Identity
10 Capítulo 9 — In my Blood
Notas iniciais
Pov. Cheryl Blossom
Apesar do Jughead ter me abraçado, ou talvez exatamente por isso, decido ficar em silêncio o percurso todo. Sinto uma raiva que não compreendo, quem ele pensa que é para se importar comigo? Será que realmente se importa?
Essas perguntas, antes sussurros na minha mente, vão se tornardo gritos cada vez mais altos e quando vejo já estou chorando novamente. Não um choro delicado ou sútil, a sensação é tão forte que tenho minhas dúvidas se um dia conseguirei parar de chorar.
Jughead desesperado encosta o carro no acostamento e fala:
— O que houve? Cheryl... Fala comigo, pelo amor de Deus. O que aconteceu? Foi alguma coisa que eu falei?— O moreno tenta se aproximar e impulsivamente eu saio do carro. Preciso de espaço.
— Cheryl... volta aqui! Fala comigo, por favor!! — Ele tenta se aproximar, mas quanto mais perto ele chega mais eu me afasto.
— Eu não aguento mais, Jug. De verdade eu só não aguento mais. Preciso que você me deixe ir, que pare de tentar me puxar de volta. Isso só piora tudo. Não percebe?
— Não posso te deixar ir. Não vou dizer que compreendo o que você sente, porque eu sei que seria mentira, mas eu realmente quero compreender, quero ajudar e eu sei que ás vezes pode parecer que eu só tenho pena de você, porém não é verdade, nenhum pouco. Não sei como aconteceu, mas talvez eu tenha me apaixonado por você nesse meio tempo, penso em você o tempo inteiro, me preocupo e só Deus sabe como te ver sorrir faz meu mundo voltar a ter sentido. Não estou mentindo, você pode confiar em mim. Não penso em Betty há dias, você é a única garota que existe para mim, a única que me entende como eu sou, a única que eu quero entender. Por favor... Não desiste ainda se não por você por mim. Não aguentaria viver sabendo que você não está mais nesse mundo...
— Não é assim, Jughead, não é um botão. Eu não consigo controlar...
— E se eu controlar por você?
— Como assim? — Perguntei muito querendo que ele pudesse realmente fazer isso, mas sabendo não ser possível. Infelizmente a única pessoa capaz de controlar isso sou eu mesma e se nem eu consigo fazer não muito mais o que lutar.
— Quero que me procure sempre que achar que não vai resistir eu prometo arranjar tempo e trazer a verdadeira Cheryl de volta. Pode ser?
— Acho que sim.— Prometo querendo demais que faça efeito, que de alguma maneira ele faça essa diferença, que me cure.
— Você não tem noção de como faria falta. Agora hora de continuarmos viagem se queremos chegar em Toledo hoje ainda.
Voltamos a viagem em silêncio, não estou 100% bem, mas as palavras de Jughead não saem da minha cabeça.
— Que história é essa de estar apaixonado por mim?— Digo com um sorriso tímido no rosto.
— É, talvez eu esteja. E você?
— Eu... eu...—Balbuciei nervosa e sem jeito.
— Não precisa responder. Sério, eu entendo...— Eu rio e decido mudar de assunto.
— Porque você não me conta um pouco sobre a sua mãe e irmã.
— Minha irmã se chama Jellybean e é a melhor pessoa que eu já conheci. Ela tem apenas dez anos, é bem mais nova, mas não duvido que seja muito mais madura que eu. Nossa maior diversão quando crianças era o Drive Inn...
— Por isso pra você foi tão difícil terem o vendido? — Pergunto tentando entender melhor as coisas.
— Sim e não. Além disso, na época estava morando no Drive Inn.
— Como eu não sabia disso?— Falo sorrindo de novo. Até que essa viagem está tendo seus lados positivos.
— Bem, era um segredo se você soubesse não teria sentido... JB, como ela gosta de ser chamada agora, ama música e sua banda favorita é Pink Floyd. Acredite se quiser...
— Nossa que gosto peculiar.
— Sim, eu amo essa garota. Mal posso esperar para vê-la.
— E a sua mãe? Você não falou muito sobre ela...
— Não sei se tenho muito a dizer. Ela foi embora com a minha irmã e me deixou com meu pai, o que na época era a mesma coisa que nada, mas juro que teve um momento quando eu era mais novo que ela era uma boa mãe. Lembro de quando ela costumava me buscar na escola, de como me levava no playground me abraçava e me enchia de beijos. Sinto falta dessa mãe, mas sei que não vai ser essa que eu vou encontrar.
— Pais não prestam. Queria poder dizer algo melhor, mas venho de uma família ainda pior... Tá aí pelo menos seu pai não matou seu irmão...— Digo com um sorriso tímido e mentiroso no rosto.
— Mudando de assunto de novo quero te pedir uma outra coisa.— Ele fala nitidamente cortando o assunto que eu trouxe a tona.
— Fale.
— O que você acha de procurar um médico?
— Não sei...— Respondo séria não sei como um médico seria capaz de me ajudar.
— Cheryl, não é a brincadeira, as coisas que você me disse não são brincadeiras. Se estou dizendo é só porque eu quero o melhor para você. Por favor pense a respeito...
— Prometo que vou pensar.— Realmente começo a pensar em buscar tratamento, mas lá no fundo continuo achando que é tarde demais, que me tratar não será suficiente.
— Bem-vinda a Toledo! — Diz Jughead vendo uma placa na estrada, finalmente conhecerei sua família e mesmo sem entender espero que elas gostem de mim.
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