Ice Heart
8 Você tem que aprender a se defender
Notas iniciais
POV- Thalia
Meu corpo não entrou em contato com o chão, alguém me segurou antes que eu caísse. Olhei para cima e meu coração disparou de medo, eu tenho quase certeza que não deveria ter mexido nas caixas, porém eu não esperava ser pega.
— Desculpe, eu sei que não deveria mexer nas caixas, mas eu não estava com nada para fazer e estava sem sono e elas estavam ali, eu realmente não tinha intensão, me desculpe mesmo eu realmente...- Um tapa forte veio contra o meu rosto me fazendo calar a boca.
— Obrigado.- Ele disse pegando o violino da minha mão e o colocando em cima da caixa, assim como o arco.
Me dando a possibilidade de me ajeitar sem que eu caísse no chão.
Eu o olhava assustada, esperando qualquer reação dele, ele caminhou e se sentou na cama em silêncio apenas me observando, ele apoiou seu cotovelo em suas pernas cruzando as mãos, seus olhos negros estavam fixos em mim e eu começava a sentir o calor novamente, sua presença trazia algo quente, um raio tocou ao chão nas proximidades fazendo um barulho alto demais me assustando mais do que antes, a chuva começou a cair batendo contra a parede tentando competir com o calor do cômodo e servindo apenas para me deixar mais tensa.
Seus olhos vagaram de mim para o violino e para mim novamente, minhas mãos tremiam, mas a estiquei até o instrumento o pegando, ele nada disse então continuei o movimento o posicionando sobre meu ombro e pegando o arco e o levando até a corda, respirei fundo e fechei os olhos tentando esquecer o indivíduo que me olhava e que sei que me mataria sem problemas.
Deixei que meus dedos seguissem seu caminho sozinho, tão conhecido e aos poucos meu corpo foi relaxando para a naturalidade, a melodia já conhecida de horas treinando e até mesmo tocando para quem quisesse ouvir em troca de não fazer trabalhos tão pesados quanto a maioria.
Abri os olhos sem para de tocar e o encarei, e deixei que a raiva transbordasse pelo meu corpo até a melodia, me lembrando da curiosidade que eu tinha pelo mundo exterior e agora de como eu queria voltar para meu cubículo de gelo, para minha rotina de trabalho e da minha vida de quão melhor ela era antes daquele ser que agora me encarava, sustentando meu olhar assim como eu o dele tirou tudo de mim, tudo que um dia eu conheci e acredite ser possível, ele não só destruiu meu idioma, minha “família”, meu “trabalho”, meu lar sei que ele destruiu quem eu sou e sei que precisarei mudar principalmente se quero permanecer viva nesse mundo que ele é o rei.
Assim que a música acabou deixei que o meu braço pousasse ao lado do meu corpo e mantive olhando-o, ele se levantou e andou até mim parando em minha frente.
— Você toca bem.- Ele disse simplesmente e passou por mim, deixando-me sozinha novamente apenas com o barulho da chuva.
Sentei na cama e comecei a sentir um certo cansaço, meu corpo estava tenso e o calor que eu sentia não estava mais presente. Coloquei o violino com cuidado no chão em um canto sem perigo dele ser quebrado e me deitei na cama, encarando o teto até que meus olhos começaram a pesar e eu adormeci.
...
A porta foi aberta com um certo nível de brutalidade e a loira, Annabeth se não me engano, entrou com a roupa na mão, ela tacou a roupa para mim e ela tinha uma cara emburrada e eu sabia que não deveria irrita-la.
Coloquei a roupa que ela me deu o mais rápido possível e ela indicou que eu a seguisse, andei ao seu lado o tempo todo e ela não se deu o trabalho de me olhar direito, nem de encostar em mim, apenas ficou em silêncio o tempo todo.
Não era a mesma cela, era um lugar diferente e isso me deixou meio que nervosa, ela bateu em uma grade e a mesma se abriu e logo vi o Percy lá dentro. Ela me empurrou para dentro da cela e a mesma se fechou atrás de mim.
Olhei para o Percy que aparentava estar preocupado comigo. A garota foi embora depois de mandar um olhar mortal ao Percy que veio até mim.
— Fiquei preocupado, todos voltaram para a cela menos você e um outro cara, pensei que tinham feito algo com você.- Ele disse me puxando para sentar no chão, já que além das grades e a parede ele era a única coisa que tinha ali.
— E um cara tentou, mas me salvaram no último minuto. – Disse e ele assentiu.
— Você tem que aprender a se defender.- Ele falou e eu o olhei surpresa
— E como eu vou aprender isso? — Perguntei e ele deu de ombros.
— Obviamente eu vou te ensinar ou acha que vai ser em passe de mágica? — Perguntou ele se levantando e indicando que eu me levantasse também.
— Como pretende me ensinar? — Perguntei ele veio até mim me puxando para cima.
— Claro que não vai ser de uma hora para outra, mas vou te ajudar o máximo possível.
Ele indicou que eu fizesse a posição de defesa, ele analisou a mesma e veio mais para próximo de mim.
— Não é assim.- Ele disse levando a mão em minha cintura ajeitando meu corpo, ele subiu a mão da minha cintura até meus braços o ajeitando.- Nunca abaixe a guarda.
Ele disse muito próximo de mim, fazendo com que meu corpo se arrepiasse, ele me encarava com aqueles olhos verdes intensos e veio para a minha frente e me atacou me fazendo cair de bunda para trás por não esperar o ato.
— Tente prever os movimentos do outro.- Ele disse caminhando e estendendo a mão para mim.- O modo que a pessoa para, indica os possíveis movimentos que ele pode fazer.
— E como eu vou fazer isso? — Perguntei agora já de pé.
— Com muito treino e decorando todos os movimentos possíveis. – Ele disse se colocando em posição de ataque novamente.
Coloquei-me novamente em posição de defesa e ele fez o mesmo movimento, me fazendo tropeçar para trás, porém continuei em pé. Ele me atacou novamente e eu fui atingida na barriga o que me irritou, ele me olhava com um olhar de desafio.
Senti uma onda de poder me dominar e meu corpo não raciocinava por si próprio, ele fazia movimentos aparentemente treinados e eu sentia como se eu estivesse tocando violino, mas agora eu era o instrumento e a música tomava conta do meu ser.
— Thalia!- Percy falou alto e isso meio que me acordou.
Ele estava preso contra a parede seus olhos verdes estavam arregalados em choque e ele riu relaxando um pouco.
— Acho que parece que você vai ter que me ensinar algumas coisas.
...
Mesmo que aparentemente eu saiba lutar eu não entendia como a energia tinha fluído do meu corpo e ela tinha sido forte o suficiente para vencer o Percy; tentei novamente algumas vezes porém nada resultava ao que tinha gerado antes.
Percy era bom lutador e até o momento a pessoa mais próxima que eu tinha naquele lugar, mesmo que eu não o conhecesse muito. Nos sentamos no chão um ao lado do outro e me apoiei em seu corpo deixando minha cabeça descansar em seu ombro, mesmo que eu não tenha intimidade para isso eu não pensei em muito apenas o fiz e ele não reclamou.
— Me fala mais sobre a sua vida antes daqui.- Pedi e ele assentiu.
— Eu não sei muito o que dizer, o que quer saber?
— Você era casado não era? — Perguntei a ele e o mesmo assentiu.
— Sim, não a muito tempo, mas o bastante acho.
— Qual era o nome dela? — Perguntei realmente curiosa sobre a vida dele, talvez uma esperança de uma vida boa seja o que eu preciso nesse momento.
— Rachel E. Dare.- Ele respondeu
— Como ela morreu? — Perguntei me arrependendo depois, eu nunca tinha conversado muito com alguém, aprendi o idioma por cortesia e facilidade no aprendizado e porque precisava entender o que os meus donos me falavam, mas sabia que aquilo não era educado.
— Um daqueles guerreiros das sombras a matou, ela morreu no meu colo e era aonde ela estava quando me encontraram.- Ele disse abaixando a cabeça e um pouco fraco.
Levei a minha mão a sua e a apertei com força, sabia que isso não era muito, mas era o melhor que eu podia lhe oferecer. Ele sorriu apertando minha mão de volta.
— Vamos sair daqui nós dois.- Ele disse sério. – Nem que para isso tenhamos que destruir o que aquele Nico chama de reino.
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