentiu que podia respirar ao menos quando eles foram.
A bebida escolhida foi uma generosa vodca. Um cigarro fez parte do combo da madrugada e ele estava pronto para achar seus companheiros. Não foi preciso esforço para que Sebastian e Vairne aparecessem em poucos minutos como se eles tivessem um contrato telepático.
— Ei, Dio! Já terminou o que queria fazer? Já se esquentou para a night? — Vairne bateu em seu ombro, sorrindo maldosamente. Dava para ver seus pensamentos maliciosos passando através da expressão pretensiosa. — Hora das mulheres, não acha?
Dio não costumava responder algo tão virgem como aquilo, mas como Vairne era o tipo irritante que faz questão de uma resposta, ele se resignou e respondeu antes que pudesse ser atormentado pelo resto da noite.
— Claro, por que não?
— E isso é comentário que se faça?! — o louro ganiu de volta. — Opa! Tem uma gostosa vindo aí. E aí gata, você-,
A moça era uma garçonete e fez questão de ignorar completamente o rapaz.
— Sr. Valico Fiammeggianti. — ela chamou, os olhos fixos nele, linda e séria. Tinha cabelos compridos lazúli, olhos heterocromáticos azul-vermelho. Ela carregava numa bandeja um drink esverdeado. — Serviço da casa.
Dio passou o louro de olhos verdes para trás, estendendo a mão para o copo. Neste momento o corpo da moça inclinou-se para frente e a taça balançou na bandeja derrubando metade do conteúdo. Olhando melhor, era um cara que havia caído em cima da mulher.
— Oh, Deus. Me desculpe, moça. — o individuo disse enrolado e com o olhar perdido. Ele massageou a nuca e ajudou a azulada a se equilibrar, mesmo que ele próprio não estivesse tão bem.
Assim que ela indicou que estava bem ele olhou em volta e deu as costas.
Dio não soube se foi destino ou qualquer outra coisa dessas de afinidade, mas o rapaz tropeçou novamente e foi só graças a Dio que o desastrado não espatifou no chão.
— Hey, olhe por aonde vai. Se estiver tonto e perdido apenas sente-se e espere. — Dio instruiu com normalidade. A reação do outro, contudo, não foi nada gentil.
— Como se eu me importasse, cara! — ele respondeu explosivo e ao mesmo tempo mole. O cabelo negro estava meio bagunçado e escondia um pouco o rosto, mas Dio via que o rapaz tinha um charme inigualável, uma ótima estatura e uma voz de galanteio. Era óbvio que ele estava puto com algo, pelo modo como estava tentando sair dali tão rápido.
— Hey, hey! — Dio levantou a voz naquele barulho todo e naquela movimentação de pessoas passando e esbarrando e puxou o braço do rapaz, que parecia ser um pouco mais novo que ele.
O moreno levantou a cabeça, encarando-o com raiva palpável. Dio não o ouviu dizer “Me solta”, pois ficou preso por um instante nos detalhes que constituíam aquele rosto. Era delicado. A textura suave aos olhos; a linha do maxilar era larga, mas simétrica; a cor da pele era bem peculiar, meio moreno; as poucas pintas espalhadas no rosto e pescoço muito charmosas; os fios negros caídos pela testa eram rebeldes como o cabelo de um japonês e as bochechas mostravam o rubor da bebida.
E os olhos? Lindos! Aquela coloração diferente, azul ou verde? Olhando bem, era um cinza bem claro. Os cílios eram compridos e as sobrancelhas finas, elegantes, e que acentuavam suas expressões.
E os lábios... Largos e claros, mas os inferiores carnudos, meio vermelhos, com certeza por ter beijado alguém exaustivamente. Eram lábios perfeitamente beijáveis embora pertencessem a um homem.
Foi nesse ponto que Dio resolveu parar de pensar. O rapaz já estava escapando de sua mão.
— Desculpe pela bebida. Eu pago outra. — o desconhecido se dispôs, bufando, indo até o balcão. — Mais uma dose, por favor.
Dio e seus dois companheiros se entreolharam.
O moreno baixo lhe entregou a bebida, apresentando uma face claramente bêbada e vermelha, fofamente vermelha, mas controlada. Enquanto saía, Vairne se colocou ao lado do italiano com as sobrancelhas desconfiadas e a dose na mão.
— Você tem tendências gays, Dio?
O arroxeado negou, mesmo sentindo-se flagrado. Pelo menos tapado Vairne não era como Dio pensava.
— Ele tem uma bunda legal. — Vairne riu baixo, mordendo a beira de sua taça, olhando de canto para Dio, que não conseguiu evitar olhar para onde foi mencionado. E bem, o cara tinha mesmo uma bela de uma-,
— Não consigo me ver com outro homem infelizmente para você, Vairne.
O outro riu.
— É, mas seria incrível se você pudesse ter uma experiência dessas, pelo menos uma vez na vida. Imagine! No futuro, com os seus amigos bebendo em algum lugar falando do passado, quando seu pai já não estiver vivo, você vai poder dizer: “A maior loucura que fiz na vida foi pegar outro cara”. Demais. Ninguém vai te julgar, daqui até lá tudo vai ser legalizado e ninguém realmente da nossa família vai se importar se você prefere uma garota ou um cara.
— Pode até ser. Mas está fora de cogitação. — Dio tomou a bebida, diferente da que a garçonete antes lhe trouxera. Era rascante, forte, era boa, do jeito que ele gostava de tomar. Sem mistura, só gelo.
Seus pensamentos divagaram sobre o desconhecido e ele não pôde prestar atenção em nada, nem no corpo feminino que rebolava e fazia lapdance logo à frente.
As horas passaram bem rápidas e Dio já via luzes confundindo-se no ar. Ele esteve sentado, um dos maiores erros que podia cometer enquanto bebia, então seu sono estava brutal.
O som continuava retumbando pelas paredes, misturado ao som da conversa, muita conversa, dança corpo-a-corpo e gritos. Dio estava cheio disso, frustrado por ter ficado pensando em um... cara, do sexo masculino. E mais, um cara qualquer que ele apenas tinha achado o rosto bonitinho. Dio estava puto porque ele bebeu inúmeras doses depois daquela e nada o tinha derrubado ainda.
Para sua total surpresa, uma de suas conhecidas apareceu milagrosamente. Sem saber como foi o ponto inicial, e tampouco interessado nisso, Dio percebeu que ela estava em seu colo, os beijos não paravam, molhados e ferozes. Via-se que ela também já estava um pouco passada. E ela era um pouco pesada, aquelas coxas trabalhadas em academia pareciam um trem, e ainda por cima ela tentava arranhá-lo e tudo o mais. E coitado, ele tentava lutar contra o sucesso dela, um pouco enojado.
Com o canto do olho, Dio viu Vairne. Ele empurrou a garota sem nem pensar e cambaleou até o amigo, tirando-o do meio de uma cantada provavelmente muito ruim.
— Quero transar. Procure alguém interessante para mim, você bebeu menos. — Dio disse ao louro à parte.
— Cê tá de zueira, Dio. O caralho que eu vou procurar alguma coisa! — o louro se enfureceu, também bêbado. — Ali, ó. Tá vendo? O cara sexy de antes. Deixa de ser cu doce você. Aquele cara tá recusando todas as mina que vão nele, ok? Então SÓ vai lá e SÓ pega ele! Tenta pelo menos. E me deixa pegar alguém também, né? Ou sei lá, pede pro Sebb.
Vairne saiu de cena, vendo que novamente havia perdido seu alvo. Dio tentou não olhar, mas a necessidade que sentia de comprovar sua atração era muito grande. Tinha algo ou não? Seu orgulho estava chorando agora.
Dio viu o moreno junto de dois outros caras, ambos ruivos, conversando de forma bêbada, mas parecia que ele tinha seguido seu conselho e parado de se movimentar um pouco.
Ótimo. Pensando bem, ele devia apenas ignorar tudo isso e buscar uma mulher menos violenta e que fizesse seu membro endurecer até bater no abdômen. Porém, seu intento deu errado, logo quando o moreno desconhecido se levantou e começou a se afastar, bem provavelmente para ir banheiro.
Dio viu a pista cheia, as paredes escuras, a fumaça se espalhando e seu mais novo objeto de interesse desprotegido, lento. Ele não foi capaz de se controlar. Ali, naquela noite, ele começava a se libertar de si mesmo.
— O-o quê?
A pergunta foi vaga. Dio via tudo em slowmotion, então quando o segurou pelo pulso, sua força saiu quase descontrolada. Os corpos dos dois deram com a parede e os olhos claros arregalaram assustados.
Dio, só por um instante conseguiu ver que o moreno usava uma calça skinning escura e uma camisa dobrada até os cotovelos. Após isso, viu os olhos irritados, mas eles não causavam medo.
— É sério! O que você-!
A mão de Dio firmou o aperto já que ele parecia não querer colaborar e o rapazinho não era tão fraco assim. A face do moreno contorceu levemente, além da coloração avermelhada aumentar, parecendo prestes a explodir ou algo assim.
O italiano mediu o espaço e fechou-o com seu corpo. Céus, ele não estava pensando em nada!
Em um instante sua perna entrou no meio das do outro, sentindo com a coxa o volume e o peso da masculinidade do moreno, que liberou um xingamento extremamente rude e já estava pronto para uma briga a valer. Não permitindo isso, Dio segurou-o firmemente pelos braços e então aproximou sua boca com velocidade, capturando os deliciosos lábios do outro... homem.
A mordida não veio, mas as sobrancelhas estavam franzidas fortemente. Ele não reagia bem, não até o mafioso forçar a língua com violência e iniciar um beijo de verdade.
“Nossa”. Dio chupou a língua, soltando-lhe os punhos e tocando a cintura do moreno.
— Ahm. — o gemido involuntário entre a troca de saliva saiu com doçura e revelando aprovação.
Dio sequer sabia se ele estava consciente ou se ele se lembraria disso no dia seguinte. Ele não estava certo nem sobre si mesmo. Ele não sabia quanto tempo tinha passado de tanto chupar a boca do moreno quando se separavam para trocar os lábios e ele murmurou rouco:
— Você é tão gostoso...
Os dedos do garoto agarraram sua blusa de um jeito violento ao ouvir isso (isso se tinha ouvido), e por um curto de espaço de tempo em que eles ficaram se beijando, Dio deixou sua mão escorrer por aquela cintura fina, achando-a agradável de delinear, assim como o peito, o braço... o quadril... a bunda.
Dio sentiu suas bocas afastarem com brusquidão. Seu lábio estava ardendo muito e ele com certeza havia perdido a noção da força em algum instante. O garoto à frente estava assombrado. O italiano, que normalmente não pensaria em uma coisa dessas quando estava beijando alguém, sentiu que havia feito algo muito errado. O moreno o afastou de supetão ao ver que ele não o soltava.
— Espera-,
—Vou deixar uma coisa clara. — o moreno esfregou a boca violentamente e enrijeceu os olhos, deixando-os gélidos como diamante bruto. — Nunca mais apareça na minha frente ou eu te mato.
E parecia que aquelas palavras não eram só lançadas ao vento. Dio sentiu um tremor forte no estômago, deixando-o estupefato.
Depois de terminada a ameaça, ele partiu dali sem demora, tirando seus amigos da multidão e saindo sem dar nenhuma explicação. Sem dúvidas, para Dio, ele estava com o orgulho ferido. Não era como se ele não estivesse também, oras.
— Ah... — suspirou Dio entre as paredes do banheiro alguns minutos depois. Não podia haver coisa pior do que uma situação dessas e não conseguir deixar de se sentir mal. Aquele tipo de culpa chata que martela no cérebro mesmo quando não se fez nada de errado.
Outro suspiro longo foi dado. Depois de estimulado seu pênis não baixou, mesmo depois de dois orgasmos... Ele estava chegando ao limite.
“Bem difícil vai ser nos encontrarmos outra vez. Duvido muito... Mas se acontecer, será que ele vai lembrar? Como ele vai reagir? Mal eu acredito.” Dio deu um riso fraco e desiludido.
Continua
Fale com o autor