Ice Heart
12 Assassinos
Notas iniciais
POV- Thalia
Entrei na cela e encontrei Percy sentado no chão ele parecia irritado, caminhei até ele devagar, o moreno levantou a cabeça me encarando e sorriu de leve.
— Fiquei preocupada.- Disse e ele assentiu e indicou que eu sentasse ao seu lado.
Fiz o que ele disse e notei que o mesmo estava sujo de sangue seco, mas ele não tinha nenhum machucado e ele também estava sem blusa e pelo clima frio ele poderia ficar doente já que acreditava que o mesmo não estivesse acostumado.
Depois de alguns segundos em silêncio ele se levantou e caminhou até um canto da cela, me levantei e o segui vendo o puxar uma pedra que se localizava encostada a parede assim que ele fez isso eu consegui ver rabisco na mesma.
— Eu cheguei tem bastante tempo, isso foi o que eu vi saindo daqui me diga tudo que você viu, vamos traçar um mapa para conhecermos o local.- Percy disse deixando que uma garra da sua mão crescesse enquanto o mesmo se ajoelhava perto do desenho.
Detalhei cada curva, tocha, janela, rachadura que eu tinha visto, passo a passo, os detalhes vinham em minha mente como um soco na cara e eu os soltava para Percy como uma lufada de ar, ele não questionava nada, apenas desenhava com facilidade na pedra deixado apenas o som das minhas palavras com o arranhar de sua garra na parede dominar o local.
— Acabou? — Ele perguntou e eu assenti olhando o desenho.
Fiquei surpresa, tínhamos até bastante coisas desenhadas, mas também tinha a plena noção de que não sabíamos nem um terço do que existia nesse castelo. Ele se levantou e empurrou a pedra para seu devido lugar voltando sua garra para o tamanho de uma unha normal, ele me olhou e sorriu de leve.
Me sentei aonde pudesse ver o lado de fora da cela, estava tudo muito parado, quase ninguém passava de um lado para o outro, alguns cochichos eram possíveis de ser escutados de onde eu estava, conversas de pessoas deprimidas que haviam perdido tudo igual a mim e ao Percy, eu não precisava entender para saber que eles queriam vingança ou até mesmo a morte.
As pessoas não eram tão burras quanto acredito que eles achavam que éramos, o idioma diferenciado começara a se tornar o nosso, a conversa ia começando a se espalhar. Uma grade fora aberta e um grito escutado fazendo com que todas as celas se calassem, o corpo congelando com o ato repentino.
Percy me olhou me puxando rapidamente fazendo com que meu corpo quase voasse contra o seu, ele segurou minha mão e me manteve ao seu lado, outra grade aberta e outro grito, logo olhos em tonalidade vinho apareceram na frente da nossa grade, eles pareciam sugar toda luz do local e refletir novamente em forma de mortes e dor.
— Vocês são sortudos.- O dono dos olhos disse com desgosto era uma voz doce, feminina, logo como se para confirmar minhas suspeitas uma luz fraca apareceu e consegui ver a garota.
A mesma tinha o corpo perfeito, ela usava um microvestido que estava semicolado ao seu corpo devido ao sangue, seus cabelos tinham tonalidade negra e estavam com as pontas molhadas, porém ainda pareciam perfeitos e ela deveria ter a minha idade.
Ouvi uma risada masculina que arrepiou meu corpo inteiro, a risada rouca se aproximou e eu não precisava ver para saber quem era, o ar abafado entregava que Nico estava ali.
— Silena, vai para outras celas.- Nico disse encostando na grade da minha cela e olhando para mim e depois descendo o olhar para a minha mão entrelaçada com a de Percy.
— Sem graça, o sangue dela é O negativo.- Silena disse fazendo um bico e desencostando da grade, ela estava descalça e seus paços eram silenciosos, logo outra grade e outro grito.
O moreno desencostou da grade e seguiu a menina que deixava um rastro de sangue e mortes a cada cela a cada grito outra vida se foi.
Levei a mão ao rosto, a raiva vinha até mim tão rápido que não entendi como não explodi, Percy me abraçou ele também me entendia, aqueles monstros, assassinos eles não se importavam, queriam apenas sangue, poder, uma vida a menos a cada segundo para eles lhe eram lucros, menos um para competir em busca do poder máximo.
Respirei fundo algumas vezes deixando que a raiva se esvaísse de mim aos poucos até que por fim estava calma novamente, me separei devagar de Percy olhando ao redor, o silêncio imperava novamente, o moreno foi até a grade olhando ao redor sem encostar na mesma, um feitiço impedia que a grade fosse quebrada, já havíamos tentado.
Olhei o corredor imenso que se estendia nos dois lados e conseguia ver os soldados estranhos puxando os corpos das celas, arrastando-os para algum lugar. Olhei para Percy que tinha um ar preocupado a cada dia que passava, mais e mais pessoas morriam e as coisas ficavam mais tensas por aqui.
— Eu quero sair daqui.- Murmurei baixo olhando o teto da cela, fechei os olhos e deixei que meu corpo esfriasse, queria o gelo novamente, a brisa fria que vinha do mar não muito distante ou até mesmo o calor provido da pequena fogueira encantada.
— Como era? — A voz do Percy saiu baixa, porém audível.
— O que? — Perguntei olhando em seus olhos verdes intensos.
— Sua vida.- Ele disse e eu assenti.
— Não era tão diferente, eu era escrava do gelo, porém me aliava ao mesmo, eu podia circular por todo o reino desde que não me aproximasse dos portões e respeitasse os horários de trabalho e recolher, meu quarto ficava no topo e ele era quase inteiro de gelo, tirando a cama que era de ferro e o colchão que era de algo que nunca me falaram, passava a maior parte dos meus dias tocando violino quando eu podia fazer algo para mim eu ia para o lago congelado e ficava vendo as crianças nobres patinando.
— Parecia uma boa vida, mas nunca teve curiosidade de sair e ver o que tinha atrás do muro?
— Tinha, sempre tive essa curiosidade, talvez eu tivesse o feito.- Disse sorrindo de leve lembrando do mundo em que eu vivia. – Mas mesmo se eu não quisesse vou ser obrigada a isso, afinal ele foi queimado.
Um vulto negro surgiu em frente a nossa cela, meu corpo foi instantaneamente para trás.
— Silêncio.- O soldado negro disse, sua voz parecia sugar todas as minhas energias e era rouca e abafada ao mesmo tempo.
Ele saiu logo em seguida e eu me sentei no chão cansada, minha respiração era ofegante e eu parecia ter corrido por quilômetros sem parar, meu corpo soava frio, deitei meu corpo para trás colocando as mãos sobre as têmporas e tentando me concentrar em normalizar minha respiração até que finalmente consegui e olhei para Percy.
O garoto tinha o corpo tenso, estava sentado com as costas apoiada na parede, seus olhos estavam fechados e ele respirava pela boca, porém devagar fechei os olhos e o meu corpo implorava por descanso me levando a adormecer.
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