Ice Heart
3 Escolha arriscada
Notas iniciais
POV- Thalia
Estava sentada na cama quando ouvi as celas sendo aberta, olhei para a porta da minha e alguns minutos depois o loiro que tinha trago a roupa e a comida de hoje cedo entrou com um papel na mão, ele tacou o mesmo no chão após uma rápida olhada e a cela se fechou atrás dele.
— Você fica.- Ele disse para mim e indicando que eu ficasse na cama.
Ele caminhou até a ruiva que chegou para trás na cama com medo, ele a puxou pelo cabelo fazendo ela começar a gritar e a se debater, ela ficou de joelho e ele cortou seu pescoço em um único movimento e o sangue começou a jorrar dele e ela caiu sem vida no chão.
Em passos firmes o assassino em minha frente caminhou em minha direção, seus olhos foram de encontro ao meu, sabia que deveria estar com um olhar de pânico, pois era assim que eu estava, porém me controlei, não gritei, não chorei, não me mexi.
Ele colocou a mão em meu braço e me puxou forçando-me a ficar de pé, me empurrando com um pouco de força até a grade que logo foi aberta e um saco foi colocado em minha cabeça.
Fui guiada por curvas e mais curvas por minutos, horas, não sei, apenas me pararam e eu consegui sentir uma respiração próxima a mim, sabia que também não era a única das celas que tinha sido retirada e sabia que não era a única que tinha sido mantida viva.
O saco foi puxado na minha cabeça e o garoto moreno que tinha falado que era meu dono estava parado na minha frente, ele tinha um sorriso divertido no rosto e ele me analisava, provavelmente esperando que eu tivesse alguma reação.
Devolvi seu olhar, provavelmente uma escolha arriscada, mas era a que eu conseguia pensar em fazer, eu queria entender como ele tinha destruído tudo que eu conhecia e provavelmente o meu mundo não foi o primeiro, pois todos que estão ao meu redor são diferentes e falavam línguas que eu não entendia.
Eu era uma das poucas mulheres ali, provavelmente ele estava analisando se valia a pena me levar, homens são preferidos para o trabalho escravo, pelo fato deles conseguirem fazer trabalhos mais pesados, ou até mesmo por aceitarem mais as coisas, mulheres sempre deram mais trabalho em relação a isso.
— Não tem medo? — Ele perguntou com um tom de curiosidade na voz.
— Não.- Disse fitando o fundo dos seus olhos negros.
— Porque? — Ele perguntou me analisando mais ainda, parecia observar minha alma.
— Do que isso adiantaria? — Perguntei e ele riu leve.
Ele virou e falou com alguém em um idioma que eu não conhecia, o saco voltou para a minha cabeça e ouvi seus passos se afastando, estava viva, agora teria que permanecer assim até por fim poder fugir, sair do meio de todos eles, e poder seguir em frente de alguma forma.
POV- Nico
Coloquei todos eles no caixote de transporte, os cavalos bebiam o sangue dos mortos, fui até meu cavalo, um animal de osso e fogo, presas e carnívoro, entrei no veículo que ele puxava, o me ajeitei no banco, quando Annabeth parou na porta.
— Porque não arrancou a língua daquela garota hoje cedo?
— Porque não poderia ouvir os gritos de pavor dela direito sem a língua.- Disse a encarando e ela riu e revirou os olhos.
— Não alimente a confiança dela, poderá ser um problema.
— A matamos assim que ela pensar se tornar um.- Disse e Anne assentiu colocando suas asas para fora e tomando o céu guiando-nos até o castelo, o meu castelo.
Deixei meus pensamentos viajarem assim como o meu corpo, a lembrança logo veio em mente, meu pai de joelho a minha frente, implorando pela vida, implorando para que eu não o fizesse.
— Por favor Nico! Me escute, você não é assim.
— Deveria ter pensado nisso antes de jogar na rua, mas te agradeço por isso.- Levantei a espada e cortei a cabeça dele, a mesma rolou escadaria abaixo caindo para o lado oposto do corpo.
Olhar para o que restou dele era tocante, talvez eu tivesse sentido remorso, ou pelo menos deveria ter sentido, virei-me e vi Annabeth, ela vestia um vestido branco de renda, agora sujo de sangue, foi assim que entramos, meu pai nunca rejeitaria ajuda a uma jovem garota, principalmente se ela fosse bonita.
Minha irmã Bianca me encarava com medo nos olhos, ela estava sem reação, minha mãe chorava, mais até do que quando eu fui expulso de casa, olhar as duas era entediante, mas confesso que mais difícil do que esperava, talvez a parte mais difícil.
— Se quiser eu faço Nico.- Anne disse me olhando com compaixão.
— Quero elas vivas. — Disse olhando sério para Annabeth que assentiu e puxou a Bianca e minha mãe pela gola do vestido.
— Elas ficaram bem em um quarto.
Assenti e deixei que a loira as levassem, deixando que o som do salto da mesma misturados com o choro da minha mãe preenchesse meu ouvido. Os soldados do meu pai, os humanos pelo menos estavam mortos, os da sombra se curvaram a mim e o povo aceitou o óbvio, seguir a mim afinal nenhum deles queria morrer.
O veículo parou e isso me tirou do devaneio, estava de volta ao caixote preto de videiras e esqueletos, os cavalos estavam agitados e eu consegui ouvir Annabeth pousando rapidamente em cima de um dos caixotes.
— Qual o problema? — Perguntei vendo a loira que tinha amaçado um pouco uma das caixas.
— O caminho está interditado.
Revirei os olhos e pulei parando ao lado dela, em cima do caixote olhando para onde ela estava vendo, uma pequena vila se estendia um pouco a frente, a mesma não existia quando passamos para destruir o reino de gelo.
— Ok, mataremos todos, sabe como fazemos.- Disse e ela assentiu e pulou do caixote.
— Ok crianças, ouviram o Di Ângelo, acabem com todos.- Annabeth disse se divertindo e o exército tomou partido indo a frente.
— Crianças? — Perguntei e ela riu e voltou para o ar.
Deixei o fogo tomar conta do meu corpo e montei no meu cavalo liderando pôr fim a matança que se estenderia logo em seguida.
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