Ice Heart
15 Eu estou no inferno
Notas iniciais
POV- Thalia
Sentei em busca de ar e senti meus olhos arderem devido a claridade. Levei as duas mãos ao rosto sentindo uma grande dor de cabeça, mas o barulho de correntes chamou minha atenção e as lembranças da luta, ou espancamento, me veio em mente.
Tirei as mãos do rosto e pisquei tentando me acostumar com a claridade, estava naquele quarto novamente, meu braço estava acorrentado ao chão e eu estava deitada na cama, nua.
Puxei a coberta tampando meu corpo, olhei ao redor e foi então que notei um detalhe que tinha passado despercebido por mim antes, as paredes e as portas do guarda-roupas estavam escritos nomes, algumas escrituras pareciam mais antigas, outras pareciam novas.
Uma cadeira estava ao lado da cama e em cima da mesma continha um copo de água e um pão. Respirei fundo e me estiquei pegando a água e bebendo devagar, não estava com fome.
O líquido desceu lentamente pela minha garganta como se estivesse rasgando-a.
Ouvi um barulho de água caindo que chamou minha atenção e foi quando notei que a porta do banheiro estava entreaberta e que uma luz escapava dali de dentro. Meu coração disparou, se ele estava ali poderia ser minha chance, eu poderia tentar fugir.
Comecei a ir para o canto da cama com calma, tentando fazer o mínimo de barulho possível, assim que meu pé tocou no chão um grito escapou da minha boca ao ver uma adaga passar em frente ao meu rosto cravando na parede.
Olhei na direção que a arma branca tinha vindo e Di Ângelo estava em pé na porta, encostado no arco, a toalha preta envolta em seu quadril, a água escorrendo fazendo o percurso do seu corpo; seu ferimento do que eu supunha ser o dia anterior estava quase inexistente e aparentemente ele tinha retirado os pontos, mas ele não precisava mais, o ferimento estava fechado, era apenas uma cicatriz que eu suspeitava que sumiria em pouco tempo.
— Volta! — Ele ordenou e eu comecei a recuar para cama, subindo minhas pernas e me encolhendo puxando a coberta para cobrir meu corpo.- Já vi tudo que tinha que ver, não precisa se preocupar em esconder. – O moreno falou analisando meu corpo e caminhando até o guarda-roupa o abrindo.
Armas, caixas, papeis, mapas estavam guardados ali, claro não esquecendo de roupas. Ele tirou a toalha do corpo a jogando de qualquer jeito no chão o que me fez engolir em seco, ele começou a procurar uma roupa sem presa, como se tivesse todo tempo do mundo. Quando se tem o mundo é fácil pensar assim.
— Porque...?
— Está viva? – O moreno me cortou se virando para mim ainda sem roupa o que me fez desviar o olhar por impulso. – O que foi? Algo novo para você? – Ele riu do meu impulso – Bem, voltando a sua pergunta, eu estava ali, vendo sua morte, você queimando aos poucos e eu pensei, ela tem sido útil e esse desaforo apesar de irritante ainda não supera o que é mais necessário...
— Suprir sua curiosidade? – Perguntei o encarando e ele riu.
— Curiosidade, essa palavra está ficando enjoativa não acha?
— E como o psicótico senhor Di Ângelo pretende chamar esse sentimento? Adoraria aprender a nova palavra. – Disse irônica e ele riu.
— Sarcasmo, a muito tempo não falam comigo assim.
— Sarcasmo, isso já existe, trabalhe mais sua criatividade, estava pensando em algo como laratata. – Disse sorrindo e o vi grunhir.
— Você definitivamente não tem medo do perigo. – Disse ele colocando a cueca agora escolhida.
—Você destruiu minha vida, me aprisionou, eu vi mortes, garotas sendo abusadas, espancamentos, você me queimou viva, EU ESTOU NO INFERNO!- Gritei e ele sorriu.- Porque teria medo?
— Querida eu estou sendo gentil com você, o inferno só está começando.- Ele sorriu para mim e virou novamente para o guarda-roupa voltando a sua busca.
***
Prendi um grito na garganta, o olhando sorrir.
— O que sente? – Ele perguntou se aproximando de mim.
Meu corpo estava acorrentado em uma mesa de ferro, correntes metálicas prendiam me ali, meu corpo nu estava sendo queimado, cortado, torturado.
— A quem sabe... DOR!- Gritei e ele riu.
— Entendo, também sinto dor, não com frequência, mas acredite Annabeth tem garras enormes, quando ela se empolga aquilo doí.
— Sinto muito pela sua vida sexual violenta, mas eu não me importo. – Disse irritada e ele riu.
— Tudo bem, chata! — Ele disse pegando um bastão preto.
— Sabe, atualmente não fazem mais equipamentos de tortura como antigamente, me lembro a primeira vez que meu pai me mostrou algo além dos livros e filmes que eu lia e via, algo real...
— Vocês saíram em uma tortura juntos, animador...
— Eu tinha cinco anos, ele abriu um buraco na minha barriga e prendeu com anzol de pesca cada lado a uma cadeira, usando uma linha com veneno para que cortasse minha pele e meu corpo ignorasse o ferimento antigo, assim ficaria aberto mais tempo, isso porque eu chorei porque cai do segundo andar.- Ele disse voltando até mim e colocando o bastão na mesa.
— Você pelo menos teve um pai.- Disse sorrindo e ele revirou os olhos.
— Frase de qualquer um que não sabe como é o MEU pai, ou melhor era, eu cortei a cabeça dele, é bem tedioso fazer isso, mas sabia que o cérebro continua funcionando, dependendo da quantidade de poder que você tenha, por dias, anos, séculos e se você aproximar muito a cabeça do corpo ela pode se curar.
— Como sabe disso? – Perguntei pasma.
— Bom, meu pai, ainda está vivo, as vezes eu quero ver ele sofrer de novo então sempre que ele está quase morto, junto ao corpo da cabeça e deixo ele se curar e PA – Ele disse batendo na mesa.- Corto de novo...
— Belo plano em família, porque não chama todos para assistir.
— Não, é doentio. – Ele disse e eu ri.
— Fico feliz que saiba disso. – Disse e ele deu de ombros.
— E sabe não estrategicamente bom para mim.- Ele disse apertando um botão no bastão, linhas azuis começaram a percorrer por todo ele. – Sabe, os meus soldados, eles precisam de alguém do meu sangue para se manterem vivo, logo apenas eu, minha irmã- Ele colocou o bastão na minha barriga.
A dor percorreu meu corpo e por mais que tentasse o grito escapou dos meus lábios o fazendo rir, tentei me contorcer, fugir, qualquer coisa, mas estava presa ali.
— Sabia que é falta de educação interromper as pessoas? – Ele perguntou desencostando o bastão.
— Desculpe, estava apenas gritando de dor, foi mal prossiga.- Disse fraco tentando normalizar minha respiração e ele sorriu.
— Tudo bem... Como eu dizia: e meu pai, logo imagina se algum inimigo em potencial descobre que...
— Seu pai está vivo.- Disse pasma olhando para o teto, o pai dele era a nossa melhor oportunidade, curar o pai dele.
— Vejo a ideia surgir em suas mentes, acha mesmo que ele estaria ao alcance de todos assim, ninguém além de mim sabe como chegar ou descobrir aonde ele está, sem escrituras, mapas ou o simples falar para uma pessoa, paredes tem ouvidos e acredite eu estou em todos os lugares. – Ele disse sorrindo e olhando para mim.
— Jura? – Perguntei com um sorriso sarcástico.
— Claro, eu garanto, apesar de você não acreditar provavelmente, a segurança do meu povo, então eu sei quando meus brinquedinhos estão tramando algo, imagina a cara do seu amigo quando ele receber uma visitinha muito querida da amiga de infância dele.
Nico riu e colocou o bastão em mim novamente.
Fale com o autor