Ice Heart
24 Eu não sou indefesa.
Notas iniciais
POV- Annabeth
O barulho dos meus saltos ecoava pelo castelo, era bem tedioso ficar ali sem o Nico, mesmo com os preparativos para a festa não tinha muito o que fazer. Então fui em direção a sala que tinha passado bastante tempo nos últimos dias.
Assim que abri a porta vi o moreno de olhos verdes, ele respirava com dificuldade e tinha sua mão contra o machucado seus olhos estavam fechados, sua cabeça apoiada contra a parede e a sala estava toda suja de sangue.
— O que vai ser hoje senhorita bipolar? – Ele questionou irritado abrindo seus olhos e me encarando, eu sorri me aproximando dele.
Abaixei em frente ao seu corpo e tirei a mão de seu machucado puxando a faca e logo vendo o ferimento se curar. Ele me puxou com brutalidade me fazendo cair em cima do seu corpo, uma perna de cada lado, puxando meu cabelo o que me fez soltar um grunhido sabendo que teria que lavá-lo. Ele distribuiu beijos e mordidas pelo meu pescoço, fazendo meu corpo se arrepiar por inteiro com seu toque, beijei sua boca e conseguia sentir o gosto de sangue, ele me segurava com força pela minha cintura, conseguia sentir suas garras rasgando o tecido fino da blusa.
Mordisquei seu maxilar subindo até sua orelha mordendo o lóbulo, sentindo o corpo forte do moreno estremecer debaixo de mim. Me sentei no chão me afastando dele olhando-o, ele apoiou contra a parede tentando relaxar, seu corpo se curava aos poucos.
— Seria demais pedir um banho e uma roupa limpa? – Ele perguntou e eu ri de leve.
— Talvez não, afinal eu to utilizando muito esse corpinho. – Disse passando o pé pelo abdome nu do moreno que riu.
— Quando decide usar para algo produtivo eu não tenho do que reclamar. – O moreno disse me puxando pela perna e levando a mão a minha bunda, me fazendo sentar em seu colo novamente.
— Tudo é bem produtivo para mim. – Disse e ele riu.
— Aposto que quando eu te faço gemer é mais produtivo. – Percy disse e eu ri jogando a cabeça para trás.
Me levantei fazendo com que ele me soltasse e indiquei que ele levantasse. Segurei seu braço e comecei a guia-lo até o banheiro.
POV- Percy
Meu corpo doía por inteiro, mas quase que instantaneamente começou a relaxar ao entrar em contato com a água, Annabeth estava em pé não muito distante, com apenas uma perna no chão, a outra estava na parede e ela me analisava. Impedia que a água entrasse na minha boca ou olhos, com todo o cuidado e sem deixar isso evidente.
Sentia o olhar da loira queimando contra ao meu corpo.
— Quer se juntar a mim? – Perguntei a olhando por cima do ombro e ela riu.
— Não obrigada, prefiro banhos rápidos e em lugares que tenha certeza que ninguém pode entrar. – A loira dispensou e eu dei de ombros.
— A água está ótima. – Disse fechando os olhos e deixando que meu corpo voltasse a relaxar e esquecesse mesmo que momentaneamente tudo que estava acontecendo.
Sai de debaixo do chuveiro e peguei a toalha que tinha me sido oferecida me secando a observando, ela sorriu de leve enquanto eu enrolava a toalha no quadril. Caminhei até a mulher e ela sorriu. Prensei-a contra a parede e selei nossos lábios, eu realmente não me importava de ser um objeto se isso me mantinha vivo e sem torturas frequentes.
Apertei a bunda da loira e a puxei tirando-a do chão a mantendo grudada na parede.
— Senhora.- Uma voz masculina cortou o ambiente e o clima.
Me separei da Annabeth, ainda a mantendo no meu colo e olhei na direção da voz, um soldado acompanhava um homem duas vezes maior do que eu, com armadura e o cabelo um pouco comprido, ele me fez ter medo e sabia que ele tinha noção disso.
— Não acredito. – A loira disse me fazendo solta-la. – Ares o que faz aqui?
Annabeth caminhou até o homem.
— Provavelmente atrapalhando você de ser fodida. – O homem respondeu me olhando rapidamente e voltando para a loira com um sorriso.
A garota revirou os olhos e me olhou por cima dos ombros.
— Vista-se e te colocarei na cela novamente. – Annabeth ordenou e eu obedeci sem questionar.
POV- Annabeth
— Então Ares, me diga o que veio fazer aqui? – Perguntei entrando na sala de costume e indo em direção a mesa.
— Queria falar com Nico, quando perguntei aonde ele estava me mandaram ir no banheiro masculino das celas. – O homem explicou me observando recostar na mesa.
— Nico não está, tenho certeza que pode resolver comigo. – Disse e ele revirou os olhos.
— Quando ele estará de volta? Tem que ser direto com ele. – O homem disse virando-se para a janela.
— Em breve, mas se é tão importa...
— Conversarei com ele. – Ares me cortou e eu quis enfiar uma espada goela abaixo para ele aprender a nunca me intrometer. – Ele estará aqui no baile?
— Claro ele que está dando a festa. – Disse sorrindo forçada e ele assentiu.
— Sei bem que a festa é ordem dos Grace. – Ares disse e eu revirei os olhos. – Mas mesmo assim estarei aqui com minha esposa, acho que ele não se importara de ter uma breve conversa comigo na festa sem ser algo social, não é? – Ele questionou e eu assenti.
— Tenho certeza que não. – Disse e o guerreiro assentiu ajeitando a armadura no corpo.
— Foi um prazer revê-la Annabeth. – O moreno disse assentindo e se retirando.
Revirei os olhos e joguei a cabeça para trás. O que alguém como Ares iria querer com o Nico? Ele não teria nada a oferecer para pedir um favor, Nico também não o procuraria sem me falar, apesar que ele tem andado meio diferente desde que aquela tal de Thalia chegou, ela é claro uma idiota metida a besta e um futuro problema, tenho certeza disso, mas Ares vir aqui realmente é bem estranho.
Caminhei até a janela e o vi saindo do castelo, entrando em sua enorme carruagem de metal com seus cavalos dois lobisomens a frente, transformados.
— O que uma pirralha como você faz aqui sozinha? – Ares segurou meu rosto me olhando.
— Amor é apenas uma criança. – Afrodite, a esposa do homem surgiu me observando.
— Nome. – Ele ordenou e eu engoli seco.
— Annabeth Chase. – Disse e ele sorriu.
— A fugitiva, sua mãe vai adorar saber aonde você está. – Ele disse e eu comecei a implorar enquanto ele me puxava pelo braço para dentro da carruagem que me aterrorizava.
— POR FAVOR NÃO, EU NÃO POSSO VOLTAR PARA AQUELE LUGAR, NÃO COM ELE LÁ, POR FAVOR! – As lágrimas escorriam pelo meu rosto.
— O boato parece ser verdade amor, não podemos deixar ela voltar para aquele homem se for verdade. – Afrodite disse e eu a olhei.
— Eu não me importo o dinheiro que ela vai pagar pela garota é muito bom. – Ares disse olhando a esposa.
— Mas eu me importo, sou mulher também, se for verdade o que dizem que o padrasto dela faz com ela não posso deixar ela voltar. – A mulher disse ao marido e me olhou logo depois. – Solta ela por favor.
Ares me soltou e a mulher com delicadeza me colocou a sua frente.
— Porque fugiu? Me conte a verdade por favor. – A mulher me encarou no fundo dos olhos e eu cedi.
Abracei a mulher chorando e ela repetia “tudo bem” fazendo carinho no meu cabelo.
— Começou com pequenos beliscões, depois tapas, socos, até que um dia ele me prendeu no quarto dele com ele...
— Senhora! — Uma voz cortou meus devaneios.
Limpei o rosto puxando o ar para dentro dos pulmões, não era mais a garotinha indefesa que o padrasto fazia o que queria. Repeti para mim antes de olhar o soldado.
— Sim. – Disse e ele assentiu.
— Problemas nas celas do setor três. – Ele disse e eu suspirei assentindo.
Eu não sou indefesa. Repeti para mim enquanto caminhava em direção as celas.
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