Ice Heart
17 Conheça o inimigo
Notas iniciais
POV- Nico
Estava sentado de frente para o tal Jason Grace, o loiro estava confortável na cadeira com aquele sorriso estampado no rosto que estava começando a me irritar.
— Tenho certeza que o senhor deve estar se perguntando o que alguém que aparentemente nunca ouviu falar quer lhe comunicar.
— Comunicar? – Perguntei depois da sua fala enjoativamente real, ele era claramente da realeza, as vestes e o jeito confiante de quem nunca viu o que o mundo realmente tem para mostrar deixava isso bem claro.
— Sim, comunicar. – O loiro confirmou. – O senhor Valdez é livre para fazer suas escolhas, mas ele trabalha para a minha família a um longo período e cuidamos do que consideramos nosso.
— Começaram a fazer isso depois da perda da herdeira? – Perguntei e seu sorriso não vacilou.
— Não, fazíamos isso antes, independente do que ache ou ache que saiba- Jason disse sério e mudando sua posição na cadeira. – Assim que soubemos que o senhor estava entrando em contato com alguém do nosso lado tivemos que averiguar.
— Pode parar de enrolar e ir direto ao ponto, não tenho o dia todo. – Disse sério e ele deu de ombros sorrindo.
— O senhor Valdez trabalha e vive do nosso lado e como claramente não queremos confusão peço que abdique o cargo dele e deixe-me leva-lo de volta para o Sul. – O loiro disse e eu ri.
— Isso não vai acontecer, está no meu reino, ele é meu novo comandante e o senhor vai se retirar agora antes que eu mesmo retire você ou melhor, seu corpo. – Disse deixando que labaredas de fogo surgissem e ele riu.
— Di Ângelo, eu sei tudo sobre você e adivinhe eu não tenho medo de você, dos seus poderes, ou do seu exército, mas acredite, você deveria ter medo de mim. – Jason disse sorrindo. – Afinal até alguém como seu pai sabia que não deveria se meter com a gente.
— Uau, cinco minutos longe e as coisas já estão assim- Annabeth entrou na sala sorrindo.
Fiquei surpreso por ela estar usando um vestido, ela não suporta vestidos. O loiro sorriu para ela e deu de ombros.
— Como falávamos senhor, ele não vai trabalhar aqui. – Disse Jason me olhando.
— Já disse que não é um acordo possível de ser aceito. – Falei e ele deu de ombros.
— É realmente triste termos que chegar a esse ponto. – Jason se levantou arrumando a gola da blusa.
Me levantei deixando que o fogo me acompanhasse.
— Se retire agora! — Disse e ele riu.
— Que pena que isso não poderá ser comprido sem entrarmos em um consenso, meu pai não aceita muito bem um não como resposta, e quando se é alguém como Zeus Grace, ele consegue o que quer. – Disse o loiro sorrindo para mim.
Dois soldados de sombras apareceram em seus lados e ele riu alto, em um movimento rápido suas mãos entraram dentro do corpo dos meus soldados e ambos se desfizeram em sombras fazendo meu corpo se enfraquecer.
— Voltarei amanhã, ou você me oferece um bom acordo ou levarei ele de volta, você querendo ou não. – Jason disse sorrindo. – Boa tarde!
Ele se virou de costas e começou a andar em direção a saída.
Logo estávamos sozinhos, apenas nós três.
— Como ele fez isso? Matar um soldado feito de sombras é impossível, pelo menos deveria ser não deveria? – Annabeth me questionou surpresa, enquanto eu fechava os olhos tentando pensar.
— Eu juro que não o trouxe aqui, quando cheguei no portão ele simplesmente apareceu do nada. – Leo disse com medo de fazermos alguma coisa contra ele.
— Isso pode ser um declarar de guerra, não pode? — A loira perguntou enquanto eu apenas analisava a situação, tentando ficar em silêncio. – Em que está pensando?
Senti as mãos da loira na minha cintura e eu respirei fundo e abri os olhos.
— Que se entrarmos em uma guerra, mesmo que a probabilidade de ganharmos seja gigante, ainda seria uma guerra no meu território, na minha vila, afetaria meu povo.
— Então vai entregar o Valdez? – A loira perguntou e eu dei de ombros.
— Ou oferecer um acordo que eles gostem. – Disse e ela riu.
— E o que você tem para oferecer Nico, não sabemos nada sobre eles, muito menos o que ele pode querer e supondo que por acaso você ofereça algo, aquele garoto irritantemente feliz pode notar que quer evitar uma guerra para proteger sua população, não por medo de perder e sim porque sabe as consequências que uma guerra ao local que ela acontece, ele pode usar isso para fazer você dar mais e mais coisas e ainda por cima ficar com o moleque. – Disse Annabeth me soltando. – Seria o que faríamos.
— Mas ele também pode notar que deixaríamos ele ir por medo de uma guerra e usar isso para conseguir mais e mais coisas, o que geraria a mesma confusão que estamos tentando evitar. – Disse e a loira respirou fundo. – Seria o que faríamos.
— Ele pode estar sozinho. – Ela disse. – Matamos ele e pronto, mesmo que ele saiba como matar seus soldados de sombra ele não seria capaz contra eu ou você.
— Mas supondo que ele esteja sozinho, afinal ele não veio com o Leo, pode ter vindo com seu exército, ele ainda é um príncipe, herdeiro do Sul, acha mesmo que o pai dele não viria em busca de vingança, principalmente pela primeira herdeira morta? – Questionei a loira e ela respirou fundo.
— É claro que viria. – Ela disse respirando fundo.
— A probabilidade dele estar sozinho é gigantesca, afinal pelo que se diz, Jason Grace nunca precisa de um exército, o CP dele é gigantesco, assim como o de toda a sua família, ele é muito confiante. – Leo disse e eu caminhei até a janela.
— Pude notar isso. – Disse e Annabeth me olhou.
— Vai conversar com ele? – A loira perguntou e eu assenti.
— Sim vou. – Disse começando a sair da sala.
— Aonde vai? – Ela perguntou me fazendo parar.
— Se quero ter alguma vantagem preciso conhecer o inimigo.- Disse e ela levantou uma sobrancelha confusa.
— E posso saber como pretende fazer isso? – Perguntou ela cruzando os braços.
— Não importa. – Disse saindo da sala.
...
Entrei na sala de concreto, conseguia ouvir os murmúrios pelo fato de eu voltar ali antes do tempo, caminhei pelas paredes vendo eles fofocarem, conversarem.
Coloquei o corpo em pé, acorrentado e coloquei a cabeça no lugar, que logo estava viva, revirei os olhos ao ver seu sorriso contente.
— Filho o que te traz aqui antes do tempo? – Meu pai perguntou vendo eu me sentar.
— Quero te fazer umas perguntas. – Disse o encarando e ele riu.
— Posso saber porque acha que eu responderia? – Perguntei e foi a minha vez de rir.
— Porque apesar de ser difícil de acreditar você ama minha mãe. – Disse sorrindo e o sorriso do seu rosto sumiu.
— Sua mãe está morta. – Disse ele e eu dei de ombros.
— É o que ela e Bianca acham de você também. – Disse e ele grunhiu de raiva.
— O que quer? – Perguntou ele.
— Quero que me diga tudo que sabe sobre os Grace. – Disse e ele riu.
— Seja lá o que fez contra eles, peça desculpas um garoto como você não teria chances contra uma família como a deles, se tiver chances de trazer eles pro seu lado traga, se tiver chances de fugir, fuja.
— Porque? – Perguntei e ele riu.
— Ele tem poderes que colocariam um assassino mixuruca como você encolhido debaixo da cama com medo, eles são gentis e amáveis, sorridentes e confiantes, mas sabem muito bem como matar, torturar e fazer o que for preciso para que consigam o que querem.
— Se está tentando me assustar não vai conseguir. – Disse e ele grunhiu de raiva.
— Estou tentando te avisar moleque, acha mesmo que deixaria você morrer sabendo que sua mãe está viva? – Perguntou ele irritado e eu ri.
— Então me fale sobre eles, não o quanto eu ficaria apavorado.- Disse revirando os olhos e me recostando na cadeira cruzando os braços.
— A família começou a ter um nome após a Zeus matar o pai Cronos...
— Cronos, tipo Cronos o estripador? – Perguntei e ele assentiu.
— O garoto tinha apenas dez anos quando matou o pai, o rei para premiá-lo por sua coragem, acolheu Zeus e a mãe do garoto no castelo, mas o rei não era bondoso como esperavam, eles nunca são...
— Você é um exemplo disso. – Comentei e ele riu.
— Você também. – Ele disse e eu o encarei. – E antes de começar o sermão de ter motivos para se tornar o que tornou, que a culpa foi minha e as coisas de sempre, continuemos, o rei gostou da mãe do garoto e começou a força-la a transar com ele escondido, dizendo que se ela não o fizesse quem pagaria era o garoto.
— Típico. – Disse e ele assentiu.
— Então a mulher obedecia, sabia que não conseguiriam sobreviver fora do castelo, a mulher sabia que pelo marido ser quem ele foi não tinha chances de conseguir um emprego, principalmente na época pois a guerra, em que tudo estava uma loucura, as desculpas para as violências estavam cada vez mais aceitáveis e ela via o menino ser educado como um príncipe, ter as melhores roupas, melhores comidas, brinquedos, treinamentos, ela podia aguentar ser um brinquedo do rei para o filho.
— E o que deu errado? – Perguntei e ele riu.
— A mulher ficou grávida, logo a rainha descobriu e o pequeno, não mais tão pequeno Zeus descobriu também, a rainha revoltada matou a mãe e a criança dentro do corpo da mulher junto, mas quando foi tentar acabar com a vida de Zeus ele mostrou como tinha matado Cronos... – Meu pai se interrompeu respirando fundo. – Sabe, dizem que são apenas lendas, ninguém sabe o que aconteceu, como aconteceu, apenas que a família real foi quase toda dizimada, deixando apenas uma sobrevivente, uma menina, da idade de Zeus, sua esposa.
— A garota se casou assim mesmo com o assassino da sua família? — Perguntei e ele deu de ombros.
— Ela o amava, ele a amava, ela entendia o porquê do que ele fez, ela aceitou, porque não ter um casamento? – Perguntou ele e eu ri.
— Porque um assassino pode matar novamente.- Disse e ele riu.
— Tem razão, um assassino a sangue frio mataria ela, mataria na primeira briga, um assassino como eu e você, mas sabe porque ele não a matou? Pelo mesmo motivo que eu nunca toquei em sua mãe, pelo mesmo motivo que nunca levantei um dedo para ela, porque eu a amo, do mesmo jeito que ele tinha se apaixonado por aquela mulher, por isso um aceitou o outro, mesmo ela sendo da família que arruinou a vida dele, mesmo ele sendo o homem que arruinou a dela, ambos se amam, ou melhor amavam, ela morreu a uns anos atrás, de causas naturais.
— Ainda não chegou aonde eu queria. – Disse e ele riu.
— Estou lhe contando o que sei deles. – Disse meu pai com um sorriso. – Eles tiveram dois filhos, a primeira a herdeira legitima, a garota nasceu claramente da família, um CP altíssimo, porém quando uma criança nasce chamando tanta atenção, sabe o que se faz?
— Acaba com a ameaça antes que ela se torne capaz de ser uma ameaça. – Disse e ele assentiu.
— Nunca deixe alguém ganhar poder suficiente, não deixe uma possível ameaça te conhecer, descobrir seus pontos fortes e muito menos os fracos. – Ele disse olhando para cima. – Ninguém sabe o que aconteceu realmente com a garota, se ela está morta, ou viva, quem fez ou o que fizeram com ela, não sabem qual o poder dela, como fizeram o que fizeram, e muito menos o que fizeram, o que restou da menina foi apenas um berço inundado de sangue.
— Alguns meses depois da suposta morte da menina, o outro nasceu, um garoto forte, mas é claro que Zeus tomou mais cuidado, ele criou uma fortaleza, agora ele tinha que garantir que ninguém mais saberia muito sobre ele...
— Ele era um dos seus negociantes. – Disse e ele assentiu.
— Podemos dizer que ele é um melhor rei do que o antigo, garantiu todas as possíveis melhorias para seu povo, garantiu que eles se recuperassem da guerra e eles sabiam da minha ascensão, sabiam que eu descobriria sobre eles e sabia que eu tentaria conseguir o melhor para mim.
— Deixa eu adivinhar, ele veio conversar? – Perguntei e ele assentiu.
— Chegou aqui como um rei, confiante, sabia o que queria, sabia quem eu era, meus costumes, minhas fraquezas, minhas forças, sabia tudo, veio sozinho enfrentar um exército com suas meias dúzias de palavras rebuscadas e claro tentei o matar.
— E não deu certo. – Disse e ele riu.
— Me mantive longe por um motivo e espero que se mantenha também. – Ele disse e eu levantei pegando a espada.
— Mais alguma coisa a dizer? – Perguntei esticando a espada.
Ele grunhiu com ódio no rosto e eu ri.
— Espero que mentiras não tenham sido contadas, sua filha e sua esposa estão no castelo, isso significa que se eu for atacado elas também vão ser, e se não forem eu mesmo mato. – Disse e cortei sua cabeça novamente.
Coloquei tudo no seu devido lugar e me retirei vendo os olhos arregalados de mortos, ou quase mortos seguindo-me enquanto ia embora.
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