Ice Heart

25 Acha que pode fazer as coisas escondidas de mim?


Notas iniciais
Hey cerejinhas. Boa leitura!

POV- Thalia

Sai da cozinha pressionando a mão cortada, olhei para os lados da sala em busca do Di Ângelo, como não o achei em passos lentos e cautelosos caminhei mais adentro da casa. Um corredor frio e estreito com apenas uma porta velha de madeira; empurrei-a e o rangido me arrepiou, a adrenalina corria pelo meu corpo por algum motivo estranho, achava que não deveria estar ali.

— Vamos Thalia é só uma caixa de primeiros socorros, nada demais. – Disse baixo para mim mesma e adentrei o cômodo.

Era um quarto simples, uma cama de casal velha de madeira, lenções que mesmo a distância cheiravam a poeira. Respirei fundo e caminhei até o guarda-roupa velho que preenchia a parede oposta a porta de entrada. Abri-o e comecei a procurar algo para colocar na mão que não parava de sangrar.

Ali dentro tinha algumas peças de roupas, porém pareciam pequenas demais para o Di Ângelo e as femininas pequenas demais para a Annabeth, ou até para mim que sou alguns centímetros menor que a loira e tinha me tornado bem mais magra também já que raramente comia direito. Abri a porta ao lado e me surpreendi, meu coração disparou e um sorriso breve surgiu no meu rosto por algum motivo desconhecido.

Ali apenas havia um arco de madeira e uma aljava de flechas, peguei a arma com cuidado e a analisei, o arco parecia ter sido feito manualmente, a cada ponta dele aonde a corda estava presa, um símbolo tinha sido entalhado provavelmente com uma faca, o da parte de cima era a face de um cavalo, e o de baixo a asa de um anjo.

Peguei uma flecha e a posicionei como achei que deveria fazer e girei meu corpo procurando uma mira, mas meu coração parou por um milésimo de segundo ao ver o Di Ângelo surgir na porta e me olhar surpreso e pior ainda seu olhar mudar para irritado.

— Só vou falar uma vez, abaixa isso. – Ele disse e meu corpo não queria obedecer apesar do meu cérebro falar que eu deveria atirar.

Respirei fundo e antes que pudesse raciocinar a flecha saiu do arco e meus olhos arregalaram-se minimamente surpresos, Di Ângelo segurava flecha na frente da cabeça. Meu corpo foi preso contra o armário, uma mão do moreno me prendia fora do chão pelo pescoço impedindo que o ar entrasse no meu pulmão, a outra estava com a flecha.

— Sabe que essa foi a coisa mais imbecil que você já fez, não sabe? – Ele disse pegando a ponta da flecha e passando no meu rosto lentamente, o cortando.

A lágrima escorreu pelos meus olhos, eu queria pedir desculpas, queria explicar que foi sem querer, que não tinha a intensão, mas não tinha acesso nem ao ar não tinha como nada sair da minha boca.

Ele revirou os olhos enfiou a flecha na minha perna livrando a mão e a levantando, uma dor atingiu minha cabeça e tudo escureceu.

***

Uma dor muito forte fez com que eu acordasse. Nico estava em pé com a flecha suja de sangue em mãos.

— Que garganta garota, poderia gritar mais baixo? – Ele perguntou vendo eu me sentar e pressionar o ferimento na perna.

— Thalia. – Me forcei a dizer e ele franziu o cenho.

— Que? – Ele perguntou jogando a flecha no chão.

— Meu nome é Thalia. – Disse e ele riu.

— Você é uma coisa, não tem nome. – Ele disse tacando em mim a caixa branca de primeiros socorros. – Cuida disso antes que tenha uma hemorragia e morra.

Ele saiu do quarto, respirei fundo e meu corpo relaxou minimamente, mesmo que eu não tenha percebido o fato de estar tensa, olhei ao meu redor e notei que estava na cama. Uma pequena janela gradeada possibilitava eu ver que estava de noite, apenas os sapos e grilos faziam barulho. Respirei fundo novamente e abri a caixa começando a tratar dos ferimentos.

Fiz o curativo e deixei meu corpo cair na cama confortável, encarando o teto, fazendo com que a minha mente viajasse.

O que aconteceria se ele não tivesse segurado a flecha? Se ele tivesse morrido? Eu seria livre? E o que eu faria livre? Poderia morar nessa casa, cuidar dos cavalos, fazer uma plantação, leria dia e noite, no gramado olhando o céu, o sol batendo na minha pele, ou eu poderia pegar os cavalos e ir conhecer o mundo, uma mochila, um mundo.

Um sorriso surgiu no meu rosto e minha cabeça tombou para o lado, a flecha ensanguentada estava ali no chão. Peguei o objeto e fiquei girando-o na mão, analisando a peça. Era relativamente leve, mesmo com a ponta de ferro, aço? Tinha espaço para que o vento não atrapalhasse caso este fosse relativamente forte, o cabo de madeira era de uma estrutura relativamente grosa, era uma arma rápida, mas não o suficiente.

Me sentei e olhei a porta aberta, me levantei com cautela apertando o cabo da flecha na minha mão, fui mancando para frente do guarda-roupa.

— Porque o Di Ângelo te deixou aqui? Tão bem guardado, sozinho, quase que como um troféu. – Disse para o arco que estava novamente no mesmo lugar, perfeitamente alinhado, como se eu nunca tivesse mexido ali.

Peguei uma flecha para analisar. Elas eram praticamente idênticas, mas por algum motivo dava claramente para identificar pela ponta qual foi usada qual não?

— Não deveria ficar gasta tão rápido. – Disse baixo e ouvi uma porta abrindo.

O mais rápido que pude coloquei a flecha no lugar e caminhei até a cama tacando a usada no chão e permanecendo sentada até que o moreno de olhos negros entrou no quarto.

Ele estava sem blusa e levemente soado o que fez com que eu franzisse o cenho, passei os olhos pelo moreno. A cicatriz do machucado que eu tinha costurado em seu abdome tinha desaparecido completamente, sua pele estava levemente avermelhada, mas estava ficando mais clara a cada segundo, podia ver isso claramente, seu corpo era definido.

Seus olhos viraram em minha direção e ele sorriu.

— Acha mesmo que pode fazer as coisas escondidas de mim? – Ele questionou e eu fiz a melhor cara de confusa que consegui.

— O que...? – Ele não deixou que eu terminasse a frase, ele puxou minha perna machucada pressionando o dedo sobre o machucado.

Um grito escapou da minha boca e eu joguei meu corpo para trás, batendo contra a parede. Coloquei a mão sobre a dele tentando a tirar dali seus olhos levantaram do que ele fazia para minha direção, ele olhou fixamente nos meus olhos e sorriu ao ver a dor.

— Deveria ter limpado o sangue das mãos antes de mexer nas flechas. – Ele disse segurando meu queixo e falando no meu ouvido.

— O que elas têm demais? São apenas flechas. – Disse fraco e ele colocou mais força sobre o machucado.

— Primeiro não me questione, segundo não faça nada se eu não te der autorização para fazer, terceiro não toque em nada que não for autorizada a mexer, porque eu não me importo se aquele loiro quer você ou não na festa se me desobedecer de novo eu acabo com sua vida e não estou falando de apenas te matar. – Ele disse olhando para meu decote e me soltando.

Deitei meu corpo na cama me encolhendo vendo ele ir até a mochila no canto do quarto e pegando uma peça de roupa. Ele saiu do quarto batendo a porta com tanta força que achei que ela cairia.

Deixei que meu corpo sentisse a dor, que as lágrimas caíssem enquanto ficava encolhida na cama, puxando e esvaindo o ar lentamente, ouvindo o barulho da chuva que caia.

Notas finais
- Fic movida a comentários, mais comentários, mais capítulos. — O que acharam? — O que querem que aconteça? Beijos e até!