Ice Heart
49 Porque está irritada?
Notas iniciais
POV- Thalia
Nico se virou e voltou a andar, mas minha cabeça entrou em curto. Eu não sabia porque o moreno de olhos negros precisaria de mais um assassino por aí, mas pelo exército e a clara tensão no ar, que eu demorei alguns segundos para notar, algo sério estava acontecendo e ele não queria dizer o que era.
Olhei minhas mãos que ainda formigavam devido ao que tínhamos feitos poucos minutos atrás, mas agora nada estranho acontecia com ela, eram apenas mãos.
— Como sabia que me beijar faria meus...poderes saírem? – Perguntei alto já que ele estava distante de mim, pois não tinha percebido minha pausa ou simplesmente não se importava.
Nico se virou e levantou a mão indicando com o dedo que eu fosse até ele, cruzando os braços logo em seguida. Suspirei e caminhei até o moreno em passos lentos, por algum motivo eu não estava com pressa nem vontade de obedece-lo.
Eu estava irritada. Isso ficou claro em minha mente quando olhei seu rosto de perto novamente. Desde que eu cheguei ele parecia se importar comigo, mesmo de seu modo estranhamente psicopata e agora ali olhando seus olhos negros indiferentes eu percebi isso, pois o brilho de curiosidade tinha sumido, quando ele escolheu que eu me tornaria escrava, quando eu desafiei ele sem muitas palavras enquanto ele escolhia quem vivia e quem morria, todo esse tempo ele compartilhou algo comigo, por muito tempo achei que era seu jeito assassino de ser.
Mas não, ele desde o início não me tratou como uma escrava normal, uma escrava qualquer. Ele me salvou daquele poço, ele me trouxe para sua sala, tudo que ele fez foi diferente do normal, foi como se ele soubesse que eu tinha algo diferente, algo que eu mesma ainda não descobri o que é, ele decidiu que eu não deveria ser tratada como lixo, mesmo com tudo, tortura, tentativa de assassinato, brigas e tudo que nossa relação, se é que temos alguma, envolveu sempre tinha algo que trazia aquele olhar novamente, quando compartilhamos ideias, discutimos ideologias, mesmo com sua bipolaridade, irritação de algum modo ele se preocupava, ou escolhia me deixar viva, mas agora olhando em seus olhos eu sabia que ele tinha escolhido esconder, esconder não apenas o que estava acontecendo, mas tudo que passamos, até mesmo as coisas ruins, como as boas e isso me irritava, parecia que ele já sabia tudo o que queria, já havia conquistado tudo, a curiosidade tinha sido substituída por indiferença e isso me irritava, por que por muito tempo quis sumir, quis que ele me esquecesse, me deixasse e ele parecia ter decidido fazer isso nesse momento e isso me irritava, pois não queria ser esquecida.
— Quando perde o controle seus poderes também saem do controle, mesmo que não sinta isso, é um modo de defesa automático, então quando te beijei você perdeu o controle e seu corpo reagiu em defesa fazendo o que você viu. – Nico explicou quando eu me aproximei dele e eu suspirei e mesmo que não quisesse falar respondi em um tom irritado.
— Chegou essa conclusão quando estávamos no seu quarto? – Perguntei me xingando depois do dito, ele já tinha conseguido o que queria parecia um péssimo momento para irrita-lo e rebate-lo, mas eu me sentia mais usada agora do que em todos esses dias em que ele me denominou como escrava e isso era estranho.
— O que? – Ele perguntou surpreso e eu suspirei cruzando os braços e negando.
— Nada. – Disse simplesmente tentando não parecer irritada e passando por ele decidida a retomar meu caminho.
O moreno me puxou pelo braço me fazendo virar de frente para ele. Seus olhos negros estava brilhando em curiosidade e confusão e isso fez como se algo quente dentro de mim se acendesse por alguns segundos.
— O que está acontecendo com você? De onde tirou isso? – Ele perguntou me soltando e cruzando os braços novamente.
— Nada, já disse. – Falei e comecei a me virar novamente e ele me segurou de novo.
— Thalia. – Ele disse em tom repreendedor me fazendo olha-lo de novo.
— Pensei que fosse só uma coisa, coisas não tem nome. – Disse lembrando de suas palavras e ele levantou a sobrancelha surpreso e riu leve.
— Porque está irritada? – Ele perguntou com um sorriso no rosto.
— Nada, você não estava com presa, é melhor irmos para você voltar para suas coisas. – Disse novamente em uma falha tentativa de não parecer irritada.
— Está irritada porque não estou te contando o que está acontecendo? – Ele perguntou parecendo se divertir com aquela conversa.
— EU NÃO ESTOU IRRITADA. – Gritei e suspirei logo em seguida vendo ele rir da minha atitude.
— Thalia. – Ele me chamou com um tom suave.
— Que? – Perguntei cruzando os braços abaixo dos seios e encarando meus pés.
Ele levantou meu rosto com delicadeza fazendo que o azul dos meus olhos cruzassem o negro dos seus e eu senti toda a raiva, porque sim se não percebeu estou irritada, sumir e ele sorria parecendo se divertir com aquilo tudo e mesmo com este sorriso ele disse sério.
— Não transei com você em uma das minhas experiências ou por qualquer estratégia, sim lá em baixo eu te beijei para fazer seus poderes se libertarem, mas tudo que aconteceu naquele quarto eu fiz porque eu queria fazer e não Thalia, não descobri que os poderes se libertam com a perda de controle usando você, isso acontece com todos, a perda de controle é um estimulo de que algo está errado e seu corpo se arma em uma alto-defesa, já aconteceu comigo várias vezes e vai acontecer com você também, o que muda de pessoa para pessoa é quanto alto controle cada um tem e assim como você consegue tirar o meu facilmente eu também consigo fazer isso com você. – Ele disse olhando no fundo dos meus olhos e eu entendi que era para guardar aquelas palavras, pois sabia que ele não as repetiria.
Assenti abaixando a cabeça novamente e suspirei.
— Tudo bem, desculpa. – Disse suspirando e ele riu.
— Não precisa se desculpar. – Ele falou e indicou que eu andasse.
Retomei meu andar me sentindo estranha por ter surtado, aquilo tudo, aquele lugar, ele, me afetavam de um jeito estranho e que eu não sabia explicar nem muito bem como entender isso tudo.
— Aconteceu algo estranho em uma vila de bruxas na floresta, pode não ser nada, mas também pode ser um sinal de que as coisas podem dar muito errado e eu quero estar sempre a um passo à frente quando se trata de ameaças, por isso preciso de um exército e preciso de modos para garantir que nada saia do controle, pois eu normalmente não deixo que as coisas não saiam do jeito que eu quero e as vezes eu tenho que garantir mais friamente que isso aconteça. – Ele disse e eu ri baixo o que o fez me encarar arqueando a sobrancelha e abrindo a porta de sua sala.
— Desculpa, mas isso pareceu engraçado, sabe porque você controla o fogo e ter que agir friamente. – Disse e ele olhou surpreso com o péssimo trocadilho.
— Sério? – Ele perguntou e eu neguei.
— Desculpa, é que eu já pensei muito nisso, que suas atitudes eram frias e sem sentido, já pensei e te julguei, disse isso em alto e bom som para você, te acusei de inúmeras coisas que você realmente fez e de ter coração de gelo e de um modo isso me parece irônico. – Comentei e ele negou.
— Porque seria irônico? Alguém que tem fogo na veia ter um coração de gelo? – Ele perguntou e eu neguei olhando os seus olhos.
— Porque depois de tudo, mesmo que as palavras saiam da minha boca em formato de acusação e eu não entenda, não acho que seu coração seja congelado e está ai a ironia, alguém que matou, torturou várias pessoas e a mim, eu começo a achar que realmente tem um motivo, um bom motivo, mesmo que eu saiba que nunca vou entender. – Disse encarando seus olhos e mesmo sérios pude ver que ele tinha um pingo de felicidade, apenas momentânea estampada em seu rosto, mas esteve ali.
— Se isso é porque o que eu te disse lá fora...
— Não é. – O cortei apesar de saber que não deveria. – Estou te falando enquanto tenho coragem de te dizer, mas tem tempos que o que te acuso não é o que eu realmente sinto, é claro que na hora que eu digo eu estou com raiva, cansada, frustrada, mas eu sei que não é verdade, mesmo não sabendo como eu sei disso e sei que isso não pode sair daqui, porque apesar de se irritar por todas as vezes que eu te chamei de monstro quer que esse nome seja exposto, escrito no céu como um recado, mas um verdadeiro monstro não se preocupa com ser acusado disso, muito menos de deixar o recado, talvez esse seja o motivo ou todas as suas pequenas atitudes que eu presenciei para eu estar te falando isso agora, mas independentemente do que seja aqui está a minha verdadeira opinião. – Disse e ele assentiu suspirando.
— Eu te chamei pelo seu nome porque não te vejo mais como escrava, na verdade não te vejo assim a tempos, apenas nunca fiz isso pois achei que perderia completamente seu controle se te nomeasse, mas eu nunca tive seu controle, apenas fingi que tive. – Ele disse se aproximando de mim.
— Se não sou sua escrava, sou sua prisioneira? – Perguntei e ele agora estava a centímetros de mim.
— Quer ir embora? É isso que você quer? – Ele perguntou com um tom de decepção.
De um jeito eu sabia eu precisava apenas falar que sim e ele me deixaria ir, daria espaço para eu fazer o que tinha planejado desde o início, ele não me impediria, nenhum soldado, nenhuma briga, nada, apenas deixaria eu sair pela porta da frente como uma hospede que estaria se retirando de casa.
— Então Thalia quer ir embora? – Ele perguntou me fazendo perceber que estava minutos parada ali em silêncio encarando-o.
— Não. – Disse e ele sorriu leve e selou nossos lábios e eu sabia aonde iriamos parar.
Ele me colocou sentada na mesa sem separar nossos lábios, derrubando algumas das miniaturas que tinham ali em cima, ele tirou minha blusa em um movimento rápido e eu aproveitei a deixa para arrancar a que ele usava, ele deitou meu corpo sobre a mesa e eu senti um pouco de dor devido as peças estarem em contato com minhas costas, sua língua foi para a base da minha calça e ele subiu e eu senti queimando minha pele e o som de quando se coloca algo quente na água quebrou o som da nossa respiração e aquilo era incrivelmente excitante, pois sabia que aquela era a reação que nós dois causávamos.
Ele arrancou minha calça me deixando apenas de roupa intima e eu me sentei novamente na mesa indo para seu colo cravando a unha em suas costas. Consegui sentir o sangue escorrer por entre meus dedos descendo suas costas.
Fiquei em pé, puxando-o para selar nosso lábios novamente e levando a mão para seu cinto desafivelando-o com uma rapidez que eu não sabia que conseguia. Sua mão foi para a minha bunda apertando-a com força fazendo que um gemido escapasse dos meus lábios e levantasse meu corpo na ponta do pé.
Virei o empurrando contra a mesa e arranquei o resto das suas roupas, parte de mim agia por extinto, eu fazia o que achava que deveria fazer. Coloquei seu membro em minha boca ficando de joelho com ele apoiado na mesa.
Sua mão foi para meu cabelo no qual ele puxava com força tentando controlar o que eu fazia, mas isso só me incentivava a provoca-lo mais, senti o líquido na minha boca e o engoli me levantando e beijando seus lábios novamente.
Ele me virou fazendo com que eu ficasse de costas para ele, debruçou meu corpo sobre a mesa e com o pé abriu minhas pernas, ele passou o dedo de leve pela minha entrada fazendo com que meu corpo se arrepiasse. Sem aviso prévio ele colocou dois dedos dentro de mim começando a fazer movimentos rápidos de vai e vem e eu não conseguia controlar as reações que meu corpo tinha, muito menos o que saia da minha boca.
Um tapa forte na minha bunda fez com que eu pulasse um pouco mais para cima da mesa. Virei e pulei me sentando na mesa novamente e o puxei para mim, Nico não hesitou me penetrou e desta vez não esperou que eu me acostumasse com isso, começando a fazer movimentos de vai e vem rapidamente.
Senti suas garras entrarem na minhas costas e eu ri mesmo que doesse, levantei da mesa me apoiando completamente no seu colo, sua mão desceu para minha cocha e eu comecei a subir e descer no colo dele levando minha cabeça a curva do seu pescoço gemendo ao pé do seu ouvido, algumas vezes beijando e mordiscando seu pescoço, ombro ou o nódulo da orelha.
Meu corpo tombou para trás e eu senti aquela sensação boa e meu corpo ficando mais leve e dessa vez senti que ele tinha chegado lá junto comigo. Ele me sentou na mesa de novo colocando a cabeça na curva do meu pescoço beijando ali.
Ele saiu de dentro de mim, mas não se afastou. Respirei fundo e apoiei meu corpo contra o dele e vi Nico jogar a cabeça para trás respirando fundo e lentamente como se recuperasse o controle e sabia que provavelmente era isso que ele estava fazendo.
— Você torna minha vida mais difícil Thalia. – Ele disse e eu ri.
— O que eu fiz dessa vez? – Perguntei sem dar o trabalho de olhar para ele.
— Por anos me esforcei para nunca perder o controle e sempre funcionou, mas você consegue fazer isso mais rápido do que qualquer um. – Ele disse e eu ri me afastando um pouco.
— Eu gosto quando você perde o controle. – Disse mordendo o lábio inferior e olhando seus olhos.
Ele riu e me beijou novamente.
— O problema é que eu não perco o controle apenas quando estou transando com você, manter tudo que eu criei com você é basicamente impossível. – Ele admitiu me olhando e ele claramente não admitia isso para mais ninguém.
Entreabri a boca o encarando respirando devagar
— Não precisa manter a imagem que criou para o mundo comigo. – Disse e Nico riu.
— Preciso sim e esse é o problema. – O moreno falou e suspirou. – Vem, vai pro quarto tomar um banho.
Assenti e pulei da mesa o puxando para mais um beijo para depois caminhar em direção ao quarto que eu passava grande parte do tempo.
— Vou deixar uma roupa em cima da cama. – Ele disse antes de eu adentrar completamente o cômodo e ficar sozinha novamente.
Fale com o autor