Ice Heart

37 Vamos dar uma volta


Notas iniciais
Hey cerejinhas. Elizabeth sua lindaaaaaaaaaaa!!!! Obrigada pela maravilhosa recomendação amore, fiquei muito feliz quando a li. Espero que gostem. Boa leitura!

POV- Thalia

Nico tirou meu corpo da cama fazendo com que eu acordasse, me prendendo contra a parede, seus olhos vermelhos sangue tinham raiva trasbordando até a última gota, suas presas estavam amostra e pareciam mais assustadoras do que da última vez que tínhamos chegado ao ponto aonde agora estávamos.

— Você deve ser morta se descobrirem você aqui estará tudo arruinado. – Ele disse me apertando com força contra a parede, suas mãos, uma em cada braço meu, mantinham minhas costas na parede gelada.

— Eu juro, não vou contar nada, nunca vão descobrir de mim. – Disse entre lágrimas, eu não queria morrer, mas sabia que aquele seria meu fim.

— Queria que pudesse ser diferente, mas não posso arriscar, não com meus inimigos tão próximos. – O moreno falou com um tom diferente na voz, mas era claro que não tinha volta, eu morreria e isso fez com que meu corpo gelasse e eu tinha que implorar, tinha que mudar seu pensamento.

— Pode ser diferente, você é Nico Di Ângelo... – Comecei a tentar convence-lo, tentar fazer com que sua mente psicopata e bipolar trabalhasse a meu favor e se eu conseguisse isso poderia ser minha chance.

— Não importa quem eu sou, a estratégia me faz vencedor, não meu exército. – Ele disse e eu não aguentei.

Ataquei seus lábios com um beijo, ele me prensou com mais violência contra a parede retribuindo o ato, suas mãos desceram para a minha cintura e ele colava mais nossos corpos, senti o fino pano do vestido rasgar com brutalidade, puxei sua blusa preta para cima e ele me ajudou a tira-la e me analisando nua novamente, mas ele não ficou muito tempo nisso.

Ele me jogou na cama e subiu em cima de mim, distribuindo beijos e mordidas com suas presas pelo meu corpo o que fez com que cada toque doesse, pois ele não parecia ter noção ou simplesmente não se importar, se me machucaria.

Ele se endireitou e me puxou pelas pernas fazendo meu corpo bater contra o dele com força e ali ele me olhando de cima ele pareceu se lembrar o que tinha que fazer, recuperar o foco.

Sua espada se materializou e depois de um suspirou ele levantou-a e desceu em minha direção e eu não tentei impedir.

Sentei sobressaltada na cama, o quarto escuro e abafado do Nico nunca parecia ter passado por um quase assassinato, pelo menos não o meu. Olhei ao redor em busca de qualquer mudança, logo depois desci o olhar para meu corpo, eu estava devidamente vestida, como se nada tivesse acontecido e realmente não tinha, foi apenas um sonho.

— Só um sonho. – Disse na falha tentativa de fazer meu coração ficar mais calmo, tentando respirar normalmente de novo, tampando meu rosto com as mãos.

A porta do quarto foi aberta e eu tirei a mão do meu rosto para ver o moreno entrar no quarto e fechar a porta atrás de si logo depois.

— Finalmente acordou. – Nico comentou caminhando até a cama e se sentando na beirada me observando.

— Aconteceu algo? – Perguntei e ele negou apenas com a cabeça.

Entende-lo era tão difícil, ora ele parecia querer acabar com tudo, ora ele parece querer apenas ser diferente, parecia que ele tinha dois extremos, um bom e um ruim e a cada dia que eu o observava mais eu percebia que esse lado ruim era o seu lado necessário, não o que ele queria ser.

— Nico. – O chamei baixo e ele me olhou. – Você tem outra irmã...- Esperei uns segundo para ver se estava entrando em um campo seguro, como ele não esboçou nenhuma reação prossegui. — O que fez com ela?

— Garanti que ela continuasse tão escondida quanto estava antes de cortar a cabeça do meu pai. – Ele me respondeu sem presa como se esse fosse um assunto indiferente para ele, ou como se ele estivesse com a cabeça em outro lugar.

— Tem algo errado não tem? – Perguntei chegando à conclusão de que ele claramente estava diferente, pensando em algo bem distante daqui.

Ele não me respondeu, mas não precisava, se estivesse tudo certo ele teria dito, teria praticamente jogado na minha cara isso, afinal que rei não gosta de exibir que seu reino está em perfeita condições?

— Tem algum plano? – Questionei e ele riu leve.

— Eu sempre tenho um plano. – Nico disse me encarando nos olhos agora.

— Mas gosta desse? – Perguntei e ele levou a mão em meu pescoço, meio que acariciando, mas com um pouco de brutalidade.

— Talvez não. – Ele admitiu e se levantou indicando que eu levantasse também.

Fiz o que ele mandou e ele me deu liberdade para que eu pudesse tomar banho e me deu uma roupa para eu me trocar. Caminhei até o banheiro e comecei a me despir, me olhei no espelho e vi a marca da mão dele sumir lentamente do meu pescoço, ele tinha me queimado e isso me deixou surpresa, partes por eu não ter sentindo, ou partes por ele não ter aparentado ter intensão de fazer isso.

Isso me fez parar para pensar que talvez quando ele estava me mantendo aquecida ele não estivesse sendo tão gentil assim, ele estava queimando minha pele viva. Com seu poder.

Entrei debaixo d’água e deixei que meu corpo relaxasse em contato com a água gelada, mas meu cérebro trabalhava mais rápido do que nunca.

Annabeth tinha deixado Percy fugir por algum motivo estranho e desconhecido por mim, agora eu estava sozinha nesse castelo enorme. Nico parecia cada vez mais confuso de como agir, como se as coisas que ele tivesse que fazer começassem a incomoda-lo, ou pelo menos ele não conseguisse mais fingir que não incomodam.

A loira parecia a cada segundo se importar menos com o que acontecia ou deixava de acontecer, na verdade ela parecia mais preocupada com a vida dela e nas decisões que ela iria tomar do que com o: como ou se iria agradar o Nico, e eu podia ver que ele cada vez ficava mais insatisfeito ou irritado com a garota.

Tudo parecia mudar a cada instante que se passava, aqui nada parecia certo, ou pelo menos não mais. Antes, eu tinha uma única certeza, Nico Di Ângelo era o vilão, o monstro que me escravizou e me jogou em uma cela imunda, torturou-me e maltratou todos, hoje eu nem isso tinha cem por cento de certeza disto, ele as vezes se mostrava esse monstro que eu conheci quando cheguei, mas nas outras ele se mostrava alguém confuso e com preocupações.

Sai e depois de seca me vesti com a roupa separada; fui para o quarto e vi o moreno sentado com os braços apoiados no joelho pensando em algo que eu nunca descobriria, ele me olhou e se levantou como se apenas tivesse me esperando sair do banho.

— Vamos dar uma volta. – Ele disse e eu assenti, mesmo não sendo uma pergunta.

Ele abriu a porta do quarto começando a sair. O segui por corredores e mais corredores até uma saída, a luz do sol direta com minha pele me incomodou um pouco, me fazendo refletir sobre o quanto tempo eu não tinha contato com o sol, será que lá dentro parecia menos dias do que realmente era, será que havia se passado messes, dias, ou anos que eu tinha sido puxada da minha vida a força? Tentei não mostrar tanto o incomodo quanto meus pensamentos.

A vila em si era calma, vi algumas pessoas sorrindo para o Nico, outras assentiam como uma reverência ou um agradecimento silencioso, enquanto caminhávamos por entre comércios e casas.

— Aonde estamos indo? – Perguntei correndo para andar ao seu lado e ele pareceu se lembrar de mim, pois demorou alguns segundos para me encarar.

— Sempre curiosa. – Ele comentou baixo, talvez apenas para ele, como um pensamento, ou para eu ouvir. – Já vai descobrir. – Dessa vez ele falou um pouco mais alto.

Continuei o seguindo por mais um longo período, até que ele começou a subir uma pequena escadaria estreita de pedra meio escorregadia por conta dos musgos começando a se acumular por entre as fendas das pedras pela falta de uso e o clima úmido. Senti um nervosismo a cada vez que subíamos mais, aquele lugar não parecia seguro e estávamos cada vez mais alto. Assim que finalmente chegamos lá em cima fiquei mais próxima dele como uma garantia de que não cairia e que se eu caísse ele me seguraria e o moreno não se importou.

Um vasto território se estendia por todos os lados, podia ver as árvores ganhando um tom alaranjado em suas folhas, o vento gélido ajudando com que elas começassem a cair, dando o ar mais frio a tudo, podia ver ainda algumas cidades distantes, nada como um castelo como o do Nico, mas ainda assim grandes, o céu estava claro sem nuvens e o sol não estava forte, mesmo que ainda me incomodasse ao tocar minha pele.

— Está vendo aquele rio. – Ele disse se posicionando atrás de mim, com uma das mãos em minha cintura e apontando para frente na direção que eu estava.

Forcei os olhos para tentar ver algo, porém o máximo que eu consegui ver foi uma linha fina tão longe que nem sabia se era o rio que ele estava falando, ou qualquer rio, parecia um arranhão em uma pedra, insignificante, mas existente.

— Acho que sim. – Disse e ele assentiu, levando a mão que antes ele usava para apontar a minha cintura.

— Aquilo define até aonde meu reino vai, até aonde meu pai fechou acordo e recebeu autorização para poder invadir sem que precisasse entrar em guerra com o Rei do Sul. – Ele disse e eu assenti.

— Porque está me contando isso? – Perguntei e ele saiu de trás de mim e se apoiou em uma das pedras que a torre tinha, me encarando.

— Pense comigo. – Ele disse e eu assenti me sentando em uma das pedras grandes que ainda me possibilitaria ver tudo. – Meu pai estava criando um exército, mas eu penso que ele não pretendia fazer nada com Zeus, porque ele seria mais discreto e menos urgente, concorda?

— Sim. – Disse e ele assentiu. – Logo você acha que ele fez algo.

— Exato, mas o que ele poderia ter feito contra Zeus que ele precisasse de um exército para se defender? – Nico questionou e eu dei de ombros.

— Algo que destruísse uma possível vantagem do Zeus. – Disse como se fosse óbvio.

— Sim, mas meu pai tinha dragões, exércitos de sombras e de pessoas, ele tinha tudo e mesmo assim precisava de mais e precisava prejudicar Zeus, afinal ele claramente não poderia...

— Seu pai controla fogo como você? – Perguntei deixando que meu cérebro trabalhasse.

— Sim. – Disse e eu assenti.

— Rio é água, seu pai tinha desvantagens que a divisa era feita de água e essa divisa foi escolhida provavelmente por Zeus e se Zeus controlar a água e for mais forte que seu pai.

— Vantagem elementar. – Disse assentindo. – Mas o que não faz sentido é que se Zeus tinha todas as vantagens o que meu pai poderia querer com ele? O que meu pai poderia tentar tirar dele? O que ele poderia fazer contra ele?

— Ele talvez tenha conseguido. – Disse e ele franziu o cenho. – Zeus perdeu algo? Algo que ele tente manter escondido? Que ninguém saiba direito o que aconteceu?

— A filha. – Disse ele baixo refletindo e seus olho negros iam de um lado para o outro como se ele visse algo que eu não conseguia enxergar.

Notas finais
- Fic movida a comentários. — O que acharam? — O que querem que aconteça? — Beijos e até!