Ice Heart

26 O porquê de eu não ter te matado


Notas iniciais
Hey cerejinhas, espero que gostem! Boa leitura!

POV- Thalia

Acordei com um barulho irritante de algo sendo martelado; abri os olhos levemente e quase fui cegada pela luz. Me sentei na cama e olhei ao redor, o quarto estava exatamente como ontem, quando passei horas chorando até meu corpo não aguentar mais e ceder ao cansaço.

Me levantei da cama e em passos lentos comecei a sair do quarto, minha barriga implorava por comida. Assim que cheguei na cozinha vi o Di Ângelo sentado em uma cadeira com um martelo em mãos. Duas espadas estavam uma ao lado da outra em cima da mesa e supus que ele estava fazendo a terceira.

— Você que faz suas armas? – Questionei e ele levantou o olhar rapidamente, mas logo voltou ao que fazia.

— As que eu uso sim, as do meu exército não. – Disse ele levantando uma espada um pouco diferente, quanto mais próxima do cabo “espinhos” começavam a surgir e senti um frio na barriga dizendo que havia uma grande possibilidade dele testar aquilo em mim.

— Descobriu como vai se tornar a fonte de poder dos seus soldados? – Perguntei e ele riu.

— Acha mesmo que eu vou seguir seu conselho? – Ele questionou e eu dei de ombros.

— Não sei, só acho que seria melhor para você. – Disse caminhando até a pia aonde uma tigela de frutas estava posta.

Peguei uma maça e olhei para o moreno em uma pergunta silenciosa, como ele não falou nada coloquei o alimento na boca.

Me encostei na pia e fiquei o observando. Ele estava claramente pensativo, suas mãos trabalhavam rápido sobre as ferramentas que se encontravam em cima da mesa.

— Já tinha tocado em um arco antes? – Ele perguntou levantando o olhar.

— Só o do violino. – Disse e ele franziu o cenho.- A parte que eu uso para tocar, que tem cordas sem ser o instrumento se chama arco. – Expliquei e ele suspirou.

Ele pegou as duas espadas e indicou que eu o seguisse, saindo da casa parando bem a frente dela.

— Já tocou em uma espada? – Ele questionou.

— Para amolar sim. – Disse e ele assentiu e tacou uma das espadas para mim.

Falhei miseravelmente em tentar pega-la, a espada quase perfurou minha mão me cortando.

— Quero fazer um teste, pegue a espada. – Ele ordenou levantando a espada que estava na sua mão entrando em posição de ataque.

Engoli seco e puxei a arma que tinha ficado cravada na terra. Levantei-a com um pouco de dificuldade, aquela arma não era para mim, era para ele, muito mais pesada do que deveria, eu precisava de mais esforço para a manter erguida.

— Sobreviva. – Ele ordenou e me atacou.

Um grito escapou da minha garganta e em um movimento rápido usei a espada para me defender dando dois passos para trás. Di Ângelo era rápido, ágil e letal; com esforço tentava desviar de todos os golpes do moreno, mas assim que acabava de me defender de um ele já estava vindo com outro.

Senti uma dor no braço, mas não tive tempo para ver o corte, logo estava desviando de mais um. A espada caiu da minha mão, mas ele continuou atacando. Segurei a arma sentindo ela afundar na minha mão e sujar o gramado e a espada de sangue.

Ele afastou a espada ficando reto novamente e girando a arma branca em mãos a cravando na terra. Minha perna cedeu e meu corpo caiu no chão, minha respiração estava acelerada e meus olhos piscavam tentando raciocinar, tudo parecia muito lento, como se ainda estivesse me defendendo dos golpes do Di Ângelo.

— Você foi muito bem. – Ele disse com um tom sério e como se isso fosse uma confirmação de algo que ele estava pensando.

O moreno abaixou ficando de frente para mim, encarando-me no fundo dos olhos como se procurasse respostas.

— Colocou algo mais na sua lista de curiosidades? — Perguntei e ele deu de ombros.

— O porquê de eu ainda não ter te matado. – Ele disse tirando um cabelo que estava grudado em meu rosto o colocando para trás.

Abaixei a cabeça desviando do seu olhar, abri a palma da mão que tinha um corte no centro das duas, o sangue saia insistentemente dali.

— Posso tomar um banho? – Perguntei baixo e ele me levantou como se eu fosse uma pena.

Com uma das mãos nas minhas costas o moreno me guiou para dentro da casa em um banheiro simples, bem parecido com o do quarto dele no castelo.

— Vai tomando banho que já trago sua roupa. – O garoto disse e saiu do banheiro encostando a porta.

Olhei meu corpo no espelho e eu claramente parecia ter passado por uma guerra. Em algum momento eu tinha sujado meu rosto de sangue, fios do meu cabelo estava grudado ali assim como no meu braço que tinha um corte fundo que me sujou quase que por inteiro, o ferimento na minha perna mesmo com um curativo conseguia ver o sangue se esforçando para tentar sair.

Com certeza eu ia morrer com uma hemorragia. Tirei a blusa e a saia, ouvi a porta sendo aberta. O moreno colocou uma muda de roupa em cima da pequena pia assim como a caixa branca que estava se tornando bem comum a mim e me deu uma olhada de cima a baixo, analisando meu corpo na roupa intima.

Sem falar nada o moreno saiu do banheiro fechando a porta e me deixando sozinha novamente.

Me despi por completo e entrei debaixo do cano aonde saia água e assim que o fiz a água começou a cair sobre o meu corpo o fazendo se arrepiar. Uma ardência aonde o machucado estava, mas a sensação da água batendo contra a minha pele era incrivelmente boa. Meu corpo simplesmente parecia relaxar.

POV- Nico

Peguei as duas espadas que estavam lá fora e olhei a que tinha entregado a ela o cabo tinha a marca da mão dela, quase como se tivesse se moldado ali, como se a arma tivesse se adaptado a morena. Girei a arma branca na mão, claramente estava bem mais leve do que deveria estar.

Entrei na casa e coloquei as duas armas no arsenal junto com todas as outras que tinha e o fechei. Fui em direção ao quarto pegando a flecha que estava no chão, a ponta da flecha tinha cinco riscos puxando para o interior por algum motivo, o que eu tinha certeza que não teria nas outras, afinal eu tinha feito cada uma delas. Passei o dedo sobre a ponta e o aço se esfarelou na minha mão.

Tinha poder ali e tinha certeza que ela não tinha a mínima noção disso.

Notas finais
- Fanfic movida a comentários, quanto mais comentários mais rápido eu posto. — O que acharam? — O que querem que aconteça? — Teorias sobre nossa querida Thalia. Beijos e até!