Ice Heart
50 Acabou?
Notas iniciais
POV- Nico
A porta foi aberta e já poderia ver a cara de surpresa da Annabeth que riu parecendo se divertir.
— Quer que eu espere você pôr a roupa ou podemos conversar assim mesmo? – Ela perguntou cruzando os braços e eu coloquei a calça indicando que ela começasse a falar. — Estava certo tem um acampamento lá, eu revistei tudo como pediu, é completamente seguro, tem passagens subterrâneas que dão acesso, uma estufa com plantação de alimento e fonte de água.
— Então podemos levar a população para lá? – Perguntei confirmando e indo para a janela.
— Claro, sugiro fazermos isso aos poucos, considerando que não queremos causar pânico e nem claro avisar os inimigos que estávamos evacuando a cidade. – Ela disse se aproximando de mim.
— Pode falar Annabeth. – Disse contragosto e ela riu, mas sabia que ela não focaria até fazer as piadinhas que ela estava com vontade de fazer.
— Ela faz muito estrago, já pensou em domestica-la? – Anne perguntou passando a mão sobre um ferimento e levantando o dedo mostrando o sangue.
— Nunca precisei te domesticar. – Rebati arrancando uma risada da loira.
— Como esquecer que você gosta da sensação da dor? – Perguntou ainda rindo e se virando indo em direção a uma poltrona.
— Agora que seu brinquedinho foi embora precisa ficar de implicância com a vida dos outros? – Questionei não deixando claro de implicar de volta com Annabeth.
— Não estou de implicância com a vida dos outros. – Ela disse fazendo uma voz estranha. – Estou apenas causando um pouco de diversão a minha pessoa com o fato de uma menina que você dizia que iria matar, a como foi que você disse quando te perguntei: “não cortei a língua dela pois não poderia ouvir os gritos direito”, juro que na hora não imaginei que eram esses gritos. – Retornou a falar me fazendo revirar os olhos como clara resposta a aquelas brincadeiras e arrancar uma risada de sua boca. – Relaxa Nico, fico feliz que esteja aproveitando a vida um pouco.
— Já acabou? – Perguntei e ela riu e assentiu indicando que eu poderia começar a falar sério. – Que bom! Comece levando famílias com crianças e mulheres grávidas, também digam que eles levem apenas o necessário, que não fique tão evidente que a casa está vazia, digam para levarem animais e coisas para que não percam completamente tudo que tenham, levem em grupos de cinco famílias, nada muito chamativo.
— Pode deixar, quando começaremos a esvaziar a cidade? – Anne perguntou e eu suspirei.
— O mais rápido possível, não podemos perder tempo, você mesma disse que o feitiço na floresta não aguentaria por muito tempo. – Falei olhando novamente a janela.
Era noite e as pessoas começavam a se recolher em suas casas acendendo as luzes, cuidando de suas famílias. Alguns outros ainda estavam focados em seus trabalhos ou em busca de diversão, como um relacionamento ou uma prostituta para uma noite, qualquer coisa que pudessem tirar sua mente do seu dia longo e comum.
— Levem alguns soldados das sombras também, para manterem o acampamento protegido. – Disse e Annabeth suspirou.
— Conseguiu mais soldados? – Ela perguntou colocando o cabelo para trás do rosto.
Assenti sem olha-la, ao horizonte tudo parecia tranquilo, mas eu sabia que um grupo estava vindo, matando tudo ao seu caminho, se aproximando do castelo em busca de uma boa batalha e de uma vitória. Poderia garantir que uma batalha eles teriam, mas faria o possível e o impossível para garantir que eles perderiam.
— Nico, vamos fazer nosso melhor. – Anne caminhou até a mim novamente, me olhando.
A loira se apoiou na parede, ficando de lateral, olhando em minha direção com seus olhos cinzas, enquanto eu encarava tudo que tinha lutado para conquistar.
— Sabe como eu fico antes de lutar. Mas por algum motivo eu sinto que vai ser diferente, de algum modo, eu sei disso. – Admiti e ela suspirou.
— Por conta do espião? – Questionou apoiando a cabeça na parede a inclinando de lado ainda me olhando.
— Sim o fato deles provavelmente saberem que estamos nos preparando e esperando pela vinda deles também ajuda, mas não, eu não acho que vamos perder, mas também não sinto como se fosse ganhar. – Afirmei, olhando por final para Annabeth, que tinha uma expressão de dúvida estampada em seu rosto.
— Isso não faz sentido, como podemos não ganhar e não perder ao mesmo tempo? – Ela questionou e eu suspirei.
— Não sei, mas eu não quero descobrir pela primeira vez na minha vida, mas sei que será inevitável e esse dia está chegando cada vez mais perto. – Disse cruzando os braços e olhando para a vila novamente que agora quase ninguém estava na rua.
— Sua namoradinha já sabe? – Perguntou e eu olhei para ela em reprovação e ela riu. – Desculpe não resisti, mas ela sabe ou não?
— Não contei que talvez tenha uma guerra. – Respondi a fazendo revirar os olhos.
— Talvez? – Anne perguntou e eu suspirei.
— Não contei o que está se aproximando e não vou contar até o dia chegar. – Disse e ela suspirou.
— Vai deixa-la participar?
— Tenho outra escolha? – Questionei, franzindo o cenho e como resposta ela revirou os olhos.
— Nico, sempre tem outra escolha, nossas escolhas nos trouxeram até onde estamos hoje, nossas escolhas vão nos levar ao amanhã, então, sim, tem como escolher o que vai fazer com ela, mas eu só achei que ela era importante demais para você para deixa-la aqui. – Ela disse dando de ombros.
— Eu não me importo...- Comecei, mas a loira me cortou com uma risada.
— Claro, como pude esquecer? Nico Di Ângelo não se importa com ninguém, muito menos com uma escrava que ele chama pelo nome e faz sexo regularmente, assim como eu sou virgem e minhas asas ainda são brancas devido a minha pureza. – Ela disse juntando as mãos como se fosse rezar e uma auréola apareceu em sua cabeça enquanto ela piscava os olhos como se fosse uma boneca de porcelana.
Empurrei a loira que cambaleou para trás rindo da minha atitude.
— Qual é Nico? Admitir o que todos já notaram não faz mal. – Ela disse e eu suspirei. – Como se falar mudasse a realidade... falar não muda Nico, só torna mais fácil.
— Annabeth. – Repreendi e ela suspirou.
— Tudo bem, fim de assunto.
— Ótimo.
— Vou fazer o que me mandou volto já com o resultado e mais notícias. – Annabeth disse e saiu da sala me deixando sozinho novamente.
Suspirei e recolhi as roupas que estavam no chão caminhando em direção ao quarto. Abri a porta e ali estava a morena de olhos elétricos nua abraçada a própria perna no meio da cama. Ela sorriu assim que eu adentrei o quarto e ela suspirou.
— Você disse que deixaria a roupa em cima da cama. – Thalia disse e eu sorri leve jogando as que eu tinha pego no chão e indo até o armário.
Peguei algo para ela vestir e coloquei na cama como prometido e ela sorriu indo até a roupa de quatro na cama. Ri com a atitude e em um movimento rápido estava atrás dela a puxando para encontro ao meu corpo.
A morena riu e me puxou para um beijo que eu não demorei para corresponder.
***
— Acho que vou precisar de outro banho. – Ela comentou olhando para cima para encarar meus olhos.
Sorri para ela em uma risada suave e a fazendo voltar a brincar com seus dedos, passando-os de leve pelo meu abdômen nu. Ela estava deitada de lado, cruzando a cama apoiada em mim enquanto um braço meu estava recostado sobre seu ombro e o outro enrolava uma mexa de seu cabelo em meu dedo. O silêncio era confortável, mas como sempre fazia com que os pensamentos dominassem minha mente e naquele momento, mesmo com a guerra que poderia estar a se aproximar eu só conseguia pensar em tudo que tinha acontecido quando uma garota do gelo cruzou meu caminho por acaso e como tudo tinha mudado, inclusive eu mesmo.
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