Identity

11 Capítulo 10 — Reconexões


Notas iniciais
Demorei, mas apareci de novo. A fanfic já caminha para seu final e prometo tentar não sumir novamente.

Capítulo 10

Pov. Cheryl Blossom

Conhecer a família do Jughead é algo completamente novo e diferente. Não somos exatamente bem recebidos, a mãe do Jug e sua irmã vivem num apartamento minúsculo, numa região pobre e afastada de tudo em Toledo. Sua mãe mal fala com a gente, nos cumprimenta com uma falta de jeito e educação que incomoda, Jug tenta fingir que está tudo bem, mas eu sei que não está.

JB mal olhou para a cara do Jug antes de voltar para o seu quarto e fingir que não havia ninguém de diferente em casa. Naturalmente ofereço minha mão a ele, cada vez que um dos tratamentos parece atormentá-lo e ele aceita.

Não temos a oportunidade de conversar muito, Gladys alega que tem um turno na lanchonete em que trabalha em meia hora e que amanhã poderemos conversar melhor. Ela não é mal-educada em nenhum momento, nos oferece comida e arruma no sofá e no chão da sala duas camas improvisadas para que a gente durma, porém além disso nada. Gladys não abraçou Jug ou o beijou, o tratou como uma visita desagradável que você recebe com educação, mas torce para ir embora logo.

Quando sua mãe parte, Jug senta no sofá e me puxa para o seu lado, claramente triste, porém tentando manter um sorriso no rosto.

— Obrigada por estar aqui. Eu sabia que não seria fácil, não sei se conseguiria sozinho. — As lágrimas são perceptíveis, talvez ter sido escorraçado daqui fosse mais fácil do que ser tratado como um estranho. Minha reação é instintiva não quero vê-lo assim, quero minimizar a sua dor assim como ele fez comigo tantas vezes, e assim eu o beijo primeiros nos seus lábios, depois no seu pescoço e assim vou descendo já certa do que devo fazer.

— Cheryl, é melhor nós não... — Jug está ofegante e apesar de sua boca dizer uma coisa, seu corpo diz outra. Ele não quer que eu pare, não quer que eu faça isso só porque eu acho que preciso e honestamente não estou fazendo só por isso. Sou grata por tudo o que ele fez e é minha hora de retribuir.

— Por que não? — Falo continuando o caminho bem devagar. Sei que transar aqui seria impulsivo e uma péssima ideia, imagina se a irmã dele sai do quarto ou se a mãe volta? Mas com o cuidado certo ainda existia uma opção para diverti-lo e distraí-lo.

— Cheryl... — Diz ele com a voz falhando já percebendo o que eu planejo. Minha cabeça está debaixo de uma das cobertas que a mãe dele nos ofereceu e minha boca continua beijando sua coxa, o atiçando para o que viria a seguir. Quando eu finalmente coloco o seu membro dentro da minha boca, Jug estremece e quando eu começo ele vai à loucura. Se Jug teve mais alguma objeção preferiu não dizer nada. A única coisa que ouvi dele foram gemidos baixos de palavrões e meu nome. Depois dele gozar e eu engolir (não que na nossa situação tive alguma outra opção. Imagina se a mãe dele encontra algo nos lençóis ?), subo e me aconchego no seu peito satisfeita com o trabalho.

— Você não precisava ter feito isso. — Falou ele ofegante.

— Eu sei, mas eu quis, ok? Posso te fazer um pouco feliz ás vezes também.

— Muito feliz. — Ele corrigiu com um sorriso tímido no rosto, mas ainda era um riso fraco, superficial. Sua mente ainda está na sua mãe e irmã.

— Ainda está pensando nelas?

— Sim, eu vim aqui tentar resolver tudo. Não tinha a ilusão que minha mãe me receberia cheia de abraços, mas imaginava algo melhor que... isso.

— Talvez as duas precisem de tempo. Pelo menos eu precisei.

— É, talvez você esteja certo. — No final das contas dormimos os dois no sofá, não queria me afastar dele e nem ele de mim.

...

Passamos o total de quatro dias em Toledo, e aos poucos as coisas foram entrando nos eixos, JB sentia medo de Jughead a abandonar de novo, demorou um pouco para ela entendesse que ele não tinha nenhuma responsabilidade nisso, que Jughead fora vítima de tudo como ela, e quando ela finalmente entendeu isso o relacionamento deles mudou. Mesmo com o fantasma do retorno do Jug existindo, os dois conseguem fazer as pazes.

Passamos os três últimos dias juntos: indo ao cinema, vendo filmes em casa, jogando futebol e é claro ouvindo os álbuns favoritos da Jellybean. Aos poucos os dois se reconectam e eu a conheço. JB chegou até a perguntar se poderia voltar conosco para Riverdale, o que infelizmente somos obrigados a dizer não. Gladys nunca mais voltaria a Riverdale, pelo menos não para morar.

A relação com a Gladys é mais difícil do que a da JB, mas melhora consideravelmente nos dias que se passam. No fim das contas Gladys se sente muito culpada por ter deixado o filho para trás. Apesar de não demonstrar o tempo todo ela ama o Jug e só não sabe como se perdoar pelo o que tinha feito. Aos poucos os dois se aproximaram, não posso dizer que o Jug a perdoou, porém os dois conversaram e ela chegou a abraçá-lo algumas vezes, do jeito que uma mãe deveria sempre fazê-lo.

Confesso que eu gostaria bastante de tê-las por lá, me daria a impressão que de uma maneira torta eu tinha uma família, o amor entre JB e Jug é tão lindo, tão puro, que me faz lembrar de Jason, de como ele sempre foi tudo pra mim. Lá eu começo a pensar em como Jason se sentiria e o que ele falaria caso visse o meu estado. Posso imaginar seus olhares e seus discursos e começo a pensar em procurar ajuda como o Jug sugeriu. Honestamente não acho que a cura seja possível, mas eu não deveria ao menos tentar? Por Jug e por Jason?

Quando partimos as duas parecem muito tristes e prometem que irão nos visitar assim que tiverem dinheiro. Sorrio para as duas e Gladys me puxa em um canto:

— Cuide dele, ok? Sei que vocês ficam falando que não são namorados, mas eu vejo tudo o que vocês não contam. Sei que gosta dele e ele de você, não desperdice isso e por favor não o magoe ele já sofreu o suficiente.

Com isso nos despedimos uma última vez e partimos. Jug tem um sorriso singelo e tranquilo no olhar, é bom saber que pelo menos a família dele por pior que seja não é tão tóxica como a minha. Me distraio olhando para ele e Jug percebe:

— O que foi? Tem alguma coisa sujeira no meu rosto?

— Não, eu só gosto de ver você feliz. — Sorrio tentando disfarçar a velha tristeza que já voltava em mim. Por mais feliz que eu estivesse os sentimentos e frases sabotantes sempre davam um jeito de falar mais alto.

— O que foi isso? — Será que mais nada passa desapercebido por ele?

— Não é nenhuma novidade. A viagem foi ótima e eu estou feliz de ter vindo, mas uma parte minha continua... Não sei explicar, eu só sei que eu não estou bem.

— Você sabe o que eu vou dizer, né? Por mais que eu queria não posso te curar sozinho, o que você tem não é um sentimento, é uma doença que precisa ser tratada, Cheryl. Nunca vai passar se nós não a tratarmos. — Ver ele o usar o nós ao invés do pronome singular é um consolo por si só. Ele realmente se importa.

— Eu tenho medo...

— Medo de quê?

— De te decepcionar, de não adiantar nada...— Não choro, mas não tenho coragem de encará-lo.

— Você nunca me decepcionaria. Além do que, você não tem que se tratar por mim, mas por você mesma. Você merece essa chance, Cheryl, por quem você é e não por minha conta.

— Tudo bem... Acho que posso tentar.

Notas finais
Reviews? Se alguém ainda estiver por aí se manifeste!! Espero que estejam gostando!