Ice Heart

14 Eu te fiz uma pergunta


Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem? Espero que gostem Boa leitura!

POV- Thalia

Di Ângelo estava parado, recostado no arco da porta me observando em silêncio, até que por quando notei sua presença ali sua voz invadiu meus ouvidos.

— Não tem medo de morrer? – Ele perguntou caminhando devagar até a sua cama se sentando de frente para mim.

— Porque pergunta isso? – Perguntei o encarando levando com cautela mais uma colherada a boca.

Seus olhos seguiram meu movimento e ele apoiou os cotovelos na perna cruzando as mãos e se inclinando para frente observando-me como um caçador observa a presa.

— Quem lhe garantiu que essa comida não possuía veneno? E quem disse que ela era para você? – Ele perguntou olhando novamente enquanto colocava mais uma colherada na boca.

Dei de ombros e analisei a comida que já estava no final, a probabilidade de que ele estivesse apenas me colocando medo era bem menor do que realmente ter algo que pudesse me matar naquele pequeno pote. Por algum motivo eu continuava achando aquela comida deliciosa, queria levar mais uma colherada a boca e foi isso que eu fiz.

Ele riu debochado e eu dei de ombros.

— Já comi grande parte, se era sua não acredito que vá querer esse resto e se tinha veneno já ingeri o suficiente para me matar, o que adianta desperdiçar o resto? – Perguntei e ele olhou novamente para o pote com um sorriso divertido.

— Interessante...- Ele murmurou baixo e se levantou caminhando até o armário o abrindo, tirando uma chave velha e se abaixando destrancando a algema.- Anda.

— O que é interessante? – Perguntei me levantando e logo em seguida levando mais uma colherada a boca.

Ele deu um passo ficando mais perto de mim novamente, ele tinha um perfume suave e bom que se impregnava no meu nariz.

— Você foi a primeira que comeu. – Ele disse me fazendo olhar para cima encarando seus olhos negros.

— Isso é bom? – Perguntei confusa e sentindo um frio na barriga, mesmo com a proximidade dele.

— Me diz você. – Ele pegou um pedaço de carne o colocando na boca e começando a andar e ele não precisou mandar que eu seguisse.

Caminhei apressada atrás do garoto que andava rápido por sua natureza e isso me lembrou de algo.

— Não deveria andar tão rápido está ferido. – Lembrei-o e ele parou se virando irritado.

— Não me diga o que fazer. – Ele disse e meu corpo gelou.

— Só estou preocupada, desculpe. – Disse abaixando a cabeça... porque estou preocupada com ele? Se ele morresse seria bom para mim.

Ouvi ele rindo e o moreno voltou a andar, mas também notei que ele tinha seguido meu conselho e reduzido o passo. Terminei de comer o que tinha enquanto andávamos, ele seguia exatamente o mesmo caminho que tínhamos feito para ir até a sala dele, passando inclusive para o quarto da irmã.

— Sua mãe estava passando mal. – Comentei e ele deu de ombros.

— Não me importo. – Ele disse continuando a andar- Deixe o pote em qualquer lugar alguém vai limpar.

Fiz o que ele mandou largando o pote em cima de um apoio para uma estátua de pedra que ali tinha.

— Ela se culpa pelo que você se tornou. – Disse e ele se virou mais rápido do que eu consegui raciocinar o que me fez trombar com o seu corpo.

— E o que eu me tornei? – Perguntou ele me segurando perto do seu corpo.

Suas mãos estavam na minha cintura, seu rosto a centímetros do meu o que me fez engolir em seco, meu corpo foi girado e preso contra a parede com brutalidade; um gemido de dor escapou da minha boca e eu fechei os olhos com força, senti sua respiração em meu pescoço, seu corpo estava totalmente colado ao meu.

— Eu te fiz uma pergunta. – Ele disse com a voz rouca fazendo meu corpo se arrepiar por inteiro.

— Um assassino...- Disse fraco, me forçando a abrir os olhos. – Alguém que só se importa com poder e com si próprio. – Suas orbes negras me fitavam, umas de suas mãos soltaram a minha cintura e foram para cima da minha cabeça encostando-a na parede e apoiou sua cabeça ali juntando nossos corpos mais do que antes.

— Continue.- Ele ordenou simplesmente. – Fala tudo que você quer falar.

— Você é um monstro, destrói tudo por prazer e diversão, acha que pode fazer o que quiser com os outros porque eles são seus bonequinhos. – Disse irritada deixando o ódio transparecer na minha voz, ele tinha um olhar divertido como se aquilo fosse engraçado. – VOCÊ NÃO SE IMPORTA COM NADA, É UM SER QUE FAZ O QUE QUISER QUANDO BEM ENTENDER, VOCÊ QUERIA VINGANÇA DO QUE SEU PAI TE FEZ, APOSTO QUE JÁ O CHAMOU DE MONSTRO DIVERSAS VEZES, MAS NÃO NOTA QUE VOCÊ É IGUAL A ELE, TALVEZ ATÉ PIOR.

Meu corpo voou longe, bati contra uma estátua que se quebrou caindo em cima de mim, a temperatura havia subido cerca de dez graus, mas o ambiente estava úmido, vapor se formava no ar, a parede escorria água, como se em um conflito de poder, já que o chão tinha labaredas de fogo que se espalhavam pelo tapete.

Levantei-me e limpei o sangue que escorria da minha boca e o olhei irritado, seus olhos estavam vermelhos e ele caminhava com calma até mim.

— Não queria a verdade, foi isso que eu te dei... – Disse e o vi grunhir, no lugar de seus dentes normais tinham duas presas.

Meu pé foi puxado pelo fogo que rastejava pelo chão em busca de seu alvo. Senti minha pele queimar e um grunhido de dor escapou da minha boca, ele estava perto de mim agora, seu corpo fervia de raiva e eu quase conseguia sentir minha pele querendo soltar do meu corpo.

Eu iria morrer, mas iria lutar pela minha vida.

Ele levantou meu corpo com facilidade de quem pega uma pena e me jogou contra a parede de novo, senti o ar me faltar devido a pancada. A raiva dentro de mim só aumentou ao ver o sorriso vitorioso em seu rosto.

Meus olhos lacrimejaram dificultando que eu visse o que realmente acontecia, pulei em sua direção e ele desviou com facilidade do movimento, socando a boca do meu estomago com força.

Com uma mão ele segurou meu queixo me fazendo olha-lo.

— Tem razão! — Ele falou –Eu sou um monstro, eu não me importo com nada além de mim mesmo, a única coisa que eu quero é poder, já matei mais pessoas do que você consegue contar e não que você tenha tempo para isso, pois será a próxima.

Um grito de dor escapou da minha garganta e eu conseguia sentir o fogo envolvendo meu corpo, me queimando, me sufocando, me matando.

POV- Nico

Soltei-a e me afastei vendo seu corpo cair no chão, se contorcendo enquanto o fogo queimava seu corpo lentamente. Talvez se ela ficasse mais calada eu a mantivesse viva, talvez se ela não fosse tão imprudente, idiota eu deixaria ela morrer trabalhando assim como a maioria dos meus escravos.

—...VOCÊ QUERIA VINGANÇA DO QUE SEU PAI TE FEZ, APOSTO QUE JÁ O CHAMOU DE MONSTRO DIVERSAS VEZES, MAS NÃO NOTA QUE VOCÊ É IGUAL A ELE, TALVEZ ATÉ PIOR.

A voz da garota ecoava na minha mente o que me fazia querer cada vez mais matá-la. Olhei novamente para ela e sua boca estava fechada e ela se esforçava para respirar, me surpreendi com isso, a maioria está ou morto ou gritando aos prantos nesse momento.

Franzi o cenho ao observa-la, ela não estava morrendo, além da sua roupa que queimava nada mais repetia o ato, seu corpo estava intacto. Me aproximei da garota me abaixando perto dela que abriu os olhos me encarando.

Suas orbes brilhavam na tonalidade branca, seu corpo estava soando como se ela simplesmente estivesse com calor. Deixei que o fogo apagasse e a puxei pelo braço a sentando contra a parede, ela me olhou cansada, não tinha forças nem para sustentar o próprio corpo, mas estava viva.

— Você não ia me matar? – Ela perguntou fraco e por algum motivo eu sorri.

— Está reclamando? – Disse me levantando e a pegando no colo.

A garota se ajeitou no meu colo, se encolhendo, ela tremia e sabia que quanto mais próxima de mim mais calor ficaria.

— Curiosidade. – Ela disse fraco fechando os olhos e apagando.

Notas finais
O que acharam? O que querem que aconteça? Beijos e até!!