Ice Heart

23 É exatamente isso que eu quero


Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem? Capítulo novo, então espero que gostem e boa leitura!!

POV- Nico

O sol nascia, estava sentado em um troco olhando os primeiros raios em tom alaranjado tomarem o céu, os cavalos dormiam, sem as chamas o cercarem, erram animais bonitos, um completamente negro e o outro marrom com preto, a casa estava silenciosa, a garota não fazia barulho.

— Dez? Dez? – Hades gritou me batendo, meu corpo rolou escadaria abaixo.

Minha mãe me observava, mas ela não se moveu, seu corpo continuou estático em pé vendo meu pai me bater mais uma vez.

— Pai não, por favor! — Bianca implorou correndo até mim.

— Saia Bianca. – Hades a puxou pelo cabelo a jogando no gramado e me puxando pelos braços. – Como um filho meu pode ser tão imprestável? Tão fraco? Um filho como esse deveria estar morto...

Uma carruagem parou, ela era incrivelmente branca, assim como os dois cavalos que a puxavam. Uma garota surgiu carregando uma escada nas costas, sua roupa era de trapos e ela parecia cansada, seu rosto estava arranhado e seus olhos azuis brilhavam de lagrimas. Ela colocou a escada na frente da porta e a mesma se abriu e dali desceram uma mulher com vestes perfeitas, uma ruiva da minha idade desceu logo atrás e o pai da família que tinha os mesmos cabelos que a criança.

— Já terminaram com o templo? – O homem perguntou educadamente e meu pai assentiu grunhindo.

Ele me puxou pelo braço e me empurrou no chão.

— Se te ver de novo te mato moleque. – Ele disse irritado e abriu a carruagem aonde Bianca entrou chorando e minha mãe atrás com a cabeça baixa.

A menina me olhou e sussurrou um corre e foi isso que eu fiz, corri em busca de vingança, de poder.

Ouvi um rangido alto da porta abrindo o que me tirou dos meus devaneios, a garota parou no arco da porta abraçada com o próprio corpo, seus olhos vieram até mim e depois para os cavalos e suspirou, mesmo longe consegui ouvir.

— Porque mudou? – Ela perguntou se aproximando e sentando ao meu lado.

— Você não me conheceu antes, porque fala com tanta convicção que eu mudei? – Perguntei e ela deu de ombros.

— Pelo jeito que fala do seu pai, pelo jeito que sua irmã te olha, como se sentisse culpa, por sua mãe achar que poderia ter te salvado.

— Já disse que não preciso ser salvo. – Disse e ela deu de ombros.

— Mas mudou não mudou?

— Para melhor. – Admiti.

— Para quem? – Perguntou ela e eu ri.

— Para mim não é obvio? – Questionei e ela olhou para o céu.

— Tem certeza? – Perguntou e eu revirei os olhos.

— O que a senhorita que não sabe de nada concluiu? – Perguntei com um tom sarcástico e um sorriso de lado.

— O que seu pai queria que você se tornasse? – Ela perguntou sem me olhar e eu grunhi irritado.

— Não...

— Não fale como se o conhecesse. – Ela me cortou e deu de ombros. – Eu fiz uma pergunta, pense o que quiser, mas eu tenho experiência com monstros, eles são previsíveis.

— Sou previsível? – Questionei e ela sorriu.

— Talvez.

Revirei os olhos e observei o céu que agora já estava totalmente claro e de uma tonalidade azul, sem qualquer nuvem, alguns pássaros saiam cantando pelo céu. Um vento suave batia contra a minha pele, fechei os olhos deixando que minha mente vagasse em mais lembranças.

— Vencemos. – Annabeth disse com um sorriso triunfante. – Conseguimos o que você queria.

Sorri fraco para a loira que tinha o vestido branco sujo de sangue, seus cabelos estavam bagunçados e ela não parecia tão inocente agora como quando passou pela porta da frente. Me olhei no espelho tirando o sorriso forçado do rosto, a última vez que tinha estado nessa sala eu era menor, mais magro, mais fraco, mais novo. Minha pele estava avermelhada devido a exposição ao sol, coisa que eu quase não tinha como príncipe, meus olhos estavam sem vida, meu cabelo tinha crescido mais do que o corte que meu pai achava adequado para alguém real, uma barba começava a surgir no meu rosto, coisa que eu desconhecia em minha face, afinal era muito jovem para ter algo assim.

— Algo errado Nico? Afinal conseguiu o que queria, tirou o poder do seu pai, sua mãe e irmã estão vivas, voltou para o castelo, você tem o mundo na palma da sua mão, não era isso que queria? – Anne perguntou surgindo no espelho, um pouco atrás de mim.

— Era. – Disse sorrindo novamente e desviando o olhar do espelho.

É exatamente isso que eu quero. Repeti essa frase mentalmente várias vezes, me forçando a acreditar que era verdade, afinal teria coisa melhor?

Um relinchar alto me tirou dos devaneios e me fez abrir os olhos, a morena estava sentada no gramado acariciando o cavalo que deitou a cabeça em seu colo, o vento soprava os longos cabelos dela para trás, sua pele parecia ganhar mais vida agora mesmo começando a ficar meio avermelhada por ser muito branca.

POV- Thalia

Acariciei o pelo negro brilhoso do cavalo, ele descansava relaxado. Era estranho como tudo aqui era mais suave, mais calmo, inclusive o Nico. Ele parecia relaxar aqui, como se nada aqui importasse, como se os problemas sumissem, como se ele não precisasse provar quem mandava.

— Você que construiu essa casa? – Perguntei notando que ele me observava.

— Annabeth. – Ele disse simplesmente e respirou fundo se levantando. – Para dentro.

Assenti e me levantei o que fez com que o cavalo relinchasse e se acomodasse como estava antes. Segui ao lado do moreno até dentro da casa que agora até parecia mais reconfortante do que quando chegamos. Caminhei com ele até a cozinha e vi que tinha dois pratos postos a mesa, com a comida já nele.

O moreno se sentou em um lado da mesa e começou a comer sem falar nada, olhei para o prato e notei o quanto estava com fome, não colocava uma colher de comida na boca a cerca de dois dias pelo que eu concluía. Me sentei com cautela do outro lado da mesa, de frente para ele, aonde o prato estava posto e com calma peguei o garfo esperando que ele me mandasse parar, mas isso não aconteceu.

Levei a comida a boca o observando, mas ele não parecia se importar com a minha presença, ele parecia estar pensando, ele sempre parecia estar pensando. Seus olhos vagavam firmes, mas sem rumo pela cozinha vendo, mas não observando, como se ali ele visse outra coisa.

Por fim relaxei um pouco e foi a minha vez de deixar minha mente vagar para longe.

O chicote bateu nas minhas costas que estava protegida apenas por um fino pano marrom que estava sujo e gasto, minhas mãos e joelhos ardiam por estarem em contato direto com o gelo, conseguia sentir a pele descolando, queimando, uma lagrima escorreu pelo meu rosto.

— Paguei caro por você vagabunda, faça o que eu mando. – O homem com o chicote disse me puxando fazendo com que meu pé queimasse em contato com o gelo. – Vai.

Respirei fundo tentando me forçar a parar de chorar e caminhei até o pequeno buraco no gelo e entrei, sentindo meu corpo inteiro doer ao ser espremido pela falta de espaço. Rastejei me forçando a seguir em frente, mesmo sem conseguir ver, a chuva batia forte contra o chão e aquilo me dava mais medo, porém tinha que fazer aquilo.

Minha mão escorregou fazendo meu corpo cair para frente, senti algo cortar meu braço e minha cabeça bater contra o chão, me forcei a ficar de cabeça para cima e a piscar inúmeras vezes tentando enxergar na escuridão. Sabia que estava machucada, sabia que estava sangrando, mas tinha que sobreviver, tinha que fazer o necessário.

Comecei a procurar o cordão, mesmo com toda dor do mundo, continuei a respirar divagar, tateando o desconhecido em busca de um cordão que nunca tinha visto. Minha mão bateu em algo e senti uma pontada aonde ela tinha encostado, consegui sentir ela humedecendo, peguei com cuidado para não me machucar novamente e o guardei na roupa.

— NÃO TEM NADA AQUI. – Gritei na esperança de que eles me mandassem voltar, sair dali.

—PROCURA MAIS. – A voz ordenou e eu continuei a procurar, toquei em coisas que não queria tocar. –VOLTA!

Respirei fundo e cacei a escada começando a subi-la assim que a achei novamente. Logo estava de volta aonde conseguia ver, meu corpo estava todo sujo de sangue e era apenas o meu primeiro dia no meu novo lar.

— Ei!- Nico disse alto e notei que ele parecia irritado.

Olhei para a minha mão e notei que apertava a faca com força e o sangue pingava na mesa e escorria pelo meu braço, deixei que o ela caísse na mesa e vi o corte aberto, levei a mão até meu corpo e respirei fundo.

— Desculpe. – Disse e ele deu de ombros.

— Limpe tudo. – Ele disse se levantando e saindo da cozinha.

Puxei o ar para dentro dos meus pulmões e fui fazer o que ele mandou.

Notas finais
-Fanfic movida a comentários então quanto mais comentários, mais rápido eu posto. — O que acharam? — O que querem que aconteça? Beijos e até!!