Ice Heart
11 Matou o menino?
Notas iniciais
POV- Thalia
Fiquei olhando o dia inteiro para a parede. Sem o Percy na cela eu não tinha muito o que fazer, eu me limitava a ficar sentada ou andando pensando e quando se está na situação que eu me encontro talvez pensar só piore as coisas.
Eu não conhecia o atual local que me encontrava, tudo que eu vi apenas me fez querer desanimar mais com relação a tudo que eu conheço do mundo que por acaso é quase nulo. A escuridão era algo que eu tinha acostumado desde que cheguei aqui, apesar de muitas vezes tochas serem acessas para nós as vezes eles esqueciam de o fazer o que me fazia ficar arrepiada em pensar que eu não veria se alguém se aproximasse.
As luzes começaram a ser acessas e a transição dos guardas começou a diminuir devido a provavelmente eles tinham que cuidar de outros fatores no reino. O único barulho que tinha era de um choro, alguém estava em prantos o que não era novidade desde que eu cheguei aqui notei que várias pessoas acabam cedendo ao desespero, mas também notei que era burrice, porque eles matavam quem o fizesse, não gostavam de gente fresca ou que sentisse.
Era típico de qualquer reino, acho pelo menos se eu tivesse um reino que tivesse escravos trabalharia dessa forma, pessoas que não choram, não questionam e não pensam, não falar a mesma língua é outro fator inteligente, impede que pessoas discutam ideias, impede que se tenha um compartilhamento e acordos, o medo é outro fator importante desde que eles não interfiram no trabalho.
O choro foi interrompido por um grito e tudo se silenciou, passos surgiram e o barulho de algo sendo arrastado, não demorou muito para que o dono dos mesmos passasse em frente a minha cela, com um corpo sem vida sendo arrastado sujando o chão de sangue de mais um que não aguentou ser forte o suficiente.
Não sei quanto tempo fiquei em silêncio ali até que mais passos foram escutados, mas dessa vez não era culpa de um choro, muito menos de algo que alguém tivesse feito errado. Na frente da minha jaula Nico apareceu com as mãos no bolço, seus olhos negros pareciam ofuscar toda a luz que tinha ali e o local começou a ficar seco e quente como se ele roubasse tudo que eu tinha sido acostumada a ter desde que nasci.
— Levante-se. – Ele disse sério e foi o que eu fiz.
Caminhei até as grades e o encarei nos olhos como de costume, as grades de ferro começaram a se mexer, como se elas se desfizessem e era isso que acontecia, ela estava sendo derretida.
— Me acompanhe.- Ele disse e eu assenti.
Caminhei ao seu lado pelo corredor sem fim até que comecei a notar a semelhança com o que eu tinha passado a alguns dias, até que por fim paramos em uma porta de ferro preta, Nico levou a mão a maçaneta abrindo a porta.
— Nico? — Uma voz doce surgiu de dentro do quarto e uma menina morena muito parecia com ele surgiu.
A menina passou seus olhos pelo meu corpo como se estranhasse uma garota ali.
— Quem é ela? — A menina perguntou e Nico sorriu.
— Lembra que o pai te deu um violino devido a sua insistência? – O moreno perguntou e a garota assentiu.- Acho que já está na hora de aprender a toca-lo e ela vai te ensinar.
Olhei surpresa para o garoto que deu de ombros, a menina também parecia não acreditar no que ele dizia.
— Porque? — Perguntou ela e ele deu de ombros.
— Você anda muito entediada.- Ele disse e isso pareceu como se tudo se ligasse.
Pessoas entediadas pensam e pensar não é algo produtivo para ele.
— Tudo bem.- Ela disse desconfiada.- Obrigada Nico!
Ele assentiu e se virou para mim.
— Se tentar qualquer coisa sabe qual será seu destino.- Ele disse e eu assenti. – Volto mais tarde para te levar de volta para a cela.
Assenti novamente e vi ele sair em passos largos do quarto me deixando com a morena que não tinha a melhor cara.
POV- Nico
Encontrei com Leo e ele assentiu depois de eu ter deixado a menina no quarto da minha irmã. Claramente a minha irmã precisaria ficar ocupada com outras coisas já que com o Leo aqui ela poderia ter algum incentivo para sair.
— Então eu devo chegar em torno de uma semana com as coisas para ficar aqui.- Leo disse levando a mão ao bolço talvez ainda indeciso se fez a escolha certa.
Annabeth apareceu ensanguentada, seu rosto estava vermelho e seus olhos cinza estavam intensos, ela passou os olhos de mim para o Leo e novamente para mim.
— Matou o garoto?- Perguntei e ela bufou
— Não, ele continua vivo, mas agora sei de onde o conheço.- Ela disse ainda mais insatisfeita com isso.
— Posso saber de onde? — Perguntei e ela olhou para o Leo.
— Depois conversamos, vou tomar um banho.- Ela disse e eu assenti.
A loira saiu em passos pesados pelo corredor me deixando com Leo novamente que me olhou confuso.
— Vou ter que trabalhar com ela? — Perguntou tenso e eu ri fraco.
— Sim, Leo vai.- Disse e ele assentiu.
Levei-o até o lado de fora, afinal eu ainda teria que explicar como andar pelo castelo, pois se não conhecesse os macetes se perderia pelo labirinto mágico que eu havia criado com ajuda da Annabeth.
— Acha mesmo que sua irmã tentaria fugir comigo aqui? — Perguntou ele e eu assenti.
— Ela tinha uma quedinha por você quando éramos menores e eu acredito que ela ainda continue com esse sentimento.- Disse e ele assentiu abaixando a cabeça sem jeito.
— Mas me manter aqui seria bom não seria?
— Se considerar que você não poderia ficar com ela e ela teria você próximo o suficiente para te alcançar acho que seria um problema, pois a faria pensar demais e quem sabe conseguir fugir.
— Porque mantêm sua irmã e sua mãe presa?
— Porque as duas teriam cede de vingança longe daqui, como as vezes acredito que ainda tenham, mas ao longe eu não poderia contê-las, muito menos observá-las de perto.
— Faz sentido.
— Claro que faz.- Disse indicando que ele seguisse seu caminho.
— Volto em breve.- Leo disse com um sorriso no rosto.
Assenti e o vi partir. Virei-me e caminhei em passos lentos até o castelo, as pessoas do reino me reverenciavam, ou se escondiam a minha presença, duas crianças passaram correndo por mim rindo, era satisfatório ver o reino com vida, mesmo que não passasse muito tempo ali eu ainda era o rei e tinha que governar para o meu povo, nem que o medo fosse o caminho disso.
Entrei no meu quarto vendo Anne sair do banheiro com apenas uma toalha envolta do corpo pálido da garota, a mesma se sentou na cama assim que me viu ignorando o processo de se vestir.
— De onde o conhece?- Perguntei e ela respirou fundo.
— Da minha infância.- Ela disse e eu assenti.
Imaginava que tivesse sido dessa época, afinal eu estava com a loira desde que nos conhecemos.
— Quer me falar um pouco mais?- Perguntei e ela assentiu não muito contente.
— Ele era de uma família que trabalhava para minha mãe, ele era adotado por ciclopes e eu brincava com ele nas horas vagas dos estudos entre outras coisas, sem falar que ele também estudava comigo, cortesia da minha mãe, então ela decidiu que deveríamos nos casar e o ofereceu minha mão em casamento um pouco antes de eu fugir, porém já tinha organizado meu planos e ele os estragou mesmo sem saber, minha família deveria pensar que eu estava morta e não é isso que aconteceu.- Ela disse levantando e soltando a toalha que deslizou pelo seu corpo caindo no chão.
— Porque não o matou? – Perguntei me aproximando dela que ia até o armário.
— Não quero matá-lo agora.- Disse ela e eu assenti.- Se importaria se eu fosse fizer alguma missão fora do reino?
— Claro que não, consigo me virar.- Disse e ela me olhou como se duvidasse disso.
— Qualquer coisa é só me chamar ok?
— Annabeth você tem que parar de se preocupara tanto comigo.- Disse rindo fraco disso, sim quando éramos menores a loira tinha tido grande importância em me manter vivo, sei que não teria nada que tenho atualmente sem a ajuda dela, mas ela parou no tempo em alguns quesitos.
Ela respirou fundo e assentiu fechando os olhos, levei a mão a sua nuca e a puxei para um beijo que geraria bem mais coisa do que isso.
Fale com o autor