Ice Heart
7 Feliz
Notas iniciais
POV- Nico
Me vesti normalmente e fui para a sala e lá estava Annabeth como de costume, sentada em uma cadeira com uns papeis sobre a mesa, analisando-os. Fui até ela e apoie meu corpo contra a cadeira para poder olhar os papeis, a caligrafia confusa de Luke dominava-os, eram relatórios dos avanços dele e com uma lista de nomes.
— Quer que eu os mate? — Annabeth perguntou entregando a lista, ali tinha quem ele havia conseguido convencer a participar de seus planos e quem ainda não tinha.
— Sim, mate todos.- Disse e ela assentiu se levantando.
— Separei a roupa para a garota, pode mandar alguém levar para o quarto em que você a tacou.- Annabeth disse e eu assenti achando engraçado o modo que ela falava.
— Eu sei o que eu faço Anne, não precisa me tratar como se eu não soubesse. – Disse sério desencostando da cadeira para encará-la de melhor modo.
— Eu sei que sabe Nico, mas eu te conheço e me preocupo tanto quanto você com a nação que construiu, então sim vou me intrometer até ter certeza que não vai fazer besteira. – Ela disse e eu revirei os olhos o que a fez fazer o mesmo.
Annabeth pediu licença e saiu da sala indo fazer seu trabalho, caminhei até a janela que eu normalmente ficava olhando para refletir. A sala era bem parecida com a “portátil” que eu levava para recrutamento, a única coisa que mudava era a vista, sempre diferente.
Agora eu via o reino, tanto as fronteiras da vila quanto o que eu tinha dominado ao meu redor, a vila não estava muito movimentada a essa hora da noite, a lua cheia iluminava o ambiente junto com alguns lampiões, alguns poucos moradores andavam pela estrada que eu conseguia ver, sem ser do exército claro.
Eu precisava achar outro comandante, outro para que eu pudesse “confiar” que faria um trabalho bom e que seria um mínimo problema.
Comecei a caminhar indo em direção ao quarto da minha família, assim que entrei vi minha mãe com a típica cara de choro, no início eu me importava com isso, sabia que toda vez que ela me via ela sentia desgosto, sentia ódio pelo simples fato de eu ter matado meu pai e sei que ela queria estar morta também.
Bianca sorriu em me ver, sabia que mesmo depois de tudo ela ainda me amava, o que era estranho, pois não sabia muito bem o que esse sentimento queria dizer, eu não as matava porque elas não eram nenhum problema, mas o faria se necessário.
— Quanto tempo Nico.- Bianca disse vindo até mim e me abraçando.
Ela estava pálida e magra demais, provavelmente não se alimentava direito, mesmo eu mandando comida para ela e minha mãe quase todos os dias, eu tentava me lembrar dessa tarefa, mas com um reino eu tinha outras preocupações.
— Como se sente? — Perguntei e ela respirou fundo.
— Normal.- Ela disse e eu sorri de leve, esperar um “bem” era demais.
— Mãe? — Perguntei e ela deu de ombros e vi uma lágrima escorrer de seu rosto.
— Não ligue Nico, como anda as coisas pelo reino? — Perguntou Bianca tirando atenção da mãe, acho que ela tem medo que eu me irrite.
— Tive que me livrar de um comandante, ele era um traidor, as pessoas sempre querem mais poder.- Disse me sentando na cama e Bianca se sentou ao meu lado.
— Entendo, eu realmente espero que encontre outro rápido. – Bianca disse e eu dei de ombros.
— Estou pensando em quem eu possa chamar, estava pensando no Leo, ele tem poderes bem semelhantes aos meus, seria mais útil que o Castellan com certeza.
— Leo...- Bianca disse fraco, ela ainda gostava dele.
— Ainda sente algo por ele, não é? — Perguntei e ela negou rápido.
— Acho que seria útil, por ele ser resistente ao fogo assim como você e vocês já foram bem amigos, não é? — Perguntou ela e eu assenti.
— Antes de Hades me expulsar por ser fraco, sim éramos bem amigos, o grande problema seria achá-lo, mas acho que posso levar uma expedição para procurá-lo, achar um garoto com dons de mecânica e fogo não vai ser difícil.- Disse e ela assentiu.
— Nico eu sei que eu não deveria te pedir nada, mas...- Ela disse constrangida e eu a olhei.- Eu sinto falta...
Respirei fundo e puxei sua mão tirando a pulseira, uma invenção de um amigo meu, Hefesto pai do Leo.
Bianca tinha a manchas roxas na pele por ser muito apertada, deixei que o fogo pulsasse pelo meu corpo e direcionei para a minha mão, ela apertou e riu feliz com a energia, tirar o poder dela com certeza foi algo horrível, para ela claro, mas útil a mim, ela fugiria ou causaria um desastre e eu não podia arriscar.
Sua pele se iluminou e ela sorria alegre, ela mesmo formou o fogo em sua outra mão, então a soltei e coloquei sua pulseira, ela parecia mais viva do que antes, olhei para minha mãe que olhava triste.
Minha mãe não tinha os mesmos poderes que eu e a Bianca, ela controlava o vento, ela demorou bastante tempo para reaprender a respirar depois que eu “tirei” seus poderes, claro que sem a pulseira e com um pouco de prática elas os teriam de volta, mas eu não podia fazer isso.
Me levantei e olhei a Bianca que ainda sorria e isso me deu uma sensação estranha, ela sorriu para mim e voltou a olhar seu pulso que agora tinha a pulseira novamente e ela tinha perdido novamente e seu sorriso sumiu.
— Obrigada.- Ela disse fraco e eu assenti.
— Vou mandar trazer comida para vocês.- Disse e sai do quarto trancando a porta novamente.
Preciso de ar. Era estranho olhar para a minha família, eu tinha destruído eles, mas eles ainda estavam vivos, ainda sentiam e tudo mais. Comecei a caminhar pelo castelo em busca de uma varanda, ou algum lugar que eu pudesse entrar, achei uma pequena varanda, nada muito grande, mas o suficiente para mim.
Fechei meus olhos e deixei que o vento batesse contra o meu rosto, as vezes acho que eu tenho alguma parte dos poderes da minha mãe, mesmo que mínima, eu ainda acredito que sim.
Não sei quanto tempo fiquei em silêncio, com os olhos fechado, mas uma melodia suave invadiu meus ouvidos me fazendo abrir os olhos. O som estava baixo, porém auditivo. Sai da varanda e comecei a procurar o som e logo encontrei o quarto de onde ele vinha, era o quarto da garota. Abri a porta e lá estava ela, seus olhos fechados sentindo a música, seu corpo se movia de acordo com a melodia e seus dedos já pareciam ter decorado cada corda e cada lugar aonde ela deveria tocar, ela colocava tanto sentimento que era impressionante como ela parecia feliz em dedilhar um simples instrumento.
Fechei a porta atrás de mim e me aproximei mais dela, ela não tinha notado minha presença, fiquei observando seus movimentos que claramente tinham prática, porém no final da música ela girou esbarrando em uma caixa no chão a fazendo cair e por impulso a segurei.
Ela olhou surpresa, seus olhos azuis elétricos estavam assustados assim como seu coração que batia forte contra o meu corpo, sua boca se abriu algumas vezes e fechou em seguida, ela estava completamente sem reação e sem saber o que fazer.
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