Idas e Vindas do Amor
13 Capitulo 13. A verdade.
Notas iniciais
Nunca vi Damon tão nervoso como agora, na verdade acho que nunca o vi nervoso na vida. Meu irmão tem uma espécie de confiança e determinação em tudo o que faz e é, e vê-lo andando de um lado para o outro repetidas vezes é quase cômico. Seria uma falta perder a oportunidade de presenciar isso.
Peguei meu celular e respondi uma mensagem de Elena.
“Katherine está me deixando louca!”
“Acho que Damon deu 100 voltas no tapete nos últimos 5 minutos”
“Hahaha. Você poderia arrumar um jeito de sair daí e me procurar”.
“Dá azar o noivo ver a noiva antes do casamento, senhorita Gilbert”.
Damon faz um baralho que chamou a minha atenção.
–Cara, você provavelmente vai abrir um buraco no chão. – murmurei bebendo um pouco de uísque.
Damon revirou os olhos e continuou olhando seu smoking no espelho da sacristia da Igreja.
Ajeitou o cabelo, ajeitou o smoking, deu uma olhada nos sapatos pelo terceira vez, bebeu um copo de uísque, virou-se para mim, voltou-se para janela, voltou-se para mim novamente.
–Cara, acho que vou explodir. – ele disse finalmente.
Revirei os olhos.
–Damon você está exagerando, sabia? Isso é ridículo.
–E se ela não aceitar?
Franzi o cenho.
Crises de confiança não eram necessariamente frequentes no meu irmão.
–Porque você acharia uma coisa dessas? Ela te ama, ela te aceitou, ela vai casar.
Damon pareceu murmurar minhas palavras para si mesmo enquanto sentava-se no sofá.
–Você provavelmente tem razão. Estou sendo paranoico... É que... Milhares de cenas dela me deixando no altar estão rondando a minha mente e acredite isso não é nem um pouco bom.
–Precisa se acalmar e parar de beber. – disse tirando o copo de suas mãos.
Damon concordou silenciosamente e passou a encarar um ponto fixo atrás de mim.
–Merda. – murmurou depois de um minuto. – Merda. Merda. Não posso fazer isso...
–O quê? Do que está falando?
–Não posso fazer isso sem contar pra ela... Não posso. Eu preciso!- ele me encarou.
Conheço Damon desde que me entendo no mundo e nunca na vida pude presenciar aquela expressão em seus olhos. Dor. Muita dor. E culpa. E raiva. E tudo junto. Senti meu coração acelerar e soube que isso não era bom. Não era nada bom.
–Damon, apenas... Acalme-se, ok? Você provavelmente só está nervoso, isso acontece.
Mas meu irmão mal me ouvia.
–Cara, Katherine vai me odiar. – ele disse finalmente.
–O que você fez? – perguntei cautelosamente.
–Eu estava bêbado! Que droga, pessoas fazem coisas estupidas quando estão bêbadas, não fazem? – ele disse.
Fechei os olhos. Droga. Não, por favor, alguém no céu me diga que ele não fez nenhuma merda. Me diga que ele não estragou tudo com a única garota que o amou de verdade.
–O que exatamente você fez, Damon? – perguntei o mais calmamente possível.
Meu irmão me encarou por um minuto e sua expressão relaxou. Ele respirou fundo varias e varias vezes antes de falar.
–Faz tanto tempo...
–Diga...
–Eu nem sabia que poderia amar tanto a Kath...
–Porra Damon. Diga. De. Uma. Vez.
Ele nem pareceu se afetar com a minha explosão.
–Transei com ela. Transei com a única garota que eu deveria ter ficado o mais longe possível...
Fechei meu punho. Abri. Fechei. Respirei fundo.
Não.
–De quem você está falando? – mas eu já sabia.
Só não queria pensar nisso.
Damon não me olhava.
–Sinto muito cara. Ela... Ela estava bêbada também. Foi um erro...
Não respondi. Não emiti absolutamente nem um palavra ou som, abri a porta da sacristia e andei a passos pesados até a varanda.
Pessoas iam e viam tempo inteiro por ali, então caminhei até aos fundos da Igreja. Precisava ficar sozinho.
Lembrei que Lexi estava com Rebekah na Igreja e isso me relaxou um pouco.
Que droga.
Porque ela tinha que ter feito isso? De todos os caras no mundo... Eu sabia que ela não era exatamente o símbolo de garota perfeita e inocente, mas isso... Isso era deprimente e nojento e eu estava com tanta raiva que nem percebi que chutava um vaso no chão.
–Stefan? – como se alguém nos céus decidisse que as coisas poderiam ficar piores, a voz dela soou atrás de mim.
Elena usava um vestido roxo que lhe caia tão perfeitamente bem... Detalhava cada parte de seu corpo e tudo o que eu quis foi correr até ela e beija-la. Beijar sua pele, seus lábios, seu rosto, beijar tudo. Tudo.
Respirei fundo.
–Não é um bom momento. – murmurei.
Ela de um passo a frente.
–O que houve? Porque está aqui?
Virei o rosto.
–Só... Vá embora.
–Stefan.
Tenho consciência da minha tensão e da preocupação dela, mas estou com tanta raiva que mal posso manter meus sentidos aguçados. Mal sinto quando ela toca meu ombro e me faz virar.
O simples gesto me deixa em uma luta interna entre bravo e despedaçado.
Ela me destrói com um toque.
Como deixei isso acontecer?
–Como você pode agir tão naturalmente? – perguntei enfim.
Ela me olhou surpresa, mas não recuou.
–O que?
–Como pode agir como se estivesse feliz por essa casamento? – ergui a sobrancelha.
Minha palavras a esfaquearam por dentro. Pude sentir que a havia machucado, mas não podia parar. Não com essa raiva que nem sei de onde veio. Não era eu.
–Como...
–Damon me contou. Ele parece bem perturbado, mas você não.
Ela me olhou seriamente.
–Não é isso que você acha que sabe.
–O que eu sei é que você transou com meu irmão, que por acaso, é noivo da sua irmã. Sua irmã, Elena. Há quanto tempo isso acontece? Vocês estiveram juntos enquanto nós dois estávamos?
O tapa que levei na cara não doeu tanto quanto imaginei. Não tanto quando a expressão de dor e raiva que havia no rosto de Elena.
–Você é um credito.
–Não muito pior que você.
–Eu estava bêbada!
–Porque vocês não param de dar essa resposta pra tudo? – perguntei afastando-me dela. – Porque vocês não fizeram algo?
–Tipo o quê? Chegar com Katherine e ter um linda conversa sobre como eu transei com o homem que ela amava? Uma semana depois estava noiva dele! Tão feliz como eu nunca tinha visto, como acha que eu me vi? Qual acha que foi a minha reação?
Balancei a cabeça.
–Você deveria ter contado. Ela merecia a verdade.
–Eu sei. – ela gritou. Suas lagrimas estavam escorrendo pelo rosto e eu me senti um lixo por causa-las. – Eu sei que ela merece saber a verdade. Eu sabia na época tanto quanto sei agora. Todos os dias eram os dias em que eu ia contar, eu dormia pensando nisso, gravei discursos inteiros no banheiro, chorei dezenas de noites pensando em como isso acabaria conosco, mas seria bom pra ela. Quantas vezes acha que eu desisti quando cheguei à cozinha e a vi sorrindo enquanto comia, ou estava dançando feito louca, como se o mundo em que vivíamos fosse um pouco melhor. Nunca na minha vida vi minha irmã tão feliz como agora. Como você acha que eu poderia arruinar a felicidade dela?
Suas palavras me fizeram recuar.
Passei a mão pelo meu rosto.
–Eu estava tão bêbada que nem me lembro do que aconteceu. Eu nem saberia se não o tivesse visto no dia seguinte. Não importa o que você diga, Stefan. Já me sinto um lixo á um bom tempo.
Fechei os olhos.
–Eu não deveria...
–Você estava certo. – interrompeu-me. – Estava certo em tudo. Eu deveria ter contado, mas pra começar isso nem deveria ter acontecido.
–Mas aconteceu.
Balançou a cabeça.
–E acabei me afundando mais nessa família por sua causa.
Mil facas apontadas para o meu coração.
–O que?
Ela deu de ombros e enxugou uma lagrima do rosto.
–O fato de eu estar apaixonada por você só ferrou com todo o resto. – ela disse finalmente.
Virou-se e saiu a passos longos. Não tentei segui-la, não me movi, não respirei.
Apaixonada. Fechei os olhos. Não sei se a vejo diferente agora, não sei como resolver esse calculo enorme no meu peito, mas não tem como negar que estou tão apaixonado que só quero apagar os últimos minutos da minha mente e voltar a não saber de nada.
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