Ice Heart
20 Você iria matar a gente
Notas iniciais
POV- Thalia
Ele estava recostado contra o banco confortavelmente, seu corpo estava relaxado e seus olhos fechados, mas sabia que ele estava prestando atenção em cada mínimo movimento que eu fazia.
Respirei fundo e fechei os olhos me recostando no banco e deixando a minha cabeça cair levemente sobre a parede da carruagem, os meus pensamentos voaram distantes para o loiro que tinha aparecido no castelo.
Seu tom de voz confiante, a postura de quem poderia ganhar uma guerra e de que era ele que estava ganhando e talvez realmente estivesse.
A carruagem simplesmente parou fazendo a morena abrir os olhos confusa e pela cara do moreno o veículo realmente não deveria ter parado.
Ele abriu a porta saindo e antes de a fecha-la simplesmente disse.
— Fique aí.
A porta bateu e eu olhei agoniada pela janela que possibilitava a vista dos cavalos, ficando de joelhos no banco que anteriormente o moreno estava, dois veículos diferentes da carruagem do garoto estavam parados impedindo que os bichos continuassem. Três caras gigantes saíram do nada rindo e mais dois deles saíram um de cada veículo.
— Fácil. – Um disse e esse mesmo me olhou e sorriu. – E com certeza vai ser bem divertido.
Di Ângelo tinha a mão no bolso tranquilamente e ele olhava os caras com tédio.
— Vou falar apenas uma vez, saiam do caminho. – Ele disse calmo olhando na direção dos cinco homens que pareciam se divertir olhando para o moreno.
O cara riu e correu em direção ao moreno mais rápido do que meus olhos conseguiam acompanhar, Nico apenas tirou a mão do bolso, uma espada se materializou em sua mão e a cabeça do homem rolou pelo chão e o corpo caiu sem vida fazendo que o sangue voasse para tudo que lado.
O moreno levantou o olhar para os outros quatros com tédio.
Dois deles foram ao mesmo tempo em cada lado do corpo do moreno e um foi de frente enquanto o outro simplesmente sumiu. O fogo ganhou vida em volta do corpo do garoto como um grande escudo.
O moreno girou o corpo fazendo que a espada atingisse todos e que o fogo queimasse seus corpos.
— Pulem eles. – Nico pediu abrindo a porta.
Ele puxou meu corpo com brutalidade me tacando no banco novamente e se sentou na minha frente. Os cavalos começaram a andar, a carruagem fez um movimento brusco me fazendo cair para frente, ele segurou meu corpo impedindo que eu batesse com tudo contra ele.
Senti sua mão apertar minha cintura com força, meu braço estava em seus ombros e ele impedia que meu corpo tombasse para qualquer um dos lados, já que os cavalos pareciam passar por cima dos veículos os amaçando.
Então simplesmente a carruagem caiu, fazendo que um grito escapasse da minha garganta, encolhi-me no corpo dele colocando a cabeça na curva do seu pescoço, pude senti-lo respirando fundo, talvez para controlar a raiva, talvez apenas por estar irritado.
Meu corpo parecia vibrar a sensação constante de queda parecia estar me dominando, eu não conseguia respirar, senti o veículo parar depois de um som muito alto quase me deixar surda, a chuva batia com força contra a carruagem quase a virando e ela competia com o calor do Di Ângelo, querendo espaço, fazendo ficar mais quente que o normal.
Me afastei dele um pouco o olhando tentando respirar, mas o ar não me vinha, meu corpo tremia e eu sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, ele olhou para fora vendo um raio cair próximo a gente, quase nos acertando, ele olhou para mim novamente.
Um tapa ardeu meu rosto e aquilo só me deixou mais nervosa, ele estava se irritando, ele ia me matar, eu não podia morrer não agora, ele continuava me encarando e aquilo só me deixava mais nervosa, eu ia morrer.
— Fica calma. – Ele disse irritado e mais um raio caiu quase derrubando a carruagem.
Em um movimento rápido senti seus lábios no meu e sua língua pedindo passagem que concedi sem saber muito o que fazer, meu corpo parecia se acalmar e eu estava sem reação.
Suas mãos acariciaram minha cintura com delicadeza, porém estavam firmes ao mesmo tempo, me envolvi em um beijo calmo, como um remédio tranquilizante, ele se separou de mim me deixando sem entender.
— O que...? – Perguntei fraco nada daquilo parecia fazer sentido.
— Precisava te acalmar ou você iria matar a gente. – Ele disse e eu olhei confusa.
Ele revirou os olhos e olhou em direção a janela, a chuva estava sumindo, ela era quase inexistente o céu parecia estar se abrindo para um dia claro e calmo.
Di Ângelo me soltou e meu corpo deslizou me fazendo ficar de joelhos no chão, senti o veículo começara a andar novamente e ele me analisava, parecia calcular cada movimento meu.
— Vai me matar? – Perguntei e ele riu.
— Não se cansa de fazer essa pergunta? – Ele questionou e eu abaixei a cabeça.
— Eu não tenho muitas outras perguntas importantes a fazer. – Disse baixo e voltando a me sentar no banco.
POV- Nico
Ela não me olhava nos olhos, seus olhos estavam fixos em suas mãos, ela pensava e parecia envergonhada, confusa, nervosa. Ela respirou fundo e me olhou, seus olhos azuis elétricos pareciam em uma chuva de tempestades, seu peito subia e descia mais rápido que o normal, mas ela ainda assim estava calma a suficiente para se manter firme.
— Você não disse aonde estamos indo. – Ela comentou e eu assenti.
— Quero descobrir mais sobre você, vou em um local aonde isso vai ser possível. – Disse calmo olhando a janela.
As árvores passavam calmamente, eu me lembrava muito bem daquele caminho, foi o último que eu fiz antes do meu pai me expulsar de casa, eu, Bianca, minha mãe e ele em uma carruagem quase idêntica a essa, porém com cavalos mais amigáveis, ou pelo menos era o que aparentava, eu estava feliz por sair do reino, por conhecer mais coisas.
— Porque quer tanto saber sobre mim? Afinal eu não sou a única que tem poderes no grupo dos seus escravos. – Ela me questionou apoiando a cabeça na lateral da carruagem.
— Você é diferente deles. – Comentei a analisando.
— Diferente como? – Perguntou ela ajeitando o cabelo que caia pelo seu corpo.
— É isso que eu quero descobrir. – Disse e ela respirou fundo.
— Tem algo que te mova que não seja sua curiosidade e estratégia? – Ela perguntou fechando os olhos.
— Atualmente, não. – Disse vendo o corpo dela começando a relaxar.
— O que faria pela loira? Afinal ela é sua parceira? – Perguntou ela acalmando finalmente a respiração.
— Depende. – Disse e ela abriu os olhos novamente, parecendo estar cansada.
— Do que?
— Do quanto isso me afetaria e o que eu construí. – Disse e ela assentiu.
— Quer dizer que a deixaria morrer se isso fosse melhor para você? – Perguntou e eu ri fraco.
— Eu a mataria se fosse melhor para mim. – Disse e ela pareceu surpresa, mas assentiu e fechou os olhos novamente.
— Estamos muito longe? – Ela perguntou com a voz sumindo.
— Pode dormir. – Disse e ela sorriu apagando logo em seguida.
Ela estava serena dormindo, sua respiração se estabilizou e seu corpo estava parado, como se ela estivesse cansada demais para fazer qualquer coisa, inclusive achar uma posição confortável, eu realmente queria entender o que essa garota tinha de diferente, ela estava certa não era a única com poderes, não era a única que tentava me desafiar, mas ela apesar de tudo parecia saber o que falar, quando falar e mesmo quando me desafiava a ponto de me deixar irritado e tentar matá-la a sorte parecia estar ao lado dela, parecia que o destino queria ela viva, mas porquê?
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