Ice Heart
27 Precisamos de um plano
Notas iniciais
POV – Thalia
A carruagem finalmente parou e eu reconheci as paredes escuras do castelo. Nico desceu e indicou que eu fizesse o mesmo. Logo a loira apareceu com um sorriso confiante no rosto, ela desviou por um milésimo de segundos seus olhos para mim, mas logo estavam no Di Ângelo novamente.
— Temos muita coisa a conversar. – Annabeth disse olhando o moreno que assentiu.
Um soldado surgiu e me puxou pelo braço começando a me guiar pelos caminhos que para minha surpresa reconheci. Logo estava na cela aonde eu e Percy ficávamos, tínhamos voltado ao início.
A cela estava escura e fria, logo vi uma leve movimentação próximo a parede que continha a janela e o moreno de olhos verdes mar sorriu.
— Olha quem apareceu por aqui. – Ele disse e eu ri correndo até o garoto.
O abracei e ele retribuiu me apertando com força demais.
— Pensei que tinha fugido e me deixado aqui. – Ele brincou e eu revirei os olhos me sentando encostada a parede.
O garoto sentou ao meu lado de frente as grades, tudo estava escuro e como sempre tinham sons aleatórios de choros, suplicas, falas de diversas línguas.
— O que fizeram com você? – Perguntei e ele deu de ombros.
— A loira tá me dando bastante atenção podemos assim dizer, ela me passa trabalhos lá fora as vezes, as vezes ela me passa trabalhos no quarto dela se é que me entende. – Ele disse e eu assenti. – E quando ela está muito irritada me tortura para extravasar a raiva.
— Descobriu algo? – Perguntei e ele assentiu.
— No outro lado do castelo tem uma arena de dragões, o Di Ângelo os mantem longe da população, mas se tivermos sorte deve ter algum alado, é claro que dominar um dragão não é algo fácil e que se faça com costume, mas um filhote aguentaria nosso peso tempo suficiente para ir bem longe. – O moreno disse baixo quase como um sussurro. – Também sei que tem apenas um jeito de chegar lá, não é muito protegido depois que chega no subterrâneo o problema que para chegar lá teríamos que atravessar quase que o castelo inteiro que é repleto de seguranças.
— Como sabe disso? – Perguntei e ele sorriu.
— Falo cinquenta e sete idiomas, muitas pessoas não sabem disso. – Ele disse e eu ri fraco.
— Eles trocaram os soldados que nos supervisionam por humanos e claro eles falam mais do que os da sombra. – Ele explicou e eu assenti indicando que ele continuasse. – Também que existem cinco setores de celas, estamos no cinco o mais no topo considerando que estamos em um labirinto que é impossível a saída sem um conhecimento amplo da planta do castelo.
— 110 passos à frente, 409 a direita, 203 até o corredor que leva a sala do Di Ângelo, mas 594 até aonde eles recebem carga pela esquerda. – Disse sorrindo e ele sorriu.
— Impressionante. – Disse ele e eu dei de ombros.
— A uns dias ouve uma rebelião no setor três, mataram certa de duzentos escravos. – Ele disse e eu assenti já imaginando a reação do Di Ângelo ao saber disso. – Pelo que eu soube estavam esperando apenas o chefe deles voltarem para ver ser vão mudar os setores já existentes ou vão à procura de novos para preencher o setor.
— Acho que vão mudar a gente, o Di Ângelo tá com problemas maiores. – Disse e ele franziu o cenho. – Um garoto chegou aqui e aparentemente ele é um problema, matou os soldados da sombra dele sem muito esforço e sem falar que ele tem uma confiança incrível e de acordo com o Di Ângelo o garoto sabe demais sobre ele e ele não tem basicamente nada sobre ele.
— Eu soube de boatos, o baile. – Ele disse e eu assenti.
— E também vi umas certas brigas internas. – Disse e ele sorriu.
— Soube também, podemos dizer que algumas vezes a Annabeth fala sozinha. – Disse ele respirando fundo. – Ela tá conflitando muito com alguns pensamentos do Di Ângelo.
— Ele não vê as pessoas como algo para confiar, alguém para contar, ele pesa utilidades e ele deixou isso bem claro. – Disse me lembrando quando ele falou que mataria Annabeth se isso fosse útil para ele de alguma forma, Percy recostou a cabeça na parede olhando o teto.
— Já imaginava, ele não consegue confiar nas pessoas, bem típico para falar a verdade. – Percy comentou e eu dei de ombros.
— Talvez ele só não tenha tido alguém para confiar. – Disse e ele me olhou incrédulo.
— Tá defendendo ele? – O moreno perguntou e eu arregalei os olhos.
— Não, só estou analisando os fatos. – Disse desviando os olhos do Percy e encarando a grade.
— Claro. – Percy comentou e respirou fundo. – Que seja. Não podemos ser burros, provavelmente o baile vai estar com a segurança dobrada se colocarem a gente para trabalhar claro.
— Vão. – Disse e eu respirei fundo. – Pelo menos eu vou.
Ele sorriu leve e eu suspirei, tínhamos que fazer um plano.
POV- Nico
Entrei na sala e assim que fiquei sozinho com a loira ela começou a me atualizar.
— Os preparativos para o baile já estão quase finalizados, todas as passagens que pediu foram fechadas, os convites enviados e o salão foi feito como mandou. – Ela disse se recostando na mesa e cruzando os braços abaixo do seio. – Sua irmã e mãe foram bem tratadas como mandou, mais quatro dragões nasceram, tripliquei a nova guarda como mandou, apesar de já saber minha opinião sobre isso... – Ela disse com um tom repreendedor.
— E já sabe o que acho da sua opinião. – Disse caminhando até a janela.
— A carga como deve ter notado lá embaixo chegou hoje cedo, já começaram a reorganizar o armamento e distribuir os alimentos, também já informamos que as pessoas devem permanecer em casa durante o baile com janelas e portas trancadas até o sino do dia seguinte. – Me virei ficando de frente para ela que parecia levemente diferente. – Os escravos foram reorganizados devido a uma revolta no setor três, duzentas mortes, vamos realocar eles se não se importa, enquanto ainda não podemos reabastecer o estoque.
— Não. – Disse e ela franziu o cenho. – Coloque os corpos sem roupas no setor três pendurados, deixem que apodreçam durante alguns dias e deixe bem claro o porquê isso aconteceu aos sobreviventes.
Ela sorriu leve e assentiu continuando a me atualizar sobre as coisas.
— E também teve Ares, ele veio aqui te procurando, deixou bem claro que queria conversar apenas com você e que faria isso na hora do baile. – Disse ela e eu grunhi.
— Ótimo tudo que eu precisava era de um mercenário querendo conversar comigo. – Disse irritado e ela suspirou.
— Tem noção do que ele quer com você? – A loira perguntou e eu dei de ombros.
— Não faço ideia, vou descobrir na hora. – Disse e comecei a sair da sala.
— Aonde vai? – Annabeth questionou e eu suspirei.
— Resolver algumas coisas Annabeth, faça o que eu mandei sobre os corpos depois conversamos. – Disse saindo da sala e suspirando pesado indo em direção ao quarto da Bianca
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