Identity
12 Capítulo 11 — Pedindo ajuda
Notas iniciais
Pov. Cheryl Blossom
Passo quase todo o resto da viagem pensando, refletindo sobre a sugestão do Jug, eu disse que tentaria. Se quero viver preciso tentar e é esse o problema nem sempre tenho certeza que quero continuar vivendo. Nos dias bons parece absurdo pensar nessa possibilidade, mas no dias ruins é um pensamento inevitável.
Continuo pensando no que ele disse, que preciso tentar por mim mesma, que mereço essa chance, mas honestamente não tenho tanta certeza. Não consigo entender nem porque ele se importa comigo, pelo jeito que eu o tratava antigamente, ele deveria me odiar ou pelo menos me desprezar.
— Jug, por que você se importa tanto comigo? Eu realmente não entendo...— Falei de supetão pegando o de surpresa.
— E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?
— Ahn?
— É a letra de uma das minhas músicas preferidas. Não sei exatamente como eu comecei a me importar, Cheryl. Não sei se foi por identificação das nossas histórias, se foi porque eu vi um pouco da minha mãe e da JB em você, ou se só aconteceu... De qualquer maneira Cheryl você merece que eu me importe, porque sei que aí dentro está uma pessoa muito especial e sensível, que só precisa ser compreendida ao invés de julgada e eu te compreendo, Cheryl, até demais.
— Acho que eu tenho que ligar para Clair assim que chegarmos então. — Continuo tendo minhas dúvidas, porém quero tentar. Quero dar uma chance a nós dois e como ele mesmo disse a mim mesmo, porque se eu sou alguém tão especial como ele diz, talvez... só talvez faça sentido lutar.
— Clair?
— A assistente social, ela deve saber de alguma clínica, onde eu possa me tratar. Não é como se eu tivesse dinheiro para uma clínica particular.
—Quem diria Cheryl indo para uma clínica pública? — Ele sorri dizendo e eu também. Por mais que a frase me lembre de algumas coisas tristes, é engraçado como a vida pode acabar sendo tão irônica.
— Algumas coisas sempre mudam. — Sorrio para ele de certa maneira esperançosa, mas ao mesmo tempo desacreditada. Espero realmente que o tratamento funcione, não quero decepcionar Jug e mais do que tudo não quero decepcionar Jason aonde quer que ele esteja.
— Posso te pedir um favor?
— Qualquer coisa.
— Sei que vai soar estranho, mas preciso “falar” com Jason antes de ligar para Clair. Você pode me levar até ele?
— Te levo sim. Faz todo o sentido, Cheryl, não soa nem um pouco estranho.
A viagem parece interminável, mas dessa vez não paramos. Talvez Jug esteja com medo que eu mude de ideia e saia correndo, o que não posso garantir que não faria. Passo a viagem toda pensando, algumas vezes certa que essa foi a escolha certa e outras me xingando por ser tão idiota. Me tratar pode ser apenas mais uma maneira de sofrer e eu não quero mais nada disso...
— Cheryl, chegamos. — Olhei em volta surpresa não tinha percebido que tinha passado tanto tempo.
Lá estamos nós no cemitério de Riverdale, demoro um pouco para ganhar coragem e sair do carro. Ainda é difícil para mim, mesmo depois de tanto tempo, encarar a verdade. Jason está morto e eu estou sozinha nesse mundo... Como se tivesse adivinhando meus pensamentos Jug segura minha mão e anda ao meu lado até o túmulo do meu irmão. Não estou mais sozinha.
Ali eu me solto da sua mão e me sento no chão olhando diretamente para o túmulo. As lágrimas vem naturalmente e então eu desabafo. Conto a ele sobre meus pensamentos, intenções, sobre Jug e como ele me convenceu a buscar tratamento.
Talvez soe estúpido, mas precisava contar isso a ele e me sinto aliviada ao falar a respeito, como se Jason realmente estivesse bem aqui na minha frente, consigo imaginar suas reações e respostas, e isso me faz sorrir como nunca. Me despeço e vou embora.
Converso com a Karen a respeito e ligo para Clair, que diz que assim que encontrar vaga numa clínica irá me buscar. E é isso só me resta esperar e torcer para que me tratar não seja uma perda de tempo.
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